Nota da Autora: Oi! Primeiro agradeço os comentários, os favoritos, os pedidos de atualização e todo o carinho recebido no capítulo anterior. Muito obrigada. Aqui está o novo capítulo. Espero que gostem. Bjs :D

S.L.

Capítulo 62

Reações das Famílias

Hogwarts tinha despertado, na manhã seguinte, em um furor inimaginável. Rumores circulavam pelos corredores de que alguma estudante estaria grávida, devido a um grito escutado na noite anterior, deixando Severus sentindo um misto de mortificação e alívio. Não queria ser comparado a uma mulher, mas era mais seguro do que saberem a verdade. Compreendia que James estivesse feliz com as novidades de ser pai, mas não era motivo para gritar a todo o mundo. E se descobrissem que era ele que estava grávido? Mil e um pensamentos atravessaram sua mente. Por sua impulsividade poderia tê-los colocado em perigo.

James tinha ido buscá-lo ao Salão Comunal, onde os rumores já circulavam. Severus, sem trocar um carinho e sem dizer uma palavra, o puxou para uma sala de aula vazia e, depois de insonorizar o lugar, gritou com seu namorado, o deixando sem reação. James não sabia como reagir ao ataque furioso de seu namorado. Só se desculpava e o tentava acalmar, por causa do bebê. Já estava feito. Agora teriam de arcar com as consequências.

Tinha saído da sala, com a capa esvoaçando atrás de si e se dirigido para o Salão Principal, deixando James sozinho, pensando em suas palavras. Durante o café da manhã, tinha lançado olhares atravessados a seu namorado, que tentava ignorar, mas sem muito sucesso. Seu namorado, quando queria, podia ser muito assustador. Os professores e funcionários já sabiam da condição do Slytherin, Dumbledore tinha convocado uma reunião de emergência para informá-los dos novos acontecimentos. Todos tinham ficado em choque, embora alguns tivessem conseguido ocultar. Deveriam estar atentos pois uma gravidez podia ser delicada. Incrivelmente, para uma escola com adolescentes com os hormônios aos saltos, gravidezes era muito raras, quase inexistentes. Talvez pela grande parte do corpo estudantil ser puro sangue ou mestiça, tendo sido impingidos certos comportamentos como não ter nenhum contato físico antes do casamento. Uns amassos era o mais longe que alguns casais chegavam.

As aulas tinham ocorrido sem sobressaltos, os professores observavam atentamente Severus, que se sentia um pouco desconfortável com tanta atenção. Alguns até tinham conversado com ele no final, o deixando vexado. Durante a hora de almoço, James o convenceu a falar com o diretor. Precisavam de contar às suas famílias. Mas, com os Comensais rondando o castelo, sabiam que não podiam enviar cartas. As corujas das escolas continuavam sendo vigiadas, em busca de informações confidenciais, e muitas delas tinham sido atacadas. Algumas acabaram mesmo por perder a vida. As poucas que conseguiam entrar no castelo faziam parte do " Profeta Diário". Talvez os Comensais quisessem que soubessem que o que estava acontecendo no mundo bruxo e que os temessem.

Depois do almoço, James se aproximou de seu namorado e o convenceu a ir ao gabinete do diretor. Se havia alguém que conseguia receber e enviar mensagens sem ser detetado, era Dumbledore. Caminharam em direção à torre do diretor, no terceiro andar. Pararam em frente a uma gárgula de pedra e James escutou uma voz grave perguntar:

-Senha? - Se entreolharam, não sabendo o que responder.

-Não sabemos. - Disse James – Mas precisamos de entrar. É importante. E o diretor sabe da situação.

A gárgula hesitou um pouco, antes de se mover para o lado, revelando uma escada circular que subia. Ao chegarem ao topo, encararam uma porta dupla de carvalho e bateram. Escutaram a voz convidativa do diretor e entraram.

O escritório do diretor era uma grande sala circular com muitas janelas e muitos retratos de diretores e diretoras anteriores. Estava repleta de quadros, armários com inúmeros objetos dentro: desde poções, itens que pareciam mágicos, livros, e as mais diversas bugigangas. O Chapéu Seletor está colocado sobre uma estante, impávido e sereno. Talvez já estivesse escrevendo as letras da canção para a próxima seleção.

Logo à frente haviam alguns degraus que levavam a uma mesa. Nessa mesa haviam inúmeros utensílios, como penas, tinteiros, pergaminhos espalhados, uma espécie de abajur com uma chama azul brilhando dentro de um frasco redondo na ponta, e muitas peças de prata de formas intrincadas.Estava visivelmente desorganizada.

O retrato do predecessor imediato do diretor ou diretora atual estava pendurado atrás da mesa do diretor. Era a maior das pinturas no quarto, que, por sua vez, sugeria que as pinturas encolhiam em algum grau, uma vez que não era mais o retrato do predecessor imediato do diretor ou diretora atual. Observaram que, na sala, havia um grande número de retratos dos antigos diretores, todos claramente adormecidos.

Na cadeira atrás da mesa, estava Dumbledore, com um leve sorriso ponderando debaixo das barbas, seu óclinhos de meia lua na ponta do nariz fino, e usando vestes vermelhas com bordados dourados, grande e majestosa, dando-lhe um ar mágico. Era como se a magia dele pudesse ser tocada, mesmo Severus sabendo que isso era impossível.

- Sejam bem-vindos, Sr. Potter. Sr. Snape.

- Diretor. - Cumprimentaram, antes de avançarem para a escrivaninha.

- Sentem-se por favor. - Convidou Dumbledore, com um gesto de sua mão e o casal fez o que foi pedido. - Do que precisam?

- O senhor sabe o que está acontecendo com as corujas. - Começou James, começando sua explicação – E a gente precisa de enviar uma carta a nossos pais para informar do ocorrido ontem.

- Entendo seu problema, Sr. Potter. - Falou o diretor, acariciando sua barba e se virando para sua fênix, um pássaro de belas penas vermelhas, sentado em um poleiro por detrás da porta. - Tenho certeza de que Fawkes não se importará de fazer mais uma pequena viagem.

A fênix cantou em concordância, um tom alegre, mas que revelava cansaço e abanou suas asas. Severus não pode deixar de ter pena da ave. Fawkes deveria estar sendo usada para todas as mensagens que Dumbledore precisava de enviar. Deveria estar sendo muito cansativo para a ave, mesmo sendo mágica.

James retirou um envelope com seu nome escrito de dentro das vestes, entregando ao diretor.
- Obrigado por ajudar a gente, professor. - Agradeceu – Se não fosse sua fênix, não conseguiria escrever a meu pai.

- Infelizmente, não estamos conseguindo afastar os Comensais do castelo. - Comentou o diretor, que pegou distraidamente na correspondência – Os Aurors estão vigiando o grupo, mas não querem iniciar uma batalha com receio de que algum estudante se junte e se machuque.

- Isso quer dizer que os próximos passeios a Hogsmeade estarão cancelados? - Perguntou Severus e o diretor suspirou, respondendo:

- Temo que sim. E por tempo indeterminado. - James bufou, xingando mentalmente. Malditos Comensais, sempre destruindo a vida das pessoas – Há um aviso nos quadros de todos as salas comunais.

- Já não é a primeira vez que os passeios à vila são cancelados, diretor. - Recordou Severus – Ano passado, ficamos três meses sem ir a Hogsmeade. E, no ano anterior, foram pelo menos dois.

Dumbledore acenou em concordância. Os tempos estavam ficando cada vez mais sombrios e ninguém conseguia parar Tom. Por mais que ele quisesse, sabia que sua idade dificultaria, cada vez mais, uma luta entre eles. O que poderia fazer era tentar defender Hogwarts e seus estudantes de um destino terrível. Um flash de luz apareceu à frente deles, os cegando momentaneamente. Fawkes estava pousada em cima da escrivaninha, com um envelope no bico. A fênix pousou a carta em frente de James e regressou ao seu poleiro. James a abriu de imediato e leu em surdina. Lançou um encantamento não verbal, que destruiu o pergaminho e falou:

- Meu pai disse que irá aparecer logo à noite, e iremos jantar na Mansão. - Trocou um olhar com Severus, que não sabia o que pensar. Um jantar? De certeza que seria terrível.

- Muito bem. - Falou o diretor, se levantando – Então, logo aqui estarei para receber seu pai. A senha dessa semana é "feijõezinhos de todos os sabores", pode utilizá-la ao chegar.

- Obrigado, senhor. - Respondeu Severus e James acenou em concordância. Dumbledore acompanhou-os até à porta e, ao fechá-la, tocou pensativamente em sua barba. Teria de avisar a Ordem da Fênix para continuarem ajudando na vigilância do castelo, afastando os Comensais. Felizmente, graças às proteções do castelo, não se conseguia ver nem ouvir as lutas entre os dois bandos. Não queria ter os estudantes ainda mais assustados e temerosos. Sabia que James seria um excelente excelente integrante para a causa, mas não sabia como convencê-lo a se juntar. Ele tinha um bebê a caminho e não queria sua vida, nem a de seus familiares em perigo. Fawkes cantarolou e o diretor se aproximou da fênix, sua amiga mais fiel, e acariciou sua penugem, não tendo a mais pequena ideia de como derrotar Lord Voldemort.

James e Severus desciam a escada em espiral. Seus pensamentos estavam em seus pais. Nenhum deles sabia como eles iriam reagir. Poderiam ser considerados adultos pela sociedade bruxa, mas ainda eram muito jovens para terem filhos. Mas, seriam pais e nada iria mudar esse fato, nem mesmo suas famílias.

Durante a tarde, James tinha ido treinar com seu time. Precisavam de estar em forma para o próximo jogo. Severus, acompanhado por Lily e Remus, levou sua mochila, onde fizeram os deveres na bancada, ignorando as ordens gritadas de seu namorado. Comentou com eles que iria revelar à sua mãe que esperava um bebê. Lily apertou sua mão, lhe dando forças, dizendo que eles não iriam abandoná-los naquele momento especial, o deixando um pouco mais calmo.

De vez em quando, olhava para cima, vendo como o uniforme de Quidditch favorecia o corpo musculado de seu namorado. O cabelo de James revolvia-se ao sabor do vento, o tornando ainda mais belo.

Ele estava feliz, era feliz. Mesmo James tendo sido um idiota no passado e de seu relacionamento ter iniciado, na sua opinião, um pouco depressa, não se arrependia. James o tratava com todo o amor e carinho. Se sentia amado e respeitado. E, agora com o filho de ambos, talvez sua relação se fortalecesse ainda mais. Tinham alguém que os unia, alguém que fazia parte deles.

Escutava os gritos de felicidade quando marcavam gol, ou quando o Skeeter apanhava a snich dourada. Conseguia perceber a felicidade de James em cima de uma vassoura. Ele também gostava de voar, era libertador. Se sentia como um pássaro liberto. Mas, durante sua primeira aula de voo, tinha caído da vassoura e fraturado o pulso, sendo alvo de risadas de toda a escola. Esse tinha sido um dos motivos pelo qual nunca se tinha juntado ao time de sua casa. Outra razão era a obsessão por vencerem Potter e terem a Taça das Casas em suas mãos, mesmo trapaceando, mas nunca conseguindo. Nunca tivera muita socialização com ses colegas. Quase todo o mundo o achava um mestiço imundo e não queriam se misturar com gente como ele. Mas, agora, simplesmente o ignoravam. Desconfiava dessa paz momentânea, não acreditava que eles mudassem suas atitudes somente por ter recuperado o apelido de seus antepassados. Havia algo mais, algo que ele ainda não tinha descoberto. Mas, como Slytherin que era, iria descobrir. E em breve.

O treino ocorreu sem nenhum incidente. James aproveitou para revisar muitas de suas estratégias para os futuros jogos. Precisavam de vencer o campeonato. Era seu ultimo ano em Hogwarts e queria ganhar, pela ultima vez, a Taça. Era uma de suas principais metas para aquele ano. Quando escureceu o suficiente, ordenou aos seus colegas que fossem tomar banho e avisou Sirius de que iria jantar a casa de seus pais, para que não se preocupassem. Ainda na vassoura, se dirigiu para Severus e o informou:

- Vou tomar um banho nos vestiários. Você quer se encontrar depois na Torre do Diretor?

- Tá bom. - Concordou o Slytherin, aproveitando essa chance para também tomar um banho e vestir umas roupas mais formais. Se levantou e arrumou seus pertences na mochila. Se despediu de Lily e Remus, recebendo um abraço forte de sua amiga. Como precisava de um carinho.

- Boa sorte. - Murmurou ela, em seu ouvido.

- Obrigado. - Respondeu, a apertando um pouco mais contra si, antes de se afastar. Remus também lhe desejou boa sorte, trocando um aperto de mão. Enquanto os Gryffindors conversavam, desceu das bancadas e se dirigiu para o dormitório. Guardou seus materiais cuidadosamente e tomou uma ducha rápida. James preferiu demorar um pouco mais para remover o suor de seu corpo.

Se encontraram, tal como combinado, em frente à gárgula. James percebeu como as vestes negras assentavam perfeitamente em seu namorado.

- Você está lindo. - Elogiou, e Severus deixou escapar um sorrisinho tímido, ao responder:

- Você também.

- "Feijõezinhos de todos os sabores". - James proferiu a senha e a gárgula se movimentou para o lado. Subiram a escada circular em direção ao topo e bateram à porta.

- Entrem. - Convidou o diretor e entraram, tendo a visão de Fawkes empoleirada no ombro de Fleamont. A fênix levantou voo, sobrevoando a sala e parou ao lado do chapéu seletor, observando -os com perspicácia.

- Boa noite, pai.

- Boa noite, Sr. Potter. - Cumprimentaram os dois jovens. James olhou para seu pai, tentando controlar suas emoções. Seria naquela noite que tudo seria revelado. A incerteza da reação de seus pais o atingiu. Por mais que Fleamont e Euphemia fossem compreensivos, um filho seria uma enorme responsabilidade. Eles mal tinham terminado Hogwarts, não tinham emprego nem forma de se sustentarem. Com certeza seus pais não ficariam muito felizes no inicio, mas esperava que o apoiassem.

- Vamos? - Convidou o Sr. Potter, apontando para a lareira. James se aproximou do fogo alaranjado e crepitante, onde pegou de cima do parapeito um frasco. Retirou um punhado de pó de flú, reluzente e prateado. Atirou para a lareira, tornando as chamas em fogo inofensivo, com uma cor verde esmeralda. Se aproximou da lareira, rodeando seu braço no quadril de seu namorado, falando em voz alta e clara:

- Mansão Potter. - Atravessaram as chamas, indo em direção ao destino pretendido. Entraram na sala da mansão, sendo recebidos por Eilleen e Euphemia. A Srta. Prince foi a primeira a reagir ao vê-los. Avançou a passos largos para seu filho e o abraçou com força, murmurando em seu ouvido:

- Severus, meu menino. - O coração do Slytherin acelerou, um misto de expectativa, se perguntando mais uma vez como eles iriam reagir às novidades, e alegria por estar nos braços de sua mãe.

- Mãe... - Murmurou, sentindo o abraço carinhoso. Se sentia protegido, era como se seus problemas tivessem desaparecido com esse simples gesto. Escutaram a lareira e se afastaram, vendo Fleamont surgindo no meio das chamas esverdeadas. O Sr. Potter parou à frente dele e de James e, com um floreio da varinha, lhes lançou um encantamento não verbal. Severus sentiu um vento suave atravessando suas vestes e viu a fuligem desaparecendo.

- Obrigado. - Agradeceram, e a Srª. Potter comentou:

- Está na hora de ir para a mesa. O jantar acabou de ser servido. - Eilleen se aproximou de James, que tentou não se afastar de sua futura sogra, e o cumprimentou educadamente. Se perguntou como ela reagiria ao descobrir que tinha engravidado seu filho. Euphemia se dirigiu para Severus, tocando em seu ombro e trocaram algumas palavras. Se sentaram na longa mesa, repleta de garrafas de licores e variadas bebidas, como cerveja de manteiga, xerez, uísque de fogo e travessas com os mais deliciosos sabores gastronômicos: filé assado, ovos escoceses, que eram cozidos moles, envolvidos em carne de linguiça e depois empanados em farinha de pão. Havia também carne de cordeiro e cabrito, acompanhadas por deliciosas batatas coradas, cenouras, brócolis ou couves de Bruxelas, envolvidos em molho de mostarda inglesa, e bife Wellington, envolto em patê, purê de cogumelos ou presunto, coberto com uma camada de massa folhada. Tudo tinha um aspeto delicioso.

Os elfos se aproximaram e perguntaram o que cada um queria comer. Severus preferiu um pouco de carne assada com batatas e cenoura. Ao seu lado, James escolheu bife Wellington, com um punhado de couve de Bruxelas e um ovo escocês. Estavam prontos para saborearem a deliciosa refeição, quando a Srª Potter perguntou:

- James, querido. - Todas as atenções foram para ela – Que era tão urgente que você queria conversar? Fiquei preocupada com sua carta, foi tão evasiva.

- É grave? - Perguntou Eilleen, seus olhos percorrendo seu filho. Tinha reparado nas mudanças da transformação, mas esperava que nada de mal tivesse acontecido. - Pelas suas palavras, me pareceu que sim.

Fleamont observou atentamente as reações do jovem casal. Severus parou imediatamente de comer, e limpou cuidadosamente os lábios, como se não quisesse responder. James, pelo contrário, comeu mais um pouco, engolindo com dificuldade antes de responder:

- Pois, - Começou, dando uma leve tossidela. Como iria contar a verdade? Sentia que sua garganta tinha um peso difícil de engolir. Começou suando frio, se recriminando. Ele era um Gryffindor, porque não conseguia falar? Talvez tivesse receio de desapontar seus pais? Sentiu a mão fria de Severus apertando a sua e seus olhares se cruzaram, querendo dar forças um ao outro. Severus, tomado por uma coragem repentina, revelou:

- Estou esperando um bebê. - O silêncio percorreu a mesa, até os elfos pararam de servir seus amos. O choque estava espelhado nos rostos de seus familiares. Ninguém sabia como reagir, não esperavam aquela notícia.

- Pode repetir, por favor? - Perguntou Eilleen, com uma frieza que fez os pelos de James se eriçarem. Parecia uma serpente pronta para dar o bote. - Creio que escutei mal.

- Eu também acho o mesmo. - Falou Euphemia, com o mesmo tom de voz. Fleamont suspirou, pousando a mão da testa e massajando suas têmporas. Ia ser um jantar difícil.

- James Fleamont Potter!

- Severus Prince Snape! - Gritaram as mulheres, ao mesmo tempo, e Severus não pode deixar de fazer uma careta ao escutar seu nome completo. Como odiava ser um Snape. Fleamont suspirou, pousando a mão sobre a testa e massajando suas têmporas, pensando como aquele jantar iria ser complicado.

- Você acabou de fazer dezoito anos! - Exclamou Eilleen, seus olhos negros brilhantes de raiva. Sua mão estava pousada em suas vestes, pronta para remover a varinha – E James tem dezessete! É vosso ultimo ano em Hogwarts, vocês deveriam estar preocupados com os NIEM´S e não com um bebê!

- Eu também acho o mesmo. - Falou a Srª Potter, com o mesmo tom de voz. - E, ainda mais, vocês nem sequer são casados. Como a sociedade irá reagir?

James queria responder que a sociedade não tinha nada a ver com sua vida, mas sabia que sua mãe ficaria ainda mais furiosa. Ela odiava ser fofoca dos outros.

- Não que eu me importe muito com o escândalo. - Comentou Eilleen – Eu fugi da casa de meus pais para me casar com um Muggle, embora tenha terminado da forma que terminou. Eu sei como as pessoas podem ser mesquinhas e cruéis. Mas, o que mais me choca é, como vocês puderam ser tão irresponsáveis? - Perguntou, se virando para eles – Pensei que o livro que eu lhe dei seria bastante explicito.

- Eu ainda não tinha chegado a essa parte. - Se justificou o Slytherin, temeroso – Eu nunca pensei que pudesse engravidar.

Eilllen suspirou, tentando controlar seu temperamento, e afastando a mão da varinha. Como se costumava dizer, o mal já estava feito. Seu filho tinha sido ingênuo e agora, teriam de lidar com as consequências. Seu coração se aqueceu ao pensar que seria vovó, que teria um neto ou uma neta para ajudar a cuidar. Nunca pensara em ser avó, sua vida ao lado de Tobias não lhe permitia pensar no futuro. Perguntou, um pouco mais calma:

- E a criança, sabem se é menino ou menina?

- Madame Pomfrey ainda não sabe. - Respondeu James, se perguntando se elas se iriam acalmar – Mas disse que era saudável.

- E isso é o que mais importa. - Comentou Fleamont, falando pela primeira vez. Euphemia acenou, concordando. Uma parte de si estava radiante de felicidade por ter um neto, outra só queria puxar as orelhas de seu filho por tamanha irresponsabilidade. Como pudera se descuidar? Seu pai lhe tinha dado "a conversa", quando ele tinha entrado na puberdade, deveria ter se protegido.

Ao olharem para o Sr. Potter, se aperceberam de sua ligeira palidez. Talvez a notícia de que iria ser avô o tivesse chocado mais do que eles pensaram.

- Pai, o senhor está bem? - Perguntou James, preocupado. Euphemia apertou sua mão, em gesto de conforto.

- Sim, só estou surpreso. - Respondeu, friamente – Nunca pensei que você fosse pai tão jovem, só isso. Vocês estão felizes?

Severus deixou escapar um sorriso sincero, surpreendendo sua mãe, e James acenou, respondendo:

- Sim, muito.

- Ainda bem. - Comentou, continuando a jantar. Euphemia e Eilleen se entreolharam, se perguntando porque Fleamont não tinha demonstrado nenhuma reação. Seria choque?

Aos poucos, suas atenções foram para a refeição. Mais calmas, as mulheres comentaram em voz alta o que um bebê precisaria. Em pouco tempo, já estavam preparando uma lista de compras. Suas vozes soavam excitadas com a perspetiva de comprar para o bebê. Eilleen insistiu que tricotaria os casaquinhos e as botinhas, deixando Euphemia cuidar das restantes roupas. Precisavam de comprar um berço, fraldas, um trocador, um carrinho, um bebê conforto e muito mais. A lista era extensa.

Severus deixou escapar um suspiro, aliviado, sua mão pousando no ventre liso. Pelo menos, as reações não tinham sido tão ruins. Tinham ficado, naturalmente, chocados mas estavam conformados. Temia que tivesse havido azarações, da parte de sua mãe contra James, mas a etiqueta rígida à qual tinham sido ensinadas desde pequenas não tinha permitido.

Saborearam o resto da refeição em silêncio, com Euphemia insistindo com James que queria notícias semanais sobre seu neto, sendo apoiada pela Srta. Prince. Sabia que não podia escapar dessa imposição, senão sua mãe lhe poderia enviar um berrador. Felizmente, era raro fazê-lo. Só se ela estivesse muito zangada, e normalmente ele estava sozinho ou com os restantes Marotos. Seria humilhante demais um berrador explodir à sua frente, em pleno Salão Principal. Talvez nunca recuperaria da vergonha. Eilleen conversava em surdina com seu filho, conformada com a situação. Era seu primeiro neto, deveria ser recebido com alegria. E esperava que houvesse mais. Mas, de preferência, com seu filho e James casados e com uma vida estável. A sociedade bruxa não via com bons olhos casais de namorados morando juntos, tinha de haver um compromisso sério. Fleamont continuava sem nada dizer, era como se tivesse ficado sem voz.

Avançaram para a sobremesa, e foram agraciados com um pratinho, onde estava uma fatia de bolo de cenoura, com cobertura de chocolate, para cada um. Saborearam o bolo fofo e delicioso, elogiando os elfos, que agradeciam com sorrisos e reverências. Terminaram o jantar e o Sr. Potter pediu:

- James, preciso de falar com você. - O casal se entreolhou e Severus apertou sua mão rapidamente, em gesto de apoio, antes de afastar e se juntar às duas mulheres no sofá, que conversavam sobre o bebê.

James seguiu seu pai e subiram as escadas em direção ao escritório. Entraram e o Sr. Potter fechou a porta, convidando:

- Sente-se. - James se sentou em frente à escrivaninha repleta de documentos e pastas, e viu seu pai o imitando. Ficaram em silêncio por uns momentos, antes de perguntar – E agora, o que você vai fazer?

- Como assim? - Perguntou James, confuso, não entendendo o que seu pai queria dizer. Talvez seu pai não tenha ficado feliz com a revelação.

- Você e Severus já são um casal., vão ter um filho. - Continuou seu pai, firmemente – Não seria melhor avançarem no relacionamento?

- Como, casar? - James nunca tinha pensado seriamente no assunto. Só queria aproveitar todos os momentos livres com seu namorado, amá-lo como se não houvesse amanhã.

- Sim, casar. - Repetiu Fleamont – Assim seriam uma família e dariam um nome ao vosso filho.

James ficou pensativo, não sabia o que responder. Esse assunto tinha vindo muito abruptamente.

- Eu...não sei. - Admitiu – De verdade. Eu e Severus nunca conversámos sobre esse assunto. Só estamos preocupados com nosso bebê.

O Sr. Potter acenou e respondeu:

- Mas é um bom momento para começar a pensar. Assim, vocês poderão viver juntos, sem julgamentos nem pressões. Sabe como as pessoas são.

- Sim, senhor. - Concordou James, e seu pai comentou:

- Não quero que Severus fique esperando muito mais tempo. Está ficando tarde. Creio que nossa conversa terminou por aqui. - Fleamont se levantou e James também, se aproximou de seu filho e, em um gesto rápido, agarrou uma de suas orelhas e puxou, como quando ele era pequeno e fazia alguma travessura. James soltou um grito de dor e gritou:

- Pai! Que...!?

- Não acredito que você foi tão irresponsável! - Exclamou seu pai, zangado, revelando suas emoções – Como se esquecer de usar camisinha? Era só um maneio da varinha! Mesmo depois de nossas conversas, você foi capaz de engravidar seu namorado!

- Foi no calor do momento, pai. - Gemeu James, se justificando, sentindo como a dor se tornava mais forte. - A gente não se lembrou. Foi um acidente.

- Um acidente que poderia ter sido evitado. - Resmungou Fleamont, se afastando de seu filho. James soltou um gemido baixo e massajou sua orelha latejante – Se tivessem sido mais cuidadosos...

Sua expressão séria se suavizou pela primeira vez naquela noite. - Mas estou feliz por ter um neto. Nunca pensei estar vivo para conhecê-lo.

Se aproximou novamente e, antes que seu filho pudesse reagir, o abraçou. James sorriu, sentindo o abraço de seu pai. Era uma das melhores sensações, sentir os abraços daquele que amava. Se deixaram estar, aproveitando aquele momento. Não sabiam quando seria a próxima vez que se encontrariam. A incerteza que se vivia naquele momento era muito grande.

Pouco depois, se afastaram e, mais calmos, saíram do escritório. James esfregava a orelha para aliviar a dor. Desceram as escadas, entrando na sala e viram Severus conversando com as duas mulheres, sua mão acariciando o ventre, onde abrigava o filho de ambos. Não pode deixar de sorrir ao ver a cena. Era uma sensação indescritível, o amor que sentiam um pelo outro dando frutos. Ao vê-lo, Severus se levantou e chamou:

- James. - O Gryffindor se dirigiu para seu namorado e o abraçou, as palavras de seu pai ecoando em sua mente. Casamento. Uma palavra que fazia tremer a maioria dos homens. Um compromisso sério, para toda a vida. Estariam preparados para um passo tão sério? Deveriam esperar ou se casar logo que saíssem de Hogwarts, tal como todos seus amigos? Valeria a pena se juntar a outra pessoa para depois a guerra separá-los? Ele queria ser Auror, salvar pessoas e combater o mal. Mas não queria abandonar seu namorado. Que faria?

Esses pensamentos atravessavam a mente de James, enquanto sentia o corpo quente de seu namorado. Amava Severus, e faria de tudo para vê-lo em segurança. E feliz.

Continua...

Notas da Autora:

Oi! Espero que tenham gostado do capítulo! Lamento demorar tanto tempo para postar, mas tenho andado ocupada com meu emprego, são horários muito complicados para eu depois conseguir escrever. Quero agradecer a todos que me ajudaram, dando dicas para o capítulo. Muito obrigada. Que acharam das reações dos pais de James e da mãe de Severus? Espero ansiosa vossos comentários. Obrigada por não desistirem da fanfic. Bjs :D

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