Caçada a'Os Cinco

Link, o herói do tempo, partira do mundo.

Apesar de todos os seus esforços para despertar os sábios, derrotar Ganondorf e acabar com a tirania imposta pelo vilão, perdera o duelo contra o ditador e morreu. Porém, ainda havia esperança: Link ainda podia contar com seus irmãos, Peach, Zero e Alucard, para vencer o Rei Gerudo, pois tinham vindo com ele para ajudá-lo.

O herói caído fora para o lugar onde todos vão, sem exceção, quando morrem.

Link estava afundado até os joelhos em um líquido vermelho: era sangue. Olhou em volta e viu uma estalagmite larga e alta, duas cavernas no topo de cachoeiras de sangue (uma delas tinha um casulo espetado por três estacas de madeira) e criaturas pálidas, magérrimas, carecas, com olhos fundos e boca escancarada. Alguns com expressão de medo, com as mãos no rosto, olhando para os lados. Outros estavam agachados ou dando voltas em torno de si mesmos. Todos, porém, tremiam e choramingavam. Olhou para o alto e viu um céu esverdeado e um edifício muito alto e escuro na distância. Então, olhou para si mesmo: sua pele estava tão pálida (e fria) quanto a das criaturas ao redor. Então levou as mãos ao rosto e gritou de horror.

—Que... que lugar é esse?—perguntou-se Link, recompondo-se. —Ei, você!

O hyliano se aproximou de um dos corpos cinzentos tentando saber onde estava, mas não diziam nada. Ou fugiam com medo ou encolhiam-se e tremiam mais ainda. Viu um caminho para fora do lago de sangue e seguiu por ele. Andou até ouvir vozes. Parou, olhou furtivamente e viu um homem e uma cobra conversando.

—Ela mencionou um certo sonho profético que vem tendo—disse o homem. Era alto, magro, careca e tinha pele cinzenta. Usava calça jeans azul e sapatos marrons. A cobra tinha um crânio como cabeça e usava cartola.

—Foi? Bem, acho que dessa vez a bruxa velha tá certa. Tá vendo aquela torre escura lá longe?—perguntou o réptil.

—Como não poderia?

—Bem, o velho Bruegel, o pintor medieval, me disse outro dia que parece muito com um quadro que ele pintou.

—Pieter Bruegel?

—Não. Seamus, um primo distante, irlandês.

Link continuou ouvindo o diálogo. Ouviu sobre a construção negra ser uma ameaça e um poder indestrutível chamado Almas Negras, as quais não poderiam cair em mãos erradas e que estariam espalhadas por aquele lugar. Em um momento, a cobra e o homem se aproximaram de um portão que parecia feito com ossos de costelas humanas. Depois de alguma insistência, o réptil abriu o portão, revelando um túnel. O homem sacou uma pistola e entrou túnel adentro. Segundos depois, concluindo que a cobra não era hostil, Link saiu de detrás da parede e aproximou-se dela, que disse:

—Bem vindo ao Lado Morto, rapaz. Como você se chama?

—Eu sou Link—apresentou-se. —Então, esse lugar se chama Lado Morto—falou, olhando para o portão. Ele também notou que o chão e algumas partes da parede tinham "rasgaduras" vermelhas, como carne exposta de uma ferida.

—Como você morreu?—a cobra questionou, curiosa.

—Em combate. Contra um tirano—contou o herói, desanimado. —Quem era aquele cara?

—Estava nos ouvindo, hein? Aquele era Michael LeRoi, o Shadowman. Meu nome é Jaunty.

—Shadowman?

—É o portador da Máscara das Sombras, que viaja livremente entre o mundo dos vivos e dos mortos. É o Senhor desse lugar, aqui é o reino dele.

—Parece que ele está com problemas, não é? Tem algo que eu possa fazer para ajudá-lo? Eu era um herói quando estava vivo, então acho que posso ajudar.

—Acho que não. Afinal, você tá morto.

—Ué, e ele também não está?—perguntou Link, erguendo uma sobrancelha.

—Não. Ele pode transitar vivo e à vontade entre aqui e lá.

—Entendo. Vejo você por aí, Jaunty—despediu-se o hyliano, entediado. Queria perguntar também sobre as Almas Negras, mas a cobra não soube dar nenhum detalhe a Michael, não saberia contar mais a ele tampouco. Entrou no túnel para tentar alcançar Michael. Não gostou nada do que ouviu sobre a torre escura no horizonte e estava decidido a destruí-la, se ela fosse ameaça ao mundo dos vivos, pois seus irmãos e amigos ainda estavam lá.

Ao sair, estava em um lugar amplo com uma depressão, com três tambores defronte a uma porta fechada ao fundo. Havia também três passagens estreitas, uma à esquerda, a mais acessível, e outras duas no mesmo nível do chão em que Link estava, mas a depressão deixava-as difícil de alcançar. Ignorando o lamento e choro dos mortos, o hyliano seguiu pela esquerda e andou por um caminho estreito até chegar em outra área aberta. Dessa vez, além dos zumbis chorosos, viu zumbis com asas sobrevoando o lugar. Avistou um túnel defronte a ele e um caminho pela direita. Decidiu ir pelo túnel.

Algumas partes da parede tinham um tecido com uma chama desenhada. Porém, não havia tempo para uma investigação, tinha de encontrar Michael e falar com ele. No fim, foi cercado por dois Duppies, que rugiram e atacaram Link. Este agarrou o inimigo que vinha por trás e o jogou contra o que vinha pela frente, fazendo ambos baterem contra uma ponte de madeira. Não tinha mais sua espada para atacar, mas ainda tinha punhos e pés. Aproveitou que os dois estavam atordoados, pisou na cabeça de ambos e apertou até esmagá-las. Olhou para a direita e viu um homem cinzento apontando uma pistola para ele.

—Quem é você?—perguntou.

—Meu nome é Link. Ouvi sua conversa com Jaunty ainda pouco. Gostaria de lhe falar.

—O que você ouviu?

—Sobre aquela torre escura, Almas Negras e alguém chamada Nettie. Se aquilo é uma ameaça ao Lado Vivo, quero destruí-la. Deixei amigos importantes lá.

—Essa é minha tarefa—disse, baixando a arma e aproximando-se. Link notou que ele tinha uma máscara no tórax, ligada às costelas. —Você está morto, não pode fazer nada a não ser vagar aqui para sempre.

—E que tal meus manos no Lado Vivo? Eles são fortes, podem ajudar.

—Não—Michael falou, veemente. Então olhou para os dois zumbis com as cabeças esmagadas, tirou um arquivo dobrado do bolso e disse:

—Quer me ajudar? Descubra para mim onde esses assassinos estão enquanto coleto as Almas Negras. Apenas isso—e entregou o catálogo para o herói. O portador da Máscara das Sombras subiu na ponte de madeira, depois em uma parede e continuou seu caminho. Link sentou-se ao pé da ponte e começou a ler os documentos. Eram sobre cinco criminosos chamados Victor Batrachian, Marco Cruz, Milton Pike, Avery Marx e Jack 2. Características, possíveis paradeiros, fotos, as vítimas, locais dos crimes, textos e objetos encontrados nas cenas, marcas, etc. Quase tudo o que Link precisava saber estava ali e, pelo que lera, os inimigos estavam no Lado Vivo. A questão era: como iria avisar os irmãos?

Nesse momento, um buraco abriu-se defronte ao herói, que levantou-se na hora, e uma mulher usando um vestido escuro, com cabelos loiros e volumosos encimados por uma coroa dourada e pontiaguda, surgiu dali. Era a Shadow Queen, uma bruxa poderosíssima que habitava o corpo da Princesa Peach.

—E aí?—cumprimentou a rainha. —Se divertindo no Lado Morto?

—A Peach está...?—foi o que Link conseguiu dizer, arregalando os olhos.

—Está viva—a bruxa respondeu. —Mas porque eu a trouxe. Contei a ela que você viria para cá.

—Como estão os demais? E Ganondorf?

—Fisicamente bem, psicologicamente arrasados. Ganondorf morreu. Peach, Zero e Alucard ficaram tão raivosos por ele ter te matado que o eliminaram na hora. Você não o viu por aqui?

—Não. Deve aparecer em breve, então. Queen, seguinte—começou o hyliano. Então contou a ela tudo o que viu desde que chegou ao Lado Morto. Mostrou o arquivo e pediu que avisasse Zero e Alucard do perigo que corria o Lado Vivo.

—Eu conheço a Nettie—revelou Shadow Queen. —Ela parece ser nova, mas na verdade é bem velha, tem séculos de idade. Vamos dar uma palavrinha com ela.

A bruxa abriu um buraco no chão e sumiu por ele, levando Link junto.

A rainha e o herói reapareceram na frente de um hotel chamado Coração Selvagem. Shadow Queen entrou e parou, tentando detectar alguma presença, mas não havia ninguém ali. Link ficou do lado de fora, olhando para si mesmo: sua pele recobrara a cor e não estava mais frio. Entrou no hotel e perguntou:

—Você me ressuscitou?

—Como você vai descobrir onde Os Cinco estão se estiver morto? Agnetta não está aqui, vamos embora.

—Quem é Agnetta?

—Nettie.

Teleportaram novamente. Ambos reapareceram no topo de uma colina, com uma igreja e memoriais ao redor. Ignoraram os cães rottweilers e entraram.

—Nettie?—chamou a rainha. Uma mulher negra, usando roupas pretas e aparentando ter uns vinte anos, saiu de uma sala perto de um altar (ladeado por dois casulos idênticos ao que Link viu no Lado Morto) para ver quem era.

—Majestade?—perguntou a mulher, surpresa.

—Eu mesma. Já faz bastante tempo.

—De fato—concordou Nettie, fazendo uma reverência.

—Já estou sabendo de parte do que tá acontecendo. É o Legião, não é?

—Tudo indica que sim, Majestade. Tive um pesadelo com ele e Os Cinco ontem. Então enviei o Shadowman para capturar as Almas Negras antes que ele as pegue.

—Tola!—xingou Shadow Queen. —Já passou pela sua cabeça que é justamente isso o que ele quer?

—Sim, pensei. Mas as almas também podem dar ao Shadowman força para destruir Legião.

—... É, quem sabe? Enfim, este é Link—apresentou à Agnetta. —Trouxe-o do Lado Morto para ajudar Michael a achar Os Cinco. Link, esta é Agnetta. Foi ela quem criou a Máscara das Sombras.

—Aquela grudada nas costelas do Michael?—o hyliano questionou, lembrando e fazendo uma careta de dor.

—Essa mesma—confirmou Nettie.

—Falei com Shadowman no Lado Morto. Ele me deu isso—mostrou o arquivo—e pediu que eu descobrisse onde os assassinos estão para ele. Quem é Legião? É ele o dono daquele prédio alto e escuro no mundo dos mortos?

—Sim. Ele está de volta depois de muito tempo. Você tem meios de matar alguém imortal?

—Tenho—replicou o herói, levando a mão esquerda ao punho da Espada Mestre, mas não estava ali. Não tinha mais suas espadas, nem escudo. Todas as armas e equipamentos que conseguiu na jornada não estavam mais com ele. —Lamento—disse, frustrado. —Perdi todas as minhas armas quando morri.

Então, outro vácuo negro surgiu no chão e objetos surgiram dele: as espadas Mestre e Grande Goron, o martelo Megaton, o Escudo Espelho, a Ocarina do Tempo, um arco e um atirador de gancho.

—Foi o que conseguimos recuperar depois que matamos o Ganon—revelou Shadow Queen. Link pegou as armas e equipou-as.

—Muito obrigado, Queen. Agnetta—virando-se para ela—, esta é a Espada Mestre—desembainhou uma espada longa e mostrou-a. —A lâmina que bane o mal.

—Ótimo, mas ela pode matar alguém imortal? Os Cinco são imortais graças as Almas Negras que possuem. Somente o Shadowman pode matar os assassinos, assim como abrir os Govis—apontou para os casulos que ladeavam o altar. O hyliano aproximou-se de um deles e cortou-o com a espada, que estourou e revelou um verme coberto por uma energia escura. Link pegou a alma e a levou para dentro de si. Contorceu-se um pouco, mas recompôs-se após alguns segundos.

—Meu corpo parece que vai queimar!—Link falou. —Quanto ódio!

—Sim, esse é o efeito de uma Alma Negra. Agora imagine o Michael, que tem que pegar várias dessas.

—Vou entregar essa a ele assim que encontrá-lo de novo. Queen, guarde esta outra, por favor.

O hyliano cortou o outro casulo e a rainha levou a alma negra para dentro do corpo da princesa.

—Tenho amigos que podem ajudar a eliminar Os Cinco—contou Link. —São fortes, também tem meios de matar um imortal.

—Ótimo!—aprovou Nettie. —Boa sorte, Link. Cuide-se. Até breve, Majestade.

Reunidos em uma sala na Base dos Caçadores de Mavericks, Link reportou ao reploid e ao vampiro o que presenciara no Lado Morto (Alucard já sabia da existência dele). Contou também sobre Legião e Os Cinco, as Almas Negras e o Shadowman e sua breve excursão com Shadow Queen para encontrar Nettie. Peach estava de volta ao comando do próprio corpo e disse estar sentindo, assim como o hyliano, uma sensação de queimação e ódio desde que a rainha pegara a alma. Resolveram investigar, cada um, as áreas onde, possivelmente, os assassinos estariam: Link iria para a Flórida atrás de Milton Pike, Peach perseguiria Jack 2 em Londres, Zero seguiria para o Deserto Mojave em busca de Marco Cruz e Alucard procuraria Avery Marx em Nova Iorque. Decidiram deixar o líder, Victor Batrachian, preso em uma cadeia no Texas, para o Shadowman derrotar. Zero pediu ao Comandante Signas que os teleportassem para os respectivos lugares e ele permitiu. Depois de despedirem-se de X, Alia, Signas e os demais, partiram.

Link reapareceu em uma caverna e tomou um susto ao ver um torso emitindo uma fumaça vermelha pendurado numa das paredes. Estava sem pele, com as órbitas vazias, a boca escancarada, espinha dorsal exposta e sem os órgãos internos. Tinha as mãos coladas às cordas que o prendiam. Fedia muito e era insuportável de olhar. Saiu dali e seguiu por um caminho estreito, coberto de grama amarelada. Avistou dois carros de polícia, com as luzes de alarme acesas, mas ninguém dentro. Continuou adiante e chegou em uma área ampla, com um casarão de madeira, carros abandonados e uma entrada que parecia uma boca de crocodilo. O silêncio era "ensurdecedor": absolutamente ninguém, nenhum sinal de vida. Acima da "boca", havia uma placa em que lia-se Acampamento Ocala. Respirou fundo e entrou.

Depois de passar por um túnel, estava em outra área ampla, com uma construção de madeira ocupando todo o espaço. Foi atacado por um cachorro zumbi e cortou-o em pedaços, matando-o. Entrou no prédio e viu-se em uma recepção. Procurou por uma saída e achou uma do lado esquerdo do recinto, pulando uma janela. Continuou por um caminho estreito e chegou em outro lugar aberto, com duas casas de madeira, mesas para refeição e guardada por dois cachorros zumbis. Executou ambos e entrou em uma das casas: era um dormitório, com vários beliches. O último deles estava com o colchão de baixo manchado de sangue, para desgosto do hyliano. Saiu e entrou na outra casa. Arrebentou as tábuas de madeira que bloqueavam a porta e saiu, avistando uma passagem estreita depois de uma grade quebrada. Pulou a grade e continuou por ali. No fim, parou de chofre ao ver um crocodilo, que abriu a bocarra e arrastou-se para atacá-lo. Link pulou por cima do réptil e fincou a Espada Grande Goron em suas costas, eliminando-o.

Olhou ao redor e viu uma inundação preta e lamacenta, com uma ilha no meio e uma construção de madeira ao fundo. Andou pela lama, com cuidado, e alcançou terra firme novamente, matando mais um crocodilo ao chegar. Entrou na construção e desceu por um túnel, depois subiu por outro. Ao sair, viu-se em um lugar amplo, com muitas árvores e uma casa de madeira ao fundo. Caminhou um pouco até escutar uma voz grave e "abafada", que reclamou:

—Ei, você! Aqui é propriedade privada. O que diabos tá fazendo aqui, garoto?

Era o bandido Milton Pike. Link reconheceu-o pela foto no arquivo. Gordo, bigodudo e pálido, usava uma camisa regata verde oliva, calça cinza militar e coturno preto. Carregava tiras com bolsas de couro em volta do corpo, estava armado com um fuzil e parado ao lado de uma metralhadora gatling.

—Você já foi pra guerra alguma vez, menino? Vou lhe mostrar uma, como uma reprise do Vietnam.

Milton acionou a metralhadora e ela começou a atirar em Link. Em tempo, o herói se escondeu atrás de uma árvore, mas notou que os tiros eram poderosos e que ela não iria aguentar muito. Rolou para outra. De repente, uma granada pousou próximo do hyliano e, dois segundos depois, explodiu.

—HAAAAAAAHAHAHA!—gargalhou o assassino, em triunfo, mas por pouco tempo. Ouviu um estouro e olhou para a metralhadora gatling: Link a destruíra, deixando Milton estupefato. Atirou com o fuzil, mas as balas foram repelidas por uma barreira azulada e translúcida em volta do corpo do herói. Este sacou o arco e acertou uma flecha de luz no inimigo, que recuou, resmungou de dor e explodiu, deixando a Alma Negra e, junto ao sangue e vísceras no chão, um cristal roxo. Link pegou a alma (a sensação de queimação e ódio aumentou um pouco), a pedra e teleportou de volta para a Base dos Caçadores.

Peach reemergiu em um quarto mal iluminado e assustou-se ao ver um torso emitindo uma fumaça vermelha pendurado numa das paredes, igual ao que Link viu no acampamento de verão, na Flórida. Além do cheiro de cadáver vindo do torso, o cômodo tinha um fedor forte de rato e eles fugiram do lugar assim que a princesa surgiu. Esta e o quarto eram contrastantes: a primeira, bonita, maquiada e perfumada e, o segundo, feio, velho e fedorento. No recinto, havia uma cama e uma mesa com alguns livros. Chamou a atenção de Peach um que estava aberto. Na página à mostra, lia-se "Diário de John G. Pierce, também conhecido como Jack, o Estripador". Pegou o diário e correu dali, esperando livrar-se do fedor, mas deparou com cheiro de esgoto: estava em um, com um líquido verde no meio do corredor. Andou rente à parede até achar uma fossa e viu um "caminho" no fundo. Fez uma careta de nojo ao perceber que teria que ir por ali se quisesse achar o assassino.

"Tem certeza que vai por aí mesmo?", Shadow Queen indagou.

"Você sabe onde ele está?".

"Sei".

"Leve-me até ele, por favor", pediu a monarca. Um buraco no chão surgiu a ambas foram embora nele.

O criminoso estava em uma sala ampla, com água de esgoto no chão e três passagens estreitas, uma em cada lado das paredes. Estava recostado em uma delas, segurando um facão, defronte a uma porta, de onde esperara que Michael viesse, mas o Shadowman não viria. Usava uma camisa branca e desabotoada, calça e sapatos marrons. Subitamente, um vácuo surgiu atrás dele e uma mão escura e grande agarrou Jack, ou melhor, John Pierce, e o bateu contra a parede em que surgira. Então, outro buraco negro apareceu na parede ao lado e Peach saiu dele.

—Quem... diabos é você?—perguntou John, lutando para livrar-se da mão. Encarando o assassino com "sangue nos olhos", a princesa respondeu:

—Você é muito valentão com mulheres, hein? Vamos ver como VOCÊ fica estripado!

Peach pegou o facão que o inimigo deixara cair e cortou a barriga dele, que gritou de dor, até abri-la. Então meteu a mão ali e arrancou a Alma Negra, o que o fez gritar mais ainda. Junto com os órgãos e sangue, caiu uma pedra roxa. Ainda segurando John, a mão esticou e amassou-o no chão, espalhando sangue e entranhas na água de esgoto. A regente pegou o cristal escuro e, com a Alma Negra coletada (tal como aconteceu com Link, a sensação de queimação e ódio aumentou) e o psicopata morto, teleportara dali de volta para a base.

Zero rematerializou dentro de um container. Arregalou os olhos ao ver o tórax fedorento pendurado na parede e emitindo fumaça vermelha. "Que porra é essa?", perguntou-se. Concluiu que estava lidando com gente pior do que Mavericks. Escaneou o cadáver e soube que era uma passagem para o Lado Morto, então não devia ir por ali. Música alta estava tocando, dançante, estilo Disco. Saiu do container e mal teve tempo de ver onde estava, pois ouviu uma voz amplificada e ritmada, que falou:

—E aí, mano! O que tá pegando, cara?

O caçador olhou em volta para ver de onde vinha e viu, em uma janela, no alto, um homem usando um chapéu branco e camisa azul clara e desabotoada, armado com um revólver e um cassetete. Era o psicopata Marco Cruz. Reconheceu-o pela foto no arquivo. Caixas amplificadoras e grandes estavam perto da janela e uma luz verde e outra azul vinha de lá.

—Ei loirão! Legal te ver! Seu nome está na lista da festa? Vai ser demais, eu garanto!

—NÃO VIM PRA FESTA NENHUMA!—Zero gritou, tentando fazer-se ouvir em meio ao som alto.

—Tarde demais para voltar! É Marcos cinco, versículo nove, um Echo Foxtrot que vamos dançar!—e atirou. O reploid escondeu-se para não ser atingido, carregou o canhão em seu braço, colocou-o para fora do esconderijo e disparou, gritando:

—TOMA A SUA FESTA, MALUCO!

—UUUUUUUUUU!—uivou Marco, festivo, saindo de fininho por um túnel. Zero saiu do esconderijo e disparou outro tiro carregado, mas, de novo, não acertou. Correu, saltou por cima de uma grade, de umas pilhas de carros velhos e escalou até a janela onde vira Marco. Entrou e procurou pelo assassino, mas ele não estava mais ali. Prosseguiu pelo mesmo túnel que o criminoso usara e passou por alguns corredores e salas brancas. Saiu, andou mais um pouco e entrou em um galpão espaçoso, com um globo de prata pendurado. Havia uma pista de dança embaixo, com um palco para DJ numa das laterais e música alta e dançante tocando em caixas amplificadoras. Marco estava ali, se mexendo de forma esquisita e cantando. O reploid desceu e o psicopata atirou nele, gritando:

—IIIIHUU!

Mas errou. O bandido disparou mais vezes, mas o caçador defendeu todos os tiros com o sabre. Quando a munição acabou, Marco jogou o revólver e tentou sacar uma pistola, mas tarde demais: Zero se aproximou do inimigo com o sabre em chamas e cortou-o ao meio, de baixo para cima, revelando a Alma Negra e deixando cair uma pedra roxa. Marco morreu na hora, nem houve tempo para sentir dor. As metades de seu corpo ficaram no chão, queimando. O robô vermelho pegou a alma ("Link e Peach tem razão! Parece que vou pegar fogo!"), a pedra e teleportou de volta para casa.

Alucard ressurgiu em uma sala escura, (mal) iluminada apenas por um fogo dentro de um forno. Viu o torso emitindo fumaça vermelha pendurado em um canto da sala, mas não assustou-se. Já estava acostumado àquele tipo de visão hedionda desde criança. Olhou o cadáver por um tempo, mas não sabia para que servia, então seguiu por alguns corredores escuros e subiu até chegar em uma sala ampla, com uma escadaria quebrada e um elevador velho, que não funcionava devido à falta de energia elétrica.

—VEM PRA MAMÃE, BEBÊ!

Um borrão branco desceu de um dos andares superiores decidido a furar Alucard com uma faca. O vampiro virou névoa e afastou-se.

—Bem vindo! Entre a vontade e por sua própria conta!

Era o assassino Avery Marx. Baixinho, corcunda, palidíssimo e feio, usava um macacão azul, óculos de visão noturna e trazia o que parecia serem duas pistolas de pregos.

—Obrigado por aparecer, poupou-me o trabalho de procurá-lo—disse o dampiro, irônico.

Velocíssimo, Alucard avançou e cortou os dois braços do assassino, então transformou-se em lobo e mordeu o rosto dele até arrancar a pele. Estirado e sangrando muito, Avery berrava de dor, mas depois gargalhou.

—EU SOU IMORTAL! VOCÊ NÃO PODE ME MATAR!

—Veremos.

O dampiro virou névoa venenosa e entrou no corpo do psicopata pelas narinas. Avery grunhiu, engasgou e explodiu, com Alucard ressurgindo já com a Alma Negra dentro dele e trazendo um cristal escuro na mão. Vísceras e mais sangue espalharam-se pelo chão da sala. Com o objetivo cumprido, o vampiro teleportou de volta para a base.

Alucard foi o primeiro a retornar, seguido de Peach, depois Zero e, por último, Link. Agrupados, cada um contou aos demais sua excursão pelo esconderijo dos bandidos e a luta com eles. Ao terminarem os relatos, a princesa mostrou aos irmãos o diário que pegou em Londres. Continha todo o esquema do Asilo, a torre preta que estava no Lado Morto: os torsos que serviam de passagem para as almas negras, os portões da alma e os prismas, os soldados imortais, o bloco da máquina e como desligá-lo. Precisavam mostrar isso ao Shadowman e decidiram voltar à igreja onde Link e Shadow Queen encontraram Nettie.

—Agnetta, descobri como Os Cinco receberam Almas Negras e onde eles estão—reportou Michael—, mas está dia e vou precisar dos meus Shadow poderes pra descer a porrada neles. Talvez eu devesse esperar até anoitecer—sugeriu.

—Não, Michael! A profecia está sobre nós e a cada minuto estamos mais perto da terrível conclusão!

—Mas se eu não puder usar meus poderes n'Os Cinco, estamos ferrados!

—Ainda não—contradisse Nettie. Nisso, ambos ouviram a porta da igreja abrir. Michael pediu que ela aguardasse no quarto e saiu com a pistola apontada para a entrada. Eram os Sword Brothers, que pararam de chofre.

—Ah, é você—Michael falou, reconhecendo Link e baixando a arma. —Esses são os seus manos que você falou?

Link confirmou e apresentou Peach, Zero e Alucard ao Shadowman e a Agnetta. Michael ficou surpreso ao ver o vulto escuro e alto que era a Shadow Queen saindo do corpo da regente. Ele notou que Nettie a reverenciara e perguntou:

—Você a conhece?

—Sim. É a Shadow Queen, nossa soberana, rainha de todas as bruxas. E então, Link, como foi?—questionou. —Conseguiram matar Os Cinco?

—Conseguimos.

—Vocês mataram os assassinos? Mas essa tarefa era minha!

—Calma, não matamos todos. Deixamos o líder para você—disse Zero. —Aliás—continuou, conjurando uma bola de energia negra numa das mãos e apanhando um cristal roxo na outra—, tá aqui a Alma Negra que o Marco Cruz tinha.

Passou a pedra e a alma para Michael, que as pegou. Link, Peach e Alucard também entregaram a ele as almas e os prismas que haviam coletado. A princesa aproveitou e entregou ao Shadowman o diário de John Pierce, que continha tudo o que ele precisava saber sobre o Asilo. Fortalecido e melhor informado, Michael agradeceu a ajuda dos Sword Brothers, mas ainda havia o problema do horário. "Eu resolvo", Link ofereceu-se. Pegou a Ocarina do Tempo e tocou uma melodia que transformou o dia em noite. Subitamente, a Máscara das Sombras emergiu no tórax do Shadowman e sua pele ficou cinzenta. Marcas vermelhas também apareceram nos braços e nas costas dele, da base da coluna até pouco acima do meio. Os olhos emitiam uma energia parecida com o formato da máscara.

—É agora, Shadowman. Vá atrás do Rei Lagarto—pediu Agnetta, referindo-se ao líder d'Os Cinco, Victor Batrachian. Shadowman despediu-se dos presentes e foi embora continuar sua missão de impedir o fim de todas as coisas.