- I suggest translating the page if Portuguese is not your language, so you don't miss the story! Be welcome!

Personagens OOC, Classificado como M por segurança. Espero que goste. Se isso não for sua xícara, seja bem vindo(a) a não tomar esse chá. Comentários, críticas construtivas e opiniões sempre são bem vindas. Espero que gostem!


I. Mordida.

Eles precisavam corrigir os erros cometidos, e para isso era preciso voltar no tempo. Ron não poderia ir, pois estava machucado. Então Dumbledore sugeriu que Neville fosse junto, já que o menino presenciou toda a explicação enquanto Poppy removia os curativos de seu braço já cicatrizado, mas ainda dolorido, da última aula de poções. Após uma breve explicação sobre o que eles precisavam fazer, Hermione colocou a corrente de seu vira-tempo em torno do pescoço dos dois rapazes.

Uma. Duas. Três voltas. Foi o bastante para que tudo começasse a revirar ao redor deles. Hermione, Harry e Neville conseguiram resgatar Bicuço, restando assim apenas esperar para salvar Sirius. A espera foi agoniante e Nev pareceu que iria desmaiar a qualquer momento, seu rosto geralmente corados estava mais pálido que um fantasma.

Quando a confusão começou a se formar e Pettigrew estava fugindo em sua forma animaga, Hermione agiu o mais rápido que pode e transfigurou uma pequena gaiola a prova de magia, a mesma que ela aprendeu a fazer para transportar Bichento. E com floreios complexos de sua varinha, ela capturou o homem rato e o trancafiou na gaiola. Sirius teria a prova que precisava para ser um homem livre novamente, e Harry teria uma família de verdade.

Com mais alguns feitiços ela enviou a gaiola para o baú de Harry, onde ele ficaria até eles completarem sua missão. Harry olhou para Hermione com os olhos verde esmeralda marejados, sorrindo com gratidão. "Seremos uma família, finalmente…" o menino pensou, com o peito transbordando de felicidade.

Quando voltaram a atenção para onde seus outros "eus" estavam, Harry e Hermione repararam que Lupin estava prestes a atacar. Harry tremeu e disse que deveriam fazer alguma coisa. Foi então que Hermione se lembrou da página 394 do livro de Defesa Contra as Artes das Trevas e, num impulso obviamente estúpido de um legítimo Grifinório, ela imitou o uivo dos lobos. Ela achou que seria o suficiente para distrair o lobisomem e conseguir salvar seus outros "eus". E foi.

Entretanto ele seguiu o chamado e correu em sua direção. Apavorados, eles correram para se esconder atrás dos grossos troncos das árvores frondosas que compunham o "ar sombrio" da floresta. Harry estava em pânico e, assim como Neville, cobria a boca e o nariz com as mãos tentando ao máximo evitar que qualquer ruído escapasse e denunciasse sua presença.

Depois de alguns minutos que mais se pareceram horas, eles não ouviram mais a movimentação do lobisomem. Então Hermione teve a brilhante ideia de se virar para averiguar se "a barra estava limpa", mas assim que se virou, os resultados de sua estupidez caíram sobre si. Ela deu de cara com a fera. Ele estava abaixado seguindo os cheiros, e sem pensar duas vezes mordeu a coxa direita de Hermione. Foi tudo muito rápido. Em um momento ele a mordeu, e no outro foi afugentado por Bicuço e correu floresta adentro.

A dor causada pela mordida foi tão grande que ela acabou desmaiando. Harry e Neville discutiram rapidamente quem levaria ela. Neville não sabia como levitar alguém, mas garantiu que a carregaria o mais rápido que pudesse até a enfermaria. Harry ajudaria Sirius.

Grossas lágrimas escorriam dos olhos tristes de Neville enquanto ele carregava o corpo desfalecido de Hermione. Ele perdeu as duas pessoas mais importantes de sua vida, ele não se permitiria perder Hermione também. Então caminhou resignado, ignorando a dor em seu braço recém-curado. Ele não parou em nenhum momento. Ela era sua melhor amiga, e ele seria forte por ela. O caminho até a enfermaria foi realmente longo, mas quando Neville estava prestes a virar o corredor para a Ala Hospitalar, Harry o alcançou.

"Deu tudo certo Nev. Ele está a salvo." Harry sorriu triste para o amigo.

Quando os meninos entraram na enfermaria, viram seus "eus" desaparecerem e Rony e Poppy olharam para eles um tanto quanto espantados. Sem perder tempo, Harry contou o que aconteceu, enquanto Nev colocou Hermione com cuidado em uma das camas vazias. Poppy ficou estagnada no lugar por um momento, olhando para a terrível mordida. Com um floreio de sua varinha, ela conjurou o feitiço do Patrono e um lindo Cisne apareceu. Ela enviou uma mensagem através dele e ele saiu graciosamente pela enorme porta de carvalho que estava trancada novamente.

Em menos de Três minutos a porta se abriu num estrondo, revelando um mestre em poções furioso, uma Minerva McGonagall desesperada e um Dumbledore cabisbaixo. Sem dizer uma palavra, mas olhando significativamente para Dumbledore com um olhar de "Eu te avisei", Snape correu até Hermione, que já havia recobrado a consciência novamente, tirando um pote de suas vestes. No pó continha a mistura de Prata em pó e Ditamno, que serviria para selar a ferida.

Foi naquele momento em que a ficha de Hermione caiu. Eu fui mordida por um lobisomem. Suas mãos tremiam e seu cérebro entrou em pane. Ela olhou desesperada para os olhos escuros e profundos do Professor Snape e com a voz trêmula, começou a lhe implorar algo realmente desesperado, mas comum em vítimas de ataques de lobisomens.

"Por favor, me mate! Eu não quero virar um lobisomem! Me mate por favor, tenham piedade de mim! Eu não quero sofrer por isso também… a vida de um nascido trouxa é difícil, a vida de um nascido trouxa com licantropia vai ser um pesadelo…"

"Hermione, querida… ninguém vai matar você! Vai ficar tudo bem. Vamos cuidar de você…" disse a professora Minerva com seus olhos cheios de lágrimas, enquanto abraçava Mione com muita força.

Os olhos de Hermione estavam ainda fixos nos de Snape e ela viu uma única lágrima rolar de seus olhos repletos de dor. E então sua máscara fria de indiferença voltou ao seu rosto pálido. Suas mãos habilidosas começaram a aplicar a mistura na ferida. Ardeu muito, mas aos poucos a dor foi cessando. Cedendo ao abraço de Minerva, que não havia a soltado ainda, ela adormeceu. Seus cabelos acariciados suavemente embalaram seu sono profundo.

Muitas horas depois, Mione foi despertada por uma gritaria na enfermaria. Quando abriu os olhos, a claridade foi insuportável. Tudo parecia mais intenso agora. Aos poucos sua visão foi se acostumando com a luz do sol e ela pôde observar as fontes dos gritos. Olhando com atenção para os dois homens, ela ficou apavorada.

Lupin e Snape estavam berrando um com o outro, bem… Snape era o que mais estava alterado. Hermione não conseguiu compreender tudo, mas sabia que Snape havia "perdido a linha". Ao redor deles havia muitas pessoas, todos olhando com incredulidade a discussão. Hermione conseguiu reconhecer o rosto de quase todos eles. Lá estavam Poppy, Harry, Neville, Gina, Ron, os gêmeos, Sirius, McGonagall, Dumbledore, o Sr. Filch e duas mulheres que ela nunca havia visto na vida.

Todo aquele barulho a estava deixando irritada, uma raiva profunda cresceu em seu peito. Foi então que tudo ao seu redor começou a vibrar com tanta intensidade que alguns frascos e objetos de vidro estouraram. Isso fez com que todos olhassem para ela, em absoluto silêncio.

"Eu fiz magia involuntária?" ela pensou.

Remus, parecendo aliviado, foi em direção de Granger, mas parou abruptamente quando Snape, Harry e Neville se colocaram entre eles, com as varinhas apontadas para o peito do homem. Snape rompeu o silêncio novamente.

"Nunca mais se aproxime dela, Lobo… ou vai ser a última coisa que você vai fazer na vida. Eu disse a Dumbledore que era uma péssima ideia ter você aqui como professor, mas ele nunca me ouve. Anos atrás eu quase fui sua vítima graças aos seus amigos estúpidos. Mas hoje é Granger que é sua vítima. Ela não estaria aqui se você tivesse feito o mínimo e tomado aquela maldita poção!" Snape cuspiu cada palavra, num tom muito mais baixo do que quando aplicava detenções, mas audível o suficiente para fazer todos os presentes estremecerem.

"Hermione… me perdoe..." Lupin disse, esperando que ela falasse alguma coisa.

"Vá embora." sua voz estava embargada, mas firme. Ela só queria que tudo aquilo fosse um sonho, mas a presença de Lupin a lembrava da verdade dolorosa.

Neville deu um passo à frente, com a varinha ainda em punho, e disse em um impulso de coragem: "Você ouviu ela, VÁ EMBORA! Sua conversa não é com ela, é com eles." disse gesticulando para o Dumbledore, Minerva e as outras duas mulheres que ela não conhecia ainda.

"Abaixe a varinha, Neville…" Remus disse rispidamente, com as mãos levantadas e seus olhos com o mesmo brilho dourado que possuía quando estava em sua forma lupina.

"Ele não vai abaixar a varinha dele, meu neto não é um covarde. Ele está defendendo sua amiga, pois ele é corajoso como seus pais!" A mulher mais velha que até então Hermione não conhecia disse com aspereza. Seus olhos fixos em Neville brilhavam de orgulho.

A intervenção da Sra. Longbottom pareceu trazer mais confiança a Neville, era a primeira vez em que sua avó o admirou e o comparou com seus pais. Ciente de que estava no caminho certo ele cerrou mais ainda o punho da varinha.

Os presentes estavam olhando para ele em um misto de choque e admiração. Ele estava enfrentando um professor para proteger Hermione. Ele estava se colocando no caminho porque entendia sua dor. A dor e o medo de ser menos do que nada em um mundo extraordinário. Ele sabia melhor do que ninguém o que era ter medo de não ser aceito. Ele mesmo teve medo de ser um aborto quando criança. A sociedade bruxa era muito cruel com abortos, nascidos trouxas e lobisomens, principalmente os lobisomens…

Vencido, Lupin seguiu os outros quatro até a sala do diretor. Snape, Filch e Sirius foram os últimos adultos a sair, mas antes Snape colocou a mão no ombro de Neville torcendo os lábios no que se poderia chamar de meio sorriso enquanto dizia "Um ponto para a Grifinória, Longbottom. E se um de vocês falarem sobre o que aconteceu aqui hoje… eu me certificarei de fazer de suas vidas um pesadelo que vai fazer com que aquele-que-não-deve-ser-nomeado pareça uma linda princesa de historinhas infantis." Sua ameaça foi como um soco no estômago de todos os alunos. Sem mais nenhuma palavra ele saiu com sua capa esvoaçando atrás de si, sendo seguido por Black, agora em sua forma animaga, e Filch.

Harry, Gina, Neville, os gêmeos e Rony se apressaram para abraçar a amiga. Ficaram muitos minutos agarrados uns aos outros em um abraço coletivo. Nenhuma palavra precisou ser dita. Eles sabiam de sua nova "condição", mesmo assim escolheram permanecer com ela. Naquele momento Mione soube que poderia enfrentar qualquer coisa, contanto que eles jamais saíssem do seu lado.