Notas da Autora:
(1) Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo, espero que gostem. Bjs :D
(2) Esse capítulo é dedicado a Gabriela Monteiro de 46 anos, assassinada cruelmente pelo ex-marido (conhecido meu) nessa quarta feira, com 12 facadas, se tornando a 26ª vítima de violência doméstica em Portugal, um dos piores números registrados em muitos anos no meu país. Na cidade não se para de comentar o assunto, pois ela era uma funcionária importante. Ainda estou em choque, é horrível pensar no que aconteceu. É muito doloroso ver o que está acontecendo e que ninguém está conseguindo parar. Desculpem esse desabafo, mas eu tinha de me exprimir. #bastadeviolencia #paremdenosmatar
S.L.
Capítulo 41
A Verdade Finalmente Revelada
Mãe e filho se deixaram estar bastante tempo um nos braços do outro, antes de ela convocar o feitiço "tempus" e perceberem que já estavam naquele quarto há muito tempo. Se ergueram do chão, Severus ajudando sua mãe.
– Obrigada, meu amor. – Agradeceu ela, lhe tocando no rosto, antes de se dirigir para o banheiro. Severus percebeu rastos de rímel borrados descendo por seus olhos. Escutou a torneira sendo aberta e a água correndo. Esperou, de olhos fechados.
Ele era um intersexual. E nunca tinha desconfiado de nada. Ele era um homem, se sentia um homem, mas tinha os dois sexos. Se alguém, que não fosse sua mãe, lhe tivesse revelado, zombaria de sua cara e internaria essa pessoa em St. Mungus. Se perguntou se, um dia, de iria adaptar a essa realidade, se sentir-se-ia completo.
Sua mãe saiu do banheiro com o rosto lavado e avermelhado. Se dirigiu para o armário e Severus viu ela revirando seus pertences. Não tinha forças para lhe perguntar o que estava procurando, o choque que sentia ainda não tinha passado. Eilleen se afastou e ele viu em uma das mãos um frasco retangular, com uma poção violeta e, na outra, um livro de capa dura, grosso. Observou intrigado, conhecia a poção, era a mesma que bebia sempre quando chegavam as férias de verão. Sua mãe lhe entregou tudo para as mãos e ele observou o título a letras douradas do livro: " Intersexualidade – Tudo o que deve saber".
– Essa poção é para quebrar a ilusão implementada em seu corpo. – Severus a escutava com atenção. - E esse livro é para ajudá-lo com as mudanças de seu corpo, para que saiba o que irá acontecer com você. Estou dando tudo isso para que tome uma decisão. Se estiver preparado, e fazer mudança, só lhe digo que tome essa poção durante a noite.
– Porquê? – Observou sua mãe, confuso.
– A transformação pode ser…dolorosa. – Ela tocou nos cachos negros – Mas eu gostaria de lhe dar um conselho.
Vendo o olhar atento de seu filho, continuou:
– Você pode ignorar tudo o que falei para você e ficará o resto de sua vida se perguntando se sua escolha foi a mais acertada, ou toma a poção e se tornará a pessoa que realmente é. Está nas suas mãos.
Severus deu um sorriso forçado, sabendo que sua mãe tinha razão. Teria de pensar muito bem na sua decisão, para não se arrepender no futuro. Agora entendia o porque de todo o nervosismo de sua mãe. Ela tinha estado receosa de lhe contar a verdade, pois não sabia qual seria sua reação. Mas ele a entendia. Se seu pai tivesse descoberto quem realmente era…Estremeceu, não querendo pensar.
– Obrigado por me ter protegido de Tobias esses anos todos. – Os olhos de sua mãe se encheram de lágrimas – Sei que fez o que pode, mas me ter dado a poção salvou minha vida.
Se atirou para os braços suaves e frágeis de sua mãe, sentindo ela acariciando suas costas. Sabia que tudo o que ela tinha feito por ele era para sua segurança, mas se perguntou como seria ter um útero e tudo mais.
Se recordava do mau humor de Lily, quando chegava uma certa altura do mês e seu fascínio por doces. Por vezes, nem as poções para as dores a ajudavam e se queixava com suas amigas quando passava com elas ou gritava com os Marotos, que estavam sempre fazendo brincadeiras. Se perguntou se seria o mesmo com ele. Se separaram, e Eilleen sussurrou:
– Espero que você seja feliz, meu amor.
– Eu também, mamãe. – Respondeu ele, no mesmo tom. Encolheu o livro e o frasco, os guardando dentro do bolso das calças. Viu sua mãe se aproximando do toucador e se sentando, pronta para se maquiar.
– Eu vou lavar meu rosto. – Informou, se dirigindo para o banheiro. Entrou, não ligando para o espaçoso local nem para a maravilhosa decoração. Abriu a torneira e se lavou, observando a água escorrendo pelo ralo. Pegou na toalha e limpou o rosto, vendo que, tal como seus olhos, estava avermelhado. Deu tapinhas suaves com o tecido suave contra a pele, para que não ficasse mais vermelha. Respirou fundo, se acalmando aos poucos e saindo do banheiro.
– Vamos descer? – Perguntou Eilleen, forçando um sorriso. Seu rosto tinha uma ligeira camada de base, escondendo a vermelhidão de sua pele – Eles já devem estar se perguntando o motivo de nossa demora.
– Se nota muito que estive chorando? – Perguntou Severus – Não quero que façam perguntas.
– Um pouco, como é natural. – Respondeu ela – Mas está melhor do que há alguns minutos atrás. Mas, se você quiser ficar um pouco aqui…
– Só mais cinco minutos. – Pediu o Slytherin, se aproximando da janela. Abriu as pesadas cortinas vermelhas e espreitou para fora, ficando surpreso. Por baixo havia uma parte coberta por uma lona, com alguma neve. Se percebia que tinha sido sacudida há pouco tempo.
Escadas brancas desciam em direção a um campo de Quidditch, oval, com uma área de pontuação em cada extremidade, composta por três aros, cada um com uma altura diferente. O resto era jardim coberto de neve. Escutou os passos de sua mãe, vendo ela se colocando a seu lado.
– No verão deve ser muito bonito. – Comentou, com tristeza.
– Quando a gente tiver uma casa, teremos um jardim tão grande como esse. – Prometeu ela, pousando a mão em seu ombro. Sorriram, e Eilleen se afastou, desfazendo os encantamentos do quarto. Severus tocou na janela com um sorriso triste e viu sua mãe abrindo a porta e saindo primeiro. Seguiu sua mãe, vendo ela fechando com cuidado. Vozes animadas se escutavam no andar de baixo. Desceram as escadas, se perguntando o porque de tanta animação. Ao entrarem na sala, estacaram, surpreendidos.
A mesa onde tinham almoçado tinha desaparecido, deixando esse espaço desocupado. Lily, Marlene e Remus estavam observando Euphemia, que tinha James em seus braços. Pela sua expressão, estava detestando a situação.
– Euphemia, você está ensinando eles a dançarem? – Perguntou Eilleen, revelando a presença deles. Pararam de conversar e se viraram, a Srª Potter tinha um grande sorriso no rosto.
– Só lhes estava dando umas dicas para o baile de formatura. – Respondeu, largando o filho, que soltou um suspiro, aliviado – Sei que os professores costumam ensiná-los mais pelo final do ano, mas quis que aprendessem alguns movimentos.
O Slytherin ergueu uma sobrancelha, se recordando que Dumbledore costumava comentar que os alunos que terminassem sua educação em Hogwarts teriam um baile, para que pudessem aproveitar antes dos NIEM´S, e era uma recordação para suas vidas. Até ao quinto ano, sempre pensara convidar Lily para acompanhá-lo mas, depois do "incidente no Lago", pensava em nem ir. Mas, agora que estava com James, não tinha certeza de que iria com ele, principalmente depois de sua descoberta.
Olhou em volta, dando por falta do Sr. Potter e de Sirius. Se dirigiu para seu namorado, que se aproximou dele ao mesmo tempo, e trocaram um selinho.
– Own…
– Que fofinhos… – Escutaram vozes femininas e se viraram, vendo suas mães os observando, emocionadas.
– Até dá vontade de guardá-los em um potinho. – Comentou Eilleen, com uma expressão feliz.
– Mãe! – Exclamou Severus, envergonhado, escutando a risada de Lily e vendo a confusão nos rostos dos puro sangue.
Mesmo sendo bruxa, sua mãe costumava dizer provérbios e expressões não-mágicas. Escutou sua amiga explicando para Marlene e Remus o que sua mãe tinha querido dizer, e suas risadas. Revirou os olhos, se virou para James, e perguntou:
– Onde estão seu pai e Sirius?
– Meu pai comentou que precisava de conversar com ele, a sós. – Respondeu – Foram um pouco depois de vocês.
– Hum… – Falou Severus, pensativo – Deve ser para falar sobre a tutela.
James observou seu namorado, percebendo que seus olhos estava ligeiramente avermelhados. Sua pele também o estava, mas deveria ser por causa do calor da lareira. Preocupado, perguntou:
– A conversa com sua mãe correu bem? – Viu como ele se tencionava – Que aconteceu?
– Precisamos conversar. – Murmurou Severus, o obrigando a chegar-se mais para si.
– É grave? – Perguntou, preocupado, no mesmo tom.
– Não. – Respondeu Severus, inseguro – Mas pode mudar o que você pensa de mim.
– Como assim? – O Gryffindor estava pronto para insistir, quando o Sr. Potter e Sirius entraram. O Maroto trazia firmemente preso em sua mão um pergaminho e seu olhar revelava uma felicidade que há muito não ninguém via. Era como se todos seus desejos se tivessem tornado realidade.
– Padfoot! – Gritou James, ao ver seu amigo, se esquecendo momentaneamente da conversa com seu namorado – Como foi?
Sirius levantou o pergaminho e falou, com um largo sorriso no rosto:
– Tenho aqui o documento que prova que meus pais perderam minha tutelae a de meu irmão. – Todos sorriram, contagiados com sua felicidade. James e Remus foram os primeiros a correr em sua direção, sentindo como Sirius se aferrava a eles. Lily e Marlene trocaram um olhar, antes de avançarem em sua direção para felicitá-lo. Severus fechou os olhos se esquecendo, por momentos, de seus problemas e pensando em Regulus. Finalmente seu amigo poderia ser feliz.
– Vá, venham se sentar. – Convidou Euphemia, se dirigindo para a sala de estar – Não vale a pena estarem de pé.
Eles a seguiram, se sentaram nos suaves sofás e, entre risos e brincadeiras, passaram o resto da tarde se divertindo, enquanto os elfos domésticos voltavam a pôr a mesa no centro da sala de jantar, com alguns salgadinhos, caso tivessem fome.
Fleamont lhes contara histórias de sua infância e adolescência, revelando a quem James tinha saído. Euphemia ralhara com seu marido por estar dando novas ideias aos Marotos, que estavam pensando no que poderiam fazer em Hogwarts. O tempo passou muito rápido, para infelicidade dos mais jovens, que estavam adorando aquele momento. Para os adultos também, era bom tê-los em casa. Euphemia e Eilleen não queriam deixá-los ir, mas nada podiam fazer.
Se levantaram, James se queixando que não queria regressar a Hogwarts. Era bom voltar a casa de seus pais, tinha saudades de vê-los todos os dias, de abraçá-los. Euphemia lhe prometeu que viriam mais vezes, o sossegando. Fleamont sussurrou algumas palavras a um elfo, enquanto via os mais novos bebendo suco de abóbora, antes de regressarem à escola. Severus trocou um olhar com sua mãe, que lhe deu um sorrisinho. Esperava que James não reagisse mal. O elfo regressou com uma caixa de madeira polida e entregou a Severus, enquanto Fleamont comentava:
– Esses são os shampoos que lhe prometi. – Severus olhou para a caixa, sentindo que era um pouco pesada. Abriu a tampa – São de vários aromas, desde limão, lavanda e mentol. Depois me escreva, me informando do que achou.
– Sim, senhor. – Respondeu ele, voltando a fechar a tampa – Obrigado.
– Não precisa agradecer. – Fleamont lhe piscou um olho – Tenho certeza que seu problema de oleosidade se resolverá em um passe de mágica.
Severus vestiu o sobretudo e guardou a caixa no bolso. Já prontos, se despediram das mulheres, que lhes deram abraços fortes, prometendo se encontrem em breve. Se dirigiram para a porta, que foi aberta por um elfo, e saíram para o frio invernal.
Eilleen viu seu filho sair pela porta e se afastando, com o coração apertado. Esperava que James não o machucasse ou o rejeitasse. Suspirou quando eles aparataram fora dos portões e Euphemia comentou:
– Não se preocupe, Eilleen. – Seu tom era calmo – Ele vai ficar bem.
– Espero que sim. – Respondeu ela, entrando na Mansão. Euphemia não sabia da condição de seu filho, pensava que ela estava temerosa por vê-lo longe de si. Se desculpou com a anfitriã, dizendo que ia ao banheiro e subiu as escadas até seu quarto, querendo passar uns momentos sozinha. Tinha sido uma tarde de muitas emoções, e só desejava descansar.
Continua…
Nota da Autora: Oi! Como puderam ler nas notas iniciais, esse capítulo foi dedicado a Gabriela, não só por eu – de alguma forma – a conhecer, mas também pela morte barbárica que teve. Ainda estou em choque, pois ninguém pensava que iria acontecer (normalmente nunca se sabe). Mas espero que tenham gostado do capítulo. Agradeço que comentem, dizendo o que acharam. Bjs a todos/as
