O sol brilhava no alto céu de Namimori, em um quintal de uma casa na área de classe média, duas crianças brincavam comuns. Se é que podia chamar de jogo, o que a primeira estava fazendo. Sasagawa Kyoko amava sua irmã mais velha, só não entendia ela preferir ler livros a brincar com bonecas. Sua mãe dizia que é porque puxou mais o papai. Fazia sentido, já que o mesmo estava sentado na varanda enquanto bebia água em uma xicrinha.

As diferenças não paravam por aí, sua família deveria ser considerada a mais colorida da cidade devido a coloração de seus cabelos, principalmente da sua irmã. Que embora não gostasse de chamar atenção, seu cabelo escolha com muito gosto. Sua irmã possui uma coloração de cabelo única, um rosa floral que a lembrava das belas árvores de cerejeira, sem contar que tinha os olhos de um verde mais vivo que Kyoko já encontrou.

Seu pai também possui olhos verdes, mas eram de um tom mais escuro, o que contrastava com o seu cabelo branco. Sua mãe já era diferente, tinha cabelos ruivos de um tom laranja escuro e seus olhos eram um caramelo claro, ou que um parecer uma modelo.

Já ela mesma, puxou o cabelo laranja e um tom mais vivo e seus olhos eram um dourado escuro. Kyoko parecia que sua irmã tinha notado seu olhar desmorado em sua direção e agora a fitava com aqueles olhos verdes brilhantes que pareciam esconder tantos segredos e ao mesmo tempo, parecer a um predador bem escondido. Ela começou a caminhar em sua direção, com um sorriso no rosto que dizia claramente saber o que Kyoko estava pensando.

A moça da televisão disse uma vez que as coisas mais belas eram as mais perigosas e misteriosas. Kyoko gostaria de dizer que a moça tinha razão nessa questão.

-Posso brincar com você, Kyoko-chan?

Kyoko sabia que sua irmã não gostava de brincar com bonecas, casinha ou qualquer jogo que não a entretia de verdade. Mas mesmo assim, sempre se oferecia para brincar com ela. Sua irmã era muito inteligente e bondosa, só que Kyoko também. Por isso sabia que só oferecia pra brincar, porque não queria que se sentisse sozinha e brincasse só.

-Claro, Sakura-nee!

Mesmo que sua irmã fosse diferente das outras crianças da vizinhança ou da própria cidade, Kyoko a amaria completamente.

-x-

O parque de Namimori era praticamente o lugar onde se podia encontrar crianças de todo canto da cidade. Numa parte com algumas árvores e longe dos olhos do público, cinco crianças espancadas jaziam no chão tremendo e chorando.

Eles não selecionar ter interrompido o leve sono do demônio do parque.

Suas tonfas estavam sujas com o sangue patético dos herbívoros que perturbaram sua soneca. Disciplinar eles preparar um aliviar seu humor, mas não fez esquecer da outra presença no local. Em um dos galhos da árvore a alguns metros de distância, havia uma garota que devia ter sua idade.

Suas roupas eram pretas e verde escuro que consistiam em um mini macacão, blusa curta, além das botas marrons de aparência militar. Tinha um cabelo curto de rosa floral. Em todo o tempo que ele puniu os herbívoros, a garota ficou indiferente e continuou lendo seu livro. Mesmo agora a situação não mudou.

Hibari Kyoya foi ensinado pelos seus pais sobre carnívoros e herbívoros, junto com as diferenças entre eles. Seus pais são carnívoros assim como Hibari, da forma que os seres patéticos no chão são herbívoros. Mas os instintos de Hibari dizem que a garota na árvore é uma carnívora que procura ser herbívora. Sua mãe disse uma vez, que esses eram os tipos mais perigosos, igual ao seu tio carnívoro irritante.

Seu olhar contínuo fez a garota parar de ler e fita-lo. Possuía olhos verdes afiados e brilhantes como um gato curioso e traverso, um sorriso que deu, tinha aparência dócil e ingênua. Para qualquer tolo poderia ser assim, mas Hibari lembra que seu tio dá o mesmo sorriso, e eles estão longe de ser inocentes. Tem presas escondidas por trás daqueles lábios.

Ela pulou da árvore com graça e habilidade, se antes os olhos faziam parecer um gato, agora ela era aos olhos de Hibari uma definição de um. Seus passos não possuíam nenhum som enquanto ela caminhava em sua direção e passava direto, o ombro a um centímetro de encostar.

Uma provocação.

Hibari sabia.

Ela foi embora sem nenhuma vez olhar para os herbívoros sangrando no chão.

O pai de Hibari sempre diz que paciência dá frutos, sendo assim, ele vai esperar, vai esperar o momento que o gato de olhos verdes deixar suas presas serem vistas. Quando isso ocorrer, Hibari vai ter algo com o que passar melhor seu tempo.

Mas agora, irá retornar para sua soneca.

-x-

A caminhada em direção a sua irmã pequena foi calma e tranquila. Não tinha pressa para chegar, sua mente estava em outra direção. Na de um menino de olhos metálicos com sede de sangue, foi cativante e até nostálgico. Mas ela disse a mesma coisa que nessa vida, seria uma garota normal e garotas normais não sentem o desejo por violência e sangue para satisfazer seu tédio.

Sakura só terá que achar outro meio de gastar toda essa energia acumulada, mas que também atendam os padrões de normalidade da sociedade desse mundo.

Só espera que a lendária maldição que percorre todos os membros do tempo sete, principalmente o dela, não tenha viajado junto com ela para essa vida. Afinal, qual é uma probabilidade de algo ruim acontecer com uma criança de sete anos e de cabelo rosa, que é uma definição perfeita de uma criança normal?

-x-

Altas.

Absurdamente muito altas.

Essas eram as probabilidades.

Suas preces não foram ouvidas pelos deuses lá de cima, mas sim pelos de baixo, muito baixo. Porque não haveria explicação no universo para a cena que se encontrava. Apenas demorou quatro enganosos meses, para o infortúnio do membro remanescente do tempo sete ter, para baixar a guarda e tudo que ela queria que não acontecesse, bate-se literalmente na sua frente.

Nunca subestime o poder social de crianças que foram menosprezadas por uma garotinha de cabelo rosa, com metade do tamanho delas. Sabe aquela frase famosa "o inimigo do meu inimigo é meu amigo" nunca deveria ter sido criada.

Quando Sakura disse que iria arrumar algo para aliviar o tédio, não deveria ter escolhido artes marciais. Por mais gratificante que foi gastar toda aquela energia acumulada derrotando todas as crianças com o dobro de seu tamanho, deveria ter atuado melhor para não parecer que estava humilhando. Mesmo que fosse só para seu divertimento próprio.

Agora sabia que as crianças guardam rancor e que são piores quando deixam acumular. Por que mais se uniriam e chamariam seus amigos para encurralar ela no intervalo, longe dos olhos dos adultos? Tinha crianças que nem eram dessa escola!

Sakura em outro momento e circunstâncias, iria elogiar seus esforços e pegaria leve com cada um deles. Se não fosse por um pequeno detalhe, sua irmã mais nova estava na enfermaria agora devido a uma dessas crianças, que um empurrou de propósito no início da manhã.

O líder do mutirão deu alguns passos para frente, com um sorriso zombeteiro estampado no rosto. Kenji olhou com arrogância para a garota que o derrotou enquanto lia um livro há dois meses. Hoje, ele vai usar esse monstrinho de cabelo rosa a nunca menosprezá-lo como se fosse a sujeira debaixo do seu sapato.

- Só porque eu peguei leve com a sua irmã, não quer dizer que vamos aliviar para o seu lado ... seu monstrinho!

Todas as crianças se aproximam e formam um círculo ao redor de Sakura. Ao total, eram em torno de umas quinze crianças que se reuniam para bater em um garotinha de sete anos com cabelo rosa.

Sakura pensava que esse mundo era mais inocente que o seu, mas essa teoria se mostrou muito errada.

- Que bom ouvir isso… porque também não irei pegar leve com nenhum de vocês.

Um sorriso predatório começou a surgir no rosto de Sakura, junto com a frieza de seus olhos verdes que assumiram um tom mais brilhante e perigoso.

[ Dez minutos depois ]

Corpos machucados e com alguns ossos quebrados, rodeavam uma garotinha pequena. Sakura caminhou até o líder, esparramado e espancado a um metro de distância.

Kenji tinha olhos assombrados e temerosos em direção ao monstro que caminhava calmamente em sua direção. Como se não comem massacrado todos eles até pedirem perdão fortificações. O monstro parou diante dele e o olhou com olhos verdes brilhantes, que o miravam com indiferença e pura frieza. Seu braço direito que estava estirado foi estirado foi estirado foi estirado foi pisado com tanta força que Kenj tinha certeza que tal coisa estalar.

- Nunca toque na minha irmã outra vez… caso contrário, não terá um próximo aviso.

Sua voz dava arrepios por todo o seu corpo. Toda essa violência, apenas porque sua irmãzinha machucou o joelho. Kenji só fez acenar com a cabeça com pouca força que restava, antes de sentir uma dor excruciante no braço direito e se juntar a todos os outros inconscientes.

Sakura observou o garoto desmaiar de dor após ela quebrar o braço. Não apareça nenhum arrependimento pelo que fez a essas crianças.

Um dos preços para um ninja que viveu uma guerra e sobreviveu, é que se perde um pedaço de sua humanidade. Algo que a deixa indiferente a muitos aspectos que antes eram novos. Ela viveu uma guerra a qual teve que jogar sua humanidade de lado diversas vezes, sobreviveu a um mundo caído sozinha, onde sua única companhia era o silêncio dos mortos. Por tempo suficiente, que desistiu de contar.

Nessa vida, possuía uma família outra vez. Sakura viu seus amigos, companheiros de equipe e sua família serem mortos por um, até não sobrar ninguém além dela. É por isso que destruirá qualquer um que tocar em um membro de sua família, sem nenhuma misericórdia.

Sakura olhou na direção do garoto com tonfas que se aproximava, como um predador faminto ao sentir cheiro de sangue.