Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço o comentário de ThaMaddox, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 51

A Pegadinha de Peeves

A porta do dormitório bateu com alguma força, despertando James. Ensonado, levantou a cabeça do travesseiro, escutando as vezes sussurradas de Sirius e Remus. Se ergueu da cama e se espreguiçou, todo o cansaço que tinha sentido no dia anterior desaparecido. Puxou com rapidez os lençóis para trás e se levantou, abrindo as cortinas. Viu seus amigos em frente à cama, arrumando os pertences de Remus no malão velho e desbotado. Peter já tinha corrido para os braços de Zoey e Frank para os de Alice, para continuarem os preparativos do casamento. Não aguentavam ficar longe de suas namoradas, nem por um dia.

Souberam que Peter estava apaixonado pelo quinto ano, enquanto suspirava pelos cantos como uma garota apaixonada. Ficara meses a observando e a desejando em silêncio, não tendo coragem de conversar com ela e de receber um não como resposta.

Um dia, fartos de todo seu melodrama, foram ter com Zoey e a convenceram a falar com ele. Depois de escutar suas insistências e queixumes, ela aceitou, dizendo que conversaria com ele e que tomaria sua decisão. Ficou com Peter fechada em uma sala inutilizada, onde conversaram durante horas, enquanto eles estavam escondidos no corredor com a capa. Por fim, tinham saído com sorrisos felizes, e tinha trocado um selinho simples, caminhando pelo corredor de mãos dadas, não se apercebendo das danças desajeitadas de Sirius e James, ao mesmo tempo que Remus tentava tapá-los o melhor possível com a capa. E nunca mais tinham escutado seus receios e hesitações, embora o olhar apaixonado não tivesse desaparecido. Pelo contrário, tinha se intensificado, se tal era possível. Mas, se Peter estava feliz, eles também estavam, por ele.

– Bom dia. – Cumprimentou, se dirigindo para seus amigos. O casal já se encontrava vestido, dando os últimos retoques nas roupas, antes de fechá-lo.

– Bom dia. – Responderam, se virando para ele.

– Dormiu bem? – Perguntou Remus, seu aspeto tão cansado e frágil, como se estivesse doente.

– Sim. – Respondeu, vendo Sirius fechando o malão, a placa dourada com os dizeres "Professor R.J. Lupin", brilhando contra a luz. Tinha sido uma brincadeira dele e Sirius, que pensavam que seu amigo tinha muito jeito para ensinar e, até, poderia ser professor, se ninguém descobrisse sobre seu "probleminha peludo". A ultima vez que Lupin o tinha fechado, antes de ir para o Salgueiro Lutador, tiveram de buscar o fecho ao outro lado do dormitório, devido à força bruta que seu amigo adquiria antes da lua cheia. Felizmente, Frank não se encontrava naquele momento com eles. Teria sido difícil explicar como tal tinha acontecido. – Nem vou perguntar se vocês também, pelas vossas caras…

Os rostos de seus amigos estavam pálidos, com olheiras debaixo dos olhos. Poderia dizer que tinham passado a noite acordados, se amando como se não houvesse amanhã. A semana da lua era dos momentos mais complicados para os dois, pois ficavam separados de manhã, e só podiam se ver à noite, se Remus ainda não estivesse transformado. Havia dias que nem conseguiam trocar uma palavra, um gesto, pois a lua aparecia inesperadamente, forçando a transformação. A única razão que ele gostava da lua, era que podia se transformar em Prongs e correr livremente pela floresta proibida.

Depois, depois da lua desaparecer e de seu amigo voltar à sua forma humana, riam-se de suas aventuras, sem se importarem com as consequências de suas irresponsabilidades. Informou o casal que iria tomar um duche quente, para se sentir melhor. Pegou em seus pertences e entrou no banheiro, fechando a porta. Pousando tudo em cima do lavatório, lavou os dentes e tomou uma ducha rápida, se esfregando vigorosamente, deixando a água deslizando por seu corpo mais relaxado. Estava ansioso para ver seu namorado. Na noite anterior, não tiveram um tempo só para eles, e duvidava muito que o tivessem durante o resto da semana.

Com a lua cheia, os treinos e as aulas, ficaria demasiado cansado para uma escapadela com Severus. E o pior de tudo é que não teria nenhuma aula naquele dia com os Slytherins para compensar. Teria de aturar Slughorn e os Ravenclaws, na primeira parte da manhã e, de seguida, DCAT com os Hufflepuffs. Pelo menos, os texugos não eram puxa-saco como as águias.

Saiu da banheira com a toalha enrolada nos quadris, se limpou e arrumou seus pertences. Nem se deu ao trabalho de arrumar seu cabelo, era um caso perdido. Vestiu seu uniforme e saiu do banheiro, vendo que seus amigos ainda o esperavam.

Arrumou sua bolsa de higiene dentro do malão e os três adolescentes saíram do dormitório em direção ao Salão Comunal. Olharam para a janela, vendo a neve tocando delicadamente no vidro, mostrando que seria mais um rigoroso dia de inverno. Saíram do Salão Comunal, a Dama Gorda olhando atentamente para o trio, como se esperasse que eles começassem uma travessura. Desceram as escadas e, direção ao Salão Principal. Pelo canto do olho, viu seus amigos abraçados, o rosto de Remus incrivelmente pálido e tenso.

Passaram por um grupo de primeiranistas, que observavam as cartas de snap explosivo. Estavam passando pelo quinto andar, quando escutaram uma violenta explosão, que fez tremer o castelo. Automaticamente tiraram as varinhas de dentro dos bolsos, escutando os gritos aterrorizados que provinham da torre de Ravenclaw. Remus se virou para o grupo atrás de si e exclamou, sua voz mais grave que o habitual:

– Vão chamar o diretor! Depressa! – Assustadas, as crianças correram escadas abaixo, enquanto os Marotos avançava, para a ala oeste do castelo. Pelo caminho, começaram sentindo o odor horrível a bombas de bosta. Enojados, colocaram as mãos em frente dos rostos, avançando cautelosamente. Escutaram uma gargalhada maliciosa e viram Peeves flutuando rapidamente pelo corredor. O poltergeist só ficava contente quando fazia alguma brincadeira. Não era um fantasma comum, era mais conhecido pelo espírito do caos. Podia carregar, atirar e derrubar objetos, soltar parafusos e mascar chicletes. Estudantes e o Zelador o odiavam por serem os alvos de suas travessuras, exceto os Marotos. Peeves tinha um imenso respeito por eles, principalmente depois de Sirius lhe ter ensinado novos palavrões.

Há bastante tempo que não o viam preambulando pelos corredores, assustando os estudantes, principalmente os mais novos. Agora entendiam o motivo. Estava preparando uma peça. E muito mal cheirosa, por sinal.

– Peeves, que aconteceu? – Perguntou Sirius, a voz saindo ligeiramente abafada.

– Peeves decidiu deixar um presentinho no Salão Comunal dos Ravenclaws! Mas parece que eles não gostaram muito da surpresa! – Exclamou o poltergeist, seus perversos olhos negros os observando. Usava um chapéu pontudo, que normalmente usava em suas reverências. Sua boca grande estava retorcida em uma risada cruel, antes de se afastar, enquanto cantava:

"Quando há conflitos e quando há problemas. Chame Peevsie, ele fará o dobro! AHAHAHA!" – Viram-no atravessar os corredores, ao mesmo tempo que escutavam uma tosse prolongada. Se viraram, vendo Gideroy Lockhart, de rosto avermelhado, tropeçando em seus próprios pés, desesperado por fugir do fedor. Seus cabelos loiros, com cachos bem arranjados, estavam frisados. James e Sirius se entreolharam, odiavam Lockhart. Era extremamente vaidoso, embora não fosse muito inteligente. Muitos se perguntavam como ele tinha entrado em Ravenclaw. Ele não tinha nenhuma habilidade especial, só desejava atenção e fama. Tentava de tudo para ser popular,

Uma vez, tinha conseguido cavar seu nome no campo de Quidditch, recebendo uma semana de detenção. Tinha sido zoado por todas as casas, incluindo a sua.

No dia de S. Valentim, tinha mandado a si mesmo oitocentos cartões no Dia dos Namorados, fazendo com que o café da manhã tivesse sido cancelado devido à quantidade de titica e penas que caíram na comida. Sirius, que tinha preparado uma surpresa para essa manhã, ficara tão furioso que lhe lançara um feitiço, o deixando careca. Tinha sido hilário vê-lo correr, aos gritos, até à enfermaria. E, durante um jogo de Quidditch, lançara uma imagem de seu próprio rosto no céu ao estilo da Marca Negra, interrompendo o jogo e deixando todo mundo furioso com ele.

Remus correu até ao Ravenclaw e, acenando com a varinha, fez aparecer um copo com água. Enquanto Sirius e James lançavam feitiços para limpar o ar, ajudou o mais novo a beber, enquanto viram Dumbledore e Flitwick chegando.

– Que aconteceu aqui, senhores? – Perguntou o diretor, com voz afável, seus olhos observando atentamente a cena à sua frente. James e Sirius se entreolharam, se perguntando se seriam castigados pela brincadeira do poltergeist. Afinal, seria uma brincadeira que teriam feito, no passado.

– Foi Peeves, senhor. – Respondeu Gilderoy, se sentindo um pouco melhor – A gente acordou com ele atirando bombas de bostas em nossos dormitórios. Toda a área está infestada com o cheiro, mal se consegue respirar.

– E como se sente, Sr. Lockhart?

– Melhor, graças à ajuda deles. – Respondeu, antes de tossir novamente. Seu chefe de casa se dirigiu para o estudante e agradeceu a ajuda prestada, dando cinco pontos a cada um por terem ajudado um colega.

– Eu falarei com Peeves, não se preocupem. – Garantiu o diretor – Ele nunca mais repetirá essa brincadeira. Quanto aos senhores, – Falou, se virando para os Marotos, que o observavam atentamente. – Estou muito satisfeito por terem ajudado um colega necessitado, lhes darei mais trinta pontos.

– Obrigado, senhor. – Respondeu Remus, se dirigindo para seus amigos.

– Podem ir tomar vosso café da manhã sossegados. – Disse o diretor, vendo um grupo de Ravenclaws avançando lentamente pelo corredor. Se virou para eles, pronto para ajudá-los a irem para a enfermaria. O trio desceu rapidamente as escadas, cheios de fome e querendo contar as novidades a seus amigos. Ao entrarem no Salão Comunal, viram a mesa das águias vazia, as restantes casas comentando o que tinha acontecido. Se dirigiram para sua mesa e se sentaram, cumprimentando todos:

– Bom dia.

– Oi! – Respondeu Lily, e comentou, espantada – Vocês sabem o que aconteceu? Tá todo o mundo falando que Peeves deitou bombas de bosta no Salão Comunal dos Ravenclaws. Será verdade?

– E nos dormitórios também. – Respondeu Sirius, começando a contar o que tinham presenciado. Toda a mesa dos leões parou para ouvir seu relato, chocados com a atitude do poltergeist. Ele nunca tinha entrado nos Salões Comunais para importunar os estudantes, só nos corredores.

– O Barão Sanguinário vai ficar furibundo quando souber. – Comentou uma garota do quarto ano – Nem quero estar na pele dele quando descobrir.

– Mas a culpa também é dele. – Falou um colega do quinto ano, de nariz arrebitado e com ar superior – Peeves é um empecilho para o castelo. Ainda não entendi porque não o expulsam.

– Talvez por que não possam. – Disse uma garota do terceiro ano – Peeves faz parte do castelo há muito tempo, talvez ele já estivesse aqui desde o tempo dos Fundadores. Ninguém teria coragem para expulsa-lo. E, mesmo que o tentassem, duvido muito que conseguissem.

Continuaram o debate, enquanto James cumprimentava seu namorado com um selinho e buscava um prato com uma torre de waffles recheadas com mel, e uma xícara de café com leite. Falaram em surdina, o Maroto lamentando não poderem estar juntos. Severus disse que não havia problema, que tinham muito tempo depois. Remus precisava deles naquela semana e não podia falhar. James agradeceu sua compreensão, prometendo recompensá-lo, e recebendo um olhar maroto de volta.

Engoliu em seco, tentando não imaginar o corpo despido de seu namorado em baixo de si, se remexendo sensualmente, enquanto faziam amor.

Um grupo de primeiranistas de Ravenclaw entrou no Salão Principal, conversando em voz alta, revoltados com a brincadeira do poltergeist. Deles provinha um intenso odor a perfume, eliminando o fedor das bombas de bosta e seus rostos continuavam vermelhos pela falta de ar sofrida. Um deles exclamou em voz alta, chocado, sem se aperceber dos olhares das outras casas sobre si:

– Você viu a expressão do Barão Sanguinário ao saber da travessura de Peeves? Ficou furioso!

– Furioso é pouco! – Exclamou um garoto com longas rastas no cabelo. – Nunca vi tanto ódio no rosto de um fantasma! Não me admira que Peeves tenha medo do Barão. Eu também teria!

– É verdade! – Escutaram o resto do grupo concordando. Viram os primeiranistas se sentando na mesa, recebendo palavras de conforto dos Hufflepuffs. James, que nunca tinha visto o Barão Sanguinário zangado, se perguntou se seria mesmo assustador como diziam. Ou seria exagero dos mais novos.

Pouco depois terminaram o café da manhã e se levantaram, vendo alguns Ravenclaws entrando para terem chance de comer, antes de irem para suas aulas. Se perguntou se a aula de Poções começaria mais tarde naquele dia. Saíram do Salão Principal, trocando palavras com seus colegas, sentindo uma mistura de perfume carregado com um ligeiro fedor pútrido. De vez em quando, seus colegas lançavam feitiços sobre eles, para ajudar a eliminá-lo mais rapidamente. Slughorn teria de deixar a porta da sala aberta, ninguém aguentaria ter aulas com aquele cheiro.

Pararam no hall do castelo e James puxou seu namorado para si, o beijando apaixonadamente. Escutou o gemido abafado contra seus lábios e sentiu seu corpo reagindo. Se separou lentamente, vendo o rosto ruborizado do Slytherin. Regulus revirou os olhos, divertido. Até parecia que Potter não veria Severus por muito tempo, pelo modo como o tinha beijado, tão desesperadamente.

As garotas trocaram risadas, vendo como o Slytherin apertava seu uniforme, suas bochechas vermelhas de vergonha. Se despediram, cada um se dirigindo para seu Salão Comunal. Os Gryffindors subiram as escadas, passando pelo quinto andar e percebendo que estava vazio e anormalmente silencioso. Os professores já tinham dado conta do assunto. Continuaram o caminho, vendo os Ravenclaws andando pelos corredores. Muitos deles continuavam ruborizados, mas já não tinham falta de ar e tinham arranjado maneira de se livrarem do mau odor. Os elfos domésticos teriam muito trabalho naquele dia. Provavelmente teriam de trocar as camas, os cortinados, os travesseiros e limpar toda a área de Ravenclaw. E, mesmo assim, poderia não ser o suficiente.

Entraram no sétimo andar, vendo a Dama Gorda fofocando com os retratos em seu redor. Ao vê-los, se endireitou e perguntou:

– Senha?

– Hocus Pocus. – Respondeu Marlene, vendo o retrato se afastando para lhes dar passagem. Entraram no Salão Comunal, escutando as conversas de seus colegas, que comentavam que o Barão Sanguinário estava caçando Peeves por todo o castelo e que já lhes tinha feito uma visita. Estranharam não tê-lo visto, mas era um fantasma, poderia passar por despercebido. Os Marotos sabiam que o poltergeist se tinha escondido muito bem, e esperavam que não fosse encontrado durante bastante tempo. Não queriam assistir aos longos discursos e ameaças do Barão, e castigava Peeves. Como o fazia, ninguém sabia. Se dirigiram para seus dormitórios e James pegou em sua mochila. Os cinco garotos, depois de pegarem seus materiais, saíram do dormitório e desceram as escadas em direção ao Salão Comunal, esperando as três meninas enquanto conversavam.

Quando elas desceram e se juntaram ao quarteto, saíram do Salão Comunal rumo às masmorras do castelo. James, pelo canto do olho, viu Padfoot apertando Remus contra si e se perguntou como seu amigo conseguia ver seu namorado se transformando todos os meses, assistindo seu sofrimento sem poder fazer absolutamente nada. Infelizmente, ainda não havia nenhuma cura para o "probleminha peludo" de Moony, mas esperava que o houvesse, um dia.

Continua…

Nota da Autora: Oi! Lamento imenso a demora, mas tive um mês muito ocupado e não conseguia postar mais cedo. Mas, espero que tenham gostado do capítulo! Que acharam da pegadinha que Peeves lançou a Lockhart? No próximo capítulo teremos a transformação de Remus em lobisomem, que deverá ser um capítulo intenso. Gostaria muito de dizer que postarei em breve, mas não sei. Minha vida tem dado muitas voltas, e tenho ficado com cada vez menos tempo para escrever. Mas, espero postar em breve. E, que estejam seguros e bem. Bjs :D