Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo, espero que gostem. Bjs :D
S.L.
Capítulo 42
Regresso a Hogwarts e Discussões
– Bom, aqui os deixo. – Falou Fleamont, parando à porta do castelo. Decidira levá-los mesmo à entrada da escola, pois tinha receio de que alguém os atacasse. Os tempos eram sombrios e todo o cuidado era pouco. – Portem-se bem e espero que corra tudo pelo melhor nos estudos.
Essas palavras tinham sido mais para seu filho de sangue – James – e seu, tutelado, Sirius. Embora fosse maior de idade, como ainda andava em Hogwarts, precisava de ter um representante legal, ou pais, para que tratassem de sua herança. Depois que ele saísse da escola, seria independente.
– Não se preocupe, Sr. Potter. – Falou Sirius, sério – E agradeço mais uma vez por tudo o que fez por mim e meu irmão.
– Não me agradeça. – O tom de Fleamont era firme – Terei muito gosto em ter você e seu irmão em minha casa. Se cuidem.
– Obrigada pelo convite, Sr. Potter. – Disse Lily, enquanto se despedia do Auror com um beijo no rosto – Foi uma tarde maravilhosa.
– Eu é que agradeço por terem feito companhia a um velho como eu. – Escutou protestos, dizendo que era mentira, embora seus cabelos brancos e suas rugas não enganassem ninguém. Beijou o rosto de Marlene e trocou um aperto de mãos com os garotos e uns tapinhas no ombro. Ao chegar a James e Severus, os puxou para si, escutando seu filho reclamar:
– Ai, papai…
– Me desculpem. - Pediu, se afastando de imediato. Viu seu filho fazendo uma careta de dor, ao mesmo tempo que esfregava suas costas. Severus tinha o rosto ligeiramente avermelhado e desviara o olhar, encabulado. Fleamont percebeu que ele tinha ficado sem jeito com sua demonstração de carinho.
– Vá, entrem. - Incentivou, olhando para Sirius – Tratem do que têm a tratar e jantem.
– Sim, senhor. - Respondeu o Maroto. Trocaram um ultimo aceno e o Auror se afastou a passos apressados em direção ao portão. Estava ansioso para chegar a casa e tomar um banho quente, preparado especialmente por sua esposa. Euphemia adorava mimá-lo, tal como a James.
Depois de terem visto a figura alta de Fleamont desaparecendo de seus olhos, entraram em Hogwarts, escutando o burburinho de seus colegas e o tilintar dos talheres, ao mesmo tempo que vinha até eles o delicioso cheiro do jantar.
– Hum, que gostoso... – Murmurou Marlene, com água na boca. A fome tinha surgido de repente e estava ansiosa por se sentar e comer.
– A comida de Hogwarts é muito boa. - Comentou Lily, também com fome – Só não ultrapassa a de minha mãe.
Escutaram acenos de concordância. Remus, que observava seu namorado, lhe perguntou:
– Você vai falar hoje com seu irmão, ou irá esperar até amanhã?
– Vou tratar disso agora. - Respondeu Sirius, olhando para a entrada do Salão Principal. Seus instintos lhe diziam que tinha de fazê-lo, e ele não podia ignorá-los – Tenho certeza de que Regulus está desesperado por sair das garras pegajosas de Fawley.
– Você nem imagina... – Murmurou Severus, sentindo James entrelaçando sua mão na dele. Trocaram um sorriso e avançaram. Entraram pelas largas portas de madeira e olharam automaticamente para a mesa das serpentes, vendo Persephone, com um largo decote em "v", que revelava grande parte de seus seios, rindo escandalosamente de um comentário de uma de suas amigas, ao mesmo tempo que olhavam com malícia para Lizbeth, que tinha o rosto inchado e vermelho de chorar. Severus conhecia demasiado bem essa expressão. Era a mesma que sua mãe tinha depois de suas – muitas – discussões com Tobias.
Reparou que Regulus, que estava ao lado de sua "noiva", também a observava, mas com uma expressão tensa. Percebeu de imediato que as garotas tinham humilhado Bobbins e que Regulus não a pudera ajudar, mais uma vez.
Sirius, vendo aquela cena, sentiu raiva borbulhando dentro de si. Regulus, mesmo não sendo um Gryffindor era, acima de tudo, seu irmão e o fato daquela garota estar a fazê-lo infeliz o enfurecia. Avançou impetuosamente em direção à mesa de Slytherin. Os Marotos, Severus e as meninas pararam, vendo como se dirigia rapidamente para seu irmão. Os Slytherins, ao ver sua expressão furiosa, pararam de conversar e observaram o que iria acontecer. Regulus, ao perceber todo o mundo se calando e olhando para cima, se virou e arregalou os olhos, chocado.
Foi puxado pelos braços fortes de seu irmão, que o levantou e puxou para longe dela. Escutou o grito indignado de Persephone. Os estudantes das outras casas se calaram ao escutar o berro e olharam em direção dos Slytherins, alertas.
– Senta ai. - Ordenou Sirius a seu irmão. Regulus olhou para o rosto sério seu irmão antes de se sentar ao lado de Lizbeth. Se olharam nos olhos, e viu como sua garota se animava ao vê-lo. Sorriram, querendo se tocar e conversar mas, antes que pudessem sequer trocar algum cumprimento, escutaram a voz histérica de Fawley:
– Que droga acabou de acontecer, Black? -Olharam para o lado, vendo Persephone de pé, em frente a Sirius, o olhando ameaçadoramente – Porque você tirou meu noivode meu lado!? ME RESPONDA!
– Eu tirei MEU IRMÃO perto de você para que ele não se contaminasse com suas garras melosas, sua serpente asquerosa. - Os Slytherins – sem excepção – endireitaram suas posturas, ofendidos com as palavras do Gryffindor. Persephone estreitou o olhar e levantou o braço, a mão estendida e pronta para lhe dar um tapa, mas ele a impediu, agarrando seu pulso e a fazendo soltar um guincho de dor.
– Sr. Black! - Exclamou Mc Gonagall, se erguendo de sua cadeira – Está machucando ela!
Sirius, ignorando as palavras de sua chefe de casa, a puxou contra si e se olharam nos olhos.
– Agora me escute bem, pois não vou falar duas vezes. - Começou Sirius e, ao ver que ela lhe estava prestando atenção, continuou – A partir de hoje, você não é mais noiva de Regulus.
Viu como Persephone ficava chocada com suas palavras, e sorriu. Adorava quando um Slytherin perdia a compostura tão bem treinada durante anos a fio. Todo o desprezo que mostravam desaparecia como um passe de mágica.
– Se explique! – Exigiu sua colega, tentando se soltar de seu agarre. Ele soltou seu pulso, vendo como Fawley cambaleava para trás, seu rosto contraindo momentaneamente de dor. Persephone massajou o pulso, o olhando com raiva.
– O contrato entre seus pais e os meus foi anulado. – Prosseguiu, vendo como ela semicerrava os olhos.
– Mentira! – Guinchou a Slytherin, apontando um dedo em sua direção – Você é um mentiroso! Meus pais não me informaram de nada, nem os seus, Black. Só porque é maior de idade, não significa que mande na vida de seu irmão. – Vendo seu sorriso trocista, continuou, elevando a voz – Regulus é meu, e nada, nem ninguém o tirará de mim. Muito menos aquela vagabunda!
Apontou para Lizbeth, que escondeu o rosto nas mãos. Regulus se ergueu, sentindo a raiva dentro de si crescendo rapidamente.
– Você não tem nada que falar assim de Liz! – Exclamou, sabendo como essas palavras machucavam sua amada.
– E você ainda fica defendendo essa ai como se ela valesse algo. – Troçou ela, ignorando as expressões chocadas de todo o mundo, exceptuando seus colegas de casa – Sinceramente, não sei o que vê nela. Eu só vejo uma garota sem sal, gorda e sem nenhum pingo de talento. Enquanto eu, – apontou para si mesma – Sou tudo o que um garoto deseja: gostosa, rica…
– Você falou bem. – Interrompeu Sirius, friamente, odiando o modo como Bobbins estava sendo humilhada – O que um garoto quer. O que um homem – frisou a palavra – quer é uma companheira para a vida, alguém que seja inteligente, que pense por si própria. Alguém que ocupe seu coração, não uma piranha que salta de cama em cama como uma pessoa muda de camisa.
– Como se atreve!? – O guincho de Persephone ecoou pelo Salão Principal. Os professores já se tinham levantado há muito, de varinha erguida, e avançavam cautelosamente em direção da mesa das serpentes. Temiam que um deles se irritasse e atacasse o outro, pois quer Black quer Fawley eram conhecidos por seus temperamentos explosivos – Você não tem o direito de me falar desse jeito! Seu grosso!
– E porque não? – O Gryffindor soltou uma risada irônica – Até parece que estou falando uma mentira.
– Está, sim! – Exclamou ela, não reparando nos acenos de concordância de seus colegas depois das palavras proferidas por Sirius. – Você está me difamando! Eu vou conversar com seus pais e você vai ver o que lhe vaia acontecer, seu…
Não conseguiu terminar a frase. Sirius não aguentou mais e soltou uma gargalhada tão semelhante a um latido, que muitos o imitaram. Persephone sentiu seu rosto ficando vermelho, pela vergonha. Nunca, em toda sua vida, tinha sido tão humilhada como estava sendo naquele momento.
– Eu acho que você está um pouco desatualizada nas notícias. – Informou o Maroto, vendo como ela estreitava os olhos, desconfiada – Walburga e Orion Black já não têm direitos nenhuns, nem por mim, nem por meu irmão.
– Como assim? – Perguntou Regulus, se aproximando deles, sem lhe dar chance de se pronunciar. Seu rosto revelava uma expressão que Sirius quase nunca tinha visto nele: esperança. Vendo as expressões confusas de seus colegas, decidiu acabar com o suspense. Olhando para seu irmão, retirou o documento de dentro do bolso e lhe entregou, dizendo:
– Veja por você mesmo. – Trêmulo, Regulus pegou no pergaminho, seus lábios proferindo silenciosamente as palavras que lia. Estava quase terminando de ler, quando Persephone lhe arrancou o documento das mãos, seus olhos passando furiosamente pelas frases.
– Potters!? – Exclamou, chocada, olhando para o Gryffindor – Vocês estão sob os cuidados dos Potters?
– É verdade. – Respondeu Sirius, com um sorriso trocista – Houve, até, um julgamento. Só que não saiu nos jornais, para não "perturbar" o processo. Mas tudo o que está ai é verdade e você não pode fazer nada para impedir.
Persephone soltou um grito de raiva e começou rasgando o documento, sob o olhar chocado de Regulus, seus colegas e professores, que os tinham cercado cautelosamente. Sirius, observava, impassível, seu descontrole. Pedaços beges do pergaminho caiam em direção do chão, não havendo ninguém que a impedisse. Ninguém pensara que Fawley tivesse uma atitude tão…deselegante.
Terminando de rasgar o documento, ela pegou na varinha, e estava pronta para incendiar o que restava, quando Sirius pegou na sua e a desarmou com um feitiço não verbal. A varinha voou até à entrada do Salão Principal, caindo com um baque sonoro no chão. Perante seu olhar raivoso, murmurou:
– Reparo! – Os pedaços levitaram, se juntando uns aos outros até o pergaminho ficar como novo. Pegou nele, o dobrando e o guardando em segurança, dentro do bolso do sobretudo.
– Isso…isso não vai ficar assim! – Exclamou ela, avançando rapidamente em direção à entrada, mas Sirius a impediu, a agarrando pelo braço. Soltando um grito de dor e de susto, seus olhares se encontraram e Sirius ameaçou, em voz baixa e raivosa:
– Você pode ter certeza de que, se você voltar a ameaçar meu irmão, não ficará assim. – Viu como ela o observava, pela primeira vez, com receio – Se você, ou suas amigas, voltarem a ameaçar meu irmão ou Lizbeth, haverá consequências terríveis para vocês e suas famílias.
– Você está me ameaçando? – Perguntou ela, no mesmo tom, sentindo seu braço doendo com o agarre, mas sua raiva era maior.
– Não. – Respondeu ele – Só constatando um fato. Se eu a estivesse ameaçando, seria assim: "Você volta a encostar um dedo ou ameaçar meu irmão, pode ter certeza de que irei processar você e sua família e farei de tudo para que não lhe reste nem um knut."
Persephone se encolheu ao escutar sua ameaça explícita e ele a largou. A Slytherin se afastou rapidamente de seu colega. Apanhou a varinha e saiu do Salão Principal, sob as risadas dos estudantes. Suas amigas se levantaram dos assentos, prontas para segui-la. Passaram pelos irmãos Black, lhes deitando olhares atravessados e saíram sob o olhar divertido dos colegas e atento dos professores. Vendo que não iria acontecer mais nada, se afastaram, murmurando entre eles o que tinha acabado de acontecer. Slughorn escutou seus colegas retirando pontos à sua casa, sem que pudesse intervir, sabendo que tinham razão e, prometendo a si mesmo, estar mais atento a seus protegidos.
Ao ver que seus colegas os observavam meticulosamente, Regulus perguntou, cautelosamente, a seu irmão:
– O que você falou, – Hesitou por breves momentos – Não é uma pegadinha, né?
Sirius se virou para seu irmão caçula, sangue do seu sangue, vendo o desespero em seu olhar, embora sua voz e seu rosto não o demonstrassem:
– Vamos mesmo morar com os Potters? - Pousou uma mão em seu ombro trêmulo e falou, seriamente:
– É tudo verdade. – Viu os olhos de seu irmão se enchendo de lágrimas – Eu prometo lhe contar tudo, depois de jantar. Estou esfomeado.
Seu estômago se manifestou perante suas palavras, como se concordasse. Seus colegas soltaram uma risada, muitos deles satisfeitos por Fawley ter sido, finalmente, posta em seu lugar. Com um sorriso nos lábios, o Slytherin se virou, vendo a garota de sua vida o olhando, emocionada. Sem pensar, avançou até ela e a puxou para si, a beijando apaixonadamente.
Assobios e palmas foram escutados, mas nenhum deles reparou. Seus lábios se tocavam com desespero, pelo tempo afastado, e paixão. Muitos de seus colegas, principalmente Hufflepuffs, se levantaram de seus lugares, emocionados por eles estarem juntos. Mesmo não tendo dado sua opinião, nunca tinham concordado com os atos de Fawley para com Black.
Regulus quebrou o beijo com lentidão, olhando Lizbeth nos olhos. Seus maiores sonhos se tinham tornado realidade: poderia estar com a mulher que amava, sem dar satisfações a ninguém. E, principalmente, não precisava mais de ter medo de voltar para casa de seus pais e ser maltratado e humilhado. Provavelmente, nunca mais os veria.
Pelo canto do olho viu seu irmão de costas para si, fingindo que estava vomitando e avançou silenciosamente para ele. Deu um tapa sonoro em sua cabeça, vendo ele se virando de rompante, pronto para reclamar, e o abraçou com força. Sirius hesitou, não sabendo muito bem como reagir, mas seguiu seus instintos. Rodeou seus braços no tronco de seu irmão e o puxou para si, sabendo que, a partir daquele momento nada, nem ninguém poderia separá-los e podiam ser quem realmente eram, sem medo das consequências.
Continua…
Nota da Autora: Oi! Espero que tenham gostado do capítulo!
Todas poderemos respirar de alívio: Regulus e Lizbeth estão juntos novamente e nada, nem ninguém, irá separá-los. Não se preocupem com Persephone, ela levará a ameaça de Sirius muito a sério.
Tenho que admitir: amei mesmo escrever esse capítulo. Persephone mereceu o que lhe aconteceu, não é verdade?
Não será no próximo capítulo que Severus revelará a James que é intersexual, ainda terão de esperar. Assistiremos um pouco à conversa dos irmãos. Só no capítulo 44 é que saberão o que irá acontecer entre nosso casal. Que acham que irá acontecer? Espero ansiosamente vossos comentários! Bjs :D
