A crônica se inicia, como sempre, na casa de Sesshoumaru, onde o dono terminava de se arrumar para sair em uma missão secreta.
Iria pegar as alianças de casamento e da cerimônia na joalheria Hosenki, a mais conhecida do Tokyo Dome.
Mas ele não contaria nem para Rin ou para os amigos aonde iria.
Terminou de ajeitar a gola da camisa social e pegou o suposto material de trabalho para suspostamente trabalhar no suposto projeto.
–Ah, Sess. – Rin o pegou de surpresa na hora que ele havia pisado no genkan para calçar os sapatos.
Disfarçando o susto, ele virou-se para encontrar Rin sorridente na sala. Uma enorme margarida estava presa na orelha dela.
–Você deu agora pra sair sem me avisar? – ela reclamou num sussurro ao se aproximar, limpando uma poeira imaginária no colarinho e no ombro dele.
–É claro que não. – ele franziu a testa – Eu só preciso pegar algo rápido no... ah... trabalho e volto logo.
–É que você tinha me prometido uma coisa. – ela fez a mesma cara que Buyo fazia quando queria comida.
–O quê? – ele piscou. Havia prometido algo? Como assim? Ele sempre cumpria as coisas que prometia a Rin.
–Você só sairia hoje depois de arrumar meu jardim.
Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha.
–Por favor. – ela pediu com olhos muito sinceros.
–Hmm... Eu posso fazer isso amanhã?
–Por favor...? – ela pediu novamente.
O namorado ficou em silêncio.
–Eu acho que consigo chegar meia hora atrasado.
Rin deu um beijo no rosto dele.
–Obrigada, Sess. Vou sair com as meninas agora de manhã pra ver as roupinhas de bebê. Sango-chan está muito animada.
–Nós podemos... – ele estava hesitante. Sesshoumaru nunca hesitava, então engoliu em seco para disfarçar aquilo – Podemos almoçar juntos hoje?
–Nós sempre almoçamos juntos. – ela franziu a testa adoravelmente.
–Quis dizer sozinhos. Vamos ao nosso restaurante favorito?
–Claro. – ela deu um sorriso – Encontro você aqui e vamos juntos?
–Sim. – ele confirmou com apenas um aceno de cabeça – Juntos.
Alguma coisa pesada arrastava-se pelo piso do lado de fora e se aproximava mais e mais da porta.
De repente, Hakudoushi apareceu na soleira. Ele tinha arrastado Miroku e Inuyasha desacordados pelos pés.
–Ah, Hashi, encontrou os dois? – Rin deu um sorriso – Sess, Miroku e Inuyasha vão te ajudar. Eles ajudaram a destruir o jardim, né?
Sesshoumaru olhou para os dois desacordados aos pés de Hakudoushi, que limpava as mãos batendo uma na outra.
–É. – ele ergueu uma sobrancelha – Ajudaram mesmo.
Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi
Puropoozu
Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos
Pedido de casamento
Disclaimer: É da Takahashi-sensei.
Presente de fim de ano para quem ainda acompanha isso aqui.
Sesshoumaru limpou o suor da testa com a costa da mão enquanto observava a extensão do dano que havia provocado no jardim da casa dele, mas que no bem no fundo todo mundo sabia que era de Rin.
As plantas que havia encomendado para substituir as destruídas ainda estavam caixas de papel reciclável com o nome da floricultura, aguardando pelo devido plantio em solo fértil. Inuyasha e Miroku resmungavam que a ideia não havia sido deles e que eles não deveriam estar ali, mas sim jogando Ghost of Sengoku Jidai.
–Por que está olhando o relógio toda hora, Sesshoumaru? – Hakudoushi era o cão vigilante olhando da janela do quarto que agora pertencia a ele – Não tá pensando mesmo em ir antes de terminar isso, né?
O amigo ignorou a pergunta e cavou com a pá em mais um ponto para tirar a terra, plantando uma muda de glória da manhã.
–Eu não lembrava que a gente tinha destruído tudo isso. – Miroku comentou limpando o suor do rosto com uma toalha pequena de rosto – Parece que o jardim aumentou de tamanho de uns dias pra cá.
Novamente Sesshoumaru olhou o relógio no pulso. Era como se ele quisesse controlar o tempo.
–Vocês estão com fome? Sede? – Hakudoushi perguntou de repente.
–Sim. – falaram os três ao mesmo tempo.
Inuyasha massageava o ombro.
–Acho que desloquei o ombro agora.
–Você só precisava colocar as violetas nos pontos. – Hakudoushi apontou.
–Eu sei.
–Foram só duas mudas até agora. Estamos há uns 5 minutos aqui. – Miroku piscou.
–E perderam mais 5 nessa conversa. – Hakudoushi apoiava os braços na janela – Bem, vou fazer um lanche, volto logo.
Sesshoumaru continuou olhando o relógio. Depois abriu mais um ponto no chão com a pá para o plantio de uma muda de hortênsias.
–Você tem algum compromisso mais importante que arrumar o jardim de Rin-sama, Sesshoumaru? – Miroku perguntou franzindo a testa – Você não para de olhar esse relógio.
O rapaz novamente não respondeu e decidiu abrir mais um buraco no chão.
–Vamos terminar logo isso. – foi tudo o que ele falou.
Hakudoushi reapareceu na janela com um copo de suco de laranja na mão esquerda e um sanduíche na outra, comendo tranquilamente. Os três pararam o que faziam e o observavam curiosamente.
–O que foi? – ele quis saber.
–Cadê nosso lanche? – Inuyasha perguntou.
–Ué, eu falei que ia trazer pra vocês? Só perguntei se vocês estavam com fome e com sede.
–Hakudoushi... – Miroku e Inuyasha murmuram ameaçadoramente, sem causar um pingo de medo ao amigo.
Sesshoumaru limitou-se a balançar a cabeça negativamente e voltar ao serviço. Estava preocupado com o horário para buscar as alianças e verificar se algum não precisaria ter ajustes. Tinha que verificar também a reserva no restaurante onde ele faria o pedido de casamento.
Decidiu parar o que fazia e ligar para a joalheria. O dono era conhecido dos pais.
–Aqui é Sesshoumaru. – ele começou – Você pode aguardar mais meia hora?
Alguma coisa que a pessoa disse fez com que ele apertasse com força a ponte entre os olhos.
–Como assim, "morreu"? Não tinha outro dia pra ele morrer?
Os amigos pararam o que faziam para prestar atenção na conversa.
–Então você é o filho e tomará conta das coisas agora? Eu tenho uma encomenda pra buscar hoje. Claro que não pode ser outro dia.
Mais silêncio de um lado da linha enquanto do outro a pessoa explicava algo para o rapaz.
–Como assim, não sabe onde está? Em meia hora estarei aí pra procurar pessoalmente e você vai me ver revirando esse lugar.
Terminou a ligação e encontrou os olhares curiosos dos amigos.
–Eu preciso sair agora. – ele anunciou – Não falem pra Rin, por favor. É urgente.
–Quem morreu? – Miroku perguntou.
–Um conhecido da nossa família. – ele guardou o celular no bolso – Hosenki-dono. Eu preciso pegar uma encomenda com o filho dele agora e ele não sabe onde está.
–Mas você precisa mesmo pegar essa encomenda hoje? Não foi o pai quem morreu?
–Sim. Preciso. – ele tirou terra de um ponto da calça social – Não pode ser outro dia.
–E o que é?
–São as alianças de casamento. Vou pedir a mão de Rin hoje. Já providenciei parte da papelada na prefeitura. Nós vamos assinar hoje ou vamos ter que esperar mais seis meses.
A pá caiu da mão de Miroku. O vaso de hortênsias despencou das de Inuyasha. O pedaço de sanduíche que Hakudoushi mastigava caiu da boca.
Segundos depois, os três avançaram nele.
–POR QUE NÃO AVISOU ANTES? – Miroku tinha as mãos na camisa de Sesshoumaru.
–COMO VOCÊ PODE SER MEU IRMÃO FAZENDO ESSA BURRADA? – gritou Inuyasha com os olhos quase vermelhos de raiva.
–EU TENHO QUE ARRUMAR A CASA, SESSHOUMARU! – Hakudoushi parecia extremamente agitado – PREPARAR A COMIDA E LIMPAR AS LAJOTAS DO BANHEIRO!
Sesshoumaru conseguiu se desvencilhar dos três e arrumou novamente o colarinho e as mangas da camisa social.
–É surpresa. É claro que não contaria pra vocês. Vocês não sabem guardar segredo.
Os três ficaram indignados com a acusação.
–E eu tenho já tudo planejado. Vou pegar os anéis que encomendei, vamos almoçar no restaurante do nosso primeiro encontro como namorados e depois assinamos a papelada no distrito. A cerimônia de casamento já está marcada para daqui a quatro meses.
–Mas não foi isso que a Rin planejou. – Inuyasha pegou o mini ipad do bolso da calça – De acordo com o que Kagome escreveu no iphone dela e que está vinculado a esta conta do ipad que você me deu, a Rin planejou fazer um jantar aqui em casa com você, colocar um anel no seu copo de suco, e quando você se engasgasse e encontrasse o anel, ela fingiria surpresa e diria "Oh, caramba, mas o que é isso?".
–Não acredito que ela queria fazer isso antes de mim. – o irmão mais velho tomou o tablet das mãos do mais novo – É isso mesmo? Ela acha que eu não a pediria em casamento antes?
–SESSHOUMARU, VAI BUSCAR LOGO ESSE ANEL! – Hakudoushi voltou a agarrá-lo pelo colarinho, olhar novamente descontrolado – EU PRECISO ARRUMAR AS COISAS POR AQUI!
–Mas por que você...
–VAI LOGO! LEVE INUYASHA!
Hakudoushi empurrou os dois para fora do jardim e pulou a janela do quarto para começar a organizar algumas coisas.
Miroku viu-se sozinho no jardim, deu de ombros e continuou a consertar o estrago que fizera.
–Entendeu agora? – Inuyasha perguntou ao irmão depois de explicar como funcionavam as contas vinculadas no ipad dele e no iphone da namorada – É por isso que eu sei que a Kagome quer esperar uns sete anos pra ter filho, depois de estar casada. Então eu tenho tempo.
Estavam os dois sentados no metrô. Em poucos minutos chegariam ao destino.
–Mas então você espiona mesmo a sua namorada. – ele perguntou extremamente preocupado com a invasão de privacidade.
–Ah, na verdade, eu só li uma vez. A Kagome colocou no iphone esse planejamento com o nome ALTAMENTE SECRETO. Ela estava pedindo pra alguém ler.
–Ela sabe sobre isso, Inuyasha?
–Claro que não.
Sesshoumaru parecia ainda incomodado com a história. Cruzou os braços enquanto ouvia o nome das próximas estações.
–Vai me dizer que não faz isso com Rin? – ele deu um sorriso malandro.
–Claro que não. – ele repetiu a resposta dada pelo irmão com o semblante preocupado – Rin tem toda a privacidade que quer. Você tem que contar pra Kagome que as contas estão vinculadas. O que está fazendo é errado.
Daquela vez, o mais novo se sentiu realmente culpado.
–Tem razão. Vou desfazer isso agora.
–Espera! – Sesshoumaru o impediu de apagar os dados – Você pode mandar o plano da Rin por e-mail antes de fazer isso?
Inuyasha estreitou os olhos com desconfiança, mas concordou com a cabeça.
–Quer também ver a lista de nomes dos filhos que ela planeja ter? – ele perguntou.
– "Filhos"? – ele franziu a testa ainda mais preocupado – Ela quer mais de um?
–Ela colocou uns quatro nomes lá. Sabia que ela quer ter gêmeas?
O mais velho nem piscou.
–Manda pra mim também, por favor. – Sesshoumaru levantou-se na hora que ouviu o nome de uma estação familiar. O irmão fez o mesmo automaticamente para segui-lo – Chegamos. Vamos descer aqui.
Os dois saíram da estação em poucos minutos e rumaram até a galeria Hosenki.
–Você encomendou o anel da cerimônia de casamento também?
–Encomendei todos de uma vez. – Sesshoumaru explicou enquanto andavam apressadamente – O anel para o registro na prefeitura e o anel da festa do nosso casamento.
–E vai levar mesmo seis meses se não fizerem isso hoje?
–Por aí. A prefeitura está com cadernos da lista de espera. Muita gente decidiu casar agora.
–Acho que foi por isso que a Kagome vai esperar uns sete anos. Ela deve colocar a papelada em ordem até lá.
Sesshoumaru controlou-se para não revirar os olhos para o que o irmão dissera.
Ao chegarem na frente da joalheria, viram um cartaz preso à porta, feito à mão e às pressas, escrito "mudou", mas sem o endereço.
Sesshoumaru arrancou o papel com um único movimento e com a outra tocou a maçaneta, abrindo a porta para entrar na galeria às escuras.
–Se-Sesshoumaru! A gente pode entrar mesmo?
–Ele só vai mudar depois que me entregar os anéis. – ele falou num tom de ameaça – EU SEI QUE ESTÁ AQUI, HOSENKI FILHO.
Minutos depois ouviram caixas caindo e vidros quebrando em alguma parte da loja.
–Eu estou procurando ainda. – um rapaz apareceu coçando a cabeça – Tem certeza de que deixou nesta loja?
Sesshoumaru avançou no rapaz e o ergueu pelo colarinho, deixando-o a alguns centímetros do chão.
–Tudo bem, eu já sei que está aqui em algum lugar. – o rapaz se desculpou – Pode me ajudar?
–Inuyasha, vamos procurar minhas alianças. Só saímos daqui depois de encontrá-las.
–Tudo eu, tudo eu. – ele reclamou.
Duas horas depois, Sesshoumaru já nem conseguia mais disfarçar o desespero de ver os minutos passarem e todo o planejamento que fizera ir por água abaixo. Estava extremamente atrasado e não teria mais como segurar a reserva no restaurante.
Pegou o celular do bolso da calça e ligou para Miroku.
–Aloooou? – Miroku fez um biquinho para prolongar a palavra exatamente como Sango fazia.
–Houshi. – ele começou – Fale pra Hakudoushi preparar a comida. Vou perder a reserva porque os incompetentes dessa loja não sabem onde deixaram minhas alianças.
–Caramba, Sesshoumaru! – ele exclamou – Vamos providenciar isso agora mesmo. O Hakudoushi acabou de lavar as lajotas do banheiro.
–Por que ele...? Não, espere, não me diga o motivo desnecessário que ele teve pra fazer isso agora.
–Você queria pedir Rin em casamento com esse detalhe passando batido? Ficou doido? – ele falou como se a explicação fosse óbvia.
–Por favor, façam alguma coisa saudável pra ela. Podem pedir comida. Menos pizza. Ou algo com carne.
Desligou o telefone e voltou a procurar as joias com o irmão e Hosenki filho.
Na casa de Sesshoumaru, Hakudoushi, de máscara, touca e roupa de limpeza, trabalhava incansavelmente para deixar a cozinha brilhando quando Miroku entrou.
–Eles encontraram? – ele tirou a máscara ao vê-lo entrar.
–Ainda não. – Miroku coçou a cabeça – Hashi... nós temos que chamar ele.
O choque passou pelo rosto de Hakudoushi. Uma gota de suor e apreensão deslizou pela lateral do rosto.
– "Ele", Miroku?
–Sim. – o outro falou extremamente sério – Ele.
Hakudoushi engoliu em seco e depois moveu a cabeça dramaticamente num "sim".
Miroku passou por ele para sair da cozinha, mas antes parou para colocar a mão direita no ombro dele.
–Eu sabia que você iria entender. Estamos fazendo isso por Sesshoumaru e Rin. Sabe disso, né?
Não esperou a resposta dele e saiu.
Sozinho, Hakudoushi colocou a mão no peito dramaticamente e ficou sob um joelho no chão.
Mais meia hora depois do telefonema, Sesshoumaru finalmente ouviu do irmão o que tanto queria ouvir:
–ACHEI! ACHEI! – Inuyasha gritou segurando uma caixa média como se segurasse uma joia mística do Japão feudal.
Sesshoumaru pulou caixas, cadeiras, um cofre e também o que parecia ser o corpo de Hosenki filho desmaiado no chão para pegar a encomenda. Sim, tinha o nome dele e de Rin. Abriu a caixa e viu que estava perfeitamente bem, incluindo o nome de Rin e o dele nas alianças.
–Vamos, vamos embora. – ele praticamente arrastou o irmão dali, batendo a porta ao sair da loja.
Os dois começaram a correr em desespero até a estação de metrô.
–Hakudoushi e Miroku já estão tomando as providências. – o mais velho falou sem perder o fôlego.
–Puf, puf... Sério? – ele tentava acompanhar o irmão na corrida, mas estava com problemas para manter o ritmo da respiração – Será que... puf puf... vão pedir ajuda às meninas?
–Pedir ajuda a Rin num plano em que eu a peço em casamento? – Sesshoumaru falou irritado, pensando já no plano B caso Hakudoushi se descontrolasse e fizesse aquilo.
–É melhor isso ou pedir ajuda pra ele? – Inuyasha estreitou os olhos.
Sesshoumaru parou de correr subitamente e parecia num dilema pessoal.
–Vamos, Sesshoumaru, vamos. – o irmão o puxava para que ele se apressasse.
Ao chegarem em casa, os dois irmãos foram direto para a cozinha para encontrar Miroku e Hakudoushi terminando de preparar a mesa com comida encomendada de algum restaurante famoso.
–Tudo bem por aqui? – Sesshoumaru limpava o suor do rosto com um lenço – Por favor, digam que está tudo bem.
–Tudo pronto por aqui. – Hakudoushi limpou as gotas de suor da testa com o próprio braço – Fizemos mais algumas coisas que Rin vai gostar.
A mesa estava posta com o melhor tecido da coleção de Rin, a louça de porcelana mais valiosa e usada em ocasiões extremamente importantes, como o aniversário de Rin ou de Sesshoumaru, duas velas perfumadas acesas, talheres importados e duas taças para borbulhante.
–O que mais vocês fizeram? – o irmão mais velho ficou um pouco alarmado.
–Nós... – Miroku começou a falar, mas interrompeu-se ao ouvir a voz de Rin, da noiva e de Kagome vindo da sala.
–Chegaram! – Hakudoushi limpou às pressas a mão com o álcool em gel da garrafinha que ele geralmente carregava no bolso do avental – Vamos, Miroku, Inuyasha! Vamos terminar de nos arrumar!
Puxou os dois ali pela porta dos fundos e a fechou no exato momento em que Rin, desta vez com uma glória da manhã lilás presa atrás da orelha, entrou pela porta da cozinha vindo da sala, encontrando Sesshoumaru sozinho ali.
–Sess! – ela deu um largo sorriso que morreu ao ver a mesa totalmente arrumada – Ué, não vamos mais sair?
–Eu... vamos comer aqui. É o nosso restaurante favorito. – ele mentiu para disfarçar.
–Oh... – ela voltou a sorrir – É mesmo, né?
Ficaram os dois em silêncio.
–Bem... – ele se apressou para puxar a cadeira para ela – Por favor.
–Ah, obrigada. – ela sentou-se graciosamente – Eu me lembro que no nosso primeiro encontro você puxou a cadeira pra se sentar e me deixou em pé.
Os dois escutaram risadas abafadas e de súbito Sesshoumaru já estava abrindo a porta da cozinha para lançar um olhar maligno para Sango, Miroku, Kagome e Inuyasha.
–Fora. Fora. Fora. Fora. – ele falou ameaçadoramente para cada um deles, estalando os dedos.
No outro segundo, só havia um rastro de poeira ali.
Disfarçou um suspiro pesado e estalou o pescoço para tirar a tensão.
–Está tudo bem, Sess? – Rin perguntou timidamente.
–Está tudo perfeito, Rin. – ele voltou-se para mostrar uma expressão serena no rosto – Vamos almoçar. Preciso também falar sobre uma coisa importante com você.
Sentou-se e ambos ficaram um segundo em silêncio antes de sincronizarem o movimento de pegar o guardanapo elegantemente dobrado e colocar em cima das pernas.
No outro segundo, Hakudoushi aparecia na cozinha completamente arrumado como um verdadeiro maître da cozinha francesa, com gorro, cabelo preso, rosto lavado e tudo. Segurava uma bandeja com uma enorme tampa prateada e uma garrafa de espumante japonês no bolso do avental.
Ao vê-lo, Sesshoumaru fechou os olhos e torceu para que ele tivesse sido bem treinado.
–Com licença. – ele aproximou-se da mesa – Trouxe saladas de entrada.
Tirou a tampa, deixou-a no centro da mesa, colocou um prato na frente de Rin e outro na frente de Sesshoumaru. Depois pegou com a mão esquerda a bebida e serviu até a borda dos copos.
Depois tirou um vidrinho de álcool em gel do bolso do avental.
–Estendam a mão, por favor.
Obedientemente o casal atendeu ao pedido e não reclamou quando ele despejou metade do conteúdo nas mãos para a devida higienização.
Finalmente, ele recolocou a tampa na bandeja.
–Bom apetite.
Dito isso, retirou-se para dar aos dois mais privacidade.
–Boa refeição. – falaram os dois ao mesmo tempo.
Começaram a comer em relativo silêncio até escutarem o som de um violino tocando na sala e se aproximando da cozinha, até a porta abrir e um violinista aparecer na casa à caráter.
–Ah, não... – Sesshoumaru murmurou com o alface a centímetros da boca ao reconhecer quem era.
–O que ele tá fazendo aqui, Sesshoumaru? – Rin tinha um sorriso no rosto, mas falava ameaçadoramente entredentes.
–Eu não sei, mas eu mato o responsável por isso. – ele respondeu enquanto via Hachi, disfarçado de violinista, executar alguma música no que parecia ser um Stradivarius falsificado.
Hakudoushi entrou novamente no recinto trazendo outro prato. Aproximando-se da mesa, tirou as saladas que ainda nem haviam sido totalmente consumidas e colocou dois pratos fundos de sopa de tomate, retirando-se sem dizer uma única palavra.
–Bom apetite. – falaram ao mesmo tempo, pegando em sincronia a colher de sopa.
Hachi começou a tocar com perfeição as notas de uma composição de Suzuki Shinichi.
–Está delicioso. – ela murmurou – Estava com muita fome.
–Eu também estava. – ele fechou os olhos enquanto orava a alguns deuses em agradecimento. Aparentemente Hachi estava ali apenas para entretenimento e não iria fazer mais nada.
–O que queria conversar comigo? – ela perguntou timidamente.
É agora, Sesshoumaru pensou. Respirou fundo e abriu os olhos.
–Rin, eu queria...
Hakudoushi entrou novamente na cozinha com outra bandeja. Novamente retirou o prato de sopa no meio da refeição dos dois e colocou no lugar um prato com uma fatia de manga com molho de mostarda e mel, arroz negro temperado e nozes.
–O que você tá fazendo? – Sesshoumaru perguntou ainda segurando a colher de sopa.
–É um jantar francês. Ainda faltam mais 6 partes.
–SEIS PARTES? – Sesshoumaru não conseguiu evitar uma ligeira alteração na voz.
O amigo se curvou e retirou-se para não ouvir uma possível reclamação.
–Sess, vamos comer logo esse aqui. – Rin começou a devorar o prato em uma velocidade impressionante – Isso aqui tá uma delícia!
O namorado e (possivelmente, ainda a confirmar) futuro marido concordou e começou a comer também.
Estavam já terminando um prato pela primeira vez quando Hakudoushi entrou com mais dois pratos de macarronada à moda francesa.
–Hakudoushi, diga-me que vamos ter todas as outras cinco partes agora. – Sesshoumaru perguntou.
–Um jantar francês dura quatro horas... minha senhora e meu senhor. – ele respondeu com a maior seriedade possível.
–Você não vai querer que hoje isso dure quatro horas, né?
Os dois se encararam sem piscar por um segundo. Era Sesshoumaru contra Hakudoushi, Hakudoushi contra Sesshoumaru.
–Nossa, isso aqui também tá uma delícia! – Rin comia o macarrão da mesma forma que Inuyasha fazia com o ramen que a namorada preparava quando ela não estava em casa – Você não vai comer também, Sess?
Aquilo foi a deixa para Hakudoushi se retirar silenciosamente mais uma vez.
–Sess... – Rin começou timidamente entre uma garfada e outra da macarronada – O que você queria conversar comigo?
–Ah, eu... – ele pigarreou - Você está... linda hoje.
A garota timidamente escondeu o vermelho do rosto. Sesshoumaru costumava falar aquelas coisas apenas para ela.
–Você gostaria de...
A música de violino parou de tocar e deu lugar à um rap americano. Foi apenas nessa hora que o casal percebeu que Hachi era um violinista de araque e que apenas reproduzia movimentos aleatórios com o celular tocando música de verdade.
O trambiqueiro parou o que fazia e atendeu a ligação.
–Hachi falando. Sim. Sim. Sim. Perfeito. Estou na casa de Sesshoumaru-sama. Obrigado.
Depois que desligou, voltou a guardar o celular no bolso da calça e a posicionar o violino no ombro para começar novamente as notas, até lembrar que tinha que primeiro deixar a música tocando num aplicativo de pirataria que ele tinha.
A música clássica recomeçou e Sesshoumaru disfarçou um suspiro.
–Eu gostei do que você fez no jardim. – ela começou para chamar a atenção dele – Obrigada por ter ajeitado.
–De nada. Não deu trabalho nenhum. – ele mentiu sem piscar – Você sabe que eu faço tudo o que me pede.
–Tudo mesmo? – ela perguntou esperançosa.
Sesshoumaru congelou por um segundo. Era naquela hora que ela podia pedir alguma coisa impossível.
–Sim. – ele corajosamente respondeu.
–Pode me dar um pouco da sua macarronada? Está muito boa. Você também devia comer antes de Hakudoushi aparecer.
Depois de dividir a comida, Sesshoumaru comeu rapidamente e terminou o prato segundos antes de Hakudoushi novamente aparecer para retirá-lo e servir outro.
Desta vez, eram queijos veganos.
–Eu já estou cheia. – Rin comentou timidamente – Será que podemos passar pra sobremesa?
Hakudoushi ergueu uma sobrancelha autoritária, que silenciosamente queria dizer um "não", e retirou-se.
–Aaaah... – ela suspirou em uma derrota.
–Rin. – Sesshoumaru mais uma vez tentou chamar a atenção dela – Aqui nesta casa você poderá comer quantas sobremesas você quiser. Eu só queria dizer que...
Hakudoushi entrou novamente na cozinha para retirar o prato de queijos veganos e colocar os mousses de chocolate amargo como sobremesa, arrancando palmas de alegria de Rin.
–Você vai me interromper o tempo inteiro? – Sesshoumaru murmurou entredentes.
–Interromper o quê? Eu só estou servindo os pratos. Não tenho culpa se não está comendo.
–Quantas partes faltam ainda?
–A outra parte da salada, um digestivo, um café, um chá.
E foi embora sem se importar com o que o outro ia dizer.
–Foi você que organizou tudo isso? Eu estou adorando. – Rin falou sonhadora, murmurando o quão bom o mousse de chocolate estava e que era o preferido dela.
–Rin, você não gostaria de...
Hakudoushi entrou na cozinha com uma bandeja de chá e café e interrompeu Sesshoumaru mais uma vez. O dono da casa fechou os olhos de irritação e se levantou bruscamente da mesa.
–Você está fazendo isso de propósito?
O outro se fingiu de desentendido.
–Eu só estou fazendo o meu trabalho. Lembre-se que eu sou um servo fiel nesta casa.
–Eu não consigo pedir Rin em casamento com você atrapalhando o tempo todo! – ele estava sério e tranquilo, mas a voz traía a serenidade que queria passar.
Um segundo se passou até ele ver um sorriso se formar no rosto de Hakudoushi e dar-se conta do que havia acontecido.
Olhou para Rin e a viu chorar emocionada, as mãos tapando parte do rosto enquanto as lágrimas escorriam.
–Droga... – Sesshoumaru murmurou, depressa ficando de joelhos na frente dela, que ainda estava sentada à mesa.
Do bolso de trás da calça tirou uma caixinha. Abriu-a e revelou um anel de casamento com o nome dela.
–Por favor. – ele pediu.
Rin moveu a cabeça num "sim" várias e várias vezes, depois levantou-se junto com ele para que ele colocasse o anel na mão direita dela.
–Gravou tudo, Miroku? – Hakudoushi perguntou em tom suficientemente alto.
A janela da cozinha revelou Miroku com uma câmera digital gravando toda a cena, Kagome e Sango chorando de alegria e emoção pelos amigos, e Inuyasha disfarçando o choro de costas para o grupo.
–Desde o começo. – ele fez um sinal de "vitória" com as mãos.
–Agora temos que correr para a prefeitura. – Sesshoumaru olhou o relógio no pulso – Temos a papelada pra assinar.
–Não se preocupem. – Kouga, de roupa de motoqueiro, entrou triunfantemente pela porta da cozinha vindo da sala, um envelope pardo em mãos como um prêmio – Hachi deu um jeitinho e falou com alguém na prefeitura. Podem assinar e eu vou entregar agora mesmo lá.
Mais do que depressa, o casal assinou a papelada para receber autorização e o reconhecimento da união pela prefeitura. Dali a alguns meses, estariam oficialmente casados e fazendo a cerimônia oficial com os amigos.
Quando assinaram o último papel, todos bateram palmas e assoviaram. O plano havia dado certo. Kouga bateu com um punho fechado nos de Hachi e Hakudoushi.
–Aqui está. – Sesshoumaru entregou o envelope lacrado para Kouga.
–Vou devolver agora. – ele deu uma piscadela ao grupo, dedo indicador e médio apontados numa despedida – Até logo!
E saiu correndo para cumprir a missão de moto.
–Bem, vamos comemorar com comida, né? – Inuyasha falou – Eu tô morrendo de fome. Vocês não imaginam o que a gente passou hoje.
–Vocês podem me dar alguns minutos? – Sesshoumaru pediu sem tirar os olhos de Rin – Eu preciso conversar um instante com minha futura esposa.
Todo mundo saiu da cozinha e deixou o casal sozinho. Hachi deixou o celular tocando uma música de violino em cima da bancada.
Rin abraçou Sesshoumaru e começaram a se embalar com a música.
–Pra sempre? – ela perguntou.
–Sim. – ele respondeu – Para sempre.
Na cozinha da casa de Sesshoumaru, ele e a futura esposa ainda estavam abraçados há quase uma hora, ela sorrindo com o rosto descansando no ombro dele, Sesshoumaru de olhos fechados.
–Eles querem entrar aqui, né? – ela perguntou.
–Ignore-os. – ele murmurou, sem se alterar.
–Eles estão com fome. – ela tentou de novo sem perder o sorriso.
–Eles vão sobreviver. – ele continuava tranquilo.
Rin deu um suspiro profundo.
–Vai ser assim sempre nesta casa, né?
–É. – ele permitiu-se dar um discreto sorriso que ela não viu, mas sabia que estava ali.
Continuaram abraçados, movimentando de lado a lado como se não existisse amanhã.
Sango organiza uma festa para reveler o sexo do bebê que está esperando. Mas algumas coisas podem não dar certo… Jikai Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi: Aka-chan no paatii. Não percam!
"-O que você quer dizer com isso, Sangozinha?"
Nota da autora: Espero que tenham gostado desse pedido de casamento :) hahahaha. O que acharam? Mandem comentários!
Obrigada a quem comentou no capítulo passado: wadkath, Culpoabebida, Line Sagittarius, Lan Ayath, Bunie Boo, Carol Correia, Bella Tayoukai e anatemnein.
Fiquei morrendo de medo da recepção, não sabia se vocês ainda estavam lendo ou se ainda consigo escrever humor. Também aparentemente querem que Hakudoushi continue com o grupo. A questão é: com ou sem namorada?
Pra quem quiser saber o que ando fazendo, pode me seguir no Twitter: (arroba) ukitaketai.
Beijos e até o próximo capítulo!
