Notas da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo, espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 37

Almoço na Mansão Potter

Parte 1

O fim de semana chegou rapidamente para alívio de todos. Tinham sido dias, e noites, complicadas para todo o mundo. Desde o ataque que tinha ocorrido em Hogsmeade, todas as visitas à vila tinham sido suspensas, as proteções do castelo tinham sido reforçadas e ninguém podia sair da escola. As correspondências trazidas eram analisadas pormenorizadamente, os professores tinham receio de que alguma delas pudesse trazer alguma maldição.

Os jornais continuavam reportando o que estava acontecendo, como as lojas e casas estavam sendo reconstruídas aos poucos, que existiam novas proteções na vida para prevenir futuros ataques e tinha sido implementado o recolher obrigatório. Depois das nove da noite, ninguém podia estar na rua, e os Aurors faziam patrulhas durante todo o dia e toda a noite.

Em Hogwarts, os estudantes não tinham um momento de sossego. Desde que acordavam até que se deitavam, estavam constantemente sendo vigiados, o que era horrivelmente desconfortável. Entendiam que era para a própria segurança, mas detestavam estar sempre sendo observados por seus professores. Os casais nem podiam ir para um lugar mais escondido para namorarem, que eram logo apanhados por professores e funcionários.

Os retratos faziam rondas em todo o castelo, contando absolutamente tudo o que estava acontecendo ao diretor. Os professores mal tinham tempo para preparar suas aulas, e muito menos para dormir. A enfermaria estava lotada de professores e alunos pedindo poções de sono sem sonhos e muitas mais para conseguirem aguentar o resto da semana. Madame Pomfrey tivera de alargar a enfermaria para que todos coubessem e que os pudesse atender sem desconfortos.

Severus abriu os olhos naquela sossegada manhã, escutando as conversas baixas. Piscou seus olhos, tentando habitua-los à claridade que provinha do quarto.

– Que horas são? – Escutou uma voz sonolenta perguntando.

– Onze. – Respondeu outra voz, em tom baixo. Se ergueu, puxando os lençóis para trás e se espreguiçou, se recordando que teria um almoço com os Potters. Se levantou e pegou em seus produtos de higiene e em uma roupa elegante para o almoço. Afinal, iria conhecer sua futura sogra. Também iria rever sua mãe. Esse pensamento fê-lo sorrir. Depois de tanto tempo longe dela, queria aproveitar o máximo de tempo possível. Entrou no banheiro e pousou sua bolsa, lavando os dentes. De seguida, encheu a banheira de água e espuma e entrou, relaxando um pouco antes de se banhar.

Lavou vigorosamente o cabelo, para que tivesse um melhor aspeto, embora soubesse que, quando aquele acabasse, teria de comprar um próprio para seu cabelo. Continuou se ensaboando, e voltou a se banhar. Saiu da banheira e se limpou, vestindo de seguida sua roupa interior, umas calças negras, uma camisa branca e um casaco. Voltando a pegar na bolsa, saiu do dormitório, vendo alguns colegas ainda dormindo. Guardou a bolsa dentro do malão, tirou sua capa de viagem, e saiu do dormitório. Enquanto se vestia, avançou pelo corredor, vendo que a maioria de seus colegas já tinha acordado e entrou no Salão Comunal. Regulus estava sentado no sofá em frente à lareira, com uma pose cabisbaixa e estava acompanhado por Persephone, que tagarelava irritantemente.

– Eles já estão ali há minutos. – Comentou uma voz feminina e Severus se virou, vendo Lizbeth parada na entrada do dormitório feminino.

– Bom dia, Lizbeth. – Cumprimentou, se dirigindo para a garota. Ela lhe deu um sorriso forçado, e respondeu:

– Bom dia, Severus. – Suspirou de seguida, enquanto olhava Persephone beijando Regulus. Ele olhou a tempo de ver o rosto impassível de seu amigo e seus lábios imóveis.

– Venha, Regulus. – Escutaram ela ordenando, enquanto o puxava pelo braço. Viram como ele se erguia molemente do sofá, seguindo seus passos. Regulus olhou para eles e seus olhos brilharam, antes de se apagarem novamente e sair pelo retrato. Lizbeth sufocou um soluço e Snape pousou uma mão em seu ombro, para a tranquilizar.

– Vai correr tudo bem. – Falou, calmamente. Lizbeth limpou uma lágrima com a manga do uniforme – A gente vai conversar com o pai de James e ele vai resolver tudo, não se preocupe.

– É que me custa tanto ver Regulus desse jeito. – Comentou sua colega, preocupada – Apático, sem reação a nada, nem a ninguém. Eu nem consigo conversar com ele.

– Eu também não. – Admitiu Severus. Nos últimos dias, Regulus não tinha conversado com ninguém porque Persephone não permitia. Ela queria a atenção dele só para ela. Sentia falta das conversas com seu amigo, mas estava – tal como todos os garotos – farto de escutar seus gritos histéricos, dizendo que Regulus era só dela, e de mais ninguém. Mas ninguém tinha coragem para conversar com Slughorn, pois sabiam que tinham sido os pais dele a permitir toda essa situação.

– Você sabe que Regulus lhe chamou aquele nome só para que Persephone e suas amigas não a incomodassem, certo?

– Sei, sim. – Respondeu Lizbeth, se encaminhando para o retrato, sendo seguida por Snape. Era a primeira vez que falavam daquele assunto. Durante o resto da semana mal tinham tido tempo para trocar mais de duas palavras. A maior parte do tempo passavam em aulas, e só se viam no Salão Comunal e no Salão Principal. E Severus sabia que ela não iria conversar com ele sobre Regulus com seus colegas Gryffindors escutando.

– Mas me machucou por demais. – Admitiu Lizbeth, tristemente – Nunca pensei que ele me insultasse. - Respirou fundo – E o que mais me custa é que não posso nem trocar uma palavra com ele, sem ser xingada por Fawley e suas amigas.

Caminharam pelo corredor, continuando a conversar.

– E como você está?

– Bem, obrigada. – Respondeu ela – E você. Habituado a seu novo estatuto?

– Estou me habituando. – Comentou Severus, sabendo que, se não estivesse em um relacionamento sério com James, estaria sendo perseguido por suas colegas e contratos de casamento. Mas, tirando o fato de o terem felicitado, nada mais tinha acontecido. – Ainda é tudo novo para mim.

– Compreendo. – Disse Lizbeth – Ainda vai ter de ser reeducado pelas regras de etiqueta dos puro sangue.

Severus revirou os olhos, e comentou:

– Nem me fale. – Pelo que tinha escutado de seus colegas, era um suplício que ninguém gostava de passar. Desde o modo de se comportar à mesa, como receber convidados, organizar festas, como se comportar em público, entre outras coisas. Tudo tinha regras que precisavam de ser cumpridas à risca.

– "Lizbeth, não pouse os braços na mesa!" – Começou ela, com voz fina e irritante. Severus percebeu que ela estava falando um pouco das regras que tinha aprendido – "Lizbeth, aja como uma senhorita!". Olhe seu vestido, tem de estar perfeita para os convidados". "Lizbeth, está muito pálida! Ponha um pouco de pó no rosto!". "Lizbeth, sorria! Ninguém quer estar perto de uma garota carrancuda!"

– Que Merlin me ajude! – Implorou ele, vendo sua amiga continuando a proferir as ordens que tinha escutado durante toda sua infância. Lizbeth soltou uma risada, e continuou:

– Terá de ler todos os livros de etiqueta. – Severus a olhou, horrorizado com a ideia. Ele adorava ler, mas livros de etiqueta!? Nem conseguia pensar nisso. – E revelar o "príncipe" que há em você.

– Mas eu sou um Prince. – Disse ele, olhando para sua amiga com inocência. Lizbeth soltou uma risada, enquanto entravam no hall do castelo. Fleamont já estava esperando por eles, acompanhado pelo diretor que, ao vê-los, cumprimentou:

– Bom dia, crianças. – Os dois Slytherins evitaram uma careta. Detestavam ser chamados de crianças. Eram quase adultos, por Merlin! – Dormiram bem?

– Sim, senhor. – Responderam eles, polidamente.

– Eu já ia chamar você, Severus. – Continuou Dumbledore – Só estava tratando de uns assuntos com o Auror Potter.

– Claro, senhor.

– Espero que tenha um bom almoço, e que se divirta. – Os olhos azuis brilhavam por cima dos óclinhos de meia lua.

– Obrigado, senhor. – Agradeceu o Slytherin, também desejando que fosse um ótimo almoço. Fleamont, que observava Lizbeth com curiosidade, perguntou:

– Poderia me apresentar a senhorita que o acompanha, Sr. Snape? – Lizbeth enrubesceu ligeiramente pelo olhar atento do Auror – Penso que a conheço de algum lugar.

– Com certeza, senhor. - Começou o Slytherin – Sr. Potter, é a Srta. Lizbeth Bobbin. Lizbeth, é o Sr. Fleamont Potter, pai de James.

– Seus pais não possuem uma rede de farmácias?

– Sim, senhor. – Respondeu ela, timidamente – É a maior do nosso mundo.

– Já me encontrei com seus pais algumas vezes. – Revelou ele – Muito prazer em conhecê-la.

Trocaram um aperto de mãos.

– Igualmente, senhor.

– Pai! – Escutaram a voz de James e o viram descendo as escadas, acompanhado pelas meninas e por Sirius e Remus. Todos usavam longas capas de viagem.

Pai e filho trocaram um abraço apertado e Severus se sentiu momentaneamente invejoso de não ter tido um pai tão amoroso como Fleamont. Se separaram ao mesmo tempo e Potter cumprimentou com um aperto de mãos Sirius e Remus, que viam nele uma segunda figura paterna, e trocou dois beijinhos com Lily e Marlene. Pelas cartas que seu filho enviava, parecia que as conhecia há muito tempo.

Sirius olhou rapidamente para o Salão Principal, vendo a figura abatida de seu irmão, e perguntou:

– E Regulus, como está? – Conseguindo escutar o tom preocupado, Lizbeth respondeu rapidamente:

– Na mesma. – Deixou escapar um suspiro, triste com a situação – Fawley não o deixa conversar com ninguém.

Dumbledore e Fleamont trocaram um olhar, preocupado, antes do diretor, perguntar:

– Vocês poderiam nos explicar o que está acontecendo?

– É que… – Começou Severus, sem saber como continuar. Trocou um olhar aflito com seus amigos e Sirius explicou:

– Parece que meus pais – salientou a palavra com desprezo – decidiram realizar um contrato de casamento com os Fawley sem informarem Regulus. E meu irmão já estava namorando quando soube.

Fleamont, que tinha conhecimento do que tinha acontecido às anteriores pretendentes dos jovens Blacks, franziu o sobrolho, tentando se recordar de algum rumor sobre algum contrato de casamento, mas nada lhe vinha à mente. Parecia que tudo estava sendo feito com o total sigilo. Talvez porque Orion e Walburga não quisessem que o Wizengamot descobrisse.

– E com quem é que Regulus estava namorando? – Perguntou, curioso.

– Comigo, senhor. – Respondeu Lizbeth – A gente tinha iniciado nosso relacionamento nesse mesmo dia, quando soubemos do contrato.

– E ela lhe deu uma prova de que estava dizendo a verdade? – Fleamont olhava atentamente para os adolescentes – Lhe mostrou alguma cópia do contrato ou alguma carta?

– Lizbeth mostrou, uma vez, para todo o mundo a cópia do contrato e a carta de seus pais no Salão Comunal – Começou Severus – Estavam tendo uma discussão, Regulus se recusava a casar com ela porque não tinha sido informado de nada, e não estava acreditando nessa história. Ela esfregou o contrato em seu rosto e gritou com ele, lhe dizendo que não tinha como fugir. Que Regulus era dela e de mais ninguém. Parecia uma louca, realmente.

– Só faltou ela lhe ter dado um tapa, ou algo parecido. - Comentou Lizbeth.

– E que aconteceu a seguir?

– Regulus nunca mais falou com ninguém. – Continuou Severus – Pensámos que tinha ficado chocado com a notícia mas descobrimos, mais tarde, que ela o tinha ameaçado que contaria a seus pais do relacionamento dele com Lizbeth. Acho que Regulus tem receio que seus pais lhe façam mal.

– Não consigo acreditar… – Murmurou Fleamont, enquanto abanava com a cabeça. Severus sabia porque ninguém conseguia acreditar. Normalmente, os contratos eram criados quando nasciam mas, no caso de Sirius e Regulus, suas pretendentes, também irmãs, tinham falecido em um naufrágio durante uma viagem entre a América e o Reino Unido, os deixando sem futuras noivas.

Orion e Walburga tinham tentado de tudo para arrumar uma nova candidata a futura Srª Black para Sirius, que era o primogênito, mas ele já estava tão insubmisso aos ideais de sua família que, quando lhe contaram toda a situação, tiveram uma terrível discussão antes de voltarem para Hogwarts. Para sorte de Sirius, e azar de Regulus, ele já era maior de idade e ninguém podia mandar nele.

Mas Regulus acatara a ordem de seus pais, sabendo que não podia lutar contra eles. Ele era menor e, de acordo com as leis – arcaicas – dos bruxos, sabiam o que era o "melhor" para eles. E tinha sido muito complicado lhe arranjar uma noiva, pois todas as garotas de estirpe de sua idade e um ano mais novas já estavam comprometidas. Por isso, se decidiram por Persephone, um ano mais velha que ele. Ironicamente, ninguém sabia o motivo de ela não ter arranjado um noivo até aquele momento.

– É uma história surreal. – Comentou James – E Regulus não pode nem negar que não quer se casar com essa garota.

– Isso não é bem assim. – Falou o Auror com um sorriso misterioso e, ignorando os olhares espantados dos adolescentes, se despediu do diretor e de Lizbeth, que o olhava com lágrimas nos olhos, e os acompanhou para fora do castelo, enquanto dizia que suas perguntas seriam respondidas mais tarde. Saíram pelos portões e aparataram, rumo à casa dos Potters.

Continua…

Nota da Autora: Oi! Espero que tenham gostado do capítulo! Finalmente, Severus vai rever sua mãe. Estou pensando em dividir esse capítulo em quatro partes, pois haverão muitas informações surpreendentes e o capítulo ficaria muito grande, mesmo sendo dividido em dois. Tenho de admitir que não sei quando vou puder postar os novos capítulos, com o trabalho, mal tenho tempo para escrever. Só tenho que dizer que muita coisa vai acontecer, e irão descobrir, finalmente qual o verdadeiro plano dos Blacks. Sim, Walburga e Orion tinham um plano para os irmãos, louco e mirabolante.

Obrigada por terem dado a vossa opinião: quase todo o mundo que comentou adorou a ideia, só duas ou três pessoas é que ficaram reticentes. Mas espero fazê-las mudar de ideia.

Eu também tenho de admitir que só li uma fanfic em português sobre hermafroditas, muito antiga até (de 2005). A fanfic se chama "Aberração", de Marck Evans, tem como casais principais Snape e Draco e se encontra no . Infelizmente, ela não foi terminada, o que é uma pena, pois eu adorava saber o final. E vocês, conhecem alguma fanfic hermafrodita – concluída, ou não – de Harry Potter? Pode ser, até, em espanhol ou inglês. É um tema que quase não encontro retratado nas fanfics e, se pudessem, me enviariam o link? Amaria ler.

Obrigada por terem lido o capítulo e espero vossos comentários. Bjs :D