Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está a segunda parte, espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 25

O Aniversário de Severus

Parte 2

Desceu em direção ao Salão Principal e encontrou Regulus, sentado no sofá, perto da lareira. Seus olhos percorriam o fogo crepitante, distraído com seus pensamentos.

– Regulus? – Perguntou, não querendo assustá-lo. Viu como ele piscava os olhos e se virava lentamente para ele – Está tudo bem com você?

– Sim. – Respondeu ele. Parecia tenso, abatido – Estou bem.

Se levantou de um salto, e caminharam em direção à porta do retrato, Severus o observando, preocupado:

– Como foram suas aulas? – Perguntou Regulus, percebendo a preocupação de seu amigo. Seus pensamentos estavam fixos em seu irmão, Sirius. Nunca se tinha divertido tanto como no dia anterior. E queria voltar a se divertir. Mas ele e Sirius ainda tinham uma relação conturbada.

– Muito interessantes. – Respondeu Snape – Mc Gonagall iniciou com a gente o estudo da animagia.

– E como é?

– Pelo que li, é muito mais complexo do que imaginei…. – Começou Severus, lhe explicando o que tinha aprendido na aula. Regulus o olhava com olhos brilhantes, querendo saber mais. Entraram no Salão Principal e se dirigiram para mesa das serpentes, ambos absortos na conversa. Se sentaram e Regulus comentou, triste:

– Eu gostaria de ser um animargo.

– Eu também. – Disse Severus, pensativo. Tentou imaginar que animal seria: talvez um morcego. Todo o mundo lhe dizia que suas capas esvoaçavam atrás de si, parecendo um. Cada um se serviu com o que queria: o caçula se decidiu por um delicioso arroz de polvo e Snape por batatas fritas e peixe. Olhou para a mesa dos Gyffindors, vendo que nem os Marotos, nem Lily e Mc Kinnon tinham chegado. Voltou o olhar para a mesa, procurando por legumes. Estava pegando em brócolis, quando sentiu uns braços fortes rodeando seu corpo. Olhou para o lado, vendo o rosto sorridente de seu namorado:

– Oi! – Cumprimentou James, beijando sua bochecha.

– Oi! – Respondeu Severus – Como foram suas aulas?

– Normais. – Comentou o Gryffindor, indiferente – Tive DCAT e Encantamentos. Flitwick nos fez rever alguns dos feitiços que aprendemos antes das férias e Thompson nos deu uma aula teórica de feitiços defensivos. E você?

– Em Poções fizemos a poção envelhecedora. – Começou Severus - Foi muito calma, ninguém explodiu nenhum caldeirão, o que é bastante surpreendente.

Severus sabia que, em todas suas aulas, Slughorn perdia, pelo menos, dois caldeirões. Era um recorde que não tivesse explodido nenhum naquela aula da manhã. – E em Transfiguração começamos estudando Aninagua.

– Sério? – O espanto no rosto de James o surpreendeu, e ele ficou desconfiado de sua reação. Todo o mundo sabia que se estudava Animagia no sétimo ano – E como foi?

– Muito esclarecedora. – Respondeu o Slytherin, de cenho franzido. James olhou para a mesa e escutou o resto da conversa – Penso que teremos mais algumas aulas e, talvez, a Prª Mc Gonagall nos ensine a transformar-nos.

Embora não quisesse admitir, James estava receoso. Se Severus estudasse Animagia, rapidamente perceberia que ele, Sirius e Peter eram animagos. E rapidamente descobriria o porquê. Tinha de falar com Remus. Olhou para seu namorado e ia abrir a boca para lhe responder, quando Sirius apareceu a seu lado, silencioso como um fantasma. Ignorando o olhar desconfiado das serpentes exclamou alto, o assustando:

– Venha aí, veado! A gente vai ter treino daqui a uma hora e precisamos de fazer a pesquisa da Sprout! - James se ergueu, de rosto tenso, e rosnou para o amigo:

– É cervo, Padfoot! Cervo! – Sirius deu uma risada e se afastou.

– Porque Black te chama de "veado" e "Prongs"? - Perguntou Severus, visivelmente curioso. James olhou para os olhos cor de ônix e engoliu em seco, hesitante. Severus precisava de saber a verdade, não podia continuar ocultando que era um animago. Mas esse não era somente seu segredo, era dos Marotos. Mas também não podia esconder de Severus quem ele realmente era, não era bom para seu relacionamento. Respirou fundo, sabendo que seu namorado tentaria insistir.

– Eu depois te conto, tá? Tenho de ir almoçar, senão Sirius me mata. – Falou rapidamente, vendo seu amigo de pé, perto da mesa dos leões. Beijou sua testa de seguida, e sussurrou em seu ouvido – Você quer se encontrar comigo, logo à noite, para a gente passar um tempo sozinhos?

– Tá bom, a gente se vê depois. – Aceitou o Slytherin e viu seu namorado se afastando a passos largos. Observou Black gesticulando e James o respondendo do mesmo jeito. Abanou a cabeça, se perguntando mais uma vez o porquê de se ter apaixonado por Potter e, percebeu, espantado, que, sem ele, sua vida voltaria a ser fria e cinzenta. Continuou seu almoço, trocando algumas palavras com Regulus. Para sobremesa, escolheu uma fatia de tarte de abóbora. Aos poucos, os estudantes se levantavam e saiam do Salão Principal, uns para as aulas da tarde, outros para estudar na biblioteca, mas a maioria iria passear para os jardins do castelo ou para o Lago Negro. Quando terminou, olhou para o caçula dos Black, e perguntou:

– Que você vai fazer de tarde?

– Vou estudar para os NIEM´S com meus colegas de dormitório.

– Eles já te perdoaram pela perda de pontos? – Regulus hesitou, dando de ombros.

– Tenho conseguido recuperá-los, aos poucos, durante as aulas. – Olhou para o fundo do Salão e perguntou – Você quer ir ver em que lugar nossa casa se encontra?

– Tá bom. – Respondeu Snape e se levantaram. Se dirigiram para uma parede, onde se encontravam quatro ampulhetas de vidro com a cor principal de cada casa: os rubis eram para os leões, safiras para as águias, esmeraldas para as serpentes e diamantes amarelos para os texugos.

Perceberam, com alguma insatisfação que, em primeiro lugar, estavam os Gryffindors com 224 pontos. Os Ravenclaws se encontravam no terceiro lugar com 210 e os Hufflepuffs com 202 pontos.

– Faltam três pontos para ficarmos empatados com os Gryffindors. – Comentou Regulus, pensativo – Pensei que estivessemos mais afastados.

– Ainda falta muito tempo para terminarem as aulas. – Disse Severus – Ainda vamos a tempo de recuperar.

– Uns cinco meses... – A voz de Regulus quebrou, e Snape percebeu um lamprejo de receio no rosto de seu amigo. Faltavam cinco meses para acabarem as aulas, cinco meses para regressarem a casa de férias, mais cinco meses que Regulus ficaria longe de seus pais.

Tocou de leve no ombro de seu amigo, o tirando de seus pensamentos e se afastaram da parede. Saíram do Salão Principal, vendo Lily e Marlene subindo as escadas.

– A gente se encontra, como sempre, no Salão Comunal, à mesma hora? – Perguntou, sabendo que Regulus ficaria bem com seus colegas. Tinha de insistir com James, não podia deixar Regulus voltar para casa.

– Ok! – Respondeu Regulus, lhe dando um sorriso tenso, e se afastaram. O Slytherin exclamou, querendo chamar a atenção das meninas:

– Lily? Lily! – Elas olharam para trás, vendo ele subindo as escadas.

– Oi, Sev! – Cumprimentou a ruiva, sorridente, esperando que ele chegasse – Tudo bom?

Parando à frente delas viu, pelo canto do olho, Regulus entrando para o corredor.

– Tudo... – Respondeu. E perguntou, hesitante – Eu...estava pensando em estudar na biblioteca, fazer meus deveres e, gostaria de ter companhia. Vocês não se importariam de me acompanhar?

Elas se entreolharam e Marlene lamentou:

– Eu adoraria, mas não posso. Tenho treino de Quidditch. Talvez para uma próxima. – Severus acenou. Se tinha esquecido que Mc Kinnon fazia parte do time.

– Eu aceito. – Disse Lily, sem deixar de sorrir. Severus não pode deixar de sorrir de volta. – Vou só buscar meus materiais e nos encontramos à entrada da biblioteca.

– Tá bom. Até já.

– Até já. - Se afastaram, Snape se dirigindo para seu Salão Comunal. Entrou no corredor das masmorras, percebendo que as tochas estavam todas acesas e o local mais aquecido. Se dirigiu para o retrato e disse a senha, vendo ele se abrindo à sua frente. Cumprimentou alguns colegas, vendo Regulus sentado nas mesas redondas, estudando com dois colegas, e se dirigiu para seu dormitório. Pegou na mochila, pegando em pergaminhos novos, penas e os livros de Poções e Transfiguração, ansioso para estar na biblioteca.

OoOoO

Virou o corredor, vendo Lily o esperando na porta. Ao vê-lo, sorriu, e Severus sorriu de volta. Trocaram algumas palavras e a ruiva entrou primeiro, comentando entre eles onde se poderiam sentar. Se decidiram por uma mesa redonda, rodeada por duas estantes, e perto de uma enorme janela de vidro, onde se podia ver a neve caindo do lado de fora. Se sentaram, as cadeiras deslizando ruidosamente pelo chão de madeira, e escutaram o "chiu!" irritado de Madame Pince. Se olharam, mordendo os lábios para não rir da reação da velha bibliotecária, e pelo nervosismo de terem sido repreendidos. Se sentaram e tiraram os materiais, Severus decidiu começar pela redação de Transfiguração. Abriu o livro na página que queria, as folhas da professora ajudando como marcador. Pegou no frasco e o abriu, molhando a pena. Lily já tinha aberto seu livro de Herbologia e respondia às perguntas. Tinha uma prova na semana seguinte, mas gostava de estudar com antecedência. Severus começou escrevendo, a pena roçando de leve no pergaminho. Sorriu satisfeito, suas antigas penas eram extremamente ruidosas quando tocavam em pergaminhos.

De vez em quando se levantavam e procuravam os livros que necessitavam nas estantes, voltando ao lugar, tendo o cuidado de não fazer barulho. Trocavam ideias, se ajudando. Lia as passagens de alguns livros, sua amiga o aconselhava a utilizar as frases que mais chamavam à atenção.

Passaram o resto da tarde a terminar os deveres e arrumaram tudo. Comentaram o ocorrido na tarde do dia anterior, como tinha sido admirável verem Sirius e Regulus juntos, sem terem brigas. Tinha sido uma tarde maravilhosa, o time de Severus tinha vencido a batalha de bolas de neve. Era quase hora de jantar quando saíram da biblioteca, cansados, mas satisfeitos.

Cada um foi para seu Salão Comunal pousar seus materiais. Severus encontrou Regulus, como sempre, perto da lareira.

– Oi! – Cumprimentou Regulus – Vamos, estou esfomeado!

– Sério? – Perguntou Severus, com um sorriso no rosto ao ver a alegria de seu amigo – Que aconteceu?

– Nada, não. – Respondeu o caçula, se colocando a seu lado, e saíram pelo retrato – Estive estudando com dois colegas e depois fui passear com Lizbeth Bobbin.

– Lizbeth Bobbin? – Perguntou Severus, erguendo uma sobrancelha. Um leve rubor cobriu o rosto pálido de Regulus que comentou – Ela é só uma amiga. Você a conhece, sua família possui uma grande rede de farmácias no mundo bruxo.

– É uma garota baixa e rechochuda? – Perguntou Severus, se recordando da garota. Era muito inteligente e andava no mesmo ano que seu amigo. Parecia que Regulus estava apaixonado... – Sei quem é?

Viram Lily os esperando na porta. Se cumprimentaram e ela o convidou para a mesa dos Gryffindors. Regulus tentou recusar, mas Severus insistiu, fazendo com que ele cedesse. Regulus não gostava de se sentar com os leões, tinha receio que seus pais descobrissem e o castigassem. Na realidade, não se importava de sentar com nascidos muggles e mestiços. Gostava, até, de saber mais sobre esse mundo tão desconhecido para ele. Seu maior desejo era visitar a Londres Muggle, conhecer o tão aclamado Big Ben.

Conversando entre eles, entraram e se dirigiram para a mesa, onde já se encontravam os Marotos e Marlene. Os jogadores de Quidditch tinham seus cabelos molhados e os rostos ruborizados pelo treino, enquanto comiam desenfreadamente.

Remus estava sentando ao lado de seu namorado e ambos sorriam enquanto conversavam, uma de suas mãos acaricava a capa dura de seu livro de DCAT. Parecia que mais ninguém estava com eles.

Severus sabia que Lupin ia sempre assistir aos treinos e aos jogos de seu namorado, embora levasse sempre um livro para se distrair e se perguntou se James gostaria que ele também o fizesse. Prometendo a si mesmo que iria assistir ao próximo treino, se sentou ao lado de seu namorado, que lhe sorriu e cumprimentou:

– Oi!

– Oi! – Respondeu James, limpando a boca ao guardanapo e trocando um selinho - Pensei que se iria sentar com seus colegas.

– Lily nos convidou. – Explicou Severus, escolhendo seu jantar: começou primeiro por uma sopa de legumes, pensando em comer de seguida peixe frito com batata.

– E seus estudos?

– Eu e Lily nos divertimos imenso. – Comentou o Slytherin, satisfeito – Conseguimos terminar os deveres de casa e, ainda, rever um pouco de matéria para os NIEM´S.

– Pois... – Disse o Maroto, hesitante, como se duvidasse. Severus deu um sorriso de lado ao ver sua expressão.

– E seu treino?

James sorriu, e começou contando as manobras que tinham treinado durante toda a tarde. Snape escutou atentamente, ficando intrigado e fascinado ao mesmo tempo. Não entendia como uma pessoa poderia ficar viciada em um jogo. James vivia para o Quidditch.

Acabou sua sopa e começou seu prato de comida, vendo que sua amiga também escutava o relato de sua namorada. Comeu, seus pensamentos lhe recordando momentaneamente do que seu namorado lhe tinha mencionado na hora de almoço. "Será que James me irá fazer uma surpresa na Torre?" – Se perguntou, com o coração aos pulos. Deixou que seu namorado terminasse o "excitante" relato e escolheram uma sobremesa. Perguntou, enquanto brincava com sua mousse de manga:

– A gente vai de seguida para a Torre de Astronomia?

– Hum, hum... – Respondeu o Maroto, enquanto se deliciava com sua torta de abóbora.

– E que vamos fazer? – Continuou, antes de comer um pouco de sua sobremesa. James deu um sorriso atrevido, e respondeu:

– Surpresa. – Aos poucos, terminaram suas sobremesas, esperando que seus amigos os imitassem. Por fim, se levantarm, o Salão Principal estava quase vazio, e saíram. Se despediram, os Gryffindors sabendo da surpresa que James tinha preparado para seu namorado. Se separaram, cada um para seus destinos, Severus observando o Gryffindor com curiosidade. Já tinha percebido que o Maroto lhe tinha preparado uma surpresa, lhe iria dar seu presente, mas não desconfiava o que poderia ser. Passaram pelos retratos, que os ignoraram: alguns já estavam dormindo, outros estavam vazios. Tinham ido visitar seus amigos. O fervor de serem o "casal inusitado do ano" já estava perdendo força, mas muitos ainda não se tinham acostumado com a situação.

Subiram as escadas em caracol, Potter o abraçando pelos quadris. Entraram na torre e se aproximaram da varanda, vendo como as estrelas brilhavam no céu escuro como bréu. Se olharam nos olhos e James declarou, com voz rouca e sensual:

– Eu te amo, Sev. – Snape deixou escapar um pequeno sorriso, antes de responder:

– Eu também te amo, James. – Trocaram um selinho e se separaram. Viu seu namorado retirando um um saco de papel colorido de dentro do bolso das calças. Com a varinha, o Maroto aumentou o presente, enquanto Severus se perguntava o que poderia ser. – Tome, é para você. Espero que goste.

Pegou no saco, o abrindo, e retirou uma caixa azul. Suas mãos sentiram a suavidade do veludo e abriu a tampa, ficando momentaneamente paralisado pelo choque. Observou o medalhão oval, que tinha uma fina corrente banhada a prata. A letra "P"era floreada, de aspeto antiquado, e se sobressaia da delicada peça graças às pedras preciosas, que brilhavam sobre a luz da torre.

– É lindo... – Conseguiu balbuciar. Escutou o suspiro aliviado de James e o olhou – Mas não posso aceitar. É muito exorbitante.

Lhe estendeu a caixa, mas seu namorado se recusou a pegar nela, dizendo de seguida:

– Esse colar pertenceu à sua família durante várias gerações. Eu só decido devolvê-lo ao dono, nada mais.

– Mas, mesmo assim, deve ter custado uma fortuna! – Teimou o Slytherin, não queria que James gastasse tanto dinheiro com ele, não se sentia bem consigo próprio – Nem quero pensar na quantia que gastou.

– Não foi tanto assim. – Respondeu o Gryffindor, despreocupado. – Meu pai é cliente da loja onde o comprei e não tive de gastar nenhum galeão. O dono até ficou satisfeito por se ter livrado dele.

Vendo a hesitação de Snape, insistiu, o olhando nos olhos:

– Severus, por favor, aceite meu presente. Esse colar é seu por direito. Eu lhe ofereço com todo meu amor e carinho. Não o recuse.

O Slytherin voltou a atenção para o presente. Abriu a caixa, retirando o fino colar, sentindo sua frieza e o observou por vários momentos. Estava emocionado por, finalmente, ter uma relíquia de sua família, nem fotografias de seus avós tinha. Tudo o que sabia da familia Prince tinha sido por livros e por sua mãe, embora ela falasse raramente deles.

Abriu o fecho, o rodeando pelo pescoço, e James se posicionou rapidamente atrás dele, o ajudando a fechá-lo.

– Obrigado. – Agradeceu com sinceridade, suas mãos finas não deixando o colar de prata. O Maroto voltou para sua frente e lhe sorriu, antes de beijá-lo. Severus estremeceu ao sentir os lábios carnudos de seu namorado contra os seus, com suavidade e doçura. Deixou escapar um suspiro, ao mesmo tempo que suas mãos iam em direção aos cabelos rebeldes e aprofundava o beijo. As mãos de James estavam quase tocando em seus quadris, quando escutaram um "pop" alto. Severus se afastou de imediato, alerta, e viu atrás de si uma longa toalha vermelha e axadrezada, com um grande bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Ao lado se encontrava uma cesta de piquenique de palha.

– Que é isso? – Perguntou, se afastando de seu namorado, e se dirigindo cautelosamente para a toalha. Seu coração martelava em seu peito com o susto.

– O resto de seu presente. – Respondeu o Maroto, o acompanhando – Ou achava que iria só oferecer o colar?

– Bom, eu... – O Slytherin não sabia o que pensar. Desde seu sexto ano que não comia uma fatia de bolo de aniversário. Quando entraram em Hogwarts, Severus e Lily costumavam passar seus aniversários no Lago Negro, onde faziam um piquenique, preparado pelos elfos domésticos, e tinham sempre um pequeno bolo de morango, com cobertura de natas. Eram os momentos mais felizes de Severus. Em casa, seu pai nunca tinha festejado um aniversário seu. Sua mãe costumava fazer um pequeno bolo de iogurte, muito simples, e festejavam em seu quarto, tentando não fazer muito barulho. Tobias odiava ser acordado repentinamente quando estava bêbado. James pegou em sua mão e o levou para a toalha.

Se sentaram e ele pode ver duas velas brancas, com o número dezessete, em cima da cobertura. Emocionado, escutou James lhe cantando os parabéns e lhe cortando uma fatia do bolo. Nunca pensou que, um dia, ele e James Potter, o garoto mais popular da escola, estivessem juntos, comemorando seu aniversário.

– Obrigado. – Agradeceu, pegando na faca que seu namorado tinha na mão e cortou outra fatia, ao mesmo tempo que o Gryffindor retirava do cesto guardanapos, uma garrafa de champanhe - estava curioso para saber onde ele a tinha arranjado – e dois copos flûtes cônicos, de cristal. Brindaram, trocando carícias e palavras de amor. Comeram o bolo, Severus sentindo em sua boca a massa fofa e úmida. Sentiu em sua boca a massa recheada e soltou um gemido, deliciado com o sabor. James sorriu, enquanto perguntava:

– Gostou?

– Adorei! - Respondeu o Slytherin, emocionado - Nem tenho palavras para lhe agradecer, James. Pensei que você se tivesse esquecido de meu aniversário...

–Estou muito feliz que tenha gostado. – Falou James, se apercebendo que seu namorado nunca tivera aniversários felizes. Viu como ele parecia uma criança ao comer a fatia de bolo, sua felicidade era estonteante. Terminaram de comer suas fatias e Severus suspirou, encostando sua cabeça no ombro de seu namorado, enquanto observavam as estrelas...

OoOoO

– Porque Black te chama de "veado"? – Perguntou Severus, repentinamente, se recordando das palavras de Black naquela manhã. James, que estava lançando encantamentos silenciadores e de privacidade, voltou seu rosto na direção de seu namorado, que o olhava com curiosidade.

– Eu... – Começou, se sentindo inesperadamente nervoso. Ele queria contar a verdade, mas tinha receio da reação de Snape. Ele e Remus já tinham discutido várias vezes esse assunto, não era bom para Severus não saber a verdade, ele tinha esse direito.

– É complicado. – Respondeu, não sabendo como abordar o tema – Não é um segredo somente meu.

– Tem a ver com com o fato de Lupin ser um lobisomem? – Perguntou Severus, sério, e viu como o corpo de seu namorado ficava tenso. James o olhou nos olhos e perguntou, urgente:

– Como você sabe?

– Eu sempre desconfiei das "visitas" de Lupin à sua mãe doente. – Explicou – Como elas calhavam sempre em semanas de lua cheia e como ele aparecia mais fraco e cansado quando regressava. E as cicatrizes que ele tem no rosto não são feitas por magia, mas por garras.

– Severus, eu...eu não lhe podia contar mais cedo. – Se justificou – Não era meu segredo. Por favor, não conte a ninguém.

–Nunca cheguei a fazê-lo. – Admitiu Snape, tocando em seu rosto – E não o farei agora. Mas isso não explica o porque de Black lhe chamar esse nome.

– Já lhe vou mostar. – James se ergueu e começou retirando sua capa do uniforme sob o olhar chocado de seu namorado. – Calma, não me vou despir, não totalmente.

Tirando a parte de cima, revelando seus músculos firmes, e ficando somente de calças, o Maroto respirou fundo e começou sua transformação.

Severus deixou escapar um grito de surpresa ao ver umas hastes crescendo na cabeça de seu namorado. Aos poucos, viu como ele se transformava em um belo e forte cervo. Dois grandes olhos, castanhos e pestanudos, o observavam com cautela.

– Merlin... - Balbuciou o Slytherin, observando cada movimento do animal à sua frente. Não tinha palavras para descrever o quão maravilhoso era James. Hesitante, ergueu uma mão, esperando que seu namorado se aproximasse. O cervo assim o fez, com passos lentos se colocou à sua frente, seu focinho tocando na palma de suas mãos. Seus olhares se cruzaram, eternizando aquele momento na mente de Severus, para sempre.

Continua…

Nota da Autora: Oi! Espero que tenham gostado dessa segunda parte. Finalmente James revelou a Severus que é um animago. Gostaram da pequena festa que Severus teve? Tentarei postar a ultima parte em breve, e tenho de dizer que terá lemon! Por favor, me digam o que acharam. Estou ansiosa por vossas opiniões. Bjs :D