Esta crônica inicia do lado de fora da casa de Sesshoumaru. Desta vez, ele tentava encontrar uma vaga para estacionar Suichi, o carro de Inuyasha, em alguma parte do perímetro onde moravam enquanto Rin conferia as sacolas de presentes pela enésima vez, muito para a desconfiança do companheiro.

Por que está fazendo isso de novo? – ele perguntou com os olhos fixos na rua.

Fazendo o quê? – ela franziu a testa.

Mexendo nesses presentes. Eu não acredito que compramos tudo isso só para uma criança. Tem coisa aí para um orfanato.

Rin ficou calada.

Com o silêncio dela, Sesshoumaru estacionou no meio da rua, ficou calado, a testa franzida. Depois a boca ficou levemente aberta, indicando o assombro, e virou o rosto para a futura companheira, que estava de olhos fechados como se orasse.

Antes de falar qualquer coisa... – ela encolheu os ombros e deu um sorriso sem graça, erguendo as mãos na defensiva – Sango-chan me fez prometer que eu não contaria nada porque você poderia contar pra Miroku-sama e estragar a festa. Ela vai contar se é menino ou meninos... digo, meninas ou meninos... quer dizer... Ah, você entendeu, né?

Rin... Como...? – ele parecia extremamente ofendido – Você não lembra quando descobrimos que Kikyo era atriz pornô? Por quanto tempo conseguimos esconder isso de Inuyasha?

Mas... Mas... – o rosto parecia emocionado – As meninas... As meninas...

Então o rosto mudou consideravelmente:

É claro que eu sei que pode esconder bem, assim fez com o seu braço e ficou me enganando o tempo todo por meses.

Sesshoumaru e ela se encararam, depois ele disfarçou um suspiro e voltou a procurar uma vaga na rua.

Quantos são? Gêmeos? Trigêmeos? Quíntuplos? Houshi sempre disse que queria ter muitos filhos.

Não vou contar. – ela falou com um sorriso triunfante.

Vou contar quantos presentes compramos.

Eu comprei a mais porque seremos padrinhos de um.

Sesshoumaru freou bruscamente e os presentes caíram do colo de Rin.

Por que não me falou antes? – ele parecia ainda mais alarmado e extremamente sério – Não podemos ser padrinhos se não formos oficialmente casados!

Não serve só nossa assinatura na prefeitura? – ela mordeu de leve as unhas – Eu achei que estava tudo certo, por isso não falei nada antes.

Não, você terá que mudar de nome também, Rin. – ele explicou, voltando a dirigir – Temos que casar antes do nascimento.

Oh... – ela bufou e concordou com altivez, sem nenhuma relutância sobre a parte de casar – Tá bem. Achei que daria tempo. Kagome-chan vai ter que cortar uns duzentos nomes da lista de convidados.

Novamente Sesshoumaru freou bruscamente e mais presentes caíram do colo de Rin. Ele aproveitou o momento para apertar a ponte entre os olhos.

Duzentos nomes? Quantas pessoas ela convidou? O bairro todo?

Eu também não sabia que conhecíamos tudo isso de gente. – ela falou timidamente.

Por que você não planeja com Hakudoushi? – ele perguntou, voltando a dirigir.

Oh, Kagome-chan que planeja isso há bastante tempo. Mas a sua ideia é muito. Hakudoushi-sama é muito centrado e organizado. Podemos planejar algo mais reservado e uma lua de mel no litoral, nem que seja no fim de semana. – ela comentou.

Quando finalmente iam estacionar na vaga reservada para ele como moradores daquela rua, Sesshoumaru subitamente freou novamente porque um corpo se jogou contra o carro, trincando o vidro. Rin deu um grito e tapou os olhos para não ver, largando todos os presentes de uma vez, enquanto Sesshoumaru tinha os olhos fixos no para-brisas.

Era Kouga com um lado do rosto amassado no vidro, tentando se mexer depois do impacto.

Alguém gritou perto e os dois viraram os rostos em direção da voz ouvida, saída da casa de Sesshoumaru, e viram Hakudoushi vindo atrás de Kouga com uma faca de cortar salmão e uma colher de pau.

VOLTE AQUI, KOUGA! – ele gritava agitando um punho.

Sesshoumaru acelerou e deixou Kouga escorregar pelo capô e cair na rua, ficando para trás.

Segundos depois, ele comentou.

Centrado e organizado, não é?

Rin apenas se limitou a dar um gemido.


Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no junjou na omoi

Aka-chan no paati.

Crônicas de Tokyo: Nossos verdadeiros sentimentos

A festa de bebê


Disclaimer: Não posso esquecer de dizer que é da Rumiko-sensei senão vocês ficam tudo NOOOOOSSA.


Na sala da casa de Sesshoumaru, o dono estava de braços cruzados na frente de Inuyasha e Kagome, Miroku e Sango e Hakudoushi. Kouga estava estirado no chão sendo cuidado por uma moça de cabelos ruivos e olhos extremamente verdes, cujas pernas serviam de descanso para ele descansar a cabeça.

Minutos de silêncio total deixaram Rin extremamente tensa, e ela resolveu imitar o noivo ao cruzar os braços e olhar séria para o grupo que parecia ser de um monte de criancinhas prestes a receber um sermão.

— Vão me explicar ou não? – ele perguntou.

Cinco pessoas apontavam o dedo para Hakudoushi que, por sua vez, apontava para Kouga, trocando ofensas e tudo.

Sesshoumaru apertou a ponte entre os olhos e inspirou e expirou várias vezes. Não parecia que a gritaria acabaria tão cedo. Era a mesma coisa sempre que pedia alguma explicação sobre o acidente entre Hakudoushi e Kouga.

A delicada mão de Rin tocou-o no braço e ele voltou o rosto para olhá-la enquanto o grupo ainda discutia e apontava dedos.

— Sess... Vou preparar alguma coisa pra gente comer.

O outro só confirmou com a cabeça e a viu afastar-se.

Segundos depois, todos pararam de discutir ao ouvir o grito de Rin da cozinha e Sesshoumaru saiu em disparada.

— Rin! – ele abriu a porta da cozinha, arregalando os olhos.

A cozinha tinha uma espécie de massa roxa espalhada pelas quadro paredes, pó rosa e azul, balões estourados, louça quebrada, Buyo com os pelos completamente coloridos como se fosse um gato punk, um globo de discoteca girando tranquilamente no teto e iluminando de azul o rosto choroso de Rin.

— Minha cozinha... as paredes... essa sujeira... – ela choramingou.

Foi então que ele percebeu que a culpa não era de Hakudoushi porque o outro jamais deixaria aquilo acontecer, por mais descontrolado que fosse.

Voltou para a sala e viu o irmão e Miroku carregando o corpo desacordado de Kouga, Kagome, Sango e menina ruiva estavam saindo de fininho para a outra casa e Hakudoushi tranquilamente de braços cruzados na batente da porta da cozinha.

— Fiquem parados aí mesmo. – Sesshoumaru falou num tom ameaçador, estalando os dedos.

Todos congelaram onde estavam.

— Eu tentei impedir. – Hakudoushi olhava as unhas e dedos calejados como quem não quisesse nada.

— O que vocês fizeram na cozinha?

Silêncio se fez até Sango perceber que estavam todos olhando para ela. Grávida, eles sabiam que ela seria a única a escapar de qualquer coisa que Sesshoumaru fizesse.

— Estava tudo sob controle até começarmos a treinar para os jogos. – ela começou a explicar.

— "Jogos"? – Sesshoumaru franziu a testa.

— Sim, os jogos para decidir quem seria o padrinho. Era pra ser uma disputa de pôquer normal e virou uma espécie de Jogos Vorazes, com o Kouga discutindo e batendo no seu irmão.

— Você ia escolher o padrinho do seu filho no pôquer?

Sango coçou comicamente um lado do rosto e não respondeu. Sesshoumaru piscou suavemente diante da informação e ignorou o barulho de um prato quebrando e o choro ruidoso de Rin vindo da cozinha.

— Obviamente seremos nós os padrinhos e não esse lobo fedido. – Inuyasha explicou, abraçando Kagome.

— Você não pode ser, Inuyasha. – Sesshoumaru apontou indiferente — Precisa estar legalmente casado com Kagome. E Kouga já adiantou a papelada na prefeitura desde que veio aqui treinar o pedido de casamento.

— Foram vocês que ajudaram? – a ruiva uniu as mãos e tinha um rosto sonhador.

— Oh... – Sesshoumaru ergueu uma sobrancelha – É a você a Ayame?

— Sim. – ela deu um sorriso gentil – Você deve ser quem o Kouga-kun chama de "irmão do Inuyasha". Muito prazer. Muito obrigada, foi muito romântico, apesar de ele ter dito que eu não sou o amor da vida dele e ter trocado o meu nome duas vezes por "Rin".

Sesshoumaru avançou para agarrar o pescoço de Kouga para deixá-lo ainda mais desacordado e só não conseguiu porque Miroku e Hakudoushi o seguraram.

Recuperando a postura, o dono da casa endireitou os ombros e estalou o pescoço, retomando a expressão mais indiferente e calma possível. No entanto, teve que reprimir mais uma vez um suspiro cansado e ignorar novamente o som de vidro quebrando e Rin choramingando alto na cozinha.

— Vocês podem me explicar o que aconteceu na minha cozinha?

— A cozinha é de Rin-sama. – Hakudoushi o corrigiu.

O olhar que ele e Sesshoumaru trocaram fez com que se afastasse lentamente e fosse para onde Rin agora choramingava alto sem dizer uma única palavra.

— O que aconteceu? – ele perguntou novamente.

— Começou com uma partida de pôquer. Sugestão de Miroku. Ele disse que o padrinho precisa se virar bem na vida.

— Vocês lembram que eu ganhei todas as partidas de pôquer e uno que já jogamos por aqui, né? – Sesshoumaru apontou.

— Mas Kouga disse que poderia ganhar facilmente de você.

Sesshoumaru apertou a ponte entre os olhos, impaciente.

— Bem, voltando... – Sango continuou – Enquanto os meninos jogavam, Kagome-chan e Ayame-chan estavam arrumando as coisas para o chá revelação.

— "Chá revelação"? – Sesshoumaru piscou sem entender.

— É a última moda nas famílias que vão ter bebês. Nós fazemos uma grande revelação se será menino ou menina quando cortamos o bolo ou estouramos os balões.

— E o que deu de errado?

Inuyasha tomou a palavra, apontando para Kouga.

— Esse cara aí, além de não saber jogar pôquer direito, não entendeu a brincadeira e ainda estourou todos os balões pra saber se seria um menino ou uma menina.

— Vocês não explicaram direito! – Ayame protestou – Só Kagome-chan conseguiu explicar direitinho.

— Daí a cozinha ficou que nem aquele laboratório que o Inuyasha explodiu na oitava série. – Miroku esclareceu.

— Foi você quem explodiu esse laboratório? – Kagome bateu no namorado sentado ao lado dela – Eu levei a culpa por isso nessa época!

— Ai, ai, Kagome! Para com isso, mulher!

Ignorando o irmão apanhando como sempre, Sesshoumaru continuou:

— E aquela massa roxa espalhada pela cozinha?

— É que você e Rin estavam demorando e Hakudoushi quis adiantar um pouco as coisas fazendo o bolo.

Se Hakudoushi estava cuidando dessa parte, não havia nada a dar errado, a não ser que...

—... E...? – Sesshoumaru incentivou.

— E Kagome-sama quis ajudar muuuito. – Miroku completou.

O dono da casa fechou os olhos como se orasse. Era sabido o desastre que Kagome era na cozinha. Recordou-se muito brevemente quando o irmão se juntou a ajudar a fazer a comida do jantar de aniversário de namoro na casa vizinha e Sesshoumaru teve que ligar para Hachi, o amigo trambiqueiro, para conseguir o número de um encanador mais picareta ainda. Aparentemente Inuyasha havia conseguido destruir todo o encanamento e vazava água da cozinha para a rua, arruinando o dia de todo mundo no bairro.

— Em minha defesa, Hakudoushi não podia saber qual era a cor porque podia contar pros outros. – a outra explicou.

Uma discussão entre todos iniciou novamente e parecia até que o número de dedos cresceu de uma hora para outra.

— Bem, então aconteceram duas coisas diferentes ao mesmo tempo. – Sesshoumaru mantinha a voz calma e cansada – Vocês ao menos decidiram os padrinhos da outra criança?

A discussão cessou e todos os olhares se voltaram para ele. Até Kouga acordou e ficou sentado no chão para ouvir a história.

— "Da outra criança"? – Sango fingiu-se de desentendida, falhando miseravelmente porque todos conseguiam perceber pela voz – Como assim?

Ao dar-se conta do que aconteceu, Sesshoumaru fez a cara mais séria e indiferente do mundo para responder cuidadosamente:

— Eu tenho uma audição muito apurada e deu a impressão de ouvir mais de uma batida de coração.

Um silêncio comunal se fez e foi o suficiente para duas pessoas que estavam na cozinha colocarem as cabeças do lado de fora da porta e ver o que estava acontecendo.

— Eles também ouvem bem. – ele apontou com a cabeça para o par que observava de longe.

De todos, Miroku era o mais estava ansioso por uma resposta de Sango, segurando a mão dela e olhando para Sesshoumaru também.

— Mas pode ser que eu tenha ouvido errado. – Sesshoumaru tentou contornar a situação. Atrás dele, Rin e Hakudoushi voltavam para a cozinha.

— Essa audição é muito boa mesmo, porque eu jogo Angry Birds com o fone de ouvido e ele ainda me manda silenciar. – Inuyasha comentou e Kagome confirmou com a cabeça várias vezes.

— Você consegue ouvir os pensamentos dos outros? – Kouga perguntou.

Sesshoumaru fechou os olhos e apertou a ponte entre eles com força, murmurando algo que soava um "taquepareo" ou algo semelhante, mas que os outros não ouviram por não terem mesmo uma audição apurada.

— Bem, vocês vão ter que arranjar um outro lugar para a escolha dos padrinhos e dessa festa. Podem ir pra casa do Inuyasha. Estão banidos de entrar nesta casa até Rin concordar com o retorno de vocês. – ele avisou.

— Você não pode fazer isso! – Kagome parecia indignada – Você nem falou com ela! Rin-chan jamais permitiria isso.

— Não preciso perguntar nada para ela. Nossos corações estão unidos e eu sei que ela não quer ter nenhum de vocês aqui.

Outro vidro quebrou e mais uma vez todos ouviram Rin choramingar mais ruidosamente.

— Bem, então vamos, vamos, gente. – Sango levantou-se com certa dificuldade, pousando a mão na barriga – Depois a gente vê onde vamos passar as noites comendo de graça e vendo filme do Metflix.

Em segundos, todos desapareceram levando cartas de pôquer e alguns presentes.

No silêncio da sala, Sesshoumaru esperou mais alguns segundos para ver se eles não voltavam para pegar alguma coisa antes de lentamente ir para a cozinha.

Ao entrar, viu Hakudoushi terminando de limpar as paredes e quase tudo em ordem. Rin terminava de arrumar cuidadosamente um conjunto de chá de porcelana chinesa finíssimo.

— Eles já foram, amor? – Rin perguntou ao terminar de arrumar tudo.

— Sim. – ele colocou as mãos nos bolsos, uma personificação da tranquilidade.

— Ufa, que bom, não aguentava mais quebrar algumas peças velhas. – ela passou um braço pela testa para tirar um suor invisível.

— Rin, deu para notar que Houshi não sabe sobre o outro filho. O que mais ela está escondendo?

— Ah, Sess... eu não sei se...

Ela parou de falar e olhou para Hashi, franzindo a testa. Ele limpava um pedaço da parede olhando para o casal enquanto a mão se mexia sem rumo.

— Volte para o serviço. – ela avisou.

Hakudoushi voltou a olhar para o ponto e começou a esfregar com mais força.

— Mas o plano deu certo. – ele cruzou os braços, assumindo uma pose mais séria – Eles não vão pisar por um tempo aqui. Vamos poder reformar algumas partes.

— E tirar as coisas da Kagome do meu quarto? – Hakudoushi perguntou.

— Se você conseguir guardar segredo, sim. – Rin avisou.

Um movimento pelo canto dos olhos de Hakudoushi e Sesshoumaru e os dois estreitaram os olhos em direção a um canto da casa.

Buyo, já limpinho, apareceu misteriosamente e lambia as patinhas, rolando no chão. Os dois continuavam com os olhos estreitados.

— Ah, Buyo-chan, você está aí... – Rin correu para pegá-lo – Espero que não tenha se assustado com os pratos quebrando.

— Rin, vamos nos arrumar para essa revelação. – Sesshoumaru avisou já na saída da cozinha – Hakudoushi, termine de limpar tudo e se arrume também.

— Eu não quero ir. – Hakudoushi falou sem emoção.

— Vai perder Miroku desmaiando de novo.

O outro começou a limpar rapidamente cada parte do ambiente sem esconder um sorriso maquiavélico.

Nem ao menos notou a saída de Buyo da cozinha e ir para o quintal compartilhado pelas duas casas, indo na direção de uma pessoa escondida nas sombras sem que ela precisasse chamá-lo.

(Para fins de grande mistério, não aparecerá o rosto da pessoa, apenas um enorme preto borrão, deixando-a como um comensal da morte)

O gato aproximou-se e pulou nos braços da tal pessoa e sentiu uma carícia, ronronando alto.

Buyooo...

— Hunf. Quer dizer que eles querem fazer uma reforma nessa casa? – uma voz feminina perguntou – Não perdem por esperar.

Buyo...oooo...oooo

— Oh, então é mais de um filho daquele Miroku e ele não sabe? Interessante.

Buyoo.

— Obrigada pelas informações. Tome aqui o seu lanchinho. – a mão com luva preta ofereceu sardinhas de primeira qualidade na boca de Buyo, deixando-o em segurança no chão antes de sumir nas sombras.


Rin colocou um brinco na orelha e olhou-se no espelho, rodopiando para ver se estava tudo bem atrás e com a barra. Estava com um vestido azul claro de alças finas, modelo tipicamente usado no verão, e sandálias rasteiras – tudo presente de Sesshoumaru.

Verificando que estava tudo bem, ela saiu do quarto e desceu as escadas anunciando:

— Meninos, já estou pronta.

Não houve resposta imediata, mas tampouco ligou. Certamente que os dois estavam tramando alguma coisa na cozinha.

Ao entrar no local, encontrou os dois sentados à mesa à espera completamente arrumados, cabelos amarrados, elegantes e perfumados como se tivessem saído das páginas da Vogue Japão.

— Ué, estão tão quietos. – ela estranhou.

— Mas nós somos quietos. – Hakudoushi se defendeu meio timidamente.

Sesshoumaru apenas confirmou com a cabeça.

— Hmm... então acho que estou estranhando porque os outros não estão aqui.

— Também achei bem estranho não encontrar o Inuyasha tirando cera do ouvido como sempre faz. Dá pra ouvir do meu quarto o jeito como ele mete o dedo na orelha. – Hakudoushi comentou.

— Bem, vamos. Hakudoushi, leve os presentes. – o dono da casa levantou-se e pegou na mão de Rin, conduzindo-a para fora da cozinha e passando pela sala.

— Sess... – ela sussurrou, aproveitando o momento que Hakudoushi tentava organizar os presentes em uma pilha só para levar nos braços – Podemos conversar depois sobre o casamento?

Sesshoumaru nada comentou, mas Rin sentiu um leve aperto na mão que ela considerou como um sinal positivo.

— E sobre ter filhos.

Aí, ele parou de andar e ficou parado, olhando para o nada.

— O que foi? – Hakudoushi estranhou. Quase esbarrou e derrubou os presentes quando os dois pararam.

— Nada. – Sesshoumaru declarou, voltando a andar de mãos dadas com Rin – Espero que termine cedo para voltarmos logo para casa, Rin.

Desta vez foi a vez dela de apertar a mão dele.

Mais alguns passos depois, eles estavam de frente para a porta da casa de Inuyasha, franzindo a testa.

— Tá silêncio... – Rin comentou.

— O que será que aconteceu? – Sesshoumaru apertou a campainha.

— Será que eles se perderam aí dentro? – Hakudoushi falou no tom mais sério possível – Só viviam na casa do Sesshoumaru, vai ver que essa casa aqui ficou fechada por todo esse tempo e ela criou um universo paralelo depois dessa porta.

A porta abriu-se e apareceu um homem baixinho usando roupa de mordomo, com um braço dobrado com um lenço fino por cima.

— Boa tarde, senhoras e senhores. – ele fez uma reverência exagerada – Meu nome é Jaken e vou conduzi-lo ao senhor Inuyasha.

— "Senhor Inuyasha"? – Hakudoushi parecia chocado.

— Posso ficar com vossos casacos. – ele estendeu a mão para receber as peças.

— Hmm... não estamos de casacos. – disse Rin timidamente.

— É verão. – Sesshoumaru explicou como se estivesse falando com uma criancinha.

— Só podem entrar se tirarem os casacos. Ordens do senhor Inuyasha.

— Isso só pode ser brincadeira... – Hakudoushi colocou os presentes no chão e imitou os movimentos como se tirasse um casaco pesado e fingiu entregá-lo nas mãos de Jaken, podendo então passar ao genkan.

Sem outra escolha, Rin e Sesshoumaru imitaram o amigo e também fingiram tirar um casaco invisível.

Ao entrarem na casa, olharam as paredes, lustres, cortinas, sofás de veludo, pessoas usando roupa social, mordomos passando de um lado a outro bebidas e petiscos. Parecia uma festa da alta sociedade, com muito brilho e música clássica tocando, com praticamente todo mundo do bairro com trajes elegantes.

— Eu acho que é a primeira vez que entro aqui depois da reforma. – Rin comentou maravilhada.

— Por que esses amaldiçoados ficam na minha casa se têm tudo isso aqui? – ele notou que o sofá era tão novo e tão sem uso que parecia ter sido comprado naquele mesmo dia. A tevê tela plana tinha pelo menos 60 polegadas, transformando a sala praticamente num cinema.

— Sess, dá pra gente ver tão bem Laços de Ternura aqui, olha só... – Rin comentou.

— Ora, ora, ora... vejam só quem chegou... – Miroku estava completamente arrumado de paletó, gravata e tudo, os cabelo cuidadosamente amarrados, acompanhado de Sango extremamente elegante e vestida a rigor – Tiveram que pegar o metrô pra chegarem aqui? Estávamos só esperando por vocês pra começar a revelação.

Alguém falando alto perto deles aproximou-se acompanhado de uma mulher. Era Kouga, de paletó e gravata borboleta, de braços dados com Ayame.

Ao ver Sesshoumaru, ele começou com um tom de desprezo:

— Irmão do Inuyasha...

— Hunf. – o outro se limitou a pronunciar.

Uma pessoa aproximou-se dele e Rin deu um gemido ao reconhecer Hachi, o amigo trambiqueiro do grupo, completamente arrumado com roupa social e cartola. Tinha também uma taça de champanhe em mãos.

— Sesshoumaru-sama. Hakudoushi-sama. – ele tirou o chapéu com a outra mão ao cumprimentá-los – Prazer em revê-los. Como vai a casa ao lado?

Os três recém-chegados não tinham palavras.

Um mordomo passou com uma bandeja de taças de champanhe.

— Servidos? – ele ofereceu as bebidas ao grupo. Deles, Ayame, Kouga e Rin aceitaram uma taça.

— Estão gostando da festa? – Hachi perguntou, tomando um gole.

— Eles acabaram de chegar. – Miroku explicou – Não viram ainda a sala de jogos virtuais que instalaram no antigo escritório do Inuyasha. Vamos decidir o padrinho numa disputa em 3D do Sengoku Battle.

— Prefiro o FIBA Soccer ou Haro. – Sesshoumaru mencionou, aceitando a taça de Rin para colocá-la em uma mesinha perto deles – Foram os melhores deste ano.

— Achei que tivesse sido Ghost of Sengoku Jidai. – Hakudoushi comentou.

Ao fazer isso, imediatamente Jaken passou para tirar o recipiente de vidro para não manchar a madeira.

— Caramba, Sesshoumaru, já tá fazendo bagunça na casa dos outros. – Miroku reclamou, tocando amigavelmente no ombro de Jaken – Obrigado, amigo.

Para a sorte de Miroku, um homem passou com quitutes finíssimos – pastelzinho guioza, bolinho de arroz com umeboshi e ceviche de salmão – e os três recém-chegados o seguiram com o olhar boquiabertos, fazendo Sesshoumaru automaticamente esquecer de dar um soco na cara do outro.

— Rin-chan, você está adorável. – Ayame a elogiou e a viu corar de leve – Soube que será a próxima a casar e ter filhos.

O rubor dominou absurdamente o rosto da outra e Sesshoumaru teve que interceder, tossindo de leve antes de comentar:

— Gostaríamos de um tour pela nova casa depois do chá revelação.

— Claro, será um prazer, Sesshoumaru-sama. Sabia que eu fui da equipe responsável pela reforma? – Hachi começou a andar como um verdadeiro homem de negócios ao lado do grupo – Caso tenha interesse em fazer o mesmo, posso dar descontos sensacionais.

— Ah, Sess, vamos conversar com ele, vamos, por favor... – Rin pediu puxando a manga da camisa dele – Podemos transformar o quarto de Kagome numa sala de jogos também. E instalar um cinema em casa só pra nós dois.

— E onde eu vou ficar? – Hakudoushi cruzou os braços – Eu sou arroz de festa agora, é?

— Você pretende ficar conosco até quando? – Sesshoumaru quis saber – Não era só para passar alguns dias? Você já está há eras conosco.

— Não dá pra fazer um quarto pra ele também? – Rin perguntou com um olhar pidão – Preciso de alguém pra me ajudar nas tarefas, Sess.

O namorado engoliu em seco. Era difícil negar alguma coisa quando ela pedia as coisas daquela maneira.

— Vamos conversar mais tarde. Podemos ver um quarto sim. – ele murmurou e viu Hakudoushi dar um sorriso sinistro.

— Agora que os atrasados chegaram, podemos começar a revelação! – Sango anunciou e bateu palmas como se anunciasse a final de um campeonato na televisão – Hachi, Jaken! Deixem tudo pronto!

Em segundos, no meio da sala, Jaken já tinha levado um enorme bolo confeitado de três andares, puxando-o pela mesinha de rodinhas, toda enfeitada de lantejoulas douradas em cascata.

— Como conseguiram fazer um bolo desse tamanho...? – Sesshoumaru sussurrou.

—Não sei. Só espero que não tenha sido feito pela Higurashi. – Hakudoushi sussurrou de volta.

Do nada apareceram Sango e Miroku com um microfone e uma caixa amplificadora como as usadas em discotecas instalada ao lado.

—Obrigado a todos por virem. – Miroku começou – Este é um momento muito especial, aquele em que os mais fortes sobrevivem.

Atrás deles, um globo de discoteca foi puxado e começou a jogar luzes azuis, roxas, amarelas, rosas e verdes para todos os lados.

—Bem-vindos ao Show Revelação do Tokyo Dome!

AEEEEEE! – a maioria do bairro gritou, bateu palmas e assobiou, enquanto Sesshoumaru, Rin e Hakudoushi continuavam desconfiados.

— Senhores, neste momento, preparem-se para os jogos. Espero que tenham um espírito olímpico. Aí vai o primeiro desafio.

Sesshoumaru se impacientou e fez menção de ir embora.

—Rin, eles vão fazer palhaçada. Vou embora daqui. Se quiser ficar, depois você me fala se Houshi desmaiou.

—O primeiro desafio é... – Miroku começou.

—Tá, mas...

Sesshoumaru já estava indo embora quando ouviu:

—... Pegar a foto do Sesshoumaru criança segurando um dragãozinho de pelúcia de duas cabeças! – o futuro papai completou.

Imediatamente o outro voltou e olhou furioso para Miroku, que segurava triunfantemente uma foto emoldurada tamanho 8x10 ao lado de uma sorridente Sango. Uma multidão de vozes femininas gritavam enlouquecidas, esticando a mão para tentar pegar o objeto. Ao longe, era possível ouvir Inuyasha gargalhando.

—Sess, você tem uma foto assim? Por que não me mostrou? Eu quero pra mim. – Rin tocou no ombro dele quase lacrimejando.

— Eu vou pegar agora mesmo, Rin. Não se preocupe. – ele estalou o pescoço e os dedos, olhos fixos no prêmio.

De longe, observou a cena como se estivesse montando uma estratégia de War. A testa franzia de vez em quando.

— Hakudoushi! – ele gritou – À sua esquerda!

— Okay! – o outro correu para atravessar a multidão e chegar ao ponto.

— Eu vou atirar pro alto. O primeiro que pegar, vai cortar a primeira fatia do bolo. – Miroku posicionou-se como se quisesse lançar a foto num kamehameha – Lá vai!

Atirou longe e um monte de mãos quis pegar o objeto. Três corpos saltaram sobre os demais: Sesshoumaru, Hakudoushi e...

— O que está fazendo aqui, Jakotsu? – Sesshoumaru perguntou com a mão esticada no ar.

— Eu quero a sua foto! – ele também tinha a mão esticada.

Hakudoushi apenas praguejou porque percebeu que não conseguiria alcançar por primeiro.

Sesshoumaru pegou o objeto segundos antes do adversário e deu um mortal no ar chutando a cara de Jakotsu e derrubando-o, deixando-o desacordado e estatelado no tapete novíssimo da sala reformada.

Depois caiu elegantemente no solo, como se fosse um grande youkai do Sengoku Battle.

— Ohhh... – a multidão falou e aplaudiu.

— Sess, você conseguiu! – Rin correu para os braços dele.

— Bem, bem, bem... parece que já temos um felizardo. Vamos ver se será nosso padrinho ao passar pelo segundo teste. – Sango anunciou ao microfone.

— Quantas etapas tem essa revelação? Virou concurso público agora, é? – ele perguntou.

Miroku soltou uma risada ao estilo "fufufu" bem maligno.

— Você terá que enfrentar dois adversários antes de chegar ao bolo para ser declarado vencedor! – Miroku apontou em direção a uma parte escura perto do bolo.

Luzes se acenderam e Inuyasha e Kagome apareceram. Ele tinha uma roupa vermelha de samurai e ela estava com um vestido de sacerdotisa xintoísta e arco e flecha.

— Se nos vencer, pode cortar o bolo e revelar se será...!

Antes de terminar de falar, Sesshoumaru já tinha enfiado o dedo no olho do irmão.

Gritaria. Outros aplaudiram. Kagome se desesperou e largou tudo para cuidar do namorado. No meio do caos, Sesshoumaru caminhou elegante e calmamente até o bolo e tirou um pedaço.

— Que raios de cor é essa? – Sesshoumaru mostrou uma fatia com uma massa de cor roxa saindo do recheio.

Silêncio se fez.

— Ah, que droga. – Sango reclamou – Misturaram de novo o rosa e o azul. Você ficaria com o rosa. Vocês dois vão ser padrinhos da menina mais velha.

Mais silêncio se fez e só foi quebrado porque Miroku, que não estava mais achando tudo muito divertido, tossiu de leve.

— O que você quer dizer com isso, Sangozinha? – ele sussurrou.

Sango deu um largo sorriso.

— Sesshoumaru-sama e Rin-chan serão padrinhos apenas de uma criança. Temos mais dois pedaços de bolo e dois casais pra escolher.

A multidão ofegou. Inuyasha acordou e olhava ora para o rosto de Sango, ora para o de Miroku. Jakotsu, com a cara mais surrada, levou a mão à boca para conter uma exclamação de espanto. Hakudoushi comia pipoca e assistia a tudo com um óculos 3D.

— Nós vamos ter TRÊS filhos? – ele arregalou os olhos.

O sorriso dela alargou.

— Surpresa! – ela ergueu os braços alegremente – Duas meninas e um menino!

A multidão aplaudiu. Desconhecidos se abraçaram emocionados. Homens fungaram e tentavam esconder os olhos lacrimejantes olhando para o teto.

E então Miroku desmaiou.

No meio do burburinho da multidão, Hakudoushi puxou Hachi para um canto e perguntou:

— Quando é o próximo chá revelação do bairro, hein? Você também vai organizar?


Na sala de jogos da casa de Inuyasha, o grupo de amigos, acompanhados de Kouga e Ayame, estava reunido vendo Sango abrir os presentes ao lado do corpo desmaiado de Miroku um por um enquanto tentavam adivinhar o nome das crianças.

Makiko, Masako, Masaki? – Kagome tentou.

Nope.

Aiko, Natsuko, Nutsun? – foi a tentativa de Ayame.

Hmm... não-não-não.

Aki, Haru e Natsu? – foi a vez de Sesshoumaru.

Sango balançou a cabeça para os lados.

Se eu tivesse gêmeas, eu as chamaria de Towa e Setsuna. – Rin falou num tom sonhador – Se fossem meninos, seriam Tona e Setsuwa. Mas não sei como seria ter mais um...

Ninguém notou a mão levemente flexionada de Sesshoumaru.

Do lado de fora, um sombra com o rosto borrado se levantou de uma moita e olhou a janela.

Hunf. – a voz feminina murmurou.

Com um movimento elegante, puxou uma capa preta sobre si e desapareceu nas sombras.


Por que Hakudoushi mudou de Kyoto para Tokyo? Por que ele não aluga um espaço só para ele? Por que ele acha mais seguro ficar na casa de Sesshoumaru? Por que ele continua se humilhando sendo um mero serviçal de Rin? Ele gosta mesmo de limpar as lajotinhas do banheiro? Jikai "Tokyo no Nendaiki: Boku-tachi no Junjou na Omoi": Hakudoushi no Kanojo. Não percam!

"— T-T-Tem a-a-alguém no no-no-nosso quarto, Sesshoumaru!"


NOTA DA AUTORA: Oi, gente! Alguém ainda lembra desta história?

Pessoal, sei que alguns acompanham esta história desde 2004 e na época, quando conversávamos nos grupos do MSN e ICQ (olha o tempo), eu dizia que não tinha previsão de completar Bokujun porque essas crônicas podiam ser lidas de forma independente, sempre com um tema diferente. Acho que só umas 2 ou 3 vezes teve uma história maior e foi necessário dividir em partes. E escrevê-la foi por algum motivo divertido. Acho que o espírito de Bokujun é esse: ler para ficar mais leve, ficar rindo à toa lembrando das trapalhadas desse povo num bairro que nem existe em Tóquio. Meu capítulo favorito continua sendo o da locadora de DVD (o que hoje nem existe mais hahahaha).

Infelizmente, nos últimos tempos, vocês viram que não atualizei muito porque não vi motivos pra rir. E as últimas duas semanas têm sido bem difíceis: fiquei ruim das costas e sem mobilidade, perdi uma tia muito querida pra uma doença e há 10 dias mais ou menos a minha vozinha está na UTI entubada. Enquanto eu esperava notícias, eu lembrei da história e resolvi ler um pouco os antigos capítulos, principalmente o do cinema, do DVD, o do álbum de fotografias dos irmãos... Foi o que me deixou mais tranquila e menos ansiosa. Escrevi também um pouquinho por noite, pensando no desfecho dela.

Falei para os leitores semana passada que seria o penúltimo capítulo, mas talvez tenha mais uns 3 até o final. Quando reli, vi que tinha uns lances ainda não revelados e queria ao menos mostrar isso.

Então, espero que gostem desse encerramento. Vamos ver se encerro com chave de ouro (se é que alguém ainda lê isso aqui).

E comentem se puderem. Estou precisando ler as reações de vocês sobre a festa, sobre a casa do Inuyasha (que nunca aparece aqui) e sobre a misteriosa figura vigiando a casa dos amigos.

Espero que tenha ficado engraçado e não ter decepcionado.

Por favor, cuidem-se.

Beijos da Shampoo-chan.