-Vamos logo, Kagome! – Sango gritou da porta da casa, absurdamente irritada. Rin parecia igualmente nervosa enquanto esperavam a amiga sair do antigo quarto (ocupado por Hakudoushi, mas que ainda guardava a maior parte dos pertences dela) – Não é hora de fazer babyliss, pelo amor dos deuses!

Finalmente as duas, uma perna do lado de fora da casa, outra perna dentro, escutaram um ruído e viraram os rostos em direção de um barulho – uma porta sendo aberta.

O rangido era lento, um pouco assustador e lembrava os rangidos da porta do filme A bruxa de Blergh que Rin tanto se assustou.

De lá surgiu Kagome, perfeitamente pronta.

Pronta até demais, as duas notaram, fixando o olhar no busto dela.

Silêncio se fez.

-Er... – Sango começou. Rin apenas tinha a boca aberta e não sabia o que falar.

Mais silêncio se fez.

-Dá... – Kagome olhava para elas e olhava para o busto – Dá pra notar?

-Se dá pra notar que você está usando um sutiã de enchimento que aumenta os seus seios em dois números? – Sango completou num tom meio casual disfarçando a vontade de rir – Claro que não.

Kagome começou a choramingar.

-Ka-Kagome-chan... – Rin foi até a amiga de infância e Sango ficou petrificada. Nunca havia visto Kagome chorar – Por que está usando isso? Você comprou essa peça há uns três anos e ela nunca saiu da sua gaveta de roupa íntima.

-Eu sei... – Kagome do nada já tinha um lenço em mãos e assoava ruidosamente o nariz cheio de muco provocado pelo choro – Mas eu fico insegura... Ela está na cidade, Inuyasha pode topar com ela a qualquer momento e... bem, a gente já viu o tamanho dos seios dela, né?

-Kagome... – Sango já tinha assumido um ar mais sério ao perceber qual era a insegurança da amiga – Noventa por cento da população japonesa já viu essa maldita série A Sacerdotisa. Noventa por cento já viu o tamanho dos seios dela. Noventa por cento sabe que eles têm silicone.

-Mas... mas... – Kagome ainda fungava e encostou o rosto no ombro de Rin, que dava tapinhas nas costas dela para acalmá-la – E se Inuyasha... Inuyasha...

-Para com isso, Kagome! – Sango fechou a porta e num outro segundo já estava em frente ao sofá que Kagome tinha tomado conta para chorar no ombro de Rin – Para com essa choradeira AGORA!

Kagome engoliu o choro. Ergueu o rosto e viu Sango com as mãos na cintura, pose de liderança.

-Você não pode deixar que isso te deixe pra baixo! Ela é passado, e você é presente! Ele NUNCA te deixaria por conta do tamanho dos seus seios, e até onde todos nós sabemos, você nunca precisou usar esse maldito enchimento desde o primeiro dia que vocês ficaram juntos!

Kagome fungou mais uma vez, mas moveu a cabeça num assentimento para mostrar que concordava com ela.

-E-Eu... eu vou tirar isso... – ela ergueu-se e olhou em direção ao quarto – Você tem razão, Sango-chan... Inuyasha me ama do jeito que eu sou...

Quando ela ia voltar para o quarto para tirar o "aparato", Sango a fez parar.

-Ei, Kagome... – ela tinha um ar tão malandro quanto o do noivo – Podemos ver?

-Ver o quê?

-Esse sutiã com enchimento. Posso testar?

Rin arregalou os olhos; Sango tratou logo de se defender.

-Ah, eu só quero ver como fica. Só isso.

Tanto Kagome quanto Sango rumaram ao quarto ocupado agora por Hakudoushi. Antes de elas entraram, escutaram Rin também chamá-las.

-O que foi, Rin-chan? – Kagome estranhou a amiga franzir a testa como se estivesse preocupada. Ela também torcia as mãos em nervosismo.

-Eu posso... ver como fica em mim também?

As duas ficaram de boca aberta.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi

Kikyo no poruno eiga – dai nikkai.

Crônicas de Tokyo: nossos verdadeiros sentimentos

O filme pornô de Kikyo – segunda parte


Disclaimer: Por que não existe disclaimer já pronto no maldito site? Eu sou preguiçosa pra inventar um, sabiam?


ATENÇÃO

Por conta da classificação etária deste fanfic, todas as mulheres que participam da gravação em estúdio do novo filme da série A Sacerdotisa deverão andar com uma tarja preta escondendo as partes íntimas (tanto em cima quanto embaixo).


-Kouga...

-Namorado da Rin...

-Takeda...

-Houshi, Houshi...

-Bozo.

-Oiê?

-Forever alone... – murmurou Hakudoushi, só porque ele não tinha com quem rivalizar ali na hora. Era agora sempre assim quando eles se encontravam? Ficavam se encarando enquanto a fila para os autógrafos da sacerdotisa andava?

Foi quando ele lembrou ontem estavam e chamou os amigos (dele):

-Pessoal, temos que pegar nosso lugar na fila.

Seis cabeças olharam na direção dele, como se Hakudoushi tivesse quebrado um encantamento e conseguido trazer os amigos de volta à realidade.

Assim que perceberam que havia fila – isso mesmo, FILA – para cadastrar as pessoas que entravam, todos correram na direção dela.

Cerca de 40 minutos depois

-Vocês já perceberam que todos os nossos encontros acontecem em lugares lotados e com fila? – Kouga falou repentinamente, chamando a atenção dos amigos (dele e os outros).

Há quarenta minutos na fila, havia pouco o que conversar e muito para observar. Havia muitas mulheres sem roupa (TARJAS PRETAS) passeando pelo recinto. Descobriram também, muito depois, que a fila da entrada do estúdio levava a outra fila, uma de autógrafos da estrela principal, a sacerdotisa.

A pergunta ficou sem resposta. Não porque ela não merecesse uma, mas porque uma moça com uma ENORME faixa preta nos seios passou por eles.

-Esses aí são maiores que o daquela outra guria. – Miroku comentou, esfregando o queixo pensativo.

-Qual? A que tinha uma tiara de orelhas de coelho? – Takeda não tirava os olhos.

-Aqueles são grandes pra você? – Kouga zombou fazendo tsc, tsc.

-Ora... – Takeda ia rebater, mas parou ao ser cutucado para fazer a fila andar.

-Essa fila até que tá rápida... – Inuyasha observou – Mas ainda temos uns trezentos na nossa frente.

-Essa fila não tá andando rápido demais? – Hakudoushi arqueou uma sobrancelha, desconfiado.

Outra mulher passou, desta vez com uma enorme faixa preta encobrindo as partes de baixo. Com isso, ninguém respondeu ao comentário de Hakudoushi.

-Senhores, por favor. – Momiji, velha conhecida do grupo que usava apenas uma identificação grudada no corpo, um pouco acima da faixa que encobria os seios, aproximou-se deles com uma prancheta. A fila continuava andando e ela andava com eles – Preciso dos seus nomes para levar para a nossa atriz preparar os autógrafos.

-Nós só vamos receber os autógrafos? – Sesshoumaru questionou.

-Sim. – ela respondeu – O que vocês queriam mais?

-Vê-la pessoalmente e falar: Me dá um autógrafo? – Miroku respondeu na cara dura.

-Bem, entrar e falar com a dona Kikyo não é permitido.

Os sete rapazes baixaram a cabeça e curvaram os ombros em derrota depois de quarenta minutos de espera. A cena era tão dramática que Momiji se sensibilizou e tratou de consolar logo:

-Pelo menos não de graça.

Os sete ergueram a cabeça novamente.

-Como assim? – perguntou Hakudoushi, novamente desconfiado.

-Bem... – ela pigarreou e olhou para os lados – Há uma outra fila, só que nessa precisa pagar pra receber o autógrafo das mãos da nossa atriz favorita.

-Oh... – os sete comentaram ao mesmo tempo.

-E... – Sesshoumaru pigarreou, tateando o bolso em busca da carteira – De quanto estamos falando?

Momiji mordeu o lábio inferior e torceu o nariz. Depois pegou um pedaço de papel e escreveu alguma coisa lá, entregando discretamente ao grupo.

As cabeças se uniram para ver de perto o preço escrito à caneta no papelzinho.

-Isso é alguma brincadeira? – Sesshoumaru perguntou, pálido.

-Tudo isso? – o espírito avarento de Inuyasha falou mais alto.

-N-Não p-pode ser... – Miroku estava incrédulo.

-Ela pensa que eu sou dono do banco central japonês? – Kouga indagou.

-Meus deuses do céu! – Takeda enxugou o suor da testa.

-Acho que minha pressão tá aumentando... – Houjo ofegou e levou uma mão ao peito para acalmar os batimentos.

Hakudoushi ficou calado. Nisso, as cabeças se voltaram para ele esperando um comentário.

-O que foi? – ele quis saber.

-Não vai dar sua opinião? – Kouga perguntou.

-Ah, peraí, vocês querem mesmo entrar e ver a Kikyo só de tarja preta lá dentro? – ele cruzou os braços em frente ao peito – Prefiro ficar na fila de graça, oras.

Os outros rapazes concordaram com a cabeça, vendo que ele tinha mesmo razão.

-Bem, então vou fazer a oferta ao outro grupo ali... – Momiji virou-se lentamente para indicar que estava indo embora.

-Você fica uma semana sem fazer os trabalhos de casa! – Sesshoumaru disparou.

-ESPERA! – Hakudoushi agarrou Momiji pelos ombros e quase a derrubou.

(Aviso: neste momento, a faixa que cobria os seios de Momiji se deslocou e deixou uma parte à mostra por milésimos de segundo, o que não foi percebido pelos rapazes e nem pelo resto do elenco).

-O que foi? – ela perguntou depois de se recompor.

-Você aceita cartão? – ele deu um largo sorriso mostrando os dentes e aproximando o cartão de crédito do rosto, parecendo um comercial.

Enquanto isso, na casa de Sesshoumaru:

-Vamos, Rin-chan! – Sango disse enquanto batia palmas. Era agora a vez de a garota mostrar como o corpo ficava com o sutiã de enchimento.

-Hmm... – ela murmurou do outro lado da porta do quarto. Na sala, Sango e Kagome esperavam ansiosas pelo resultado.

-Vamos logo, teimosa! Daqui a pouco a gente tem que sair pra procurar a Kikyo e voltar antes dos meninos chegarem pro jantar! – Kagome avisou – Vamos, Rin-chan, não tenha vergonha.

-O-Ok... – escutaram ainda hesitação na voz da amiga e não parecia que ela ia mesmo sair do quarto.

Porém, a porta do quarto rangeu enquanto ela abria lentamente.

-Precisamos lembrar o Hakudoushi de passar um óleo nessas dobradiças. – Sango comentou em voz alta, pegando um caderninho para anotar. Na capa estava escrito "Lista de tarefas fabulosas para o escravo Hakudoushi".

A porta finalmente parou de ranger e o perfil de Rin apareceu, porém foi engolfado pelas sombras.

-Saia das sombras, Rin. – Kagome falou numa voz gentil.

Hesitante, ela deu alguns passos tímidos, saindo das sombras e finalmente aparecendo inteira às amigas.

Silêncio se fez.

Sango ergueu uma sobrancelha.

Kagome piscou.

Rin torcia os dedos.

Sango foi a primeira a falar:

-Rin, cadê o sutiã?

Desta vez foi a vez de Rin erguer uma sobrancelha.

-Mas eu estou usando.

-Mas que diabos... Ah! – Kagome comentou, pausando para levar uma das mãos à boca.

Silêncio se fez.

-Fi-ficou ruim? – Rin perguntou.

Sango e Kagome coçaram a cabeça ao mesmo tempo.

-Bem, é que... – Kagome começou e depois cutucou Sango, como se pedisse para a amiga falar por ela.

-Rin, não tem diferença alguma.

Kagome deu um tapa na própria testa e balançou a cabeça.

-Não? – a amiga franziu a testa.

-Não. – as duas falaram ao mesmo tempo, balançando a cabeça para os lados.

Silêncio se fez.

Depois, Rin saiu correndo em direção ao quarto, chorando.

De volta ao estúdio:

-Eu ainda não acredito que você fez isso por nós! – Miroku batia nas costas de Hakudoushi, fazendo o rapaz revirar os olhos.

-Meu amigo! – Kouga o abraçou de um lado.

-Meu amigão! – Takeda abraçou de outro.

-Amiguinho! – Houjo aproximou-se pela frente. Um soco, porém, o impediu e ainda o fez cambalear muitos passos.

-Soltem-me. – Hakudoushi rangeu entre os dentes e os outros dois se afastaram.

-Já pararam com a brincadeira? – Sesshoumaru perguntou impaciente – Está quase na nossa vez.

Com a conta paga por Hakudoushi, os amigos saíram da fila com mais de trezentas pessoas e foram para a fila que tinha pelo menos 20 na frente deles. Era reflexo da economia japonesa, pois pouquíssimos ainda podiam ter o luxo de pagar por um autógrafo d'A Sacerdotisa.

-Que emoção. – Miroku enxugava lágrimas falsas – É a primeira vez que vou ganhar um autógrafo.

-Da Kikyo, ainda por cima. – Kouga estava animadíssimo.

-Nosso trato está de pé, não é mesmo? – Hakudoushi ergueu uma sobrancelha para Sesshoumaru.

-Está. Uma semana por cada autógrafo da Kikyo. – o irmão de Inuyasha respondeu com a expressão mais séria que possuía – Eu falarei pessoalmente com Rin.

Hakudoushi começou a fazer continhas com os dedos.

-Ela vai mesmo aceitar? – Inuyasha jogava Bejeweled Blitz como se não houvesse amanhã.

-Eu tenho meus próprios métodos de persuasão para usar com Rin. – o namorado falou ainda mais seriamente, cruzando os braços – Ela nem vai lembrar que Hakudoushi é nosso escravo doméstico com título de doutorado.

-Eu não sabia que doutores recebiam tanto dinheiro assim. – Miroku apontou enquanto secava uma garota com uma enorme faixa preta que ia da parte inferior das costas até metade das coxas.

-Detalhes, detalhes. – Hakudoushi quis logo mudar de assunto – Olha, tá quase na nossa vez!

Enquanto isso, na casa de Sesshoumaru...

Depois de conseguirem fazer Rin sair do quarto, era evidente que a tarefa de Sango e Kagome era de consolá-la.

-Não chore, Rin-chan. – Kagome falou pelo que devia ser a enésima vez para Rin enquanto massageava suavemente as costas da amiga – Você só precisava ter ajeitado mais. Esse sutiã nem é tão bom assim.

-É, ela tem razão, Rin. – Sango examinava o sutiã com óculos, os mesmos que ela usava para fazer as reportagens e parecer mais séria – Esse sutiã precisava ser ajustado ao seu corpo.

Rin fungou e olhava esperançosa a amiga.

-Rin, você é a menor de todas, e isso não é ofensa. – Sango falou, tirando os óculos, mas permanecendo séria – Todo sutiã precisa ser ajustado ao corpo da dona, porque, carambolas, ele faz parte de nossas vidas desde o primeiro momento que temos que usar um. Ele também reflete nossa personalidade, nossas emoções através de cada estampa que escolhemos. Diariamente. Todas as horas do dia. Algumas até dormem com ele, sabia?

-S-Sim. – Rin fungou de novo, mas não perdia de vista a chama da esperança. Kagome nem piscava para prestar atenção a todos os detalhes.

-Então, a primeira coisa é: procurar o sutiã adequado. – ela ergueu um dedo e apontou para o quarto – Pegue seu sutiã favorito e o traga aqui.

-S-Sim, senhora. – Rin ergueu-se num pulo e correu para o quarto, de onde Kagome e Sango ouviram o som de várias gavetas se fechando.

-Ela é dona também do closet do Sesshoumaru? – Sango sussurrou para a amiga, mas ela estava ainda tão atordoada pela maneira como Sango conduzia a crise que nem conseguiu encontrar palavras para responder – Eu sei, eu também queria ter esse poder sobre o Houshizinho.

Rin voltou alguns minutos depois com uma peça em mãos e a entregou a Sango.

-Hmm... – ela colocou novamente os óculos, arregalando os olhos depois – CARAMBOLAS, ONDE VOCÊ ENCONTROU LINGERIE DO AGENT PROVOCATEUREM TOKYO DOME, MENINA?

-Hmm... – Rin torceu os dedos – Não fui eu... Sess me deu de aniversário... Acho que ele teve que encomendar... É o meu favorito, é muito confortável.

-É lindo mesmo. – Kagome ficou fascinada pela qualidade do produto.

-Bem, segundo ponto: você precisa saber usar o seu sutiã. – Sango ergueu novamente o dedo.

-Ora... – Rin bufou – É claro que eu sei usar um.

-Coloca então para eu ver. – Sango ordenou.

-Hein? – Rin arregalou os olhos – Aqui? Agora?

-DEIXA DE MOLEZA, RIN! – Sango arrancou logo as roupas dela ignorando os protestos tímidos da amiga.

-S-Sango-chan! – Kagome ficou assustada com a cena.

Logo a blusa de Rin estava no chão, assim como o sutiã de enchimento que ela usava – de modo errado. Na cena, a parte de cima do corpo dela tinha uma tarja preta média. Envergonhada, ela cobriu a referida parte com os braços.

-Vista o sutiã. – Sango entregou a peça.

Temendo outro ataque violento da amiga, ela pegou o sutiã e vesti-o na frente das amigas. A tarja preta se movimentava onde deveria ser coberto.

Alguns minutos depois, Rin estava pronta. Ou quase.

-Hmm... E e-então? – ela gaguejou.

Sango analisava a figura da amiga como se fosse uma pintura a ser acabada. Até tentava enquadrar a imagem com os dedos, fazendo as devidas medidas.

-Está vendo? – ela apontou para o busto dela – Você usa sutiã de forma errada.

-C-Como assim?

-Sango, o que quer dizer com isso? – Kagome estava igualmente confusa.

Em vez de usar palavras, Sango agiu. Aproximou-se de Rin e, num silencioso pedido de permissão, começou a ajustar a peça.

Segundos depois, o resultado era evidente.

-Uau! – Kagome foi a primeira a comentar – UAU!

-N-Nossa... – Rin sentiu novamente as lágrimas arderem nos olhos, mas desta vez de emoção – Eles parecem tão... grandes.

-É o sutiã que faz isso. Ajuste sempre as alças e a parte de trás. Não tenha vergonha de mostrar o que realmente tem. – Sango tirou os óculos, discretamente colocando-o na gola da blusa que usava – Acredito que o Sesshoumaru é quem vai mais gostar disso.

-Ai, Sango, é minha vez, minha vez! – Kagome dava pulinhos como uma criança ansiosa.

-Tá, tudo bem. Vai buscar o seu. Daqui a pouco temos que sair pra ver a Kikyo.

De volta ao estúdio

-Finalmente! – Miroku exclamou – Finalmente chegou a nossa vez!

-Sim! – os outros amigos, exceto Hakudoushi e Sesshoumaru porque tinham vergonha alheia, gritaram em uníssono.

-Estão preparados? – Momiji falou numa voz doce aos rapazes, segurando a maçaneta de uma porta com um enorme letreiro luminoso onde se podia ler "Kikyo – A Sacerdotisa" – Vocês são os últimos. A Sacerdotisa vai se preparar para as filmagens daqui a pouco.

Os outros fizeram "sim" com a cabeça ao mesmo tempo.

-Muito bem... – ela lentamente abriu a porta.

O quarto estava escuro. Havia apenas pequenas luminárias cercando a figura de uma pessoa de longuíssimos cabelos compridos. Os amigos puderam perceber entre as sombras que ela estava de pernas cruzadas e que havia um cigarro acesso entre os dedos da mão direita.

A mão esquerda dela se ergueu e ela, com o dedo indicador, chamou-os para entrarem.

-Vão, vão... – Momiji os persuadiu.

Um por um, eles entraram no camarim da atriz principal da famosa série de filmes pornôs da televisão japonesa. Tiveram também que tomar cuidado para não tropeçarem em nada, pois ainda estava muito (estranhamente) escuro.

-Nomes? – a figura pediu numa voz (muito) rouca ao largar o cigarro num cinzeiro e pegar um bloco de papel e caneta.

-"Nomes"? – todos questionaram.

-É, isso que os pais de vocês dão um pouco antes de vocês nascerem. Ou meses depois disso.

-É verdade, eles fazem isso. – Houjo comentou do nada.

-Tá de brincadeira com a gente, Kikyo? – Inuyasha perguntou, meio indignado – Nós somos seus amigos, não lembra?

A figura se remexeu inquieta.

-Oh... ah... são vocês? – a voz continuou mais rouca ainda, denunciando um nervoso.

Desconfiado, Hakudoushi pegou o celular do bolso e acendeu a tela de LCD, iluminando o ambiente e a cara da pessoa sentada.

-Mas que diabos... – Miroku engasgou depois disso e os outros arfaram em uníssono.

-O que você está fazendo aqui? – Sesshoumaru parecia ser o mais indignado de todos.

Sentado na frente deles, com uma enorme peruca preta, com a pele hidratada e maquiada com o pó mais branco do universo, e usando um caríssimo e elegante roupão de seda preto com estampas, estava ninguém menos que...

-JAKOTSU! – falaram ao mesmo tempo, menos Hakudoushi.

-Quem? – ele perguntou.

-O cara da pipoca. – Kouga respondeu pelos outros – Fomos expulsos dos cinemas da cidade por causa dele!

-Vocês foram expulsos porque não quiseram pagar a pipoca ou algo assim? Isso é ridículo. – o amigo balançava a cabeça, já com vergonha alheia.

-O que está fazendo aqui? – Sesshoumaru fez a pergunta mais usada nos filmes de ação, faltando apenas completar com o "maldito".

-Err... – o outro se tremia todo – É-É q-que a d-dona Kikyo estava can-cansada e pediu p-pra eu d-dar os autógrafos p-por e-ela! – depois caiu de joelhos em frente ao grupo, unindo as mãos em frente ao peito – POR FAVOR, NÃO ME MACHUQUEM!

-Desde quando você trabalha com ela, Jakotsu? – Inuyasha perguntou, pois a vergonha alheia tomava conta de todos ao ver o rapaz travestido numa situação tão constrangedora.

-Eu sou o dublê dela nas cenas de ação. – ele se ergueu e tirou uma poeira invisível do roupão, voltando a pegar um cigarro depois.

O choque tomou conta dos rostos dos amigos.

-ELA USA DUBLÊ? – perguntou todos ao mesmo tempo.

-Claro que sim. – ele soltou uma baforada – Todo mundo usa.

-Em quais cenas de ação, exatamente? – perguntou um curioso Sesshoumaru.

-Nas cenas de ação-aventura, não de ação-sexo, se é isso que quer saber. – Jakotsu soltou outra baforada.

-Eu sabia que ela usava dublê em A Sacerdotisa e as garotas amaldiçoadas nas Cachoeiras! Eu sabia! – Miroku exclamou.

-Vocês percebem que a gente ficou aqui quase duas horas por nada? – Hakudoushi falou numa calma que antecedia o ataque de fúria – Que eu gastei meu dinheiro por nada?

Todos se entreolharam.

Cinco segundos depois, Jakotsu saiu berrando do camarim, com seis homens perseguindo-o.

Mal eles perceberam que, escondida nas sombras do camarim, havia outra figura. Ela também tinha cabelos negros (de verdade) e não usava maquiagem alguma, pois a pele já era branca e alva naturalmente.

Ao ver o grupo, os olhos dela cintilaram no escuro. Era a única coisa possível de ser vista ali, como dois faróis.

-Inuyasha... – ela falou numa voz cheia de rancor para ninguém em especial.


Na casa de Sesshoumaru, Hakudoushi lavava com muito mau humor a louça que sobrou do jantar. No final das contas, ele teve que voltar a fazer as tarefas domésticas porque o acordo com Sesshoumaru envolvia conseguir os autógrafos de Kikyo para livrá-lo do trabalho.

E eles não haviam conseguido nenhum e Hakudoushi teve ressarcimento do que pagou.

-Mas que droga... – ele murmurava ainda indignado.

-Hashi. – alguém falou subitamente atrás dele, fazendo com que ele gritasse de susto.

Ao se virar, viu Kagome segurando Buyo, acariciando o pelo do felino (que ele ainda precisava dar banho).

-Como vocês fazem isso? – ele perguntou irritado.

-Fazem o quê? - ela perguntou confusa.

-Você... Houshi... Vocês chegam de fininho como se fossem ninjas!

A garota continuou olhando para ele, desta vez como se ele fosse um anormal.

-Esquece... – ele deu um suspiro cansado e voltou a lavar a louça – O que foi?

-Você pode passar óleo lubrificante nas dobradiças de todas as portas? Elas fazem um barulho horrível.

Desta vez, ele parou o que fazia e ergueu uma sobrancelha para ela, como se a desafiasse.

-Oh... Aqui é a parte que você diz que não vai fazer isso e eu tenho que gritar pela Rin para ela vir aqui e fazer terror psicológico em você? – ela perguntou calmamente, ainda fazendo carinho no gato.

-Hunf. – ele bufou, voltando a lavar a louça.

-É claro que eu não faria isso. – ela voltou a falar, e o curioso tom na voz dela chamou a atenção dele.

Ao se virar para fazer um comentário, ele quase teve uma síncope ao prender o ar que respirar quando a viu equilibrar na ponta do dedo um prato de porcelana caríssimo que Rin usava em jantares especiais e pelo qual tinha maior amor.

-Não faça...!

O prato caiu antes que ele completasse a frase.

Segundos depois, a voz que ele temia escutar soou na cozinha.

-Olha, Hakudoushi, eu sei que a sua procura por apartamentos hoje não foi bem sucedida... – Rin falou, aparecendo na porta com os braços cruzados em frente aos evidentes peitos – Mas não precisa descontar sua frustração nos meus pratos de porcelana.

-Mas eu não...!

Hakudoushi não pôde terminar a frase. Buyo repentinamente foi parar na cara dele e se agarrou com força, patas e pelos na cabeça dele. Hakudoushi tentou desesperadamente se livrar dele.

-Rin... – Kagome parecia nem perceber o que estava acontecendo – Você lembra o que falamos sobre as dobradiças?

-Ah, sim. – ela assentiu – Hakudoushi, quando terminar de brincar com Buyo, passe óleo lubrificante nas dobradiças de todas as portas, ok?

E elas foram embora, enquanto Hakudoushi continuava lutando para tirar Buyo da cara dele.


Hakudoushi acha um teste de gravidez já usado no banheiro da casa de Sesshoumaru enquanto fazia a limpeza diária. A novidade deixa algumas pessoas assustadas... Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi: Ninshin tesuto. Não percam!

-Estamos com um problema.


Nota da autora: Hmm... o que acharam desse capítulo? Ficaram decepcionados porque não apareceu a Kikyo? Não se preocupem, ela ainda vai ficar algum tempo na cidade e vai causar muita confusão, se tiverem pressentido isso :3

Não vou pedir desculpas pela demora na atualização. A demora não foi minha, foi de vocês mesmo. Vocês sabem o que é preciso para atualizar: 25 comentários.

Obrigada pelos comentários no capítulo passado. Para quem comentou, eu mandei um capítulo extra de Bokujun inédito como forma de agradecimento. Se você não recebeu, é porque 1) você não tem conta no ffnet; 2) eu não tenho o seu email. Quem tiver comentado e quiser receber, deixe seu email ainda no review do capítulo passado (porque se for neste capítulo você receberá outro), como em analoguec11 (at) gmail (ponto) com. É a única forma que existe para aparecer nas mensagens.

Espero que gostem desse capítulo! Ele também terá um outtake diferente.

Até o próximo capítulo,

Analoguec/Shampoo-chan.