Donzela em perigo nunca mais
Peach retornara ao Castelo dos Cogumelos. Estava em uma aventura com os Mários e Bowser, evitando que o mundo fosse apagado por um buraco negro gigante. Também destruíram Dimentio e ajudaram Blumiere e Timpani a ficarem juntos de novo. Ao chegar, a princesa foi recebida por Toad e pelo primeiro ministro, Toadsworth. Estava de barriga cheia (comera e bebera na casa de Merlon), porém cansada e suja, então foi para o quarto tomar banho e descansar. Tudo terminou bem, exceto por uma coisa.
"É VOCÊ quem sempre é resgatada por homens! ISSO é constrangedor!".
As palavras de Mimi ainda "martelavam" na cabeça da monarca, o que tirou o seu bom humor desde então. Estava zangada porque sabia que era verdade. Toda vez que Bowser (ou algum outro vilão) a sequestrava, eram Mário e Luigi (com ajuda de Link, Zero e Arikado) quem iam resgatá-la. O que atenuava isso era o fato de, mesmo no cárcere, dava um jeito de ajudar os encanadores com itens ou informações. Ainda sim, precisava fazer algo para mudar isso. Saiu do quarto e foi ao escritório do ministro.
—Entre—permitiu o toad, ao ouvir batidas na porta. Peach adentrou o recinto e sentou-se defronte a ele.
—Em que posso ajuda-la, Alteza?
—Vou militarizar o Reino dos Cogumelos—disse a regente, direta. Toadsworth arregalou os olhos, surpreso.
—Só agora?
—Sim. Não fiz antes porque achei que não precisávamos de uma força armada, tendo Mário e Luigi por perto. Mas estava errada. Precisamos de um exército. Não é justo colocar toda a segurança do reino e a minha própria nos ombros deles para sempre.
—De fato, princesa. Quando quer começar?
—O mais rápido possível.
—Está se lembrando que...
—Amanhã é meu vigésimo primeiro aniversário? Como eu não lembraria? Com isso, já posso ser rainha. E daqui a três meses é o Festival Adesivo. O momento é perfeito. O festival vai acontecer já com o reino militarizado e Bowser vai se arrepender se aparecer lá e tentar me sequestrar de novo! Faremos em Decalburgo, como de costume. Ah, e também vou convidar Link, Zero e Arikado para serem membros honorários da força armada.
No dia seguinte, acontecera a festa de aniversário da Peach. Muita comida, bebida, convidados, presentes, música, conversa e gargalhadas. A cerimônia de coroação ocorreu no pátio do Castelo dos Cogumelos, com a presença da população, que aplaudiu, assobiou e gritou em comemoração. Daisy, a imperatriz de Sarasalândia, foi quem colocou a coroa dourada na cabeça da amiga. Agora ela era oficialmente rainha Peach.
—Preciso falar com vocês no meu escritório—disse a regente para Mário e para os manos de consideração, no final da festa. Eles seguiram-na até o lugar e Peach sentou-se atrás da escrivaninha. Os demais acomodaram-se em cadeiras defronte a ela.
—Você—começou a rainha, dirigindo-se ao Mário—não vai mais precisar me resgatar.
—Como assim?—perguntou o encanador, espantado.
—Começando amanhã, vou montar uma força armada para impedir que Bowser invada o Reino dos Cogumelos. Nunca mais ele vai me sequestrar.
—Até que enfim—Zero comentou.
—Já era tempo—disse Arikado, em concordância.
—Negociarei com algumas autoridades para comprar armas, munições, veículos e conseguir contingente—revelou Peach, austera. —Gostaria que vocês quatro fizessem parte da minha Guarda Real, mas sei que cada um de vocês—falou aos irmãos—já tem trabalhos onde moram. O que acha, Mário? Gostaria muito que você continuasse me protegendo.
—Eu aceito, Peach—Mário disse, sem hesitar.
—Nós podemos fazer parte da sua guarda, mas como membros honorários—propôs Link. O reploid e o vampiro concordaram.
—Excelente! Muito obrigada, todos vocês!
No dia seguinte, Peach e Toadsworth redigiram a proposta de militarização do reino e a entregaram ao congresso, que a aprovou. Com isso, começaram os acordos para a formação do Exército dos Cogumelos. Peach falou com a imperatriz Daisy, de Sarasalândia; com Zelda, princesa de Hyrule; comandante Signas, dos Caçadores de Mavericks da Cidade Abel; General Pepper, de Corneria, e outras pessoas importantes que conhecia e com poder bélico para ajudá-la.
Nas semanas seguintes, a Guarda Real e a força armada começaram a serem montadas. Mário e mais um toad, um humano, um hyruleano e um reploid compunham a elite de guarda costas da rainha. Como combinado, Link, Zero e Arikado foram nomeados membros honorários da Guarda Real. Quanto ao exército, era composto por Toads, Koopas desertores, humanos, reploids, hyruleanos e lylatianos, todos com conhecimento e habilidade necessárias para atuar não somente em combate, mas também em enfermagem, robótica e engenharia, por exemplo. Com o contingente formado, veículos como tanques, jipes, carros, motos, navios, lanchas, encouraçados, submarinos, caças, helicópteros e aviões chegaram para fortalecer a mobilidade. Em seguida, vieram as armas (e munições): pistolas, metralhadoras, espingardas, fuzis, bombas, minas terrestres, lança misseis, espadas, lanças, machados, facas, martelos, foices, chicotes, etc.
Faltando poucos dias para o Festival Adesivo, Peach realizou um desfile com o Exército dos Cogumelos e a Guarda Real para mostrar ao povo o poder bélico que o Reino dos Cogumelos tinha agora. A novidade foi muito bem vinda e a população adorou. Todas as autoridades que ajudaram Peach a montar o exército foram convidadas a assistir ao desfile e a parabenizaram. Em discurso, a rainha garantiu que se o rei Koopa tentasse invadir o reino e sequestra-la de novo, seria preso. Essa foi a parte mais comemorada do desfile.
—Você não nos contou o motivo de ter resolvido militarizar o reino—Link falou.
—Foi por causa de algo desagradável que ouvi de uma adversária. Ela disse que eu sempre era resgatada por homens e que isso era constrangedor—revelou Peach.
—Discordo—contrapôs o caçador. —É nosso dever proteger as mulheres, crianças e quem mais precisar de proteção.
—Exato. Admiramos você por ser forte e lutar conosco, mas sempre nos preocupamos com a sua segurança e bem estar—contou o dampiro.
—Então vocês acham que eu não devia ter montado uma força armada? Que eu devia continuar sendo sequestrada, sem me defender?
—Nada disso. Arikado e eu até ironizamos o fato de você ter demorado tanto justamente para tomar uma atitude.
—Entendemos que você se cansou de ser raptada e ter o reino atacado—explicou o hyliano.
—Mas por favor, não se sinta envergonhada ou inferiorizada quando o Mário ou algum de nós lhe salvar de algum inimigo, fazemos isso porque te amamos—finalizou Arikado. Peach corou, então disse:
—Eu também amo vocês, muito! Podem contar comigo também quando estiverem em perigo, sabem disso. Se estiverem enfrentando alguém além das suas forças, estarei lá para lutarmos juntos.
Chegou o dia do Festival Adesivo. Decalburgo, um condado vizinho, estava lotado e muito animado. Além dos nativos, havia também muitos estrangeiros, familiares e amigos dos que se juntaram ao Exército dos Cogumelos, que vieram apreciar a festividade. Um palco grande, enfeitado de adesivos e bonito fora montado na praça do bairro, que também estava bonita graças à decoração e iluminação. A força armada estava presente, fazendo rondas, observando e monitorando. Todos esperavam a passagem da Estrela Adesivo no céu. O festival acontecia anualmente no Reino dos Cogumelos e todos os participantes tinham a chance de fazer um pedido ao astro.
As cortinas do palco abriram, revelando uma placa em forma de cometa com os dizeres "Festival Adesivo" e um pedestal onde a rainha Peach, acompanhada de alguns membros da Guarda Real, armada até os dentes, estava de pé. Carregava uma pistola e uma espada longa na cintura.
—Boa noite, povo do Reino dos Cogumelos! Gostaria também de dar as boas vindas aos visitantes estrangeiros, espero que estejam gostando bastante do festival! Diferente dos anos anteriores, anuncio com satisfação que agora temos um aparato de segurança forte para garantir que a celebração aconteça com tranquilidade. Não tenham medo, pois o Exército dos Cogumelos está aqui para proteger todos nós! Em instantes, a Estrela Adesivo vai estar aqui!
Furor tomou conta dos presentes e eles começaram a se amontoar na frente do palco. Rosalina aproximou-se de Peach e sussurrou em seu ouvido: "Quinze segundos". "Obrigada, querida!", agradeceu a regente. Desceu do pedestal e, dito e feito, uma estrela amarela, grande e muito brilhante desceu do céu até o palco e parou, flutuando, em cima do pedestral. A população se agitou, mas depois aquietou-se e começou a se concentrar para fazer os pedidos. Nisso, Bowser pulou no palco. Porém, antes que conseguisse fazer qualquer coisa, já estava com as espadas de Link, Zero e Arikado apontadas para o pescoço, o que o deixou surpreso e paralisado. Os guarda costas da rainha cercaram o rei com suas armas apontadas para ele.
—Prin... princesa?!—Bowser conseguiu dizer, suando gelado.
—Sabia que você viria tentar aprontar!—Peach falou, irritada, sacando a espada e a pistola. Apontou ambos para o inimigo e continuou:
—Você não vai mais me sequestar, Koopa! Chega, cansei! E o povo também não te aguenta mais!
—É... é o Exor?—questionou o jabutizão, reconhecendo o punho da espada.
—Não. Apenas uma versão usável. SUMA DAQUI OU MATAREMOS VOCÊ!
Os guardas reais se aproximaram mais ainda e encostaram suas armas no rei, que, mesmo acuado, desdenhou:
—Você está blefando.
Peach atirou numa das pernas do Bowser, que urrou de dor e caiu. A monarca não se apiedou e mirou a pistola na cabeça dele. Lembrou de todos os momentos em que fora raptada e teve vontade de executá-lo ali mesmo, pondo um fim aos sequestros e assaltos, mas lembrou que estava no meio de um festival, não queria transformá-lo num banho de sangue.
—Es... pere, prin... cesa!—pediu o rei Koopa, arfando e com dor, apelativo. —Eu tenho... um filho... e os... Koopalinhos! Quem vai... cuidar deles se... eu morrer?
—Devia ter pensado nisso antes de vir aqui! Guardas, levem-no para a prisão!
Mário e os demais guarda reais fizeram o que Peach ordenara. Uma "explosão" de aplausos, assobios e gritos de aprovação vieram dos habitantes.
—Mandou bem, majestade—elogiou Arikado.
—É, mostrou pra ele quem manda.
—Obrigada, manos.
—O que vai fazer com ele?—perguntou Link, displicente, vendo o quelônio ser levado embora enquanto era hostilizado pela população.
—Vai ficar preso até o julgamento, o judiciário dará o veredicto. Mas e aí, já decidiram o que vão pedir? A estrela não tem a noite inteira!
