Capítulo 8: Verão Azul
O final do Ano Letivo chegou e com ele veio uma ronda de inevitáveis despedidas…
Nada parecia ser capaz de separar Blaise do peito do seu sexy fidanzato. O búlgaro abraçava a jovem águia com uma força que deixaria uma jiboia-constritora extremamente invejosa.
— Prometo escrever sempre que possível — exclamou o apanhador. — Não te esqueças de me responder a todas as minhas cartas — enfatizou pela enésima vez, para diversão dos amigos do casal.
— Capito (Entendido), Viktor — respondeu o Ravenclaw com um sorriso gentil, empoleirando-se na pontas dos pés e presenteando o seu amado com um casto beijo no canto dos lábios. — Escrevo-te assim que chegar a casa.
— Não acham que já chega de tanto "romanticismo"!? Nem que fossem ficar sem se ver pelo resto das vossas patéticas vidas, pardalinhos — exclamou Theodore com um traço quase imperceptível de inveja na voz. — Acaso não combinaram encontrar-se daqui a duas semanas para formalizarem o relacionamento diante dos vossos pais?— perguntou, sendo secundado pelos restantes presentes.
— Acho que vou acabar a ter um ataque de diabetes primeiro que Zabini com a tamanha quantidade de mel que vos sai pelos poros — comentou um dos estudantes de intercâmbio vindo do Instituto de Aprendizagem Mágica Durmstrang, batendo com a palma da mão nas costas do apanhador da Equipa Nacional da Bulgária em gesto de camaradagem.
Quando menos se deram conta, o casalinho já estava completamente cercado e havia virado a chacota de amigos e conhecidos que se divertiam à sua custa, criticando o alto nível de "caramelice" que aqueles dois irradiavam.
Assim que Draco se tentou unir à brincadeira foi chamado à atenção de que não era a melhor pessoa para gozar com o par de pardalinhos melosos.
— Mas é que nem sequer te atrevas a começar, Draco — exclamou Pansy, colocando um travão ao albino, erguendo a mão frente ao rosto do mesmo. — Tu não és ninguém para criticar os outros. Ou realmente pensavas que os teus... "encontros secretos" — disse a rapariga, pausando estrategicamente em certas palavras e realizando um gesto das aspas com os dedos — com o queridinho de Hogwarts não tinham sido descobertos? — interrogou a morena, assinalando o gesto claramente possessivo por parte de Harry Potter que, ao constatar que o seu relacionamento secreto já não permanecia tão secreto quanto isso, usou o braço que repousava na cintura do albino para o atrair na sua direção, abraçando-o delicadamente contra o seu peito como se este fosse feito do mais frágil cristal já produzido à face da Terra.
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Num subúrbio monótono e de arquitetura aborrecidamente repetitiva, encontrava-se Harry Potter a fitar tristemente a sua enjaulada coruja que se retorcia contrariada, batendo fortemente as asas contra as barras da gaiola em busca da sua ansiada liberdade.
— Lamento, Hedwig, mas sabes perfeitamente que não te posso soltar. O tio Vernon foi bastante explícito em relação ao que aconteceria caso o fizesse e não quero que nada de mal te aconteça — disse o jovem, dando uma guloseima à coruja enraivecida que logo foi amansando gradualmente.
Ao longe escutou-se um bater de asas. Curioso, Harry aproximou-se à janela, vendo a familiar silhueta da feroz coruja que era posse do seu namorado. Abriu a janela, permitindo que a ave aterrasse e guardasse repouso no parapeito.
— Bom dia, Pólux, é bom voltar a ver-te!
"Mesmo quando o sentimento não pareça ser minimamente recíproco", pensou o moreno de olhos verdes, ponderando as razões que poderiam ter levado o animal a odiá-lo tão profundamente.
— Ora vejamos… O que é que temos aqui? — interrogou o mago, tentando pegar no envelope…
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Pouco tempo depois foi possível ver o familiar elemental de Draco Black-Prince voar de regresso à residência do seu amo com o envelope completamente intacto e o bico manchado de brilhante escarlate.
Pingos de sangue pairavam pelo ar, arrancados da afiada e letal extremidade pela força dos ventos inquietos.
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Semanas depois, Harry abriu a janela, cedendo passagem a um peculiar trio que soltou em uníssono uma risada cristalina acompanhada pelo som de sussurros incompreensíveis para o rapaz.
— Olá, lindas! O que é que me trazem hoje? — perguntou o Slytherin, mesmo sabendo que não obteria uma resposta apta ao nível de entendimento de um ser humano comum.
As fadas dirigiram-se à cama do moreno e deixaram cair uma carta, bem como um exemplar do Profeta Diário, aguardando tranquilamente que Harry escrevesse a resposta que deveriam levar ao seu amigo albino.
A serpente de olhos esmeralda leu a missiva com um sorriso enamorado, ignorando o trio alado que se divertia enfeitando o seu cabelo com flores e pó de fada.
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Após a desastrosa tentativa de utilizar o seu familiar alado para se comunicar com o seu amado moreno durante o Verão, o mago com controlo sobre o clima recebeu a habitual visita das suas amigas fadas que se ofereceram a ajudá-lo em troca de uma boa dose de gelado, cortesia de Penny e um pouquinho de Eiswein, também vulgarmente conhecido como vinho de gelo.
Anos atrás, no decorrer da sua pesquisa para averiguar mais sobre as suas novas amiguinhas, Draco descobriu que doces eram o alimento favorito da maioria das fadas, divergindo o tipo de doce de espécie para espécie.
O trio demonstrou ter uma preferência por gelados, talvez devido à sua natureza como Fadas da Neve. Laila e Tianna optavam na maioria das vezes por gelados de leite acompanhados por frutas da estação. Já Faylinn, a fada mais jovem, não era tão esquisita como as amigas, aceitando qualquer tipo de gelado desde que este fosse excepcionalmente doce e suave.
Para além de açúcar, as fadas eram altamente reconhecidas por serem grandes apreciadoras de vinho, facto que não foi muito do agrado de Severus. O Mestre de Poções chegou mesmo a considerá-las uma má influência para o seu bebé. Ainda assim, nada nem ninguém conseguiu separar o jovem aprendiz de feiticeiro do trio de fadas, que se viram obrigadas a manter uma dieta líquida restrita à base de leite quando visitavam o seu Pequeno Dragão. Ainda quando gostassem de leite, amavam ainda mais o seu merecido vinho, pelo que mesmo sob restrição parental, estas arranjavam sempre forma de roubar o hidromel da cozinha da mansão.
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Os dias foram passando e o casal trocava correspondência regularmente, tendo o Ravenclaw o cuidado de manter o namorado atualizado sobre as notícias fraudulentas que o Ministério da Magia vendia aos jornais, querendo destruir a sua reputação e desmoralizá-lo.
Não era do interesse do Ministro que a população entrasse em pânico ao descobrir o regresso de Lord Voldemort e muito menos que começassem a demandar respostas e ações para se poderem proteger adequadamente contra a ameaça latente que o Dark Lord representava nas suas próprias vidas e nas vidas dos seus seres queridos.
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Pouco tempo depois, Prince Manor dava as boas-vindas a Blaise Zabini.
Draco agradeceu grandemente pelo timing perfeito do seu melhor amigo, pois os seus braços exaustos, após várias horas de treino, já não aguentariam nem um segundo mais a segurar o demoníaco florete que Amos Diggory lhe cedera para as suas lições de esgrima.
Precisava urgentemente de uma pausa e de colocar gelo nos seus pobres e doloridos braços.
Pelo menos não acabava todo partido como nas aulas de kickboxing, karaté, aikido, wing chun kung fu, jiu-jitsu, jeet kune do, boxe ocidental, jiu-jitsu brasileiro, método de luta keysi e krav maga com o instrutor que Remus Lupin recrutara há meros três anos e que ainda lhe dava pesadelos só de escutar o seu nome.
O homem era um génio, isso ninguém poderia negar. Especialista nas dez artes marciais mais eficientes para o uso em auto-defesa, mas ainda assim este não deixava de ser uma autêntica besta que não conhecia palavras sinónimas como intervalo, pausa, descanso e afins. Era assim tão difícil deixá-lo descansar uns escassos dez minutos a cada meia-hora ou de hora a hora. Sim, era! Draco via-se obrigado a praticar duas a três horas diárias, três artes marciais por dia, sem descanso para além dos dois minutos de hidratação obrigatória cronometrada de perto pelo Monstro das Artes Marciais.
O albino sentia que pereceria antes de concluir a sua formação e duvidava muito que alguma vez chegasse a passar para as técnicas de luta com armas, para além da esgrima, uma vez que dificilmente conseguiria sobreviver à rotina de treino espartano do ex-Comandante das Forças Especiais Americanas.
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Com a chegada de Blaise, a menos de três semanas do término das férias, Draco viu-se por fim livre da sua tortura pessoal.
Logo o italiano estabeleceu uma rotina na mansão, para diversão do albino.
Viktor enviava uma carta, Blaise "esquecia-se" de lhe responder.
Viktor enviava outra carta e continuava sem resposta.
Viktor enviava chocolate negro e Blaise corria rapidamente para pegar material de escrita para poder reclamar que este como seu namorado sabia perfeitamente que ele odiava coisas amargas.
Viktor enviava uma carta a desculpar-se, dizendo que fora a única forma que encontrara para que este lhe respondesse às suas missivas prévias.
Blaise admitia o seu erro, marcava um encontro e Viktor cobria-o de chocolates da melhor qualidade.
"Ah! Blaise tem-no na palma da mão", pensou o albino, lamentando o destino do pobre búlgaro que não fazia ideia no que realmente se metera.
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Draco acordou com o ruído da porta do seu quarto a bater sonoramente contra a parede.
ㅡ Quantas vezes tenho de te dizer para não "me" roubares o "meu" chocolate? ㅡ acusou o italiano, vermelho de raiva, enfatizando a sua possessão sobre o alimento. ㅡ O "meu" chocolate é sagrado, não podes simplesmente roubar-"me"!
ㅡ Blaise, juro que não fui eu ㅡ defendeu-se o dono do quarto.
ㅡ Só há duas pessoas nesta casa que sabem onde fica o "meu" esconderijo de doces, tu e eu ㅡ assinalou o óbvio, voltando a recalcar a sua posse sobre o chocolate.
ㅡ Já te disse que não fui eu! ㅡ gritou o albino zangado. ㅡ Tens ouvidos para quê?
A temperatura da divisão desceu vários graus, antes que o moreno se pudesse aperceber que os pêlos do seu corpos se tinham arrepiado e o frio havia penetrado a sua pele, gelando-lhe cada osso do corpo.
ㅡ Como pode estar tanto frio em pleno verão? ㅡ interrogou-se Blaise, esfregando as mãos contra os braços em busca do calor gerado pela fricção.
ㅡ Frio? Não sinto nada, deve ser a tua imaginação fértil ㅡ respondeu Draco de enfiada, controlando os seus poderes e normalizando a temperatura do quarto e soltando uma risada afetada.
O tema logo se esqueceu e o mistério do desaparecimento do chocolate ainda demoraria a ser desvelado.
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O Quinto Ano iniciou e Draco mal podia esperar para matar saudades do seu amado de orbes esmeraldas. No entanto, o reencontro não foi nem de perto como este esperava...
"Se me vais mentir cada vez que abrires a tua maldita boca, prefiro que nem sequer me dirijas a palavra."
As palavras de Draco ainda latejavam fortemente na sua mente, mas não queria preocupá-lo com os seus peculiares sonhos.
Porque eram só isso, certo?
Eram apenas sonhos…
Harry esperava que assim fosse, caso contrário, era bem possível que tivesse inconscientemente revelado demasiado ao seu mortal inimigo.
Nota Final:
Hmm… Qual será a verdadeira identidade do ladrão de chocolate?
