Às nove horas da manhã, Rin e Sesshoumaru estavam no final de arrumar o quarto para dar início a mais uma crônica.
-Eu faço um temaki do jeito que você gosta se vier almoçar hoje aqui enquanto eu vejo Hakudoushi lavando a louça. – ela falou ao esticar o lençol de um lado. Sesshoumaru fazia o mesmo do lado oposto. A voz soou um conhecidíssimo tom sedutor que ele conhecia muito bem.
-Você parece adorar essa tirania agora que temos alguém pra ajudar nas tarefas. – ele parecia sério – Estou considerando deixá-lo morar aqui se for para ter você descansando com mais frequência no nosso quarto.
Rin mordeu o lábio para impedir que um acesso de risadas tomasse conta dela.
Saindo do quarto, eles rumaram até a cozinha, com Sesshoumaru ainda tentando convencer Rin sobre as inúmeras qualidades de ficar no quarto com ele enquanto uma pessoa cuidava sozinha da casa. E deu um sorriso meio doce, meio malicioso sem que ele, no entanto, percebesse.
Ao abrirem a porta da cozinha, que estava brilhantemente polida, Sesshoumaru e Rin quase todos os amigos já à mesa. A única que faltava era Sango, que ainda dormia porque era dia de folga dela. Inuyasha jogava seu mais novo vício no celular Sony Ericsson, Bejeweled Blitz, Kagome tomava o café dela e tinha Buyo no colo, Miroku marcava coisas num caderninho e comia lenta e calmamente o desjejum preparado por Hakudoushi.
(E Hakudoushi servia todo mundo).
-Bom dia. – o casal disse ao entrar.
-Bom dia. – os outros responderam sem parar o que faziam. Rin quis arrumar o desjejum para si, mas Sesshoumaru, baixando o jornal do dia que pegara para ler, a fez lembrar com um olhar que Hakudoushi era agora escravo deles.
(E depois Sesshoumaru voltou a esconder o rosto atrás do Japan Times do dia).
Todos comeram em relativa calma, lembrando também que Sango só acordaria mais tarde, muito mais tarde que os demais. Seria quase almoço, na verdade.
De repente, Miroku fechou o caderninho e se levantou.
-Inuyasha, empresta as chaves do Suicchi pra eu ir trabalhar? Eu devolvo mais tarde.
-Claro. – o outro conseguiu a proeza de pegar as chaves do bolso sem deixar de jogar.
-Eu preciso ir. Volto só mais tarde. Trarei o jantar hoje, ok?
-Ok. – todos responderam em uníssono.
Miroku foi embora, fechando a porta atrás de si.
Quatro ou cinco segundos depois, não se sabe ao certo, todos pararam o que faziam ao mesmo tempo e olharam para a porta. Sesshoumaru baixou o jornal, Rin parou de mexer a colher na xícara de chá, Kagome deixou Buyo largado no colo, Inuyasha escutou a musiquinha de Bejeweled Blitz tocar incessantemente, anunciando que havia acabado o jogo, Hakudoushi esqueceu a torneira aberta enquanto enchia mais uma vez o bule para fazer chá.
Depois trocaram um olhar assustado entre si.
E correram para a janela da frente, na sala, onde viram Miroku entrar e dar partida no carro.
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi
Miroku ni shigoto
Crônicas de Tokyo: nossos verdadeiros sentimentos
Um trabalho para Miroku
Disclaimer: É meu sim. E daí? Vai querer encarar, é, dona Takahashi? Vem aqui que eu te arrebento, vem!
Para os leitores que pacientemente aguardam cada capítulo e o final desta história... (leiam a nota!)
Sango entrou na cozinha da casa de Sesshoumaru do mesmo jeito que entrava sempre que estava de folga: usando o roupão mais caro, cabelo desalinhado, sem maquiagem, com olheiras e com cara de sono. Muito sono.
Arrastando-se até o lugar dela à mesa como um zumbi, ela nem viu os rostos dos amigos, meramente sentindo a presença deles. Murmurou um "bom dia", cruzou os braços e fechou os olhos, enterrando o rosto neles.
E os outros cinco amigos ainda estavam perplexos. Tanto que a musiquinha do jogo de Inuyasha ainda estava tocando, e nem parecia incomodar aos outros.
Mas incomodou Sango.
-Inuyasha, desliga essa porcaria ou eu vou quebrar esse celular. – a voz de Sango soou agressiva e abafada, pois ela nem se atreveu a erguer o rosto, completando num tom mais ameno – Por favor.
Fez-se um momento de silêncio.
Sesshoumaru foi o primeiro a quebrá-lo.
-Kawashima. – falou ele, pigarreando – Temos uma coisa para conversar com você.
-NÃO FUI EU! – ela ergueu o dedo e apontou acusadoramente Hakudoushi – FOI ELE, FOI ELE!
Ao ver a cara de "não-me-interrompa-para-falar-besteira" de Sesshoumaru, ela se calou.
-Sango-chan... – Kagome se aproximou da amiga, apertando o ombro dela gentilmente – É sobre Miroku-sama...
-EU SABIA, EU SABIA! – ela bateu com o punho violentamente na mesa – EU SABIA QUE ELE TINHA...
Viu agora a cara de "pare-de-falar-idiotices-de-novo-Kawashima" de Sesshoumaru, ela se calou. De novo.
-Sango-chan... – desta vez foi Rin que tentou dar a notícia mais diretamente – Nosso Miroku-sama arranjou um emprego e saiu pra trabalhar cedo esta manhã.
-O QUÊ? O NOSSO MIROKU-SAMA ARRANJOU UM EMPREGO?
Silêncio se fez. Todos olhavam para ela. Ela olhava para todos.
Depois baixou o rosto de novo entre os braços cruzados em cima da mesa e murmurou com uma voz abafada:
-Ah, é isso.
Uma gota surgiu ao lado da testa de cada um, menos na de Sesshoumaru, que se limitou a estreitar os olhos.
-Hakudoushi, prepara meu café. – ela voltou a falar, ainda com voz abafada – Por favor.
-Café? – Hakudoushi, Kagome e Inuyasha falaram ao mesmo tempo.
-Sango-chan, já é quase hora do almoço. – Rin-chan segurava uma das mãos de Sesshoumaru, porque a outra esfregava a têmpora dele para diminuir a impaciência.
-JÁ? – ela ergueu a cabeça e tinha os olhos arregalados.
Todos confirmaram com um assentimento.
-Ah... – ela voltou a baixar a cabeça entre os braços – Capricha no meu almoço então, Hakudoushi. Por favor.
-Kawashima... – Sesshoumaru fumegou. Rin massageava um lado do ombro dele – Pode nos dizer em que diabos Houshi está trabalhando?
-Ele não contou? – ela ergueu a cabeça e se endireitou na cadeira.
-Ele só pediu o carro emprestado e saiu. A gente nem teve tempo de assimilar. – Kagome entortava tanto as sobrancelhas, que elas pareciam que ficariam unidas para sempre no meio dos olhos – Só percebemos quando ele já estava do lado de fora.
-Ele arrumou um emprego como atendente da Pizza But. Ele disse que recebe um tablet da Sony pra anotar os pedidos e um Sony Ericsson Xperia X1103.5 da 21ª geração pra usar enquanto estiver lá.
-SÉRIO? – desta vez foi Inuyasha quem arregalou os olhos, pegando o celular G19 e fazendo cara de desprezo para ele – Será que eu consigo um trabalho desses também?
Todo mundo, obviamente, ignorou o comentário do irmão mais novo de Sesshoumaru.
-E quando ele conseguiu isso? – perguntou Kagome.
-Ah, foi semana passada. Mas ele precisava fazer uma espécie de treinamento antes de poder assumir... e parece que ele gostou. Ele pode comer muitas fatias de pizza sem precisar pagar.
-Peraí que vou já passar um trote pra ver se ele tá trabalhando de verdade... – Hakudoushi tinha um sorriso maligno enquanto pegava o celular e começava a procurar o número da Pizza But mais próxima.
-Para, Hakudoushi... – Kagome tirou o celular das mãos dele e entregou a Inuyasha, que sorriu alegremente como uma criança quando começou a mexer os joguinhos dele – Vocês NÃO vão passar trote no pobrezinho.
-Ah, qualé, Kagome? – Inuyasha pegou o próprio celular e ameaçadoramente aproximou a ponta do dedo da discagem direta que a letra H, de Houshi.
-É sério o que ela está falando, Inuyasha! – Rin tirou o celular dele também – Miroku-sama acabou de arranjar um emprego depois de muito tempo! O mundo todo sabe da crise que o país está passando, que está difícil arranjar emprego, que tudo está aumentando de preço e que temos que pagar mais e mais impostos e ajudar na reconstrução do país. Por isso, deixem Miroku-sama em paz!
Ficaram em silêncio. Tinha sido um belo discurso, mas ninguém disse se realmente concordava em não perturbar Miroku.
-Né, Sess? – ela buscou o apoio do namorado.
Infelizmente (apenas para Sesshoumaru), ela o viu mexendo no celular com um meio-sorriso maligno, totalmente concentrado em procurar alguma coisa no aparelho. Ao perceber o silêncio e olhares na direção dele, baixou o celular, e estremeceu (discretamente, claro) ao ver Rin com uma sobrancelha arqueada no belo rosto, olhando para ele.
Guardou o celular e pigarreou. Coçou a têmpora. Encontrou o olhar de Rin. Ela continuava com a sobrancelha arqueada, agora com a palma da mão estendida para ele.
Até que ele finalmente alcançou o bolso da calça e tirou de lá o celular, entregando a ela.
-Muito bem... – Kagome começou o discurso – Vocês estão proibidos de fazer qualquer gracinha com Miroku-sama.
-Se nós soubermos que aprontaram com ele, vocês querem saber o que vamos fazer com vocês? – Rin iniciou a ameaça.
Os três nem piscaram. Sesshoumaru não ousava respirar.
-Acho que eles não querem saber, Rin. – Sango comentou, abafando um bocejo com a mão, mostrando as unhas recentemente pintadas.
-Isso também vale pra você, Sango-chan! – Rin a repreendeu. A outra ficou rígida e na defensiva.
-Bem, agora que está tudo resolvido... Vamos, Rin-chan. – Kagome ergueu-se da mesa com altivez. A amiga fez o mesmo.
-Vocês vão sair? – Inuyasha perguntou cautelosamente. Os quatro trocaram olhares.
-Não exatamente. Mas vamos cuidar de alguns assuntos pendentes no antigo quarto de Kagome-chan. Sobre nossa viagem de final de ano. – Rin respondeu, tirando um caderninho cor-de-rosa do bolso da calça jeans – Hakudoushi-sama, não esqueça que precisa limpar os livros de Sesshoumaru-sama na sala. Ah, e afaste a estante e limpe atrás. Tem sempre poeira. E não se esqueça de separar as roupas de tom claro pra lavar.
-Sim, senhora! – ele fez uma continência e as duas saíram da cozinha.
-Tom claro, ouviu, Hakudoushi? – Sango comentou enquanto admirava ainda as unhas.
A resposta dele foi atirar água na cara dela.
Mais tarde, naquele mesmo dia...
A porta do antigo quarto de Kagome estava entreaberta de forma a permitir que as duas que estivessem dentro pudessem escutar quem as chamasse de qualquer ponto da casa. Mas, no fundo bem íntimo, era mesmo para monitorar todo mundo que estivesse na sala.
E todos estavam lá. Hakudoushi limpava a estante com luvas e máscara, murmurando algo sobre "Sesshoumaru ter tanto livro que duvidava que desse conta de ler". Sesshoumaru lia um dos livros que Hakudoushi tinha acabado de encontrar atrás da estante, e murmurava algo como "Hakudoushi ter inveja da coleção ser maior que a dele". Sango zapeava os canais de moda e murmurava algo como "o cabelo dessa modelo ser menos brilhante que o dela, apesar de ser meu dia de folga e eu não estar arrumada."
Inuyasha brincava com o DS dele e não murmurava nada.
Rin apareceu um instante na sala.
-Sess, vou pegar seu laptop.
Todos pararam o que faziam e olharam o casal. O namorado arqueou uma sobrancelha. Ela não estava pedindo para usar o laptop. Ela ia usá-lo.
E ele a viu arquear a sobrancelha para ele, também.
-Ok. – ele assentiu, voltando a ler.
Rin deu um sorriso e foi até o quarto deles, saindo de lá com o laptop para fazer caminho de novo ao quarto de Kagome, onde Hakudoushi estava no momento hospedado.
A porta continuou entreaberta.
-Rin, acabei com a estante. – Hakudoushi tirou a máscara para a voz não ficar abafada enquanto usava um tom mais forte para ela ouvir – O que mais eu faço?
-Limpe os outros móveis por perto, só um paninho pra tirar a poeira. – ela respondeu no mesmo tom.
-Certo.
E ele começou limpando, limpando, limpando tudo o que estava por perto. Uma cômoda. Dois vasos. Um porta-retratos eletrônico (apenas com fotos de Rin e Sesshoumaru juntos). O telefone.
Hakudoushi ficou congelado na frente do aparelho como se algum raio o tivesse atingido. Quando voltou a si, um sorriso maligno curvou-lhe os lábios.
Começou a limpar a área ao redor do telefone, embaixo, a base...
Olhou para trás e viu que todo mundo estava concentrado em alguma coisa.
Pegou cuidadosamente o telefone e começou a limpá-lo, esfregando até as teclas.
Olhou de novo para trás. O cenário não havia mudado.
Foi quando teve a oportunidade perfeita de clicar na letra H e passar um rápido trote para Miroku. O dedo aproximou lentamente da tecla e...
-Ah, Hashi, obrigada por limpá-lo. Ele tava precisando mesmo. – Rin pegou o telefone das mãos dele e começou a discar rapidamente um número anotado numa folha de papel enquanto se afastava dele – Olá, boa tarde, meu nome é...
Hakudoushi ficou sem reação.
Dez minutos depois...
Rin voltou à sala com o telefone apenas para deixá-lo na base, ignorando todos. Hakudoushi continuava limpando. Sesshoumaru virava outra página do livro. Sango decidiu ver um programa de decoração. Inuyasha jogava.
O livro estava interessante, mas não era algo que Sesshoumaru queria terminar de ler no momento. Ia deixar para o final de semana, ou para ler durante a viagem que Rin estava planejando.
Levantou-se e foi até a estante, orgulhando-se do brilho que a madeira refletia de tão limpa que estava. Hakudoushi agora limpava os quadros pendurados na parede do lado oposto, e ele via o resultado do trabalho do amigo. A estante e os livros estavam limpos. Limpos demais, do jeito que ele gostava.
E ele viu que a cômoda ao lado também brilhando. Os dois vasos. O porta-retratos que ele tinha escolhido para ter as fotos dele ao lado de Rin. Até o telefone estava brilhando.
O telefone.
Olhou para trás. Todo mundo estava concentrado nas próprias tarefas.
Olhou a porta entreaberta. Dali tanto Rin quanto Kagome não conseguiriam vê-lo.
Tirou o telefone da base. Estava tão limpo e com um cheiro tão forte de limão...
Olhou de novo para trás. O cenário não havia mudado.
Era a oportunidade perfeita de clicar na letra H e passar um rápido trote para Miroku. O dedo aproximou lentamente da tecla e...
TRRRIIIIIIIIIIM.
O telefone tocou na mão dele.
O coração dele batia tão rápido, tão forte e Rin nem estava perto dele para provocar aquilo. Precisou de pelo menos 20 segundos para se recuperar, antes de finalmente atender e xingar mentalmente o infeliz que atrapalhou o plano dele.
-Alô?
-Boa tarde, meu nome é Sakamoto Yuu, da agência de turismo Japan World Travel. Poderia falar um minutinho com Nozomu Rin?
-Sess, quem é? – a cabeça da namorada e de Kagome apareceram no vão da porta.
-É pra você, Rin. – ele estendeu o telefone para ela, ainda tentando parar de tremer por causa do susto.
Ninguém percebeu aquilo.
Mais dez minutos depois...
Inuyasha já jogara todos os joguinhos do DS que tinha. Bocejou. Era tudo tão menos legal que Bejeweled Blitz... Por que diabos ele não tinha aquilo em outro lugar? Por que ele não tinha outro celular? Outra conta? Um iPad? Ah, é, ainda nem chegou ao Japão isso. Ele poderia comprar um tablet de marca nacional, como a Sony. Pena que, com a crise japonesa, o preço dos eletrônicos subiu a preços astronômicos. E Sony era a marca mais cara no universo japonês.
Colocou o DS de lado.
Olhou para a janela. O céu estava azul.
Olhou para o teto. Hakudoushi precisava limpar uma manchinha ali.
Olhou para o lado. A estante abarrotada de livros de Sesshoumaru estava brilhando. Tipo, brilhando mesmo, como se tivesse aquele maldito glitter que Kagome passa no olho em cada centímetro quadrado de madeira que suportava o peso de romances de 500 páginas. Sério mesmo, quem ainda compra livro quando pode ler num tablet ou num e-book reader da Sony?
(Sesshoumaru, já que ele também não tinha nem tablet nem e-book reader).
Olhou para o lado da estante, porque a cômoda também estava brilhando. Os dois vasos brilharam. O porta-retratos que mostrava as fotos de uma Rin sorridente e de um Sesshoumaru inalterado brilhava. Até o telefone parecia ter sido limpado com um pano cheio de glitter de tanto que brilhava.
O telefone.
Olhou para o lado da televisão. Hakudoushi tirava o pó dos cabos que vinham do teto e se ligavam à tevê.
Olhou para o sofá. O irmão lia aborrecido uma revista sobre economia. Há alguns minutos ele parecia que estava tremendo.
Olhou para o outro sofá. Sango fazia uma careta para uma guria mais nova (e infelizmente mais rica que ela) que mostrava o guarda-roupa diante das câmeras.
Olhou para a porta meio aberta, onde a namorada e Rin organizavam uma maldita viagem juntas.
Olhou de novo o telefone. Eram apenas algumas passadas, né? Cinco, talvez?
Olhou de novo a porta. Dali elas não conseguiriam vê-lo.
Olhou para todos os cantos de novo. O cenário não havia mudado.
Seria a oportunidade perfeita de pegar o telefone, clicar na letra H e passar um rápido trote para Miroku. Só precisaria aproximar o dedo da tecla e ligar.
Colocou os braços na poltrona para levantar-se. Um... dois... e...
-Inuyasha, senta. – a cabeça de Kagome apareceu no vão da porta. A de Rin também.
Todo mundo agora parava o que fazia para olhá-lo.
-Mas eu não fiz nada! – ele protestou.
-Mas ia fazer. – ela argumentou.
-Não ia, não!
-Ia sim. Ia correr pra pegar o telefone e passar trote no trabalho do Miroku-sama.
Todos olharam Inuyasha com choque (evidentemente fingido) no rosto. Parecia que era o pior criminoso da Terra.
-Maldição, Kagome... – ele rangeu os dentes – Como diabos sabia disso?
-Ora, meu amor... – ela arqueou uma sobrancelha para ele – Você esqueceu que sou sua vizinha em Harvest Moon? Quando parou de matar os lobinhos da minha fazenda, eu imaginei que era porque ia se levantar pra ligar pra ele. Portanto... SENTA!
Inuyasha afundou na poltrona.
Quinze minutos depois...
Sango cansou de ver sobre moda. Depois passou para decoração. Cansou de decoração, porque sempre mostravam closets horrorosos nas reportagens. Ela fez uma nota mental de mandar ao programa uma carta pedindo uma visita à casa de Inuyasha, mais especificamente ao quarto dela, onde tinha o mais lindo, organizado e limpo closet de toda a cidade de Tokyo. As roupas dela estavam organizadas até por tons!
Aproveitou o comercial para zapear novamente os canais, até parar numa imagem que chamou a atenção.
Num canal de esporte, apareceu o emblema da Pizza But, local onde o noivo estava trabalhando. Aparentemente, a empresa estava patrocinando um time.
Tocou a musiquinha-tema da pizzaria, e o logo com o chapeuzinho apareceu, juntamente com o telefone.
Sem se importar em olhar para os lados para ver o que os outros faziam, muito menos para a cômoda onde brilhava o telefone, Sango tirou do bolso da calça de ioga o celular dela. Abriu o flip, esperou a tela acender, começou a teclar algumas coisas fazendo um barulho irritante e chamou a atenção de todos. Hakudoushi parou de limpar os bibelôs de Rin. Sesshoumaru parou de ler a revista. Inuyasha ignorou a musiquinha de game over de Pokémon HeartGold. As cabeças de Rin e Kagome apareceram na porta.
Foi quando ela se deu conta e olhou surpresa a todos.
-O que foi?
-O que está fazendo com isso aí? – Kagome perguntou.
Sango olhou o celular.
-Vou passar um trote no Houshizinho.
Todos ficaram boquiabertos.
-Não vai, não! – Hakudoushi se enfureceu.
-Solte esse telefone, Kawashima. – Sesshoumaru não conseguia esconder o ódio dele.
-Ou vai se arrepender... – Inuyasha estalou os dedos.
Sango permanecia impassível.
-Vão morrer. – e deu as costas para eles, rumando à cozinha. Atrás dela, mesmo com a porta fechada, uma revolução de cadeiras, sofás derrubando, pessoas correndo e xingando era possível de se ouvir.
Em segundos, uma montanha de braços, pernas, cabeças, cabelos e mãos estendidas surgiu na cozinha, querendo arrancar o celular dela.
-Parem com esse barulho! – Sango ordenou autoritária enquanto o monte tentava se desenrolar, levantando poeira - Ele é o meu noivo. Eu posso fazer isso.
-Fazer o quê? – alguém perguntou.
O monte parou de se enrolar. A poeira baixou. Sango ainda tinha o celular em mãos, mas deixou cair no chão ao ver Miroku parado à porta da cozinha, segurando duas caixas de pizza com o emblema da Pizza But.
Silêncio se fez.
-Houshiiiiiiiiiiiii! – Sango pulou no pescoço dele, quase derrubando a pizza – O dia foi um tédio sem você.
-O meu também foi porque eu não vi você o dia todo, Sangozinha. – ele respondeu com tanta sinceridade e doçura que os olhos de Sango arderam, como se ela fosse chorar.
Ficaram um instante sorrindo um ao outro, como dois gatos vindos de Alice no País das Maravilhas.
Os outros aproveitaram o momento para se erguerem e limparem as roupas.
-Olá a todos. Trouxe pizza. – Miroku mostrou as caixas, orgulhoso – Uma de caranguejo e uma pizza vegetariana para Rin-sama!
Todo mundo avançou em cima dele e das pizzas.
Hakudoushi, tirando o aspirador de pó de dentro do armário de limpeza da casa de Sesshoumaru (e Rin), preparava-se para começar o dia.
E queria que começasse bem. Ele faria as tarefas, depois daria uma olhada em algumas casas para alugar e...
-Hakudoushiiiiiiii... – uma voz masculina cantarolou.
-...'Taquepareo... – ele gemeu entre os dentes quando reconheceu a voz de Miroku. Ele o perseguia desde que soubera que jogara água na cara da noiva dele. A mão deslizou pela cara tentando controlar o ódio. Já imaginava que teria problemas.
-Ô, Hakudoushiiiiiiiii...
Parou o que fazia. Largou o aspirador, que caiu com um baque surdo no chão. Uma pecinha de plástico voou.
Segundos depois, Miroku aparecia no corredor do armário de limpeza.
-Hakudoushi, você se esqueceu de preparar a marmita do meu almoço. Eu disse que levaria uma porção vegetariana do que preparasse pra Rin-sama hoje. Sabe como é, pra eu ficar saudável e manter a forma.
Silêncio.
-Você sabe fazer isso sozinho, Miroku. – foi a resposta atravessada dele.
E curvou-se para pegar o aspirador caído no chão como um cadáver.
-RIIIIIIIIIIIIIIIIN. – ele berrou com todas as forças, fazendo o outro largar de novo o aspirador de tão assustado que ficou – HAKUDOUSHI VAI PREPARAR O ALMOÇO DE TODO MUNDO HOJE PRA LEVAR!
-Maldição... – o infeliz amigo murmurou, dando um suspiro cansado ao ouvir passos pesados se aproximando deles.
-Isso é sério? – Sesshoumaru apareceu ao lado da namorada – Veja então o dobro pra mim.
-Ah, Hakudoushi-sama, coloque um pouco de comida vegetariana na marmita do Sess também. Ele precisa comer mais legumes e verduras.
-Não preciso, não. – o outro rebateu.
Rin apenas ergueu uma sobrancelha para ele.
-Ok, talvez um pouco. – ele afirmou ao novo escravo deles.
-Eu também quero! – Sango passou por eles enquanto lixava as unhas.
-Ah, Hashi, pode preparar o meu lamen com o mesmo tempero de ontem? Tava muito bom. – a voz de Inuyasha soou de algum canto.
-Não esqueça meu oden, Hakudoushi! – até Kagome, que sempre tivera um coração puro, meteu-se na conversa.
Depois todo mundo voltou a se preparar para sair, deixando Hakudoushi sozinho com Miroku e o pobre aspirador.
Miroku deu um tapa de leve no ombro do amigo.
-Capricha na porção vegetariana do meu. – repetiu e deu as costas.
E deixou Hakudoushi praguejando sozinho no corredor.
Próximo capítulo:
Uma grande estrela do cinema pornô chega à capital, e alguns antigos amigos querem visitá-la nas filmagens do mais novo sucesso dela. Adivinhem quem é... Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi: Kikyo no poruno eiga – daí ikkai. Não percam!
"-Vamos vê-la no camarim, e sempre precisamos levar flores pra atriz principal. E você, como ex-namorado dela, não pode simplesmente aparecer de mãos vazias lá."
Nota da Autora: Desculpem pela imensa demora, mas meu computador MORREU com o capítulo que eu tinha pronto, e isso sinceramente mata na hora de ter que reescrever... acabei desistindo do anterior (perdido) e escrevi um totalmente diferente. Espero que tenham gostado.
Para completar, estou encaminhando à história para um final. Terá pelo menos mais uns 15 capítulos, e já tenho cinco preparados (alguns ainda faltam mandar para a beta), pelas minhas contas até início de dezembro isso vai acontecer. Então, se quiserem ter mais um capítulo, podem preparar os dedos e comentem (porque não dura nem um minuto fazer isso). Mesmo esquema do anterior: 25 reviews = capítulo novo (porque já está pronto mesmo).
Obrigada a quem comentou no capítulo passado. Vou responder a cada um durante a semana. Qualquer coisa, mandem email ou PM também (vejam meu perfil).
Até o próximo capítulo,
Analoguec/Shampoo-chan (mudei de nome... vão encarar?)
