Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço o comentário de ThaMaddox, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 52

Lua Cheia

As aulas tinham sido uma tortura. Sempre que olhava para seu namorado, se recordava que, naquela noite, seus "eus" humanos se separariam por algumas horas. Tinha perdido vários pontos por não ter conseguido realizar a estúpida poção de Slughorn. Merlin, como o desprezava! Era um cínico, só querendo alunos privilegiados para seu clubezinho patético. Ainda bem que recusara o convite, não aguentaria ir a essas festas e conhecer pessoas esnobes, com a mania que a riqueza de sua família era o mais importante e que as restantes pessoas eram o lixo da sociedade, que não podia ser eliminado, exceto por Voldemort e seus seguidores.

A aula de DCAT não tinha sido tão ruim, tinha treinado com Remus alguns feitiços de proteção avançados, lhe pedindo em surdina para que não se esforçasse demasiado. A transformação seria dolorosa e não precisava de se cansar desnecessariamente. Sempre que os professores não olhavam para eles, trocava um carinho com seu namorado, recebendo um sorriso cansado.

Quando mais novo, adorava a lua cheia. Era mágica aos seus olhos inocentes de criança. Mas, depois de conhecer a maldição de seu amigo – e depois namorado – a odiava por provocar-lhe dor e roubá-lo dele.

O almoço não lhe tinha sabido a nada e mal comera devido à ansiedade da separação. Era como se os alimentos não descessem por sua garganta, que parecia demasiado estreita. Remus muito menos, mas tinha conseguido convencê-lo a comer uma canja de galinha. Ele precisava de forças para o que viria.

Viu seu melhor amigo e Snape encostados, enquanto saboreavam seus almoços. Nunca tinha imaginado que realizara todas aquelas brincadeiras com o Slytherin porque estava apaixonado. Abanou a cabeça, se virando para seu namorado e perguntando:

– Depois do almoço, você quer ir dormir um pouco?

– Seria melhor, Siri. – Respondeu Remus, o garfo brincando com uma das almôndegas que se encontravam no prato. Afastaram suas refeições, sem apetite, esperando educadamente que seus amigos terminassem. Entrelaçaram suas mãos, querendo ficar o mais junto possível de seu companheiro.

– Vocês não querem mais? – Perguntou Marlene, enquanto os observava, preocupada – Mal tocaram na comida. Estão bem?

– A gente não tem fome. – Mentiu Sirius e, se virando para seu namorado, e continuou – Remus precisa de descansar para a viagem. Não se importam, pois não?

– Claro que não! – Exclamou Lily, rapidamente – Você parece que nem dormiu de noite. Vá repousar um pouco, para se sentir bem.

– Espero que sua mãe fique melhor. – Disse Alice, vendo a palidez doentia de Remus. Muitas vezes se perguntava se ele teria a mesma doença rara de sua mãe, ou se seria a ansiedade de regressar a casa, mesmo sendo por poucos dias.

– Obrigado. – Agradeceu Remus, vendo seus amigos se levantando e trocando beijos e abraços. Os abraços das garotas tinham sido delicados, temendo machucá-lo, e o de Frank e Regulus um pouco mais forte, mas que não o tinha machucado. Era bom sentir o contato de outras pessoas. Quando era criança, adorava que seus pais o abraçassem e o mimassem, principalmente depois de um dolorosa transformação.

Saíram do Salão Principal, subindo as escadas, tendo o natural cuidado de ficarem atentos quando mudassem de lugar. Já estavam tão habituados às mudanças, que nunca eram apanhados. Só precisavam de ficar atentos. Era impossível, mesmo estando conversando com amigos, de não observarem o que se passava em seu redor. Peeves poderia aparecer de rompante e tornar a vida de um aluno distraído em um inferno com suas brincadeiras, embora duvidassem que o Poltergeist fosse aparecer nos próximos dias.

Viram, pelas janelas do castelo, como a neve caia copiosamente. Os estudantes mais novos corriam em direção ao Lago Negro para patinarem no gelo, fazerem bonecos de neve ou, até, atirarem uns contra os outros bolas de neve. Avançaram pelo corredor iluminado do castelo, ignorando as fofocas dos retratos, e desejando de deitarem na cama para descansarem. Remus sentia as pálpebras pesadas, desejando fechar os olhos e adormecer nos braços de Sirius.

Entraram no sétimo andar, em direção ao retrato da Dama Gorda, que interrompeu a conversa com sua amiga Violet, quando pararam à sua frente.

– Senha? – Perguntou, impaciente.

– Hocus Pocus. – Respondeu Sirius, não ligando ao seu tom de voz. Quando a Dama Gorda estava fofocando, e a interrompiam, ficava insuportável. O retrato se afastou para passarem. Entraram no Salão Comunal, onde crepitava o fogo na lareira. Um grupo de estudantes do quarto ano estava sentado nos sofás, conversando. Os dois Marotos entraram pela ala esquerda e subiram as escadas. Passaram pelos corredores em direção ao dormitório e entraram. Sirius fechou a porta e lançou feitiços não verbais para que não fossem incomodados. Ao virar-se para seu namorado, viu espelhado em seus olhos âmbar uma enorme tristeza.

Condoído, Remus se aproximou dele, escondendo o rosto em seu peito musculado, e sentindo seu intenso odor a perfume. Um dos motivos de não querer a lua cheia não era a dor excruciante que sentia enquanto se transformava. Mas sim a expressão de impotência de seu namorado ao vê-lo se transformando. Seus olhos ardiam pelas lágrimas contidas, não queria se separar dele, nem que fosse por alguns dias.

Quando era criança, tinha receio da lua, por lhe provocar dor, quando tinha entrado em Hogwarts, ficara aterrado em ser descoberto e exigirem sua expulsão. Quando fizera amizade com James, Sirius e Peter, temera que eles o abandonassem quando descobrissem sua condição. E, quando eles se transformaram em animagos, de machucá-los irremediavelmente. Mas, nada comparava à dor de se separar de Sirius, das noites que teriam de ficar afastados, sem toques, beijos ou trocas de palavras, devido à maldição da lua.

Sentia seu namorado acariciando seu cabelo, ao mesmo tempo que o levava para a cama, puxando os lençóis e o deitando. Viu Sirius se deitando a seu lado e o puxando para si, sentindo o calor que provinha dele.

– Eu te amo. – Escutou ele murmurando em seu ouvido. Deixou escapar um sorriso apaixonado e, olhando nos olhos cinzas, respondeu:

– Eu também te amo. – Deitou a cabeça em seu peito, todo seu receio desaparecendo momentaneamente. Sentia sua respiração calma e o bater ritmado de seu coração.

Suspirou ao sentir seu namorado acariciando seus cabelos. Lentamente, fechou os olhos, adormecendo profundamente.

OoOoO

Remus abriu os olhos e olhou em redor, vendo o quarto vazio ligeiramente mais escuro, indicando que a hora estava chegando. Se ergueu da cama, observando o rosto adormecido de Sirius. Mesmo tendo dormido, o cansaço não tinha desaparecido. Sentia seus músculos doloridos, seu corpo lhe indicando o que iria acontecer naquela noite. Tocou de leve no rosto de seu namorado, temendo acordá-lo. Aquela altura do mês era muito difícil para ambos. Por vezes, se perguntava o motivo de Sirius ainda estar com ele. Se fosse outra pessoa, já o tinha abandonado há muito tempo ou pior, teria revelado seu segredo para todo o mundo.

Se levantou da cama silenciosamente, temendo acordá-lo, e caminhou lentamente em direção à janela, que revelava os flocos de neve descendo até ao chão.

Tocou com os dedos no vidro úmido e fez um rosto sorridente, se apercebendo que seu namorado já tinha despertado e se dirigia lentamente para ele. Sua audição ficava muito mais aguçada naquela altura. Inspirou fundo, escutando um ranger suave e se virou vendo Sirius de braços abertos, pronto para lhe dar um abraço.

– Siri… – Falou, deixando escapar um sorriso ao ver sua expressão surpresa por ter sido apanhado no flagra – Falta pouco.

– Eu sei… – Murmurou seu namorado, se aproximando dele e lhe estendendo a mão, sendo de imediato aceite – Você quer ir à cozinha comer e depois quer que te acompanhe até à enfermaria?

– Sim, por favor. – Aceitou Remus – Eu não gosto de ir sozinho.

Com a presença de Sirius, era mais fácil para ele. Se dirigiu para o malão, enquanto via seu namorado de dirigindo para sua área e pegando de dentro de seu malão um sobretudo quente.

– Tome. – Falou, ao se aproximar dele, lhe entregando. Remus segurou nele, se vestindo, e cheirando-o. O suave odor a perfume, acompanhado com um toque de fumo, que provinha da lareira acesa e a cachorro molhado, inundou suas narinas. Sorriu, sentindo o pelo do casaco o aquecendo. Pegou no malão, ao mesmo tempo que seu namorado abria a porta. Saíram do dormitório e caminharam de mãos dadas pelo corredor. Sirius sentia a tensão de seu namorado, e lhe sussurrou que tudo iria ficar bem. Desceram as escadas e entraram no Salão Comunal, vendo alguns estudantes nas mesas de estudo, conversando ou estudando. Notaram a escuridão que chegava através das janelas. Se dirigiram para a porta e a abriram, dando de caras com Mary e Dorcas, que soltaram um gritinho agudo, assustadas.

– Vocês estão bem? – Perguntou Remus, rapidamente.

– Sim, sim… – Respondeu rapidamente Dorcas, uma mão pousada em seu coração – Não estávamos contando que abrissem a porta né, Mary?

– É verdade. – Falou ela, observando o casal. Vendo o malão na mão de Remus, perguntou:

– Já vai embora?

– Tenho de ir. – Respondeu Remus – Preciso de ir para casa. Minha mãe adoeceu novamente e precisa de mim.

– Que pena… – Comentou Mary, preocupada – Espero que ela melhore depressa.

– Eu também. – Acrescentou Dorcas – Precisamos de você para controlar Sirius. Ele fica intragável sem você.

– Oi! – Exclamou o Maroto, indignado.

– Obrigado. – Falou Remus, recebendo um abraço de suas colegas, se sentindo um pouco melhor. Se afastaram e elas entraram no Salão Comunal. Os garotos desceram as escadas em direção à cozinha. Os retratos observaram a interação dos dois estudantes, fofocando entre eles.

Entraram no porão de Hufflepuff e, no corredor do lado de fora, podia-se encontrar uma pintura com uma taça de frutas. Pararam mesmo em frente e olharam em redor. Vendo que estavam sozinhos, Sirius fez cócegas na pera, que se contorceu e riu. Observaram como se transformava em uma maçaneta verde, revelando a porta. Entraram, sendo recebidos pelos animados elfos domésticos, que desejavam servi-los. Foram puxados para o centro da cozinha, onde se encontravam as mesas para onde seriam levadas as refeições. Se sentaram em uma delas, vendo que o jantar já estava sendo preparado.

– Que desejam, senhores? – Interrogou um deles, seus olhos os observando com veneração.

– Uma canja e uma sanduíche, por favor. – Respondeu Remus – Não estou com muita fome.

– E o senhor? – Perguntou outro elfo a Sirius, que respondeu:

– Um suco de abóbora e também uma sanduíche.

– Os senhores têm alguma preferência?

– Não. – Respondeu o Maroto olhando para seu namorado, que também negou. Os elfos se afastaram, prontos para atenderem os pedidos. Remus encostou a cabeça no ombro de seu namorado e suspirou, vendo a rapidez com que trabalhavam as pequenas criaturas.

– Eu te amo. – Escutou seu namorado declarar, ao mesmo tempo que um elfo pousava sobre a mesa dois copos e um jarro com suco. Sirius só costumava se declarar para ele em momentos como aquele, em que se iriam separar.

– Eu também te amo. – Respondeu, e trocaram um selinho. Quando se afastaram, viram dois elfos colocando à frente deles os pratos com as sanduíches e dois guardanapos.

– A canja está pronta, senhor. – Informou um elfo a Remus, que agradeceu. Saborearam suas sanduíches, a de Sirius era de frango e a de Remus de atum. Pouco depois, chegou a canja e o Maroto a saboreou, sentindo sua quentura e o gosto de hortelã. Os elfos continuaram seus afazeres, mas sempre observando o casal, caso eles precisassem de algo. Terminado o jantar – no caso de Sirius, o lanche – agradeceram aos elfos, que lhes entregaram saquinhos com biscoitos. Remus encolheu a comida e a guardou no bolso do sobretudo, sabendo que teria fome antes da transformação.

Saíram da cozinha, olhando o corredor, para ver se vinha alguém. Vendo que continuava vazio, continuaram o caminho, se dirigindo para a enfermaria. Avançaram pelas escadas com cuidado, para ver se elas não se moviam. Entraram na ala, se dirigindo para a entrada da enfermaria. Parando em frente à porta, Remus falou:

– Siri, ainda tenho de conversar com Madame Pomfrey. Não precisa de esperar por mim, tá bom?

Sirius queria negar mas, ao ver a tristeza no rosto cansado de seu namorado, acenou. Não queria aborrecê-lo. Trocaram um beijo demorado, revelando a mágoa pela separação. Quando se afastaram, se olharam nos olhos e entrelaçaram rapidamente suas mãos.

Lupin entrou na enfermaria, fechando a porta. O Maroto suspirou, fechando momentaneamente os olhos, para se acalmar. Se virou, caminhando sem rumo pelos corredores, ignorando as vozes animadas de seus colegas. Se encostou à parede, olhando pela janela a neve caindo. Ele não merecia passar por toda essa dor e sofrimento. Odiava Greyback por ter destruído a vida de seu namorado, o obrigando a ficar na reclusão, nem que fosse por alguns dias. Se não tivesse sido a bondade do diretor, Remus nunca teria a chance de estudar em uma escola de renome, como Hogwarts. Provavelmente, poderia estudar em lugar nenhum.

- Padfoot… – Escutou uma voz perto de si. Se virou, vendo James e Severus lado a lado, Potter trazendo nas mãos o Mapa do Maroto – Venha jantar, daqui a pouco a gente tem de ir.

- Tá bom. – Respondeu, se atando da janela. James murmurou a contrasenha, e dobrou o mapa, o guardando cuidadosamente dentro do bolso. Avançaram atentamente pelas escadas, tendo o cuidado de saltar o degrau falso. Se dirigiram para o Salão Principal, e entraram vendo que já estava enchendo. Peter já se encontrava na mesa, jantando, acompanhado por Zoey. Se sentaram a seu lado e os cumprimentaram, enquanto se serviam. James se decidiu por um prato de bife de cordeiro assado, acompanhado por batatas e vegetais. Sirius pegou em um prato, escolhendo arroz de pato, com queijo mozarella derretido no topo. Severus escolheu um prato de Strogonoff de filé mignon.

Sirius mastigava a comida, não sentindo seu sabor. Sua garganta parecia tão estreita, que o jantar mal descia. Xingou mentalmente todo o mundo que ria e falava alto a seu lado. Sentia os nervos à flor da pele. Imaginava seu namorado sozinho, na Casa dos Gritos, contando o tempo que restava como humano. Não conseguindo comer mais, desviou o prato, desviou o prato e deitando olhares atravessados a quem decidisse conversar com ele. Não queria ninguém o incomodando. Peter conversava com James, insistindo que queria ajudá-los, que ele era o único que conseguia imobilizar a árvore sem recurso a feitiços, e que não queria ser deixado de lado. Que poderiam precisar dele quando se encontrassem com o lobisomem. O Maroto aceitou, sabendo que também não queria ser deixado de parte.

– Padfoot… – James falou, interrompendo seus pensamentos. Se virou, vendo seus amigos de pé, o esperando. Desviou o olhar, observando a expressão ansiosa de Snape. Se levantou, saindo os quatro do Salão Principal. Potter abraçava seu namorado, lhe sussurrando palavras de conforto. Pararam no hall do castelo, vendo eles trocando um beijo apaixonado e desviou o olhar, observando a expressão constrangida de Peter, que observava atentamente os dedos de suas mãos.

– Boa sorte… – Escutaram Severus dizer. Ergueu o rosto, vendo o Slytherin lhes deitando um ultimo olhar antes de entrar novamente no Salão Principal.

– Tenho de ir ao banheiro… – Murmurou Peter, o rosto ligeiramente avermelhado. Sirius abanou a cabeça, para resmungar, quando escutou James dizer, em surdina:

– Aproveitamos e nos escondemos debaixo da capa. – Subiram rapidamente as escadas, entrando no primeiro banheiro masculino que encontraram. Deixaram sair um Hufflepuff do primeiro ano, que os observou, temeroso. Sirius lavou o rosto, para se acalmar um pouco. Sentia seu coração batendo rapidamente dentro de si. Não queria gritar com seus amigos, que tudo faziam por ele, mas só desejava estar perto de Remus.

Potter, que tinha observando todas as portas para saber se o lugar estava vazio, pegou na capa ao ver que eles já estavam prontos, e se cobriram. Entregou o Mapa a Peter, que murmurou a senha e viram que o corredor estava vazio. Saíram do banheiro e desceram cuidadosamente as escadas, para não serem apanhados, se desviando de seus colegas. Saíram do castelo, Sirius lançando encantamentos atrás de si para eliminar as pegadas, enquanto James iluminava o caminho. Avançaram o mais rapidamente que conseguia para o Salgueiro Lutador, despido de folhas, que abanava delicadamente os ramos ao sabor do vento. Pararam a uma distância segura e olharam em redor, estavam sozinhos. Peter avançou rapidamente, tendo o cuidado para não tocar na árvore. Pegou em um pau comprido e o pressionou no botão, o imobilizando. James e Sirius se aproximaram, o perigo já tinha passado. Peter se dirigiu para o meio de um grande buraco entre as raízes e escorregou por uma descida de terra até o leito de um túnel muito baixo. Parou de pé e se afastou, para deixarem os outros entrarem.

Os garotos caminharam o mais rápido que puderam, quase dobrados em dois. A passagem parecia que não tinha fim. Respiravam em arquejos curtos e dolorosos, correndo agachados, e então o túnel começou a subir. Momentos depois se viraram, vendo um espaço mal iluminado por meio de uma pequena abertura. Peter saiu do buraco e lançou "lumos", para verem melhor.

Havia um quarto, muito desarrumado e poeirento. O papel descascava das paredes e havia manchas por todo o chão. Cada móvel estava quebrado como se alguém o tivesse atacado e as janelas estavam vedadas com tábuas. O quarto estava deserto, mas havia uma porta aberta à direita, que levava a um corredor sombrio. A Casa dos Gritos tinha um aspeto abandonado e decrépito.

Saíram para o corredor e subiram uma escada desmantelada. Remus estaria dentro de um dos quartos. Tudo estava coberto por uma espessa camada de poeira, exceto o chão, onde uma larga faixa brilhante fora aparentemente limpa por uma coisa arrastada para o primeiro andar. Chegaram ao patamar escuro, observando suas sombras cobrindo as paredes sujas.

Nox. — Sussurrou Peter, a luz na ponta de sua varinha se apagou. Havia apenas uma porta aberta, apodrecida pelo tempo e partida pelos ataques enraivecidos. Sirius avançou, escancarando a porta, e viram Lupin em frente à janela, observando o céu. O chão de madeira se encontrava cheio de pó e com marcas de garras. No fundo da habitação, se encontravam sofás velhos e rompidos, e uma chaminé onde já estava aceso o fogo crepitante, aquecendo o local. Por cima da chaminé se encontrava um espelho opaco, o vidro todo riscado. Os pertences do Maroto estavam escondidos debaixo da cama, protegidos com vários encantamentos, para não serem apanhados pela fúria do lobo.

– Remy… – Murmurou Sirius, correndo até ele, e o abraçando com força.

– Siri… – Escutou a voz ligeiramente animalesca de seu namorado. Se olharam nos olhos, vendo como os olhos âmbar de Remus estavam brilhantes e dilatados. Sua pele estava pálida como um fantasma e brilhante pelo suor. Sentiu o tremor em suas mãos. Estava quase na hora.

– Eu te amo. – Sussurrou em seu ouvido, sentindo seu corpo tenso, e sua resposta rouca.

– Eu também… – Se afastou, se juntando a seus amigos, vendo a transformação acontecer.

Lupin olhou diretamente para a brilhante lua cheia, sendo banhado pelo luar. Sua silhueta enrijeceu e se escutou um grito humano de profunda dor. Lágrimas começaram escorrendo por seu rosto, soltando um novo grito, mais inumano. James viu, pelo canto do olho, Sirius se transformando, lentamente, para sua forma canina e se remexendo, ansioso. Escutaram ossos rachando como galhos pelo vento forte, se encaixando e se recolocando, para se adaptarem à sua nova forma. Sua cabeça começou a se alongar, sendo acompanhado pelo corpo e os ombros se encurvaram. Pelos brotavam visivelmente de seu rosto e suas mãos, que se fechavam, se transformando em patas com garras afiadas, que perfuravam seu peito em uma tentativa vã de aguentar a dor. Seu grito humano se transformando, lentamente, em um uivo de libertação.

Potter pensou em sua forma animaga, sentindo seu corpo mudando. Conteve um grito e olhou para Peter, já transformado, e abanando a cauda. Seu corpo se encolheu, se adaptando à sua forma animal. Olhou para suas mãos, vendo-as se transformando em cascos, e seu corpo se alongou, sentindo um peso em sua cabeça. Fechou os olhos, sua mente humana se ligando à mente animal.

Abriu os olhos, vendo em seu redor tudo mais nítido, e abanou o corpo, tentando se adaptar à sua nova condição. O lobisomem, encurvado, olhou para eles com atenção, em posição de ataque. Soltou um rosnado de alerta ao ver o cachorro se aproximando lentamente, mas Padfoot não se intimidou, Ficando à frente de seus amigos, se sentou, esperando o lobisomem se aproximar dele para cheirá-lo. Se manteve o mais quieto possível, a mente licantropa de seu namorado ainda se estava habituando e, um movimento brusco, podia atacá-los. Moony se encurvou, uma pata de cada vez avançando cuidadosamente para o animago. Remus nunca os tinha atacado, mas havia sempre uma primeira vez.

O focinho do lobisomem cheirou o do cachorro e Sirius virou lentamente a cabeça, expondo o pescoço em submissão. James abanou nervosamente a cabeça, observando como o lobo cheirava seu amigo. Peter não mexia um músculo, aterrorizado. Odiava quando o lobisomem tinha poder sobre eles, não sabiam como ele poderia reagir com suas presenças. Viram ele se afastando ligeiramente, rodeando o cachorro que, para provar que era seu amigo, se deitou de costas, com as patas erguidas. O lobo observou-o por alguns momentos e, por fim, lambeu seu rosto, antes de seu afastar. Sirius se endireitou, vendo eles fazendo o mesmo, com James e Peter. Era um risco que todos corriam, se submeterem ao lobisomem, mas que era necessário. Depois do lobo reconhecê-los, já não era um perigo e conseguiam controlá-lo, para não mordesse ninguém e, muito menos, fugisse.

O lobisomem, ao terminar sua avaliação, atirou a cabeça para trás e uivou, considerando-os parte de sua alcateia. Comunicaram entre eles, querendo passear livremente pela floresta proibida. Padfoot ladrava, concordando, mas avisando que precisavam de ter cuidado com os humanos, recebendo o apoio dos restantes animagos.

Moony uivou, naquela noite só desejava correr. Só sentia vontade de morder, rasgar a pele e de provocar dor, quando seu humano se sentia assustado ou revoltado com algum problema. Desceram as escadas, suas patas rangendo o chão da Casa dos Gritos, indo em direção à liberdade.

Continua….

Nota da Autora: Oi! Esse capítulo, como perceberam, teve mais foco em Sirius e Remus. Para quem está ansioso pela interação entre James e Severus, tenho de avisar que ainda irão faltar alguns capítulos, mas não muitos, não se preocupem. Em breve, eles regressarão ao foco principal. Espero que tenham gostado. Estou ansiosa por saber vossas opiniões. Bjs :D