15. O mundo girou e me deixou aqui
Os dias depois de ir a caverna não foram fáceis para Ron. Ele mal se lembrava da noite que passou na casa de Malfoy depois de voltarem de lá, porque ele passou boa parte dela, bebendo. Quando voltou para casa no dia seguinte, ignorou os apelos de sua mãe para saber porque ele passou a noite fora sem avisar e optou também por não contar a ela, nem a ninguém que agora ele se lembrava.
Lembrava não só das torturas que enfrentou por três meses, mas também lembrava de brincar com seus irmãos no jardim d'A Toca, voando nas velhas vassouras da família caçando borboletas quando eram crianças. Lembrava de quando Fred transformou seu ursinho de pelúcia numa aranha, o que lhe acarretou um pavor desse animal. Lembrava dos jantares em família, de Harry e Hermione indo passar finais de semanas e férias em sua casa. Lembrava de todas as vezes que tiveram que lutar para sobreviver. Lembrava de ter beijado Hermione pela primeira vez, um pouco antes de ser sequestrado. Lembrava de todas as coisas boas, mas também lembrava de todas as coisas ruins.
Sua família tentou entender o que estava acontecendo. O porquê dele ter se trancado no quarto e quase nunca sair, ou porque se comunicava com eles cada vez menos. Mas Ron não conseguia externalizar o que sentia, o que estava havendo com ele por dentro. Doía, e mesmo que sua família estivesse ali, eles não podiam entender. Ninguém podia.
Pensou em Zoe, que vinha mandando cartas constantemente_ através de uma coruja emprestada pelo Ministério da Magia_, cartas essas que ele não conseguia responder, porque não sabia como explicaria a ela que agora ele se lembrava e que ele certamente não era mais o cara que ela conheceu.
Tudo tinha mudado.
E Ron não sabia como definir as coisas de agora em diante. Ele ainda era o menino de 18 anos preso numa caverna sendo torturado anos atrás? Ou ele era o cara que se lembrava de tudo, mas poderia seguir em frente? Aliás, ele seria capaz de seguir em frente?
_ Querido?_ ele pôde ouvir a voz abafada de sua mãe, vindo do lado de fora se seu quarto, acompanhada de algumas suaves batidas. Instantaneamente, Ron cobriu a cabeça com sua grossa coberta laranja_ Eu posso entrar?
Ron não respondeu. Talvez se ficasse quieto, ela fosse embora como das outras vezes. Mas em vez disso, ela entrou e se sentou na ponta da cama.
_ Está tudo bem? Você não tem saído muito do quarto nos últimos dias.
Molly descansou uma mão sobre os pés dele que estavam escondidos pela coberta.
_ Estou bem_ Ron respondeu simplesmente.
_ Está um dia muito bonito… Gina e os gêmeos estão jogando Quadribol lá fora. Eles querem muito te ensinar_ a voz dela era suave e cheia de amor. Mas aquilo não conseguiu causar nenhum efeito em Ron.
"Eu sei jogar Quadribol, agora eu lembro. Eu só não quero" Ron pensou, mas continuou quieto. Com o silêncio dele, Molly deu um suspiro.
_ Eu gostaria de saber o que está havendo. Você estava bem até uns dias atrás…
Ron finalmente tirou a coberta da cabeça. Ele encarou a mãe por um tempo, depois se sentou na cama.
_ Você acha que eu estava bem?
_ Bom, sim. Você parecia bem… Um pouco confuso, mas bem.
_ Eu não estava bem_ Ron disse e sua voz saiu um pouco mais quebrada do que ele imaginava_ Nada estava bem, e agora também não está.
_ Então, por que você não me diz o que está acontecendo? Você brigou com Zoe?
Zoe. Ele precisava mesmo dar uma explicação a ela.
_ Não.
_ Então, foi com Harry? Ele não tem vindo aqui nesses dias.
Ele não estava indo, mas mandou algumas cartas para Ron, perguntando se poderiam fazer alguma coisa juntos. Ron não respondeu nenhuma.
_ Não.
_ Então, foi com Hermione? Ela costumava estar aqui o tempo todo e agora é difícil. A última vez que soube dela, foi no dia em que ela estava te ajudando com a aparatação.
Aquele dia parecia fazer muito tempo. Mas tinha pouco mais de uma semana. Eles tiveram um momento e foi bom, mas agora parecia fazer parte da vida de outra pessoa.
_ Também não.
_ Então o que está havendo? Eu não queria dizer nada, mas estou começando a achar que aquele Malfoy fez alguma coisa… Você saiu com ele e voltou totalmente diferente depois.
Ron fechou os olhos. Ele levou uma das mãos até a têmpora e a massageou. Aquilo era cansativo.
_ Ele não fez nada.
_ Filho…
_ Eu quero ficar sozinho_ Ron a interrompeu. Não fazia ideia do que ela diria a seguir e também não queria saber.
_ Estou preocupada com você_ Molly falou meio choramingando_ Talvez seu pai esteja certo e a gente deva chamar um curandeiro, um medibruxo…
_ Não, eu só quero ficar sozinho. Vou melhorar logo, só estou absorvendo algumas coisas.
Molly suspirou, percebendo que dali não conseguiria nada. O que quer que o estivesse machucando, ele não falaria com ela.
_ Tudo bem. Vou preparar o jantar então… Você vai descer essa noite?_ ela perguntou, parecendo triste. Nos dias anteriores, ela teve que levar a comida dele no quarto, porque Ron mal conseguia se levantar da cama sem sentir que o mundo cairia sobre ele.
_ Vou tentar.
_ Ok.
Molly saiu e ele continuou na mesma posição, sentado na cama e olhando na direção da porta.
Ele desceu para comer aquela noite, mas quase não tocou na comida, quase não falou quando alguém se dirigia a ele e com certeza, Ron notou os olhares preocupados e estranhos que sua família lhe lançava. Mas ele fez o melhor para continuar impassível.
Pensou em vários momentos em dizer a verdade a eles, que ele se lembrava. Mas toda vez que as palavras estavam perto de sair, alguma coisa o freava. Ele desconfiava que eram as perguntas que definitivamente sua família faria. Só que Ron não estava pronto para responder. Uma parte dele ainda os via como estranhos, apesar de se lembrar de tudo, ou de quase tudo. De uma maneira estranha e inesperada, parecia mais difícil se conectar com eles agora, porque a vida deles não foi partida em duas, mas a de Ron sim.
Ron achou que quando se lembrasse, tudo seria como antes. Mas em vez disso, tudo tinha mudado de novo. Ele achou que quando se lembrasse, seria Ron outra vez. Mas com certeza ele não era Ron, mas também não era Michael.
Ele estava perdido no meio dos dois, sem saber que caminho seguir. Talvez… Talvez ele realmente ainda fosse o garotinho preso na caverna e não soubesse como sair.
oooooooooooooo
Quando Harry começou a despertar, achou que aquele "toc, toc" chato era algo em seu sonho. Mas o barulho continuou e ele abriu os olhos se dando conta de que o barulho vinha da janela. Ele se virou na cama, ainda muito sonolento e pôde ver Errol, a velha coruja dos Weasley, meio esbaforida, bicando a janela do seu quarto loucamente.
_ Que diabos…?_ Harry resmungou, mas se deu conta de que para os Weasley mandarem uma correspondência para ele no meio da madruga, alguma coisa provavelmente aconteceu.
A preocupação o fez ficar completamente alerta, e ele pulou da cama e segundos depois estava abrindo a janela para que Errol entrasse. Na patinha da coruja havia um pedaço de pergaminho enrolado de maneira apressada, como se a pessoa que o enviou estivesse impaciente ou muito nervosa.
Harry, sei que está tarde, mas estamos numa emergência com o Ron. Você poderia vir, por favor? Talvez consiga falar com ele.
Ass: Molly Weasley
Imediatamente, Harry se trocou e minutos depois estava aparatando no jardim d'A Toca. Quando chegou lá, encontrou Gina, os gêmeos, Hermione e Elliot sentados à mesa da cozinha. Os Weasleys presentes estavam de pijamas e tinham cada um, sua própria expressão de cansaço. E ele não entendeu bem o que Elliot fazia ali, mas imaginou que Hermione tivesse recebido a mesma carta que ele. Sua amiga estava com uma expressão tensa, os cabelos cheios presos num coque bagunçado, onde mechas caíam para todos os lados.
_ O que houve?_ Harry perguntou.
_ Ron_ Fred respondeu no meio de um bocejo.
_ Ele está bem?
_ Teve um pesadelo e acordou a casa inteira… Eu quase caí da cama quando ouvi os gritos dele_ Gina falou.
Harry piscou algumas vezes, confuso.
_ Ele anda tendo pesadelos?
_ Todos as noites a cerca de uma semana_ Jorge respondeu_ Mas hoje foi simplesmente… meio doido.
_ Sim_ Gina continuou_ Ele se debatia na cama feito um louco. Papai, Fred e Jorge tiveram que segurar ele.
_ E mesmo assim, ele me deu um chute_ Jorge resmungou.
_ Ele não fez de propósito_ Hermione falou pela primeira vez desde que Harry havia chegado. A voz dela estava trêmula e seu rosto meio pálido.
_ Ele está bem agora?_ Harry perguntou, passando a mão pelos cabelos.
_ Mamãe e papai estão com ele_ Gina respondeu, apoiando a cabeça em uma das mãos_ Mamãe está tentando convencer ele a tomar uma poção do sono para que ele volte a dormir.
_ Mas ele se recusa por causa dos pesadelos_ Fred completou.
Harry respirou fundo, tentando entender o que estava acontecendo. Aparentemente, Ron estava tendo pesadelos terríveis há dias, e ninguém sequer disse a ele. Então ele se virou para Elliot. Sua frustração dizendo que ele precisava descontar em alguém.
_ O que você está fazendo aqui?
Elliot olhou para ele muito sério.
_ Na carta que enviou para Hermione, a Sra. Weasley pediu que eu viesse.
_ Por quê?_ Harry franziu a testa.
_ Elliot é medibruxo, Harry_ Hermione respondeu meio cansada_ A Sra. Weasley achou que talvez ele pudesse ajudar.
_ Foi eu que preparei a poção para o Ron dormir_ Elliot respondeu com muita dignidade e Harry desviou o olhar.
Depois daquilo se seguiu um silêncio estranho, que só foi interrompido pelos passos da Sra. Weasley descendo as escadas. Ela tinha os olhos vermelhos e estava muito despenteada. Harry sentiu muita compaixão por ela naquele momento.
_ Sra. Weasley, como ele está?_ Hermione perguntou, ansiosa.
_ Igual. Não quer dormir_ a senhora ruiva respondeu_ Arthur ainda está com ele. Obrigada por terem vindo_ ela completou, olhando para Harry, Hermione e Elliot.
_ É claro_ Harry falou.
_ Ele não tomou nada da poção?_ Elliot perguntou.
_ Nada_ A Sra. Weasley respondeu com tristeza.
_ Bom, talvez Harry e Hermione possam convencê-lo…?_ Elliot sugeriu olhando para sua noiva e para Harry_ O mais importante é que ele descanse um pouco agora.
Hermione assentiu, dando um beijo carinhoso no rosto dele.
_ Obrigada_ ela disse baixinho e Elliot deu um pequeno sorriso para ela.
_ Vocês querem subir agora?_ Molly perguntou.
Harry e Hermione disseram "sim" ao mesmo tempo e subiram as escadas acompanhando a Sra. Weasley.
Harry já havia feito aquele caminho tantas vezes desde que se tornara amigo de Ron, que nem sequer poderia enumerar. Depois que Ron havia "morrido", Harry se recusou a ir até o quarto dele, se recurou até mesmo a ir n'A Toca, porque tudo naquele lugar o lembrava do amigo. Então das pouquíssimas vezes em que esteve lá naquela época, era muito sofrido. Era difícil. Era mais do que difícil. Era impossível. Mas Ron estava vivo e de volta e Harry nunca mais achou que subiria aquelas escadas, sentindo um peso em seu coração. Mas lá estava ele.
A luz no quarto de Ron, estava fraca. A primeira coisa que Harry e Hermione viram quando entraram, foi Ron deitado de lado na cama, com o Sr. Weasley sentado na beirada, acariciando os cabelos do filho. Ron olhava fixamente para a parede oposta e parecia nem sequer perceber que o pai estava lá.
_ Querido?_ A Sra. Weasley chamou_ Harry e Hermione vieram ver você.
Nesse instante, como se alguma coisa dentro dele voltasse a funcionar repentinamente, Ron ergueu a cabeça e olhou para eles.
_ Oi_ ele disse baixinho.
_ Oi, Ron_ Hermione falou, se aproximando. O Sr. Weasley se levantou e ela tomou o lugar dele na cama. Harry também se aproximou e se sentou no chão ao lado da cama de Ron.
_ Hey, cara_ Harry começou_ Ficamos sabendo que não anda dormindo bem.
Internamente, Harry agradeceu que Arthur e Molly tivessem saído do quarto. Algo lhe dizia que aquele momento não era deles, para estarem presentes. Pertencia a ele, Ron e Hermione.
_ Pesadelos, sabe?_ Ron disse baixinho.
_ Você não andava tendo isso antes, não é?_ Hermione perguntou_ Aconteceu alguma coisa?
Ron suspirou. Ele voltou a deitar a cabeça no travesseiro e sentiu um nó dentro dele se formando. Ele não tinha certeza se queria conversar sobre aquilo, mas ao mesmo tempo, ele sabia que não tinha como manter aquilo apenas para ele por muito tempo. Em algum momento ele teria que falar que se lembrava. Talvez… Talvez ele pudesse fazer isso com Harry e Hermione. Talvez ele pudesse fazer isso agora.
_ Eu… Eu fui à caverna.
_ O quê?_ Harry arregalou os olhos, mas depois se recompôs_ Como você foi? Com quem?
_ Malfoy me levou.
_ Ron, não acredito que fez isso…_ Harry continuou.
_ Você não iria comigo, não é? Você só me enrolou.
_ Bom, eu tive um motivo razoável para isso. Você foi lá e olha como está agora_ Harry disse.
_ Por que você tinha que ir nesse lugar?_ Hermione perguntou.
_ Porque eu precisava. Eu achei que indo lá, eu lembraria…
Houve um silêncio, onde se podia ouvir Pichí, a corujinha de Ron piando em sua gaiola, feliz como sempre.
_ E você lembrou?_ Harry perguntou. Ele nem sequer percebeu que estava prendendo a respiração. Hermione sentada na cama, tinha os olhos arregalados.
Ron demorou um pouco a responder. Os olhos dele vagaram pelo quarto como se procurasse alguma coisa, mas ele estava apenas tentando encontrar as palavras certas. Talvez fosse melhor ir pelo caminho mais simples.
_ Sim.
_ Oh, meu Deus, Ron, isso é… Isso é fantástico_ Hermione exclamou cheia de excitação.
Mas Harry conseguia ver o rosto de Ron, a maneira como rugas de desconforto se formaram em sua testa, o modo como seus olhos azuis se tornaram brilhantes, como se ele estivesse a ponto de chorar. Alguma coisa estava muito errada, Harry sabia.
_ Lembrou do que exatamente?_ Harry perguntou baixinho. A tensão em sua voz foi o suficiente para que o sorriso de Hermione se fechasse.
_ Tudo… Ou quase tudo, não tenho certeza.
_ E… isso não é bom?_ Hermione perguntou.
_ Seria, se todas as coisas ruins também não tivessem vindo à tona.
Houve um pequeno silêncio onde os três apenas se encararam.
_ Você quer conversar sobre isso?_ Harry perguntou. Ele sabia que Ron havia se lembrado do tempo que passou na caverna e a julgar por todas as cicatrizes, não foi um tempo bom.
_ Não.
_ Como você está se sentindo?_ Hermione perguntou.
_ Como se eu estivesse sufocando.
Harry e Hermione se entreolharam. Ele sabia exatamente o que a amiga estava pensando. Que doía ver Ron daquele jeito. Ron que era tão alto, muito mais alto e mais robusto do que eles, parecia uma pessoa indefesa, perdida, pequena e que lutava contra uma dor interna impossível de mensurar. Harry se perguntou o que teria acontecido naqueles três meses em que Ron passou em cativeiro.
_ Talvez se você conversar com a gente… _ Hermione tentou.
_ Não_ Ron foi enfático.
_ Bom, nós estamos aqui se você mudar de ideia_ Harry falou.
Ron deu a eles um sorriso triste. Ele se sentou na cama e os encarou. De certa forma e de um jeito estranho, com eles ali, ele se sentia menos pior. Era engraçado, ele tinha a sensação de que os estava vendo pela primeira vez depois de fugir da caverna. Ele sentiu a mesma coisa quando encontrou sua família depois de voltar da casa de Malfoy.
_ Obrigado_ ele disse_ Agora eu sei que vocês se importam.
_ É claro que nos importamos, Ron… Nos importamos tanto_ Hermione falou e num impulso segurou a mão dele_ Se você soubesse como foi difícil todos esses anos sem você, e depois quando você voltou e não lembrava de nós…
Ela ia dizendo de uma maneira frenética e meio sem pensar. Era quase como se ela precisasse pôr alguma coisa pra fora.
_ Sentimos tanto a sua falta, e agora você está aqui e lembra de nós_ ela continuou, começando a se emocionar_ E sabe que eu… Que nós te amamos.
Ron olhou para Harry meio alarmado, porque agora Hermione realmente parecia a ponto de chorar. A parte egoísta dele ficou feliz porque dessa vez não era ele perdendo o controle. Mas outra parte, uma que ele sabia que estava ali e com a qual ele "flertava" desde que havia voltado para o seu mundo e reencontrado Hermione, lhe dizia para abraçá-la, para consolá-la. Então lentamente, ele se mexeu na cama, se aproximou de Hermione e a abraçou.
Foi um abraço estranho, meio desajeitado. Incrível como ele parecia ter mais jeito com ela, quando ele não se lembrava. Mas mesmo assim, Hermione enterrou a cabeça entre o ombro e o pescoço dele, e lembranças do único beijo que eles deram_ antes de Ron ser sequestrado_ o invadiram.
Os lábios dela contra os dele em meio ao caos, pessoas gritando, fumaça por todo lado, Hogwarts desmoronando, Maldições Imperdoáveis sendo proferidas bem ali, pertinho deles… E foi demais. As lembranças eram mais do que Ron podia suportar, porque pouco tempo depois daquilo, ele foi levado, e sua vida foi desfeita… Hermione, Harry, sua família, todos tiveram a chance de recomeçar… E a chance que Ron teve, foi a mais torta possível.
Ele se afastou dela ao perceber que estava chegando ao limite.
_ Ron, você está bem?_ Hermione perguntou, passando as mãos nos olhos lacrimejantes.
_ Sim_ ele respondeu sem olhar para ela. Sem olhar para Harry.
Dizer que se está bem quando não se está realmente, é que a maioria das pessoas faz. Para Ron, não era diferente. Ele não podia dar outra resposta. Porque se fosse dar a resposta sincera, se fosse dizer o que estava sentindo exatamente, ele diria que se sentia quebrado. Mas agora ele entendia que não estava partido ao meio como pensava. Ele estava partido em muitos outros pedaços. Será que um dia conseguiria juntá-los de novo?
Ron olhou para Harry e pôde notar a expressão do amigo. Não era preciso muito para perceber que Harry conseguia ver através dele. Eles se conheciam assim, nesse nível… E por um momento, Ron quis que ele fosse embora. Porque fingir para Hermione era mais fácil.
_ Ron?_ Harry começou muito calmo, muito gentil_ Talvez você deva descansar um pouco.
_ Não quero dormir… Os pesadelos…
_ Se tiver pesadelos, vamos ficar aqui_ Harry falou.
_ A noite toda?_ Ron ergueu uma sobrancelha em descrença para eles.
_ Sim_ Hermione respondeu_ Por que não toma a poção que Elliot preparou pra você?
Ron pensou um pouco. Ele estava assustado, mas sabia que precisava descansar.
_ Vocês me acordam se as coisas ficarem muito feias?
_ Sim_ Harry respondeu.
Ron assentiu e pegou sobre a escrivaninha ao lado da cama, um copo grande de vidro, cheio de uma poção verde e pegajosa. Ele bebeu tudo de uma vez e era horrível. O que ele não daria por um pouco da álcool agora? Sentia tanta vontade que às vezes calafrios percorriam pelo corpo dele. E talvez o efeito fosse o mesmo da poção. Ele voltou a se deitar na cama e era estranho ter Hermione e Harry ali o observando enquanto ele adormecia. Ron não era uma criança que precisava que alguém ficasse com ele até pegar no sono, mas saber que os dois estavam ali, era de certa forma, reconfortante.
Os olhos dele foram ficando pesados e pensamentos desconexos dos últimos dias, foram passando por sua cabeça. A caverna, a bebedeira, os pesadelos. Tantas coisas… Agora que ele estava quase dormindo, todas essas coisas pareciam fazer parte dos pesadelos que ele vinha tendo, mas ele sabia que eram reais. Eram parte da realidade dele e ele não poderia fugir disso… Mas só precisava… Só queria descansar um pouco… Talvez com Hermione e Harry ali, ele conseguisse…
Talvez seus amigos o salvassem… Talvez…
Ele fechou os olhos, e a última coisa que viu antes de cair num sono profundo, foram as expressões tristes de Harry e Hermione.
oooooooooooooo
N/A: Oi, gente. Espero que estejam bem. Eu estou melhorando. Não tenho muito o que falar sobre isso, a não ser que estou me esforçando. Muito obrigada pela preocupação de vocês.
N/A 2: Primeiro, me perdoem por essa Fic ser tão dramática. Às vezes eu acho que exagero. Segundo, eu não tinha a intenção de que essa Fic ficasse tão longa. Mas as coisas saíram do controle. Hahaha! Não quero passar de 20/21 capítulos e estou trabalhando para isso. E honestamente, nem sei como vocês têm tanta paciência para acompanhar uma Fic tão longa e que a autora demora uma vida para atualizar. Mas só posso agradecer. Também quero dizer que o próximo capítulo será mais leve e bem nostálgico. Então é isso. Espero que gostem desse capítulo e me desculpem pelos erros gramaticais.
Ninebp: Ah, vamos ver como o Ron vai lidar com tudo isso daqui pra frente. Ele sofreu um trauma muito grande e não vai ser fácil superar. Obrigada por comentar, e estou melhorando. Bjks!
Penelope M. Jones: Estou melhorando sim, obrigada. E obrigada por comentar. Bjks!
Maxisaraviamgs: Nossa, fico muito feliz de ler um comentário numa língua estrangeira. Espero que você tenha conseguido entender bem. Gostaria de poder responder na sua língua, pensei no Google Tradutor, mas nem sempre ele é preciso, então não me arrisquei.
Bom, Ron passou por um trauma muito grande, vamos ver como ele vai lidar com isso. Minha saúde vai melhorando aos poucos. Muito obrigada por comentar. Beijos!
BelinhaZpears: Ah, o Ron não sabia no que estava se metendo quando decidiu voltar à caverna, mas era algo que ele precisava muito. Mas você está certa, esses acontecimentos vão meio que levá-lo de volta ao passado, se é que posso dizer isso. No próximo capítulo isso vai ficar bem explícito. Não sei bem se isso é um spoiler, mas acho que não tem problema. Haha!
Escrever me faz sentir bem melhor, mas ao mesmo tempo não consigo escrever quando estou mal. Mas então, eu tenho problemas no sistema digestivo há bastante tempo, mas admito que não levava a sério. Só comecei a levar a sério por causa do refluxo. E sim, minha saúde mental instável provavelmente agravou tudo, é o que o meu gastro também acha. Mas a boa nova é que estou melhorando e muito esperançosa… Bom, espero que por aí as coisas estejam melhores, ou pelo menos, com expectativas de melhora.
Muito obrigada por comentar e pela preocupação. Bjks!
Larissa Mayara: Essa Fic é tão antiga e estou demorando tanto nela que até os leitores antigos estão voltando. Fico feliz de saber que a reencontrou, que ainda gosta dela e que gosta da minha escrita. Eu amo escrever, então é muito bom ler esse tipo de comentário.
O capítulo novo está aí, e pelo menos, um pouco da sua curiosidade vai cessar agora. Muito obrigada por comentar. Bjks!
N/A 3: Gente, eu ando meio perdida no tempo, eu achei que a última atualização fizesse menos tempo. Enfim, espero que gostem desse capítulo.
E mais uma coisa. Eu me dei conta muito tardiamente, que sou péssima para escolher títulos para capítulos. Paciência.
Até a próxima, se cuidem.
