Na cozinha da casa de Sesshoumaru, a trilha sonora para duas pessoas que trabalhavam no momento era o de chibatadas nas costas de alguém, provido pelo CD da trilha sonora do filme Ben-Hur.

-Vamos, vamos! – falava Hakudoushi em tom autoritário a Inuyasha e Miroku – Vamos, estão muito devagar preparando essa massa de bolo!

Mais barulho de chibatadas.

-Calma, rapá. – Miroku limpou o rosto com um pano – Eu sei exatamente como Rin-sama gosta do bolo de chocolate. Ela vai reclamar que não está bom.

-Nós só temos mais 4 horas e meia para acabar tudo! – Hakudoushi reclamou, olhando uma lista que ele preparou usando o tablet roubado de Inuyasha – Ainda precisamos preparar a salada, o pudim de leite, omeletes vegetarianos, panetones e um cento de sushi vegano.

Mais som de chibatadas.

-E por que VOCÊ não faz alguma coisa, hein? – Inuyasha estava indignado de ser rebaixado à condição de empregado da casa e ficar sem o ipad durante muito tempo. Quantos presentes dos amigos online ele já não perdeu longe do aplicativo do Candy Crush instalado no presente dele?

-Pois é, né, Hakudoushi. – Miroku também imitou a pose do amigo – Por que não nos ajuda também?

A resposta de Hakudoushi veio depois de outra onda de chibatadas.

-Se vocês não fizerem nada, vou contar tudo pro Sesshoumaru – ele falou num tom petulantemente mórbido de chantagem – E vocês sabem que ele quer que esse Natal seja perfeito para Rin e o bebê.

-Pode contar. – Inuyasha tirou o avental e o jogou no chão, cruzando os braços – Estamos em greve!

-É! – Miroku fez o mesmo, mas preferiu colocar o avental dobrado em cima de uma das cadeiras mais próximas.

Hakudoushi apenas os observava com frieza ao som das chibatadas.

-MENINOS... – a voz de Rin soou vinda da sala – VOCÊS JÁ TERMINARAM COM O BOLO? TOU SENTINDO O CHEIRO DAQUI. ESTOU COM FOME!

Inuyasha e Miroku se entreolharam.

E vestiram novamente o avental, voltando ao trabalho ao som das chibatadas de Ben-Hur.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi

Kurisumasu Raito

Crônicas de Tokyo: nossos verdadeiros sentimentos

Luzes de Natal


Disclaimer: Not mine.


-Finalmente terminamos. – Hakudoushi colocou a bandeja com um cento de sushi em cima da mesa, ignorando o olhar atravessado de Inuyasha e Miroku, porque apenas os dois haviam trabalhado – Agora falta só Sesshoumaru, Sango e Kagome chegarem com os presentes.

-Mas eles estão demorando, hein? – Inuyasha olhou o relógio do ipad – Quase sete da noite. Nós marcamos de comer às oito, né?

-Sim, é verdade. – Miroku franziu a testa, preocupado – Será que aconteceu alguma coisa?

-Peraí, vou ligar pra eles. – Inuyasha pegou o ipad e abriu um aplicativo.

-Dá pra ligar pra ele usando isso? – Miroku, meio que avesso às tecnologias, ficou impressionado.

-Sim, usando o facetime. – o irmão mais novo acionou alguma coisa e num instante todo mundo viu a cara de Sesshoumaru na tela.

-O que foi, Inuyasha? – ele parecia agitado – Aconteceu alguma coisa com Rin?

-Não. – Hakudoushi o tranquilizou – Só estamos preocupados com a demora de vocês. Onde estão?

Sesshoumaru deu um suspiro de alívio.

-Só estamos esperando um táxi. – ele avisou – Está tudo lotado por aqui, há filas de gente querendo entrar nos metrôs e ônibus. Chamamos Hashi e eu falei que pagaria o dobro da corrida se ele viesse nos pegar.

Os três na cozinha viram Sesshoumaru olhar agoniado por cima do ombro.

-Acho que chegou. Nós nos vemos...

Um segundo depois, um som de pancadaria chamou a atenção de todos. O rosto de Sesshoumaru desapareceu e uma Kagome descabelada apareceu e começou a falar:

-Gente, preciso ir. A Sango está dando na cara de todo mundo que queria pegar o táxi de Hashi antes de nós. Até logoooo...!

-Sesshoumaru! Kagome! – os três gritaram ao mesmo tempo, preocupados com a situação.

Inuyasha desligou o aplicativo e olhou as horas.

-Acho que eles chegam em 15 minutos, né? – perguntou.

-Sim. - Miroku olhou para a sala – Vamos nos arrumar e acordar Rin-sama?

-Sim.

Quinze minutos depois

Na cozinha, os três já estavam vestidos com as melhores roupas do mês e andavam de um lado para outro esperando a chegada dos outros três amigos. Ninguém havia ainda acordado Rin por medo que ela acabasse com a ceia de natal antes da hora ou que tivesse um surto histérico por perceber que havia dormido na metade de Laços de Ternura.

Finalmente, Sesshoumaru entrou na cozinha carregando quase o mundo de sacolas de compras, com Sango e Kagome atrás dele.

-Boa noite a todos! – Sango ergueu os braços e entrou radiante – Trouxemos presentes a todos! Nunca mais quero sair sem Sesshoumaru e o cartão de crédito dele, nunca mais!

Sesshoumaru murmurou um taquepareo... enquanto deixava as sacolas de compras no chão.

-Vamos, vamos logo começar com isso. Estou louca para mostrar tudo o que compramos! – Sango empurrava todo mundo para fora da cozinha, inclusive Sesshoumaru, que nem teve tempo de terminar de colocar o que tinha nas mãos no chão – Leve as compras para colocar na árvore de natal, Sess.

Outra vez, ele murmurou um "taquepareo" tão surdo que nem ele mesmo ouviu o xingamento, mas se recusou a arrumar confusão e partiu para a sala, compras em mãos.

Ao passarem para o outro cômodo, viram Rin jogada em cima do sofá, dormindo tranquilamente enquanto subiam os créditos de Laços de Ternura.

Sesshoumaru colocou as compras primeiramente debaixo da árvore, depois aproximou-se do sofá, desligou a televisão e acordou Rin, que abriu os olhos e bocejou.

-Sess... – ela murmurou, esfregando os olhos – Você já voltou das compras? Foi tão rápido assim? Eu lembro que estava ainda no começo do filme.

-Rin, a versão remasterizada de Laços de Ternura tem seis horas e meia de duração.

-Oh. – ela sentiu o rosto queimar de vergonha.

-Vamos logo, vamos logo. – Sango apareceu do nada e quebrou o clima, puxando todo mundo para a cozinha – Vamos jantar e então abrir os presentes. Este ano será perfeito! – ela continuava com cem por cento energia positiva, e ninguém discordou.

Foram todos para cozinha, onde cada um se sentou e deu um grito de guerra antes de puxar um prato, enchendo-o de comida como se não existisse amanhã.

-Antes de comermos... – Sango interrompeu o barulho e todo mundo ficou em silêncio – Vamos fazer nos agradecimentos.

Todo mundo protestou.

-Inuyasha. – Sango ignorou a onda de protestos – Você começa.

-Quero agradecer ao meu ipad pelas longas horas de diversão com Candy Crush. – e começou a comer como um desesperado, só parando quando Hakudoushi bateu nele.

-Hakudoushi, sua vez. – Sango continuou como líder.

-Quero agradecer pelo teto que tenho, que lutei com muito esforço pra conseguir. Foram muitos anos de luta, mas eu nunca mais passarei fome ou sede, e amanhã sempre será um novo dia.

-Isso aí não é de ...E o vento levou? – Rin franziu a testa, confusa.

-Hakudoushi, você não tem um teto. Você mora na minha casa. – Sesshoumaru falou logo.

-Ah, é mesmo.

-Kagome! – Sango ordenou num tom mais militar, assustando o resto da mesa.

-Quero agradecer por meus familiares e amigos, que sempre foram muito gentis e tolerantes comigo e para com os nossos semelhantes, agradecer ao meu chefe pelo meu emprego, aos deuses por cuidar da saúde do meu avô, ao cachorro da vizinha que...

Quinze minutos depois, Kagome terminou.

-E finalmente quero agradecer ao meu colega Yamada Houki por me ajudar a fazer meu relatório final no trabalho, porque sem a ajuda dele eu realmente não conseguiria.

Aí todo mundo acordou.

-Hmm... err... – Sango limpava a baba no canto da boca – Sesshoumaru, sua vez.

-Quero agradecer aos deuses por me darem Rin e...

Aí ele parou e a mesa ficou em silêncio, esperando a continuação. Os meninos suaram frio porque já sabiam qual seria a continuação.

-... "E"? – Sango persuadiu.

-E nossa casa. Vamos fazer uma reforma em breve. Ela ficará maior. É isso.

-Sess... – Rin tocou no braço dele – Eu não sabia da reforma. Eu posso ajudar?

-Não será necessário, Rin. – ele falou com firmeza – Você ficará descansando enquanto arrumamos tudo por aqui. Vamos ter mais um quarto e um banheiro.

-Oh, Sess... – ela ficou emocionada – Eu não sabia que você se preocupava tanto com Hakudoushi a ponto de mandar fazer mais um quarto para ele.

Os meninos, inclusive Hakudoushi, continuaram calados.

-Rin, sua vez. – Sango continuou.

-Quero agradecer a todos meus amigos pelo convívio este ano. E especialmente a Sesshoumaru, por me dar forças e conselhos, ser muito paciente e compreensivo. – ela o abraçou.

Os meninos ficaram ansiosos, esperando que ela falasse mais alguma coisa, mas nada saiu. Ela ficou lá, abraçando Sesshoumaru como se não houvesse mais o amanhã.

-Que lindo... – Sango enxugou as grossas lágrimas com um guardanapo de papel – Err... Sua vez, Miroku-sama.

-Quero agradecer a todos meus amigos pela diversão, comida, cerveja e pegadinhas. Rá! – ele riu.

Mas ninguém riu com ele.

-Er... – ele limpou a garganta – Estou agradecido por ter um emprego, por ter minha noiva linda ao meu lado e meus amigos por perto. Obrigado.

-ÊÊÊÊ! – Sango ergueu os braços em comemoração – VAMOS COMER!

-E você, Sangozinha? – Miroku ergueu uma sobrancelha – Fez todo mundo falar e não vai falar também?

-Oh, é verdade. – ela deu uma risada curta – Eu tenho uma coisa pra contar a todos vocês...

Todos olharam em expectativa para ela.

-Primeiramente, quero agradecer a todos por estarem aqui na nossa festa. Que bom que vieram.

-Nós moramos aqui, Sango. Quer dizer, ainda somos vizinhos. – Sesshoumaru piscou, tentando entender.

A garota o ignorou e continuou:

-O Natal tem um significado muito especial para os cristãos. Com ela celebramos a vida e agradecemos todas as bênçãos que tivemos durante o ano. Eu estou imensamente agradecida a vocês, que tenho como uma família, sempre me dando alegria, risadas, conforto e segurança. Eu não sei o que faria se não conhecesse vocês.

Todos começaram a fungar e a limpar as lágrimas com os guardanapos, exceto Sesshoumaru, que olhava disfarçadamente para cima com os olhos fechados.

-Eu estou grávida. – ela contou num tom alegre, sorrindo.

Todo mundo arregalou os olhos.

Silêncio se fez.

Sango ficou nervosa porque ninguém comentava nada, e o silêncio só foi quebrado com um barulho de um corpo caindo.

Era Miroku desmaiado no chão.


-Eu não acredito que até você achou que eu estava grávida, Sess! – Rin reclamou depois que os meninos contaram o que havia acontecido dias antes – Você podia ter me perguntado!

-A culpa foi deles! – ele apontou para Hakudoushi e Inuyasha que abriam os presentes próximos ao corpo ainda desmaiado de Miroku, este ao lado de um monte de embrulhos natalinos.

Todos, inclusive o desacordado, estavam na sala de estar, próximos à árvore, abrindo os presentes. Sango estava ainda sorridente e havia recebido muitas joias, lingeries e sapatos, agradecendo mesmo sabendo que não poderia usá-los em alguns meses.

-E eu ganhei mais roupinha pra criança! – Rin reclamou de novo, jogando tudo num monte de presente que não era destinado exatamente à ela, mas sim a uma possível criança – Poxa, Sess!

-Vou comprar todos os presentes que quiser assim que as lojas abrirem amanhã, Rin. – Sesshoumaru prometeu, dando um beijo nas costas das mãos dela.

-Você pode dar para Sango, Rin-chan. – Kagome sugeriu distraidamente enquanto admirava uma bolsa de couro Kate Spade que ganhou de Sango.

-Oh, boa ideia. – ela juntou todo o monte e passou para amiga, que ainda testava um dos cinco saltos que ganhou nos pés – Toma, Sango.

-Brigada, Rin-chan. – ela agradeceu.

-Hmm... – a amiga começou, meio inquieta, escondendo alguma coisa atrás de si – Sango-chan...

-Sim?

-Posso ficar com os adesivos de parede de "A Era do Gelo"? Aí eu posso colocar nas lajotinhas do banheiro. Vai ficar tão bonito, principalmente na hora de Hakudoushi limpar.

O rapaz deu um gemido irritado, porque aquilo indicava que voltaria a trabalhar como escravo.


Kouga vai pedir ajuda a Kagome, Sango e Rin, mas pede para elas fazerem segredo e que os meninos não descubram... O que será que ele quer? Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi: Kouga e no Koui. Não percam!

-Miroku, dá um soco logo na cara dele!


Nota da autora: Um capítulo rápido, né? Espero que gostem. Vou postar o próximo em cinco dias, mais ou menos.

E aí, o que acharam da pessoa que ficou grávida? E como será que as coisas ficarão agora?

Não fico muito motivada a escrever quando só cinco pessoas comentam, mesmo assim, espero que tenham gostado.

Escrevi dois outtakes da história. Um deles eu mandarei para quem comentou no capítulo 26 (como prometido) durante o final de semana, o outro vou mandar para quem comentar NESTE (e somente neste) capítulo.

Comentem! Espero ler o que vocês acharam!