10. Prazer, somos sua família

O coração dele batia forte contra seu peito enquanto ele observava aquelas duas pessoas entrarem em seu quarto. Um senhor tão alto quanto ele e uma senhora baixa e gordinha. Os dois tinham os cabelos ruivos esbranquiçados pela idade, mas era óbvio que eram os seus pais. Os pais que ele se perguntou tanto onde estavam, se estavam vivos, se o amavam.

_ Ron, esses são Arthur e Molly Weasley, os seus pais_ Harry disse com a voz embargada.

Ron ficou ali parado, enquanto a mulher se aproximava dele com as mãos trêmulas estendidas. Ela chegou perto e tocou o rosto dele, passando os dedos pelas bochechas, pela testa, pelo queixo. Então, um soluço esganiçado saiu dela e a senhora se jogou nos braços dele, aos prantos.

_ Meu menino, meu menino_ ela dizia, contra o peito dele, o corpo tremendo tão violentamente, que parecia que ia se desfazer.

Ele, que não tinha feito nada desde então, envolveu o corpo dela em seus braços e encostou o rosto no topo da cabeça ruiva dela. Aquela mulher era uma estranha, mas era sua mãe. A mãe que tantas vezes ele chamou em silêncio, a mãe por quem ele rezava todas as noites.

Olhando por cima da cabeça dela, ele olhou o senhor parado ainda perto da porta, seu pai. O homem parecia exitante, mas Ron pôde ver as lágrimas escorrendo pelo rosto dele. Ele não lembrava do seu pai, mas podia dizer que aquele era um homem cansado. Então, ele deu um pequeno sorriso na direção do pai, porque não sabia mais o que fazer, e então Arthur Weasley praticamente correu na direção deles e os abraçou com força. Agora seu pai e sua mãe estavam chorando enquanto o apertavam contra eles. Harry saiu de fininnho, sentindo que aquele momento era apenas dos três.

Quantas vezes ele sonhou com aquele momento? Quantas noites ele chorou até dormir, imaginando como seria sua família? Quantas vezes ele invejou os Bennett por terem uns aos outros? E agora ele também tinha uma família. Um pai e uma mãe que o abraçavam com tanta força, que machucavam. Irmãos lá fora que aguardavam por ele com tanta ansiedade, que ele pôde ouvir as vozes deles reclamando quando o curandeiro disse que eles não poderiam entrar. Essa era a sensação de ser amado? Ele não sabia. Mas se sentiu protegido. Ali, aninhado nos braços de seus pais, ele estava protegido. Então, enquanto sentia o calor dos corpos daqueles dois estranhos lhe dizendo que ele era amado, ele também chorou.

oooooooooooooo

_ Você está tão magro_ a mãe lhe dizia, enquanto acariciava seu rosto. Ela já havia parado de chorar, mas o olhava com tanto amor, que chegava a deixá-lo constrangido.

Os três agora estavam conversando e Ron contou a eles sobre os Bennett, sobre o seu trabalho, sobre sua vida com os trouxas. Molly estava sentada ao lado dele na cama com as mãos apertando sua mão direita, enquanto Arthur estava sentado numa cadeira de frente para eles. O pai ainda tinha lágrimas nos olhos, mas tinha o mesmo olhar de amor de sua mãe. De vez em quando, a mãe lançava olhares angustiados para as marcas de queimadura de cigarro nos braços dele. Ele esperava que ela não perguntasse a respeito e por um instante desejou ter um casaco com ele, mas era grato por estar usando a calça que fazia parte da roupa do hospital. Suas pernas também não estavam num estado diferente dos seus braços.

Ron não estava realmente magro. Seu peso era normal para sua altura e seu corpo era considerado atlético por muitos. Se Molly o tivesse visto no dia em que fora encontrado na praia há quatro anos, ela veria o que era alguém realmente magro. Magro não, esquelético. Provavelmente a imagem do seu corpo castigado, traumatizaria a mãe.

_ Na verdade, o meu peso está bem normal.

_ Você está ótimo, filho_ Arthur disse sorrindo para ele.

_ Não sei, acho que os trouxas não cuidaram bem dele_ Molly insistiu.

_ Ele cuidaram bem. Sempre foram bons comigo_ ele disse um pouco na defensiva. Nunca poderia dizer nada de ruim sobre os Bennett_ Eles me deram um teto, um nome e de certa forma, uma família...

A Sra Weasley ficou tensa ao lado dele.

_ Nós sempre seremos gratos a eles por isso_ ela falou, mas Ron sentiu um pouco de insegurança na voz dela.

_ Aliás, eles devem estar preocupados comigo. Sumi de casa já tem mais de um dia...

_ O Ministério vai cuidar disso, filho. Eles vão lançar um feitiço obliviate neles e tudo vai se resolver...

Ron soltou as mãos da mãe e se levantou rápido. Não gostava da ideia dos Bennett serem enfeitiçados.

_ Feitiço o quê? Para que serve isso?

_ É um feitiço que apaga a memória. Alguns encarregados do Ministério da Magia vão até eles pra apagarem suas memórias. Vai ser como se nunca tivessem te conhecido. É claro que eles vão ter que fazer isso com várias pessoas que você conviveu ao longo desses anos, vai dar um trabalhão..._ Arthur ia dizendo, enquanto divagava.

_ O quê? Não. Vocês não vão deixar isso acontecer, né? Vocês vão dizer ao Ministro pra não fazer isso, não é?_ ele perguntou nervoso.

_ É preciso, filho_ Molly disse, tensa. Ela também ficou de pé_ Nosso mundo não pode se misturar com o dos trouxas.

_ Por que não?

_ É contra as regras_ seu pai respondeu.

_ Eu não tô nem aí pra isso. Eles não podem simplesmente mexer com a cabeça das pessoas. E quem disse que eu quero ser esquecido?

_ Infelizmente isso vai além do nosso querer, filho_ Arthur tentou, dando um passo na direção dele, mas Ron se afastou.

Os três se encararam com apreensão. Era como se a pequena aproximação que haviam estabelecido momentos antes, tivesse se partido de alguma forma.

Ron não se sentia mais seguro como antes. Ele estava com medo.

_ Eu não aceito isso. Eu preciso falar com o tal Ministro da Magia, onde ele está?_ o rapaz perguntou irritado.

_ Ele está lá fora...

Antes que seu pai pudesse dizer mais alguma coisa, Ron foi em direção a porta.

_ Querido, não..._ sua mãe ia dizendo, mas era tarde demais.

Assim que saiu, o choque tomou conta dele. No corredor do lado de fora do seu quarto, um monte de cabeças ruivas se voltaram para ele ao mesmo tempo. Ele não precisou de muitos segundos para entender que aqueles eram seus irmãos e irmã. Todos olharam para ele com olhos arregalados e antes que ele pudesse esboçar alguma reação, ele foi abraçado por uma jovem baixa, cuja a cabeleira vermelha batia em seu queixo. Ela estava chorando e apertava as costas dele com tanta força, que parecia que sua mãe o abraçava novamente. Segundos depois, ele estava coberto por outros braços e mãos, que o apertavam, o apalpavam, acariciavam suas costas e bagunçavam seus cabelos. Todos estavam falando ao mesmo tempo, enquanto choravam e ele não entendia nada do que diziam, mas sabia que estava afundado no emaranhado que eram seus irmãos e irmã ao redor dele. Era estranho. Ele imaginou o que as pessoas que estavam paradas no corredor olhando aquela cena, estariam pensando agora. Um amontoado de ruivos grudados um no outro num abraço grupal, era no mínimo interessante.

Quando finalmente os pais saíram do quarto e o salvaram de ser sufocado num mar de cabelos vermelhos, ele pôde ser apresentado a todos. A garota era a Gina, a irmã mais nova e única menina. Ela era baixa, bonita e tinha cabelos compridos quase até a cintura. Os gêmeos eram Fred e Jorge, eram idênticos e dois anos mais velhos que ele. O mais velho era o Gui e logo depois o Carlinhos. E por último tinha o Percy, que tinha uma postura de um executivo, mas assim como todos os outros, seus olhos estavam vermelhos de lágrimas.

Ron os cumprimentou_ o que era estranho, depois do abraço coletivo_, tentou parecer interessado, e na verdade, estava. Mas também estava nervoso, confuso, emocionado e esses eram sentimentos contra os quais ele vinha lutando. Sentia que tudo que tinha feito nas últimas 24 horas, era chorar, se chocar e chorar de novo. E embora, na verdade, ele chorasse muito no geral, essa era uma coisa que ele só fazia quando estava sozinho. E agora sentia que todo mundo podia ver através dele. Não gostava da sensação.

Os irmãos começaram a lhe fazer milhões de perguntas, enquanto seus pais mandavam que ficassem quietos, mas Ron não estava prestando atenção. Ele estava olhando para as pessoas que estavam atrás dos irmãos na esperança de achar o Ministro, mas se deparou com Harry ao lado de uma jovem de cabelos castanhos cacheados, que o olhava com algo que parecia ser expectativa. Ele não precisou de mais que dois segundos para saber que aquela era Hermione. Algo dentro dele, gritava que era ela. Então ela abriu caminho entre os irmãos e caminhou até ele com determinação.

Os dois se encararam.

_ Oi, Hermione_ ele disse, para a surpresa de todos, inclusive a dele. Agora o corredor era apenas silêncio.

_ Você... Você sabe quem eu sou?_ ela perguntou. Sua voz estava rouca, como se ela já tivesse chorado muito.

_ Bom, Harry disse que nós três somos grandes amigos. Se ele está aqui, imaginei que só poderia ser você com ele...

_ Eu não estaria em nenhum outro lugar_ ela disse, e então sem nenhum tipo de aviso, o abraçou.

Ron foi pego de surpresa, mas a abraçou de volta. Ele não entendeu o motivo, mas teve novamente aquela sensação. A de estar protegido, como quando abraçara seu pai e sua mãe.

_ Mas o que é isso?_ uma voz disse, enquanto passos se aproximavam_ Eu não disse que apenas os pais poderiam encontrá-lo agora?

Ron e Hermione se soltaram e o jovem olhou na direção do curandeiro Raymond Dexter, que o olhava com reprovação.

_ Foi minha culpa, Doutor Dexter_ ele disse, constrangido_ Eu saí do quarto.

_ Mas não podia. E muito menos ter esse tipo de emoção pela qual está passando agora.

_ Eu sei, mas eu estou bem_ ele disse, mas não tinha certeza se era verdade.

Parecia que todas as informações do mundo haviam sido jogadas sobre ele de uma vez só. Ele tentou sorrir para o curandeiro e então olhou na direção de onde o Ministro estava parado, com Kingsley Shacklebolt e Draco Malfoy. Então, ele olhou na direção dos pais.

_ Por favor, me ajudem_ ele pediu, quase em súplica.

Arthur suspirou, mas caminhou até o Ministro.

_ Senhor, por favor, poderíamos conversar a sós por alguns instantes?

_ Tem que ser rápido, Weasley. Kingsley e eu estamos de saída, precisamos instruir os aurores que aplicarão o Obliviate nos trouxas.

_ É justamente sobre isso que queremos conversar.

O Ministro o encarou e depois olhou para Ron, que ainda estava parado no mesmo lugar ao lado dos irmãos, de Hermione e Harry.

_ Ok_ o Ministro respondeu e fez sinal para entrarem no quarto de Ron.

Ron entrou também, seguido de perto pelo curandeiro. O homem se certificou de que ele estava bem, e se recusou a sair do quarto. Precisava ter certeza de que nada que fosse dito ali, prejudicaria a saúde do seu paciente. Ele então se encostou na parede e observou.

Agora, Ron olhava com expectativa para os pais, para o Ministro e para Kingsley, que também estavam com ele no quarto. Ele sentiu necessidade de beber. Era o que o acalmava. Ele não conhecia outro jeito de se acalmar.

_ Senhor, qual a possibilidade de não usarmos o feitiço Obliviate nos trouxas?_ Arthur perguntou com cautela_ Pelo menos, não na família que cuidou do Ron durante esses anos.

_ Nenhuma_ O Ministro respondeu, olhando para Arthur com estranhamento.

_ De onde veio isso, Arthur?_ Kingsley perguntou confuso.

O Sr Weasley suspirou e caminhou até o filho, colocando um braço em volta do ombro dele.

_ Essas pessoas cuidaram dele durante esses quatro anos. Foram... Foram a família dele. Ele não quer perder isso.

_ Mas a família dele são vocês_ Harold Lencastre disse.

_ Sim_ Ron começou_ Mas quando eu estava sozinho no mundo, foram eles que me deram tudo. E eu não falo apenas de coisas materiais. Eu falo de apoio, carinho, um lar onde eu não me sentia tão sozinho...

_ Ron, eu sinto muito, mas não podemos...

_ Por favor, não tire isso de mim_ Ron o interrompeu, quase implorando.

_ É contra as regras do Mundo Bruxo...

_ Por favor_ o jovem pediu de novo.

_ Nós nos responsabilizamos se alguma coisa sair de controle_ Molly falou pela primeira vez. Ninguém sabia o quanto aquilo lhe custava, mas ela queria ver o filho feliz_ Vamos conversar com eles, explicar tudo e dizer que não podem contar a ninguém sobre o nosso mundo.

_ Mas não há garantia de que eles não vão tagarelar por aí_ Kingsley falou.

_ Não há_ Molly continuou_ Mas Ron já passou por tanto..._ a voz dela quebrou por um instante.

_ Essas pessoas são a única referência dele_ o curandeiro Raymond Dexter falou pela primeira vez desde que entrou no quarto_ Tire isso dele, e vai tirar a única coisa que pra ele, é concreto nesse momento... Ele não se lembra da família, não se lembra do passado. Tirar essas pessoas da vida dele vai ser como apagar os últimos quatro anos. E ele não precisa disso. Vocês não vão ajudar em nada na recuperação dele.

Todos os encaravam, e Ron se sentiu tão agradecido, que poderia abraçá-lo.

O Ministro olhou para o curandeiro, com um misto de surpresa e admiração. Então ele se voltou para Kingsley.

_ O que você acha?

_ A decisão final é sua, senhor_ Kingsley começou_ Mas se apagar a memória dos trouxas, fizer mal ao Ron... Não acho que seja a melhor coisa a se fazer. Ele já passou por muita coisa.

Kingsley olhou para Ron. O jovem estava pálido e a sensação que dava, era de que se o Sr Weasley o soltasse, ele cairia no chão a qualquer momento. Ele não merecia aquilo. E Kingsley se sentia culpado por não o terem encontrado antes, então se ele pudesse ajudá-lo de alguma forma, ele o faria.

O Ministro soltou um grande suspiro e falou:

_ Está certo. Vamos abrir uma exceção para a família que o abrigou. Mas só para eles, os trouxas que tiveram contato constante com você, serão Obliviados.

Ron assentiu, aliviado. Ele não se importava com os outros trouxas. Fora os Bennett, ele não tinha amigos, não tinha vínculos com ninguém. Nem mesmo no bar em que trabalhava ele chegou a se aproximar dos funcionários. Em grande parte porque não queria. Quando você faz amigos tem que se abrir, e isso não o ajudava em nada. Kingsley lhe perguntou sobre os lugares que costumava frequentar, mas a vida de Ron se resumia a trabalhar e voltar pra casa e beber. Ele omitiu a parte da bebida e explicou que as únicas pessoas a se preocupar eram as que trabalhavam no bar e os vizinhos dos Bennett.

_ E os clientes do bar?_ Kingsley perguntou.

_ A maioria não se repete. E os poucos que vão lá com mais frequência são um bando de bêbados que nem sequer aprenderam meu nome.

_ Muito bem, Kingsley, recrute alguns aurores para obliviar os trouxas do bar e das redondezas de onde os Bennett moram. Assim que fizer isso, você e eu vamos ate a casa deles conversar e explicar tudo.

_ Obrigado, Ministro. Eles vão poder me visitar?_ Ron perguntou.

_ De jeito nenhum_ foi o curandeiro que respondeu_ Não era nem pra você ter encontrado sua família inteira agora. Quando você estiver em casa, eles podem ir te ver.

A Sra Weasley se remexeu inquieta ao lado do filho. Ela tinha medo de ter perdido seu menino para aquelas pessoas, mas tentou não demonstrar.

_ Ok_ Ron respondeu conformado, mas estava satisfeito. Não via a hora de encontrar os Bennett, especialmente Zoe. Tinham tanto pra conversar.

Harold Lencastre e Kingsley se despediram, com a promessa de que no dia seguinte lhe dariam notícias da conversa com os Bennett e se foram.

_ Agora que tudo que queriam dizer, já foi dito, o jovem aqui precisa descansar_ Raymond Dexter disse, e apontou para a cama, num gesto para que Ron se deitasse.

_ Eu não estou tão cansado assim_ o rapaz disse, mas se deitou na cama.

_ Não importa. Amanhã eu vou te dar alta, mas não posso fazer isso se você não estiver 100%.

_ Dr. Dexter, falando nisso_ Molly começou_ o senhor viu as cicatrizes pelo corpo dele?

Houve um momento de tensão entre os presentes no quarto, e Ron não entendia porque ela estava tocando naquele assunto. Sem perceber, ele puxou o lençol pra cima, cobrindo seus braços.

_ Sim, claro. Quando ele chegou aqui e o examinamos, verificamos tudo isso.

_ Er... Será que é possível um feitiço ou uma poção pra fazer com que as cicatrizes desapareçam?

O curandeiro olhou para ela, depois para Ron_ que estava encolhido na cama_ depois voltou a olhar pra ela.

_ Infelizmente, essas feridas são antigas, não têm como removê-las.

_ Então, ele vai ficar com essas marcas pra sempre?_ a mulher perguntou um pouco chorosa.

_ Isso a incomoda?_ foi Ron que perguntou da cama. Molly se virou para ele.

_ Não, querido. É só que... Quando as vejo, fico pensando no que pode ter acontecido com você, não gosto...

_ Se você não gosta, imagina eu_ ele a interrompeu e tinha um tom de voz cortante_ Esse sou eu agora.

_ Nós sabemos, filho. E estamos feliz que esteja de volta, do jeito que for_ o Sr. Weasley disse, tentando quebrar a tensão, então se aproximou do filho e lhe deu um beijo no topo da cabeça.

_ É claro, é claro que sim_ a Sra Weasley concordou, mas estava nervosa com a reação do filho.

_Bom, o Ron precisa descansar, Molly. E temos muita coisa pra falar com pessoal lá fora. Acho que vamos ter que explicar sobre os trouxas.

Molly fez que sim com a cabeça, caminhou até a cama e abraçou Ron. Ele não se mexeu, continuou com os braços escondidos dentro do lençol, mas tentou sorrir pra ela.

Os dois saíram prometendo que voltariam cedo no dia seguinte pra esperar a alta dele. O curandeiro verificou a pressão dele através de um feitiço, e dizendo que logo alguém lhe traria o jantar, também saiu.

Ron se encolheu, deitando de lado na cama. Ele cobriu parte da cabeça com o lençol, deixando apenas o rosto de fora e pensou na sua casa. Ou melhor, na casa dos Bennett. Sentiu saudades da sua cama e sentiu saudades de Zoe invadindo seu quarto do nada.

Como será que eles reagiriam quando soubessem quem ele realmente era e de onde veio? Será que ainda o amariam? Será que surtariam com todas aquelas informações? Suspirou e pensou em sua família verdadeira. Todos pareciam ser ótimos, mas... Mas alguma coisa parecia fora de lugar. E ele sabia que se sentia assim por não se lembrar deles, por não se lembrar da conexão afetiva que um dia tiveram. Eram pessoas ótimas, aparentemente, mas ainda eram estranhos. Estranhos que ele teria que aprender a amar. Ele queria muito isso. Durante quatro anos, tudo o que ele conseguia pensar era em reencontrar sua família um dia. Ele achou que quando isso acontecesse, o vazio dentro dele iria embora, mas ainda estava lá. Não era igual a antes, mas estava lá. Antes ele se sentia vazio por não saber quem era, agora ele se sentia vazio por saber, por não ser capaz de amar aquelas pessoas. Pelo menos, não ainda.

Mas o que ele pensou? Que instantaneamente iria cair de amores por eles? Ele passou tanto tempo focado em encontrá-los, que nunca considerou como seria o depois. E ele tinha medo. Medo de não ser o que eles esperavam, medo de que eles não fossem o que ele esperava. Medo de sair do hospital no dia seguinte e enfrentar o que vinha depois. Queria que Zoe estivesse ali pra apertar sua mão, que ela o abraçasse e o fizesse se sentir seguro, que o fizesse se sentir em casa. Mas agora tudo seria diferente, sua casa seria outra, sua família também. Ele teria que encontrar novas maneiras de se sentir seguro.

Apertou o pingente do colar e relaxou um pouco ao sentir o material gelado contra a palma da sua mão. Quando tivesse uma oportunidade, ele perguntaria a tal Hermione sobre o H gravado no pingente. Por hora, ele descansaria. De novo. O dia seguinte provavelmente seria bem longo, e ele decidiu se preocupar com ele, apenas quando chegasse. Fechou os olhos, mas não dormiu. Ao invés disso, lembrou de todos os abraços que ganhou durante o dia. Lembrou como todos pareciam felizes em revê-lo, lembrou das lágrimas. Deu um pequeno sorriso e se sentiu estranhamente reconfortado. Aquelas pessoas o amavam mesmo, ele aprenderia a amá-las também.

É, ele ficaria bem. Ele precisava ficar bem. O vazio iria embora eventualmente e ele criaria laços com aquelas pessoas.

Tudo ficaria bem... Certo?

oooooooooooooo

N/A: Tô postando esse capítulo bem depois do que pretendia, mas aí está. Espero que curtam e comentem, especialmente as pessoas que estão colocando a fic nos favoritos. Sim, eu tô vendo vocês fazerem isso sem deixar reviews. Estou de olho. HAHAHA!

N/A 2: Desculpem qualquer erro gramatical ou de digitação. Como não tenho beta, algumas coisas vão acabar passando mesmo.

Thaty: Eu demoro a atualizar, mas tô aqui firme e forte. Espero que goste desse capítulo e obrigada pela review. Bjks.

Penelope M. Jones: Caramba, você é minha segunda leitora das antigas que aparece por aqui. É muito bom isso. Olha, eu também passei uns belos anos sem entrar aqui, não é a toa que postei essa fic em 2016 e só atualizei em 2019. Por mais que a empolgação, o tempo e as prioridades tenham mudado (e muito), eu gosto muito desse mundinho, e se tenho tempo tô escrevendo, mesmo que demore. E que bom que você tá gostando, espero que continue gostando. E obrigada mesmo por comentar. Bjks.