9. Tem Um Mundo Novo Esperando Por Você

Michael abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi um teto muito branco. O teto mais branco que já tinha visto na vida. Ele piscou algumas vezes um pouco confuso, enquanto as lembranças do que tinha acontecido iam voltando. Ele fora atacado por dois homens que, de alguma maneira inexplicável, lançaram raios nele. E aparentemente fora salvo por Harry Potter, Draco Malfoy e outros homens que ele não conhecia. Passou alguns segundos tentando processar o que havia acontecido, quando uma voz disse ao seu lado:

_ Que bom que acordou, Weasley. Já não era sem tempo_ era Draco Malfoy. O loiro estava sentado numa cadeira ao lado de sua cama e tinha uma expressão difícil de decifrar.

_ Malfoy, o que houve? Onde eu estou?_ ele perguntou, embora tivesse certeza de que estava num quarto de hospital. Não parecia muito convencional agora que ele parava para prestar um pouco mais de atenção (não havia janelas, e ele teve a sensação de que as imagens dos quadros na parede se mexiam – talvez estivesse tonto demais), mas ainda assim, ele sabia que era um quarto de hospital. Repentinamente, ele se deu conta de algo_ Você me chamou de Weasley?

O Ministro da Magia havia pedido a Draco para que estivesse no quarto quando Ron Weasley acordasse. Então, ele teve que ficar plantado lá desde a noite anterior, quando tudo acontecera. Harold Lencastre achava que era melhor que a pessoa do mundo bruxo que mais teve contato com Weasley, estivesse ali para que o susto não fosse muito grande. A princípio, Draco não gostou muito da ideia, pois se sentiu intimidado com a responsabilidade de ter que estar presente naquele momento, porque ele sabia que Weasley começaria a fazer várias perguntas que ele tinha um pouco de medo de responder. Mas ao mesmo tempo uma parte dele queria que o ruivo não se sentisse tão perdido ao dar de cara com um monte de pessoas que para ele, seriam estranhas. E uma outra partezinha dele estava feliz por ser ele a estar ali, e não Harry Potter. Adoraria esfregar isso na cara do cabeça rachada mais tarde.

_ Eu já volto_ Draco disse, sem responder a pergunta de Michael e imediatamente saiu do quarto.

Michael se sentou na cama e ficou olhando na direção da porta enquanto um monte de perguntas passavam por sua cabeça. Que hospital era aquele? O que estava acontecendo? Por que ele fora atacado? O que Draco Malfoy estava fazendo ali? Por que o chamavam de Weasley? Será que esse era seu nome? E muitas outras perguntas que se misturavam entre si e que ele não conseguia entender.

Instantes depois, Malfoy voltou acompanhado de Harry Potter e dois homens, que ele não conhecia, mas que sabia que estavam na sua casa no momento do ataque. Um era alto e negro e tinha um perfil imponente e o outro tinha uma estatura mediana e usava um terno verde-musgo que parecia muito novo. Esse último, aliás, foi o que apontou um pedaço de madeira para ele e depois disso, ele não se lembrava de mais nada. Provavelmente foi aí que ele apagou.

_ Como se sente?_ Harry perguntou assim que entrou no quarto. Ele se aproximou da cama para encostar no ombro do amigo, mas o rapaz se afastou.

_ O que está havendo?_ Michael perguntou um pouco irritado_ Onde eu estou? Quem são vocês?_ questionou olhando para os dois estranhos que tinham entrado junto com Harry e Draco.

_ Calma, uma pergunta por vez_ o Ministro da Magia respondeu pacientemente_ Você está no Hospital St. Mungus Para Doenças e Acidentes Mágicos, esse é Kingsley Shacklebolt e eu sou o Ministro da Magia, Harold Lencastre.

Michael ficou olhando para ele com uma expressão confusa. Nunca tinha ouvido falar desse tal Hospital St. Mungus Para Doenças e Acidentes Mágicos, foi isso que ele disse? E também não conseguia imaginar o que um Ministro da Magia fazia, nem sequer sabia que existia um Ministro da Magia. Ele olhou para Malfoy esperando que o outro lhe dissesse alguma coisa que fizesse sentido. Dos que estavam ali, Draco Malfoy era o único que ele conhecia há mais tempo.

Como se entendesse a pergunta muda de Weasley, Draco olhou para Harry Potter.

_ Eu disse a você que te devolveria a sua família_ Harry falou, tentando conter a emoção.

Michael se voltou para ele de olhos arregalados. Será que Harry Potter estava lhe dizendo o que ele imaginava?

_ Você… Você os encontrou? Você descobriu quem eu sou?_ ele perguntou. Se tivesse uma bebida ao seu lado, provavelmente teria dado um grande gole.

_ Seu nome verdadeiro é Ronald Weasley, mas nós chamamos você de Ron. Você tem mãe, tem pai, tem cinco irmãos mais velhos e uma irmã mais nova_ Harry continuou e sua voz começou a tremer um pouco_ E todos te amam muito e sentiram saudades.

Ronald Weasley? Michael pensou. E ele tinha sim uma família. Mas se tinha uma família por que nunca o procuraram? Não é possível que não tenham visto os anúncios na televisão na época, ou que nenhum deles tenha lido um jornal.

_ Isso… Isso é loucura. Por que eles não me procuraram?

_ Achavam que você estava morto_ foi Malfoy que respondeu

_ Por quê?_ Ron perguntou arregalando os olhos.

Malfoy olhou para os outros dois, como quem pede ajuda. Harry sentiu que era ele que devia contar.

_ É uma longa história, que ainda tem muitas partes em branco_ ele disse_ E a gente tá aqui justamente pra isso, pra poder te contar tudo.

O coração de Ron nunca esteve tão disparado. Ele já havia passado por momentos de expectativas antes, mas nada comparado a isso. Sentia que a qualquer momento, vomitaria. Mas por outro lado, nunca precisou tanto de uma bebida.

_ Você nasceu em primeiro de março de 1980 e agora você tem 22 anos_ Harry começou. Se tinha que contar, que fosse do começo_ Seus pais são Arthur e Molly Weasley e seus irmãos são Gui, Carlinhos, Percy, Fred e Jorge, sua irmã é a Gina. Você cresceu nessa família grande e feliz_ Harry continuou se emocionando.

Ron o olhava atordoado. Mãe, pai, irmãos. Uma família. Ele não disse nada, apenas esperou que Harry Potter continuasse. Sua garganta estava seca.

_ Eles achavam que você estava morto. Sofreram muito por isso. Fizemos até um funeral pra você_ Harry continuou e sua voz estava embargada.

_ Um funeral..._ Ron falou baixinho.

_ Sim. Nos disseram que você tinha morrido.

_ Todos nós achávamos que você estivesse morto_ Malfoy enfatizou_ Até que te encontrei naquele bar…

_ Isso quer dizer que você e eu… nos conhecíamos?_ o ruivo perguntou se voltando para Malfoy.

_ Sim, Weasley. Nós nos conhecemos desde a infância_ Draco respondeu, e se surpreendeu com a emoção que estava sentindo.

Ron o encarou por um tempo. Lembrou de quando se conheceram no bar há quase dois meses. Malfoy o encarou naquela ocasião, como se estivesse de cara com um fantasma. O loiro lhe disse que ele lhe lembrava um amigo morto. Agora fazia sentido.

_ Eu não entendo. Por que não me disse a verdade?

_ Porque tem muita coisa envolvida. Tem muita coisa que você tem que saber e eu tinha que ter certeza.

_ Se eu conhecia você_ ele continuou, olhando para Malfoy, depois se voltou para Harry_ Então, eu conhecia você também? Você disse "nós fizemos um funeral pra você". Quer dizer que eu conheço você?

_ A gente se conheceu aos 11 anos no trem para Hogwarts_ Harry disse mal podendo conter a emoção_ Nós estudávamos lá. Nos tornamos amigos imediatamente. Melhores amigos.

Os dois se encararam por alguns instantes.

_ E depois Hermione se juntou a nós. Éramos inseparáveis, os três.

Hermione? Ron pensou. Esse era o nome de que ele lembrava. Lembrou assim que encostou no pingente do colar em seu pescoço quando esteve no hospital há quatro anos. A única coisa de que ele lembrava. Ele levou a mão até o pescoço procurando o colar, mas ele não estava ali.

_ Meu colar...

_ Esse aqui?_ Harry tirou o colar do bolso e o pingente ficou pendendo de um lado para o outro.

Então Harry tirou o próprio colar de dentro das vestes, exatamente igual ao de Ron_com exceção da letra gravada no pingente do amigo_ e mostrou para ele.

_ Eu guardei o seu depois que te trouxemos pra cá. Hermione fez um para cada. Para mim, para você e para ela. Eu reparei que o seu tem um "H" gravado_ Harry deu um pequeno sorriso, pois assim que viu o colar, quando encontrou Ron no bar, ele entendeu tudo_ Quando você me mostrou esse colar no dia em que eu fui ao bar, eu soube que era você. Eu tive certeza. Tenho certeza que Hermione ainda tem o dela.

_ Esse nome… Hermione. Eu lembro. É a minha única lembrança.

_ Sim, eu sei_ Harry sorriu_ Também me surpreendeu quando você disse o nome dela no bar…

_ Então ela realmente existe?_ Ron perguntou mais para si mesmo, do que para os presentes_ Todos esses anos, eu achei que talvez fosse fruto da minha imaginação.

_ Não é. Ela é nossa amiga_ disse Harry, entregando para ele o colar.

Ron pegou o colar e o encarou por um instante. Durante anos se perguntou se Hermione era realmente o nome de alguém que conhecia ou se era fruto da sua imaginação. Durante todo esse tempo se perguntou se ela era uma amiga, uma namorada, uma irmã, sua mãe. Agora sabia que eram amigos. Não entendeu bem a frustração momentânea que sentiu, então resolveu ignorá-la. Colocou o colar de volta no pescoço.

_ Vocês sabem como eu fui parar na praia aquele dia?_ ele perguntou, olhando para os homens presentes no quarto.

_ Não sabemos exatamente. Temos apenas algumas suspeitas_ Kingsley respondeu_ Esperamos que você possa nos ajudar a montar esse quebra-cabeça assim que recuperar sua memória.

Se ele recuperasse, Ron pensou.

_ Quem eram aqueles homens que me atacaram? E como eles me lançaram raios?

Os outros quatro homens se entreolharam. Estavam esperando que ele fizesse essa pergunta. Mas antes que pudessem responder, Ron arregalou os olhos e deu um pulo para fora da cama. Todos se alteraram.

_ A imagem do quadro se mexeu_ Ron gritou, apontando para o quadro do outro lado da parede_ Eu tinha visto se mexer antes, mas achei que fosse coisa da minha cabeça.

_ Calma, tá tudo bem_ Harry disse se aproximando do amigo.

_ Não tá não, a imagem se mexeu_ ele continuava apontando para o quadro_ Olha, se mexeu de novo.

A imagem de um senhor de idade no quadro, ficava o tempo todo se escondendo atrás da moldura, revirando os olhos cada vez que Ron apontava pra ele.

_ Tem muita coisa que precisamos te explicar_ Harold Lencastre disse_ Mas você precisa se acalmar.

_ Então expliquem de uma vez_ o ruivo pediu irritado.

_ Ron, por favor, volta pra sua cama e vamos te explicar_ Harry pediu com paciência.

Ron fez o que lhe foi pedido, embora lançasse olhares desconfiados na direção do quadro, e Harry se lembrou dele mesmo quando descobriu que era um bruxo. Ele respirou fundo.

_ Sabe, existe um mundo totalmente distinto do mundo ao qual você tá acostumado. Um mundo onde existe magia e seres mágicos, onde você usa varinhas para lançar feitiços e onde as imagens dos quadros se mexem. Nesse mundo as pessoas têm habilidades que você não imagina. Nós o chamamos de Mundo Bruxo. Esse foi o mundo onde você nasceu e cresceu.

O ruivo olhou de um para o outro com uma expressão confusa. Como é que é?

_ Do que você tá falando? Que loucura é essa?

_ Não é loucura, Weasley. É a verdade_ Draco afirmou_ Esse mundo no qual você estava vivendo, é o mundo dos trouxas, um mundo sem magia e sem graça. Mas você não pertence a ele.

_ Você faz parte de uma das famílias bruxas mais antigas do nosso mundo. E de alguma forma, que ainda não entendemos completamente, foi parar no mundo dos trouxas_ disse o Ministro_ Mas você é um bruxo, como nós.

_ Isso… Isso não faz sentido nenhum_ Ron disse com a voz fraca. Será que estava tendo um devaneio?

_ Nunca aconteceu nada estranho com você ao longo desses quatro anos junto dos trouxas? Alguma coisa difícil de acreditar, e que não deveria acontecer?_ Harry perguntou. Ele mesmo antes de descobrir que era um bruxo, passou por situações estranhas, que na época ele não pôde explicar. Como por exemplo, seu cabelo crescer imediatamente depois de cortar, ou aquela vez que fugiu pra não apanhar do seu tio e foi parar no telhado, e também da vez que libertou a cobra no zoológico, apenas porque desejou isso.

Ron ficou olhando para Harry por um tempo enquanto algumas lembranças voltavam a sua mente. Uma vez na casa dos Bennett, ele desejou tanto que chovesse que um cano de água estourou no seu quarto. Ele não associou uma coisa a outra, mas na época achou estranho. Também teve aquela vez em que perdeu uma aposta com Danna, e teve que pintar metade do cabelo de roxo como castigo. No dia seguinte a metade pintada havia voltado a ser ruiva vibrante, como todo o seu cabelo. Danna ficou uma semana sem falar com ele, porque achou que ele havia trapaceado e pintado seu cabelo na cor natural, mesmo ele dizendo que não sabia o que tinha acontecido. Ele pensou naquilo por dias, tentando entender como seu cabelo havia voltado a cor natural durante o sono. Por fim, não encontrando nenhuma resposta lógica, ele desistiu.

_ Sim, algumas coisas..._ ele disse baixinho, mas não comentou os acontecimentos com os demais, então se voltando para os homens a sua frente, ele continuou_ Mas isso não quer dizer nada, ainda assim é loucura demais…

Nesse instante, Harry tirou das vestes sua varinha. Ele imaginou que Ron não acreditaria com facilidade. Afinal, não era algo fácil de assimilar.

_ Isso… Os homens que me atacaram usaram varetas parecidas com essa_ Ron disse exasperado.

_ Isso é uma varinha, os homens que te atacara as usaram para lançar feitiços em você, mas não essa. Essa é minha. Todos os bruxos têm uma. Você também tinha, mas não sabemos o que aconteceu com ela_ Harry falou_ Eu vou te mostrar algo_ ele olhou na direção do Ministro como quem procura aprovação. O homem acenou positivamente com a cabeça.

Harry então apontou a varinha na direção de um copo com água que estava sobre a mesinha ao lado da cama, e disse:

_ Accio!_ nesse instante o copo veio rapidamente na direção de sua mão e ele o apanhou com agilidade.

Ron olhava pra tudo, estupefato.

_ Como você fez isso?

_ Com magia e minha varinha, claro_ Harry explicou_ É isso que estamos tentando te dizer. Você é um bruxo, Ron. Todos nós aqui somos. Eu posso continuar te mostrando várias outras coisas, mas você precisa confiar em nós. Tem um mundo inteiro lá fora pra você conhecer, com milhares de outros bruxos, com criaturas mágicas, com esportes mágicos… Você vai adorar. Como eu adorei quando cheguei nele.

Ron ficou encarando o copo com água na mão de Harry, depois olhou diretamente nos olhos verdes do rapaz. Ele sentiu sinceridade ali. E de qualquer forma, seus olhos não podiam ter lhe enganado. Ele viu o outro só com a varinha atrair um copo com água até sua mão, e o velho dentro do quadro no quarto ainda se mexia, mas agora em vez de revirar os olhos, olhava para ele com desdém. E tinham todas as coisas estranhas que haviam acontecido com ele ao longo dos quatro anos. Coisas que ele achou estranhas, mas que agora ele sabia, que aconteceram porque ele aparentemente tinha magia nele.

Então não é possível ser mentira. Não, não podia pensar naquilo agora. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Depois os abriu e sem focar em ninguém em especial, perguntou:

_ O que aconteceu comigo? Por que minha família achou que eu estava morto?

Harry se surpreendeu por um momento. Não achou que Ron mudaria de tópico tão rápido. Mas entendia o amigo. Era informação demais. Deu um grande suspiro, sentou na beirada da cama e começou a falar. Contou sobre Voldemort e sobre todo o terror que ele instaurou no Mundo Bruxo por anos. Contou sobre a guerra e sobre a batalha em Hogwarts, contou como derrotou Voldemort e como Ron sumiu durante a batalha, tendo sido sequestrado por Comensais da Morte. A voz de Harry embargou um pouco quando ele contou que Deeds fez parecer que o amigo estava morto, e como isso foi sofrido para todo mundo. Ele não quis detalhar muito esse momento, pois ainda lhe doía, mas o explicou o suficiente para que Ron pudesse entender.

Ron ouviu tudo muito quieto e olhando para o chão. Nada daquilo parecia real, mas ele sabia que era. Ele pôde sentir dentro dele que aquelas pessoas não estavam mentindo. Ele realmente fazia parte de um outro mundo, ele tinha uma família, ele era um bruxo e havia passado três meses sequestrado. Por mais loucura que parecesse, ele sabia que era verdade.

_ E o que aconteceu comigo enquanto eu estive com os Comensais da Morte? Foi esse nome que você disse, né?

Harry fez que sim, então olhou na direção de Kingsley e do Ministro.

_ Nós não sabemos. Não sabemos o que aconteceu durante esses três meses_ Kingsley respondeu, e ele se sentia impotente. Pela primeira vez desde que tomou conhecimento de que Ron Weasley estava vivo, ele sentiu o peso daquilo tudo. É claro que ele sabia que era algo grandioso, mas se concentrou tanto no que fazer, em como trazer Weasley de volta pra casa, em como contar a verdade a ele, que não se permitiu pensar nos três meses que o jovem passara sob o poder dos Comensais. E agora aquele fato o consumiu de uma maneira inesperada. Não conseguia entender como deixou passar algo tão importante. Deveriam ter interrogado Deeds com mais afinco, em vez de assumir o que ele disse como verdade. Tanta dor poderia ter sido evitada._ Mas nós vamos descobrir. Agora os homens que o atacaram estão presos e agora mesmo estão sendo interrogados. Eles vão contar tudo, afinal eles não têm escolha.

Ron se sentiu repentinamente cansado. Era informação demais, era uma história e tanto para assimilar em tão pouco tempo. Aqueles homens estavam ali há pouco mais de uma hora lhe contanto tudo aquilo_ que ele era um bruxo, que fora sequestrado, que tinha uma família..._ mas era como se estivessem ali há dias. E por mais que Ron quisesse saber tudo, ele não aguentaria mais nenhuma informação naquele momento. Tinha muitas perguntas, mas sentia que se ouvisse mais alguma coisa, sua cabeça explodiria. As lágrimas ameaçaram rolar por seus olhos e ele virou o rosto para que os outros não olhassem para ele.

_ Podem me deixar sozinho um pouco, por favor?_ ele pediu com toda a calma que pôde reunir. Mas por dentro ele queria gritar.

_ Tem certeza? Sua família está lá fora, estão ansiosos para te ver_ Harry disse, tentando esboçar um sorriso, mas se sentia um pouco perdido.

Ron respirou fundo. Ele queria ver sua família, queria "conhecê-los de novo" mais que tudo. Mas não naquele momento, ele não conseguiria. Sentia que estava a beira de desabar e não queria encontrá-los naquele estado. Começou a fazer algumas caretas, enquanto tentava prender o choro e sua esperança de que os outros não vissem foi por água abaixo quando tal Ministro disse baixinho na direção de Malfoy:

_ Chame uma enfermeira.

Malfoy voltou minutos depois com a enfermeira e quando a mulher chegou, ele já estava com o rosto molhado pelas lágrimas. Ela trazia um copo grande com um líquido verde dentro dele.

_ Tome isso e vai se sentir melhor_ ela disse num tom calmo.

_ Eu estou bem, eu estou bem_ Ron falou, mas sua voz embargada e seu rosto molhado mostravam o contrário.

_ Sei que está, mas precisa descansar a mente e essa poção de tranquilidade vai te ajudar muito.

Ron se perguntou apenas por um segundo o que a tal poção fazia, mas só de ouvir a palavra "tranquilidade", ele se rendeu. Bebeu tudo, e a enfermeira o ajudou a se deitar na cama, ela afofou as almofadas e ficou ao seu lado. Aos poucos os olhos dele foram pesando e ele sabia que estava a ponto de dormir novamente. Ouviu as vozes das pessoas no quarto como se estivessem bem distantes ou talvez baixas demais.

_ Ele vai dormir de novo?_ Ron pôde reconhecer Draco Malfoy perguntando.

_ Só por umas três horas, ele precisa disso_ a enfermeira respondeu_ Não se preocupem, ele vai acordar mais disposto e tranquilo depois dessa soneca.

_ Temos coisas importantes a falar com ele_ alguém disse, mas ele não conseguiu mais identificar quem era_ A família dele toda está aí fora.

_ Vocês esperaram anos, podem esperar mais três horas.

Ele sentiu vontade de rir, o que era estranho porque instantes atrás ele estava chorando. Mas repentinamente sentiu paz, era como se a angústia estivesse indo embora. Sabia que aquilo só duraria enquanto estivesse sob o efeito da poção, mas decidiu que aproveitaria. Se aconchegou mais na cama ignorando as vozes ao redor, e deixou que o sono o levasse. "Espero sonhar com algo bonito", foi a última coisa que ele pensou, antes de cair num sono profundo e tranquilo.

oooooooooooooo

Ele não sonhou com nada. Se sonhou, não lembrava. Havia acordado há cerca de 20 minutos, e agora estava parado em frente ao espelho do banheiro em seu quarto de hospital, encarando seu reflexo. Era estranho se olhar no espelho sabendo quem realmente era, mesmo que não lembrasse. Ronald Weasley, 22 anos, bruxo. Bruxo. Como isso era possível? Não entendia como podia ser real, mas ele sabia que era. E também teve a guerra, na qual ele foi sequestrado. Ficou três meses com os tais Comensais da Morte. E assim como o resto dos últimos quatro anos, esses três meses eram um branco em sua mente. Ele passou as mãos pelos cabelos em aflição, e continuou se olhando.

Em alguns minutos conheceria seus pais. Quer dizer, reencontraria seus pais. O curandeiro que estava cuidando dele_ e que se chamava Raymond Dexter_ disse que ele já havia tido emoções fortes num dia e por isso ele encontraria apenas seus pais. O resto da família ficaria pra depois. Ele gostou disso, preferia assim. Queria muito encontrar sua família, mas não queria que fosse um momento estressante demais.

Houve uma batida na porta do quarto, então ele saiu do banheiro e se sentou na beirada da cama.

_ Entra_ ele disse com o coração disparado.

O curandeiro entrou junto com Harry, fechando a porta atrás deles. Harry tinha um sorriso nervoso no rosto.

_ Está pronto?_ o curandeiro perguntou.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, refletindo sobre aquela pergunta. Encontrar sua família sempre foi o que ele mais quis, mas ele estava pronto? Não sabia. Mas não podia adiar aquilo, não depois de esperar tanto tempo. Olhou para Harry, depois de volta para o curandeiro, então fez que sim com a cabeça.

Harry abriu a porta. Era agora.

Seus pais entraram.

O coração de Ron deu um solavanco em seu peito. Eram eles. Finalmente.

oooooooooooooo

N/A: Que demora, né? Desculpa, gente, mas sabem como é; prioridades. Mas aí está o novo capítulo. Espero que não tenham abandonado. Vou tentar não demorar tanto com o próximo.

Ninebp: Infelizmente a reação dele vai ficar pro próximo capítulo. Não me odeie por isso. Rsrs

Obrigada por comentar. Bjks!

Procopias: Verdade, eu não me atentei a esses erros gramaticais. Como escrevo e edito sozinha, infelizmente algumas coisas passam despercebidas, mas obrigada por me dar esse toque. Só que o "pra" realmente foi proposital, pois é mais informal. Se você ver mais alguma coisa errada, pode falar. Bom, sim, eu quis fazer o Elliot um cara legal, afinal, não tem motivos pra ele ser diferente. Se era pra Mione seguir em frente, que fosse com alguém legal, né? O reencontro vai esperar um pouquinho mais. Haha! Obrigada por comentar. Bjks!

: Sem um fim que crie expectativa para um próximo capítulo, não tem graça. Hahaha! Mas tá aí o novo capítulo, espero que goste dele. Obrigada pela review. Bjks!

BelinhaZSpears: E a vida adulta me atrapalha de manter uma frequência na escrita. Mas é assim mesmo, e a gente vai adequando os nossos afazeres ao nosso tempo e determinando as nossas prioridades. Bom, existem ainda muitas emoções programadas para a Zoe e o para o Elliot. Vamos ver. Obrigada por comentar, Belinha.

Nandasf: Que bom que acha a minha fic tão boa assim a ponto de ser uma das melhores que já leu. Fico feliz por isso. O reencontro do Ron e da Mione tá chegando, mas não foi ainda nesse capítulo. Mesmo assim, espero que você goste. Obrigada pelo comentário. Bjks!

N/A 2: Vou tentar não demorar tanto o próximo capítulo, gente. Talvez saia ainda esse mês, mas não posso prometer, pois a minha vida ainda corrida com o trabalho, cursos e também vida social, que todo mundo precisa, né? É isso, espero que gostem.

Até o próximo capítulo. Beijão!