Disclaimer: Twilight é da Stephenie Meyer. Eu só faço seus personagens terem longas DRs e longas reconciliações.

Obrigada a Dandara. Esse capítulo é dedicado a ela e sua ansiedade.

Aviso NSFW: tem gente pelada nesse capítulo.


Capítulo 5: Largados e Pelados

Na meia hora que Bella ficou sentada no meio de um monte de desconhecidos realmente alterados, Edward não retornou.

Ela sequer poderia chamá-lo para ir embora, pois não atendia o celular. Sentada no cantinho, como a aluna nova que ninguém chamou para brincar no recreio, ela acabou passando o tempo mandando mensagens de "saudades" e "vamos nos ver semana que vem" para seus amigos.

Irina, finalmente liberada por Carmem, que alugava seu ouvido há quase uma hora, veio cambaleando e sentou-se ao seu lado com um sorriso lânguido de bêbada, obrigando-a a fazer espaço para ela.

– Que foi, bonita? – a voz rouca falava uma frase de outros tempos, embora meio arrastada, mas para Bella foi reconfortante ouvi-la.

– Ah, cansada. Dancei muito.

– Eu vi. Tava arrasando, hein. Aliás... Desculpa por Katrina, eu disse que você não parecia a fim de dançar, mas sabe como ela é.

Ela não sabia, mesmo assim sorriu sacudindo a cabeça.

– Imagina, tudo bem. A Kate é divertida.

– Vem cá, vamos tirar uma selfie. – ela sacou o celular, que ao contrário de horas atrás, calculadamente não tinha sido usado para postar em seu Instagram durante a festa. Abraçou a amiga, que lançou um sorriso de lábios fechados sem muito entusiasmo enquanto ela clicava algumas fotos em sequência no iPhone de capa iluminada.

Rapidamente checou as fotos, e Bella fez uma careta e um muxoxo.

– Nossa, eu estou acabada, olha minha cara de cansaço.

– Tá nada. Eu não vou postar, não se preocupe.

A morena aliviou-se, concluindo que talvez essa parte mais selvagem da noite não valesse a pena para Irina compartilhar com seus seguidores. Afinal, ela tinha uma imagem a zelar.

– Com licença. O sorvete? – um garçom apareceu na entrada do camarote.

– É meu! – Irina se levantou, pegando uma grande taça de sorvete de chocolate, puro, sem caldas. Voltou a sentar ao lado dela com um ploft. – Toma, divide comigo.

Bella aceitou a colher que ela ofereceu. Mesmo não estando com muita vontade, sentia que só um pouco de doce daria uma animada em sua atual situação miserável. Era um sorvete artesanal caro, e se possível, melhor ainda do que comeu à tarde no ônibus.

– Você continua viciada em sorvete de chocolate? – perguntou à Nina, que costumava devorar um pote inteiro sozinha em dois dias na faculdade.

– Claro, amiga. Melhor que sexo.

Stefan é tão ruim de cama assim? Bella pensou, mas não disse nada. Depois de um minuto em silêncio com a boca cheia, Irina limpou a garganta.

– Posso te perguntar uma coisa?

– Claro.

– Você tá a fim do Adonis, né?

Bella travou sua mandíbula com o sorvete na boca, e por pouco não fingiu que estava com a língua dormente de novo para ficar calada. No entanto, sentiu que podia ser uma boa hora para desabafar.

– Ai, Nina... É complicado.

– Eu sei, eu sei, se apaixonar por um amigo próximo é um saco, pode estragar tudo, mas eu acho que vocês combinam. Ele parece gostar de você também, podiam dar uma chance.

Ela suspirou.

– O problema é que Edward não é só um amigo.

– Oh-oh, vocês se consideram irmãos? Ih, sinto informar, mas aí é caso perdido.

– Não é isso, é que... Nós somos ex-namorados. Ficamos juntos por quatro anos. Nossa história é antiga.

Foi a vez da russa congelar por um segundo. Arregalou os olhos lentamente como desenho animado.

– Merda! Espera aí que tenho que resolver um negócio. – ela se levantou xingando umas coisas em russo antes de pegar sua bolsa debaixo da bunda do Marcus, que se agarrava com o marido. – Cadê a porra do celular?

– O que foi?!

– Não fique brava comigo, eu juro que achei que vocês eram amigos!

– Irina, você tá me assustando.

Ela sentou-se de volta com o aparelho, digitando com seus dedos bêbados e nervosos palavras ortograficamente ininteligíveis. Enquanto isso, começou a disparar sem pausas.

– Olha, eu achei de verdade que vocês eram só amigos, por isso tive a estúpida ideia de falar das minhas amigas solteiras pra Edward, porque Tanya tinha perguntado se eu não conhecia alguém pra apresentar a ela hoje, e achei uma boa ideia usar isso como isca pra que você se interessasse em vir—

– Irina. – chamou, falando por cima, mas sendo ignorada.

– Mas depois vi o clima de vocês dançando, me arrependi, nem ia dar mais corda nisso. Então Tanya chegou perguntando por ele, eu estava dançando com o pessoal aqui e nem pensei muito, só disse que Edward estava na pista ou pelo bar. Eu devia ter dito pra ela deixá-lo em paz.

– Irina, para. – sacudiu levemente os ombros da amiga, com medo de que ela tivesse um treco ali, pois já não tinha certeza se ela apenas havia ingerido álcool demais ou se também usou algum ilícito. – Respira, tá tudo certo.

– Caralho, eu sou muito burra. Toda hora eu estrago as coisas, me perdoa.

– Tá tudo bem, é sério. – esperava convencer a si mesma. – Edward e eu não temos nada no momento. Estamos separados há dez meses e só nos encontramos por acaso no nosso voo. Ele não me deve explicação sobre a vida amorosa.

– Então vocês não estão numa viagem terapêutica de reconciliação?

– Isso existe?

– Stefan já me levou às Bahamas quando ficamos três meses brigados.

Bella bufou uma risada, achando uma coisa típica que milionários fariam.

– Não, Nina, não é uma viagem de reconciliação. Foi apenas coincidência de estarmos no mesmo lugar, na mesma hora. Não lembra do que eu contei? Nós dois estávamos na Bienal e tal...

Gospodi, então é pior ainda! O destino está querendo que vocês fiquem juntos e eu acabei me metendo.

– Isso é sorvete de chocolate?! – elas foram interrompidas por uma mulher que Bella não conhecia ainda, mas deduziu ser Tanya, entrando no camarote.

E só deduziu pois atrás dela vinha Edward subindo as escadas. Quando avistou sua ex, desviou-se. A dor que Bella sentiu era difícil explicar.

– Irina, é seu, né? Posso pegar um pouco?

O olhar da loira variou entre Bella e Tanya nada discretamente, até que assentiu.

– À vontade...

– Obrigada. – ela sorriu, pegando uma colher que havia sobrado. Sentou-se na poltrona em frente às duas, sorrindo para Bella. – Acho que não fomos apresentadas ainda, você é a amiga que Nina encontrou por acaso, né?

– Sim. Isabella Swan. – a própria respondeu com a voz amarga, vendo Edward de pé no outro canto olhando o celular.

– Sou Tanya Dee, prazer. – ela acenou.

Ela é ex de Edward. – Irina tentou sussurrar mesmo contra o barulho da boate, cobrindo um lado da boca.

Obviamente, pois bêbados não tem noção de nada e elas estavam lado a lado, Bella pôde ouvir tudo. Mas Tanya não, e pediu para repetir.

– Ela disse que eu sou a ex de Edward. – Bella falou alto de uma vez, sem aguentar mais.

Assim que disse, parecia que todos no camarote pararam de falar ao mesmo tempo só para ouvi-la. Sentiu vários olhares. Ela só queria fugir dali.

– Ahh. Certo. Entendi. – o sorriso de Tanya se transformou em um de desconforto. Ela se encolheu visivelmente. – Uau, agora tudo faz sentido.

– Tudo o quê? – perguntou Bella.

– Sabe de uma coisa? Você deveria conversar com o cara ali. – a ruiva largou a colher, pegando Irina pelo braço. – Nina, vem aqui pra gente dar uma palavrinha?

Isabella simplesmente ficou parada olhando o vazio por uns bons segundos. As luzes passando no seu rosto incomodavam seus olhos, o som quase a ensurdecendo e a bendita fumaça artificial irritando seu nariz. Precisava ir embora agora.

Que porra tinha acabado de acontecer ali? E por que Edward ainda não tinha se manifestado? Olhando para o canto, constatou sem surpresa que ele não estava mais lá. Jogou a mochila nas costas, e saiu marchando do camarote em direção à porta da saída.

– Bella! – uma voz que parecia Irina chamou, mas ela não conseguiu fazer seus pés pararem de andar adiante. – Bella, espera!

Um puxão na sua mochila forçou sua parada. Sua amiga jogou-se na sua frente.

– Por favor, não vai embora ainda. Me desculpa, foi uma gafe minha, mas a gente vai resolver isso. Tanya não—

– Tudo bem, você não tem culpa de nada. Foi um erro de comunicação que eu criei, eu não te contei antes, você não tinha como adivinhar. Eu sei que não fez pra me magoar. Olha, eu acho que já vou voltar pra Nea Makri, estou muito cansada. Você sabe se tem ponto de taxi por aqui?

– Felix está à disposição na nossa casa, fica a dez minutos daqui. Vou pedir que ele venha.

– Ah, não, são duas da manhã, não precisa acordar o cara.

– Ele é pago pra isso, Bella. – Irina ergueu o celular na orelha, falando rapidamente antes de desligar. – Ele está vindo.

A morena não hesitou em jogar os braços para envolver a velha amiga num abraço apertado de despedida. Sentiu o peito e a garganta contraídos de emoção quando Irina a abraçou de volta.

– Nina, muito obrigada por hoje, por essa experiência toda. Foi incrível, vou guardar esse dia com muito carinho. – falou em seu ouvido. – Gostei muito de te reencontrar, eu nem sabia que estava com tantas saudades.

– Ai, Bella, assim eu vou chorar no meio da boate, que derrota. – ela fez as duas rirem. – Também estou muito feliz de ter te encontrado lá no Parthenon. Se eu acreditasse, diria que foi coisa dos deuses.

Bella riu.

– Tanta coisa doida já aconteceu nesse fim de semana, que eu estou achando mesmo que tem alguém por aí mandando sinais, viu. – respondeu, alisando as costas dela uma última vez antes de se soltarem. Nina pegou suas mãos.

– Olha, eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas eu acho que deviam conversar e dar mais uma chance. Tá na cara que vocês se gostam muito ainda, o jeito que vocês se olham...

Sacudindo a cabeça, Bella suspirou.

– Sei lá, acho que estraguei tudo de vez agora, ele nem olhou na minha cara mais... Eu o rejeitei mais cedo e ele provavelmente vai levar Tanya pra algum lugar depois daqui.

– Não! Tanya disse que não rolou nada.

– Duvido. Você não viu o jeito que ele me desdenhou quando eles chegaram no camarote.

– Só conversa com ele, tá?

– Tá... – respondeu, derrotada. – Eu vou lá pra fora, preciso pegar um ar. Vou ficar esperando Felix.

– Tudo bem. – Irina a abraçou de novo, mais rápido agora. – Foi muito bom te ver, amiga. Não suma mais.

– Pode deixar. Dê um abraço em Stefan e Kate por mim, diga que me diverti muito.

– Claro.

Todo aquele frenesi de felicidade das pessoas dançando enquanto Bella caminhava entre elas para sair só a deixava mais deprimida. A luz da rua e o silêncio ao ultrapassar a porta foram um alívio brusco de sentidos. Ela inspirou profundamente o ar gelado, atravessando o jardim da entrada, e quando alcançou a muretinha de pedras cercando a propriedade, resolveu sentar.

Além dos carros, só havia dois rapazes do serviço de estacionamento e dois seguranças. Nenhum deu a menor atenção a ela, felizmente.

Sua cabeça estava a mil. Estava puta consigo mesma por ter rejeitado Edward. Mas também estava puta com ele por ter desistido tão facilmente e ido atrás de outra mulher bem na sua frente. Apesar de que estavam separados, e ele não lhe devia nenhuma satisfação, isso era verdade.

O que seria deles agora?

Ela teve quase tudo nas mãos, tudo encaminhadinho para se reconciliarem quando voltassem, e ela havia feito exatamente o que mais temia: se apavorado com a força de seus próprios sentimentos e estragado tudo entre eles.

Inacreditável, Bella, pensou pendendo a cabeça para baixo.

– Inacreditável, Bella! – a voz alta ecoou como se lesse seu pensamento, fazendo-a sobressaltar. Ergueu a cabeça para ver Edward caminhando até ela, a mochila pendendo num lado só. – Você ia embora sem me chamar? Sério?

– Sei lá, achei que não iria querer vir. Ouvi dizer que fez uma nova amiga.

Ele abriu a boca. Se antes estava magoado pela rejeição, agora triplicava. Fincou os pés na frente dela, exalando irritação.

– Para. – ordenou.

– Parar com quê?

– Com seu cinismo a essa altura do campeonato. – sua voz tão dura e honesta fez a morena desviar os olhos, envergonhada pelo próprio comportamento.

– Desculpa, mas o que eu ia fazer? Você sumiu, não atendia o celular.

– Eu não sumi, fui fumar um cigarro e tentar me acalmar um pouco. Você que não me procurou.

– Eu não quis, está bem? Queria ficar sozinha.

Por instantes, ele fitou seu rosto em busca de respostas para as mil perguntas que rodavam e entonteciam sua mente. Não achou nenhuma, então inquiriu apenas o que estava na ponta da língua.

– Por que continua fugindo de mim?

– Não estou fugindo. – ela esbravejou, embora fosse uma mentira deslavada.

– O que você fez há uma hora na pista de dança? E o que fez agora? Isso é fugir. Talvez não seja definido assim nos seus dicionários, Professora, mas na vida real isso é fugir.

– Edward. – ela decidiu falar a verdade. – Você estava ciente de que eu precisava de espaço, e aí acabou fazendo exatamente o oposto do nosso combinado. Como eu deveria reagir?

– Você está dizendo como se eu tivesse forçado algo. Você me deu permissão pra ficar e dançar, a gente estava se divertindo. Eu só tentei te beijar porque eu senti que você queria. Ou estou doido?

– Queria. Até o momento que ficou muito intenso e eu não quis mais. Eu tenho esse direito.

Ele ficava exponencialmente mais nervoso a cada palavra dela, porém não sabia mais como rebater. Sentou-se pesadamente na mureta com uma considerável distância de sua ex, suas longas pernas esticadas à frente contrapondo as dela, recolhidas para cima.

– Eu só não estou conseguindo entender o que você está fazendo, Bella.

– Bom, então estamos quites, porque eu também não entendi o que você fez.

– Fiz o quê?

– Realmente precisava ter me largado lá no camarote pra ir atrás daquela Tanya?

Bufando uma risada de escárnio, Edward se virou para ela, sacudindo a cabeça.

– Qual é a graça? – Bella queria socar a cara dele.

– Você é realmente inacreditável.

– Eu?

– E daí se eu tivesse ido atrás dela? Tem algum acordo verbal entre a gente ditando que não podemos ficar com outras pessoas? Porque se bem me lembro, já tem uns dez meses que não. Aliás, acho que hoje você deixou bem claro que eu não passo de um amigo, até me apresentou assim pras pessoas.

– Agora quem está sendo cínico é você e eu não vou cair nessa.

– Eu tenho esse direito. – ele imitou das palavras dela. – Olha, eu não devia te dizer o que rolou depois que você me rejeitou, mas vou dizer... Eu não fui atrás de ninguém, ela que me encontrou na porra do bar. E assim como você precisa ficar sozinha às vezes, eu também precisava ficar longe de você naquela hora.

– A diferença é que eu nunca ficaria com outra pessoa se você estivesse no mesmo recinto. – ela rebateu, a voz laçada por fel.

Edward viu uma lágrima escorrendo pelo perfil da bochecha dela e seu esforço para não chorar completamente.

Ele odiava isso. Ele odiava toda essa merda que estava acontecendo, e fazer Bella chorar sempre o deixava mal e culpado. Sacudiu a cabeça, buscando se tranquilizar ao inspirar profundamente.

– Ela veio com tudo pra cima de mim—

– Me poupe de detalhes, Edward, não preciso dessa humilhação.

– Mas eu quero falar. Preciso.

Quando ia começar a contar o que realmente tinha acontecido nos quarenta minutos que ficaram separados hoje, o motorista chegou. Levantaram-se limpando a poeira de seus traseiros. Bella foi a primeira a entrar no lado direito atrás; Edward deliberou se sentaria na frente, mas decidiu por ficar ao lado esquerdo dela.

– Boa noite, senhores. – Felix sorriu pelo retrovisor.

– Boa noite, Felix. – eles resmungaram colocando os cintos de segurança e suas mochilas no banco do meio como uma trincheira.

– Se divertiram? Essa boate é incrível, não?

– Nos divertimos muito, obrigada. – Bella tentou sorrir. – Você sabe chegar a Nea Makri, certo?

– Claro, senhorita, só preciso de coordenadas quando estivermos na cidade para chegar ao hotel.

– Tudo bem. Podemos ir, por favor.

Ele assentiu dando a partida. O carro foi salvo de um silêncio sepulcral e constrangedor graças ao rádio que tocava jazz baixinho. Bella tinha nas mãos o celular, onde jogava Palavras com Amigos novamente para se distrair. Edward resolveu voltar a falar antes que perdesse a coragem.

– Ela se apresentou falando que era amiga de Irina, e que era cantora. – disse numa voz baixa e mais controlada. Bella apenas sacudiu a cabeça, olhando para seu jogo, sem dar a menor confiança. – De repente, entramos num papo sobre música, Tanya perguntou se eu conhecia algumas pessoas da indústria... Eu falei mais sobre mim e o meu trabalho, e aí ela insistiu em me passar o contato de uns amigos de teatro musical na Inglaterra.

– Quanta generosidade. – disse ela em tom de deboche.

Edward continuou.

– Tanya me deu mole o tempo todo, eu percebi porque não sou idiota. Mas eu não beijei, não peguei telefone dela, nada. Acabou que eu só dei abertura pra ela se aproximar porque eu estava puto da vida, com raiva mesmo, querendo esquecer você... Mas nada que ela dissesse me fazia parar de pensar no que tinha acontecido entre nós lá na pista... Nada aconteceu. Entendeu?

– Ok. Obrigada pela informação. – ela falou secamente, embora um pouco aliviada, pois batia com o que Irina tinha dito sobre os dois.

– Tudo não passou de um flerte bobo que foi bem maior da parte dela. A única coisa que eu tirei desse encontro foram contatos profissionais.

– Que bom pra você. Mas como você disse, não precisava me contar mesmo. Você não me deve satisfação.

Já bem treinado, Felix reparou o clima lá atrás e discretamente subiu a divisória de vidro fumê que seu chefe havia colocado para isolar os bancos traseiros, aumentando o volume da rádio nos alto-falantes da frente. Não era pago para ouvir nada que não fosse de seu interesse, essa era uma ordem expressa.

Os dois lá de trás repararam, mas nada disseram.

– Eu só estou te falando isso pra que você saiba que eu não sou esse tipo de cara, não sou um babaca. Nunca ficaria desfilando com alguém na sua frente só pra te magoar...

Bella suspirou e calou-se. Digerindo aquilo por mais tempo que o necessário, só agora se dava conta do quanto tinha ficado mexida de verdade pela possibilidade de Edward estar com outra pessoa.

Era bem mais fácil aguentar a ideia quando ele estava longe de suas vistas. Estando tão perto, doía demais. Ela havia evitado seu ex em sua vida social esse ano por um motivo, e essa viagem tinha arruinado sua resolução de tantos meses.

– Fala logo o que você tá pensando. Por favor. – ele pediu.

– Não tenho nada pra dizer. – se dissesse, iria chorar, e ela não estava nada a fim de perder a compostura agora.

– Por que você tá agindo assim? Para de se esconder de mim. Para com essas respostas atravessadas.

– Eu estou magoada, não consigo evitar.

O rapaz deixou a cabeça bater no encosto do banco, passando uma mão pelo rosto e cabelos, exasperado.

– Eu só não consigo te entender, Isabella. Eu vim até aqui por você. Eu aceitei aquelas benditas regras que você impôs porque entendo suas inseguranças, mas agora à noite, foi como se você tivesse passado uma borracha em tudo, quebrando compromissos, se comportando de um jeito que eu não consigo processar até agora. A gente tinha planos, e eu mudei os meus só pra ficarmos juntos porque você queria vir com seus amig—

– Espera aí, você veio porque quis, nem venha jogar isso na minha cara. Não estamos grudados, você podia ter pego o ônibus de volta quando Irina me encontrou.

– Tudo bem, eu podia. Mas nós tínhamos combinado de passear juntos hoje, eu não queria te deixar... Porra, Bella, eu não mereço o jeito que está me tratando desde o jantar em Atenas. Não te acompanhei esperando algo em troca, só que o mínimo que esperava era o seu respeito.

– E quando eu te faltei com o respeito, meu Deus?

– Bom, pra começar, a sua arrogância quando eu te alertei sobre a bebida, como você havia me pedido. Fez desfeita como se eu estivesse errado. E depois, ficou zombando quando pedi que não fôssemos à outra festa. – ele cuidadosamente deixou de fora a palavra iate. – Coisa que também fiz pensando no seu bem.

– Edward, se eu escolhi beber uma taça de champanhe é porque eu estava ciente e sabia que podia me policiar. Me desculpa por ter te ofendido no jantar, mas eu só estava tentando aproveitar cem por cento daquela experiência, enquanto você estava sendo um chato rabugento. Você tinha me incentivado a me divertir fora dos planos, e do nada seu humor mudou. Eu perdi a paciência!

– Claro que eu estava chato! Aquele... – ele se refreou para não mencionar o nome de Stefan Vlasak, e falou mais baixo. – Aquele cara esquisitíssimo dando em cima de você com a mulher do lado, como você acha que eu ficaria?

– Não acredito que você estava com ciúmes. Se era só isso, não precisava ter inventado toda aquela teoria maluca sobre ele. Muito criativo mesmo, parabéns.

– Eu não retiro nada do que disse, ainda acho tudo isso sim. E nem me venha falar de ciúmes, você. Eu não sei mais o que fazer com você e esse seu chove-não-molha.

Ela largou o celular, que já nem mais prestava atenção, para virar o rosto e encará-lo.

– Do que está falando?

– Você sabe muito bem, não se faça de sonsa.

– Sobre eu ter tido ciúmes quando me largou na festa pra quase ficar com outra? Senti sim, não nego. Você sabe que eu estou tentando mudar esse meu defeito.

– Não estou falando disso, estou falando dos seus joguinhos infantis.

Ela cruzou os braços.

– Que joguinhos?

– O que você tem feito o dia todo! Primeiro, me implora pra que a gente mantenha distância física; eu aceito. Aceito até ser apresentado como apenas seu amigo e nada mais. Daí horas depois, a gente está se curtindo e quando eu tento te beijar, você se retrai e foge. Tudo bem, eu aceito a rejeição, você não me deve caralho de beijo nenhum. Mas aí, minutos mais tarde, você vem fazer ceninha de ciúmes quando eu apareço com outra mulher. – ele virou-se para completar a fala. – Me diz, como eu posso ficar bem com uma coisa dessas? Estou pirando com essas contradições suas.

– Você acha que eu fiz de propósito, Edward? Não! Tudo pra mim foi difícil também... Às vezes eu apenas não sei como reagir. Por isso que eu pedi um tempo pra gente conversar quando estivéssemos em casa, no nosso dia a dia e sem distrações eufóricas, pra eu poder processar as coisas direito.

– Eu sei que você falou isso e eu também aceitei numa boa. Mas suas palavras dizem uma coisa, e suas atitudes outra... Eu preferia que você tivesse se recusado a vir comigo, se era pra ficar assim, me atiçando e depois me descartando, demonstrando interesse e depois se fechando. Você está brincando com meus sentimentos.

– Eu não estou.

– Está!

A afirmação dele pareceu pairar no ar por longos segundos.

Foi a vez de Bella observar o perfil transtornado de Edward, que não tirava os olhos da estrada ao lado. A dor que viu nele era a sua própria. Como eles tinham chegado a esse ponto num fim de semana que tinha tudo para ser o melhor de suas vidas até hoje?

Porém essa briga não era como a de meses atrás. Dessa vez, ela sentia ser a única que estava errada. Admitir isso seria um ato de maturidade emocional que ela tanto buscava, e por isso tentou refletir sobre as acusações.

Era apavorante e lhe custou muito pensar sobre seus erros, mas não foi difícil para Bella perceber claramente que ele estava certo. Ela tinha brincado com o coração dele mesmo sem querer, sem medir consequências.

– Eu queria muito que nossa história desse certo a partir desse fim de semana. – ele continuou, chamando atenção dela. – Mas agora...

– Agora...?

– Agora eu já não sei. Você é uma incógnita pra mim, eu não entendo o que você quer. E eu acho que nem mesmo você sabe o que quer.

A última frase não caiu bem nos ouvidos dela.

Não caiu bem simplesmente porque não era a verdade. Estava longe de ser. Bella sabia o que queria, sempre soube.

Desde que se separaram e ela ficou um mês depressiva na casa nova. Desde que tinha feito a pastinha no celular de coisas que eram a cara dele, com a esperança de um dia enviá-la. Desde que o reencontrou naquele avião e ele segurou sua mão no pouso de emergência, o tempo todo mostrando seu cuidado e carinho.

Edward.

Era só o que ela queria e quis o tempo inteiro.

Negar esse fato estava sendo exaustivo demais, e ela sentia ter chegado no ponto de cisão da sua tentativa de não se envolver com ele antes de se resolverem. Havia forçado a barra até onde dava, mas agora ela explodia. Não havia mais volta. Daqui, só poderia seguir ao próximo passo.

E foi isso que decidiu fazer.

– Não é verdade. Eu sei o que eu quero. – disse com uma firmeza na voz forasteira numa situação como essa. A certeza e a coragem da sua declaração eram o combustível acelerando seu peito naquele momento.

Ele a encarou, olhos queimando nos dela. Implorando. Esperançoso.

– Sabe?

– Sim.

– Então você precisa me dizer logo antes que eu saia de uma vez da sua vida, antes que eu siga em frente.

Bella nunca pensou que fosse possível sentir algo assim, mas o que acontecia nesse momento era bastante real. A ameaça de perdê-lo para sempre começou a acordar todos os seus sentidos, e de repente, um impulso surgiu com força dentro dela.

Precisava agir. E logo.

– Eu não posso mais– Edward voltou a dizer e não pôde terminar porque um vulto lançou-se na sua frente, o esmagando contra o carro e capturando sua boca com voracidade.

Lábios. Macios. Bella.

Sua ficha demorou um pouco a cair, mas finalmente senti-la em seu corpo o fez despertar do impacto. Nem sabia como ela tirou o cinto e ultrapassou as mochilas com tanta rapidez, agora só o que importava é que ela estava ali e o consumia por inteiro.

Ele achou um jeito de fazê-la sentar em seu colo no pouco espaço do carro para devolver o beijo com vontade igual, logo oferecendo sua língua.

O beijo de frenético tornou-se profundo, roubando-lhes o fôlego, e em poucos minutos, Edward puxou o cabelo dela levemente para poder encará-la e respirar um pouco.

– Eu quero você. – ela sussurrou esbaforida quase sobre sua boca.

– Eu também quero você. Pra caralho, você nem imagina... – o rapaz respondeu, decidido a abrir seu coração.

No entanto, Bella não queria saber disso. Tinha pressa.

Calou Edward arrastando os lábios pela bochecha, maxilar e pescoço dele, mordiscando e finalmente provando daquela pele livre de barba depois de tantos anos, seus dedos entranhados no cabelo curto que também era novidade. O pequeno gemido que ele soltou em seu ouvido foi um gatilho para o fogo em seu sexo.

Sentiu a bunda sendo apertada, e sorriu pelo tanto que sentia falta daquilo. Esticou-se para tirar o cardigã que já lhe dava calor, antes de voltar a beijá-lo na boca, ondulando os quadris sobre ele. As mãos dele vagando – enfim livres – pela bunda, costas, peitos dela. Não sabiam onde parar. Nem queriam parar.

Mas precisavam, pois o solavanco de um buraco na estrada os fez lembrar de onde estavam.

– Ai, caralho. – Bella soltou ao bater a cabeça no teto. Edward franziu a cara e começou a alisar onde ela tinha batido para amenizar a dor.

– Acho melhor a gente parar, né?

– Acho que não. – ela o contrariou, avançando de novo, mas ele a afastou.

– Vamos parar. A não ser que você esteja pronta pra trepar no carro da sua amiga com plateia ouvinte lá na frente.

Bella travou. Seu cérebro tinha ido dar um passeio já há alguns minutos, e outra parte do corpo fazia as escolhas agora. Sua calcinha inundada sussurrava que aquela não era uma má ideia.

Edward percebeu que ela estava considerando seriamente o que ele disse.

– Porra, eu tava brincando... Você quer mesmo?

– Bem...

Ele riu de leve.

– Eu amo como você fica selvagem quando tá com tesão. – ele tascou um beijo surpresa, antes de tentar tirá-la de seu colo com muito sacrifício para ambos. – Mas não vamos exagerar, estamos numa estrada, é perigoso... Senta, já deve estar chegando.

Com um gemido de protesto, ela se desvencilhou do seu corpo deixando mais alguns beijinhos. Sentou-se injuriada, e vestiu de volta o cardigã antes de botar o cinto. Preferiram sentar afastados em nome de sua segurança.

– Estamos a dez minutos da cidade. – declarou Edward após olhar no Google Maps, três carregados minutos depois de Bella, infelizmente, ter saído de seu colo. Ambos tentavam conter-se, porém a informação só aumentou sua ansiedade.

A morena começou a se inquietar.

Dez minutos passavam rápido. Menos quando você estava mais excitada do que nunca para um sexo de reconciliação, a adrenalina de uma grande decisão correndo nas veias e o cara dos seus sonhos prontinho ao lado com um volume delicioso nas calças.

Felizmente, para sua distração, Edward ofereceu sua mão e Bella aceitou, entrelaçando seus dedos sobre as mochilas que continuavam entre eles.

Ele não conseguia deixar de olhar para aquela mulher, sempre tão expressiva em suas palavras mas ultimamente tão difícil de ser desvendada. Como ela havia conseguido levá-lo do inferno ao céu em poucos minutos? O que se passava naquela cabeça?

– Você me perdoa por hoje? – Bella pediu, a voz pequena em comparação ao imenso sentimento por trás da fala.

– Você sabe onde errou, não sabe?

– Sim. – ela confirmou também com a cabeça.

– E vai tentar não repetir essas coisas?

– Vou. Eu realmente quero melhorar.

– Então está perdoada.

Ela assentiu, respirando mais aliviada. Edward fazia círculos na palma de sua mão.

– Eu não fiz de propósito mesmo, sabe... – ela confessou. – Aquilo de brincar com seus sentimentos. Eu fui egoísta, só agi pensando em mim e nos meus dramas, nem levei em conta como tudo isso poderia te afetar.

– Bom, talvez eu devesse ter deixado mais claro o quanto eu estava mexido com você por perto. Às vezes deixar subentendido é pior, e flertar o tempo todo não é suficiente.

– Não, você deixou bem claro, eu é que preferi ignorar por conta do medo.

– Com licença, senhores. – A voz surgiu do nada, fazendo ambos sobressaltarem. Felix falava nos alto-falantes do carro. – Acabamos de entrar na cidade, preciso de coordenadas para chegar ao hotel.

Bella arregalou-se antes de sussurrar:

– Será que ele ouviu tudo o que rolou aqui?

– Acho que não, ele subiu a divisória porque deve ser treinado a não ouvir, né? – o rapaz respondeu, se esticando para bater no vidro, que logo foi aberto.

Ele explicou o endereço, e cinco minutos depois chegaram à pousada. Já era quase três da manhã. Agradeceram ao motorista rapidamente e saíram do carro, lado a lado, para entrar na recepção toda escura.

O silêncio estava pesado. O clima de tensão pós-briga-agora-sexual do carro ainda não havia se dissipado. Na verdade, até parecia ter multiplicado.

Bella não aguentou, acabou puxando Edward para beijá-lo ao pé da escada, e foram assim – meio se agarrando, meio olhando onde andavam – até chegar na porta dela.

Ela se aproveitou para imprensá-lo contra a parede. Tinha esquecido do quanto amava apenas beijá-lo, porque ele era ótimo nisso. Bem, na verdade, ele era ótimo em praticamente tudo, o que tornava o sexo mais fácil e divertido.

Edward sempre achou que ela era sua melhor parceira sexual justamente por ser tão entregue e receptiva ao que ele fazia, e tão ativa para retribuir. Sintonizados no desejo um do outro, se entendiam mesmo sem uma palavra, e agora aquilo se manifestava, nem parecia que dez meses haviam se passado.

A vontade de montar nele, como mais cedo, aumentou tanto, que Bella estava a ponto de tirar as roupas ali mesmo. De alguma forma, Edward conseguiu pegar a chave, abrindo e empurrando ambos para dentro do quarto antes de trancar.

A luz do abajur tinha sido esquecida acesa, o que acabou sendo perfeito para o momento, e ela só precisou apertar o interruptor do aquecedor.

Depois das mochilas, o cardigã rosa foi parar no chão primeiro, seguido pela jaqueta e camiseta de Edward e os sapatos e meias de ambos. A moça não perdeu tempo em arrancar o jeans apertado, erguendo os braços quando ele puxou sua blusa, deixando-a só de sutiã e calcinha.

O conjunto de algodão preto não era nada especial, mas ao menos não tinha furos. Não que Edward se importasse. Quando moravam juntos, ele já tinha deixado claro que a desejava mesmo que estivesse de moletom furado ou sem depilação perfeita. Ele não tinha frescuras; e esse era só mais um ponto onde ele era o par ideal para Bella.

Foram mais dois minutos de amassos pesados, antes que Edward conseguisse ter um flash de sanidade para desacelerar um pouco. O que iria acontecer daqui para frente era grande demais e poderia ser decisivo para o futuro deles.

– Bella. Para um pouco.

Ela descia beijos pelo peitoral dele, e só parou ao ser afastada, recolhendo a mão que já adentrava a cueca. Encostou-se na parede para se olharem resfolegando, totalmente inebriados pela excitação acumulada de meses.

– Quê?

– Agora é tudo ou nada. – ele segurou seu rosto delicadamente. – Não quero que esteja fazendo isso porque se sentiu pressionada pelas coisas que eu falei. Pensa um pouco, você quer mesmo? Eu posso parar por aqui se não quiser.

– Eu quero. – ela pegou a mão dele e guiou ao meio de suas pernas para mostrar o tecido úmido. Edward gemeu um palavrão ao sentir, sua mão grande cobrindo tudo e apalpando uma vez antes de se afastar novamente, apoiando-se na parede atrás dela.

– Tem certeza que não vai se arrepender disso amanhã? Porque eu não vou aguentar se você se arrepender...

Bella molhou os lábios sentindo o gosto dele, tentando focar e dizer tudo que tinha pensado naquele minuto de resolução antes de atacá-lo no carro. Tarefa hercúlea nesse momento.

– A única certeza que eu tenho é que eu quero você. Se é certo ou não a gente transar agora, eu já não sei. Eu queria esperar e conversar melhor, mas... Na verdade, eu não me importo mais, eu vou lidar com isso depois, foda-se, eu tenho que aprender a ser mais impulsiva... Você vai se arrepender?

– Nem um pouco.

– Então vem. – ela o puxou pelo cós da calça aberta, cruzando o quarto até parar em frente a cômoda, onde estava sua nécessaire.

Enquanto procurava pelo pacote de camisinhas que sempre levava nas viagens, Edward beijava seu pescoço, nuca, ombro e, puta merda, arranhava o couro cabeludo segurando seus cabelos para cima, como ele sabia que ela adorava.

Uma mão manipulou um seio, antes de escorregar pela calcinha, arrancando um gemido surpreso dela quando ele começou a circular lentamente em seu clitóris.

Ela tentou não interromper a busca, mas estava complicado não se mover. Seu corpo amolecendo com todas as sensações em conjunto.

– O que está procurando? – ele perguntou olhando pelo espelho da cômoda à frente.

– Camisinha... – disse e achou em seguida, porém não ousou se virar. Não quando ele estava mexendo com todos os nervos da sua pele e deixando seus pelos eriçados daquele jeito.

Edward puxou as taças do sutiã para baixo, se entortando para alcançar o mamilo com sua boca na trilha de beijos que fazia por sua lateral. Bella tentava se segurar com as mãos na cômoda, o pescoço virado dando-lhe acesso.

– Abre o olho. – ele pediu, e ela obedeceu.

Suas pernas enfraqueceram com a visão erótica refletida no espelho. Os seios de fora empinados pelo sutiã enrolado abaixo e a mão dele mexendo dentro de sua calcinha enquanto a língua lambia um mamilo.

Gostavam de fazer isso às vezes, se assistir. Tinham feito até alguns vídeos – todos já deletados do computador dela quando brigaram – e agora estavam tendo um bom lembrete desse pequeno fetiche que compartilhavam.

– Eu queria fazer isso desde que ficou me provocando enquanto dançava. – Edward falou dando leves beliscadas no mamilo esquerdo. – Você sentiu como eu estava duro, foi por isso que ficou se esfregando em mim, né?

Bella não disse nada. Sabia que era uma pergunta retórica. Mesmo assim, balançou a cabeça para confirmar as suspeitas dele, seus olhos grudados no reflexo.

– Tsc tsc, com aquela Katrina lá na nossa frente, Isabella... – ele aumentou a velocidade da mão massageando seu clitóris. – Eu sei que ela queria te foder. Eu vi ela te agarrando.

– Ela queria nós dois juntos.

– Hmm. Não sei se conseguiria dividir você, mas parece que você queria que ela assistisse a gente.

– Tinha esquecido como você é bom nisso. Continua. – Bella pediu gemendo.

Ele sorriu, sabendo muito bem que ela se referia às palavras murmuradas em seu ouvido.

É claro que sua ex-namorada amava ouvir sacanagem. Ele sabia desde que descobriu seus livros eróticos escondidos no quarto. Era coisa pesadíssima, até ele ficou meio impactado.

Bella ficou doida quando Edward testou da primeira vez. Ele tinha sido o único cara até hoje que sabia falar do jeito certo, na hora certa, sem provocar risos, e ele nunca mais parou de usar a tática quando queria apimentar as coisas.

– Você quer ficar aqui? Eu te fodendo por trás enquanto você assiste pelo espelho... Katrina não tá aqui, mas a cortina tá aberta, talvez alguém veja do jardim. – Bella gemeu sentindo o primeiro orgasmo chegando com força, e ele não parou de mover os dedos e falar. – Depois eu te boto na cômoda pra chupar essa buceta que estou morrendo de saudades, todo mundo lá embaixo vai ver você gozando na minha boca. Quer?

– Edward. – ela chamou antes de enfim se soltar no clímax. Seu corpo pesou para trás, e o rapaz deixou que caíssem juntos na cama.

Ela ficou deitada inerte por alguns instantes no colo dele, recuperando-se. O rapaz, que assistia sentado, acariciou o rosto dela até descer ao meio da barriga.

– Eu quase esqueci como você fica toda vermelhinha. Linda.

Bella sentiu um nó na garganta tão incômodo, que a fez desviar de seu olhar. Como ele podia sair da putaria para a ternura em um segundo? Como algo tão simples podia mexer tanto com seu coração?

Mais uma vez, sentia-se engolida pelos sentimentos intensos. Aproveitando de sua onda de coragem, decidiu não deixar a velha sensação que quase os levou à ruína mais cedo tomar conta. Tratou logo de voltar a si, puxando o rosto dele para beijá-lo como agradecimento.

Edward reparou sua ligeira mudança de humor e não disse nada. Tampouco tinha se arrependido do que falou. Já fazia um tempo que decidira não reprimir sentimentos, e o que queria demonstrar a ela hoje vinha lá de dentro, era puro.

Bella largou seus lábios para sentar-se tentando puxar o jeans que ele ainda vestia, e felizmente o rapaz logo levantou e o descartou. Quando o viu só de cueca indo pegar o pacote de camisinha na cômoda, ela soltou um choramingo. Ele voltou preocupado.

– Que foi?

– Você tá muito gostoso, que inferno!

Edward gargalhou vendo o bico que ela fazia, se aproximando dela na borda da cama.

– Isso é ruim?

– Claro, agora serei obrigada a ficar gostosa também. Você tá indo pra academia além da yoga?

– Primeiro, quem disse que você já não é gostosa pra cacete? – ele se inclinou para apertar sua bunda, finalizando com um tapa. Bella mordeu o lábio suprimindo um gritinho, abraçando-o pela cintura para pegar na bunda dele também. – E segundo, não, só tenho treinado mais abdominais depois da yoga.

– Homens. Conseguem tudo tão fácil. Até ficar sarado. – ela suspirou sua revolta, ao mesmo tempo que começava a subir as mãos pelas costas dele, e beijar sua barriga agora com gominhos discretos.

Claro que iria sentir saudades da barriguinha saliente para se apoiar, mas ainda era macia e cheirosa, e Edward estava mais gostoso do que nunca. Combinação impossível de ser ruim.

Ela deslizou os lábios sem pressa. Remarcando seu território. Redescobrindo.

Arranhou levemente o peitoral, descendo pelos braços até chegar em suas coxas firmes. Havia novas tatuagens pelo caminho, além da Nuda Veritas no antebraço, mas examinaria melhor depois. Passou a língua no umbigo e nos oblíquos, adorando a novidade daquele V saliente. Deu uma mordida. Edward se contraiu todo, e ela talvez tenha achado sua nova parte preferida do corpo dele.

Por cima do tecido cinza, Bella beijou a ereção que tinha ignorado até agora. O rapaz quase saiu do corpo. Nem ele esperava estar tão sensível assim, mas dez meses de separação e um fim de semana de frustração sexual não eram brincadeira.

Ela finalmente puxou a cueca para baixo até ele chutá-la, e fitou seus olhos sorrindo.

– Acho melhor você sentar. – avisou mostrando o lugar, e ele se inclinou para beijá-la.

Desarrumou a cama, ajeitando travesseiros na cabeceira antes de sentar meio de lado com uma perna na cama e a outra no chão, enquanto Bella tirava o restante das roupas. Ela sentou-se nua sobre os joelhos na frente dele com calma.

Tinham desacelerado da loucura que foi a pegação no carro e na porta do quarto, e era exatamente o que queriam. Aproveitar esse momento especial e único.

Ela se divertiu ao subir as coxas dele com a boca. Mordiscava aqui e ali, adorando ver que ele se contorcia e cravava as unhas na cama.

– Não me tortura muito, tá? – ele implorou, a voz presa. Teve como resposta um olhar provocador, mas logo sentiu a língua dela passando em sua extensão. Edward jogou a cabeça para trás de alívio.

Bella não enrolou mais, e o colocou para dentro de sua boca, sugando com força na ponta antes de descer e voltar. Com as mãos, manipulava suas bolas e o resto que não cabia na boca, e assim encontrou um bom ritmo. Às vezes alternava a posição, a mão ia bombear o membro enquanto chupava a base. Sabia que ele ficaria louco em pouco tempo, e não deu outra.

Edward soltava pequenos gemidos e xingava baixinho, a respiração ofegante aumentando. Ela acelerou o ritmo de sua boca, rodeando a língua quando chegava à cabeça e o apertando na sucção até o rapaz ter que pedir para parar.

– Tá bom, chega. Toma. – ele quase empurrou a camisinha na cara dela.

– Por quê? – ela o largou por um segundo antes de voltar.

– Ah, caralho... Porque... Estou na seca há um tempo... E eu quero gozar dentro de você, e com você.

Bella ouviu aquilo e gemeu de boca cheia, doida para se tocar. Mas não queria largar ainda. Não tinha como negar ou se fazer de pudica, depois de tanto tempo, queria se deleitar com o pau que também fez falta em sua vida.

Chupou só por mais alguns instantes, enquanto o pobre rapaz se concentrava em não acabar com a brincadeira antes da hora. Já fazia tempo demais, e ele sentia saudades de tudo.

Da pele dela, da voz em seu ouvido, do seu cheiro e principalmente, da expressão que ela fazia quando ele adentrava seu corpo pela primeira vez.

– Deita. – ela pediu, finalmente tirando a boca e colocando o preservativo.

Nem deu tempo para o rapaz pensar, já foi logo subindo em cima dele e guiando-o ao seu interior. Edward entrelaçou suas mãos, ajudando-a a sentar devagar.

E ali estava, aquela mesma cara ele amava: a boca entreaberta e os olhos girando para cima, fazendo força para não fecharem. Ele franzia o rosto pelo próprio esforço que era senti-la tão quente envolvendo-o, sem tirar os olhos dela. Ambos gemeram.

Bella começou a mover os quadris, ditando o ritmo que desejava apoiada no peitoral dele. As mãos de Edward traçavam todo seu corpo, subindo e descendo pelo seu pescoço até parar nos seios. Ficou ali brincando um pouco, morrendo de vontade de tê-los na boca.

Ela cavalgou durante o tempo que quis, às vezes rebolando na descida, arrastando o clitóris no baixo ventre dele, que subia ligeiramente num ângulo perfeito. O rapaz a deixou livre e só conseguia pensar em como era sortudo pois finalmente estava compartilhando aquele prazer com a mulher de sua vida.

Não diziam mais nada. Agora seus olhares e corpos falavam por eles, o som preenchia o ambiente.

Bella não esqueceu que a cortina continuava aberta, e pensar que podia mesmo ter alguém os olhando só deixava mais excitada. Estava surpresa consigo mesma, nunca tinha fantasiado sobre isso em específico, depois refletiria mais a respeito.

No momento, estava apenas focada em sentir tudo o que ela e Edward criavam quando estavam pelados juntos. E era lindo e incrível.

– Vem cá que eu estou salivando já. – ele pediu apertando os mamilos dela e sentou-se um pouco. Bella foi para frente, oferecendo-os sem parar de sentar nele, os braços em seus ombros. Edward variava entre chupar seus peitos e subir beijos de boca aberta para o pescoço dela.

A posição não durou muito, e logo ele deitou Bella para trás, cobrindo-a e elevando uma perna. Jamais esteve tão grato pela yoga e a flexibilidade dela. Penetrou-a de uma vez, bombeando com maior profundidade e força. Seus olhos se fecharam por um momento para sentir, porém não conseguia mantê-los fechados. Necessitava ver aquele rosto precioso.

– Pensei nisso o tempo todo. – acabou confessando num sussurro sem fôlego, a testa quase encostada na dela.

– Eu também. – Bella disse, a voz já enrouquecida. Sua mão escorregou entre eles para estimular seu clitóris mesmo sem muito espaço, de tão grudados que ficavam quando seus quadris se encontravam. Ele sentiu o que ela fazia e não segurou seu gemido.

Começou a estocar do jeito que ela gostava, indo até o fundo e saindo só um pouco, rebolando para estimular sua entrada e todos os nervos dali. Edward tinha aprendido bem depois de ficarem um domingo inteiro testando quais pontos ela mais sentia prazer. Foi a lição mais gostosa de aprender, e ele não via a hora de repetir.

– Edward! – a morena berrou seu nome, sentindo todo seu sexo pegar fogo, perto do ápice.

– Tá perto?

– Uhum. Continua assim.

A morena sentia os choques vindo do centro, arrepiando seus pelos e mamilos. Dessa vez, sentia até a cabeça e esperava que a sensação durasse eternamente. Edward percebeu o interior dela se apertando em seu pau, mas permaneceu na mesma velocidade.

Os seios de Bella roçavam em seu peito, enquanto ela beijava, chupava e lambia onde a boca alcançava. A mão livre começou a arranhar suas costas e couro cabeludo, fazendo o rapaz experimentar o máximo de sensações ao mesmo tempo.

Quando ela capturou seus lábios, ele deixou-se levar pelo instinto, penetrando fundo e rápido o quanto queria. Soltou a perna dela, e logo a sentiu enroscando sua cintura, Bella mexia-se de encontro a ele.

O prazer veio com força suficiente para contorcê-la, agitando-se sob o corpo pesado dele, e o levando junto. Os gemidos altos dos orgasmos começaram dentro do beijo antes de escapulirem ao mundo.

Demorou, mas aos poucos, foram parando e descendo daquela maravilhosa onda juntos.

Não era sempre que conseguiam gozar ao mesmo tempo, mas hoje parecia que as estrelas tinham se alinhado. Certamente seria uma das noites mais memoráveis de suas vidas, por mais de uma razão.

Foi difícil não deixar o peso cair sobre ela, mas ali ficaram, sentindo a conexão por um minuto cheio. Aproveitavam e curtiam todas as saudades que sentiam no corpo do outro.

Edward enfim saiu devagar, segurando a camisinha para não escapar (um acidente a essa altura era a última coisa que precisavam), e caiu para o lado.

Ambos resfolegavam, mas Bella ainda tremia um pouco e sua mente estava em outra dimensão. Quase como uma boneca, ele a puxou, colocando-a grudada em sua lateral, um braço sob a cabeça e outro abraçando-a.

Ela só voltou ao presente sentindo outro corpo suado e quente, e o abraçou de volta.

– Puta merda, que saudade eu estava disso. – suspirou.

– Eu também, amor. – ele falou ao seu lado no colchão.

Sua última palavra escapou, ecoando no quarto agora silencioso. Sabia que talvez fosse cedo para voltar a usar esses termos, mas não tinha como segurar, era tão natural para ele.

A moça sentiu um estranhamento. O medo das emoções sempre à espreita, na superfície. Precisou relutar contra ele antes que se assentasse, e se distraiu grudando os lábios no peito de Edward. Ficou dando beijinhos delicados na pele salgada e sentindo seu cheiro, enquanto ele fazia cafuné em sua cabeça.

Quando respirar ficou mais fácil, ele deixou um beijo em sua testa e foi o primeiro a se levantar para ir ao banheiro.

Bella bateu na porta instantes depois que ele a fechou.

– Não demora, hein.

– Mas já? – sua voz saiu abafada. – Eu sei que sou viciante, mas deixa eu me recuperar primeiro, mulher.

– Quero só fazer xixi, idiota. Estou apertada.

Ele riu, pois sabia que só entre os dois existia esse tipo de intimidade. Nenhuma outra mulher já fez ou faria isso com ele depois de transarem.

Bella ouviu a descarga. A porta se abriu, porém Edward foi rápido em segurar seu rosto, impedindo que entrasse, a surpreendendo com um longo beijo. Ela até esqueceu que estava apertada.

Ele se afastou lentamente, terminando com um selinho.

– Se importa se eu tomar um banho aqui? – perguntou.

– Não. Pode ir abrindo a água, eu já entro com você.

O sorriso sacana mas carinhoso que ele abriu quase não coube no rosto, e um "eu te amo" estava prestes a escapulir. Teve que se refrear para não dizer mais do que devia.

Entraram no banheiro juntos fazendo o que tinham que fazer ali, a cena já familiar para ambos em todos esses anos. Prosseguiram naqueles pequenos atos corriqueiros em silêncio, refletindo e sentindo o que tinha acabado de ocorrer no dia de hoje.

Ainda não sabiam o que o amanhã os traria. Se a vida real seria boa o bastante para deixá-los ter uma segunda chance. Mas ambos tinham a certeza que, depois dessa viagem louca, nunca mais seriam os mesmos.


N/A: Quantas reviews essa princesinha de capítulo merece hein? HEIN?

Até breve!

Beijos!