Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capitulo, espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 27

Uma Visita Inesperada

Severus abriu seus olhos e se remexeu na cama, soltando um gemido baixo de dor, se recordando da noite anterior. Tinha regressado, acompanhado por James, até seu Salão Comunal, onde tinham trocado um longo beijo. Tinha entrado e se tinha dirigido para seu dormitório. Não fazendo barulho, tinha tirado o uniforme e se tinha deitado de cueca, adormecendo profundamente. As cortinas de sua cama estavam ligeiramente abertas, vendo as sombras de seus colegas caminhando de um lado para o outro, se vestindo enquanto conversavam entre eles.

Tirou um roupão, já gasto, de dentro do malão e o vestiu rapidamente, enquanto escutava seus colegas saindo do dormitório. Pegou em seus pertences, querendo tomar um banho. Afastou as cortinas e cumprimentou Crabble e Goyle, antes de entrar no banheiro. Se olhou no espelho, vendo como seus olhos brilhavam misteriosamente. Deu um pequeno sorriso ao ver o colar em seu pescoço. Finalmente tinha algo de sua família, o que sempre tinha desejado. Suspirou, sua mente pensando no que iria fazer naquela manhã livre. Sua ideia era ir a Gringotts falar com o responsável e fazer a prova de sangue. Mas, primeiro, tinha de pedir autorização ao diretor para sair de Hogwarts. Pousou tudo em cima da tampa da sanita antes de ligar a água. Esperou que aquecesse antes de entrar. Depois da noite retrasada, necessitava urgentemente de um banho. Fechou a torneira e pegou em seu shampoo e uma bucha. Tirou a roupa e se sentou na água, soltando um gemido, incomodado com a dor.

Encostou a cabeça ao mármore e relaxou, se recordando da noite anterior. As palavras de seu namorado ecoavam em sua mente. Se conseguisse passar na prova de sangue, teria toda a fortuna Prince em suas mãos e tiraria sua mãe das mãos tiranas de Tobias. Seu coração bateu mais rápido com esse pensamento. Mas não queria ter falsas esperanças. E se não conseguisse passar? Afinal, seu sangue não era puro…

Decidiu se ensaboar, tirar essas ideias da cabeça. Quando terminou, todas as dores e desconfortos que tinham sentido, desapareceram como mágica. Tirou a tampa do ralo, vendo a espuma descendo, enquanto se lavava. Por fim, desligou a água e pegou na toalha. Se limpou, antes de se enrolar nela, e saiu do banheiro. Lavou os dentes e penteou os cabelos, afastando os fios negros da frente do rosto.

Vestiu seu uniforme, se sentindo outra pessoa e arrumou seus pertences. Se dirigiu ao malão, guardou sua bolsa e buscou sua nova capa de viagem, um cachecol, gorro e luvas. Saiu do dormitório, vendo as portas dos restantes dormitórios abertas e passou pelo Salão Comunal, vendo Regulus conversando com Lizbeth Bobbins. Estavam ambos de pé, junto à chaminé e pareciam muito entretidos.

Decidiu não incomodá-los e saiu pelo retrato, os deixando a sós. Andou pelos corredores das masmorras, vestindo a capa e o cachecol e guardando o resto no bolso. Viu o Barão saindo de uma sala vazia e se cumprimentaram. Estava entrando no hall do castelo quando viu seu namorado o esperando. James olhou em sua direção e sorriu.

– Bom dia, Sev. – Cumprimentou James, enquanto seu braço envolvia dos quadris do Slytherin – Dormiu bem?

– Bom dia, James. – Respondeu Snape, parando no meio do Salão principal e olhando para a mesa dos professores. Estavam todos, exceto Slughorn, como era habitual.

– Algum problema, Sev? – Perguntou James, vendo seu rosto franzido. Snape se virou, olhando para os olhos de seu companheiro, que o olhavam com preocupação.

– Nada. – Respondeu, distraído – Só estava procurando por Dumbledore.

– Porquê? – A curiosidade em sua voz era evidente.

– Estou pensando em ir a Gringotts. – Confessou o Slytherin – Tratar daquele assunto.

– Oh! – Exclamou seu namorado – Mas você acha de Dumbledore vai aceitar eu pedido? Quer dizer, todo o mundo anda alerta com Voldemort e seus seguidores. Só se você for com algum acompanhante.

Snape revirou os olhos e comentou:

– Você não vai faltar às suas aulas só para me acompanhar. Dumbledore nem permitiria!

– Droga… - Resmungou o Gryffindor e cada um foi para sua mesa, com muita insistência de Snape. Se sentou e se serviu de uma pilha de panquecas recheadas com mel e café negro. Saboreou seu café da manhã, vendo mais colegas entrando e se sentando em seus respetivos lugares. Regulus e Lizbeth entraram e se dirigiram para a beira de Snape. O caçula foi o primeiro a se sentar e comentou:

– Não vi você saindo do Salão Comunal.

– Também, você estava com uma companhia muito interessante. – Respondeu Severus, ironicamente – Porque haveria de andar à minha procura?

– Que engraçado que você é, Severus… - Resmungou Regulus e Lizbeth comentou, séria, olhando para a mesa dos professores:

– Meninos, o diretor está olhando para aqui.

Os dois garotos se viraram, vendo que ela tinha razão. Dumbledore os observava por cima dos óclinhos de meia lua, enquanto afagava com uma mão, uma coruja de penas castanho-claras e manchas escuras na parte de trás da cabeça e das costas.

– É Eleazar, a coruja de James. – Comentou para seus colegas – Mas, que estará fazendo com o diretor?

– Talvez o pai de Potter lhe tenha enviado alguma correspondência. - Comentou Lizbeth – Afinal, ele é Chefe dos Aurors.

– Talvez seja isso. – Disse Severus, não deixando os olhos dos do diretor. Eleazar bateu asas e voou em direção ao dono, que o afagou e lhe deu umas fatias de bacon. Slughorn entrou a passos apressados em direção à mesa dos professores e sussurrou no ouvido do diretor, que acenava em compreensão. Severus olhava, desconfiado, toda essa interação. Os olhos azuis se afastaram dos seus, focando em seu colega de trabalho e Snape decidiu continuar seu café da manhã, se perguntando o porquê de toda essa agitação. Um bando de corujas entrou de repente pelas janelas, sobrevoando as mesas até verem seus donos e deixarem cair as cartas e pacotes no colo deles.

Severus viu seus colegas recebendo suas correspondências. E, como sempre, não tinha cartas de ninguém. Suspirou, vendo Regulus lendo o "Profeta Diário" e Lizbeth uma carta de seus pais.

– Alguma novidade? – Perguntou, enquanto terminava a ultima panqueca do prato.

– Houve mais um ataque aos Muggles. – Comentou Regulus, enquanto lia a primeira página – Foi em um shopping de Newcastle. Demoliram metade do edifício, matando centenas de pessoas. Os Muggles consideram que foi culpa dos arquitetos, que não desenharam bem o edifício. Parece que vai haver um processo em tribunal.

Lizbeth bufou, antes de comentar em voz baixa. O que ela iria dizer poderia prejudicar, e muito, sua família:

É tão horrível essa guerra. Matando todas essas pessoas inocentes…Principalmente contra os Muggles. – Regulus apertou sua mão carinhosamente, olhando por cima do ombro da garota, para ver se alguém tinha escutado, mas parecia que não.

– O Lord das Trevas gosta de recordar que ninguém está a salvo. – Comentou Regulus, enquanto fechava o jornal e o atirava para cima da mesa – Só estou curioso de uma coisa…

– Do quê? – Perguntou Snape, enquanto limpava a boca ao guardanapo.

– Porque é que não tem havido ataques ao nosso mundo? – Questionou Black – Há meses que os Comensais da Morte não nos atacam.

– Talvez estejam preparando algo em grande. – Comentou Severus – Vocês…

– Sr. Snape? – Foi interrompido pela voz agradável do diretor. Severus se virou, vedo Dumbledore parado ao lado de Lizbeth. A garota o olhou de alto a baixo, levemente assustada com sua repentina aparição.

– Sim, diretor? – Perguntou, se levantando.

– Gostaria que senhor me acompanhasse ao meu escritório.

– Sim, senhor. – Respondeu ele, deixando o diretor passá-lo à frente. Deitou um olhar confuso a seus colegas, que abanaram os ombros, impotentes. Saíram do Salão Principal e viram James o esperando à porta. Antes que Severus pudesse abrir a boca, o Gryffindor o beijou no rosto e gritou, antes de entrar nas masmorras:

– Boa sorte, Sev. – O Slytherin ficou especado no meio do hall, confuso. Não conseguia perceber o que estava acontecendo, e não estava gostando nada. Escutou a risada abafada de Dumbledore e seu pedido:

– Venha, Sr. Snape. – Subiram as escadas, vendo os estudantes se dirigindo para suas aulas. Os retratos conversavam entre eles, comentando entre eles em voz baixa, enquanto olhavam para Severus. Se dirigiram para o terceiro andar e pararam em frente à estátua da gárgula e disse a senha:

– Docinho de abóbora. - A gárgula deu um passo para o lado em resposta, revelando uma escada circular. Subiram as escadas em caracol até verem uma porta dupla de madeira. Severus costumava "visitar" o diretor depois de suas discussões com os Marotos. Costumava observar os muitos objetos de prata de formas intrincadas sobre mesas de pernas finas. O Chapéu Seletor, colocado sobre uma estante, escutava todas as conversas, para preparar sua nova canção. Fawkes, em um poleiro, costumava pousar no ombro do diretor, enquanto os observava com seus olhos penetrantes.

O diretor abriu a porta, revelando uma grande sala circular com muitas janelas e muitos retratos de diretores e diretoras anteriores.

– Faça favor. – Convidou, e o Slytherin entrou com passos cautelosos. O que ele viu, o espantou profundamente. À sua frente, de postura altiva e trajando o caraterístico uniforme azul escuro, se encontrava Fleamont Potter, o pai de James. Os profundos olhos avelã, tão parecidos com o do filho, observavam o garoto que seria, um dia, seu genro.

A seu lado, a mulher baixa e de rosto sofrido, sussurrou:

– Meu filho…

– Mãe… - Balbuciou o Slytherin, correndo até sua mãe e a abraçando com força. Sentiu os braços magros o puxando até ela, enquanto acariciava seus cabelos. As lágrimas escaparam de seus olhos sem que pudesse evitar e sentiu o corpo magro tremendo contra o seu. Ficaram abraçados durante muito tempo, chorando pelas saudades que sentiram um pelo outro. Fleamont se dirigiu para Dumbledore e trocaram algumas palavras. Fawkes, que observava a interação mãe-filho, abriu o bico e cantou uma triste melodia. Eilleen e Severus se afastaram e o Slytherin afagou carinhosamente o rosto de sua mãe, lhe limpando as lágrimas que escapavam dos olhos cor de ónix, tão iguais aos seus. A Srª Snape agarrou nas mãos do filho e as beijou, antes de perguntar:

– Você está bem, meu amor?

– Sim, mãe. – Respondeu, observando a túnica azul turquesa, fabricada com o tecido mais fino encontrado – Que a senhora está fazendo aqui? Se Tobias…

– Tobias Snape não vai fazer mais nada com você e sua mãe. – Interrompeu o Chefe dois Aurors com firmeza – Nunca mais.

– Sentem-se, por favor. – Convidou o diretor, enquanto se sentava em sua cadeira. Fawkes levantou voo de seu poleiro e pousou suavemente no ombro de Dumbledore. Fleamont, no entanto, ficou ao lado de Eilleen, observando o rosto confuso do adolescente.

– O que o senhor quer dizer com isso? – Perguntou Snape, intrigado, observando as pessoas à sua frente. Sua mãe lhe apertou as mãos, em um gesto reconfortante, ao mesmo tempo que o Auror continuava:

– Eu e uma equipe de Aurors decidimos à casa de seus pais, juntamente com a polícia e, tal como James tinha escrito em sua carta, a casa estava mesmo sendo usada como um prostibulo. Devido à ilegalidade da situação, prendemos seu pai e selámos a casa. Questionámo-lo sob veritasserum e, enquanto sua mãe veio morar para minha casa, seu pai foi à Suprema Corte dos Bruxos para ser julgado, e foi enviado para Azkaban.

– Az-Azkaban? – Perguntou Severus, chocado – Mas…mas ele é um Muggle!

– Um Muggle que maltratou seus familiares mágicos, não se esqueça, Sr. Snape. – Disse Fleamont, com firmeza – O que é punível por lei em nosso mundo.

– Mas, que irá acontecer agora? – O receio na voz do Slytherin era percebido por todos.

– A gente vai até Gringotts e tratar do assunto. – Respondeu sua mãe, com voz tranquilizadora.

– E se…e se não abrir? – Perguntou o que mais temia. Se o cofre não abria, onde eles iriam morar?

– Não haverá problema se tal acontecer. – Falou Fleamont – Sua mãe continuará em minha casa até encontrar um emprego e um lugar para vocês os dois. Não ficarão desamparados.

– Obrigado, senhor. – Respondeu Severus, voltando a abraçar sua mãe. Era indescritível a sensação de se sentir acarinhado novamente pela primeira pessoa que o amou incondicionalmente durante toda a vida, e não queria que essa sensação se fosse embora, nunca mais.

Continua…

Nota da Autora: Oi! Espero que tenham gostado do capítulo! Obrigada a todos que me apoiaram com vossas mensagens. E, se quiserem saber, aprovei no curso! Agora estou pronta para encontrar um emprego.

Mas, em relação à fanfic: Que acharam da interação entre Eilleen e o filho? E sobre Fleamont? E, mais importante de tudo, que acharam da situação de Tobias? Espero ansiosa vossos comentários! Bjs :D