A conversa com Kyoko só piorou seu dia.

Sakura estava entediada, pessoas entediadas arrumam algo que seja estimulante. Ninguém pode culpá-la por querer se entreter através de seus dotes estratégicos.

Ela foi aprendiz de Hokage, essa posição é muito mais do que aprender a curar pessoas. Ela foi aprendiz da maior médica e um dos Sannin, como ela também foi aprendiz da mulher que segurava o manto de líder da vila. Embora, ambos status pertencem a mesma pessoa, ao mesmo tempo eram duas pessoas diferentes, aquela que é a melhor ninja médica do mundo e a última Senju, a que salvava vidas com seu conhecimento. Mas, tinha a que ocupava o posto mais alto de poder, a mesma que dava as ordens para matar, roubar e obter informação, aquela que também tinha que comandar a parte das missões mais obscuras e sangrentas.

Konoha era vista como a vila mais boa… boa em esconder seu lado escuro e sangrento. O próprio nome já diz, Vila escondida da folha.

Como todas as outras vilas ninjas, Konoha também treina crianças para matar, roubar e mentir. Mandava ninjas para matar, extorquir, roubar informações e proteger clientes que pagavam muito bem independente de serem pessoas boas ou ruins. Era assim que a vila sobrevivia.

Se tornar a aprendiz da Hokage, também vinha com o peso e a responsabilidade de aprender tudo das duas partes.

Planos de estratégias, foi um dos que mais se destacou. E para sair desse dia tedioso, um estava se formando em sua mente ao se aproximar do portão da escola.

Como sua amada shishou sempre disse em suas aulas, a melhor estratégia é aquela a qual se pode prever os acontecimentos com as peças postas no campo e usá-las ao seu favor. Nesse exato momento, Sakura podia prever os acontecimentos que iriam ocorrer nos próximos minutos.

Quando seus pés tocaram a linha que marcava o portão para entrar na escola, foi quando o tempo parou para ela. De seu ponto de vista, Sakura podia localizar cerca de trinta crianças no pátio, todas apressadas para não se atrasarem e ter que lidar com o presidente do DC. O mesmo que se encontrava no telhado, vigiando com olhos de águia a todos, mas principalmente a ela própria. Junto a ele, estava seu braço direito.

Entre as crianças no pátio, uma se destacava entre tantas por estar segurando flores. Era óbvio o que o garoto iria fazer, parecia ser o tipo de criança desajeitada e que tropeçaria na menor oportunidade surgida. O que Sakura não duvidava, o cadarço do sapato iria se desfazer logo ao menor tropeço o fazendo cair para frente sem dúvida. O garoto tinha uma expressão que se dividia em nervoso, envergonhado e determinado.

Ele iria confessar seus sentimentos a uma garota na frente de toda a escola.

Um evento que seria para a vista de todos, até aqueles que estavam no telhado.

Pelo que se podia ver da linguagem corporal e como ele estava olhando em sua direção, a sua irmã mais nova seria a garota premiada.

Nada fora do comum.

Nada fora da normalidade.

Sakura estava cansada da normalidade em que sua vida se instalou!

Uma pequena mexida com todos esses elementos impostos a ela, não faria mal a ninguém. Só felicidade e alguma diversão.

Ela iria pedir desculpas ao garoto depois.

O tempo que Sakura tinha parado, na realidade, demorou apenas um segundo. Nesse segundo, ela foi capaz de formular o jogo para ocorrer do jeito que a mais satisfazia, com a total e absoluta certeza que um mestre em estratégia sabia fazer.

- Que tal seguimos logo para a aula, Kyoko ?

A mesma olhou com estranheza para sua irmã, Kyoko podia jurar que à alguns minutos atrás, ela estava com uma aparência entediada. Mas, agora havia aquele brilho que iluminava seus olhos verdes e um pequeno sorriso no rosto.

Sua irmã só ficava com essa expressão quando acontecia um acontecimento interessante, o que não era o caso no momento. O que significava, que estava armando algo para tirá-la do tédio.

Esses eram os únicos momentos em que sua amada irmã se comportava como uma criança normal e mimada. Sendo assim, Kyoko vai deixar passar qualquer desastre que ocorra nos próximos minutos e tentar interpretar o papel que a situação exija.

O que uma pessoa não faz pela felicidade do próximo ? Kyoko vai exigir chocolate depois!

- Certo, nee-chan!

As duas continuaram a caminhar pelo pátio tranquilamente, quando estavam a um metro de distância do centro do pátio, Sakura olhou de relance para o telhado, verificando se a pessoa que queria ainda continuava lá.

Ele estava, assim como seu braço direito, que a olhava como se ela fosse um mau presságio para seu chefe. Que fofo! Sakura vai ter certeza de não deixá-lo de fora de sua diversão agendada para esse dia, que por acaso, tinha previsão de se tornar muito interessante.

Depois que teve a certeza que o elemento secundário estava na posição correta, Sakura olhou na direção do protagonista principal de seu jogo. Faltavam apenas dois segundos para o garoto interromper em frente a elas e fazer o que com certeza, planejou no espelho diversas vezes.

Pena que todo o esforço do garoto não vai sair como ele sonhou, porque ela não vai deixar que os planos dele atrapalhem os seus. Quando o garoto se colocou na frente delas, no mesmo segundo que ele fechou os olhos, se curvou, estendeu as flores e gritou com todas as forças para toda a escola ouvir.

- EU GOSTO DE VOCÊ, SASAGAWA-CHAN!

Foi nesse segundo, que Sakura empurrou de leve Kyoko e colocou-se naturalmente no lugar em que ela estava, como se sempre estivesse lá. O mesmo, a qual o garoto direcionou sua confissão. Para dar mais um toque de realismo, mudou sua expressão facial para caber na situação, já que, afinal, alguém acabou de confessar seus sentimentos puros para ela.

Sasagawa Sakura.

Ainda tinha muitas crianças no pátio, mas todas pararam em seus passos quando ouviram a confissão em alto som.

Confissão que era dirigida a garota mais inteligente e umas das mais bonitas da escola. A que também era conhecida por lutar em dojos. Todos que estavam no pátio, se aproximaram para ver o que aconteceria depois. A curiosidade de todos era porque ninguém nunca se confessou para Sasagawa Sakura, já que tinham neurônios suficientes para saber que seria puro auto sacrifício.

Afinal, era de conhecimento de toda a cidade, que a família Hibari é composta de criaturas extremamente possessivas.

Como também é de conhecimento de toda a escola, mesmo que sejam apenas rumores, esses que circulam nos corredores com o boato de que o Demônio de Namimori tinha amizade com a Sasagawa mais velha, a Princesa de Namimori.

O que traduzido significava que ele a considerava dele, apenas dele.

Um silêncio tomou conta do pátio, Sakura viu que as crianças estavam formando um círculo para ver o que aconteceria depois. Ela não iria desapontá-los.

Enquanto o garoto à sua frente reunia coragem suficiente para ficar ereto outra vez, Sakura olhou de maneira discreta e imperceptível na direção do telhado, para ver como suas outras peças estavam agindo.

Hun… não o suficiente para satisfazê-la.

Era hora de dar mais uma apimentada na situação. Sakura viu que o menino já tinha se levantado e olhando para a pessoa que ele imaginou e tinha certeza que era a qual se confessou a um minuto. Dava para ver sua confusão ao estar olhando para a irmã da garota que gostava e não a própria, uma certa tristeza e vergonha por ter errado com algo que era importante também podia se ver nos olhos da criança.

Ele parecia ter percebido que acabou se confessando para uma garota, independente de não ser a que planejava. O que pela sua linguagem corporal, mostrava que ele achou que fez algo muito errado e deveria resolver. Pareceu ter tomado sua decisão quando começou a andar em sua direção.

Sakura sabia exatamente o que passava pela mente do menino, como também podia prever dentro de dois segundos, que o garoto iria tropeçar devido ao cadarço do sapato que tinha se soltado. A distância entre eles faria com que ele acabasse caindo em seus pés.

No segundo antes que ele tropeçasse e acaba-se tombando para frente, uma ideia se formulou na cabeça de Sakura. Três passos.

Foi o que Sakura deu de uma forma natural e sem ser notada em um espaço de tempo tão pequeno e se posicionou no lugar exato para seu plano funcionar.

Um segundo depois, o garoto tropeçou no cadarço e tombou para frente… em sua direção.

O pátio que antes estava silencioso, agora o teve dez vezes mais. A atenção de todos estava dirigida no beijo acidental que ocorria na frente de todos.

Sakura sentiu quando os lábios do menino roçaram os seus, os olhos dele estavam fechados, mas os dela não. Eles estavam focados na direção do telhado, principalmente em uma pessoa específica. A que estava emitindo uma grande intenção assassina dirigida para Sakura e o garoto.

Ela sabia que Hibari Kyoya tinha uma pequena obsessão dirigida a ela. Sendo a única pessoa que podia lutar de verdade com ele, assim como vencê-lo todas as vezes. Hibari, em sua perspectiva maluca e possessiva, a considerava digna para prestar atenção especial. Como também, vê-la sendo exclusivamente dele.

Só que Sasagawa Sakura não pertence a ninguém além de si mesma. Esse fato, vai deixar bem claro para o pirralho de uma vez por todas. Da única maneira que entenda completamente.

O beijo acabou tão rápido quando começou, a surpresa e vergonha estampavam o rosto do garoto a sua frente, assim como a vermelhidão em seu rosto que o fazia parecer um morango de tão vermelho.

Parecia que ninguém iria se mexer, mas o sinal tocou. O que significava que todos tinham poucos segundos para chegarem a sua aula e fugirem da possível fúria do presidente do DC.

O garoto que parecia ter instinto, como estava morrendo de vergonha, saiu correndo em outra direção.

Kyoko ainda tentava assimilar todo o ocorrido, mas sentiu ser puxada em direção a porta de entrada da escola onde todos os alunos passavam com desespero. Ela olhou em direção a sua irmã para ver como estava depois de receber uma confissão, que resultou em um beijo no final.

A mesma tinha um sorriso no rosto e seus olhos brilhavam como se espera-se um presente de natal.

- Se não fechar a boca entra mosquito.

- Você não está envergonhada com o que todos viram ?- Kyoko perguntou em direção a sua irmã.

- Por que deveria ?

Kyoko tentou lembrar com mais clareza toda a situação que houve a alguns minutos. Porque sua irmã parecia muito feliz, ao contrário de qualquer garota que estivesse em sua situação. Depois de se lembrar com vermécia de tudo, olhou cuidadosamente em direção ao rosto de uma pessoa que acabou de fazer algo de propósito para algum tipo de jogo doentio e distorcido. Que com certeza, tinha apenas o objetivo de a tirar do tédio.

- Acabei de receber minha primeira confissão de um garoto, não deveria estar emocionada com isso ?

- Tem raras vezes que você é mimada, nee-chan! - Kyoko declarou com um brilhante sorriso no rosto.- Sempre quando ocorre, eu me pergunto se seu lado mimado é pior ou melhor do que seu lado violento ? Mas, sempre fico em dúvida.

- Eu também me pergunto se esse lado perspicaz e inteligente que você esconde nessa fachada de garota ingênua e burra, é para enganar quem ? - Sakura retrucou com um sorriso divertido nos lábios.

As duas depois de se encararem por dois segundos, continuaram caminhando, já tendo a resposta para suas perguntas.

Antes de entrar, Sakura olhou em direção ao telhado e lançou um sorriso malicioso para a única pessoa lá, o braço direito do presidente do DC, Kusakabe Tetsuya.