Capítulo 3: Pequeno Príncipe

Lucrécia Prince, Walburga Black, Severus Snape e Draco Snape, como estivera registado o pequeno até à data, dirigiam-se nesse momento à entrada de Gringotts Wizarding Bank.

O Pequeno Dragão Albino abriu a boca de espanto ao ver a edificação mágica que constituía o Banco dos Magos e Bruxas do Reino Unido. Gringotts só podia ser descrito como uma imponente estrutura de mármore semelhante a branca neve, cujas torres se sobrepunham às lojas ao seu redor.

― Papi Sevi, o que é um banco? ― perguntou Draco nos firmes e protetores braços do Mestre de Poções.

― Um banco é um local onde se guardam possessões de grande valor. Gringotts é o único Banco Mágico em Inglaterra e é aqui ― Apontou para o edifício perante eles. ― que os magos e bruxas britânicos mantém o seu dinheiro e os seus objetos mais valiosos. Nas catacumbas do banco existem câmaras altamente resguardadas a muitos e muitos metros de profundidade ― explicou Severus pacientemente à medida que o menino ia assentindo às suas palavras e fazendo questões que o adulto respondia com o auxílio das matriarcas Black e Prince.

O grupo entrou no banco e dirigiu-se ao goblin mais próximo, enquanto Draco absorvia cada detalhe do espetacular interior do edifício.

― Bom dia, Ragnok! ― cumprimentou Lucrécia com um sorriso de negócios. ― Desejo falar com o Head Goblin de Gringotts, poderias por favor fazer-lhe saber que estou aqui? ― perguntou com um ar sedutor.

Lucrécia Prince era, sem dúvida alguma, uma mulher exuberante de curvas generosas e apesar de ser já uma mulher madura, a sua pele livre de rugas e os seus cabelos negros contradiziam a sua idade. Ninguém no seu perfeito juízo afirmaria que aquela mulher tinha mais de quarenta anos, quanto mais de sessenta. Quanto muito, esta aparentava ter uns trinta e cinco anos de gloriosa beleza, que esta sabia aproveitar a seu favor em momentos como este. A Matriarca da Família Prince sabia perfeitamente o efeito que causava nas pessoas, até mesmo num goblin embirrento tal qual Ragnok, que engolia saliva ao mesmo tempo que olhava fixamente o estratégico decote da dama à sua frente. Lucrécia sorriu galantemente, Ragnok olhou para o pequeno grupo e localizou rapidamente a presença de Walburga Black e levantou-se para comunicar a chegada das visitas inesperadas, mas nem por isso indesejadas, visto que grande parte dos lucros mensais do banco vinham das contas daquelas duas mulheres maduras.

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O Head Goblin sentado desde detrás do seu escritório de madeira de nogueira saudou as visitas e convidou-as a sentar-se nas elegantes e confortáveis cadeiras dispostas frente ao seu escritório.

― A que devo o prazer da sua visita, Lady Prince? ― perguntou o goblin com um olhar ganancioso e já fazendo contas mentais de alguns negócios para propor à matriarca e assim enriquecer as câmaras do seu banco.

― Como bem sabe, a juventude e a saúde não duram sempre e devo começar a preocupar-me com a sucessão da família Prince ― expôs a mulher com cautela, sabendo quão ambiciosas eram aquelas criaturas mágicas dispostas a negociar com quem quer que fosse, nomeadamente das suas crenças e poderes, enquanto obtivessem ganhos para Gringotts.

― Entendo, Lady Prince. Acaso deseja aceder à sua genealogia para procurar um familiar adequado?

― Oh! Não, não é necessário e pode chamar-me Lucrécia, Lady Prince é muito formal. Este pequeno ― Pegou no Dragãozinho, que estava no colo de Severus para sentá-lo sobre as suas pernas. ―, é o filho adotivo do meu neto Severus e queria formalizar a sua legitimidade hereditária e nomeá-lo meu Herdeiro.

― Está bem, então, Lucrécia, devemos iniciar os protocolos. Antes de tudo vou precisar de duas gotas de sangue da criança, uma para ver a sua linhagem biológica e comprovar a pureza do seu sangue e outra para aceder aos registos da adoção ― disse o goblin, retirando dois rolos de pergaminho da gaveta e estendendo-os em cima da sua secretária. Deixou a sua magia envolver os papéis em branco e as letras foram aparecendo como emergindo das profundidades do oceano.

Uma gota caiu sobre o pergaminho de linhagem e a genealogia de Draco foi surgindo lentamente para espanto do goblin.

― Draco Snape, filho de Lucius Malfoy e Narcisa Black Malfoy ― leu o goblin com assombro. ― Sendo assim está comprovada a legitimidade da criança e a sua pureza de sangue, pelo que cumpre os requisitos para ser considerado candidato a Herdeiro da Casa Prince. Pelo que posso ver o jovem Draco não foi registado como um Malfoy pelo que não está apto a suceder o título de Lord Malfoy, ainda que não entendo o motivo, mas de qualquer forma, quem entende os magos ― murmurou o último mais para si do que para os seus clientes.

A segunda gota serviu para aceder os registos e confirmar que a adoção estava devida e corretamente realizada.

― Tudo certinho! Mais alguma coisa que desejem antes de formalizar o título de Herdeiro? ― perguntou o goblin com a sua melhor atitude de profissionalismo.

― Sim! ― exclamou Walburga ― Agora que está confirmado o seu parentesco com a família Black, desejo instituir o Draco como meu Sucessor. ― O goblin assentiu e retomou os preparativos para a cerimónia de oficialização do Herdeiro de duas das maiores fortunas do Mundo Mágico Inglês.

Os olhos do goblin brilhavam de felicidade. Juntar o património Prince ao Black era criar um império financeiro em Gringotts, era o sonho de qualquer Head Goblin.

O goblin pegou em dois cristais elficos e colocou-os nas mãos das matriarcas para seguidamente agarrar numa bracelete de ouro com runas elficas cravadas e colocá-la no fino e delicado pulso da criança, que observava tudo atentamente, mas com uma expressão ligeiramente confusa.

As runas e os cristais brilharam ao sintonizar para rapidamente desaparecerem numa cortina de fumo, deixando para trás um Certificado de Linhagem.

― Parabéns! ― exclamou o goblin na direção do menino ― É agora oficialmente o Herdeiro da Casa Black-Prince. Por último, assumo que desejam fazer uma ata dos bens e títulos que a criança irá herdar? ― perguntou, recebendo um assentimento das duas mulheres. ― Necessito uma gota de sangue do pequeno.

O velho goblin fez aparecer um livro de aspeto pesado e desgastado. Deixou cair a gota na capa do livro e este abriu-se, folheando-se sozinho automaticamente até atingir a página desejada.

― Antes de tudo, necessito registar a criança mágica com o nome pelo qual será conhecida e para o qual desejam que a carta de Hogwarts seja enviada ― disse com um tom de voz carregado de seriedade.

― Draconis Lucifae Black-Prince ― exclamou Severus com um olhar resoluto.

O goblin invocou uma pluma de fénix dourado e escreveu o nome indicado.

― Muito bem! ― exclamou para começar a ler as palavras que iam aparecendo nas páginas do livro, escritas em tonalidades douradas.

Nome: Draconis Lucifae Black-Prince

Pai: Severus Tobias Snape, mestiço de linhagem sanguínea da Casa Prince.

Mãe: Sem registo conhecido.

Avó Paterna: Lucrécia Prince, sangue-puro e Matriarca da Casa Prince.

Avó Materna: Walburga Black, sangue-puro e Matriarca da Casa Black.

Estatuto sanguíneo: Sangue-puro

Herança Ancestral: Elemento gelo ― acesso às Câmaras Invernais e direito a dois familiares elementais por contrato de alma.

― O facto de o menino ser um mago elemental, reflete-se nos seus rasgos físicos, tais como a cor dos seus olhos e cabelos, tal como podem ver por si mesmos ― explicou o goblin. ― O procedimento para obter os seus familiares, poderá ser realizado em qualquer altura a partir da data da Cerimónia da Maioria de Idade ou com o consentimento dos tutores legais a partir do seu décimo aniversário.

Herdeiro da casa Emrys, Casa do Santo Profeta Merlin, por parte da linhagem paterna biológica, Malfoy ― título de Last Dragonlord e a possibilidade de desbloquear a habilidade de se comunicar e domar dragões, Príncipe de Avalon e acesso às Câmaras Emrys e às "Crónicas da Magia e do Tempo".

Herdeiro da Casa Ravenclaw e fundadora de Hogwarts, por parte da linhagem materna biológica, Black ― acesso às Câmaras Ravenclaw e à Biblioteca Suprema, vinte e cinco porcento das ações da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Herdeiro da Casa de Hufflepuff e fundadora de Hogwarts, por parte da linhagem Prince ― acesso às Câmaras Hufflepuff e aos Jardins Supremos, vinte e cinco porcento das ações da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Herdeiro da Casa Black ― acesso às Câmaras Black e magia ritualística sanguínea.

Herdeiro da Casa Prince ― acesso às Câmaras Prince e imunidade a feitiços ofensivos menores.

― As propriedades são inúmeras, pelo que a lista é extensa ― concluiu o goblin.

― Quem é o meu bebé especial? ― exclamou Lucrécia, fazendo cócegas que roubavam alegres gargalhadas ao pequeno no seu regaço ― Quero criar uma nova Câmara Juvenil a nome do Draco com um valor inicial de cinco mil galeões e agregar mensalmente dois mil.

― Concordo! ― disse Walburga com tom sério e cortante ― Retire cinco mil galeões da Câmara Principal e mensalmente outros dois mil. ― Ao que o goblin assentiu e chamou Ragnok, ordenando que procedesse a realizar os pedidos das duas damas e mandou-o ainda chamar o goblin Griphook.

― Griphook ― Estendeu-lhe um pergaminho com uma listagem. ―, retira estes bens das suas respetivas câmaras e trá-los, por favor.

― Como deseje, Head Goblin ― Leu a lista por alto e lançou um olhar curioso aos presentes, saindo apressadamente.

Tempo depois, Ragnok regressou e entregou o comprovativo de saldo da Câmara Juvenil de Draco e saiu, quase tropeçando em Griphook, que corria desajeitadamente com uns cofres entre os seus curtos braços, que tremiam precariamente ameaçando com cair ao chão.

― Aqui estão ― exclamou colocando os bens em cima da mesa.

― Bom trabalho, Griphook, podes regressar aos teus deveres.

O Head Goblin abriu o primeiro cofre e retirou os anéis que indicavam o Líder da Família Black e o seu Sucessor, que cedeu a Walburga. A matriarca deslizou o anel que lhe correspondia pelo seu dedo médio e colocou o do Herdeiro numa delicada corrente de prata, que colocou no pescoço de Draco.

O goblin abriu outro cofre e repetiu o processo com Lucrécia, que deslizou o seu anel no seu dedo e colocou o de Draco junto ao anel anterior. Dois anéis brilhantes reluziam no peito do menor. O anel Black era de prata com uma esmeralda e o brasão familiar gravado na gema e o anel Prince era de prata com uma ametista com o brasão também gravado na gema.

De uma caixa retangular, finamente ornamentada, o goblin retirou uma discreta tiara adornada com pequenas e delicadas safiras, da qual destacava o brasão de Ravenclaw na gema central, ligeiramente maior que as outras. Severus pegou na tiara que o goblin lhe deu e seguindo as suas indicações colocou-a sobre a testa de Draco.

― É demasiado grande. As dimensões são para um adulto ― disse Severus.

― Dê-lhe tempo e verá que tudo se resolve por si só ― disse o goblin para tranquilizar os bruxos.

A tiara brilhou levemente, emitindo uma aura azulada e ajustou-se ao diâmetro da cabeça do loirinho.

― Como podem ver, a tiara irá alargando à medida que o menino for crescendo ― explicou o goblin. ― Rowena Ravenclaw era uma mulher extremamente inteligente e pesquisou vários feitiços, até criar um modo de que as suas possessões se adaptassem e ajustassem aos seus donos, tal como podem ver.

Draco levou a mão à testa e tocou a tiara coberta parcialmente pelas pontas azuladas dos seus sedosos cabelos.

― Tiaras e coroas são coisas de meninas. Só as princesas é que usam este tipo de coisas, papi ― disse o Dragão, fazendo beicinho.

― Claro que não, meu príncipe ― disse Severus dando-lhe um beijo na rosada bochechita. ― Príncipes também usam coroas ou acaso não te recordas que nos contos de fadas o príncipe que salva a princesa usa uma coroa?

O pequeno cabisbaixo concordou e Severus pegou-o ao colo para o distrair, enquanto o goblin abria uma segunda caixa retangular e retirava uma gargantilha.

Walburga pegou cuidadosamente na gargantilha de prata e diamantes negros e aproveitando que a criança estava distraída colocou-a no pescoço albino. Gradualmente a gargantilha ajustou-se à circunferência do pescoço de Draco, quase como uma segunda pele, deixando brilhar os diamantes levemente e reluzindo o brasão familiar de Hufflepuff no diamante central.

Por fim, o último cofre foi aberto, deixando à vista uma bracelete de prata com runas da Antiga Religião, a magia ancestral que magos e bruxas como Morgana Le Fay, os druidas durante a época de maior esplendor de Camelot e claro Merlin, praticavam na antiguidade e que persistia até hoje, mas que poucos ou quase nenhuns conheciam.

Após oferecer a bracelete ao seu legítimo proprietário, Draco, o Head Goblin fez os cofres regressarem às suas respetivas câmaras.

― Estes objetos estão embebidos em magia ancestral, pelo que possuem feitiços de proteção e rastreio para que possam sempre saber onde estão os outros possuidores de objetos mágicos semelhantes entre a mesma casa. Dito seja, a Lucrécia será capaz de rastrear o jovem Draco e vice-versa, o mesmo ocorre com Lady Black e o jovem Draco.

― Seria possível conseguir um objeto semelhante numa das Câmaras Prince para o meu neto Severus? Ficaria mais descansada se o pudesse encontrar sempre que quisesse ― exclamou a matriarca com tom preocupado e amoroso.

― Claro! ― respondeu o goblin.

Enquanto isso, Severus pensava que a velha, claro que nunca a chamaria assim na sua cara, só desejava tê-lo vigiado as vinte e quatro horas do dia para que nada acontecesse a Draco, o bebé da família, e que ele não fizesse nada desonroso, segundo ela, para a família Prince, agora que viviam sob o mesmo teto. O Mestre de Poções suspirou exasperado e resignou-se ao seu destino. Se esse era o preço que tinha a pagar pelo bem estar do seu filho, então era isso que faria.

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Em Prince Manor, a manhã apenas despontava e um desfile de tutores altamente qualificados dava início, ao mesmo tempo que começavam as entrevistas de trabalho.

― E diga-me, Sr. Lochart, quais são as suas habilitações e referências? ― perguntou Walburga.

― Como com certeza terão lido nas minhas obras, a minha especialidade é no Combate Contra as Artes das Trevas ― exclamou o loiro com orgulho, embalando os seus cabelos cacheados e dando um sorriso encantador.

Poucos instantes depois, foi possível ver um indignado e insultado Gilderoy Lochart abandonar a residência da família Prince.

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Contra todos os prognósticos, Remus Lupin compareceu à entrevista. Severus estava um pouco preocupado com a possibilidade de ter um licantropo a ensinar o seu filho, mas não podia negar que até à data era o tutor mais qualificado que encontrara.

Walburga e Lucrécia tinham chegado a consenso, de que Severus prepararia a poção matalobos, quisesse este ou não. Por via das dúvidas e não querendo que a existência de Draco chegasse a ouvidos indesejados, ou seja, Albus Dumbledore e os seus planos estratégicos pelo "bem maior", Remus foi contratado com a condição de consentir na realização de um Juramento Inquebrável. Dito e feito, Draco já possuía um professor de Defesa Contra as Arte das Trevas.

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Após várias entrevistas descartadas pelo Mestre de Poções, Severus concluiu, sem direito a reclamação, que ninguém para além dele estava apto a ensinar, a nobre e delicada, arte da elaboração de poções.

As entrevistas para professor de Encantamentos e Feitiços iniciou-se na manhã seguinte.

― Srta. Vanity, tenho entendido que estudou junto ao meu neto Severus ― disse Lucrécia, ganhando um olhar incrédulo e culpado por parte da mulher.

Emma Vanity havia sido uma orgulhosa serpente, dois anos mais velha que Severus Snape; esta tinha sido uma das muitas pessoas, que havia denegrido o Mestre de Poções, ao descobrir que este era um mestiço, mas agora, resultava que descendia de uma família de renome muito mais poderosa do que a sua. Emma estava em pânico só de imaginar as possíveis repercussões das suas ações passadas. Qualquer pessoa que se preze, sabe que nunca se ofende a família Prince.

― É correto! ― respondeu com a voz aguda e miudinha.

― Vejo que tem ótimas referências, se tudo estiver bem gostaria começasse na próxima semana.

A mulher assentiu timidamente e rezou para que Severus não guardasse rancor pelo que ela fizera e dissera em Hogwarts. Contribuir para a educação do Herdeiro das Casas Prince e Black era uma adição muito boa para o seu currículo e dar-lhe-ia uma credibilidade que não obteria de nenhum outro modo.

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A manhã seguinte trouxe um novo desfile de homens e mulheres de várias idades em busca da oportunidade do trabalho de uma vida.

― Amos Diggory, não esperava ver-te aqui! ― exclamou Lucrécia alegremente ― Acaso precisas de trabalho? Não me digas que a tua esposa já te levou à falência com todas as suas extravagantes e exuberantes compras?! ― brincou a morena com um sorriso traquina.

― Não, mas gosto de ensinar e ambos sabemos que o velho e bom Binns nunca deixará de ensinar em Hogwarts. ― Os dois amigos riram em uníssono. Ambos se conheciam pelos negócios que as famílias dividiam em parceria.

― Entendo ― disse a matriarca com um olhar analítico ―, e tens referências anteriores?

― Ensinei os filhos de alguns primos, posso passar-te os contactos se quiseres.

A mulher assentiu e saiu para confirmar as referências de Amos, regressando poucos instantes depois.

Ao concluir o Juramento Inquebrável, nem louca deixaria um Hufflepuff bisbilhotar a sua casa sem se assegurar antes, Draco obteve um novo professor.

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Uma semana tinha passado a voar e ainda não haviam contratado todos os tutores necessários. Afinal, só os melhores entre os melhores poderiam ensinar o Jovem Dragão.

Enquanto isso, os novos tutores encontravam-se a realizar as preparações para as suas aulas e discutir os seus respetivos contratos com as suas empregadoras, deixando o pobre Severus a dirigir as restantes entrevistas em tempo recorde.

Ao cair a noite desse sábado, Severus havia contratado Evan Rosier como instrutor de Transfiguração e administrado-lhe um Juramento Inquebrável, apesar de ser de longe o mais qualificado para a tarefa, este era um Death Eater, pelo que automaticamente perdia a qualidade de pessoa de confiança.

Ao finalizar o fim de semana, Severus tinha decidido contratar Lucinda Talkalot, como instrutora de Astronomia e Aritmância, devido ao curto espaço de tempo que restava e a que a ex-Slytherin fosse versada em ambas matérias.

Após descartar vários possíveis tutores, Lucrécia Prince decidiu ensinar ela mesma Finanças e Gestão.

Seguindo a linha de pensamento da amiga, Walburga Black optou por ensinar Etiqueta e Runas Antigas.

No início da semana seguinte, realizariam uma reunião para expor as peculiaridades de Draco e decidirem os horários e planos de estudo.

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A reunião estava a decorrer na Sala de Negociações da Mansão Prince.

― Bom dia, meus caros senhores e senhoritas ― exclamou Lucrécia plena de boa-disposição. ― Penso que devemos começar com as devidas apresentações, embora alguns de vós já se conheçam, penso que é de bom tom que se apresentem entre si ― disse piscando um olho galantemente.

A matriarca Prince havia mudado após anos de convivência com Draco. Era mais aberta e alegre, mas acima de tudo. era ainda mais sedutora do que fora nos seus anos de juventude. Severus duvidava seriamente que a mulher fosse ficar solteira durante muito mais tempo. Os pretendentes tinham começado a atolar-se aos pés da morena e esta estava a tomar o seu merecido tempo a considerar os prós e contras de cada um.

― Bom, comecemos por este lado ― Apontou para Amos. ― e continuemos nessa direção. ― Fez um gesto com a mão a abarcar os restantes tutores. ― Podes começar, Amos querido.

O homem de cabelos castanhos claros levantou-se e limpou a garganta antes de iniciar a sua apresentação.

― O meu nome é Amos Diggory e estou a cargo da aula de História da Magia ― disse para sentar-se de novo no seu assento.

― Sou Evan Rosier e irei ensinar Transfigurações.

― Remus Lupin. Estou a cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas ― disse o ex-Gryffindor.

Moony estava que se roía todo, por culpa da curiosidade, que envolvia o mistério sobre o seu futuro estudante. Ainda não o tinha conhecido, nem sequer lhe haviam dito o seu nome. Estava que se punha a saltar e a gritar por uma resposta. Além disso, que fazia Snape ali? Como é que ele conhecia aquelas pessoas tão importantes? Mas acima de tudo, qual era o motivo para lhe exigirem um Juramento Inquebrável como clausula obrigatória no contrato?

― Emma Vanity. Encantamentos e Feitiços ― disse a mulher cabisbaixa, tentando passar despercebida por Severus.

― Sou Lucinda Talkalot e vou ensinar duas disciplinas, Aritmância e Astronomia.

― Bom, agora que já se conhecem, o meu nome é Lucrécia Prince e devido à falta de pessoas qualificadas, decidi que ensinarei eu mesma Finanças e Gestão.

― Eu sou Walburga Black. ― Remus deu um pulo na cadeira, devido a que não se tinha apercebido da presença da mãe de Sirius. ― Ensinarei Runas Antigas e Etiqueta, à falta de quem o faça, e não estou disposta a deixar um bando de inúteis instruir o meu Herdeiro. ― O lobo levantou a cabeça de repente e quase de maneira dolorosa.

― Sou Severus Snape. Como as Ladies disseram; o resto dos candidatos eram lixo, pelo que estou a cargo de instruir a Nobre Arte das Poções. ― O queixo de Remus cedeu à força da gravidade e Emma encolheu-se ainda mais no seu assento.

― Agora, regressando ao que importa, Severus, onde está o Draco? ― perguntou Lucrécia, gargalhando-se interiormente pelas reações daqueles dois tutores.

― Deixei-o ao cuidado de Penny.

― Penny!

― Sim, Ama! O que Penny pode fazer pela Senhora? ― perguntou a elfa em tom serviçal.

― Chama o Amo Draco. Está na hora de conhecer os seus futuros tutores.

A elfa fez uma reverência e desapareceu. Pouco minutos depois, o loirinho apareceu pela porta todo sorridente.

― Avó Lucy! ― exclamou o menino, abraçando a matriarca.

― Este pequeno é Draconis Black-Princ vosso novo estudante. O meu Pequeno Dragão é um mago muito poderoso, com afinidade ao elemento gelo. Espero que façam tudo ao vosso alcance e mais ainda, para ajudar o meu bebé a dominar as suas habilidades… Oh! E tentem não acabar congelados! Seria muito trabalhoso ter de refazer todas aquelas aborrecidas entrevistas ― concluiu com um sorriso maligno.

Os instrutores estavam entusiasmados de poder ensinar um mago elemental, mas a advertência de Lady Prince ainda pairava sobre as suas cabeças, fazendo-os tremer ligeiramente.


Notas:

No próximo capítulo vamos dar uma espreitadela nas aulas do nosso Black-Prince.

O que acharam das entrevistas para escolher os tutores do Pequeno Dragão?