7. A Mãe Mais Feliz do Mundo
Harry olhava ansioso para Kingsley Shacklebolt, que andava de um lado para o outro em silêncio. Ele usava um pijama listrado, que em nada lembrava as vestes sérias que costumava usar no Ministério da Magia. Era uma visão um tanto quanto cômica, Harry pensou. Ele quase riu, mas era impossível diante da situação. Havia acabado de contar a Kingsley sobre Ron, e agora estava sentado no sofá da sala de seu chefe esperando pra saber o que fariam.
_ Isso é impossível, é impossível_ Kingsley repetia, enquanto dava mais uma volta em sua sala_ Você tem certeza, Potter? Certeza absoluta?
_ Você já me perguntou isso duas vezes, Kingsley. E eu já te respondi, é claro que eu tenho certeza.
Seu chefe parou e o encarou por alguns segundos e Harry achou que ele lhe diria alguma coisa produtiva, mas então ele voltou a andar pela sala.
_ Kingsley, pelo amor de Deus_ Harry pediu, impaciente.
Kingsley apenas o ignorou. Sua cabeça trabalhava a mil. Se Ron Weasley estava realmente vivo, quer dizer que o depoimento de Deeds não passou de uma mentira. Quando o prenderam, Weasley ainda estava vivo e prisioneiro em algum lugar e continuou assim por mais três meses. Como eles deixaram que algo assim passasse? Ele e os outros aurores foram a Durdle Door, e vasculharam tudo, e não encontraram nenhum sinal de Weasley, mas ele estava lá em algum lugar, e eles não viram. Outra coisa que o intrigava naquele momento era saber que Weasley fora encontrado em Littlehampton, enquanto seu cativeiro era em Durdle Door, dois lugares com considerável quilometragem de distância um do outro. Será que a correnteza o havia levado? Mas se fosse assim, ele provavelmente teria morrido afogado. Será que havia nadado até lá? Também não acreditava nisso. Kingsley não era inocente a ponto de achar que Ron teria forças pra nadar tanto, depois de ter ficado como prisioneiros por três meses. Ele finalmente parou de andar.
_ Potter_ ele disse com sua voz grave e Harry deu um pulo no sofá_ Vou te dizer o que vamos fazer. Vamos aparatar agora mesmo para a casa do Olho-Tonto. Sei que ele está aposentado, mas ele fez parte das investigações na época e precisa saber. E amanhã bem cedo vamos nos reunir com o Ministro da Magia e relatar tudo.
Harry concordou com a cabeça. Seu coração estava disparado.
_ Mas e os Weasley? Eles têm que ser informados...
_ Não podemos dizer nada a eles antes de falar com o Ministro, Harry. É ele que vai dizer como seguir com o caso.
_ Por favor, não me diga que pra isso vamos ter um monte de burocracia.
_ Eu entendo a sua ansiedade, Harry. Isso também é importante pra mim, mas sei que Weasley era seu melhor amigo. Mas precisamos seguir um protocolo aqui.
Harry suspirou. Sim, ele sabia disso. Ele odiava protocolos, sempre odiou e agora tinha mais um motivo pra odiar. Ele sempre foi o tipo de pessoa que agia por impulso e muitas vezes movido pela emoção. Sabia que nesse momento precisava ser racional, mas a verdade é que não queria.
Sua vontade era de sair correndo dali e bater na porta dos Weasley e dizer aos berros que Ron estava vivo. Queria abraçar cada um deles enquanto dava a notícia. Queria abraçar Hermione e segurar as mãos dela e lhe contar tudo. Queria abraçar Ron e dizer que ele era amado, e que esperaram por ele por quatro anos. Não poder fazer nada disso era frustrante, mas tudo bem, ele esperaria mais um pouco. Mais alguns dias ou uma semana, não eram nada comparado aos últimos anos de dor. Ele aguentaria, já tinha aguentado tanto.
Não era o fim do mundo. Era apenas o começo.
oooooooooooooo
Quando Michael entrou no seu quarto no começo daquela manhã, ele não esperava encontrar Zoe Bennett em sua cama apenas de camisola, lendo um livro displicentemente. Não que ela nunca tivesse feito aquilo antes, mas com uma noite tão agitada, ele realmente não imaginou mais surpresas. Mas aquilo não o chateou. Talvez se ele não tivesse conhecido Harry Potter, aquele cara tão disposto a ajudá-lo, a falta de cuidado dela o teria incomodado. Mas não dessa vez.
Ela abaixou o livro e o colocou de lado assim que se deu conta de que ele havia entrado. Ergueu o corpo e ficou de joelhos na cama.
_ Você demorou.
_ Cheguei no mesmo horário de sempre_ ele disse enquanto tirava os sapatos e o casaco. Se aproximou dela e lhe deu um carinhoso beijo na testa.
_ Hum, tem tanto tempo que você não é assim comigo_ ela disse sorrindo. A jovem envolveu os braços ao redor dele.
_ Assim como?_ ele perguntou , acariciando o rosto dela. Precisava admitir que sentia saudades de tê-la assim.
_ Tão carinhoso. Ultimamente você sempre me despreza.
_ Isso não é verdade, mas você sabe como tudo isso me afeta...
_ Eu sei, você se sente culpado por causa de toda a ajuda que meu pai te deu_ ela suspirou. Ficava cansada toda vez que tinha que ouvir essa história.
_ Não quero decepcioná-lo. Mas estou contente demais pra pensar nisso agora.
_ Contente por que?_ Zoe perguntou desconfiada. Começou lentamente a tirar a camisa dele.
_ Hoje foi esse cara no bar, um detetive. Eu contei tudo pra ele, sobre a minha história, e ele vai me ajudar.
_ Ajudar, tipo investigando seu passado?
_ Isso_ ele respondeu sorrindo, se afastou dela um pouco pra tirar a calça_ Ele vai tentar descobrir quem eu sou.
Zoe ficou quieta. Embora quisesse vê-lo feliz, ela tinha muito medo do que o passado dele guardava. Tinha medo do passado dele engolir ela, engolir a história deles.
_ Você vai ter como pagar por isso?
_ Vai ser de graça_ ele pegou uma toalha que estava pendurada na cadeira de sua escrivaninha e enquanto se dirigia pro banheiro dentro do quarto, ela correu para impedi-lo, o abraçou por trás com força_ Zoe, para. Eu preciso tomar banho.
_ Não_ ela sussurrou contra as costas nuas dele. Começou a beijar suas sardas, tomando cuidado para não beijar nas várias cicatrizes que ele tinha. Da vez que tentou fazer isso, ele surtou e ficou dias sem falar com ela. Zoe nunca entendeu aquela reação, mas compreendeu que as partes marcadas do corpo dele eram proíbidas. Ele nunca explicou porque o incomodava, então ela parou de perguntar.
_ Eu estou com cheiro de bebida, com o cheiro do bar_ ele tentou argumentar, mas antes que pudesse continuar, se virou pra ela e a carregou. Ela entrelaçou suas pernas ao redor dele, e os dois se beijaram com força_ Por que você é assim?_ Michael perguntou no meio do beijo.
_ Porque eu quero você mais do que tudo. Não deu pra entender ainda?_ Zoe respondeu e os dois pararam de se beijar um instante para se encarar.
Michael sorriu. Ele perdeu a conta de quantas vezes havia feito aquela pergunta a ela, e perdeu a conta de quantas vezes ela havia respondido exatamente a mesma coisa. Era como um ritual entre eles desde sempre. E ele adorava a resposta que ela sempre lhe dava. Michael nunca sentiu que pertencia a alguma coisa, ou a algum lugar. Mas com Zoe, era diferente. Não que ele sentisse que pertencia a ela, mas com ela, ele sabia que sempre teria um lugar pra voltar.
"Porque eu quero você mais do que tudo". Querer alguém mais do que tudo, era querer muito e Zoe o queria demais. Queria cada pedacinho do corpo dele, cada pedacinho dos pensamentos e cada pedacinho do coração. Aquilo era amor, ela tinha certeza.
oooooooooooooo
Harold Lencastre estava mudo. É claro que ele sabia quem era Ron Weasley, todo mundo sabia. Mas na época que tudo aconteceu, ele era apenas assistente do antigo Ministro, e não participou ativamente da guerra. Havia sido nomeado Ministro há apenas um ano e não teve grandes problemas em suas mãos desde então. O máximo que ele fazia era assinar documentos e fazer reuniões pra decidir isso ou aquilo. Apesar de ter um bom nível de aceitação entre o povo bruxo e de ter tido um primeiro bom ano de mandato, ele sempre se perguntara o que estava fazendo num cargo que demanda tanta responsabilidade. E naquele momento ele se perguntava isso novamente.
_ Você tem certeza absoluta de que é realmente ele, Potter?
_ Como nunca tive certeza de nada antes.
_ Acha que é necessária mais alguma investigação para termos absoluta certeza, Kingsley?
_ Se me permite, senhor, se Potter está nos dizendo que é o Weasley, é porque é o Weasley. Não tenho nenhuma dúvida disso.
Harry nunca se sentiu tão grato a Kingsley como se sentia agora.
Lencastre olhou fixamente para Kingsley um instante. A fé que algumas pessoas depositavam em Harry Potter chegava a ser impressionante. Mas se Kingsley, chefe dos aurores e provavelmente o melhor auror que o Ministério já vira, confiava em Potter com tanta veemência, ele não tinha porque duvidar.
_ Os Weasley já sabem?_ ele questionou ainda olhando pra Kinsgley. O salão de reuniões estava cheio de aurores excitados e abismados.
_ Ainda não, senhor_ Kingsley respondeu_ Achamos que seria melhor sua orientação primeiro.
_ Bom_ Lencastre fez uma pequena pausa_ Kingsley e Potter, vocês estão encarregados de fazer isso junto comigo. Eu irei pessoalmente a casa dos Weasley com vocês dar a notícia. E chamem Draco Malfoy também. Quero ouvir toda a história novamente e dessa vez vindo dele. E acho uma boa ideia ele ir conosco dar a notícia...
_ O Malfoy?_ Harry quase engasgou.
_ Sim, Potter. Afinal, foi ele que encontrou o Weasley, não?
Harry quis dizer que não. Malfoy não encontrou Ron, porque ele não estava procurando, foi uma coincidência. Mas ao invés disso, ele apenas fez que sim com a cabeça.
_Bom, então tratem de chamá-lo imediatamente. Nós quatro estaremos n'A Toca hoje a noite...
_ Hoje a noite?_ Harry engoliu em seco. Apesar de querer muito contar aos Weasley, a possibilidade de fazer isso tão pronto, o assustava um pouco.
_ Sim. Você tem alguma coisa mais importante pra fazer hoje, Potter?_ o Ministro perguntou um pouco impaciente.
_ Não, senhor_ Harry respondeu rápido_ Posso chamar Hemione Granger também? Ela era uma grande amiga do Ron, assim como eu.
_ Sim, Potter_ então ele se voltou para Olho-Tonto Moody_ Olho-Tonto, sei que está aposentado, mas gostaria muito da sua ajuda nesse momento.
_ Estou a disposição, senhor_ Olho-Tonto respondeu orgulhoso.
_ Preciso que você interrogue Deeds novamente. Se não se importar de ir a Azkaban...
_ Desde que os malditos Dementadores foram banidos, não há nenhum inconveniente da minha parte, senhor.
_ Ótimo. Leve mais dois aurores com você. Kingsley pode te ajudar na escolha. Quanto aos demais, quero que um grupo vigie o tal bar onde Weasley trabalha a noite e o outro grupo quero que descubra tudo que puderem sobre a família de trouxas com quem ele está vivendo. Potter, quero que você divida os grupos.
_ Sim, senhor_ Harry respondeu e seu coração estava mais um vez disparado. Desde a noite anterior, isso era tudo que ele vinha sentindo.
Lencastre olhou para todos os presentes, e com uma voz firme disse:
_ Isso acaba hoje. Vamos trazer Weasley de volta pra casa.
oooooooooooooo
Michael acariciava os cabelos de uma adormecida Zoe deitada em seu peito. Pensava na noite anterior. Seu coração estava cheio de esperança pela primeira vez em muito tempo. Ele sabia que não devia criar expectativas e que se Harry Potter descobrisse alguma coisa, provavelmente demoraria muito ainda, mas não conseguia evitar aquela sensação que ia crescendo dentro dele. Era como se intimamente ele soubesse que algo estava para acontecer. E essa sensação lhe causava um frio na barriga. Era bom sentir alguma coisa depois de tanto tempo sentindo apenas aquele vazio.
_ Você não dormiu nada, não é?_ a voz de Zoe o assustou levemente.
_ Não consegui. Achei que você estivesse dormindo.
_ Também não consigo_ ela respondeu baixinho.
_ Você não me disse o que acha.
_ Do que?
_ Do detetive...
_ Eu acho que você deve manter os pés no chão_ Zoe levantou a cabeça para olhar pra ele.
_ Nenhuma palavra de incentivo? Nenhum pinguinho de felicidade por mim?_ ele perguntou um pouco decepcionado.
_ Só não quero que saia disso tudo frustrado.
_ Zoe, não tem como eu me frustrar mais do que já estou.
_ Por que isso é tão importante pra você?_ Zoe se arrependeu da pergunta no momento em que terminou de fazê-la. Era uma pergunta idiota de qualquer forma.
_ O quê?_ Michael a afastou e se sentou na cama_ Você realmente tá me perguntando isso?
_ É só que você tem tudo aqui com a gente. Você já tem uma família, uma vida_ ela disse nervosa, mas sabia que estava piorando tudo.
_ Não, Zoe, eu não tenho tudo. Eu não tô nem perto de ter tudo. Você não tem ideia do que é sentir o que eu sinto, de como é não lembrar de nada.
_ Você tem a mim.
_ Não é o suficiente. Nunca vai ser_ Michael respondeu cortante_ Olha, é melhor você ir pro seu quarto.
Ele entregou a camisola dela, e levantou da cama cobrindo a cintura com o lençol. Foi até a porta e abriu.
Zoe o encarou com os olhos cheios de lágrimas, então colocou a camisola e lentamente saiu da cama e caminhou até a porta. Estava tudo bom demais pra ser verdade.
_ Me desculpe_ ela pediu e então saiu do quarto.
Michael fechou a porta devagar e voltou pra cama. Sentou ali e apertou o pingente do colar em seu pescoço. Zoe nunca entenderia. Por mais que ela se importasse com ele e ele sabia que ela se importava, ela não entenderia. Aquele sentimento era reservado a ele. Aquela angústia, aquela ânsia, eram dele. Só dele.
Enfiou a mão debaixo da cama e tirou de lá uma garrada quase cheia de vodka. Bebeu mais da metade de uma vez, colocou a garrafa quase vazia sobre o criado mudo e deitou na cama. Se cobriu até a cabeça deixando apenas parte do rosto de fora, como sempre fazia. Olhou na direção da janela, as cortinas estavam fechadas, mas o sol entrava por algumas frestas. Tudo estava bem, ele pensou. A esperança ainda estava lá, mesmo depois das palavras de Zoe. E por mais que ele soubesse que não deveria se apegar demais a esse sentimento, ele o agarrou e o abraçou. Zoe disse que ele tinha tudo, mas ela não sabia que tudo que ele tinha era esse fiapinho de esperança. E enquanto se permitia imaginar mil possibilidades, pelo menos por uma vez, ele adormeceu.
oooooooooooooo
_ É tão estranho que o Ministro da Magia venha aqui_ Gina comentou pra si mesma, enquanto arrumava a mesa de jantar.
Sua mãe havia decidido que essa noite usaria os pratos de porcelana grega que haviam ganhado de casamento de uma parente rica distante. Também obrigou Gina a cobrir a mesa com a melhor toalha de mesa que encontrasse, o que era meio difícil já que nenhuma era muito bonita ou nova.
_ Como eu estou?_ A Sra Weasley perguntou aparecendo na porta da cozinha. Havia exagerado um pouco na maquiagem e estava usando prendedores de prata em forma de abelha nos lados da cabeça. Também usava um vestido que Fred e Jorge lhe deram de aniversário no ano anterior.
_ Um pouco exagerada_ Gina respondeu com sinceridade. Molly a olhou um pouco irritada.
_ Você devia se arrumar_ Molly disse, enquanto desfazia toda a arrumação que a filha tinha feito na mesa e a colocava do seu jeito. Talheres e pratos começaram a ir de um lado para o outro, enquanto ela acenava com a varinha.
_ Eu já estou arrumada, mamãe_ Gina argumentou.
A Sra Weasley a olhou dos pés a cabeça, mas não disse nada. A jovem usava uma calça jeans e um casaco de crochê salmão. Os cabelos ruivos compridos até a cintura estavam soltos e brilhantes, como se ela tivesse acabado de sair de uma sessão de beleza da revista "Bruxa Bonita". Sua filha não precisava de muito pra ficar bonita, precisava admitir. Então ela olhou de novo para a filha com um súbito carinho e sorriu.
_ Você está linda, querida.
Gina sorriu de volta.
_ A senhora também. E não está exagerada, eu que não tô acostumada a ver a senhora tão arrumada.
Não era comum aquela sessão de elogios e pieguices entre elas, mas não custava nada, Gina pensou.
E senhora Weasley corou, mas sorriu contente, quando Fred e Jorge entraram na cozinha. Um depois do outro, eles deram um beijo na bochecha da mãe. Os dois vestiam ternos novos. Fred usando um verde musgo e Jorge com seu terno azul oceano.
_ Ginevra, tá indo comprar pão na esquina?_ Jorge perguntou.
_ Está verdadeiramente arrumada pra isso_ Fred completou.
_ Me deixem em paz, idiotas_ Gina esbravejou e quando abriu a porta da cozinha para ir para o jardim, Hermione estava lá parada, pronta para bater na porta.
Gina suspirou de irritação ao ver que a amiga também estava arrumada para a ocasão. Usava um vestido azul e um sobretudo preto por cima. Seus cabelos cheios estavam presos num rabo de cavalo elegante.
_ Boa noite_ Hermione disse ao entrar.
_ Boa noite, Hermione_ Fred e Jorge disseram juntos.
_ Hermione, querida_ Molly correu pra abraçá-la_ Está linsdissíma.
_ Obrigada, Sra Weasley. A senhora também_ Hermione se voltou para Gina_ Que cara é essa?
_ Deve ser porque aparentemente estou mal vestida para a ocasião.
_ Você está sempre mal vestida, Ginevra_ Jorge disse, sentando-se numa cadeira encostada à parede perto da porta da cozinha_ Então não se preocupe com isso.
Gina pegou um dos pratos sobre a mesa e arremessou no irmão. Jorge, como se esperasse por aquilo, transformou o prato num pombo de papel com um simples aceno de varinha.
_ GINA!_a Sra Weasley berrou_ Esse prato faz parte de um conjunto que foi presente de casamento.
_ Mamãe, eu fico emocionado com a sua preocupação com meu bem estar_ Jorge falou sarcástico_ Nossa querida Gina jogou um prato em mim, e a senhora se preocupou com o prato. Realmente uma mãe muito cuidadosa.
Molly revirou os olhos, enquanto transformava o pombo num prato novamente, e Fred, Hermione e Gina tetavam segurar os risos.
_ Só não me façam passar vergonha na frente do ministro, por favor_ a Sra Weasley pediu.
_ Jamais_ Fred garantiu_ O único capaz de nos envergonhar é o Percy, mas provavelmente não será novidade pro ministro.
A Sra Weasley abriu a boca pra dar uma bronca no filho, mas nesse instante, Carlinhos e Gui entraram pela porta da cozinha. Beijaram a mãe na bochecha e olharam ao redor.
_ Pensamos que estivéssemos atrasados_ disse Gui.
_ O Ministro ainda não chegou.
_ Será que papai sabe do que se trata?_ Carlinhos questionou, olhando curioso pra todo mundo.
_ Se ele soubesse já teria nos dito. Papai não é o tipo que guarda segredo_ Fred argumentou.
_ Seu pai não é nenhum fofoqueiro_ a Sra Weasley rebateu.
A verdade é que ela estava nervosa. Não podia imiaginar o que estava levando o Ministro da Magia até sua casa. Seu coração lhe dizia que alguma coisa grande estava para acontecer, mas ela não conseguia sequer imaginar o que era. Só esperava que os gêmeos não tivessem feito nada ilegal, a ponto de levar o minstro até sua casa.
_ Vocês... Não aprontaram nada, não é?_ ela perguntou, olhando para Fred e Jorge. Os dois arregalaram os olhos ao mesmo tempo, os deixando mais idênticos ainda.
_ Nada que vá nos mandar para Azkaban, mamãe_ Jorge respondeu.
_ Fique tranquila_ Fred acrescentou_ O que quer que o ministro esteja vindo fazer aqui, não temos nada a ver com isso.
A senhora ruiva deu um sorriso de alívio, quando o Sr Weasley chegou acompanhado de Percy.
_ Poxa, chegamos em cima da hora. Nem vai dar tempo de nos arrumarmos pra receber o minstro_ Percy disse, como se isso significasse o fim do mundo.
_ Arthur, eu estou preocupada...
_ Eu também, querida. Mas se fosse algo ruim, Harry teria nos preparado_ Arthur falou, dando um beijo na testa da esposa_ Afinal, foi ele que marcou esse jantar.
_ Ele estava bem aflito quando falou comigo_ Hermione comentou e todos a olharam.
Ela quis dizer que isso não queria dizer nada, mas nesse momento, ouviram-se quatro estalos no jardim. O silêncio tomou conta da cozinha, e eles apenas esperaram. Então teve a batida seca na porta da sala e como se tivessem combinado, todo mundo correu pro outro cômodo, enquanto uma ansiosa Sra Weasley abria a porta da sala. Ela abriu, e um Harry um pouco pálido apareceu. Atrás dele, estavam Kingsley Shaklebolt, o Ministro da Magia, e para surpresa de todos, Draco Malfoy.
A Sra Weasley os fez entrar, e cumprimentou a todos com educação, mostrando um pouco mais de entusiasmo ao apertar a mão do Ministro, e por um instante Harry achou que ela iria abraçar o homem, mas ela não o fez, e apenas ficou repetindo como era uma honra tê-lo ali. A recepção calorosa não se estendeu a Malfoy, e a Sra Weasley lançou um olhar a Harry como se perguntasse o que ele estava fazendo em sua casa.
Aos poucos todos os presentes cumprimentaram os convidados, mas ninguém disfarçou a surpresa e o choque de ter Draco Malfoy ali. Este, por outro lado, mantia uma expressão de tédio, mas Harry conseguia ver que as bochechas pálidas dele, estavam coradas. Por dentro ele devia estar tão nervoso quanto o próprio Harry.
_ É uma honra recebê-lo, Ministro_ O Sr Weasley disse, mas parecia um pouco perdido com a situação.
_ Eu é que agradeço, Arthur. Sei que esse encontro foi marcado de última hora...
_ Imagina, Ministro. Estamos contentissimos..._ Percy ia dizendo, mas foi interrompido pelo próprio Harold Lencastre.
_ Eu tentarei ser o mais breve possível, se a situação permitir_ ele deu uma olhada para Kingsley, que acenou com a cabeça_ Vocês provavelmente estão se perguntando o porquê dessa visita. Bom, eu não costumo visitar a casa dos meus funcionários, mas esse é um caso excepcional_ ele acrescentou.
_ Desculpe, ministro. Mas o que o Draco Malfoy tem a ver com o que quer que o senhor tenha vindo fazer aqui?_ Fred perguntou, tentando ser respeitoso, mas olhava pra Draco como se ele fosse um inseto. As bochechas do loiro ficaram mais vermelhas ainda.
_ Ele tem tudo a ver, na verdade_ Lencastre respondeu_ Aliás, talvez ele devesse começar a explicar o motivo de estarmos aqui.
_ Eu?_ Malfoy perguntou um pouco alto demais, depois se recompôs_ Eles não vão acreditar em mim.
_ Mas nós estamos aqui justamente pra confirmar tudo_ Kingsley disse, encorajando o rapaz.
Malfoy olhou para todos os presentes e então pensou em Michael Bennett, ou melhor, Ron Weasley. Não era só por si mesmo que estava fazendo aquilo. Ele tinha um propósito e não era só a sua paz de espírito, afinal, Weasley merecia ter sua vida de volta. Então ele respirou fundo e começou a contar tudo.
_ Bom, desde o final da guerra, eu tenho me isolado do mundo bruxo. O que acabou me fazendo interagir mais com o mundos dos trouxas.
_ Você interagindo com trouxas? Não é perigoso pra eles?_ Jorge debochou e alguns dos presentes riram.
_ Eu gostaria de pedir que o deixem falar sem interrupções_ Lencastre pediu, e Jorge corou. Houve um silêncio ensurdecedor.
_ Desde que eu comecei a frequentar o mundo trouxa_ Draco continuou, ignorando o comentário de Jorge, mas apreciando a defesa do ministro_ eu decidi que a melhor maneira de me entreter, seria conhecer os bares de Londres. Nessas minhas andanças, eu conheci muitos. E era algo bem banal, na verdade, até semanas atrás quando tudo mudou...
O coração da Sra Weasley estava disparado. Ela sabia que alguma coisa grande estava acontecendo. Aquela visita tão inesperada, não era sem motivo.
_ ... eu conheci um rapaz chamado Michael Bennett. Ele é barman nesse pub, e bem_ Malfoy engoliu em seco, ele olhou pra Harry e o jovem fez que sim com a cabeça pra que ele continuasse_ Ele é o Ron Weasley.
Ele não esperava dizer de uma vez, mas apenas saiu e quando aconteceu, parecia que o mundo tinha saído das costas dele.
Todos o encaravam em silêncio. Alguns o olhavam como se ele fosse louco, outros com expressões de confusão.
_ Acho que falo por todos, quando digo que não entendemos nada_ foi Gina que falou. Ela era uma das pessoas com a expressão confusa.
_ Ron está vivo_ Kingsley afirmou com sua voz grave. Ele não era um homem de meias palavras.
_ O quê?!_ Hermione, Jorge, Carlinhos e Gui exclamaram ao mesmo tempo. Os outros estavam em silêncio, encarando Kingsley.
_ Kingsley, do que vocês estão falando? Por favor, podem nos explicar?_ a Sra Weasley pediu, e ela parecia tão calma, que era difícil de acreditar.
_ Molly, Arthur, eu sei o quão louco isso parece, mas o Ron está vivo_ Kingsley continuou_ Ele está vivendo com trouxas, como se fosse um deles. Não sabemos as circunstâncias exatas que o fizeram ir viver com eles. Não sabemos de fato como ele escapou do cativeiro, mas ele está vivo. Por isso nunca encontramos um corpo. Nunca ouve um corpo pra ser encontrado.
_ Isso não faz nenhum sentido_ Percy falou_ O Comensal da Morte que foi capturado, o tal de Deeds, disse que o mataram e o jogaram no mar.
_ Ele estava mentindo_ Harry falou_ Ele mentiu quando disse que mataram o Ron. Ou talvez tenha apenas achado que o mataram, talvez tenham jogado ele no mar, achando que ele morreria, mas não foi isso que aconteceu. De qualquer forma, Olho-Tonto está em Azkaban nesse momento o interrogando novamente.
_ Se ele estivesse vivo, voltaria pra nós..._ Gina ia dizendo.
_ Ele não lembra quem é. Não tem memória_ Malfoy a interrompeu.
_ Até onde ele sabe, ele é uma pessoa comum como todos os trouxas_ Kingsley completou.
Então ele explicou tudo o que soube por Harry e por Draco Malfoy. Contou como Ron fora encontrado por trouxas na praia, muito machucado, três meses depois de ter sido sequestrado. Contou que ele ficou por um mês num hospital trouxa e que os trouxas que o encontraram tentaram de tudo para encontrar a família dele, sem sucesso. Contou que nesses quatro anos, o rapaz não se lembrava de nada, nem mesmo de como foi parar na praia. De vez em quando, Harry e Draco adicionavam alguma informação ou detalhe esquecido, mas quando absolutamente tudo que eles sabiam foi dito, tanto Kingsley, quanto Harry, Malfoy e o Harold Lencastre, se sentiam aliviados.
_ Isso não pode ser verdade. É invenção do Malfoy_ Fred gritou, e de fato Jorge teve que segurá-lo pra que ele não avançasse sobre o loiro_ Como podem acreditar?
_ Eu sou criativo, Weasley. Mas nem tanto_ Draco se defendeu.
_ Não é invenção. Eu o vi_ Harry disse, ficando entre Malfoy e os Weasley.
_ Você... você o viu?_ o Sr Weasley perguntou baixinho. Ele e a esposa estavam de mãos dadas, e apertavam a mão do outro com tanta força, que as pontas de seus dedos estavam brancas.
_ Sim, Sr Weasley. Eu o vi, falei com ele_ Harry afirmou. Estava emocionado_ Nós conversamos, e é ele. Eu reconheceria o Ron a quilomêtros de distância... É ele.
A Sra Weasley cambaleou e por um instante toda a atenção se voltou pra ela. Alguns a ajudaram a sentar no sofá, outros a abanavam e Gina correu para pegar um copo com água para a mãe. Mas a Sra Weasley olhava para Harry. Ela esticou a mão e o jovem se aproximou e a segurou. Ele se abaixou para emparelhar com ela, que estava sentada no sofá agora.
_ Harry, era o meu Ron? Era mesmo ele?_ ela perguntou com a voz embargada.
Harry fez que sim com a cabeça, emocionado.
_ E ele realmente não se lembra de nada?_ ela perguntou. Apertava as mãos dele entre as suas com força.
_ De nada. Ele não sabe quem é, por isso nunca voltou.
Então a Sra Weasley se defez em lágrimas. O Sr Weasley que estivera o tempo todo ao lado dela, se abaixou para abraçá-la. Os dois choraram juntos e abraçados, e Harry se lembrou do dia em que receberam a notícia da morte de Ron. A cena era parecida, mas o contexto agora era tão diferente. Aqueles dois ali, não choravam mais a morte de um filho e sim, o seu renascimento.
Ele se levantou e olhou para os outros Weasley presentes na sala. Nunca poderia imaginar o que se passava na mente de cada um. Jorge e Gina estavam abraçados e ele viu algumas lágrimas escorrerem pelo rosto da jovem, e ele tinha certeza que conseguia ouvir Jorge fungar com o rosto escondido nos cabelos da irmã. Fred, Carlinhos e Percy estavam parados no mesmo lugar com expressões que pareciam estar entre a emoção e a incredulidade. Então ele olhou para Hermione. Sua amiga estava encostada à parede da sala, olhando diretamente pra ele. Ela não havia dito uma palavra e Harry não conseguiu determinar o que ela estava sentindo. Sem que ele esperasse, ela andou até ele e o abraçou com força.
_ Você jura? Jura pelo que mais ama que é verdade?_ ela perguntou baixinho.
_ Eu juro_ ele respondeu.
Apenas então, ela começou a chorar. Segurou as costas do paletó de Harry com tanta força, que teve medo de rasgá-lo. Mas se não o fizesse, temia cair no chão, pois suas pernas estavam fracas e ela não tinha certeza de que poderia se manter em pé por muito tempo.
_ Queremos vê-lo agora_ a voz do Sr Weasley quebrou o barulho dos choros na sala e todos se voltaram pra ele. Depois todos olharam ansiosos e esperançosos para Harold Lencastre.
_ Vejam bem, ele não sabe quem vocês são. Não podem simplesmente aparecer pra ele assim.
_ Vocês vêm aqui e dizem que ele está vivo, nos contam uma história completamente louca e não quer que o encontremos?_ Gui esbravejou.
_ Não é isso, Gui_ Kingsley interveio_ Mas não podemos jogar a verdade em cima dele dessa forma. Não é apenas revelar uma família e amigos, é literalmenterevelar um mundo novo inteiro. O nosso mundo. Um mundo com magia, que ele não faz ideia que existe. Sem contar, toda a história da guerra e do sequestro dele. Tem que ser algo pensado, muito bem pensado.
A Sra Weasley levantou trêmula do sofá e caminhou até o ministro.
_ Eu passei quatro anos achando que meu menino estava morto. O senhor pode imaginar a dor que eu venho sentindo todos esses anos? Um pedaço meu foi arrancado e eu venho vivendo esses anos com a certeza de que nunca vou ter ele de volta. E agora, eu descubro que ele tá por aí, vivo, sem lembrar que tem uma mãe que o ama mais que a própria vida. Por favor, não me diga que não posso ver meu filho.
Lencastre engoliu em seco. Não, ele não podia sequer imaginar tudo pelo que aquela mulher havia passado, tudo pelo que aquela família havia passado. Ele não tinha filhos ainda. E só de pensar em passar por tudo isso, seu coração ficava apertado. Aquelas pessoas na sala mereciam essa felicidade, mereciam de volta o pedaço que lhes fora arrancado. E ele lhes devolveria. Ele colocou as mãos sobre os ombros de Molly Weasley.
_ Não se preocupe. Vai ter o seu filho nos seus braços de novo antes do que imagina.
A Sra Weasley sorriu entre as lágrimas e inesperadamente, o abraçou.
Aquela dor que ela sentiu por tanto tempo, estava se transformando em uma coisa que ela achou que nunca sentiria de novo. Esperança. Há uma hora atrás, ela era uma mulher que vivia um dia de cada vez, fazia seu melhor para dar atenção a toda a família. Há uma hora atrás ela era uma mulher, que havia perdido para a guerra um de seus filhos. Agora ela era essa nova mulher, cheia de esperança que abraçava com força o Ministro da Magia. Agora ela era mais mãe do que nunca. E quando a perguntassem quantos filhos ela tinha, ela não diria mais "seis", com a voz embargada. Ela diria "sete". E novamente ela seria a mãe mais feliz do mundo.
oooooooooooooo
N/A: Ufa, mais um capítulo. Esse foi um pequeno parto pra sair, Não sabia bem como colocaria a revelação do sobrevivência do Ron, para os Weasley. Queria que fosse emocionante, mas sem me estender muito em repetir a mesma história de novo, de como ele viveu com os trouxas e tal. Espero que gostem, e comentem.
BelinhaZSpears: Caramba, é bom encontrar alguém que acompanhou as minhas fics de novo. Engraçado que quando eu paro pra lembrar das fics antigas que eu escrevi, não parece que faz tanto tempo, mas realmente faz. A vida adulta é uma droga, né? Nossas prioridades hoje em dia são outras. Eu arranjo tempo de onde não tenho pra escrever. Redescobri como eu gosto, como me relaxa e como é bom receber comentários como o seu. Obrigada, Belinha por ainda estar na ativa. Rsrs E é assim mesmo, a gente larga algumas coisas de mão e às vezes depois de um tempo as redescobrimos, e que sensação boa. Agradeço o seu comentário e realmente espero te ver por aqui de novo. 3
Procopias: Uma das minhas maiores preocupações é escrever um Harry crível, condizente com o Harry dos livros. Por assim, sempre achei um personagem muito emotivo, mas com muita dificuldade de mostrar o que sente, e tenho receio de deixá-lo emotivo demais nas minhas fics, mas sempre acabo fazendo isso. Acho que amo um Harry chorão. Haha! Obrigada por continuar comentando. Bjks!
Ninebp: Desculpa por te deixar angustiada. Eu demorei um pouco, mas foi bem pouco mesmo. Rsrs Espero que goste do capítulo e obrigada pelo comentário. Beijos!
L. Ravenclaw: Tô feliz de saber que depois de tanto tempo, você encontrou uma fic de que gosta, e que essa fic seja a minha. Rsrs Tomara que continue gostando. Obrigada por comentar. Beijos!
N/A 2: Então e isso, né gente? Capítulo 7. Como eu disse, esse foi um pouquinho difícil de sair, e acabou ficando muito longo, mas eu não queria dividir em dois capítulos, porque ainda tem muita água pra rolar. Espero que gostem, tanto quanto eu gostei de escrever. Muito obrigada e até a próxima.
Bjks!
