Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 48

O Clube de Slugue

Severus se levantou da cama, alguns de seus colegas já se vestindo, e se cumprimentaram polidamente, sonolentos. Pelo relógio, viu que era hora de se preparar. Pegou em seus produtos de higiene e sua roupa, e se dirigiu para o banheiro, onde tomou um relaxante banho.

A tarde do dia anterior tinha sido muito produtiva. Tinham feito os deveres, tirado duvidas com seus colegas e estudando para as provas. Era muito melhor estudar acompanhado do que sozinho. James, ao contrário do que esperara, não se tinha queixado das horas de estudo, embora ele e Sirius tivessem sido os únicos saindo mais vezes para ir ao banheiro ou comer, do que os outros.

Severus entendia que Madame Pince não quisesse que se comesse ou bebesse na biblioteca mas era bom, de vez em quando, comer um petisco enquanto se escrevia uma redação ou se lia a página de um livro. Ficaram até ao fecho, às oito horas, para choque dos dois Marotos, que nunca tinham ficado tantas horas na biblioteca. Tinham arrumado tudo rapidamente, esfomeados. Tinha sido um dia diferente, mas muito bom. Depois do jantar, tinham aproveitado e dado um pequeno passeio pela escola, antes do horário de recolher. Os Gryffindors os tinham levado até ao Salão Comunal e James lhe tinha dado um beijo tão avassalador, que quase o tinha deixado sem ar. Se despediram, os Marotos dando risadas escandalosas e as meninas trocando olhares e sorrisos, enquanto se afastavam.

Severus ignorara os risos de Regulus e se despedira do casal, entrando pelo retrato. Estivera pensando em escrever a sua mãe, para que ela soubesse que já tinha realizado o ritual e que seu namorado o tinha apoiado na sua decisão. Fizera uma higiene rápida, conversara com seus colegas e se sentara na cama com algumas folhas, escrevendo uma pequena carta, mas emotiva. Decidira não acrescentar pormenores sobre a transformação, para não assustá-la. O dormitório, como sempre, estivera silencioso, como seus colegas estivessem dormindo, mas sabia que eles estavam lendo ou conversando em voz baixa. Depois de terminar, enrolara o pergaminho e se deitara confortavelmente por dentro dos lençóis, lendo um livro até sentir sono.

Terminou seu banho, saiu e se limpou cuidadosamente, principalmente em sua área feminina. Era estranho se observar ao espelho e ver as diferenças de seu corpo. Todo ele tinha mudado, até seu nariz. Embora continuasse grande, parecia que estava reto. Tocou com cautela, sentindo os ossos direitos e fixos. Deixou escapar um sorriso, emocionado. Todas as marcas físicas que Tobias tinha infligido em seu corpo tinham sumido. As marcas emocionais, infelizmente, ainda demorariam muito para serem saradas.

Com um sorriso no rosto, vestiu sua roupa e lavou os dentes, saindo do banheiro. Guardou tudo dentro do malão, pegou em sua mochila – já pronta na noite anterior –, sua varinha e a carta, que estavam em cima do criado mudo, e saiu pela porta aberta. Avançou pelos corredores, vendo seus colegas saindo de seus dormitórios, conversando em surdina. Desceu as escadas, caminhando em direção à porta do retrato. Ao olhar para a lareira, viu Persephone conversando com suas amigas. Seus lábios estavam contraídos, enquanto escutava uma das garotas. Desviou o olhar, para que nenhuma delas reparasse nele e saiu pelo retrato.

Percebendo que Regulus e Lizbeth não tinham esperado por ele, caminhou até ao Salão Principal, onde já se escutavam murmurinhos de conversas e tilintares de colheres. Viu sua colega, Agatha entrando, enquanto conversava com um Ravenclaw de seu ano. Tinha um conjunto de pergaminhos na mão e conversavam em voz baixa, passando as folhas para seu colega. Pareciam estar debatendo sobre um trabalho que tinham realizado em pares. Os professores, de vez em quando costumavam juntá-los com outras casas para trabalhos. Sempre que pudera, fazia com Lily, até ao incidente. Depois preferira fazê-lo sozinho e os professores não se importavam, desde que estivessem feitos.

Entrou no Salão Principal, se deparando com uma cena insólita: embora não fosse proibido, os estudantes, principalmente, Slytherins, preferiam comer em suas mesas mas, naquele momento, não era assim. As quatro mesas estavam ocupadas com alunos de todas as casas, incluindo Slytherins. Todos tinham mudado de seus lugares. Viu Agatha se sentando na mesa das águias, conversando, enquanto recebia os pergaminhos e voltava a guardá-los na mochila. Franziu o sobrolho, se perguntando há quanto tempo estariam mudando de mesas e porque só tinha reparado naquele dia.

Sempre houvera alunos de uma determinada casa se sentando em outra, mas não tanta gente como naquele dia. Intrigado, avançou para a mesa de Gryffindor e James, ao vê-lo se afastou para o lado, lhe dando espaço. Se sentou e pousou a mochila no chão.

– Gente, que está acontecendo? – Perguntou ao grupo – Porque está todo o mundo mudando de lugar?

– Parece que sétimos anos têm de uma apresentação oral em DCAT, – Informou Lily, enquanto saboreava suas tostas – e estão todos em polvorosa pois esse trabalho conta mais de metade da nota final.

– Ainda bem que a professora não se lembrou de fazer esse trabalho com a gente. – Falou Sirius, enquanto cortava um pedaço de sua panqueca.

– Nem precisava. – Disse Marlene, enquanto bebia seu café. Sirius se virou para ela, e perguntou:

– Porquê?

– A gente tem os NIEM´S. – Esclareceu sua amiga, como se fosse óbvio – Devemos passar nosso tempo estudando e não preocupados com trabalhos de pares, que ocuparão nosso tempo livre.

Sirius acenou, satisfeito. Por mais que estivesse de bons termos com alguns Slytherins, ainda não confiava nos restantes, pois sabia que o preconceito ainda estava presente na casa das serpentes. E muitos de seus colegas seriam futuros Comensais da Morte. Tomaram o café da manhã, vendo as corujas entrando no Salão Principal. Eleazar apareceu à frente de James, com uma carta na pata e pousou suavemente na mesa. O Maroto tirou-a, abriu-a e sorriu ao ver que era de seus pais.

– Eleazar, pode levar essa carta à minha mãe? – A coruja piou e avançou até ele, esticando sua pata. Severus amarrou o pergaminho e acariciou sua penugem.

Lily estendeu seu braço, com um pedaço de bacon na mão e Eleazar se dirigiu para a ruiva, o bico agarrando o bacon e levantando voo.

Conversaram entre eles, enquanto terminavam o café da manhã. Se levantaram, Severus e James trocando um selinho e prometendo se encontrar na hora do almoço. Se dirigiu para a sala de poções onde, como sempre, teria aula dupla de Poções com Ravenclaws. Regulus e Lizbeth passaram por ele e acenaram, enquanto se dirigiam para sua aula. Entrou nas masmorras, sendo acompanhado por seus colegas, e se dirigiram para a sala de poções. Passaram pelo gabinete do professor, vendo que a porta estava entreaberta e, mais à frente um grupo de Ravenclaws encostados à parede. Esperaram um pouco, antes de verem a figura alegre de Slughorn, se aproximando a passos bamboleantes. A porta da sala se abriu e o professor pediu:

– Podem entrar. – Os alunos acataram seu pedido, ingressando ordeiramente na sala e se sentando. A sala de Poções era muito fria, especialmente no inverno e os alunos eram capazes de ver sua própria respiração. Severus observou, enquanto se dirigia para seu balcão, as paredes revestidas com animais conservados em frascos de vidro. O professor pousou a pasta em cima de sua escrivaninha e começou sua aula:

– Bom dia, espero que todos tenham tido um bom fim de semana. – Escutou murmúrios afirmativos, enquanto via seus estudantes retirando os materiais das mochilas, e continuou – Hoje iremos aprender como fazer a poção Audiens. Alguém sabe para que serve?

Severus, alguns de seus colegas e todos os Raveclaws ergueram o braço. Slughorn soltou uma risadinha, satisfeito. Sempre que tinha aulas com essas duas Casas, havia sempre disputas para responderem às suas questões. Mas ele já sabia a quem iria perguntar:

– Sr. Snape.

– A poção Audiens faz que, quem a beba, fique com a audição aguçada durante 24 horas. – Respondeu o Slytherin.

– Excelente. – Elogiou o professor – Cinco pontos para Slytherins.

Severus escutou seus colegas Ravenclaws resmungando entre eles, querendo ser eles a responder e sorriu, satisfeito.

– Vocês não devem errar os ingredientes da poção. – Continuou Slughorn, as mãos pousadas na enorme barriga coberta pelo colete de veludo – Sabem o porquê?

Uma Ravenclaw ergueu de imediato o braço e, ao ter permissão para falar, respondeu:

– Pois a pessoa ficará com uma enorme dor de cabeça. – Slughorn bateu palmas, satisfeito:

– Muito bem. – Elogiou – Cinco pontos para Ravenclaw.

A casa das águias murmurou, satisfeita, e os Slytherins resmungaram, aborrecidos.

– Essa poção não costuma sair há alguns anos nos NIEM´S. – Revelou o professor, seriamente, os tirando de suas conversas – E eu penso que poderão exigir seu preparo esse ano. Aconselho a que todos fiquem atentos.

Tocou no quadro com a varinha, fazendo aparecer as instruções:

Poção Audiens

Ingredientes:

3 Joaninhas

150ml de Água

50ml de Mel

20gr Raiz de Suporífera em pó

2 Orelhas de Morcego

Modo de preparo:

1. Ferva os 150ml de água, após isso acrescente o mel.

2. Acrescente as joaninhas inteiras, elas devem afundar imediatamente.

3. Aguarde 3 minutos até que as joaninhas se dissolvam por completo, você verá isso acontecer já que a poção deve estar dourado transparente.

4. Lentamente misture a raiz de soporífera em pó, mexendo sua poção no sentido horário até ela obter um tom cinza rosado e opaco.

5. Adicione as orelhas de morcego, caso flutuarem algo deu errado em sua poção.

6. Mexa a poção 7 vezes no sentido anti-horário.

7. A solução deve estar rosa brilhante e líquida.

8. Deixe ferver em fogo baixo por 30 minutos, ou até que fique viscosa e engrosse.

Modo de uso: Coma toda a poção enquanto ainda estiver morna.

Em minutos, escutaram o som de penas arranhando os pergaminhos. Quando terminavam, os estudantes se levantavam de seus lugares, as cadeiras arrastando no chão, e se dirigiam para armário de ingredientes, regressando para seus balcões.

Slughorn se sentou na escrivaninha e tirou uns papéis, lendo com cuidado. De vez em quando, se levantava e passava pelas poções, dando conselhos, tirando dúvidas ou, até, elogiando. Mas seu olhar se focava mais em Severus do que nos restantes, que não se apercebia de nada, enquanto mexia sua poção no sentido horário. Enquanto o Slytherin adicionava as orelhas de morcego e elas iam para o fundo do caldeirão, Slughorn passou por ele e elogiou:

– Perfeita, Sr. Snape.

– Obrigado, senhor. – Agradeceu, sem deixar os olhos de seu trabalho. Não podia se distrair sob nenhuma hipótese, senão seu trabalho ficaria arruinado. Mexeu a poção em sentido anti-horário, murmurando a contagem. Viu sua poção adquirindo um rosa brilhante e líquida e sorriu, satisfeito. Baixou o lume, deixando a poção ferver durante meia hora, vendo como ficava grossa e viscosa. Olhou para o trabalho de seus colegas, percebendo que estavam quase finalizando. Arrumou sua bancada, guardando os livros dentro da mochila, sabendo que já não iriam precisar deles. Deitou no lixo os restos que não poderiam ser aproveitados e guardou os ingredientes em bom estado no armário.

Voltou para seu lugar, engarrafando a poção e escrevendo o nome da poção, a data e seu nome. Entregou o frasco ao professor, que sorriu para ele, satisfeito, e voltou a se sentar em seu lugar, esperando pacientemente seus colegas terminarem. Tocou em seu cabelo e percebeu, espantado que não estava gorduroso. Rapidamente, todos terminaram, satisfeitos com seu trabalho. Slughorn colocou os frascos em fila, vendo que todos tinham a característica cor rosa brilhante.

– Muitos parabéns. – Elogiou – Se fizerem o mesmo que hoje, poderão ter certeza de que receberão um "Brilhante" em vossos NIEM´S.

Os estudantes murmuraram animados e o professor continuou:

– Já podem sair, excepto o senhor Snape. – Severus observou, de cenho franzido, o professor. Ele não queria se atrasar para a aula de Mc Gonagall.

– Não se preocupe. – Disse o professor, rapidamente, vendo sua expressão – Eu depois converso com Minerva.

Mais calmo, o Slytherin ajeitou a alça da mochila em seu ombro e perguntou:

– Algum problema, senhor?

– Nenhum, Sr. Snape. – Respondeu Slughorn, animado, os dedos brincando com sua bigodeira com fios prateados. – Só gostaria de trocar umas palavras com o senhor.

Vendo o olhar atento de seu aluno, soube que ele seria uma excelente aquisição.

– Você é um dos melhores alunos que tenho em Poções. – Começou, elogiando – Na realidade, suas classificações são todas muito boas. Durante todos esses anos, nunca teve uma nota negativa, estou impressionado com sua dedicação.

– Obrigado, senhor. – Respondeu polidamente, já desconfiando o que seu professor queria realmente.

– E eu prezo pessoas inteligentes, capazes e muito ambiciosas. Que possam mudar o mundo com seus atos e palavras. – Continuou – Pessoas como o senhor, entende o que quero dizer.

– Agradeço suas palavras, professor. – Disse Severus, friamente, se fingindo de desentendido – Mas não estou entendendo onde quer chegar.

– Eu penso que já sabe. – Falou Slughorn, lhe piscando o olho – Afinal, o senhor já deve estar contando com meu convite. Lamentavelmente, não consegui convidá-lo mais cedo, sabe. Você esteve ocupado com a recuperação dos pertences de sua família, e não quis incomodá-lo antes.

Severus ficou em silêncio por uns momentos. Sentia a raiva borbulhando dentro de si, lentamente, como se estivesse em lume brando. Durante aqueles anos, tinha sido um dos melhores alunos, mas só não tinha sido convidado, porque não era rico, nem tinha um nome importante, ou era cativante. Sua primeira resposta seria " não", mas não podia negar o convite de seu professor.

Estar no Clube do Slugue era tanto uma honra quanto uma oportunidade devido a sua exclusividade, e com as conexões do Professor Slughorn eles provavelmente teriam carreiras de primeira linha pela frente. Muitos de seus colegas também estavam no clube, como Avery, Regulus, Lily, Nott, Lizbeth, Travers, Mulciber, Frank Longbottom, Amos Diggory, Barty Crouch Jr., entre outros.

– Aceito. – Retorquiu friamente, só pelos benefícios do clube.

– Excelente. – Falou o Professor, batendo palmas, satisfeito – Tenho certeza de que irá adorar. - Severus conteve um grunhido – Quando ocorrer uma próxima reunião, receberá uma coruja a informá-lo, tá bom?

– Sim, senhor. – Disse o Slytherin. Slughorn acenou com a varinha e uma pena começou se dirigindo para uma folha de pergaminho e escrevendo.

– Dê essa nota à Prª Mc Gonagall. – Informou o professor – Para que ela não se aborreça consigo.

– Obrigado, senhor. – Slughorn se dirigiu para a escrivaninha e dobrou a anotação, lha entregando. Severus pegou nela, respondendo – Até logo, senhor.

– Até logo. – O Slytherin se virou e avançou a passos apressados para fora da sala. Sua vontade era de esfregar na cara do professor que não queria nada com seu clubezinho, que ele conseguiria tudo por mérito próprio, mas se conteve. Respirando fundo várias vezes, correu até à aula de Transfiguração, esperando que a professora não ficasse aborrecida com ele.

Continua…

Nota da Autora:

(1) Oi! Espero que tenham gostado do capítulo! Severus não ficou nada contente com a proposta de Slughorn. Embora fosse seu desejo entrar no clube há muito tempo, não gostou que seu professor de Poções o tenha chamado depois de descobrir que ele era uma pessoa com dinheiro. Um oportunista. Já tenho definido o que irá acontecer nos próximos quatro capítulos. Mas, não tenho nenhuma ideia do que irei escrever a seguir. Estava pensando escrever sobre o aniversário de Lily, mas não tenho muitas ideias. Se quiserem ajudar, agradeço imenso.

(2) Como sabem, a situação está muito complicada em muitos países do mundo devido ao Coronavírus, também conhecido por Covid-19, incluindo Portugal. Em menos de um mês, a vida de todo o mundo mudou. Escolas encerraram e as pessoas se autoisolaram, para se protegerem do vírus. É uma situação sem precedentes que está acontecendo em todo o mundo. Estamos travando uma guerra contra um inimigo comum e - acima de tudo - invisível. Sinceramente, espero que a humanidade consiga vencer essa doença, mas tenho de ser realista. Muitas pessoas, infelizmente, ainda vão morrer. Ou por falta de cuidados ou por outras razões semelhantes. Tenho de admitir, não quero imaginar que irá acontecer no futuro. Portugal entrou em Estado de Emergência dia 19.03, mas os números de infetados não param de aumentar. Até ao dia da publicação desse capítulo, já morreram 246 pessoas. Só peço um favor a todos vocês, caros leitores: se puderem, se isolem, se cuidem, para que - juntos - consigamos vencer esse vírus. Beijos para todos