Capítulo 7: Provas do Coração

Um a um, os residentes do castelo foram-se reunindo no interior do Salão Principal, onde dentro de instantes dar-se-ia início à Cerimónia de Nomeação dos Campeões de cada uma das três Escolas Mágicas Europeias participantes no Torneio dos Três Feiticeiros.

No decorrer da semana anterior, os estudantes haviam tido a oportunidade de lançar um pedaço de pergaminho com o seu nome no interior do flamejante Cálice de Fogo. Poucos tinham sido aqueles cuja coragem lhes permitira fazê-lo diante do olhar escrutinador do público, a maioria preferira candidatar-se durante a noite, resguardados pelas tenebrosas sombras tão comuns naquele escuro castelo.

Os estudantes das duas escolas convidadas desfilaram ordenadamente, sentando-se confortavelmente nas bancadas a aguardar a chegada do Diretor Albus Dumbledore que presidiria o tão ansiado sorteio.

Os gémeos Weasley esconderam-se ao escutar a longínqua voz de Ludo Bagman, Chefe da Secção de Jogos e Desportos Mágicos, colocando um par de pesadas capas sobre as suas agora longas e níveas cabeleiras, procedendo assim a esconder as suas barbas quilométricas e faces enrugadas, após terem tentado ingenuamente burlar a barreira que estipulava o limite de idade dos possíveis concorrentes. À medida que os adultos se aproximavam, a voz do Diretor passou a escutar-se mais forte e claramente, pelo que o duo, anteriormente ruivo, aconchegou bem as capas para assegurar-se de que as suas cabeças estavam bem cobertas e os fios de prata fora do raio de visão dos homens, desejando passar despercebido. Ao passar ao lado do aglomerado deforme, Dumbledore disse como quem não quer a coisa:

― Pobre Madame Pomfrey! A coitadinha está a fazer turno duplo, por vezes até mesmo triplo, esta semana! Não tem um segundo de descanso sequer…

― Compreendo perfeitamente, afinal de contas, o número de envelhecimentos precoces aumentou exponencialmente nos últimos dias ― comentou o Chefe do Departamento de Cooperação Internacional de Magia, Bartemius Crouch Sr. ― Nunca antes me havia deparado com um evento tão estranho quanto este.

― É verdade, pergunto-me qual será a razão por detrás deste "misterioso e contagioso" surto ― disse o Diretor Dumbledore, com um brilho travesso no olhar, ao passar ao lado dos anciãos disfarçados, que se encolheram automaticamente, apertando-se um contra o outro, querendo perder-se entre as sombras do corredor que dava para o Salão Principal.

Não demorou muito para que os adultos se afastassem dos "velhos" estudantes, abafando a risada com uma tosse forçada.

― Achas que nos viram? ― perguntou George constrangido, algo muito inusual vindo da sua parte.

― Claro que nos viram! Acaso pensas que aquelas piadas de mau gosto foram dirigidas a quem? Ao vazio? Ou talvez tenha sido ao retrato na parede ao nosso lado? ― exclamou um igualmente envergonhado Fred Weasley.

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Os resultados do sorteio foram extremamente caóticos: dizer que os estudantes se haviam embrenhado numa briga de galos seria falar pouco.

Ao ser dado a conhecer o facto de que o Torneio dos Três Feiticeiros passaria agora a ser conhecido como o Torneio dos Quatro Feiticeiros, devido à inusitada e mirabolante participação de Harry Potter, os alunos de Hufflepuff passaram rapidamente ao ataque, algo sem dúvida inesperado vindo dessa Casa em particular, sendo imediatamente secundados pelas restantes casas. Como não seria de admirar, esta revolta devia-se a uma única pessoinha. O instigador desta furibunda rebelião era nada mais, nada menos que… Turururum… Ronald Bilius Weasley! Adivinharam ou não era óbvio o suficiente?

Ron havia convencido praticamente a escola inteira que Harry não se sentindo satisfeito apenas com liderar os mini Death Eaters (como chamava a todas as serpentes), tinha sentido a necessidade de roubar o estrelato à casa mais necessitada de solidariedade de toda a escola (algo que obviamente os ofendeu), demonstrando assim o seu baixo caráter e a sua verdadeira personalidade sombria, própria de um Seguidor das Trevas ou, ainda pior, de um Dark Lord.

Por favor, não julguem uma Casa inteira pelas ações de uns poucos. Voldemort podia ser o Herdeiro de Salazar Slytherin, mas era um péssimo exemplo dos valores que este defendia e uma vergonha para os seus "irmãos".

Ora, como tal, os Slytherins não se deixaram ficar atrás…

Era bem sabido que ninguém que se atreva a ir contra um membro da Casa de Salazar Slytherin sai ileso da sua estúpida afronta. Como dissera outrora o Chapéu Selecionador, é em Slytherin que encontrarão os seus verdadeiros amigos. Ninguém seria capaz de negar os inícios turbulentos que havia enfrentado Harry Potter dentro daquele círculo social, mas se há algo que nenhuma serpente aceita, isso seria sem sombra para dúvidas, o desprezo oriundo de um Gryffindor desleal.

Muito provavelmente estar-se-ão a questionar porque motivo os Slytherins considerariam os Gryffindors um bando de moleques desleais e imaturos, sendo que todo o Mundo Mágico os julga uns santos… pois… isso é muito simples e fácil de explicar… se assim o desejassem, mas isso é história para outra vez… Afinal não há razão para tentar colocar juízo num monte de cabeças de vento! Então, para quê gastar o seu latim a tentar explicar algo que nunca entraria naquelas cabeças ocas?

O facto é que não importa o que os livros de história pudessem afirmar sobre o seu Fundador, eles sabiam a verdade e isso era tudo o que lhes importava. Não permitiriam que ninguém questionasse a honra e a moral de uma serpente ou desdenhasse as suas raízes ancestrais, como tal não facultariam que um leão traidor manchasse o bom nome da sua Casa e dos seus membros.

Está muito enganado aquele que assumir a verdade escrita nos livros como a única e incontestável verdade, pois é certo e sabido que a história é escrita pelos vencedores e nem todos os vencedores são justos e muito menos honestos… caso contrário, o mundo não se veria regularmente envolvido em guerras sem sentido.

A verdade é constituída por pelo menos duas versões: a do vencedor e a do perdedor.

Quem pode afirmar ao certo qual delas é a correta? Seria ainda mais acurado dizer que são três e não duas as verdades deste mundo: a verdade pregada pelo lado vencedor, a verdade defendida pelo lado perdedor e a verdade original (única e incontestável, mas que raramente, praticamente nunca, chega a ver a luz do dia). Pelo que se todos acham que têm razão, para quê dar-se ao trabalho de explicar seja o que for, o único que conseguiriam seria iniciar uma nova disputa sem sentido que levaria a outra guerra inútil e potencialmente sangrenta.

Há algo que as pessoas necessitam urgentemente de compreender, numa guerra não há vencedores, nem perdedores… há apenas pessoas que pensam erroneamente que têm razão, e tal facto aplica-se às duas fações que travam essa guerra. E a principal razão pela qual ninguém pode ser considerado vencedor, deve-se a que quando a batalha termina apenas uns poucos desgraçados sobrevivem à tragédia, só para serem confrontados com todas as suas lamentáveis perdas.

A última fase de uma guerra é universal e resume-se a uma única coisa: enterrar ou cremar os corpos das pobres vítimas daquele conflito estapafúrdio. Ao concluir uma guerra, restam apenas os miseráveis soldados que viveram mais um dia para ver um novo nascer do sol, apenas para descobrirem que todos os que amavam se foram para sempre e verem-se obrigados a assistir ao seu precioso e amado mundo arder nas chamas da cólera da raça humana, uma vez mais, pois a Guerra… essa nunca acaba, pode amenizar, pode estancar ou até mesmo perecer momentaneamente… mas as pessoas sempre encontrarão um novo motivo pelo qual lutar, sejam elas bruxas ou muggles, este princípio fundamental aplica-se a ambas.

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A Lua adormeceu por fim e o Sol saudou o céu, suspirando de amores pela sua amada Deusa.

Um par de águias entrou no Salão Principal, preparando-se para tomar a refeição mais importante do dia, afinal, esse seria um dia longo e importante. Tinha chegado a tão ansiada Primeira Tarefa do Torneio dos Três (está mais para Quatro) Feiticeiros.

Blaise e Draco observavam confusos o aglomerado de raparigas que pareciam querer perfurar o moreno com o olhar.

― Blay, não quero alarmar-te nem nada, mas… penso seriamente que a tua vida pode estar a correr grave perigo, pelo que sê sincero comigo. Não te atrevas a mentir-me, B, a tua vida pode depender desta resposta, pelo que aqui vou eu: O que é que fizeste à população feminina do castelo? ― perguntou Draco com certo receio, ao ver uma estudante do Sétimo Ano de Gryffindor assassinar a pobre salsicha que se suponha que deveria ser o seu apetitoso pequeno-almoço.

― Eu!? Eu não fiz nada! ― exclamou o outro surpreendido e com expressão ofendida, erguendo as mãos em gesto defensivo automaticamente.

― Algo tiveste que fazer ou elas não te estariam a encarar dessa forma, juro que até as Hufflepuffs do Primeiro Ano parecem querer-te a sete palmos debaixo de terra ― comentou o jovem de olhos prateados, notando como a mirada das garotas mudava repentinamente de direção e tomava um aspeto mais terno e dócil.

"Agora entendo", pensou o albino, suspirando levemente.

― Olá, Blaise! ― cumprimentou o búlgaro com um assento carregado, sendo secundado pelos Ravenclaws, ao que o Campeão notou por fim a presença do albino ― Ah! Olá, Draco, não te tinha visto.

― É, eu apercebi-me ― murmurou para si mesmo.

"É simplesmente assombroso… quando vê o Blaise perde-se nos olhos dele. Deveria dizer algo ao Blay? Ele não parece ter notado. Penso que ele vê o Viktor apenas como uma fonte inesgotável de doces", ponderou o jovem Herdeiro ao presenciar uma nova demonstração do amor do seu querido amigo pelo seu amado chocolate.

― Acaso este delicioso aroma que sinto é de uma das criações de Michel Richart? ― perguntou o italiano, erguendo-se do assento com um salto repentino e aproximando-se a Krum, cheirando-o levemente até dar com um pequeno doce, que o apanhador retirava delicadamente do bolso do casaco. ― Hmm… Eu diria que sim… Pelo aroma é da família floral.

― Ah! Sim. Uma das minhas admiradoras ofereceu-me uma caixa antes do barco zarpar. ― Os olhinhos brilhantes do menor fizeram que o seu coração saltasse uma batida em vão. ― Podes ficar com ele se assim o desej… ― A sua frase viu-se interrompida abruptamente pelo movimento veloz de Blaise, que arrancou o chocolate da sua mão com uma destreza quase felina.

― Hmm… Delicioso! ― ronronou o jovem, degustando o seu "presente", sob o olhar atento do búlgaro, que engoliu o excesso de saliva com dificuldade.

Aquele fedelho ia matá-lo um dia destes com os seus arranques de sensualidade. Só esperava que o dragão que enfrentaria em breve não o matasse antes, visto que estava a sofrer de um severo problema de atenção, ao não conseguir desviar os olhos daqueles lábios cheios e suculentos, manchados ligeiramente por uma camada de chocolate que a língua travessa e rosada lambeu de imediato, não querendo desperdiçar uma única grama daquele voluptuoso manjar.

Draco sorriu interiormente, ao analisar a interação entre os dois jovens, desejando-lhes boa sorte e que Blaise não morresse num atentado das fãs de Viktor, antes de que este se declarasse ou que o seu amigo se apercebesse enfim dos sentimentos do seu óbvio pretendente. Óbvio para todos, exceto para o italiano ao que parecia.

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É certo e sabido que a crença popular é facilmente influenciável e portanto extremamente flexível, pelo que não causou espanto nenhum às serpentes quando o resto da escola mudou miraculosamente de opinião sobre Harry Potter após a conclusão da Primeira Tarefa do Torneio.

Na opinião dos Slytherins os estudantes que agora lançavam ovações a cada passo que este dava, não passavam de um bando de hipócritas de meia tigela. Como podiam felicitá-lo pela sua vitória e afirmar que acreditavam na sua inocência no tema do sorteio, quando instantes antes lhe haviam literalmente cuspido no rosto e acusado-o de ser um Death Eater? Acaso não tinham vergonha na cara!?

Deixando de lado todas essas coisas deprimentes e irritantes, Harry tinha conseguido enganar o dragão de forma espetacular e obter o Ovo de Ouro, agora só restava descobrir o que aquele ruído ensurdecedor significava, mas não era nada que a ajuda de duas águias não pudesse resolver.

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Certa tarde, Blaise caminhava pela margem do lago com o ovo entre as suas mãos, ponderando a melhor estratégia de abordagem, quando por obra e graça da sua maldita (ou seria bendita?) torpeza, tropeçou numa pedra e caiu à água, fazendo com que o Ovo de Ouro se abrisse acidentalmente, ao impactar numa rocha no fundo do lago. Desta forma, o italiano descobriu por fim a Canção da Sereia, bem como o seu significado.

Agora só restava encontrar um meio que permitisse que Harry respirasse debaixo de água por um período mínimo de sessenta minutos… Ora, isso era canja! Não era nada que Draco e o seu amplo conhecimento sobre as propriedades dos ingredientes e das próprias poções não pudesse solucionar.

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Harry pestanejou, tentando habituar-se ao seu novo entorno, observou as suas mãos e logo os seus pés mutados.

― Funcionou! ― gritou a serpente com êxtase, gerando pequenas bolhas de ar na água, assustando um cardume de pequenos peixes que passava à sua frente.

O moreno forçou-se a recordar as palavras de Blaise, quando este havia recitado a letra da canção momentos após escutá-la.


Onde soam as nossas vozes, vem buscar-nos,
que sobre a Terra não se ouvem nossos cantos.

E estas palavras medita entretanto,
pois são importantes, não sabes o quanto.

Tomámos o que mais valoras
e para encontrá-lo tens uma hora.

Passado este tempo, negras são as perspetivas,
demasiado tarde será, já não haverá saída.


"O que mais valoro? Mas se a minha Firebolt estava no meu quarto quando saí esta manhã… Hm… O que poderia ser?", matutava o Menino-Que-Sobreviveu na sua mente, conforme se ia aproximando inadvertidamente do seu objetivo.

Um brilho prateado chamou de imediato a sua atenção.

"Não! Essas sereias feiosas não seriam capazes de fazer isso… certo?", tomando balanço, Harry nadou velozmente, assemelhando-se a um foguetão da NASA. "Que não seja o que eu penso… ou juro que essas estúpidas sereias vão-se arrepender do dia em que nasceram!"

oOo

A multidão observava os Campeões chocada.

― Belisca-me ― murmurou um Hufflepuff do Sétimo Ano para o amigo.

― Só se tu me beliscares primeiro.

― Oh! Vá lá, pessoal, não me vão dizer que não tinham desconfiado ― disse Cedric com uma expressão risonha, abraçando a sua refém. ― Porque outro motivo teria eu terminado com Cho?

― Ora, isso é extremamente óbvio, querido ― respondeu uma jovem de olhos brilhantes, beijando castamente a face do seu amado, recebendo uma mirada fulminante de uma jovem de rasgos asiáticos a poucos metros de si. ― Foi porque encontraste alguém de melhor calibre, não é mesmo? ― exclamou com diversão, lançando um sorriso travesso na direção de Chang.

― O que tu digas, meu amor, o que tu digas ― murmurou sobre os lábios da jovem.

Esta declaração foi seguida pelo colapso de uma boa percentagem da Casa dos Texugos, maioritariamente as donzelas desiludidas de terem perdido um ótimo prospecto a namorado e talvez, futuramente, até mesmo a esposo, antes mesmo de se poderem aperceber da sua grandiosidade.

― Felicidades, Pan!

― Para ti também, Dray ― respondeu a garota.

― Porquê? ― questionou confuso o doce albino.

― Acaso vais dizer-me que esse abraço possessivo não significa nada? ― Apontando para os braços musculosos que rodeavam fortemente a sua cintura. ― Há algo que me queiras dizer? Ou talvez tu, Harry… Não te esqueceste de me dizer nada?

― Hm… Não, nada ― respondeu com tom monótono, ignorando a dor dos cortes e arranhões que cobriam todo o seu corpo. As malditas sereias não lhe tinham facilitado para nada o trabalho, parecendo decididas a manter o seu Draco no fundo do lago pelo resto da eternidade.

Não alcançava Harry a imaginar a verdadeira razão, por detrás da agressividade dos habitantes do lago:

No momento em que Dumbledore enfeitiçara os reféns dos Campeões, cedendo-os às sereias que se apressaram a levá-los ao seu destino, o lago começara repentinamente a sofrer ligeiras alterações de temperatura, sendo elas mais notórias no entorno do albino. Tal facto, levara os seres aquáticos a reagirem como se estivessem diante de um ataque ao seu território, aumentando assim a sua agressividade, já por si só, latente.

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Dias depois ainda era possível escutar os murmúrios que percorriam o castelo.

― Escutei que se conheceram devido aos negócios dos pais ― disse uma menina de gravata amarela.

― Sim, ao que parece os Diggory e os Parkinson formaram uma parceria de negócios…

― Uma coisa levou à outra… ― exclamou outra rapariga, interrompendo a anterior.

― Apaixonaram-se…

― E terminaram comprometidos! ― concluiu uma pequena com olhos sonhadores, suspirando baixinho.

Pansy soltou um bufido de desagrado e aconchegou-se nos braços do seu namorado.

― Calma, Pansy, deixa as miúdas sonharem um pouco ― sussurrou Cedric. ― Só estão curiosas. Tu também o estarias se estivesses no lugar delas.

― É que acaso não têm vida própria que necessitam desesperadamente de falar sobre a dos outros?

― Sip! Algo assim ― respondeu Blaise, ignorando a mirada furibunda das fãs do seu sexy fidanzato (namorado).

Ninguém podia negar que tinha demorado séculos, Viktor quase virara monge (era sem dúvida alguma um autêntico santo), mas tinham-se finalmente ajeitado. Nada que um sequestro, prosseguido de um viril resgate e uma boa dose de doces não solucionasse. A única que se podia queixar era a carteira carente do búlgaro, pois Blaise era bem capaz de levá-lo à falência com o tamanho arsenal de chocolate que consumia diariamente. Existiria nome para a sua condição? Chocolatra? Ou talvez, chocoólico? Ou soaria melhor chocodependente?

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O tempo não espera por ninguém e em menos do que o Diabo esfrega o olho a Terceira e Última Tarefa chegou.

Cedric encarava a veela com semblante embelezado. A jovem donzela dançava de forma sensual e hipnótica, seduzindo o rapaz, incitando-o a aproximar-se e unir-se a ela no seu baile de perdição, quando uma mão pousou no seu ombro sem aviso. O Hufflepuff deu um pulo ao escutar uma voz sussurrar-lhe ao ouvido com travessura.

― A tua querida Pansy vai-te castrar se souber que estás a babar por uma ave feia que lança bolas de fogo.

― Não! ― gritou já totalmente desperto, virando-se para o Slytherin que lhe dirigia uma mirada repleta de diversão.

― Estás safo… por agora! Não ignorarei uma segunda ocorrência. A Pansy é minha amiga e não me sinto cómodo ao esconder-lhe algo que sei que a magoaria profundamente ― disse o Menino-Que-Sobreviveu, avançando através do labirinto, deixando um nervoso e temeroso texugo. ― Ei! Vens ou não? ― gritou, virando à direita e logo à esquerda, seguindo por um longo corredor e virando novamente à direita, dando de caras com o seu objetivo.

"Deveria dar-lhe a oportunidade de lutar pela taça? Nah! Isto é um torneio, não um jogo", pensou o moreno, tomando o troféu do Torneio dos Três Feiticeiros.

Cedric chegou, por fim, mesmo a tempo de ver o garoto desaparecer perante ele.

― Hnf! Quase consegui! Fica para a próxima. Agora… o que é que deveria pedir à minha charmosa serpente como prémio de consolação? ― perguntou o Hufflepuff para si mesmo, com um sorriso travesso e um leve brilho luxurioso no olhar.

A veela, insatisfeita por estar a ser cruelmente ignorada, havia-o seguido de perto, contorcendo-se para exibir as suas curvas e os seus belos e salientes seios, elevando o seu allure e descobrindo uma boa porção das suas esbeltas pernas.

― Pena que decidimos esperar até ao casamento… Bom! Não há problema, tenho a certeza que poderemos arranjar algo com o que nos entreter.

A jovem donzela parou de dançar e exibir o seu amplo decote, bufando exasperadamente.

"Tu é que perdes, humano desagradecido! Também não és nada de especial… Hnf! Já vi melhor no decorrer dos meus longos séculos de vida."

A veela deu meia volta, rumando à saída do labirinto, enquanto planeava o seu próximo destino.

"Ouvi dizer que esta época do ano é perfeita para caçar homens nos bosques frondosos da Europa. Só espero não ter o azar de me encontrar com aquelas bestas da Tribo das Amazonas. Que mulheres mais sem graça! Como podem dizer que a ausência do género masculino é o segredo para uma sociedade perfeita? Quem é que vai cozinhar e limpar a minha mansão? O trabalho de uma mulher bonita é cuidar da sua figura e aparência. Os homens são meros escravos da minha vontade, o seu dever é servir-me pelo resto da eternidade, enquanto aguardo pela chegada minha alma gémea."

A figura platinada balançava-se ao ritmo da melodia entoada pelo vento, que brincava com o tecido esvoaçante do belo e leve vestido branco que a garota de aparência jovem portava.

"Só espero que não seja um humano… aqueles estúpidos macacos sem pelo… não têm classe e falham em inteligência. Ah! Deveria realizar uma breve visita ao meu querido Louis?", suspirou com expressão enamorada, que logo foi substituída por desânimo ao recordar a sua paixão de juventude que nunca pôde ser. "Maldito Lestat de Lioncourt! Como ousas roubar-me o meu Príncipe Encantado? Oh! Louis, mon amour, aqui voy yo!"

A jovem desapareceu por entre as árvores, dando saltinhos de pura felicidade, planeando mil e uma estratégias para exterminar certo vampiro de loiros cabelos e afiados comilhos.

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Harry recostou-se no colo de Draco, que afagava ausentemente o cabelo rebelde do amigo.

O peso das revelações dessa noite pesava sobre a consciência de ambos. Voldemort havia regressado e nada, nem ninguém poderia evitar a luta que os aguardava.

A poucos metros, Pansy abraçava-se fortemente ao peito forte do seu prometido, chorando pelo seu odiado destino, sendo confortada pelas suas palavras e juras de amor eterno.

Theodore observou os seus amigos com a face séria. As palavras dos seus pais tinham sido a sua sentença. Em breve… já não seriam livres de fazer o que quisessem. Lord Voldemort com apenas uma frase tinha arruinado o brilhante futuro dos descendentes de todos os seus seguidores.

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Lucius Malfoy entrou no seu escritório com passos cansados, arrastando os pés e deixando-se cair na poltrona, recordando o ressurgimento do seu Lord.

Início do Flashback

A figura encapuzada analisou a postura dos seus seguidores. Os Death Eaters não ousavam mover-se nem um milímetro por medo a desafiar a autoridade do Senhor das Trevas.

― Onde haveis estado quando fui injustamente banido? Porque nenhum de vós, exceptuando esta reles e vil ratazana me buscou? ― questionou o homem de rasgos reptilianos, apontando para Wormtail.

― M'Lord, se só me tivesse contactado ou enviado um sinal… ― defendeu-se um dos mascarados.

― Silêncio! Pagareis bem caro pela vossa deslealdade. Meu caro Ethan, soube que o seu filho é um bom estudante e um verdadeiro orgulho para a elite bruxa, como se seria de esperar de um membro da Antiga e Ancestral Casa Nott.

― Sim, meu Lord, Theodore está entre os melhores alunos de Hogwarts ― respondeu o homem com orgulho paterno.

― Compreendo! Assumo que não apresentareis réplica alguma a que o jovem Theodore me sirva de agora em diante, certo? Tenho grandes planos para a nova geração.

Os pais dos jovens Slytherins, bem como de alguns Ravenclaws, Hufflepuffs e Gryffindors tremeram levemente, temendo pela segurança e futuro dos seus descendentes.

― Penso que a pequena Pasifae ― O patriarca Parkinson ergueu rapidamente a cabeça, encarando as orbes rubis do seu Amo. ― deve ser tão bela quanto a mãe, mas espero que tenha a inteligência do pai, pois a missão que lhe encarregarei não será fácil de sobrelevar sem o devido engenho. Lucius! ― chamou o Voldemort, encarando a figura mascarada de cabelos platinados.

― Sim, meu Lord ― respondeu o loiro, realizando uma vénia de vassalagem.

― Espero ver um Herdeiro para o Império Financeiro Malfoy em breve. Grandes feitos aguardam a sua linhagem.

Fim do Flashback

O Patriarca Malfoy suspirou com resignação.

― Nunca pensei que agradeceria o dia em que me negaram conhecê-lo. A melhor forma de protegê-lo, é se o Lord nem sequer souber da sua existência. Uma vez que Severus não compareceu à reunião e foi tachado de traidor, o Senhor Escuro não deverá apresentar grande interesse na sua descendência, pelo que Draco estará a salvo… pelo menos por enquanto.


Notas Finais:

Olá, pessoal!

Espero que tenham gostado do presente de Natal (ligeiramente) atrasado.

Desejo a todos um bom ano novo. Feliz 2018!

Kissus de chocolate!