Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 56

O Aniversário de Lily – Parte 1

A terrível semana de lua cheia tinha terminado com relativa rapidez e Remus estava de regresso para alívio de todos, embora com um aspeto ainda mais adoentado e cansado. Mais ninguém aguentava o mal humor e os resmungos de Sirius. Sem falar das centenas de pontos perdidos para sua Casa só porque ele se recusava a falar.

O penúltimo dia do mês de janeiro chegou repleto de chuva, frio e trovoada, caraterístico daquele mês. O dormitório feminino estava silencioso aquela hora da manhã. Lily se remexeu na cama, mechas de seu cabelo ruivo ocultando parte do rosto sardento. Seu peito subia e descia ritmamente, ignorante do que iria acontecer a seguir.

Sentiu movimentação a seu lado e se remexeu, abrindo ligeiramente os olhos. Viu que o outro lado de sua cama se encontrava vazio. Estava pronta para chamar sua companheira, quando escutou pedidos sussurrados de silêncio. Ficou imóvel, seus instintos alerta. Sabia que suas colegas nunca a machucariam por vontade própria. Já as conhecia há muitos anos, mas aquela situação não era normal. Antes que pudesse pensar coerentemente, as cortinas do dormitório e da cama foram abertas ao mesmo tempo, revelando a claridade do lado de fora. Tapou o rosto com os lençóis, ao mesmo tempo que uma canção ecoava pelo quarto.

Parabéns pra você

Nesta data querida

Muitas felicidades

Muitos anos de vida

Afastou os lençóis de si e se ergueu, vendo Marlene liderando o grupo de cantoras, todas preparadas para as aulas.

É pique, é pique

É pique, é pique, é pique, é pique

É hora, é hora

É hora, é hora, é hora

Ra-ti-bum

Parabéns!

- Obrigada. - Agradeceu, emocionada, no fim. Era seu décimo oitavo aniversário, fazia a maioridade no mundo Muggle. Seu pai estava ansioso por esse momento para ensiná-la a conduzir. - Gostei muito da surpresa.

Suas colegas se aproximaram, trocando beijos, e recebeu seus presentes, desde maquiagem, produtos de beleza, entre outros. Marlene foi a ultima a se aproximar. Por fim, frente a frente, trocaram um selinho:

- Feliz Aniversário, meu amor! - Falou, lhe entregando um pequeno presente – Abra.

Lily rasgou o embrulho, vendo uma caixinha de veludo vermelho e abriu-a, observando uma delicada pulseira de ouro, cravejada a diamantes, e com um coração.

- É linda. - Elogiou, tirando-a da caixa e, com a ajuda de sua namorada, colocando-a no pulso. Observou a por vários momentos, antes de abraçá-la e agradecer:

- Obrigada, Lene. Amei seu presente. - Trocaram um selinho.

- De nada. - Respondeu Marlene, correspondendo ao gesto, sentindo o suave odor floral dos cabelos de Lily. Se afastaram e sua companheira foi ao malão, onde tirou a bolsa de produtos de higiene e seu uniforme. Entrou no banheiro, fechando a porta atrás de si. McKinnon viu suas colegas saindo do dormitório, conversando animadamente, e se dirigiu para a lareira do dormitório para se aquecer mais um pouco. Olhou para a janela vendo, do lado de fora, a neve deslizando pelos vidros. Escutou a água sendo ligada e conteve seu impulso de entrar e acompanhá-la. Se o fizesse, perderiam o café da manhã e a primeira aula do dia e, sabia que Lily ficaria furiosa com ela. Teria de esperar por logo à noite, onde teria outra surpresa para ela.

Um cálido calor percorria seu corpo, a protegendo do frio da manhã. Pancadas foram escutadas no vidro, a tirando de seus pensamentos. Olhou para a janela, vendo a coruja territorial de Lily. Avançou rapidamente e abriu os ferrolhos, vendo a coruja voando para dentro. Estremeceu ao sentir o vento gelado batendo em suas mãos, antes de voltar a fechá-la. Avançou para a coruja empoleirada na cama de sua companheira, parando a seu lado.

- Oi! - Cumprimentou - Como está?

A coruja a olhou, desconfiada, e piou em resposta, a correspondência de Lily abanando em sua pata.

- Que bom. - Respondeu, se dirigindo para seu malão e tirando um saquinho de petiscos para corujas. Meteu alguns no bolso da capa, para dar à sua, quando lhe viesse entregar a correspondência e pegou em mais uns, guardando novamente o saquinho. Voltou para junto da coruja e esticou a mão, vendo-a saboreando gulosamente os biscoitinhos. Ouviu a água sendo desligada e movimento no interior do banheiro.

- Parece que sua dona está quase pronta. - Informou à coruja, que soltou um pio, antes de regressar a seu petisco. Não tinha coragem de tirar a correspondência de sua pata. Uma vez, há muito tempo – com autorização de sua namorada – tentara fazê-lo, e tinha sido violentamente penicada no dedo, deitando bastante sangue. Lily a ajudara de imediato a fazer um curativo, ao mesmo tempo que repreendia sua coruja. A ferida tinha demorado um bom tempo para passar, ficando com uma pequena cicatriz, quase invisível, mas nunca mais se atrevera a tocar nela. Só há pouco tempo é que lhe começara a oferecer biscoitinhos e snacks, sempre na presença de sua namorada. Hoje, era a primeira vez que o fazia sozinha e tinha sido maravilhoso. Pelo menos, não tinha sido atacada.

Olhou a pequena cicatriz esbranquiçada, ao mesmo tempo que sua namorada saia já pronta do banheiro.

- Sua coruja está aqui. - Informou-a, lançando um "tempus", não verbal. Vendo que ainda tinham tempo, ficou mais descansada.

- Oi, Kael! - Cumprimentou, se dirigindo para a coruja. Atirou a bolsa para cima da cama e afagou as penas suaves – Tudo bom?

A coruja piou, satisfeita, e ergueu a pata, orgulhosa. Lily retirou a carta e o embrulho, agradecendo.

- Obrigada, meu príncipe. - Kael estufou o peito, orgulhoso, e Lily abriu o presente, observando a pequena caixa branca de cenho franzido. Não queria abaná-la, temendo que o conteúdo fosse frágil e se partisse. Abriu a tampa e ficou muda de espanto. Marlene, ao ver sua expressão, perguntou:

- Tudo bem? - Com os olhos marejados de lágrimas, sua namorada respondeu:

- Meus pais me compraram um carro. - Marlene acenou, não sabendo o que dizer. Se aproximou, vendo uma chave dentro de uma caixa e ficou confusa. "Onde estava o carro? " - Se perguntou.

Lily abriu a carta e leu, seus olhos percorrendo rapidamente as palavras escritas. De seguida, apertou as folhas de papel contra si, sentia saudades de seus pais. Amava estar em Hogwarts, mas era muito difícil não ver sua família durante tantos meses. Se perguntava porque não poderiam visitá-los, pelo menos, aos fins de semana.

Com o coração pesado, se dirigiu para o malão e guardou a carta. Voltou para o lado de sua coruja e afagou suas penas, dizendo:

- Vá descansar. Logo eu enviarei uma resposta. - Kael piou e levantou voo, saindo em direção ao tempo chuvoso. As garotas pegaram em suas mochilas - Lily com um grande sorriso de felicidade no rosto – e saíram do dormitório, avançando pelo corredor.

- Porque você ficou tão feliz com uma simples chave?

- Oh, Lene! Não é só uma simples chave! - Exclamou ela, e lhe explicou que seus pais tinham lhe comprado seu primeiro carro. Marlene escutou atentamente, percebendo um pouco a alegria de sua namorada. Lily já lhe tinha contado que os Muggles conduziam "automobiles" para se deslocarem para onde quisessem e que alguns pais até costumavam oferecer dinheiro para aprenderem a conduzir. Era um marco que mostrava que eles já eram, oficialmente, adultos.

Saíram pelo retrato da Dama Gorda e avançaram pelo corredor. Desceram rapidamente as Grandes Escadarias, tendo o cuidado de saltar o degrau falso e viram alguns estudantes se dirigindo para as salas de aula. Entraram no Salão Principal, vendo seu grupo de amigos na mesa dos leões, as esperando. O primeiro a vê-las tinha sido Severus, que informara os outros antes de se levantarem. Avançaram até ao casal e abraçaram Lily com força, enquanto entoavam:

- Parabéns!

- Feliz aniversário!

- Obrigada. - Agradeceu, emocionada, o abraço quase a sufocando. Se afastando, cada um entregou

seu presente, vendo ela rasgando os embrulhos e agradecendo entusiasticamente. De James e Severus recebeu uma bela pena de pavão, da cor de seus olhos, um frasco de tinta multicolorida, que mudava sempre de cor quando escrevia e um mata borrão para apagar excessos da tinta. De Frank e Alice, uma caixa dos melhores bombons suíços e uma blusa de seda fina, da cor de seu cabelo.

- É linda! - Tocou com a mão no tecido suave – Muito obrigada!

- Estamos muito felizes que tenha gostado . - Respondeu Alice. De Regulus e Lizbeth recebeu um kit de limpeza de varinhas – sempre útil, e um perfume.

- Espero que goste do odor. - Comentou Lizbeth – Tentámos que fosse o mais parecido com que você usa, que fosse suave.

Liliy tirou o frasco de vidro de dentro da caixa e borrifou para seu pulso, cheirando.

-Que gostoso! - Exclamou, sentindo a fragrância suave, fresca e amendoada – Obrigada!

Entregava os presentes a Marlene, que os encolhia e guardava em sua mochila. Pegou primeiro no presente de Remus e o desembrulhou, revelando um belo par de sapatos clássicos, de salto alto, com dois laços na parte de trás.

- Uau! - Exclamou, tocando no tecido suave – São tão lindos! E muito chiques! Obrigada, Remus!

- Fiquei com dúvida se iria gostar, - Comentou ele – mas é bom que sim.

- Não tenho muito tempo para experimentá-los, - Respondeu, vendo os ultimos estudantes começando a se levantar – Mas, quando puder, lhe direi como me ficaram.

- Tá bom. - Remus sorriu, feliz por ela ter gostado. Não conhecia muito o gosto feminino, mas ele e Sirius tinham enviado uma carta à Srª Potter, para que os ajudasse , ela lhes tinha enviado aqueles sapatos, pedindo para não lhe contarem e dizendo que todas as mulheres adoravam ter uns belos pares, embora não percebessem o motivo. Eram só sapatos.

- Agora é o meu presente. - Falou Sirius, lhe entregando o seu. Lily rasgou o embrulho e sentiu seu rosto enrubescendo ao ver o título na capa dura do livro. "Kamasutra da Bruxa – Tudo o que precisa de saber para satisfazer sua companheira na cama."

- Sirius! - Sussurrou, olhando escandalizada para ele, antes de olhar em redor, para perceber se alguém tinha visto. Vendo que não, se virou rapidamente e forçou o livro para dentro da mochila, tentando ignorar a expressão travessa de Mrlene – Você está louco?

- Eu não. - Respondeu o Maroto, sob as risadas de seus amigos – Mas tenho certeza de que alguém irá ficar mais tarde.

Com o rosto ruborizado, pegou em um copo de suco de abóbora, bebendo de um trago. Apanhou uma bela maçã vermelha, que se encontrava no centro da mesa, e saiu do Salão Principal. Marlene tinha conseguido tomar um café e trazia uma torrada. Se despediram nas Grandes Escadarias, cada um se dirigindo para suas aulas. Os Gryffindors saíram do castelo, em direção às estufas, se encaminhando para a única porta aberta. De seguida, se sentaram nos bancos, vendo alguns de seus colegas com os materiais em cima dos balcões e imitaram-nos. Marlene olhou em redor e, vendo que não tinha ninguém por perto, se aproximou de sua companheira e lhe sussurrou no ouvido:

- Estou curiosa para experimentar cada posição desse livro . - Os pelos de Lily se eriçaram com suas palavras e murmurou, ao mesmo tempo que a Prª. Sprout entrava:

- Eu também. - Trocaram um olhar sedutor, antes de prenderem suas atenções na professora.

- Bom dia, meus queridos. - Cumprimentou ela, com uma voz alegre.

- Bom dia, Prª Sprout. - Entoou a classe, em coro.

- Hoje iremos continuar nosso estudo sobre a "Mimbulus Mimbletonia". - Começou, tocando com a varinha no quadro, fazendo aparecer novas informações. - Como sabem, a "Mimbulus Mimbletonia" costuma sair nos NIEM´s por isso, fiquem atentos. Espero que tenham feito a redaçao sobre o "Ditamno", que vos pedi na aula anterior.

Viu os alunos tirando os trabalhos de dentro de livros ou das mochilas, ficando satisfeita por ver que todos tinham feito. Com um floreio da varinha, as redações voaram para a escrivaninha.

- Muito bem. - Continuou – Como puderam observar nos livros que consultaram, a "Mimbulus Mimbletonia" é uma planta nativa da Abissínia, uma espécie de escrofulária – ou seja – uma planta em vias de extinção que possui bolsa de pus.

- E esse pus é nocivo para a pele? - Perguntou uma aluna na fila da frente.

- Não há nenhum risco. - Garantiu a Professora – Embora tenha um cheiro de estrume, além de uma coloração verde amarelada, não é nada perigosa. E trabalha como um excelente adubo natural...

Os estudantes escutavam atentamente, de vez em quando, erguendo a mão para tirar uma dúvida. O resto da aula ocorreu sem incidentes, fazendo apontamentos essenciais para os NIEM´S. Quando terminaram, a Professora mandou-os sair, e regressaram ao castelo. Depois de lancharem, foram rapidamente ao banheiro e se dirigiram para a sala, prontos para a próxima aula do dia.

Continua...

Notas da Autora:

(1) Oi! Espero que tenham gostado do capitulo. Lamento a demora, mas não consegui postar mais cedo. Espero que todos vocês estejam bem e que se protejam, pois essa situação não está nada fácil. Tentarei postar a segunda parte mais cedo, mas não irei prometer nada. Mas, que acharam do capítulo? Estou ansiosa com vossos comentários. Desejo a todos um Feliz Natal e que 2021 seja bem melhor que 2020. Bjs :D

(2) Kael - Significa "magro", "esbelto" Esse nome é uma variação do nome irlandês Cael, o qual tem origem a partir do gaélico caol, que significa "magro", "esbelto". Na mitologia e folclore irlandês, Cael é um guerreiro do grupo Fianna. É um nome pouco popular no Brasil.

(3) Para quem quiser ter uma ideia dos sapatos: product/5c11f993544b442e56f151bb?hide_login_modal=true&from_ad=goog_shopping&_display_country_code=PT&_force_currency_code=EUR&pid=googleadwords_int&c=%7BcampaignId%7D&ad_cid=5c11f993544b442e56f151bb&ad_cc=PT&ad_lang=PT&ad_curr=EUR&ad_price=11.00&campaign_id=9527731359&gclid=Cj0KCQjwy8f6BRC7ARIsAPIXOjihYSWWp5bcKbQLvupx0NRFJ5WAy2T3YyIrRv5WMhVWUm7wzBjZK7IaAtvHEALw_wcB&share=web