Capítulo 9: Ataque Surpresa
Os Death Eaters, por um momento, pensaram que estavam a alucinar…
Lord Voldemort a sorrir!?
Isso seria como dizer que uma serpente poderia criar uma ninhada de cachorros… que um tubarão salvaria uma pessoa de se afogar… Inverosímil, obviamente…
No entanto, aí estava, uma tímida curvatura espreitava pelos finos e escamosos lábios do Mago Tenebroso.
— Meus fiéis Death Eaters — anunciou Voldemort, sentado à cabeceira da mesa na Sala de Jantar, da mansão de um dos seus tantos seguidores, dirigindo-se diretamente ao seu Círculo Interno —, hoje estaremos um passo mais perto da vitória. Preparem-se para uma nova missão — concluiu, erguendo um cálice de ouro repleto do mais delicioso vinho mágico e levando-o à boca, degustando a explosão de sabores que só aquele maravilhoso néctar lhe podia proporcionar.
—Sim, m'Lord — exclamaram numa só voz.
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Um ruído chamou a atenção de certo dragãozinho, que logo deixou o livro em cima da cama, aproximando-se sigilosamente ao guarda-fatos e abrindo a porta, deparando-se com um cenário infernal… Sim, infernal! Pois desatar-se-ia um autêntico Inferno na Terra, quando Blaise descobrisse o que havia acontecido.
Draco conjurou um rápido feitiço para averiguar a hora.
— Se sair agora mesmo, ainda devo voltar de Hogsmeade a tempo de solucionar o vosso desastre.
— Lamento, Draco, mas foi mais forte que eu — desculpou-se Laila, deslizando a mão sobre as suas curtas madeixas violetas, envergonhada.
— É verdade. Juro que o chocolate me seduziu! — secundou Tianna sem tirar os olhos de cima dos resquícios do que fora outrora a reserva de chocolate do italiano.
— Sim, estava a clamar por nós! Ainda consigo ouvi-lo a sussurrar-me ao ouvido: "Come-me! Come-me! Sabes que não podes resistir… Come-me!" — exclamou a pequena e juvenil Faylinn, inclinando-se para a frente e agarrando uma migalha de chocolate, encarando-a embelezadamente.
Draco soltou um suspiro resignado e colocou mãos à obra, eliminando as provas do terrível crime que as suas amigas tinham cometido.
— Vou a Hogsmeade comprar novas reservas de chocolate e vocês vêm comigo. Preciso saber exatamente o que tenho de comprar. Se faltar ainda que seja um caramelo, Blaise vai notar — lamentou Draco, ponderando se estaria na altura, de colocar as suas coisas em dia e escrever o seu testamento.
"Se porventura hoje for o meu último dia na Terra… pelo menos deveria ter arranjado as coisas com ele", pensou o albino, observando a foto do seu amado, que repousava na sua mesa de cabeceira. "Estou completamente lixado", pensou ao ver as horas.
O tempo estava a passar e logo as lojas começariam a fechar.
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Dizer que era uma corrida contra o tempo, seria amenizar a situação…
Há muito que ficara sem tempo…
Agora era uma questão de sobrevivência…
Precisava voltar para o castelo antes do pôr-do-sol, caso contrário, a probabilidade de ser apanhado com as mãos na massa seria demasiado alta… e a probabilidade de ser assassinado pelo seu melhor amigo, mais alta ainda.
Era um facto que precisava das suas amigas fadas para saber o que era necessário comprar, mas talvez mais valia ter tentado adivinhar…
Mal tinham chegado à loja e já não sabia o paradeiro do problemático trio hiperativo. O açúcar tinha-lhes subido à cabeça, deixando-as imparáveis e mesmo assim, parecia que tão cedo não pensariam em parar de consumir doces.
O albino começou por selecionar uma gama de chocolates belga, que sabia perfeitamente serem os favoritos de Blaise, de seguida escolheu uns quantos chocolates suíços…
— E agora? — Soltou um suspiro pela enésima vez. — Estou feito — lamentou-se o jovem de orbes prateadas.
Cintilantes brilhos de pó de fada, surgiram ao seu lado, apanhando-o de surpresa.
— Está tudo aqui! — exclamou Tianna, segurando uma cesta de compras com a ajuda das suas amigas aladas. Os seus longos cabelos balançavam graciosamente com cada movimento que fazia. — Teríamos acabado muito mais rápido se não tivesse de controlar a Faylinn. Não podia tirar os olhos de cima dela ou ela teria comido tudo.
— Foi necessário repôr os artigos uma boa dúzia de vezes — disse Laila, apoiando as palavras da sua amiga.
— Já disse que a culpa não é minha! Os doces clamam por mim… Quem sou eu para discordar, quando são eles que me imploram para serem comidos?
— Ok! Obrigada, meninas. Eu vou pagar os artigos, vocês podem esperar por mim na rua. Não quero que acabem com o stock da loja. E quando digo vocês, estou a falar de ti, Fay — murmurou Draco, ganhando uma risada cristalina como prémio. — Não te faças de desentendida… Sabes perfeitamente que tenho razão.
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Com os chocolates devidamente assegurados, Draco dispôs-se a regressar a Hogwarts na companhia das suas amigas fadas, quando repentinamente uma explosão ensurdecedora abalou a aldeia.
Gritos desesperados ecoavam pelas ruas…
Pessoas corriam em todas as direções, atropelando-se umas às outras…
Crianças choravam perdidas, sem saberem onde estavam os seus pais…
Draco aproximou-se a uma menina que quase parecia que ia asfixiar-se pela falta de ar, devido ao seu incomensurável choro. As suas bochechas vermelhas pelo esforço de chorar estavam cobertas de rios de água salgada.
Perante uma gargalhada maléfica, a garotinha apertou-se fortemente contra o peito do jovem Ravenclaw, implorando pela sua mamã entre soluços dolorosos.
Uma figura encapuzada caminha por entre os corpos caídos, daqueles que haviam sido espezinhados durante a apressada fuga dos aldeões e estudantes de Hogwarts.
A sombra projetada pelo misterioso desconhecido, chama a atenção do duo que ergue vagarosamente a cabeça, dando de caras com uma máscara cadavérica coberta por padrões curvilíneos abstratos.
— Quando eu mandar, foges. Ok? — murmurou Draco ao ouvido da pequena — Confio em que a levem em segurança até ao castelo — disse às fadas, que haviam até então permanecido ocultas no interior da sua capa de inverno. — Quando eu voltar explico a situação à avó Lucy.
As fadas assentiram com a cabeça, cuidando de não fazer barulho para não perderem a vantagem.
— Agora! — gritou o albino, levantando-se e virando-se para o Death Eater, erguendo as mãos e empurrando-o com todas as suas forças.
A garota correu, como nunca antes havia corrido na sua curta vida.
Arfando pesadamente, a menina seguiu as amigas fadas do seu protetor até alcançar um refúgio seguro.
Draco deu meia-volta, preparado para regressar ao castelo… Figuras encapuzadas surgiram de todos os cantos e esquinas, rodeando-o completamente. Estava cercado, não havia forma alguma de fugir. Estava acabado… ou talvez não…
Com um movimento de pulso, lançou uma rajada de vento gelado contra os seus inimigos, fazendo-os retroceder uns quantos passos. Com um novo gesto de mão, concentrou poder suficiente para congelar uma dezena de Death Eaters da cabeça aos pés, de uma vez só.
Constatando que estes não se moveriam tão cedo, Draco recolheu os doces que tinham caído ao chão no meio da confusão, retornando-os ao saco onde os havia guardado anteriormente.
Tendo recuperado as suas compras e temendo que os Death Eaters tivessem reforços que pudessem estar próximos, o jovem de orbes prateadas rumou em direção ao castelo.
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Ignorando os gritos preocupados dos seus amigos, Draco continuou a correr pelos corredores do castelo rumo aos aposentos da sua família.
— Estás bem? Não te magoaste? — perguntaram as matriarcas, revistando o neto em buscas de qualquer ferimento
— Fiquei tão preocupada quando Laurel disse que tinha havido um ataque em Hogsmeade — disse Lucrécia, sem poder conter a preocupação e abraçando o albino contra o seu generoso peito.
— Estou tão orgulhosa de ti, Dragão! Escolheste proteger a Laurel em vez de fugir. — Walburga arrancou o neto dos braços da amiga, para poder abraçá-lo ela mesma.
Após muito esforço, Draco conseguiu afastar-se dos braços protetores das matriarcas da família, mesmo a tempo da chegada do seu pai.
— Estão todos bem? — perguntou Severus — O Diretor acabou de informar que houve um ataque em Hogsmeade.
— Estamos todos bem, Sev — respondeu Lucrécia. — Mas ainda temos um assunto entre mãos. O teu filho, como bom cavalheiro que foi educado para ser, protegeu a pequena Laurel…
— Precisamos encontrar os pais dela — continuou Walburga. — Devem estar mortos de preocupação.
— Oh! — exclamou o Mestre de Poções, observando a menina que brincava com Shaula.
Ainda quando não fosse conhecida pelo seu lado amigável, a jovem lince parecia compreender que a menina era praticamente um bebé, pelo que comportava-se de forma meiga, deixando que Laurel a acariciasse e abraçasse.
— Olá, Laurel! Lembras-te de mim? — perguntou Draco, agachando-se ao lado da menina, disposto a averiguar algo que o pudesse colocar no caminho correto, para reunir a menina com os pais.
— Sim, o senhor salvou-me — respondeu a garotinha, sem deixar de acariciar por detrás da orelhas de Shaula, fazendo com que esta ronronasse baixinho e empurasse a cabeça contra a sua mão, pedindo que a mimasse mais um pouquinho.
— Não me chames senhor, por favor. Faz-me sentir velho e ainda sou muito jovem — disse o albino, causando um riso afogado por parte de Laurel.
— Ok — concordou a garotinha de cabelos cacheados, presos em twintails.
— Laurel, saberias dizer-me o nome dos teus pais?
— Hmm… Nomes?
— Sim. Como é que os teus pais se chamam? — voltou a perguntar Draco.
— Mamã e Papá — respondeu a menina com confusão plasmada na sua, redonda e infantil, face.
— Ok, então. Sabes qual é o teu apelido? — A menina negou com a cabeça. — Onde moras? — Voltou a tentar com uma questão diferente, recebendo outra negativa.
Sem saber o que fazer, o Ravenclaw levantou-se para reunir-se com a sua família afim de poderem decidir como proceder a partir daí.
— O que é que fazemos? Ela não deve ter mais de cinco anos — exclamou Walburga.
— A família dela deve estar desesperada à procura dela — acrescentou Lucrécia.
— Por agora pode ficar aqui. Shaula parece tê-la entretida e tenho a certeza de que a Penny vai adorar ter outra criança para cuidar — disse Severus, agarrando numa câmara fotográfica e dando-a a Draco. — Precisamos de uma foto. Esperemos que alguém em Hogsmeade a reconheça — concluiu o Professor de Poções.
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Gritos de agonia ecoavam pelas paredes da mansão. Feixes de luz brilhavam pela divisão.
— Que parte de, tragam-me Draco Black-Prince, não compreenderam!? — exclamou Voldemort, lançando uma nova ronda de maldições cruciatus contra algum pobre desgraçado que se encontrava à mão.
— Não estávamos preparados para um mago elementar, m'Lord — disse Alecto Carrow, baixando a cabeça respeitosamente.
— Mago elementar, hã? Interessante… — murmurou o homem de rasgos reptilianos, batendo os dedos no antebraço do seu trono de ouro trabalhado.
— Sim, m'Lord — responderam os Death Eaters em uníssono.
— Alecto, aproxima-te — ordenou o homem de orbes escarlates. A mulher levantou-se do solo, onde estivera ajoelhada até então. — Deixa-me ver o que aconteceu — disse Voldemort, lançando um feitiço legilimens.
Uma vez mais, os seguidores das trevas testemunharam o nascimento de um sorriso nos lábios secos e pálidos do seu Senhor.
— Perfeito!
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Se as passadas largas e pesadas não eram suficiente indicador, então a expressão furibunda que embargava a face do velho falava por si só.
— Que bicho é que lhe mordeu!? — perguntou Draco, massageando o ombro. O Diretor quase fumegava de raiva e já nem se importava em manter a sua fachada calma e bonachona, jogando todo aquele que se atrevia a atravessar no seu caminho contra a parede.
Após assegurar-se de que estavam sós, o Mestre de Poções deu rédea solta à sua indignação.
— Convocou-me hoje cedo à Diretoria e exigiu, não pediu, exigiu — salientou Severus com profunda irritação a emergir da sua voz — que regressasse às filas, de Tu-Sabes-Quem, e o espiasse.
— Não estás realmente a ponderar isso, pois não? — interrogou o jovem com preocupação pela segurança do seu pai.
— Mas é claro que não! Acaso tenho cara de suicida? Nunca te deixaria desprotegido à mercê das velhas loucas… — A expressão horrorizada de Draco, foi pista suficiente para adivinhar o que ocorrera. — Elas estão atrás de mim, não é?
— Yep!
— Com que então velhas loucas!? — perguntou Walburga com uma estilizada sobrancelha erguida.
O Mestre de Poções sentiu a boca secar, por culpa do terror que aquelas mulheres lhe inspiravam.
— Velha louca!? — exclamou Lucrécia indignada, atraindo a atenção dos estudantes que se encontravam nas proximidades — Quem é a velha louca, seu fedelho indisciplinado? — perguntou a matriarca Prince, agarrando o neto pela orelha e puxando-o atrás de si. Os alunos abriam caminho, não querendo virar alvo da fúria da bela mulher. — Parece que Lupin não era o único a precisar de uma lição de bons-modos. Podes prestar-me auxílio, Walburga querida? Alguém tem de colocar esta criança na linha.
O último que se escutou no corredor que dava para o Gabinete do Diretor, foram as gargalhadas histéricas dos estudantes de Hogwarts. Havia mesmo quem demonstrasse padecer de dor de estômago pelo esforço contínuo e até mesmo, quem caísse ao chão e rebolasse, de tanto rir.
Em meros instantes, Lucrécia Prince tinha arruinado a reputação aterrorizante do Mestre de Poções. Quem sabe se os estudantes alguma vez voltariam a respeitar o professor, quanto mais temê-lo, como haviam feito outrora.
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Era meia-noite, as sombras reinavam todo o castelo… Bom, talvez não todo o castelo, os aposentos da família Black-Prince eram iluminados por uma tímida chamarada, que dançava ao ritmo de uma melodia imaginária.
Sentados nas poltronas frente ao fogo da lareira, os adultos compartilhavam os seus pensamentos mais privados.
— Tendo em conta os últimos acontecimentos, penso que seria melhor iniciar as aulas de oclumência antes do previsto — constatou Severus.
— Concordo. Mas não servirá de nada, se os amigos de Draco ficarem desprotegidos contra a legilimência…
— Walburga tem razão. Poderiam inadvertidamente acabar por levar o inimigo até ao nosso bebé — concordou Lady Prince.
— Poderíamos incluí-los nas aulas — sugeriu o Mestre de Poções.
— É um bom plano, mas recorda que estamos sob vigilância constante — bufou a matriarca Black. — Não podemos dar um único passo sem que o velho saiba. Seria possível dar as aulas aqui se fosse só o Draco, mas… como é que faríamos com tantos estudantes?
— É uma ótima pergunta, visto que o Diretor parece ter olhos e ouvidos por todas as partes — disse Severus, fazendo com que o ambiente se tornasse ainda mais pesado.
— Emma poderia ensiná-los nos fins-de-semana quando vão a Hogsmeade — propôs Lucrécia. — O Draco adora-a e vice-versa. Tenho a certeza que podemos encontrar uma forma de a convencer a aceitar.
— Porque é que será que sinto que os motivos da vossa sugestão são impuros!? — interrogou Severus, deixando transparecer um leve sarcasmo na sua voz.
— Já descobriste alguma coisa sobre os pais de Laurel? — perguntou a matriarca Prince, ignorando a pergunta do Professor de Poções.
— Com que então optaste por mudar de tema, hã…? Não, ainda não consegui nada. Os aldeãos não a reconheceram quando lhes mostrei a fotografia.
— Mas deve haver algo que possamos fazer… — exclamou Walburga.
— Já comuniquei a situação às autoridades. Disseram que podia ficar aqui até conseguirem contactar os pais dela, ou familiar próximo, uma vez que é o local mais seguro do Mundo Mágico.
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Finalmente havia chegado o dia… Draco mal podia esperar para voltar a ver Emma.
Não se tinham voltado a encontrar desde que entrara em Hogwarts. Mas o albino não tinha desistido do seu objetivo inicial. Se tudo corresse bem, poderia vê-la tanto quanto quisesse. E a julgar pelas ações das suas avós, estas tampouco haviam esquecido o seu plano.
Definitivamente queria ter um irmãozinho em breve ou talvez uma irmãzinha, isso também seria bom.
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Tudo parecia correr conforme planeado…até que…
Booom!
Neville Longbottom tinha decidido praticar um pouco e tentar fazer a poção que iriam aprender na semana seguinte. Sabendo que não conseguiria elaborá-la corretamente à primeira e não querendo voltar a provocar uma inundação de estudantes feridos na enfermaria, o jovem leão optou por entrar de fininho nas masmorras e apoderar-se provisoriamente da Sala de Poções.
E foi dessa forma que, Severus Snape decidiu dar aulas extras a Neville, por temor a que este destruísse o castelo na sua próxima tentativa frustrada. Como tal, Laurel ficou sem quem a cuidasse, visto que Lucrécia e Walburga haviam ido ao Ministério da Magia, para averiguar como estava a situação da menina e se já tinham notícias sobre a sua família. Por outro lado, Penny tivera que fugir do assédio constante de Dobby, pelo que havia tomado refúgio em Prince Manor, deixando apenas uma opção para tomar conta da garotinha.
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Aos poucos, o grupo foi-se reunindo em Three Broomsticks.
— Pára quieto, Harry! — ordenou Hermione.
— Mas… E se ele não vem?
— Foi ele quem nos chamou, recordas? — bufou Ron exasperado pelo bater constante dos dedos de Harry contra a superfície da mesa.
— Já faz semanas que ele não me dirige a palavra — choramingou o Menino-Que-Sobreviveu.
— Talvez se te desses ao trabalho de não lhe mentir cada vez que abres a boca, ele também se desse ao trabalho de falar contigo — respondeu Blaise em defesa do seu melhor amigo.
Harry assentou os cotovelos em cima da mesa e abaixou a cabeça até descansar a testa nas palmas da mãos, em gesto de frustração.
— Vá lá, Harry, ele deu o primeiro passe ao chamar-te aqui — disse Hermione, tentando consolar o amigo. — Agora é a tua vez de pedir desculpa e esclarecer as coisas.
Antes que o moreno pudesse responder à jovem leoa, a porta do estabelecimento abriu-se deixando ver o motivo do desespero de Harry.
— Olá, pessoal! Esta é a Laurel — apresentou a menina, guiando-a até à mesa onde os seus amigos se encontravam. — Ela separou-se dos pais durante o ataque do fim-de-semana passado e tem estado a ficar connosco, até o Ministério encontrar a família dela.
— Olá, Laurel! — cumprimentaram os adolescentes, recebendo um sorriso tímido como recompensa.
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As matriarcas da família Black-Prince, foram surpreendidas por uma descoberta maravilhosa mal passaram pelas portas dos seus aposentos privados.
— Emma, querida, que bom ver-te por aqui — disse Lucrécia com um inusual sorriso a iluminar a sua bela face.
— Avó, não vais acreditar no que aconteceu — exclamou Draco com entusiasmo. — Por motivos de força maior, tive de levar a Laurel comigo… e assim que ela viu a Emma, agarrou-se a ela como se fosse um bebé koala abraçado a uma árvore e não havia forma de conseguir que ela a soltasse.
— Olá, Lady Prince! Queria agradecer-lhe por cuidar da minha sobrinha.
— Oh! Não foi nada, querida. Laurel é um amor. Mas… onde estão os pais dela? — perguntou a mulher, sentando-se ao lado da ex-Slytherin e passando a mão pelas madeixas da menina que dormia ao colo da tia — Como é que ninguém se apercebeu que ela tinha desaparecido?
— Verdade seja dita, eu pensava que eles estavam de viagem. Só quando vi a Laurel é que decidi contactá-los e acabei por saber que tinham sido vítimas do ataque a Hogsmeade. Inconscientes e sem forma de serem identificados, não havia modo de os medimagos ou as autoridades saberem que Laurel era filha deles.
— Mas eles vão ficar bem, certo? — perguntou Walburga, unindo-se à conversa.
— Eles estão sedados, mas os medimagos acreditam que devem despertar hoje ou amanhã.
— Compreendo. E quando isso acontecer vão querer ver a menina, mas hoje já está muito tarde e ela está exausta, pelo que deixa-a dormir e amanhã podem ir diretamente para St. Mungus.
— Walburga tem razão, podes ficar no quarto de hóspedes com a Laurel.
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O sol raiava, os pássaros cantavam e Severus gritava…
— Alguém me pode explicar o que é que Vanity está a fazer aqui?
— Modos, Severus, modos! Isso não é forma de cumprimentar as visitas — respondeu Lucrécia, ignorando a pergunta e continuando a desfrutar do seu chá de maçã e canela acompanhado por uma vasta variedade de doces.
— Continuo à espera.
— Pois podes sentar-te e comer algo enquanto esperas. Scone? — Ofereceu, apontando para uma travessa repleta de scones de diferentes recheios.
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Não foi muito depois que o malévolo plano de Dolores Umbridge prosperou, dando lugar à destituição de Albus Dumbledore do cargo de Diretor de Hogwarts.
Umbridge logo se apropriou do escritório do Diretor, pelo que Harry não teve outro remédio a não ser infiltrar-se na Diretoria, para confirmar se os seus sonhos eram de facto reais.
Fora apenas na noite passada que havia visto Voldemort a torturar o seu padrinho no Departamento de Mistérios. Ignorando os conselhos dos seus amigos, Harry irrompeu no escritório rumo à lareira, enquanto Hermione corria ao encontro da única pessoa que ela pensava poder colocar juízo naquela cabeça dura.
Não tivesse sido a conveniente chegada de Draco, seguido por uma ofegante Hermione, o moreno teria caído numa nefasta armadilha.
No entanto, um novo problema se avizinhava.
Como sairiam dali sem serem descobertos pela Cara de Sapo?
— A sério, Harry? Infiltraste-te no gabinete mais vigiado do castelo e não te ocorreu trazer a capa de invisibilidade? — questionou a leoa com incredulidade.
— Ups!?
Depois de quase tropeçarem com Umbridge três vezes, com Filch seis e uma vez com McGonagall, o trio, estava por fim nos aposentos da família Black-Prince, onde uma surpresa os aguardava.
— Harry! — gritou o homem, abraçando o rapaz assim que este abriu a porta — Bons olhos te vejam! Nunca mais voltes a cometer alguma insensatez, a menos que tenhas a certeza que vais sobreviver e que outra pessoa pagará as consequências.
— Sirius! — gritou Walburga horrorizada, entrando na sala — Isso não são coisas que se ensinem a uma criança.
— Sim, sim, mãe. Também é um desprazer voltar a ver-te.
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Enquanto isso, em algum lugar indefinido, mas definitivamente no Reino Unido, Lord Voldemort torturava algum pobre desgraçado.
O seu plano tinha voltado a falhar...
