N/A: Crepúsculo não me pertence.
Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-Shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet
Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors. Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta Bela edythecullens
Olá, Crepusculetes!
Como vão?
E eu voltei a participar dos projetos, não é? haha
Mas confesso que foi uma delícia escrever essa one-shot e com certeza um desafio já que não me lembro de escrever outro casal principal que não seja Bella e Edward.
Agradeço à minha amiga oculta, Bela, por ter dado essa oportunidade de tirá-la e por ser uma pessoa tão adorável. Você foi essencial para dar margem às minhas ideias mirabolantes. Espero que goste e seja tão especial quanto foi para mim.
Boa leitura especialmente para você e para todos!
2000
Era normal que passássemos o Natal com os Cullen. Nossas famílias tinham uma amizade de longa data e se tratavam como se fossem uma coisa só.
Aos 6 anos, eu não entendia muito bem aquilo. Só sabia que tínhamos sempre que estar presentes nas festividades dos Cullen e lidar com três outras crianças que viviam com eles.
Edward, o mais velho dos Cullen, e Carlisle Hale, o meu irmão, tinham quase dez anos e eu gostava deles na maior parte do tempo. Ou melhor, eu gostava deles quando deixavam que eu participasse das suas brincadeiras.
Alice era a irmã do meio dos Cullen, com seus oito anos de idade completos, adorava me tratar como sua boneca e isso era legal quando não se tornava um grande evento para toda a família. Ao contrário dela, eu não era o tipo de criança que lidava bem com elogios.
E tinham eu e Emmett, ambos com seis anos de idade e muita energia para gastar.
Entre todos, Emmett era com quem eu mais gostava de estar e era quem inventava as melhores pegadinhas para serem pregadas nos membros das nossas famílias. Éramos ótimos em importunar todos e melhores ainda em ficar de castigo pelo resto da noite.
Normalmente, o castigo consistia nos nossos irmãos cuidando de nós e agora eu acreditava que aquilo poderia ser uma punição maior para eles.
Isso até nossos queridos irmãos decidirem que seria uma ótima ideia nos casar de brincadeirinha.
As ideias mirabolantes normalmente vinham da Alice e o seu poder de persuasão para convencer Edward e Carlisle a ajudarem na empreitada era impressionante.
Não era uma cerimônia elaborada, mas a garota conseguiu fazer um grande milagre com o que possuía na sua casa: véu de pano de prato, um tutu branco de balé que estava guardado em seu armário, maquiagem leve autorizada pela minha mãe e um coque improvisado.
- Vamos, Rosalie. - Alice apressou, tomando a minha mão na sua e correndo escada abaixo. - Seu noivo está esperando.
Ao chegarmos na varanda, encontrei algumas cadeiras da sala de jantar dispostas ali e Emmett me esperando próximo da grade. O garoto estava fofo vestido com suas roupas elegantes de Natal, adicionando apenas uma flor colada com fita em sua camiseta e os cabelos penteados com gel.
Se alguém dissesse que estava corada, eu diria que era apenas o calor anormal para esta época do ano na Flórida.
Alice colocou um buquê de flores artificiais em minhas mãos e empurrou o meu corpo na direção do meu futuro marido de mentirinha.
Eu caminhei enquanto uma música calma soava do aparelho de som portátil presente aos pés de Emmett e enrolando um fio de cabelo loiro entre o pequeno dedo. Ao que parecia, os garotos tinham achado um CD com músicas propícias para um casamento de mentirinha.
Não tive coragem que olhar para ninguém quando cheguei à Emmett, parando em sua frente e ouvindo Carlisle, em seu papel de padre, dizer ao nossos nossos pais e irmãos do meu noivo:
- Rosalie Lilian Hale, você aceita Emmett McCarty Cullen como seu legítimo esposo?
- Sim. - Respondi e ouvi algumas risadas baixas da nossa pequena plateia.
- Emmett McCarty Cullen, você aceita Rosalie Lilian Hale como sua legítima esposa?
- Sim. - Disse com um largo sorriso e me fazendo rir de volta.
- Pode beijar a noiva.
E, antes que nossos pais pudessem impedir, ele deu um beijo estalado no meu rosto para o alívio de todos.
Emmett sempre foi um garoto doce. Aquilo não mudou quando envelhecemos.
2008
Se dependesse apenas de mim, nós não comemoraríamos absolutamente nada naquele ano.
Minha mãe havia falecido em fevereiro depois de lutar por dois anos contra um câncer. Apesar de todos cansarem de afirmar que ela estava em um lugar melhor e tinha parado de sofrer, eu conseguia ser egoísta o suficiente para querer que minha mãe tivesse continuado comigo.
Carlisle havia ido para a Universidade de Washington junto com Edward então, ao contrário de mim e do papai, meu irmão não teve que viver metade do luto que nós havíamos vivido.
Eu ainda a esperava para o café da manhã, para receber um beijo ou uma bronca, para todas as datas comemorativas, para assistir nossos filmes favoritos, mas o seu lugar físico e emocional estaria para sempre vazio em nossas vidas.
Dei uma longa tragada no meu cigarro antes de ouvir um barulho vindo atrás de mim, bem de onde eu havia vindo para chegar até o telhado. Então Emmett apareceu com um sorriso doce, as bochechas rosadas e os olhos brilhando.
Nem aquilo era capaz de amenizar a minha dor.
- Rose. - Falou, sentando ao meu lado e abraçando os joelhos. - Estive procurando por você. Seu pai disse que esse é o seu lugar secreto de meditar.
Eu ri baixo e estendi o cigarro na direção dele passando a mão livre entre os meus fios de cabelo maltratados e pintados de preto como uma noite sem estrelas.
- Se por "meditar" ele quis dizer "fumar" então está certo.
Com um sorriso amarelo, Emmett pegou o cigarro dos meus dedos e deu uma tragada forte, causando uma sucessão de tosses e uma risada vinda de mim.
- Você não deveria ficar fumando. Isso faz mal. - Aconselhou, devolvendo o cigarro para mim.
- Eu sei. - Garanti, dando a última tragada e apagando o cigarro ao meu lado. - Não me importo com isso há muito tempo.
Emmett tocou a minha mão que estava repousada entre nossos corpos e acariciou os nós. Não era estranho porque nós nos conhecíamos desde sempre. Ele era o meu melhor amigo, sem dúvida alguma.
- Eu sinto muito, Rose.
Suspirei e deitei a cabeça em seu ombro, fechando os olhos e aproveitando o momento de paz que a presença de Emmett era capaz de proporcionar.
- Já faz alguns meses, mas eu ainda não consigo falar sobre isso. - Disse, sentindo a voz embargada pelas lágrimas traiçoeiras que ameaçavam cair.
Senti seu rosto virar na minha direção e seus lábios tocarem o alto da minha cabeça. Eu fechei os olhos com força e permiti que as lágrimas escorressem pelo meu rosto.
- Você precisa procurar ajuda profissional, Rose. - Sussurrou, abraçando os meus ombros e acariciando o meu braço.
E aquele conselho foi o presente mais importante que eu recebi no Natal daquele ano.
2011
Enquanto nossos pais degustavam vinho antes da ceia iniciar, nós decidimos dar uma volta pela praia.
E por nós, quero dizer os casais Edward e Isabella, e Carlisle e Esme mais à frente, e uma Alice tagarela a respeito do seu curso de design na Universidade de Nova York entre eu e Emmett.
O garoto parecia fingir muito melhor sobre estar interessado no que a garota mencionava sobre paletas de cores e programas essenciais para ajudar a sua vida dali para frente.
Tão absorta em pensamentos, admirava enquanto os casais pareciam se gostar. Edward e Carlisle haviam se transformado de jovens adultos chatos que só falavam sobre o curso de medicina para apaixonados incuráveis pelas novas namoradas.
Eu gostava delas. Esme era um doce e mais extrovertida do que Bella, mas a parte mais importante era que fizessem a minha família feliz e isso era nítido que estava indo muito bem.
Só percebi que Alice não estava mais tagarelando ao nosso lado quando correu na direção dos casais e foi muito bem recebida pelos quatro pombinhos.
Emmett me abraçou pelos ombros e girou nossos corpos para observar o pôr do sol enquanto as ondas do mar quebravam a poucos passos de nós.
- O que foi? - Perguntou, beijando os meus cabelos.
Ergui o meu olhar e ignorei o acelerar do meu coração enquanto olhava aquele rosto esculpido pelos anjos e iluminado pela luz do sol.
- Está tudo mudando tão rápido. - Soltei, passando as mãos pelos cabelos e segura em dividir aquilo com ele já que estávamos passando pelo mesmo. - Será que estou fazendo a coisa certa? Ingressando no curso certo? Na universidade ideal?
A faculdade ainda era um grande ponto de interrogação para mim porque eu sempre desejei estudar em Cambridge, mas estar tão longe da minha família fazia com que houvesse hesitação. Principalmente sabendo que Emmett iria para Chicago e seríamos separados por um oceano.
Nós não éramos namorados, mas havíamos crescido juntos e o laço de amizade se tornava cada vez mais forte. No entanto, não conseguia evitar imaginar se aquela conexão era forte o bastante para aguentar a distância.
O garoto girou os nossos corpos e tocou o meu rosto entre suas mãos, acariciando a minha pele e olhando fundo nos meus olhos.
- Não tem problema errar. A vida é feita de erros e acertos. Ambos são feitos para o nosso aprendizado. - Emmett aproximou o rosto e depositou um beijo na minha testa, recostando a sua ali em seguida. - Nós estaremos aqui para te apoiar sempre.
- Eu sei. - Sussurrei, abraçando o seu pescoço e ficando na ponta dos pés para abraçá-lo com força. - Vou sentir a sua falta.
- Eu também vou sentir a sua falta. - Disse com todas as palavras, abraçando a minha cintura para si e enfiando o rosto nos meus cabelos. - Muito.
- Emm! Rose! Nós estamos indo! - Alice gritou ao longe e nós nos desvencilhamos rápido o bastante para levantar suspeitas.
Mesmo que não estivéssemos fazendo nada demais, foi difícil evitar o rubor e constrangimento ao receber olhares espertos dos nossos irmãos.
Naquela noite, quando todos foram dormir, eu decidi sentar na varanda e observar o céu escuro com poucas estrelas. Fiz uma trança enquanto pensava na possibilidade de assistir ao nascer do sol já que estava bem acordada.
Qual seria a chance de conseguir dormir? Nos últimos dias, não havia nenhuma.
- Rose? - Ouvi a voz tão conhecida e que sempre causava borboletas no meu estômago.
- Emm. - Soprei, observando enquanto ele sentava ao meu lado e nos cobria com o edredom.
Apesar de não fazer frio na Flórida naquela época do ano, as noites costumavam ser mais geladas.
- Achei que estaria com frio. - Comentou enquanto eu me ajeitava em seus braços, aceitando suas carícias no meu cabelos enquanto soltava a trança pouco a pouco.
- Achei que estaria dormindo. - Sussurrei, fechando os olhos e inspirando o seu cheiro.
Durante todos aqueles anos ao lado de Emmett, foi inevitável trocar alguns beijos. Nós nunca falávamos sobre aquilo, mas quase sempre estávamos aos beijos em festas que frequentávamos com os nossos amigos.
Claro que a suspeita de sermos um casal sempre era levantada entre eles e a possibilidade de estarmos com outras pessoas se tornava um pouco mais complicada, mas conseguíamos contornar o mal entendido com facilidade.
- No que está pensando? - Perguntou, beijando o alto da minha cabeça.
Olhei para ele e toquei o seu rosto, olhando fundo em seus olhos brilhantes e encantadores, seu nariz perfeitamente desenhado, suas maçãs do rosto bem marcadas, sua boca carnuda e convidativa.
Sem precisar responder e com vontade de sanar o meu desejo dele, aproximei os nossos lábios em um beijo lento e carinhoso. Emmett abraçou a minha cintura e eu tratei logo de montar em seu colo, enfiando os dedos nos seus fios de cabelo.
Sabia o que eu queria fazer, sabia que tinha pouco tempo ao lado dele e não desperdiçaria mais nenhum segundo.
- Rose, o que está fazendo? - Perguntou quando viu o meu vestido vermelho de alças largas e rodados na cintura voar para o chão, mantendo os olhos nos meus e com certeza ciente da minha falta de sutiã. - Alguém pode nos ver.
- Esse é o único problema que você encontra? - Questionei, selando os nossos lábios e mordendo o seu inferior. - Que alguém nos encontre?
- Sim. - Soprou, agarrando com força as minhas coxas. - Você sabe que eu te quero. Sempre quis.
- Então vamos fazer acontecer. Aqui e agora. Somos eu e você, e a única certeza que tenho agora: nós. - Sussurrei, voltando a beijar os seus lábios.
Nós não éramos mais virgens e essa informação era conhecida por ambos. Quando cada um contou sobre a sua experiência, um clima estranho pairou na nossa relação por um tempo e eu podia jurar que era ciúmes, mas não tirei nenhuma conclusão precipitada e dentro de algumas semanas nós voltamos a ser os bons amigos que sempre fomos.
Desabotoei a sua camisa enquanto o via se deliciar em meus seios, sugando e lambendo os meus mamilos. Deslizei as unhas pelo seu peitoral e cheguei até o botão da sua bermuda.
- Eu sou louco por você. - Rosnou, mordendo e lambendo cada pedaço de pele que encontrou antes de alcançar o meu pescoço.
Tirei o seu pau de dentro da cueca e passei a masturbá-lo, sentindo toda a sua gloriosa extensão dura e quente por mim. Eu queria senti-lo em minha boca, entre meus seios, mas estava ainda mais desesperada para tê-lo dentro de mim.
- Eu preciso de você. - Sussurrei e gemi baixo, me esfregando em suas pernas. - Camisinha?
- Na carteira. - Ofegou, erguendo o corpo para pegar a carteira no bolso traseiro, e empurrando a cueca e a bermuda para que caíssem aos seus pés. - Aqui.
Quando colocou a camisinha nas minhas mãos, tratou de cobrir os meus ombros com a coberta que havia trazido para nós enquanto eu o vestia.
- Você é linda. - Disse, tocando o meu rosto e beijando os meus lábios. - A mulher mais linda do mundo.
Eu só queria dizer as três palavras que sempre estiveram guardadas em meu peito, mas seria um erro e acabaria com aquele momento perfeito antes mesmo de começar.
Emmett me ajudou a desfazer da calcinha e eu o encaixei na entrada antes de, pouco a pouco, escorregar pelo seu mastro. Com ele todo dentro de mim, a sensação era de preenchimento como jamais havia sentido antes e eu aproveitei para eternizar aquilo na minha mente antes de iniciar os movimentos.
As mãos grandes e fortes de Emmett passeavam pelas minhas costas, apertavam a minha bunda e minhas coxas enquanto eu começava a cavalgar em seu pau.
Nossos gemidos eram contidos para que não acordássemos a casa toda e nossos beijos eram quentes para acompanhar o nosso ritmo. O garoto parecia hipnotizado enquanto eu tocava os meus cabelos e movimentava a minha cintura com destreza.
Quando os seus dedos encontraram o meu clítoris e seus lábios tomaram o meu seio esquerdo, eu senti que poderia desmanchar sobre ele a qualquer segundo. Não muito depois, atingi o meu ápice e fui seguida de perto por ele.
Ofegantes, suados, abraçados e completamente envolvidos, eu só desejava que aquele momento durasse para sempre.
Mesmo que o dia seja perfeito, sempre tem um fim.
2013
Eu queria que as coisas fossem como contos de fadas quando se tratava de Emmett e eu. Mas não eram.
Depois que eu fui para Cambridge, o nosso contato diminuiu drasticamente e, como era comum na nossa dinâmica, nós não tocamos no assunto transa-na-varanda-no-Natal quando nos falávamos.
O Natal de 2012 foi conturbado e eu não pude voltar para casa já que as coisas estavam complicadas nos primeiros meses da faculdade.
A verdade é que eu já não estava mais me sentindo mais parte daquela família e cometi o erro de concentrar minhas frustrações emocionais no único homem que tinha me dado o mínimo de atenção naquele novo continente.
No Natal de 2013, eu voltei para a Flórida com Laurent, o francês de pele negra e olhos penetrantes que fazia parte da minha rotina na Inglaterra, a tiracolo.
Eu só não contava que Emmett também estaria com uma loira escultural pendurada em seu pescoço. Irina tentava ser agradável, mas soava falso. Ou eu é quem estava tentando arrumar motivos para odiá-la quando só havia um único e verdadeiro motivo: ela estava com o único homem que já havia amado.
- Rose. - Laurent apareceu ao meu lado com duas taças de vinho e estendeu para mim, brindando em seguida. - À nós.
- É só Natal, Laurent. - Eu ri e bebi um gole do líquido, optando por virar quando notei Emmett se aproximando com a namorada.
- Olá, Rose. - Emmett cumprimentou, envolvendo a cintura da loira mal-humorada ao seu lado. - Não tínhamos nos cumprimentado ainda.
- Feliz Natal, Emmett. - Sorri e apontei para a pessoa ao meu lado, passando a mão pelos meus fios de cabelo com a mão livre. - Esse é Laurent, meu namorado.
- Francês? - Ergueu as sobrancelhas enquanto trocavam um aperto de mãos exagerado.
- Oui!* - Brincou e todos rimos, mas estava longe de serem risadas totalmente verdadeiras.
- Eu sou Irina. - A loira falou, ainda pendurada no pescoço de Emmett. - Namorada de Emmett de Chicago.
A colocação dela foi tão burra que eu poderia provocar perguntando se ele tinha uma namorada em cada Estado, mas decidi respirar fundo e ser educada.
- É um prazer. - Sorri para ela e entrelacei meu braço no de Laurent. - Se nos derem licença.
Antes que alguém pudesse dizer algo, caminhei rapidamente na direção da sala de estar para que pudéssemos relaxar enquanto esperávamos o jantar.
Mas aquela noite não foi nada relaxante.
Alice anunciou que iria se casar com Jasper, seu namorado há apenas três meses, e isso causou um rebuliço nos seus irmãos mais velhos. Aquilo resultou em choradeira e desconforto em toda a família.
Então, quando tudo parecia estar voltando ao normal e as relações estavam se estabilizando, Irina decidiu que seria um bom momento para insinuar que eu estava tentando seduzir o seu namorado com olhares e gestos.
Antes que eu pudesse pular no seu pescoço e ela sofresse represália de toda a família, Emmett a levou embora das nossas vidas para sempre.
Com o clima Natalino arruinado, eu e Laurent adiantamos nossas passagens para a Inglaterra e partimos na manhã seguinte.
Aquele Natal entrou para a lista dos mais desastrosos.
2016
A ceia havia corrido bem naquele ano.
Alice carregava o primeiro filho de Jasper, Bella e Edward iriam se casar, e Carlisle e Esme estavam planejando o segundo filho. Os avós estavam em polvorosa.
Eu e Emmett continuávamos solteiros e sem filhos.
A sua relação com Irina havia desencadeado inseguranças que impediram o homem de se relacionar com novas pessoas que nunca mais apareceu com uma namorada.
O meu relacionamento com Laurent também não deu certo. Eu gostava dele, o achava um bom homem, mas certamente não o merecia. Não tive coragem de segurá-lo por mais tempo e no Natal de 2014 eu estava sozinha novamente.
Quando voltei da Inglaterra com um diploma nas mãos e desempregada, me senti um lixo por retornar para debaixo do teto do meu pai. Mas não era como se eu tivesse muita opção e, de qualquer modo, havia sido acolhida com muito carinho. Emmett também voltou sem emprego de Chicago e foi recebido por tempo indeterminado na casa dos pais.
Eram tempos obscuros para nós naquela parte das nossas vidas. Eu não queria fazer conexão com algo ruim, mas era coincidência que estivéssemos no mesmo barco afundado do desemprego?
Estava constrangida por receber presentes, mas não dar mais do que alguns souvenirs diretamente da Inglaterra para aqueles que sempre foram a minha família.
- Nós deveríamos morar juntos. - Emmett disse, me assustando e sentando ao meu lado no telhado.
- Claro. Qual a chance de não morrermos de fome? - Brinquei, passando as mãos pelos cabelos.
- Eu adoro essa sua mania de mexer no cabelo. - Comentou e eu o olhei, sorrindo de lado e batendo o meu ombro no seu. - Como conseguiu subir aqui tão sorrateira? Eu achei que derrubaria a casa e tenho certeza que agora acham que um animal está transitando pelo telhado.
Não consegui evitar uma gargalhada e deitei no telhado, sendo acompanhada por ele. O céu estava limpo, com algumas estrelas e o tempo estava bom. Eu nem precisava dizer a respeito da companhia, certo? Emmett sempre seria a minha certeza.
- Ainda não estou enferrujada. - Dei de ombros e foi a vez dele rir.
O silêncio pairou sobre nós enquanto eu fechava os olhos, respirava fundo e os reabria, repetindo essa sequência para acalmar meus pensamentos e coração.
- O que foi? - Perguntou em um sussurro, tocando a minha mão e entrelaçando os nossos dedos.
- Será que seremos bem-sucedidos algum dia? - Soltei, sem pensar duas vezes e sabendo que ele poderia me entender.
- Ser bem-sucedida te faria feliz? - Quis saber com seriedade pintando o seu rosto e o seu polegar acariciando a minha mão.
- Seria o início. - Dei de ombros, fechando os olhos e sentindo o vento lamber o meu rosto. - Eu não sei. Acho que estou tão desesperada por um emprego que não pensei na felicidade.
Senti a sua mão grande e quente em meu rosto enquanto seu polegar fazia uma carícia gostosa na minha pele. Abri os olhos e encontrei o seu rosto bem próximo ao meu, mas focando apenas nos seus olhos sempre brilhantes e hipnóticos.
- Então acho que está na hora de ser feliz, Rose.
- Eu nem sei por onde começar. - Sussurrei, tocando a sua nuca com a mão livre e acariciando os cabelos ralos ali.
- Você sabe. É só procurar dentro da sua razão e do seu coração. Você vai achar a resposta. - Falou, beijando a minha testa e a ponta do meu nariz.
Antes que ele pudesse se afastar, estiquei o tronco e selei os nossos lábios. Não fazia ideia do quanto sentia falta dos seus lábios quentes e macios até estar beijando a sua boca.
Eu sentia todos os pelos do meu corpo eriçados por perceber que ele estava retribuindo. Emmett queria o meu beijo tanto quanto eu queria o seu mesmo depois de todo aquele tempo.
Algumas vozes soaram ao longe, chamando para que nos juntássemos aos outros, e nós rompemos o beijo. Nossos olhares se encontraram e eu sabia que o seu lindo sorriso estava refletido em meu rosto.
Talvez eu soubesse por onde começar.
2018
As coisas aconteceram naturalmente.
Eu e Emmett começamos a namorar oficialmente no ano novo. Não tínhamos porquê perder mais tempo. Aquele sentimento era real, sólido e estava guardado há tempo demais dentro do nosso peito.
Não foi surpresa para a nossa família nos ver juntos. Aparentemente, todos sabiam desde o princípio que havíamos sido feitos um para o outro, mas nunca quiseram interferir. Foi melhor assim.
Pouco tempo depois, eu consegui um emprego próximo da casa do meu pai enquanto Emmett demorou alguns meses para se colocar no mercado de trabalho.
Levou algum tempo para que estivéssemos estabilizados o suficiente para pensar em morar junto e o nosso primeiro apartamento mal cabia nós dois, que dirá toda a nossa grande família.
Mas isso não incomodou ninguém. Todos pareciam extremamente felizes pelas nossas conquistas e aquele apoio era uma das coisas mais importantes que poderia ser dada naquele momento.
Mas a convivência foi complicada e as brigas de casal chegaram com mais frequência do que poderíamos ter calculado. Apesar da nossa proximidade de anos, morar juntos trazia uma perspectiva completamente diferente.
E, por mais que Alice aconselhasse dizendo que aquilo era perfeitamente normal, não fazia ideia se era o seu lado amiga e irmã falando mais alto do que a razão.
Será que eu havia cometido um erro ao apostar no meu amor por Emmett tão rápido? Mas só a mínima dúvida fazia com que me sentisse culpada e eu logo percebia como estava sendo tola.
Eu poderia ter dez problemas, mas Emmett não era um deles.
A verdade é que o meu namorado era um ser humano normal, com defeitos e qualidades, e que, assim como eu, tinha que aprender todos os dias a lidar com uma pessoa diferente dele.
Mas, no Natal de 2018, nós havíamos encontrado um equilíbrio e estávamos muito bem, cada dia nos encontrando melhor dentro da nossa relação e não poderíamos estar mais felizes.
Tudo parecia perfeito, exceto por um Emmett mais estranho do que o normal naquela data comemorativa e fazendo com que os meus cabelos ficassem oleosos antes da noite acabar de tanto que minhas mãos tocavam os fios em nervosismo.
Não fazia ideia do que estava acontecendo e, por mais que eu perguntasse, só recebia respostas genéricas. Parecia que aquele homem ia vomitar a qualquer segundo e eu me perguntava o que poderia ter feito mal à alguém que comia meus bolos de terra na infância.
Tudo começou a fazer sentido quando Emmett se levantou ao fim do jantar de Natal e deu leves toques com o talher na sua taça para chamar a atenção de todos.
- Família, eu sei que a Ação de Graças já passou, mas quero agradecer primeiramente a Deus por nos permitir estar reunidos aqui hoje para mais um Natal abençoado. Também quero agradecer por ter mais uma vez passado esta data ao lado da pessoa que eu amo desde que me entendo por gente. - Ele se virou para mim e esticou a mão na minha direção. - Rosalie, meu amor, eu sou tão grato por finalmente estarmos juntos, por construirmos dia após dia uma história linda e espero que, em breve, uma família. - Houve uma pequena comoção com a sugestão do meu namorado e eu revirei os olhos, levantando quando toquei em sua mão estendida. - No entanto, nós precisamos fazer algo muito importante, que já foi realizado antes de brincadeirinha, mas agora podemos fazer com seriedade e amor. - Emmett se ajoelhou e eu prendi o ar, arregalando os olhos para o brilhante que estava estendido na minha direção. - Eu quero lhe fazer feliz, eu quero fazer você se sentir viva. Deixe-me lhe fazer feliz. Você aceita se casar comigo?
Se havia alguma comoção externa, não poderia dizer, porque estava emocionada demais aceitando o seu pedido, o seu anel e os seus beijos.
- Eu te amo. - Sussurrei contra os seus lábios.
- Eu te amo mais. - Garantiu com um enorme sorriso ao afastar o seu rosto minimamente do meu. - Para sempre.
- Para todo o sempre. - Assenti, beijando os seus lábios uma última vez antes de dividi-lo com a nossa família.
Aqueles que mais amávamos passaram a nos parabenizar por mais um passo importante na nossa relação e eu poderia colocar aquele Natal na lista dos mais felizes de toda a minha vida.
2020
Guardar um grande segredo de Emmett estava trazendo turbulências para a nossa relação.
No nosso primeiro ano de casados e com estabilidade financeira, começamos a planejar o nosso primeiro filho. É claro que houveram frustrações, mas nós não desanimamos ou deixamos que aquilo nos abalasse. Continuaríamos a tentar porque éramos bons naquilo.
No entanto, como Emmett havia conseguido uma promoção e estava atribulado demais no trabalho, passamos a nos concentrar menos no novo bebê. Então todos os possíveis sintomas e testes de gravidez foram deixados em segundo plano.
Foi então que senti os sintomas com grande intensidade e decidi que um teste de farmácia não seria o suficiente daquela vez, eu precisava do exame de sangue para ter certeza de qualquer que fosse a resposta que receberia.
Quando abri o envelope completamente sozinha dentro do carro e tive a certeza do que já suspeitava, percebi que aquilo precisava ser uma grande revelação. Com o Natal chegando, decidi colocar todas as minhas ideias em prática.
O alívio veio quando aquela data especial chegou e não ter mais que esconder esse segredo seria o meu maior presente. Mal podia esperar para partilhar daquilo com toda a família, principalmente com Emmett.
O meu marido e pai do nosso bebê precisava ser o primeiro.
No momento em que coloquei o seu presente embaixo da árvore de Natal passei a contar os minutos para a abertura dos presentes.
Para piorar a minha ansiedade, tínhamos a regra das crianças abrirem os presentes antes dos adultos. Parecia uma ideia tola naquele ano, mas eu sabia que entenderia quando tivesse o meu próprio filho.
Quando a vez dos adultos chegou, praticamente corri para a árvore e pesquei o pequeno embrulho que havia preparado para Emmett, entregando em suas mãos com um enorme sorriso.
Os outros adultos estavam dispersos em seus próprios filhos e presentes enquanto Emmett abria o pacote e revelava pequenos sapatos na cor amarela. Meus cabelos estavam sendo maltratados pelos meus dedos nervosos enquanto esperava por qualquer reação dele.
- Acho que não são do meu número, querida. - Brincou, enfiando os dedos nos sapatos e erguendo na altura dos seus olhos.
Um, dois, três segundos se passaram e então os seus olhos se arregalaram, o embrulho caiu entre nós e eu levei a sua mão à minha barriga.
- Feliz Natal, papai. - Soprei, ficando na ponta dos pés e selando os nossos lábios.
Emmett me puxou para um beijo e me abraçou para si com menos força do que aplicaria se eu não estivesse grávida. O seu cuidado desde já era comovente e fofo.
- Eu vou ser pai! - Ele gritou assim que descolou os nossos lábios, mantendo um braço envolvendo a minha cintura. - Nós vamos ser pais!
Logo a nossa família se tornou uma bagunça de bebê chorando pelo grito de felicidade do tio Emmett, crianças gritando pela casa de felicidade sem fazer ideia do que estava acontecendo e adultos realmente felizes por mais uma conquista em meio a abraços e felicitações.
Tudo o que eu havia vivido tinha sido desenhado e escrito para que chegasse exatamente aqui.
2021
Mary Christine McCarty, a desejada como seu nome enunciava, nasceu naquele ano muito saudável, risonha e angelical. Era o motivo de maior união e felicidade naquele momento em nossa grande família.
Kate era a exata mistura perfeita minha e de Emmett: os cabelos loiros claríssimos, os olhos azuis puxados para os violeta, simpatia e bom-humor contagiantes. Ou seja, a minha aparência e a personalidade do pai. Por mim, poderia ser completamente como o pai e eu continuaria mais do que satisfeita.
Nossa filha sempre seria perfeita e surreal para mim. Vê-la brincando com os primos - ou tentando já que era apenas um bebê de apenas quase seis meses -, rindo para os tios e avós ou dormindo dentro do carrinho como estava naquele momento sempre pareceria uma grande mentira.
Eu tinha mesmo feito aquilo?
- Nós sabemos fazer filho, certo? - Emmett perguntou, me abraçando por trás e beijando o meu pescoço.
Perdida em pensamentos, havia esquecido completamente de que estávamos no meio da grande comemoração de Natal da nossa família e a chegada de Emmett deixou que um pouco do barulho vindo do cômodo ao lado preenchesse o ambiente.
- Estava pensando nisso, apenas de um jeito mais egocêntrico. - O meu marido enfiou o rosto no meu pescoço para abafar a sua própria risada enquanto eu ria e passava os dedos entre meus fios de cabelo dourados.
- Eu amo tanto vocês. - Ele disse, girando o meu corpo para que eu ficasse de frente para si. - Amo para sempre.
- Nós também amamos você, papai. - Garanti, envolvendo o seu pescoço com os meus braços e roçando os nossos narizes. - Para todo o sempre.
Naquele Natal, o meu maior presente era a família que eu havia construído e que tanto amava.
N/A: *Oui = Sim
Ah, quem não ama uma história cheia de refrescos e com pouco drama? Porque eu confesso que sou fã haha Já basta a vida real para fazer a gente sofrer, não é mesmo? :s
Bela, espero que tenha gostado e que tenha atingido todas as suas expectativas. Mais uma vez: foi um prazer ter tirado você. A melhor amiga oculta que já existiu, sem dúvidas!
Me despeço desejando um Feliz Natal e um Próspero 2022 para você e para todos que se dispuseram a ler esta história!
