A primeira coisa que Selina reparou era que estavam em um armazém abandonado. O lugar cheirava a mofo, havia goteiras e alguns ratos correndo pelos cantos da parede. Selina abraçava Jaison com força, ela sentia os braços dele agarrarem sua cintura.
Os dois estavam sentados no chão eles não estavam amarrados o que era um bom sinal, seja quem tivesse feito isso queria os dois inteiros. A porta de ferros que ficava ao longe foi aberta e um rosto familiar entrou.
-Você. –Selina acusou.
-Eu. – Oswald sorriu.
-Eu sabia que era burro, mas nem tanto.
-Bom saber que sua língua continua afiada. –Ele sorriu –Mas deveria tomar cuidado, não queremos que a criança se machuque.
Oswald se aproximou e tentou passar a mão pelo cabelo do Jaison, mas Selina não permitiu.
-Não ouse encostar nele!
-Se tocar em mim eu acabo com você! –Jaison tentou se levantar, mas a morena não deixou.
-Ora, ora, ora temos um valentão aqui! Quem diria que um dos fedelhos mimados do Bruce Wayne fosse corajoso. –Oswald riu alto seguido pelos seus capangas.
Tinha quatro brutamontes com o criminoso, Selina não conseguiria dar conta de todos sozinha, ainda mais com Jaison sem proteção.
-Cara de pinguim! –Oswald parou de rir quando o menino falou.
-Melhor controlar esse menino Selina ou eu mato ele.
-É só uma criança, está assustado...
-Não tó não! –Mas Selina conseguia sentir os braços dele tremendo, e apesar de estar meio frio não achava que era por isso.
-Jaison fica quieto deixa que eu resolvo. –Ela olhou para o antigo chefe –O que quer?
-O que acha? Dinheiro é claro! Wayne vai pagar uma fortuna pra ter o filhinho dele de volta. –Oswald se abaixou, pegou o queixo da morena e trouxe mais perto –Talvez até pela nova putinha dele.
Selina mordeu a mão dele.
-VAGABUNDA! –Ele acertou um tapa no rosto dela. Selina nem se mexeu com o impacto, apesar da dor não daria esse gostinho para Oswald. –Sempre durona. Admiro isso, você sempre foi forte.
-Então deve saber que não vou permitir que tire dinheiro do Bruce.
-Mas ele vai pagar. –Oswald puxou Jaison dos braços dela.
-NÃO! DEVOLVA ELE!
-ME SOLTA. –Jaison chutou a canela do mais velho.
-Sua peste! Brutos segura ele! –Um dos capangas segurou Jaison pelas costas e o ergueu seus pés nem encostava no chão.
-ME SOLTA! –Jaison se mexia, mas não conseguia se soltar.
-Oswald –Selina levantou –Por favor deixa ele em paz é só um menino.
-Um menino que vale milhões de dólares. –Ele colocou a mão no pescoço dela e apertou –Depois eu lido com você querida.
Oswald soltou Selina, enquanto saiam do armazém ela correu para a porta, mas não pode impedir que eles levassem o menino.
Já havia se passado bastante tempo, Selina não sabia dizer se era dia, não tinha nenhuma janela por perto. Ela tentou respirar para se manter calma, mas só de pensar no que eles podiam estar fazendo com Jaison a deixava doente.
Ela ouviu sons de passos e a porta ser aberta, o menino foi jogado para dentro ele não caiu no chão já que Selina foi rápida em pega-lo.
-Cuidado idiota ouviu o chefe!
-Dá um tempo esse garoto é mais casca grosa do que pensa. Ele me chutou três vezes já! Por mim quebrava as pernas dele!
-Você está bem? –Selina tentou ignorar os dois idiotas que trouxeram Jaison. O menino não estava com nenhum machucado.
-Sim. –Selina o abraçou –Eu falei com o pai. Eles querem dinheiro.
-Tomara que ele pague o dinheiro se não –Um dos bandidos fingiu cortar a garganta –Já sabe.
Eles saíram da cela deixando Selina e Jaison sozinhos.
-Vai ficar tudo bem. –A morena o abraçou.
Selina sabia que por enquanto Jaison estaria seguro afinal ele era valioso para Oswald. Isso a acalmou um pouco.
Bruce ainda olhava o chão, seu celular quase quebrando na sua mão a raiva que ele sentia era imensa. "Como se atrevem a sequestrar meu filho?! Como se atrevem a sequestrar a minha mulher?!"
-HAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! –Bruce atirou o celular na parede. –Mexeram com a família errada!
-Patrão Bruce o que vamos fazer? –Alfred sempre tentando manter a calma para o bem de todos.
-Vou ligar para o banco e pegar o dinheiro.
-Não creio que tenha o suficiente.
-Vou pegar dos fundos da empresa.
-E depois?
-Daqui a 24h eles vão me ligar de novo marcando um lugar para fazer a troca. –Bruce parecia bem calmo, mas Alfred sabia que a raiva o corroía por dentro.
-E se ligarmos para o comissário?
-Mandaram não envolver a polícia.
-Deus, quem poderia ter feito isso?
-Eu não sei. –Bruce se encostou na janela –Mas seja quem for vai se arrepender.
A porta do armazém se abriu e Oswald apareceu.
-Bem como estão as nossas instalações?
-Um lixo. Nem água quente tem.
-Selina, sempre com uma resposta.
-É meu charme.
-Encantador devo dizer. –Com um sorriso nojento ele a pegou pelo braço e fez levantar –Venha.
-Pra onde vai leva-la? –Jaison tentou separar os dois.
-Fica ai garoto, os adultos vão conversar.
-Não!
-Jaison fique aqui eu já voltou. –Selina sorriu pra ele.
-Mas... –Havia algumas lágrimas no quanto dos olhos dele.
-Vai ficar tudo bem. –Ela as secou –Seu pai vai te salvar. –Selina o beijou e deixou que Oswald a levasse.
Assim que saíram do armazém Selina foi guiada pelo um corredor escuro havia uma luz bem fraca iluminando o local. Logo eles entraram em uma espécie de escritório, Oswald a fez sentar em uma cadeira e a algemou com os braços pra trás.
-Hum sempre soube que era um pervertido.
Um sorriso asqueroso estava em seu rosto de novo, ele passou mão pelo pescoço dela até chegar nos seios. Selina deu um chute na canela dele.
-Tire suas mão de mim!
-Eu odeio quando me rejeita assim! –Oswald tentou beija-la só para receber mais um chute dessa vez no joelho. –AI!
-Francamente amarre as pernas dela!
-Essa voz...?
Uma luz foi acessa iluminando todo o escritório, Selina piscou várias vezes para afastar a dor de cabeça que sentiu, quando sua visão ajustou ela viu Pamela parada na sua frente.
-Você?!
-Surpresa em me ver? –Pamela abaixou seu rosto para ficar no nível do de Selina. –Vagabunda!
-Psicopata! –Selina tentou chuta-la, mas Pamela foi mais rápida e desviou. –Bruce quase morreu por sua causa!
-Vou amarrar as pernas dela!
Depois de algum tempo Oswald conseguiu amarrar as pernas da Selina na cadeira.
-Fique quietinha agora. –Ele colocou as mãos nos ombros dela.
-Sai de perto de mim! Eu sabia que era baixo Oswald, mas nem tanto pra se unir a essa maluca.
-O inimigo do meu inimigo é meu amigo! Eu queria dinheiro e ela vingança. –Oswald se afastou. –É uma pena mas trato é trato.
-Saia quero falar com essa vadia sozinha.
-Estou saindo porque tenho um compromisso, não porque você mandou. –Ele olhou para Selina –Adeus querida.
Oswald saiu da sala. Pamela andou e ficou atrás de Selina. Ela colocou uma mão no ombro da morena.
-Eu me arrependo de ter feito aquilo com o Bruce.
-Duvido.
-Eu o amo. –A ruiva continuou sem escutar o que Selina disse –E percebi que foi um erro o que fiz. Então tive uma ideia, vou matar você e ele volta pra mim.
-Essa é a coisa mais idiota que já ouvi. Acha mesmo que se me matar Bruce vai querer ficar com você?
-Ele não terá escolha. –Pamela ficou de frente pra Selina –Porque depois que matar você eu vou até ele e o mato também. Ai eu me mato e nos dois ficaremos juntos para sempre.
-Você enlouqueceu. –Selina sussurrou.
Pamela gargalhava feliz perdida em seus pensamentos, essa mulher estava louca. A ruiva parou de rir e olhou para Selina.
-Mas não posso só matar você. Sabia que tem uma lenda que diz: Se você machucar uma pessoa profundamente aqueles que a amam nunca a reconheceram na outra vida? Eu acredito nisso.
Pamela pegou uma pequena faca de prata do bolso,
era tão pequena que podia ser escondida com facilidade.
-Vamos começar?
As horas foram passando e nada dos sequestradores ligarem. Bruce havia informado Gordon sobre o ocorrido, somente ele sabia, os dois estavam na sala perto do telefone.
-Se eles deram tudo isso de tempo não vão ligar antes. –Bruce andava de um lado pro outro sem ouvir o Gordon.
O telefone tocou dê repente e Bruce atendeu.
-Alo?
-Está com o dinheiro?
-Sim.
-Venha nos encontrar então. –Bruce anotou o endereço –Sem polícia se não já sabe. -A linha ficou muda.
-Eu tenho que ir.
-Vou com você.
-James não quero meu filho nem Selina machucados.
-Confia em mim Bruce.
Bruce estava segurando a maleta, o encontro tinha sido feito perto do cais. Era de madrugada 03h00 da manhã em ponto, o cheiro do mar deixava Bruce nervoso o medo de nunca mais ver o filho e nem Selina o estava deixando louco.
-Fique calmo Bruce, vai dar tudo certo. –A voz do Gordon foi ouvida pela escuta que Bruce usava.
Ele concordou em ter a ajuda da polícia, havia alguns deles em um prédio abandonado ali perto, e o restante em um barco de pesca ancorado perto do cais. Uma van branca estacionou e Bruce viu quatro homens saírem de dentro um deles segurava uma criança que tinha um saco na cabeça, suas mãos estavam amarados nas costas.
-Jaison!
-Papai? É você?
-Que reencontro lindo. –Oswald sorriu ele segurou Jaison pelo ombro e o empurrou pra frente, havia uma arma na cabeça do menino.
-Deixa ele em paz. Trouxe seu dinheiro. –Bruce apontou pra mala –Você era o chefe da Selina, não?
-Eu mesmo, infelizmente a senhorita Kyle não está aqui.
-Aonde ela está?
-Uma coisa de cada vez. –Oswald empurrou o menino –Me passa a mala.
Bruce jogou a mala no chão e empurrou para o criminoso.
-Tudo certo chefe. –Um dos capangas conferiu o dinheiro e segurou a mala.
-Pode ir pro seu pai.
Jaison tentou andar mas acabou tropeçando.
-Jaison. –Bruce correu e tirou o capuz do menino. –Está tudo bem agora. –Ele o abraçou.
-Papai.
Bruce viu a van se afastar logo o comissário apareceu.
-Bom trabalho Bruce deixe o resto comigo.
Ele abraçava o filho enquanto um policial soltava os braços do menino.
-Jaison você sabe o que aconteceu com a Selina? –Bruce perguntou com calma.
-Ele a levou mas não me disse pra onde, eu não a vejo desde então. Eu tentei impedir mas ela não deixou. –Jaison o abraçou e começou a chorar –Selina foi levada.
-Tudo bem, vai ficar tudo bem. –Bruce abraçava o filho enquanto tentava acreditar nessas palavras.
