11. Eu vou cuidar de você

Chegar à casa de seus pais foi uma verdadeira loucura em vários sentidos. E ele não sabia se estava realmente preparado para o que estava vendo. Pensou em como sua manhã havia sido relativamente tranquila e quase desejou voltar para o hospital depois de se deparar com... Bom, com aquilo.

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Mais cedo ele havia ouvido do Dr. Dexter que não havia como reverter sua amnésia. Segundo o curandeiro, como sua perda de memória não foi causada por nenhum feitiço, não havia o que fazer. O jeito era esperar que sua mente resolvesse lembrar ou que algum choque fizesse com que suas memórias voltassem. Foi frustrante, mas ele sabia que precisava superar isso.

Ainda no hospital, de manhã cedo, ele ficou sabendo por Kingsley Shacklebolt, que ele e o Ministro da Magia haviam contado aos Bennett a verdade. Segundo Kingsley, eles tiveram um pouco de dificuldade em acreditar na história, o que levou os bruxos a realizarem algumas magias em frente a eles. Kingsley riu contando como eles ficaram atordoados, mas que uma vez que aceitaram e acreditaram, tudo que queriam era ver Ron. Isso o deixou feliz, mas durou pouco, pois Kingsley disse que o convívio dele com os Bennett, teria que ser monitorado_ pelo menos no começo_, já que o Mundo Bruxo havia sido exposto. Ron não sabia o que três trouxas poderiam fazer contra um mundo inteiro de magia. A situação o deixou mal humorado, mas Kingsley prometeu que ele poderia ver os Bennett nos próximos dias. Ele só precisava ter paciência, como se sua vida não se resumisse a ter paciência. Era só isso que ele havia feito nos últimos quatro anos. Bom, pensando pelo lado positivo, era melhor que nada.

Depois que Kingsley foi embora, ele recebeu alta médica e seus pais chegaram para buscá-lo. "Hoje você vai aparatar" foi uma das primeiras coisas que seu pai disse ao abraçá-lo quando entrou no quarto. Aparatar_ ele descobriu que se tratava de uma espécie de teletransporte bruxo_ havia sido uma aventura. Seu pai lhe explicou os conceitos, então quando eles estavam fora do hospital, ele meio que agarrou seu pai com uma mão e sua mãe com outra, e assim eles desaparataram para a tal Toca, onde o resto de sua família o aguardava. O momento da aparatação foi estranho, confuso e parecia que algo puxava seu umbigo, e tudo isso durante alguns poucos segundos. Mas era legal saber que treinando, ele poderia desaparecer e aparecer em outro lugar quando quisesse.

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Agora ele estava enjoado e parado no campo em frente a uma casa muito torta com vários andares e que parecia que despencaria a qualquer momento. Então aquela era A Toca? Ele, com certeza ficaria mais tempo prestando atenção nela, se não fosse pela festa que estava rolando do lado de fora. Aparentemente era uma festa de boas vindas. O jardim estava cheio de pessoas que ele não conhecia_ ou não lembrava, ele não sabia dizer_, havia faixas coloridas de "Bem-Vindo, Ron" espalhadas por todo o local e pequenos fogos de artifício explodiam no céu acima deles, formando imagens distorcidas do rosto dele a cada explosão. Algumas pessoas vieram correndo em direção a ele, e o abraçavam e apertavam seu rosto e algumas choravam, e ele só queria que seus pais tivessem avisado que isso aconteceria quando eles chegassem a casa. Se sentiu claustrofóbico por alguns instantes. Ele apertou com mais força o braço do pai, como quem pede ajuda e o Sr. Weasley muito gentilmente, começou a afastá-lo das pessoas.

_ Pessoal, muito obrigado por terem vindo, mas deem espaço ao Ron, ele acabou de sair do hospital, e infelizmente não lembra de vocês_ o pai disse, tentando sorrir. Mas as pessoas continuavam ao redor e Ron agradeceu por não o estarem tocando mais_ Agora ele vai entrar um pouco para rever a casa, as coisas dele e daqui a pouco ele volta.

As pessoas sorriam e falavam coisas que ele não conseguia entender enquanto eles passavam em direção a casa, e Ron se sentiu tonto. Ele não conseguiu reconhecer entre aqueles estranhos, nenhuma das pessoas que conheceu no hospital, o que tornou tudo ainda mais assustador.

_ Você está bem, querido?_ sua mãe perguntou, assim que entraram na casa e fecharam a porta atrás deles.

Seus irmãos estavam lá dentro, e Harry, Hermione e Malfoy também. Ele se sentiu momentaneamente aliviado.

_ Sim. É que… foi estranho_ ele respondeu, nervoso_ Quem é toda essa gente?

_ São nossos amigos, alguns parentes. Gente que sentiu muito a sua falta_ foi sua irmã que respondeu. Ele não lembrava o nome dela, mas assentiu.

Ele foi apresentado a sua família no dia anterior e antes de saírem do hospital, seus pais relembraram a ele o nome de todos os irmãos. Mas eram muitos e ele não conseguia lembrar todos. Tinham os gêmeos, Fred e Jorge, Percy… Os outros, ele não tinha certeza. Bom, ele gravaria o nome de todo mundo com o tempo.

_ Eu não sabia que ia ter uma festa_ ele falou sem graça.

_ Era uma surpresa, querido. Achamos que seria bom pra você rever todo mundo.

_ Você achou isso, mãe_ o irmão, que Ron achava ser o mais velho, falou_ O resto de nós achou que seria demais e que seria melhor se só nós estivéssemos aqui quando ele chegasse.

_ Não seja bobo, Gui_ a Sra Weasley continuou, como se estivesse muito ofendida_ Uma festa era a melhor maneira de recebê-lo.

Ron duvidava disso. Na verdade, uma festa de boas-vindas era tudo o que ele não precisava naquele momento. Parece que sua mãe não havia entendido ou escolheu ignorar, quando o Dr. Dexter disse que ele deveria estar num ambiente calmo e sem estresse nas próximas semanas até que se adaptasse. Ou talvez o sentido dela de "calmo e sem estresse" fosse outro. Ele agradeceu a Gui_ sua mãe o chamou de Gui, né?_ por ter compreendido a situação melhor do que ela. Agradeceu internamente a todos os outros que pareciam compartilhar da mesma opinião de Gui.

_ Bom, a festa não vai durar muito_ seu pai ponderou_ E logo ele vai poder descansar. Quer conhecer o resto da casa, filho?

Mas Ron já estava distraído, olhando fixamente para duas agulhas de crochê que trabalhavam freneticamente finalizando um suéter em cima de uma poltrona velha. Elas estavam fazendo isso sozinhas. Ele tentou não ficar espantado, nem impressionado, já que aquilo foi parte do seu cotidiano anos atrás, mas era impossível ignorar a magia a sua volta. Olhando na direção da cozinha, ele viu panelas se lavando sozinhas, e comidas sendo mexidas ao fogo sem ninguém tocar na colher. A cozinha, aliás, era um show a parte. Parecia ter muito mais coisa do que espaço e apesar de parecer bem velha, era muito limpa. Uma vassoura passou por ele, varrendo o chão e ele deu um passo para trás.

_ Hum, tudo isso é magia?_ ele perguntou com cautela.

_ É óbvio, Roniquinho_ um dos gêmeos respondeu, rindo um pouco.

_ Ou você acha que os utensílios domésticos têm vida própria?_ foi a vez do outro gêmeo. Ron não gostou muito do tom deles, mas não disse nada.

_ Não se preocupe, você se acostuma_ Harry disse, logo atrás dele_ No começo, foi estranho pra mim também.

_ Você não está nesse mundo desde sempre?_ Ron se virou para ele confuso.

_ Não, é uma longa história e vou te explicar depois.

_ Bom, agora vamos conhecer a casa, querido?_ sua mãe sugeriu e ele concordou.

Sua mãe e seu pai o levaram em todos os cômodos daquela casa estranha. E quando subiram para os outros andares, ele ficou agradecido pelos demais terem decidido esperá-lo na festa. Ele aprendeu que seu quarto ficava no último andar e quando entrou, ficou em choque com a explosão da cor laranja no lugar. As paredes eram laranja, o teto era laranja, até o chão era laranja.

_ Nossa, é bem laranja, né?

_ É sua cor favorita, filho_ sua mãe disse, sorrindo_ E é a cor do seu time do coração, o Chudley Cannons.

_ Hum, e o que eles jogam?

_ Quadribol_ seu pai respondeu e fez uma anotação mental para perguntar o que era Quadribol, assim que ele se acomodasse naquela casa.

Ele olhou na direção da cama. Estava coberta com uma colcha laranja, que tinha o escudo de um time nela. Imaginou que a colcha era uma espécie de homenagem ao tal time favorito dele. Olhando ao redor, viu um guarda-roupa velho, uma escrivaninha com uma gaiola vazia em cima dela e uma estante. Podia ver pelo vidro da janela, os fogos ainda estourando e ouvir o barulho das pessoas lá embaixo.

_ Eu arrumei do jeitinho que estava antes… Bom, antes de tudo acontecer_ Molly informou e sua voz quebrou por um segundo_ Espero que você goste e que te traga alguma lembrança.

Mas Ron ficou parado ali, olhando aquele quarto laranja, cheio de móveis coloridos e do qual ele não se lembrava. Seu quarto na casa dos Bennett era muito diferente daquilo. Era de madeira escura, com móveis também de madeira escura e a única cor, era o branco das cortinas e das colchas que ele usava para cobrir a cama. Sentiu saudades do seu antigo quarto, da sua antiga casa, da bebida que costumava deixar debaixo da cama, mas tentou sorrir para os pais.

_ Vocês podem me deixar sozinho um pouco?_ ele pediu_ Prometo que já desço pra festa.

_ Claro, querido. Mas não demore, estão todos esperando por você_ sua mãe falou_ Aproveite e troque de roupa.

_ Você está bem, filho?_ Arthur perguntou, apertando o ombro dele.

_ Estou sim_ ele respondeu, mas não tinha certeza.

Seu pai deu um pequeno sorriso e saiu do quarto junto de Molly. Ron fechou a porta atrás dele e encostou-se a ela, suspirando. Ele deu mais uma olhada pelo quarto e um porta-retrato na estante lhe chamou atenção. Caminhou até ele e o pegou, encarando a foto. Era uma foto dele junto de Harry e Hermione. A imagem se mexia como os quadros do hospital. Eles acenavam e Ron mostrava a língua vez ou outra. Podia ver que era uma foto antiga, talvez de quase dez anos atrás. Eles pareciam que tinham acabado de entrar na adolescência. Ele ficou olhando a foto por um tempo, tentando sentir alguma coisa, mas não conseguiu. Colocou a foto no lugar e foi até o guarda-roupa, o abriu. Estava cheio de roupas de cores duvidosas e de tecidos parecidos com veludos. Então esse era o visual dele antes de perder a memória? Bom, ele gostava mais de como se vestia agora. Geralmente em tons sóbrios, e ele particularmente gostava muito de preto. Então com certeza ele não usaria nenhuma daquelas roupas nem agora nem nunca. Assim que pudesse rever os Bennett, ele pegaria suas roupas que ficaram na casa deles. Também assim que tivesse a oportunidade, mudaria a cor das paredes e do teto e, com certeza, aquela colcha de cama teria que sumir.

Ele deu uma espiada lá embaixo, olhando as pessoas pela janela e sentiu um frio no estômago. Teria que descer para enfrentá-las mais cedo ou mais tarde. Mas estava com medo, estava com muito medo. Medo de não saber o que dizer, medo de ser Ron Weasley. Ele apertou as mãos uma na outra, nervoso, quando uma suave batida na porta o espantou. Pensou logo em sua mãe. "Por favor, me deixa em paz só um pouco", ele quis dizer, mas ao invés disso:

_ Entra.

A porta se abriu e para surpresa dele, Hermione Granger entrou.

_ Oi_ ela disse timidamente. As bochechas dela estavam vermelhas e Ron pôde ver a ansiedade estampada no rosto dela_ Sua mãe pediu para eu ver porque você tá demorando.

_ Só estou criando coragem_ ele disse fazendo um gesto com a cabeça na direção da festa lá embaixo. Hermione acenou, entendendo.

_ É assustador, né?_ ela se aproximou um pouco mais.

_ Nem fala… Eu acho que não estava preparado pra isso. Quer dizer, achei que fosse chegar e conversar e sei lá, apenas ficar quieto. Mas ao invés disso, tem toda essa comoção me esperando.

_ Eu entendo. Deve ser intimidador, levando em consideração que você não se lembra dessas pessoas, nem do nosso mundo.

Hermione então se sentou na cama e fez um gesto para que ele se sentasse ao lado dela. Ele se aproximou, sentando e os dois se encararam por alguns instantes.

_ Você não precisa descer se não quiser.

_ Não posso fazer isso. Provavelmente decepcionaria algumas pessoas.

_ Eles entenderiam.

_ Você acha que a Molly entenderia?_ ele perguntou_ Digo, minha mãe. Ela parece estar tão empolgada com a festa...

_ Bom, você não pediu por nada disso. Ela sabe tudo pelo que você passou, mas se você realmente achar que deve, desce, fica um pouco e depois diz que tá cansado e volta pra cá. Todos vão entender.

_ Talvez eu use essa tática_ ele adorou a ideia de ficar na festa por meia hora e depois se fechar no quarto. Sentiu-se estranhamente confortável ao lado dela, como se não houvesse problema em ser Michael, e não Ron_ Harry me disse que nós somos amigos de infância.

_ Melhores amigos_ ela corrigiu, sorrindo_ Nos conhecemos no trem para Hogwarts. Admito que não nos tornamos amigos de cara, você realmente não gostava de mim, mas superamos isso.

_ E então nos tornamos melhores amigos_ ele concluiu também sorrindo e os dois mais uma vez se encararam.

"E depois nos apaixonamos", Hermione quis dizer, mas não disse. Se ele não se lembrava, ele não precisava saber disso. Ela havia seguido em frente, havia se apaixonado por outra pessoa, estava prestes a se casar. Não, aquele sentimento não estava de volta. Ela estava nervosa e as borboletas no estômago dela eram porque ela estava feliz de rever seu melhor amigo depois de anos acreditando que ele estava morto. Ela sofreu muito com a perda dele, porque ele foi o amor da sua vida, mas aquilo passou. Agora tudo era sobre ela e Elliot, tinha que ser. Mesmo que Ron estivesse vivo, ela seguiu em frente. Aquilo não tinha nada a ver com amor.

_ Eu vou me casar_ ela disse repentinamente sem ter certeza se o fez porque queria compartilhar aquilo com ele ou apenas para lembrar a si mesma. Ela levantou a mão esquerda, mostrando o anel com um diamante no dedo anelar. Tentou sorrir, mas seu sorriso saiu estranho e forçado.

Ron piscou algumas vezes, surpreso com a repentina mudança de foco na conversa.

_ É um diamante bem grande_ ele adicionou, abaixando a mão dela e rindo um pouco_ Parabéns então_ ele balançou a mão dela, porque não sabia o que fazer.

Será que deveria abraçá-la? Dar um beijo no rosto? Não sabia como se parabenizava sua melhor amiga que ele havia acabado de reencontrar, mas de quem não se lembrava.

_ Obrigada… Aconteceu tudo muito rápido. Você vai conhecê-lo na festa. Ele é um cara bem legal.

_ Eu já o conhecia antes?

_ Não. Ele só entrou na minha vida depois… Bem, depois de tudo que aconteceu com você.

"Aliás, foi ele que salvou a minha vida, sabia? Quando eu achei que você estava morto e eu estava me afundando na minha própria tristeza, foi ele que me salvou" mais uma vez ela pensou. Ela queria dizer tantas coisas a ele, mas não podia, não devia. Não fazia mais sentido.

Então ele se lembrou de uma coisa, e sem aviso, tirou o colar de dentro da roupa e mostrou a ela.

_ Harry disse que você me deu esse colar, assim como deu um a ele e que você também tem um igual. Esse "H" é de Hermione?

Ela não esperava por aquilo. Harry não havia lhe dito que Ron ainda tinha o colar. Ela também ainda tinha o dela, mas estava sempre guardado, ela nunca o usava.

_ Sim_ ela respondeu simplesmente.

_ E aposto que no seu tem um "R", certo?_ ele questionou casualmente.

Ela fez que sim com a cabeça, atônita demais com a maneira direta que ele trouxe aquilo a tona.

_ Por quê? Você e eu éramos namorados ou algo assim?_ ele perguntou sem rodeios.

Hermione ficou um pouco chocada. O Ron de antes não fazia esse tipo de pergunta. Aliás, ele evitava esse tipo de intimidade por medo, mas o Ron de agora não sabia disso.

_ Nós… Não, não éramos_ ela respondeu sem esconder o pesar_ Mas acho que apenas porque não deu tempo. Eu queria muito na época e acho que você também queria.

_ E não deu tempo porque eu morri?

_ Sim_ Hermione sentiu o familiar nó na garganta. Não queria chorar, não agora que estava feliz por ele estar vivo e conversando com ela. Mas seus olhos castanhos começaram a se encher de lágrimas inconvenientes.

_ Bom, mas tudo deu certo, não é? Eu estou vivo e você encontrou o amor da sua vida, certo?_ ele deu um pequeno sorriso. Não sabia se estava sorrindo porque estava feliz por ela, ou apenas para impedi-la de começar a chorar.

Não deu muito certo, porque segundos depois grossas lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela.

_ Me desculpa_ ela pediu, agora incapaz de se conter. Alguns soluços começaram a escapar_ É que não acredito que você tá aqui.

_ Tá tudo bem, Hermione. Tá tudo bem.

E sem aviso, ele a abraçou. E ela o abraçou de volta com força, apertando as costas do casaco dele com as mãos, como se tivesse medo que ele sumisse. Hermione deitou a cabeça no ombro dele e os dois ficaram assim por um longo tempo. Ele acariciou as costas dela e inalou o suave perfume que vinha de seus cabelos cacheados. E pela primeira vez desde que conhecera sua verdadeira vida, Ron se sentiu em casa. Era estranho. Parecia que estava esperando por aquele abraço há muito tempo. Então, achando melhor não prolongar aquilo, ele se afastou devagar.

_ Melhor?_ ele perguntou gentilmente.

_ Sim_ Hermione passou as mãos pelo rosto e riu sem graça_ Você deve achar que sou uma boba, chorando desse jeito.

_ Se você soubesse o quanto eu chorei nos últimos quatro anos..._ ele estava sendo sincero_ Dava pra inundar esse quarto.

Os dois riram e Ron segurou as mãos dela.

_ Estou feliz pelo seu casamento. Sei que não me lembro de você, mas tenho certeza que o Ron com memória queria a sua felicidade. Nessa parte nada mudou.

_ Eu também quero que você seja feliz.

_ Que bom. Acho que é o começo, ou melhor, a continuação de uma bela amizade_ ele disse com um sorriso. Não tinha como ser mais do que aquilo. Anos se passaram, ele não lembrava que um dia a amou e ela estava noiva. E de qualquer forma, ele tinha Zoe_ Bom, acho que estou pronto para descer agora.

_ Ok_ Hermione se levantou e estendeu a mão para ele.

Ron segurou a mão dela e os dois desceram de mãos dadas. Ali, apertando a mão pequena e quente dela, ele se sentiu preparado para encarar aquelas pessoas de novo. Talvez não fosse tão horrível, tendo alguém como ela em quem se apoiar.

_ Por favor, não sai de perto de mim_ ele pediu, quando os dois pararam em frente à porta que dava para o jardim. O som da música e das pessoas estava mais alto agora.

_ Nunca_ Hermione garantiu e abriu a porta, apertando a mão dele_ Eu vou cuidar de você.

E assim eles saíram de encontro aos convidados. A mão dela firme na dele, mostrando que ele não estava sozinho e que não precisava ter medo. Hermione sabia que o momento que compartilharam minutos atrás os conectou de alguma forma. Diferente de como era antes, mas igualmente importante. Ela sentiu o coração cheio de um sentimento que a preenchia. Mesmo que nada voltasse a ser como antes, ele estava ali. Era isso que importava. E ele precisava dela, ela pôde sentir isso em cada palavra que foi dita no quarto dele. E ela precisava dele, sempre precisou. "Isso também não mudou, Ron" ela disse a si mesma e olhou para ele enquanto as pessoas se aproximavam.

_ Eu vou cuidar de você_ Hermione repetiu.

_ Eu sei_ Ron a olhou agradecido, e depois encarou as pessoas que se aproximavam.

Ele decidiu que naquele dia deveria ser Ron e não Michael. Se esforçou para dar seu melhor sorriso para aquelas pessoas, porque pelo menos naquele momento não se sentiu tão sozinho. Aquela garota que ele havia acabado de reencontrar e que ele sabia que havia sido importante para ele, estava ali, lhe oferecendo algum conforto, algum tipo de paz que ele não experimentava há muito tempo. Ele podia não se lembrar dela, mas tinha certeza de que sempre havia sido assim. Ainda estava com medo, mas não como antes. Ao menos naquele dia, ela estaria ali. Ela cuidaria dele.

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N/A: Não demorou tanto dessa vez, eu acho. Espero que gostem desse capítulo e que comentem, se puderem. Eu gostei muito de escrevê-lo. Quis fazer essa primeira interação do Ron com a Hermione uma coisa mais leve, mesmo que muito sentimento estivesse implícito e eu gostei do resultado, espero que vocês também gostem.

Guest: O Ron ainda vai ficar bem mais perdido. Pois é, eu adoro um drama, principalmente quando o Ron é o personagem central. Haha! Sim, a Molly também está numa situação complicada. Vamos ver como ela vai lidar com a "nova" personalidade do filho. Eu comecei a postar uma das minhas fanfics antidas de Harry Potter no Wattpad, mas admito que ficou meio esquecida lá. E no Spirit estou postando uma fic de SPN, que também estou postando aqui. Entre esses dois sites, eu gostei mais do Spirit. Talvez eu me anime em postar as outras por lá também. Obrigada por comentar, mas gostaria de saber o seu nome ou usuário, pra poder agradecer direitinho. Bjks!

BelinhaZpears: Acho que por enquanto ele se identifica mais como Michael do que como Ron. Essa fic não vai ser curta, então acho que ele ainda vai ter um longo caminho até aprender a ser o Ron de novo. Se ele aprender. Você conhece a minha escrita, Belinha, então já sabe que com certeza vai haver tempestade. Sim, eu estou bem, tentando enfrentar toda essa turbulência da melhor maneira possível. Espero que você também esteja bem e aguentando. Obrigada por comentar, e por ainda seguir firme aqui. Bjks!

Penelope M. Jones: Primeira interação de Ron e Hermione foi entregue com sucesso. Está feliz? Hahaha! Então, eu gostei muito de escrever esse momento dos dois, principalmente porque não foi nada pesado, apenas dois amigos se reencontrando, apesar de um deles não se lembrar do outro e de haver toda uma história mal resolvida por trás disso. E claro, teremos Harry muito em breve. Obrigada por comentar e espero que goste desse capítulo. Bjks!

N/A 2: Agora com a quarentena e o distanciamento social, tenho mais tempo de escrever, mas preferia o meu tempinho apertado de antes e um mundo normal, do que isso que tem acontecido. Gostaria de saber como vocês que acompanham a fic, estão passando a quarentena. Tô falando sério. Acho importante a gente falar sobre isso, podem deixar nos comentários se quiserem... Bom, eu não estou de quarentena em tempo integral, Trabalho 10 dias no mês e o outros 10 dias fico em casa e realmente só saio se for inevitável. E nesses dias que fico em casa, eu leio, tento me exercitar, vejo séries, treino meu inglês e claro, escrevo. Se quiserem interagir sobre o assunto, fiquem a vontade. Se não quiserem, também não tem problema. O importante é que estejam seguros. Se cuidem, fiquem em casa se puderem e até a próxima. Um super beijo.