Pamela o soltou quando sentiu uma falta de ar.

-Meu amor, como soube aonde estava?

-Ficamos juntos por anos sei tudo sobre você. –Bruce sorriu.

-É tão bom te ver. Veio por mim?

-Claro, depois que atendeu meu telefone eu percebi quanto senti saudade da sua voz, do seu perfume, dos seus lábios... –Bruce beijou rapidamente ela –Eu te amo.

Pamela sorriu.

-Eu sabia! Aquela vadia disse que você a amava, mas sabia que era mentira dela.

-Esqueça a Selina. –Bruce segurou as mãos dela –Tem que ir embora a polícia quer te prender.

-Eu não fiz nada errado! –Pamela bateu o pé no chão, como uma criança que faz birra.

-Eu sei, mas a polícia quer te ver na cadeia.

-Vem comigo –Ela colocou o braço no pescoço dele –Vamos fugir juntos. Deixamos Selina e aquelas crianças inúteis pra trás.

-Como eu queria, mas não posso.

-Porquê?

-Tenho que ficar e tentar limpar o seu nome, assim vamos poder nos casar e ninguém jamais vai nos separar de novo.

-Mas...

-Pamela. –Bruce segurou a cintura dela –Eu te amo, precisa confiar em mim.

-Não posso ir ainda.

-Porque não?

-Tenho que terminar o que comecei.

Pamela saiu da sala e foi em direção das escadas, Bruce a seguiu de perto. Logo eles chegaram em um quarto, tinha um pequeno abajur eliminando o cômodo, a cama estava velha, o espelho quebrado, uma janela aberta na lateral permitia ver a tempestade caindo lá fora, o vento fazia as arvores dobrarem e os raios iluminavam o resto do cômodo. No meio do quarto havia uma cadeira com forro vermelho, Selina estava amarrada com seus braços para trás e suas pernas juntas bem presas nas cordas.

Bruce ficou parado na porta do quarto enquanto Pamela pegava a faca que estava em cima da cama, Selina abriu os olhos e viu a ruiva sorrindo.

-Olha quem veio me visitar?

Selina viu Bruce parado na porta e sorriu.

-Bruce... –Sua voz estava bem fraca. –Você veio... O Jaison...

-Ele está bem. –Bruce respondeu com a voz grossa.

Ele entrou no quarto e ficou ao lado de Pamela.

-É melhor ir embora.

-Tenho que terminar algo antes. –Pamela o beijou, se virou para Selina –Bruce voltou por mim. Ele me ama.

-O que...? –Selina olhava para o homem.

-Pamela tem que ir embora agora! Logo a polícia chega.

-Eu vou. Depois de matar essa vadia.

Pamela caminhou em direção a Selina e levantou a faca para cravar no peito dela.

-NÃO!

Bruce segurou a ruiva e a jogou no chão bem longe da Selina, ele tirou a faca das mãos dela.

-Bruce...? –Pamela ficou no chão olhando o homem.

Ele se abaixou, desamarrou os braços e pernas de Selina, se não fosse por Bruce ela teria batido o rosto no chão.

-Meu amor –Ele beijou os cabelos dela com carinho –Você vai ficar bem. Vou te levar pro hospital, ninguém vai te machucar mais.

-Por um momento acreditei na história dela...

-Me desculpa, eu menti porque tive medo de que não estivesse aqui, tive medo que Pamela te matasse por minha culpa.

-Bruce... –Selina sorriu.

-Me perdoa.

-Tudo bem...

Pamela via a cena com raiva.

-Você mentiu. Disse que me amava. –Ela se levantou –Era pra você ter me amado.

A ruiva caminhou em direção ao casal, Bruce se colocou em frente de Selina.

-Já chega Pamela, você precisa de ajuda! Eu posso te ajudar, mas quero você bem longe de mim, da Selina e dos meus filhos.

-Eu vou matar todos eles! EU VOU MATAR TODOS ELES! HAAAAAAAAAAA!

Pamela avançou contra os dois, Bruce conseguiu segura-la com facilidade, a faca que estava na suas mãos caiu no chão.

-Chega! –Bruce prendeu ela entre seus braços –Chega Pamela!

-VOCÊ ME AMA! ME AMA!

-EU NÃO AMO! EU NÃO TE AMO!

Pamela parou de se mexer.

-Não me ama?

-Não.

Bruce deixou ela se soltar. A ruiva caminhou pelo quarto.

-Não me ama. –Ela foi até a janela –Não me ama. –Pamela sentou no parapeito da janela. –Deveria ter me amado Bruce.

-PAMELA!

Ela se jogou pela janela, Bruce correu e viu ela caída lá em baixo, seus olhos abertos e sua cabeça escorrendo sangue. Ao longe Bruce viu Clark se aproximando, o amigo checou o corpo e afirmou para Bruce.

-Ela...? –Selina que ainda estava sentada na cadeira, tremia com a cena.

-Morreu. –Bruce pegou a morena no colo –Vamos sair daqui.

Quando Bruce saiu da casa, a polícia já estava em toda parte, havia uma ambulância que se encarregou de levar Selina para o hospital já Pamela foi para o necrotério. E pela primeira vez em dias Clark suspirou aliviado.

A recuperação da Selina foi tranquila, apenas dois cortes eram profundos e apesar da perda de sangue ela se sentia muito bem. Bruce arrumava o travesseiro dela quando Hall entrou com um buque de flores.

-Oi.

-Tá fazendo o que aqui?

-Vim visitar a Selina. –Hall entregou as flores pra ela –Pra você.

-São lindas obrigada.

-Como você está?

-Bem. Agora vai embora. –Bruce o segurou pelo braço e o arrastou para fora.

-Bruce! Não trate o Hall assim. –Selina sorriu para o jornalista –Senta aqui e me conta as novidades.

Hall sentou em uma cadeira ao lado da cama da morena, eles conversaram por um bom tempo, em nenhum momento Selina permitiu que Bruce participasse da conversa, "Ela tá me ignorando?"

Foram interrompidos por uma batida na porta.

-Oi.

-Shayera! Haaaaa que tudo! –Bruce teve que impedir que Selina se levantasse pois ainda estava presa aos remédios.

-Cuidado! –Mesmo assim ela não olhou para ele.

-Amiga, me desculpa por não ter vindo antes. –Shayera abraçou Selina –Como você está?

-Bem melhor. –Selina reparou que Hall olhava encantado para a ruiva e os apresentou.

E isso foi ótimo pois Bruce não precisava mais se preocupar com as investidas do Hall, já que ele não parava de falar com a Shayera.

No final do dia só ficou Bruce e Selina no quarto já era de noite, desdou sequestro eles não haviam falado sobre o que tinha acontecido. Na verdade não falaram sobre nada, Selina nem olhava para Bruce isso o deixou preocupado.

-Me perdoa pelo o que aconteceu. –Selina olhava para a parede –Jaison foi sequestrado por minha culpa.

-Não é verdade –Bruce segurou a mão dela feliz por pelo menos estarem conversando – Foi culpa do Oswald e da Pamela. Estava me culpando até agora pelo o que aconteceu com você, mas na verdade não é nossa culpa. Somos vítimas aqui.

Selina puxou a mão para que Bruce a soltasse, ele obedeceu. Dar espaço para ela seria a melhor coisa a fazer, quando se sentisse segura de novo ela permitiria ser tocada por ele.

-Porque não foi para casa?

-Vou ficar aqui até se recuperar, fez o mesmo por mim. –Ele sorriu.

-Não precisa fazer isso. Não está em dívida comigo.

-Não é por uma dívida é porque eu te amo.

Selina o olhou pela primeira vez desde que chegaram no hospital.

-Quero que vá embora e pare de me visitar.

-O que?!

-Eu vou embora de Gothan assim que receber alta.

-Porquê?!

-Eu não quero mais isso Bruce. –Os olhos dela estavam cheios de lágrimas –Não quero mais.

-Selina eu... O que eu disse pra Pamela era mentira e... –Bruce estava desesperado.

-Eu sei. Não é por isso, você precisa de uma mulher melhor, uma mãe para os meninos... E eu não posso ser nenhum dos dois.

-Selina isso é ridículo. Olha, você está cansada assim que ficar melhor conversamos sobre isso de novo está bem?

-Eu já tomei minha decisão Bruce.

-Selina...

-Pamela falou uma verdade, eu não sou mulher para você. Alguém como eu deve aprender o seu lugar.

-Selina...

-Vai embora por favor. –Ela virou o rosto.

-Eu te amo! –Bruce a forçou olhar para ele –É uma fase da recuperação isso...

-VAI EMBORA!

Bruce se afastou da cama olhou uma última vez para a mulher que havia lhe dado o mundo e depois tirado dele.

-Se mudar de ideia sabe aonde me achar.

Ele saiu do quarto.

Selina ganhou alta em uma semana, Bruce prometeu não visita-la, mas todos os dias mandava flores para ela. Selina pegou uma rosa vermelha e colocou dentro da mala. Shayera veio buscar a amiga.

-Você não é idiota então pra que fazer isso? Ama aquele homem mais que tudo.

-É por ama-lo que quero que ele seja feliz.

-Que jeito estranho de demonstrar isso.

-Shayera –Selina olhava a amiga – Não quero falar sobre isso. Trouxe o resto das minhas coisas?

-Sim. Eu e o Hall vamos te levar ao aeroporto, sei que não gosta de despedidas então só vou te deixar lá.

-Obrigada. –Selina abraçou a amiga.

Bruce estava no quarto em sua cama olhando o calendário, Selina iria embora hoje para Metrópoles, no avião das duas. Ele sabia toda a rotina de voo dela, Bruce não sentia vergonha por ter vigiado a morena durante esses dias.

Ela ia embora. Ela realmente iria abandona-lo por pensar que não era boa o suficiente pra ele. Bruce que nunca seria bom pra ela, Selina se machucou por sua culpa, provavelmente o culpava pelas cicatrizes que teria que carregar no corpo.

-Pai?

Bruce viu quatro cabeças entrarem no quarto.

-Meninos. –Bruce sorriu e os convidou para subir na cama.

Damian e Tim ficaram no seu colo, Jaison e Dick sentaram do lado deixando o pai entre os dois.

-É verdade que a Selina vai embora? –Tim perguntou.

-É. –Bruce nem queria saber como eles descobriram.

-Não vai impedir? –Dick olhava curiosamente o pai.

-Não.

-Porque?

-Ela me pediu pra deixa-la em paz Jaison.

-Mas você a ama? –Tim saiu do colo dele.

-Claro. –Bruce sorriu para eles – Às vezes só porque amamos algo não significa que vamos ficar com ele.

-Então devemos desistir dos nossos sonhos?

-Como assim Damian? –Bruce arrumou o cabelo do filho, que levantou na cama e ficou de frente para o pai.

-Quando amamos algo devemos lutar por ele, mas os adultos não fazem isso. Preferem sofrer por ter medo do que encarar e lutar para ter aquilo que querem. Se ser um adulto é ser covarde então prefiro continuar sendo criança. Eu lutaria pelo o que quero, e você papai?

Seu filho tinha razão. Seu filho de seis anos tinha toda a razão.

-Você está certo.

Bruce sentou Damian na cama. Levantou e saiu correndo. Alfred que estava no corredor olhou assustado para ele. Os meninos ficaram na porta do quarto olhando o pai.

-Pra onde vai senhor?

-Vou atrás do meu sonho.

Alfred apenas sorriu.

Selina estava no avião, seu banco no fundo ficava ao lado da janela, uma senhora simpática sentou do seu lado provavelmente iria puxar assunto logo.

Selina respirou fundo, estava deixando tudo que amava pra trás para o bem de todos. A dor no peito parecia que iria rasga-la ao meio, ela conseguiu segurar as lágrimas.

-Senhor por favor!

Ela escutou ao longe a aeromoça tentando acalmar alguém.

-Não pode entrar aqui.

-Só me deixe ver se ela está aqui.

"Essa voz..." Selina ergueu a cabeça e viu Bruce sendo segurado pela aeromoça.

-Com licença.

-Senhor!

Bruce andou pelo avião até que avistou a morena.

-Bruce o que...?

-Só... Só me escute... –Ela parou ao lado do banco dela –Eu não posso deixar você ir embora sem saber. Você é incrível. A mulher mais linda, honesta, sensível que eu poderia ter encontrado. Eu nunca vou encontrar alguém melhor que você porque não existe. Você ama meus filhos como se fossem seus. E você me ama como se eu pudesse ser alguém melhor. Eu preciso de você Selina. Eu amo você. Não vai embora, fica comigo. Por favor, não vai. –Alguns seguranças chegaram e puxaram Bruce para fora do avião. –Eu te amo! Eu te amo Selina Kyle!

Bruce foi levado para fora e Selina começou a chorar, a senhora que estava do seu lado ofereceu um lenço pra ela.

-Obrigada. Me desculpa eu... Me desculpa.

-Está tudo bem. –Ela sorriu –Sabia que nesse exato momento todas as mulheres desse avião estão com inveja de você? Va ficar com ele.

Selina secou as lágrimas e levantou do acento, ela foi até o corredor.

-Eu vou sair.

-Vamos decolar. –A aeromoça tentou segura-la.

-E eu vou sair, não vou perder o homem que amo.

-Deixa ela sair!

-Vá atrás dele!

Os passageiros apoiaram Selina e a aeromoça permitiu que ela passasse.

Bruce ficou no aeroporto sentado nas cadeiras, seus braços estavam apoiados nas pernas. Ele não percebeu a morena se aproximar.

-Conquistou o coração de todas as mulheres no avião.

Bruce se levantou.

-O mais importante é: Eu conquistei o seu?

Selina pulou nos braços dele e o beijou, Bruce a abraçava com força enquanto retribuía o beijo.

-Me perdoa. –Selina se afastou –Eu me senti tão culpada pelo o que aconteceu com o Jaison que achei que não podia ficar com você.

-Não foi sua culpa.

-Eu te amo.

-Eu também te amo. –Bruce a beijou.

-Tudo o que falou foi verdade? –Ela sorriu.

-Cada palavra.

-Você me ama mesmo. –Selina sorria travessa.

-Isso e o fato de ainda estar me devendo o concerto do para-brisas que quebrou.

-Já estava quebrado.

-Maluca.

-Cretino.

Os dois se beijaram apaixonadamente.

FIM.