Oi, lembram de mim?
Pois é, criei vergonha cara e estou atualizando essa fanfic. Me perdoem, me perdoem mesmo por um ano de ausência, não tem justificativa pra isso. Eu, com certeza, entendo quem abandonou a fic, talvez eu tivesse feito o mesmo no lugar de vocês. De qual forma, me desculpem
e espero que possam me dar mais uma chance.

16. Hogwarts, uma história

Visitar Hogwarts foi uma sugestão de Harry, alegando que isso poderia ajudar Ron a se sentir melhor, e a perspectiva deixou Ron animado. É claro que eles precisavam de uma autorização da Professora Minerva McGonagall, que agora era diretora de Hogwarts, mas tanto Harry quanto Hermione, não acharam que haveria problema.

Então, quando Harry finalmente mandou uma coruja, dizendo que estava tudo certo, que McGonagall havia topado, e que eles poderiam ir no próximo sábado, porque a maioria dos alunos estaria num passeio em Hogsmeade ou em casa para o recesso de Natal, Ron sentiu a sua ansiedade crescer, mas não de um jeito tão bom quanto imaginou antes. Ele queria estar pronto para aquilo, ele queria muito, mas embora estivesse empolgado, ele não conseguia evitar aquela sensação no estômago, de que algo estava despencando dentro dele. Talvez fosse um medo irracional, causado por todas as emoções que vinha passando.

Mas tudo bem, ele podia fazer isso. Era só uma visita, e era uma visita a um lugar que agora ele lembrava que amava. O lugar que foi o lar dele por tanto tempo.

O problema é que desde que Ron havia retomado sua memória, tudo parecia assustá-lo, como se algo muito ruim estivesse esperando por ele na esquina. Ele não sabia se fazia sentido se sentir dessa forma, mas ele sentia. Era desgastante, mas ele fazia o possível para que sua família não percebesse. Ron ainda não havia contado a eles que tinha recuperado a memória, e mesmo se lembrando deles e de tudo, não conseguia se reaproximar. De uma maneira que ele não entendia, sua família ainda parecia um bando de estranhos.

Realmente o tempo que passou na caverna com os comensais, bagunçou com a cabeça dele.

Ele pensou em Zoe. Não se viam há mais de uma semana, ele também não respondeu as cartas dela. Então, na sexta anterior a irem para Hogwarts, ele enviou uma coruja para ela.

Querida, Zoe

Desculpe a ausência. Algumas coisas têm acontecido, mas explico para você depois. Domingo a noite, pode ser? Eu vou te ver.

Com amor, Ron

Ele pensou em escrever "com amor, Michael", por ser mais familiar para Zoe, mas agora não fazia sentido, uma vez que ele lembrava quem era. Ele era Ron Weasley. Danificado, quebrado, mas esse era ele. E Ron não sabia se essa versão dele, seria a melhor para Zoe. E parando para pensar, ele não tinha certeza se era bom para alguém em qualquer uma de suas duas versões.

No sábado, Harry e Hermione chegaram cedo n'A Toca e Ron sentiu sua ansiedade crescer. Perdeu a conta de quantas vezes esfregou as palmas das mãos na calça jeans para aplacar o suor que vinha delas. Deus, ele estava surtando.

_ Agora que você lembra de tudo, ainda precisa de ajuda para aparatar?_ Harry perguntou a Ron quando os três saíram para o jardim d'A Toca minutos depois.

_ Seria bom poder ir de trem_ Ron disse repentinamente e Hermione e Harry se entreolharam.

_ Bom, você sabe que o trem para Hogwarts só parte dia 1 de setembro, não é?_ Hermione perguntou_ E estamos praticamente no Natal…

_ Eu sei_ Ron respondeu, dando um pequeno sorriso que ele esperava que fosse o suficiente_ Só seria legal.

As viagens no Expresso de Hogwarts sempre representaram algo grande para Ron. Era onde ele se reconectava com seus colegas de escola, onde ele, Harry e Hermione podiam falar sobre qualquer coisa e foi na sua primeira viagem naquele trem, que Ron conheceu duas das pessoas mais importantes de sua vida. Seria bom resgatar aquela sensação, embora ele soubesse que certos momentos e sentimentos não podiam ser recriados.

_ Acho que posso fazer isso. Sabe, aparatar_ ele disse, apesar da insegurança.

Mas aquilo foi o suficiente. Uma das melhores coisas sobre Harry e Hermione, era que eles não duvidavam de sua capacidade, mesmo nos seus piores momentos.

Ron nunca foi um bruxo espetacular, ele sempre teve suas limitações, isso sempre foi óbvio para todos, principalmente para Harry e Hermione. Mas seus amigos nunca apontaram isso, nunca o diminuíram por não ser considerado tão brilhante quanto eles. Pelo contrário, eles sempre tentaram fazer com que Ron confiasse mais em si mesmo, eles tentavam fazer com que Ron se enxergasse da maneira que eles o enxergavam. Então, mesmo depois de anos sem usar magia, Ron não viu em nenhum momento na expressão de seus amigos, algum indício de que eles não acreditavam que ele podia fazer aquilo.

Desde que havia recuperado a memória, Ron tinha se focado nas lembranças ruins, mas haviam as boas também. Harry e Hermione estavam em quase todos os seus momentos bons. Se alguma coisa de boa aquela caverna trouxe, com certeza foi poder lembrar dos dois. Harry e Hermione sempre estariam lá para ele, sempre confiariam nele, Ron sabia disso.

oooooooooooooo

Estava frio, nevando, mas ainda assim alguns raios de sol bateram no rosto de Ron, enquanto ele observava as torres grandes e as pequenas do Castelo de Hogwarts. Ele se lembrava da maioria delas serem destruídas durante a batalha há quatro anos, mas ele também lembrava a vista bonita que tinha da paisagem toda vez que subia em uma delas para fazer sei lá o quê com Harry e Hermione. Lembrava da vista que tinha do lago, da lula gigante e de alguns alunos que se arriscavam a pular na água quando tinham um tempinho livre. Ron sabia que cada pedacinho daquele castelo, tinham lembranças de épocas em que ele foi mais feliz. Mesmo tudo o que veio depois, não podia apagar isso.

A cabana de Hagrid, foi o primeiro lugar que eles decidiram visitar assim que chegaram a Hogwarts. Eles também passaram momentos inesquecíveis naquele lugar. E enquanto caminhavam até lá, Ron ficava olhando tudo ao redor. Não como se quisesse se lembrar de cada pedacinho, mas sim, para não esquecer nunca mais.

_ Isso vai ser um choque e tanto para ele_ Harry disse, assim que subiram os poucos degraus que levavam a porta de Hagrid.

_ Ele não sabe que estou vivo?_ Ron perguntou, um pouco surpreso. Ele acreditava que a sua volta dos mortos fosse conhecimento de todo o mundo bruxo.

_ Ele sabe_ foi Hermione que respondeu_ Mas não dissemos a ele que viríamos.

Aquilo fazia mais sentido, Ron pensou. Mas ele provavelmente teria que se preparar para enfrentar todo o afeto de Hagrid em poucos segundos. E ele estava certo, pois quando Hagrid abriu a grande porta da madeira, depois que Harry deu três batidas, os olhos do meio gigante se arregalaram ao olhar para eles. Primeiro, aqueles olhinhos gentis posaram em Harry, depois em Hermione, e quando finalmente se fixaram em Ron, o corpo enorme de Hagrid começou a tremer e seu rosto barbudo se contorceu numa careta de choro.

_ Ron!_ ele praticamente berrou, abrindo caminho entre Harry e Hermione e puxando Ron num abraço de esmagar os ossos. Foi tão forte, tão caloroso, que Hagrid o levantou do chão_ Por Merlin, eu não acredito que esteja aqui.

_ Sou eu mesmo, Hagrid_ Ron disse, dando tapinhas nas costas dele. Ele podia sentir as lágrimas grossas de Hagrid caírem sobre seu ombro.

Se passaram longos segundos até que Hagrid o soltasse, ainda em prantos. Então ele se virou para Harry e Hermione, os abraçando também, mas bem mais contido dessa vez.

_ Entrem, entrem_ Hagrid pediu, enquanto assoava o nariz no avental que usava_ O que estão fazendo aqui?

A cabana de Hagrid estava exatamente do jeito que Ron se lembrava. A mesma madeira velha de sempre, embora agora o lugar parecesse menor. Haviam coisas estranhas penduradas pelo teto, alguns biscoitos que mais pareciam pedra, sobre a mesa, e canino estava deitado num canto, os olhando com curiosidade, a baba de sempre escorrendo por sua boca enorme.

_ Queríamos te ver_ Hermione respondeu com um sorriso. Ela tirou o sobretudo que usava e o pendurou em uma das cadeiras.

_ Isso me deixa feliz_ Hagrid falou, enquanto todos se sentavam à mesa e ele os servia com chá recém preparado_ Ron, me perdoe por não ir a sua festa. Eu fiquei muito emocionado quando soube que você estava vivo, acabei bebendo demais e dormi o dia inteiro, não deu para ir.

Ron acenou e deu um sorriso em compreensão. Ele podia entender aquilo. Jamais culparia alguém por beber demais até praticamente desmaiar, uma vez que ele mesmo, gostaria de beber naquele momento. Aliás, ele também já havia bebido até quase a inconsciência por várias e várias vezes.

_ Não tem problema_ Ron falou_ Eu não lembrava de você, então provavelmente não faria diferença.

Hagrid olhou dele, para Harry, depois para Hermione e então de volta para ele.

_ Harry me disse na carta em que contava que você estava vivo… Bom, ele me disse que você não se lembrava de nada, de ninguém. Amnésia, certo?_ Ron acenou em resposta a pergunta do amigo_ Mas agora… Você lembra? Você parece se lembrar, não está me olhando como se eu fosse um estranho.

Em nenhum momento, Ron havia conversado com Harry e Hermione sobre contar a Hagrid que ele havia recuperado sua memória, simplesmente o assunto não veio a tona e ele não havia contado a mais ninguém. Mas agora não tinha o que fazer. Ele ainda não se sentia preparado para falar sobre suas memórias, sobre o que aconteceu na caverna, mas não tinha como mentir para Hagrid na cara de pau.

_ Sim.

_ Ron, isso é maravilhoso_ Hagrid disse, soltando a respiração_ Como aconteceu? Como você lembrou?

_ Foi de repente_ Hermione falou antes que Ron pudesse dizer qualquer coisa, e ele se sentiu grato_ Mas é muito recente, então não vamos forçar a barra.

_ Claro, claro!_ Hagrid assentiu, bebendo um grande gole de chá. O líquido escorreu por sua barba e foi parar direto no avental_ O que importa é que você está de volta inteiro, estou tão feliz_ então ele disse mais algumas palavras sentimentais para mostrar o quanto estava feliz por Ron estar de volta, e antes que ele voltasse a chorar, Harry perguntou como estavam sendo os últimos anos em Hogwarts.

Mais uma vez, Ron estava grato. Ele tentou prestar atenção em Hagrid contanto sobre suas aulas de Trato das Criaturas Mágicas, mas seu olhar acabou indo parar em Hermione. Ele precisava se lembrar de agradecer a ela. Hermione sabia que Ron não estava em condições de conversar sobre a volta das suas lembranças e ter a sensibilidade de não deixar que ele entrasse naquele tópico, apenas para dar respostas a Hagrid, significava muito para Ron.

_ Você já marcou a data?_ Hagrid perguntou, olhando para Hermione, e Ron finalmente olhou para ele de novo. Ron nem sequer percebeu quando o assunto foi mudado_ Do casamento. Você vai se casar, certo?

_ Sim, sim_ Hermione respondeu rápido, bebericando o seu chá. Ela evitou olhar para Ron_ Mas ainda não marcamos a data, mas vai ser logo.

_ Logo quando?_ Ron perguntou, porque não conseguiu se conter.

Hermione ergueu os olhos para ele, meio constrangida.

_ Em poucos meses. Preciso deixar algumas coisas alinhadas no trabalho, sabe? Para que possamos viajar em lua de mel_ o rosto dela estava vermelho e ela deu um novo gole em seu chá.

Houve um silêncio entre os quatro, no qual Ron sabia que enquanto Hermione evitava olhá-lo, tanto Harry quanto Hagrid, tinham os olhos fixos nele, talvez buscando alguma coisa que demonstrasse que aquilo o afetava. Então, ele se voltou para Hagrid.

_ O que você tem para beber aí, além de chá?

_ Hum, acho que tenho um pouco de gim_ Hagrid disse e se levantou para pegar a bebida.

Aquela foi uma oportunidade perfeita para que Ron mudasse o tópico da conversa, porque ele realmente não queria falar sobre o casamento de Hermione, e antes que eles pudessem perceber, os quatro estavam conversando sobre seu primeiro ano na escola, quando Hagrid achou que estaria tudo bem em trazer um ovo de dragão para sua cabana.

A conversa fluiu e eles se viram falando sobre várias coisas que passaram juntos e Ron se pegou rindo a cada momento mencionado; Norberto, que acabou nascendo do ovo que Hagrid trouxe, Grope o irmão de Hagrid, os jogos de quadribol, a vez em que tiveram que tomar a poção polissuco para entrar nas Masmorras da Sonserina, e Hermione acabou virando uma espécie de gato humanoide. Harry e Ron sofrendo para convidar garotas para o Baile de Inverno no quarto ano, Lavender Brown e o namoro pegajoso que Ron teve com ela. "Vocês eram pavorosos juntos" Hermione disse em um determinado momento e todos riram. Muita coisa aconteceu, e Ron só se dava conta realmente naquele momento.

Cada pedacinho de lembrança que Ron tinha antes de tudo desandar, era precioso. Ele entendia isso. Ele conseguia ver do que ele fez parte um dia, mesmo não sabendo qual era o seu lugar agora.

_ Podemos dar uma volta pelo castelo?_ ele pediu depois de mais de uma hora de conversas e risadas.

_ É claro_ Harry respondeu, se levantando.

_ Vão, vão, e vou preparar algo gostoso para vocês comerem mais tarde_ Hagrid disse feliz.

Os três jovens se entreolharam e disfarçaram a vontade de rir. Era de conhecimento público que a culinária de Hagrid, era no mínimo duvidosa, mas eles jamais diriam isso a ele.

oooooooooooooo

Eles visitaram tudo o que puderam. O salão principal, e ficaram maravilhados com o teto encantado, como se o estivessem vendo pela primeira vez. O corujal, e ali eles alimentaram algumas corujas. A Sala Precisa e lá eles conversaram sobre a Armada de Dumbledore e das reuniões que faziam naquele lugar.

Quando Harry lhes disse que a professora McGonagall havia lhe dado a senha para que entrassem no Salão Comunal da Grifinória, Ron não soube o que dizer. Ele apenas seguiu em silêncio Harry e Hermione até o quadro da mulher gorda e antes que pudesse processar, eles estavam dentro do lugar onde ele provavelmente passou boa parte da sua adolescência. Para alívio de Ron, a sala estava vazia a não ser por eles três.

Era como ter voltado no tempo ou parado nele, Ron pensou. Porque não havia nada de diferente. Ainda eram as mesmas poltronas, a mesma tapeçaria, os mesmos quadros, a mesma lareira de pedra e as mesmas escadas que levavam para os dormitórios. Ele se sentiu como o menino de 11 anos que um dia chegou ali, pronto para não ser mais um, mas temendo nunca ser mais do que outro Weasley. Um menino que não tinha ideia que anos depois, todas as suas expectativas, os seus sonhos, seriam arrancados dele. Um menino que no futuro foi jogado numa caverna e nunca mais saiu. Os olhos de Ron começaram a arder antes mesmo que ele se desse conta. Ele virou o rosto para que Harry e Hermione não o vissem, e encarou a lareira.

_ Vou subir até o nosso antigo dormitório_ Harry disse, colocando uma mão no ombro dele_ Você quer ir?

_ Não_ Ron respondeu simplesmente, passando as mãos nos olhos.

_ Ok. Eu já volto.

Quando os passos de Harry finalmente sumiram pela escada, Ron se virou para Hermione. Ela estava do outro lado da sala, o olhando. Os olhos castanhos dela mais vivos e astutos do que nunca.

_ Tudo isso está te sobrecarregando, não é?_ ela perguntou.

_ Eu estou bem… É só que… É um pouco demais_ Ron respondeu, tentando se controlar.

Por que ele não podia continuar sorrindo e rindo, como quando estavam na cabana conversando com Hagrid? Por que tudo com ele sempre acabava em lágrimas, mesmo quando ele deveria estar feliz?

_ Eu sei_ Hermione caminhou até ele e segurou suas mãos_ Mas você sabe que pode pôr para fora, não é, Ron? Você sabe que o que quer que você esteja sentindo, nós estamos aqui. Eu estou aqui.

Ron olhou para as mãos dela, segurando as dele e as apertou. Quando ergueu a cabeça para encarar Hermione mais uma vez, ele pensou em como as coisas com ela, eram fáceis. Não fáceis de um jeito entediante, mas fáceis no sentido de que eram exatamente o que deveriam ser. Como se estar com ela, fosse a coisa certa. Fosse ali no Salão Comunal da Grifinória, fosse n'A Toca enquanto ele estava com medo de enfrentar sua festa de boas vindas. Fosse a beijando pela primeira vez no meio de uma guerra. A verdade era essa: Hermione sempre seria o seu porto seguro. E agora que Ron lembrava de todo o amor que um dia sentiu por ela, talvez ele pudesse aceitar que ela ainda estava em seu coração.

_ Eu não devia chorar assim_ Ron forçou um sorriso, entre as lágrimas_ É um dia feliz, nós três estamos aqui de novo. Eu não devia mesmo chorar desse jeito.

_ Você pode chorar, Ron_ Hermione disse, o olhando com carinho_ Não há nada de errado nisso.

Ron estava pronto para dizer que não, que tudo que ele fazia ultimamente era chorar, quando Hermione se aproximou ainda mais e o abraçou. Foi um abraço forte, como no dia em que eles se reencontraram. Ela entrelaçou os braços nas costas dele, e Ron não teve alternativa a não ser abraçá-la de volta. Ele deitou a bochecha na cabeça dela e foi como se sentir em casa. Como se tudo estivesse em seu devido lugar, pelo menos por alguns instantes.

_ Tá tudo bem_ ela disse, enquanto afagava as costas dele com uma das mãos.

Ron deu um beijo no topo da cabeça dela e Hermione se afastou do abraço apenas um pouquinho, o suficiente para erguer a cabeça e olhar para ele. Ron então, colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela.

_ Você ainda é você_ ele disse do nada e Hermione continuou o encarando_ Fico feliz que, pelo menos isso, não tenha mudado.

A mão de Ron, que antes havia colocado o cabelo de Hermione atrás de sua orelha, deslizou pelo rosto dela e Hermione fechou os olhos, o coração disparando. E pela primeira vez em muito tempo, Ron não se permitiu pensar, ele limpou a mente de todas as coisas ruins que haviam lhe acontecido, porque aquele era para ser um dia feliz. E se Ron tinha a chance de melhorá-lo, ele não desperdiçaria mais nenhum segundo. E foi com essa certeza, que ele se inclinou e beijou Hermione.

Não houve resistência da parte dela. Pelo contrário, ela envolveu os braços, que antes estavam nas costas dele, ao redor do pescoço de Ron, enquanto suas bocas se mexiam juntas com avidez, como se ambos estivessem esperando por aquilo por muito tempo. Ele pôde sentir o gosto salgado de suas lágrimas se misturando nos lábios dela e se perguntou se Hermione podia sentir também. E para Ron, foi como se os anos não tivessem passado, porque a boca de Hermione ainda era a mesma, o cheiro dela, os dedos macios dela enroscados nos cabelos da nuca dele.

Quando eles finalmente se afastaram, ambos estavam ofegantes. Eles encostaram suas testas uma na outra e ficaram em silêncio por um tempo. Ron apertou a cintura dela, enquanto esperava que a realização do que tinham acabado de fazer, chegasse.

_ Foi exatamente do jeito que eu achei que seria… Senti saudades _ Hermione sussurrou e buscou os lábios dele mais uma vez. Dessa vez, o beijo foi mais calmo, mais lento.

Ali, no Salão Comunal da Grifinória, entre aquelas paredes, que os viram enquanto cresciam, Ron e Hermione deram o seu segundo e o terceiro beijo. E foi perfeito.

_ Ainda do jeito que você imaginou?_ Ron perguntou baixinho, depois que eles se separaram mais uma vez.

_ Melhor_ ela confessou. As bochechas dela estavam coradas e quando Ron pensou em beijá-la uma quarta vez, os sons dos passos de Harry descendo as escadas do dormitório, fez com que os dois se afastassem tão rápido, que Ron quase esbarrou numa das poltronas perto da lareira.

_ O garoto que tá dormindo na minha antiga cama, transformou ela num santuário dos Tornados de Tutshill_ Harry resmungou, assim que emparelhou com eles_ Sério, o dossel da cama tá cheio de bandeiras desse time… Tudo bem?

Harry estava olhando de uma para o outro. Era possível que as expressões culpadas dos dois os entregassem, e Ron tinha certeza que não demoraria muito para que Harry percebesse alguma coisa.

_ Acho que devemos voltar para a cabana do Hagrid_ Hermione disse, não olhando para nenhum dos dois. Ela mexia com a mão direita no enorme anel de noivado em sua mão esquerda, e Ron pôde entender pela expressão agoniada que tomou conta do rosto dela, que finalmente, a consciência dos beijos que eles trocaram, havia chegado.

Ron a entendia, ela estava pensando em Elliot, em como ele era bom demais e não merecia que sua noiva beijasse outro cara. Ron então, pensou em Zoe e se sentiu mal.

Harry abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Hermione já havia se virado e saído rápido pela porta que levava para fora da sala comunal. Ron quis segui-la, pensou em pedir desculpas, em dizer para ela esquecer tudo, mas ele não se mexeu. Ficou parado lá, sentindo seu rosto queimar sob o olhar desconfiado de Harry.

_ O que aconteceu?_ seu amigo perguntou.

_ Nada_ Ron respondeu dando de ombros. Não podia contar a Harry, não podia expor Hermione daquela forma_ Será que Hagrid ainda tem gim ou qualquer outra coisa para beber?

_ Hum, acho que ainda ficou um pouco quando saímos…

Ron soltou um suspiro aliviado. As coisas tendiam a parecer melhores quando ele bebia. E às vezes era só o que ele precisava. E alguma coisa lhe dizia que passar o resto da tarde com Hermione, depois de terem se beijado, exigiria altas doses de álcool.

_ Podemos ir?_ ele fez um gesto para que Harry fosse na frente.

Harry concordou com um aceno de cabeça, mas antes de caminhar em direção ao quadro da mulher gorda, ele ainda olhou para Ron, com o mesmo olhar desconfiado de antes. Harry o conhecia bem demais, até mesmo a versão danificada dele.

Ron o seguiu e enquanto andavam pelos corredores do castelo, ele ainda podia sentir sua boca formigar. Ainda sentia o fantasma dos lábios de Hermione, e embora tenha sido bom, Ron entendia as implicações daquilo. Entendia que não devia ter acontecido, assim como iniciar um relacionamento com Zoe, também foi um erro. Ele estava quebrado demais para isso. Quebrado demais para Zoe, quebrado demais para Hermione. E um beijo não o consertaria, não era assim que as coisas funcionavam.

E ele não consertaria o que estava danificado dentro dele, estragando o relacionamento de Hermione. Porque ele, Ron, não era assim. Michael também não. Por mais ferrado que ele estivesse emocionalmente, por mais que ele não soubesse onde acabava Ron e começava Michael, ele não seria a pessoa a modificar toda a vida de Hermione. Porque embora, Ron tenha mudado, embora sua alma estivesse longe de ser o que era antes, Hermione ainda era a mesma pessoa. Ela inda era a sabe-tudo que ele conheceu no Expresso de Hogwarts tantos anos antes. Ainda era a menina por quem ele se apaixonou pela primeira vez. Ela ainda era muitas coisas na vida de Ron, ele podia se dar conta disso agora.

Era uma pena que existisse uma caverna, uma penca de lembranças ruins e quatro anos inteiros entre eles. Era uma pena que existisse um Ron tão perdido e danificado no meio do caminho. Talvez se não fosse por tudo isso, as coisas poderiam ser diferentes. Ele e Hermione poderiam ter sido algo.

oooooooooooooo

N/A: Aos que ainda estão aqui, eu agradeço e admiro vocês por serem pacientes.

Maxisaraviamgs: Olá! 2021 passou e foi complicado, mas aqui estou eu de novo, atualizando minha Fic. Obrigada pelo comentário e se preocupar com minha saúde. E que bom que o drama está na medida certa. Se cuide, beijão!

Ninebp: Aos pouquinhos ele vai se reconectando com tudo que ficou pra trás. Obrigada pelo comentário, e estou bem melhor. Beijão!

Lid20: Que bom que descobriu minhas Fanfic e que gostou delas. Eu gosto muito de escrever, mas nem sempre consigo. RonMione é o shipp da minha vida. Obrigada por comentar. Bjks!

N/A2: É isso, gente. Não tenho muito o que dizer, a não ser, obrigada. Espero que esse capítulo seja bom pra compensar tanta demora. Se cuidem, e até a próxima, pois não vou abandonar essa história. :)