4. Michael Bennett

_ Eu não faço a mínima ideia de quem eu sou_ Michael começou. Malfoy ergueu uma das sobrancelhas.

_ Como assim? Do que você tá falando?

Michael não sabia bem por onde começar. Ele nunca havia realmente parado pra contar sua história pra ninguém. O Dr. Bennett, Zoe e Danna sabiam, porque vivenciaram com ele. Mas falar sobre aquilo pra um estranho, era algo totalmente diferente. Só havia um jeito de começar aquilo: do começo.

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Ele abriu os olhos, mas os fechou rapidamente. Por alguns segundos, a luz o cegou, seus olhos doeram. Devagar, os abriu de novo, mas apenas o suficiente para que não ficasse totalmente no escuro. Não sabia onde estava. Era um cômodo muito branco e com uma luz bem acima de sua cabeça. Tomou consciência de que seu corpo inteiro doía muito. Queria se mexer, mas suas articulações pareciam em brasas.

_ Você acordou_ uma voz disse ao seu lado esquerdo e ele mexeu a cabeça nessa direção.

Uma jovem morena e com intensos olhos verdes o encarava com fascinação.

_ Eu vou chamar o papai_ ela disse e saiu correndo, mas voltou tão rápido, que ele não pôde sequer formar um pensamento do que estava havendo. Estava acompanhada de um homem alto, gordo e grisalho, que vestia um jaleco branco.

_ Que bom que acordou. Eu sou o Dr. Brian Bennett, e essa é minha filha Zoe. Consegue se sentar?_ o homem perguntou.

Tentou reunir forças, mas não conseguiu. O homem e a garota enfiaram as mãos por baixo de suas axilas, e o fizeram ficar numa posição entre sentado e deitado.

_ Onde eu estou?_ perguntou, e sua própria voz o assustou. Rouca, arranhada e baixa.

_ Você está num hospital. Fizemos alguns exames, e você possui três costelas quebradas, e o punho direito bem avariado também, vai ser preciso uma cirurgia. Também há queimaduras de cigarros pelo seu corpo... e todos esses hematomas, aliás, o que foi isso?_ o médico perguntou, franzindo a testa para o prontuário dele_ Lembra o que aconteceu? As minhas meninas o encontraram na praia. Estava desmaiado.

_ Na praia?_ ele forçou a memória, mas lembrava vagamente de ter visto a garota morena antes. Mas pelo que o médico disse, ele passou por maus bocados. Não é a toa todas as dores que estava sentindo pelo corpo.

_ Sim... Como se chama?_ o homem continuou, o olhando com expectativa.

Ele estancou. Como se chamava? Não sabia. Não lembrava. Sua mente era um branco total. Tentou forçar os pensamentos atrás de um nome. Mas nada aconteceu. Será que aquilo era normal?

_ Eu... Eu não sei, não sei_ ele disse aflito. Sua voz estava tão rouca, que ele parecia estar passando por um terrível resfriado_ O que está havendo?

O Dr. Bennett trocou um olhar preocupado com sua filha. Tentou disfarçar, mas era tarde demais.

_ O que está havendo?_ o rapaz perguntou de novo.

_ Fique tranquilo_ disse o Dr. Bennett_ Vou chamar o Dr. Murray, ele é neurologista. E é a melhor pessoa pra cuidar de você.

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Os resultados dos exames não acusaram nada. O Dr. Murray e Dr. Bennett, disseram que tirando todos os ferimentos, ele estava bem. O Dr. Bennett disse que talvez um trauma psicológico estivesse bloqueando sua memória, mas o Dr. Murray estava cético. Na terceira noite naquele hospital, ele ouviu os dois médicos conversando baixinho em seu quarto enquanto achavam que ele estava dormindo.

_ Esse menino passou por poucas e boas_ ele pôde reconhecer a voz do Dr. Bennett.

_ Hum, pra mim ele levou uma surra daquelas. Provavelmente se envolveu em algo que não devia, e agora diz que não lembra pra não se comprometer_ disse o Dr. Murray.

_ Ora, Jerome, você não acha que o rapaz está inventando tudo isso, não é? Olha o estado dele. Além de todos os ferimentos, está muito abaixo do peso.

_ Eu só sei que nos exames nada deu errado. Ele está bem. De qualquer forma , acho que seria bom a polícia ser contatada.

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A polícia veio no dia seguinte e colheu sua digital. Logo constataram que ele não tinha passagem no banco de dados deles, o que era bom por um lado, mas ruim por outro. Ao menos se fosse fichado, saberia quem era.

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Se encarava no espelho pela segunda vez desde que chegara naquele lugar.

Na primeira vez, sua atenção foi tomada pelo estado de seu rosto. Completamente inchado, com uma barba ruiva horrível, e cheio de hematomas, um no olho direito, tão forte, que impedia seu olho de abrir completamente. Não reconheceu aquele rosto, e na verdade ficou horrorizado com sua aparência. O corpo estava tão magro que os ossos das costelas, eram proeminentes. Tinha cortes, hematomas e queimaduras de cigarros no peito e nas costas. Foi uma cena horrível.

A única coisa boa em seu corpo, não fazia parte dele. Era um colar com um pingente em forma de gota, com um H gravado nele. Alguma coisa lhe dizia que aquele H, era de Hermione, porque nas primeiras horas ali, ao examinar o colar pela primeira vez, esse nome lhe veio à mente com tanta força, que era como se estivesse estado em sua mente desde sempre. Tentou forçar a mente para lembrar quem era Hermione, e se realmente era o nome de alguém que conhecera, ou só produto da sua cabeça confusa. Mas nada mais ocorreu. No fim aquele H, era só mais um pedaço do seu corpo desfigurado.

Agora na segunda vez que se encarava no espelho, cinco dias depois, já sem barba, seu estado não era tão bruto. Os roxos pelo rosto estavam adquirindo um tom amarelado, e o inchaço em seu olho direito diminuíra consideravelmente. As marcas pelo corpo estavam lá, mas começavam a amenizar. O colar já não destoava mais tanto do corpo ao que estava pendurado.

Prestou atenção no seu cabelo de verdade, pela primeira vez. Era vermelho como fogo e estava abaixo do pescoço. Agora que o dano em seu rosto estava diminuindo e que não tinha mais barba, podia notar as sardas. Passou os dedos pela pele castigada. Pôde ver que era jovem, muito jovem. Talvez tivesse 17 ou 18 anos. Tentou reconhecer pelo toque aquele lhe encarando no espelho, mas não pôde. Ele era um estranho. Tão estranho agora, quanto há cinco dias atrás.

Naquele dia, pela primeira vez ele se permitiu chorar. Era como se um buraco enorme o engolisse, tentando apaga-lo da vida, do mundo.

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No sexto dia, as filhas do Dr. Bennett disseram que ele tinha que escolher um nome. Não podiam continuar o chamando de ruivo, que era como todos o estavam chamando naquele hospital. Então ele escolheu Michael. Na noite anterior, tinha visto na TV do quarto que dividia com outros três homens, um filme em que o personagem principal tinha esse nome.

_ Eu gosto de Michael_ Zoe falou, o encarado. Ela sempre o olhava nos olhos, e ele se sentia intimidado.

_ Eu também_ Danna concordou sorrindo. Das duas, essa era a mais meiga. Era sempre gentil, mas não tinha a presença forte da irmã_ Como o escolheu?

_ Ontem tinha um filme TV, tinha um cara com esse nome_ sua voz agora estava menos rouca. Ele se perguntava como sua voz soaria sem aquele arranhando constante.

No mesmo dia, Zoe e Danna, tiraram fotos dele. Elas iam distribuir na rua, e Danna conseguiu que a foto dele saísse em um jornal. Agora era só esperar, ela disse, era questão de tempo até alguém aparecer.

Mas depois de um mês naquele lugar, ninguém apareceu. Nem mãe, nem pai, ninguém. Talvez o Dr. Murray estivesse certo, e ele não fosse boa coisa. Talvez fosse alguém tão detestável, que ninguém quis aparecer pra reclamar por ele. Ou talvez fosse sozinho no mundo, o que era ainda mais triste.

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No dia em que lhe disseram que ele devia deixar o hospital, pois estava praticamente recuperado dos ferimentos e da cirurgia no pulso, além de estar ocupando o leito de alguém que realmente precisava, o Dr. Bennett e as meninas o convidaram para ficar com eles por um tempo. A princípio ele não aceitou. Não podia se meter dentro da casa deles, e modificar toda sua rotina, invadir seu espaço e tirar sua privacidade. Já haviam feito demais por ele. Até roupas lhe compraram. Mas não tinha pra onde ir, não conhecia ninguém no mundo fora do hospital, e não tinha ideia do que fazer. Então o desespero o fez aceitar.

Só que esse tempo, acabou se convertendo em meses, e então o Dr. Bennett o sugeriu que Michael usasse seu sobrenome, afinal não poderia ser apenas Michael. E assim, tirou identidade, carteira de motorista e seguiu com sua vida. Se tornou Michael Bennett, um rapaz acolhido como um filho pelo Dr. Brian Bennet.

Começou a trabalhar, conhecer pessoas, mas sempre se perguntando quem era de verdade, e se um dia descobriria. Às vezes parecia que não existia antes de ser resgatado na praia. Mas as marcas no seu copo estavam ali pra provar o contrário, pra provar que ele teve uma história antes, por pior que tenha sido. Ele era alguém, sempre havia sido. Mas quem?

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Michael encarou os olhos cinzentos de Draco Malfoy. Esperava alguma reação do loiro, qualquer coisa que lhe indicasse que havia prestado absoluta atenção no que acabara de ouvir.

_ Bom, é isso.

_ Nossa, é uma história e tanto. Deve ser difícil viver sem lembrar de nada_ Draco comentou. Fazia o possível pra não demonstrar seus verdadeiros sentimentos. Estava emocionado, desesperado, feliz e totalmente aterrorizado. Eram tantas coisas juntas, que não podia descrever.

Tinha certeza absoluta, que aquele rapaz à sua frente, era Ron Weasley. Vivo. Sem memória, mas vivo.

_ Você não faz ideia. Tem sido um pesadelo. Quer dizer, o Dr. Bennett e as meninas são ótimos. São realmente como uma família pra mim, mas não saber da minha verdadeira família é angustiante. E se eu não tiver ninguém? E se eu for mesmo sozinho no mundo?

Você não é, Draco pensou. Mas se controlou pra não dizer.

_ Eu gostaria de te ajudar a encontrar sua família verdadeira_ ele disse, sem pensar muito.

_ E como você faria isso?_ Michael ergueu a sobrancelha_ Sabe, nós colocamos fotos nos jornais, até na TV eu apareci. Nunca ninguém deu as caras. Por que você acha que pode me ajudar?

_ Bom, não custa nada tentar_ Draco desconversou.

Aproveitou que o ruivo teve que atender alguns clientes e pôs sua mente pra funcionar. Como o Weasley foi parar na praia? Obviamente o Comensal que disse que mataram o jovem e jogaram seu corpo no mar, havia mentido. Mas para afirmar aquilo, ele provavelmente achou que Weasley tinha morrido. Mas só saberia exatamente o que aconteceu se Weasley se lembrasse de tudo, e não podia contar com isso.

Repentinamente pensou na família do rapaz. Como contaria a verdade a eles? Como diria que durante quatro anos, estiveram de luto por alguém que na verdade está bem vivo? Não tinha ideia do próximo passo que daria. Sua única certeza, era a de que tudo estava prestes a mudar. Pra sempre.

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N/A: Então, eu quero começar aqui, pedindo desculpas. Sei que demorar mais de um ano pra atualizar uma fanfic, é desrespeitoso com quem acompanha. Mas nunca foi essa minha intenção. Por mais que meu tempo seja escasso, não é justificativa. Com certeza a maioria de vocês, desistiu da fic, o que é completamente compreensível. Só posso pedir desculpas, e dizer que vou tentar atualizar com mais regularidade. Pelo menos, um capítulo por mês, prometo.

Bom, desculpas dadas, vamos aos agradecimentos.

: não desisti. Demorei horrores, mas não desisti. Muito obrigada pela review. Bjks!

RoseHugo: com certeza o Michael é o Rony. Haha! Beijos, e obrigada por comentar.

Thaty: muito bom saber que hoje em dia ainda tem gente que reler minhas fanfics. Obrigada, Thaty. Bjks!

Myke Marauder: eu precisei de muita força mesmo. Deu certo. Demorou, mas tá aí a atualização. Beijos e obrigada!

Xisteca: voltei! Antes tarde do que nunca. Haha! Obrigada.

Procopias: olha, eu só tô atualizado pouco tempo depois de você comentar. Me esforço muito pra fazer um bom trabalho, apesar da demora. Que bom que está gostando. Obrigada pela review. Bjks!

N/A 2: É isso, gente. Espero que gostem e comentem. Até a próxima. Beijão!