Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço o comentário de ThaMaddox, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D
S.L.
Capítulo 50
As Vestes de Madame Malkin
A tarde se passou maravilhosamente bem, na opinião do Slytherin, que não pensara mais na proposta de Slughorn. Todas suas dúvidas tinham sido desfeitas depois de ter estudado com os Gryffindors. Tinha aproveitado todo o momento fazendo perguntas e seus deveres, se esquecendo momentaneamente da carta de Lucius, embora seu coração estivesse pesado pelo receio daqueles que amava. Observava James fazendo manobras complicadas com sua vassoura, gritando ordens. Embora visse sua paixão, não entendia como os bruxos amavam, muitos até ao fanatismo, o esporte. Era exatamente como os Muggles reagiam com o futebol. "Qual era a graça de perseguir bolas?" – Se perguntava, sem entender.
Viram o time descendo de suas vassouras e James fazendo sinal em direção ao vestiário.
Se levantaram, sentindo os traseiros doloridos de terem ficado tantas horas sentados. Arrumaram calmamente seus pertences, sabendo o treino tinha terminado e desceram as escadas. Decidiram esperar fora do campo, e Severus olhou em redor, vendo mais à frente, os portões da escola fechados. No outro lado, se encontrava a Floresta Proibida, sempre sombria e perigosa. Nunca tinha entrado para lá das árvores altas e cheias de galhos, embora soubesse que seu namorado já lá tinha entrado várias vezes.
– Foi uma boa tarde. – Falou Marlene, satisfeita – Obrigada, Severus, por me ter esclarecido aquela pergunta de Poções. Não estava mesmo entendendo o que poderia escrever.
– De nada. – Respondeu, ajeitando a alça da mochila em seu ombro – Fico feliz por ter ajudado. Sempre que precisar, disponha.
– Agradeço muito. – Disse ela, pousando um braço nos quadris de sua namorada – Espero que eles não demorem muito. Está ficando de noite e estou morrendo de frio.
– Não se preocupe. – Tentou acalmá-la Remus – Os garotos não costumam demorar muito para se arranjarem.
– Ainda bem… – Murmurou Marlene, vendo bafos de fumaça escapando de sua boca – Mais um pouco e congelo.
– Eu posso lhe emprestar meu sobretudo, se quiser. – Ofereceu polidamente o Maroto, afastando a alça de seu ombro, para tirar sua capa surrada, mas quente.
– É que nem pense nisso, Lupin! – Exclamou ela, encolhida nos braços de sua namorada – Não quero escutar Sirius ladrando em meu ouvido por você ter ficado com hipotermia.
– Que exagero, Lene. – Falou Lily, tentando não se rir.
– Quem é que vai ficar com hipotermia? – Escutaram a voz irreconhecível de Sirius atrás deles. Se viraram, vendo o time em peso, prontos para irem para Hogwarts.
– Ninguém, Padfoot! Ninguém! – Exclamou seu namorado rapidamente, vendo Marlene escondendo o rosto no pescoço de sua namorada, para que não a vissem rindo. – Já estão todos prontos?
– Sim. – Disse James, um pouco cansado. Se virando para seu time, informou – Vou tentar falar com Mc Gonagall para ficarmos com o campo, pelo menos, no fim de semana. Vocês sabem que os jogos estão começando e que todos estão treinando arduamente para vencerem a Taça das Casas. Mas a gente não vai deixar, certo?
– Sim, capitão! – Exclamaram os jogadores, se despedindo e se afastando em direção ao castelo. James se aproximou de seu namorado e se abraçou a ele. Severus sentiu um suave odor a pinho vindo de seus cabelos e encostou a cabeça em seu peito. Escutou sua voz suave:
– Você gostou do treino?
– Sim. – Respondeu, com sinceridade. Seu namorado era muito talentoso na vassoura. Se não soubesse que ele queria ser Auror, podia muito bem ser jogador profissional.
– E estudou muito?
– As dúvidas que eu tinha desapareceram todas. – Respondeu, seguindo o grupo.
– Você, com dúvidas? – Perguntou o Maroto, céptico – Nunca pensei.
– É normal ter dúvidas. – Falou o Slytherin – Por isso é que amo estudar, para saber mais e mais.
– Hum, hum… – Murmurou seu namorado, beijando seus cabelos. Caminharam rapidamente até à entrada, querendo escapar do frio. Já em Hogwarts, suspiraram, aliviados, ao sentir o calor os envolvendo. Combinaram se encontrar no Salão Principal pela hora do jantar, que não faltava muito.
Os Gryffindors subiram as escadas e Severus entrou nas masmorras, avançando rapidamente pelos corredores frios. Estava desejoso por tomar um banho quente. Parou em frente do retrato, murmurou a senha e entrou, vendo vários de seus colegas em frente à lareira, incluindo Regulus e Lizbeth e trocaram um aceno.
Olhou para a janela, vendo a Lula Gigante com seu parceiro. Era raro vê-los juntos, por vezes, nem mesmo sabiam se eram os mesmos que tinham visto anteriormente, pois as Lulas viviam somente um ano. Uma delas tinha apanhado um pequeno peixe com seus tentáculos e conduzia a presa, ainda viva, até suas mandíbulas com formato de bico, rasgando e cortando a presa. Escutaram gritos agudos, os primeiranistas observando, chocados, a Lula saboreando sua comida. Seus olhos do tamanho de bolas de futebol se focaram no vidro, antes de se afastarem. Severus tinha lido em um livro que as lulas gigantes podiam atingir os 500 kg, distribuídos em 18 m de comprimento. Seus tentáculos ultrapassavam os 10 metros de comprimento, com ventosas de aproximadamente 5 cm de diâmetro. Eram das criaturas mais misteriosas que conhecia, exceptuando, os Téstrálios, que eram visíveis somente para aqueles que já tinham visto a morte de alguém.
Subiu as escadas em direção ao dormitório. Ao entrar, estacou, ao ver uma caixa em cima de sua cama.
– É de Madame Malkin. – Esclareceu Mulciber, vendo seu olhar – As corujas entregaram essa tarde.
– Obrigado. – Agradeceu, se dirigindo para a cama. Pousou a mochila no chão e fechou as cortinas, para ter mais privacidade. Sabia que seus colegas não iriam incomodá-lo. Se sentou na cama e viu um bilhete de Madame Malkin, pedindo perdão pela demora. Abriu a caixa, percebendo que tinha um feitiço de extensão, e vendo as peças de roupa que tinha encomendado, como calças, camisas, casacos grossos para o frio, gravatas, gorros e luvas, capas, roupa interior e roupas de cerimónia.
Sabia que suas roupas iriam demorar devido ao ataque, mas pensou que seria mais tempo. Tirou as roupas, as dividindo em cima da cama. Tinha vários pares de calças azuis e negros, boxers e meias de várias cores, menos cinza e as camisas eram brancas, negras ou azuis escuras. Tinha roupa suficiente para variar a seu gosto. Tirou seu uniforme, tocando em seus seios arredondados e experimentou várias roupas, dando uns retoques na zona dos quadris e do peito. Ficou satisfeito com o trabalho de Madame Malkin. Dobrou a roupa e a pousou ao lado da cama, para os elfos as lavarem. Pegou em um roupão, em roupa lavada e em sua bolsa de higiene. Afastou as cortinas, vendo que o dormitório estava quase vazio. Avery estava deitado na cama, dormindo profundamente. Ignorando seu colega, se dirigiu para o banheiro e trancou a porta.
Aqueceu a água, deslizando o roupão por seu corpo pálido e se aconchegou na água morna, soltando um suspiro satisfeito. Pegou na bucha, um pouco de gel de banho e se lavou, tocando delicadamente em suas partes íntimas. Estava ansioso para ler o livro que sua mãe lhe tinha oferecido. Talvez pudesse lê-lo um pouco antes de dormir.
Lavou os cabelos com a Poção Sleekeazy, esfregando rapidamente. Passou o corpo por água limpa, tirou o ralo, vendo a água descendo juntamente com a espuma. Saiu da banheira e se limpou, vestindo seu uniforme e escovou rapidamente os cabelos brilhantes e cheios de vida. Arrumou seus pertences e saiu do banheiro, vendo que Avery continuava dormindo.
Avançou para sua cama e viu que sua roupa nova tinha desaparecido, os elfos já a tinham levado. Guardou a bolsa no malão, vendo o kit de limpeza da varinha escondido entre sua roupa. Iria aproveitar e limpa-la, há muito que não fazia e estava cheia de dedadas. Tirou o livro sobre intersexualidade e o escondeu debaixo do travesseiro. E pousou a caixa do kit em cima da cama.
– Avery? – Chamou, sabia que seu colega não iria querer perder o jantar – Avery!
– Que é, Snape? – Escutou a voz abafada contra o travesseiro.
– Está na hora do jantar. – Informou, se dirigindo para a porta.
– Tá bom... – Resmungou o Slytherin, se remexendo na cama. Severus saiu e passou pelo corredor, vendo seus colegas saindo de seus dormitórios. Desceu as escadas e entrou no Salão Comunal. Regulus e Lizbeth continuavam perto da lareira e, ao vê-lo, foram em sua direção.
– Oi! – Cumprimentou ele, vendo Bobbins sorrindo para ele.
– Oi, Severus! – Disse sua colega. Regulus acenou em resposta – Como foi sua tarde?
– Muito boa. – Respondeu, se dirigindo para o retrato – E a vossa?
– Também. – Falou – Estudamos com nossos colegas e depois fomos para o Lago Negro atirar bolas de neve uns contra os outros….
Andaram pelos corredores, saindo das masmorras e vendo colegas de todas as casas entrando no Salão Principal, onde havia a cacofonia do habitual. Imitaram-nos, escutando o murmurinho, cada vez mais alto, de seus colegas, que conversavam sobre aulas, notícias, Quidditch, entre outros assuntos.
Os Gryffindors já se encontravam todos à mesa e, ao vê-los, Potter acenou, os incentivando a se juntarem a eles. Se sentaram nos espaços livres e Severus viu seu namorado lhe entregando um prato com um tenro bife, arroz e batatas fritas.
– Obrigado. – Agradeceu, ao mesmo tempo que pegava no prato, sentindo água na boca. Trocaram um selinho – Ma porque você me preparou esse prato?
– Não posso mimar de vez em quando meu namorado? – Perguntou inocentemente o Maroto e Severus deixou escapar um sorriso, ficando tocado com o ato de seu companheiro. Tinha sido uma simples, mas agradável surpresa. Estava cortando o bife quando Remus falou, com voz cansada:
– Amanhã de manhã irei ter com minha mãe. – Todos se calaram, entendendo o que realmente ele queria dizer. Amanhã à noite começaria a lua cheia e Lupin ficaria na casa dos Gritos, pelo menos, uma semana. Viram o Maroto tocando em seu ombro, o confortando.
– Não se preocupe, Remus. – Evans tentou consolá-lo – Vou lhe fazer cópias de meus apontamentos, como de costume.
– Obrigado, Lily. – Agradeceu o Maroto – Não sei o que faria sem sua ajuda. Sirius trocou um olhar apaixonado com seu namorado e beijou sua mão. Sabia que seriam dias difíceis para ele. Não havia nenhuma poção que o impedisse de se transformar, sem dor, ou acabar mesmo com a licantropia. Moony não merecia a dor que sofria todos os meses.
– Se você quiser, também posso lhe emprestar meus apontamentos. – Ofereceu Severus, polidamente. Os olhos âmbar de Remus brilharam em sua direção, e falou:
– Agradeço muito, Severus. Mesmo muito. – Trocaram um sorriso, continuando o jantar. Ninguém desconfiava de suas conversas, todo o mundo já estava habituado aos sumiços de Lupin.
– Mas, sua mãe está doente? – Perguntou Lizbeth, preocupada.
– Minha mãe tem uma saúde muito frágil. – Mentiu Remus, sentindo um peso no coração. Bobbins era boa moça, ao contrário de muitos de sues colegas, e não merecia ser enganada. Mas não podia lhe dizer que era um licantropo.
Terminaram o jantar, esperando aqueles que queriam sobremesa. James e Severus conversavam em surdina, o Maroto se desculpando por não poderem passar tempo juntos, estava muito cansado devido ao treino. Trocaram carícias, aproveitando aqueles momentos os dois, antes de irem para seus respetivos Salões Comunais. Ao perceberem que todos tinham terminado, se levantaram de seus lugares e saíram do Salão. Severus percebeu que seu namorado acariciava imperceptivelmente o ombro e tinha uma postura cansada.
– Vá se deitar. – Recomendou – E não fique acordado até tarde.
– Sim, mamãe. –Falou o Maroto, revirando os olhos e recebendo um tapa no ombro de seu namorado:
– Au! – Reclamou – Sev!
– Culpa sua. – Falou o Slytherin, deixando escapar um sorriso malicioso. Escutaram risadas e viram seus amigos os olhando, divertidos. Se despediram, Severus, Regulus e Lizbeth entrando nas masmorras em direção ao Salão Comunal. Trocaram algumas palavras, se despedindo quando entraram pelo retratos escadas, caminhando pelo corredor e vendo seus colegas conversando dentro dos dormitórios, muitas portas se fechando quando passava. Entrou no dormitório, vendo que estava vazio, e seria assim por algumas horas. Pelo menos, até ao toque de recolher. Fechou as cortinas em redor de sua cama e se sentou na cama. Pegou no kit de limpeza, abrindo a caixa e tirano um frasquinho branco e um paninho. Poliu sua varinha, tirando as dedadas, e a tornando tão brilhante como no dia em que a tinha comprado. Tinha sido o único material em primeira mão que sua mãe lhe tinha conseguido fornecer, na altura, e a estimava muito. A varinha era uma extensão de si e se sentia despido sem ela. Pressionou o pano molhado na madeira escura, a limpando com firmeza.
De seguida, guardou tudo de volta, a varinha em cima do criado mudo e o kit no fundo do malão. Se ergueu e se dirigiu para o banheiro, onde lavou as mãos. Se sentindo cansado, tirou seu uniforme e vestiu o pijama. Afastou os lençóis e se deitou na cama, se aconchegando. Ajeitando o travesseiro atrás de suas costas, tirou o livro de seu esconderijo e abriu a primeira página, começando a ler mais sobre quem realmente era.
Continua…
Nota da Autora: Oi! Espero que tenham gostado do capítulo! Nunca pensei chegar ao capítulo 50 de "Um Beijo Inesperado de Natal"! Como a fanfic cresceu ao longo desses anos! Só de pensar que seria, somente, um projeto com meia dúzia de capítulos, como se desenvolveu imenso! Mas foi graças aos vossos comentários e ideias que tal aconteceu! Muito obrigada por todo o carinho deixado ao longo da fanfic!
Como puderam perceber, a lua cheia está chegando, o que irá fazer com que Severus e James tenham de se separar por um tempo, sem mencionar Sirius e Remus. Espero ansiosa vossos comentários, e vossas ideias. É muito bom quando comentam nosso trabalho. Peço que se cuidem. Bjs :D
