Disclaimer: Twilight é da Stephenie Meyer! Eu apenas faço seus personagens serem paranoicos e emocionados demais.

Capítulo dedicado à Alice, Cath, Mirsi, e todas vcs que me pentelh—PERGUNTARAM todo santo dia por um mês "cadê o capítulo 6". E um agradecimento à Lua, que indicou a fic no twitter fanficsbeward.

Obrigada a Dandara pela betagem e entusiasmo e melhores comentários!

Temos uma CENA EXTRA pra quem comentar aqui. Lá embaixo falo melhor...


Capítulo 6: The X Factor

Bella acordou devagar a contragosto, sentindo-se incomodada. Todo seu corpo doía, para variar. A diferença é que, dessa vez, ela realmente tinha passado por uma noite de sexo intenso.

Enquanto a claridade do quarto pesava em seus olhos, as lembranças chegavam aquecendo seu peito, ainda repleto da euforia dos acontecimentos tão recentes. Que noite doida havia sido aquela?

Ao mesmo tempo, um instinto intruso, velho conhecido seu, assombrava-lhe a consciência, dizendo que deveria estar pensando em muitas coisas; Em como seria essa relação daqui para frente, em como fariam para ir embora desse lugar, ou mesmo como estavam seus gatos em casa hoje.

Mas tudo parecia pequeno e desimportante diante da plenitude que a envolvia agora.

Talvez fosse apenas reação química das endorfinas por finalmente ter liberado toda a tensão sexual contida há mais tempo do que admitiria. Ou talvez fosse pela realização de um desejo que todo seu ser, em corpo e espírito, queria há meses.

Ela só sabia que, nesse momento, havia uma energia forte entre eles difícil de ser explicada em palavras. E por uma vez na vida da Professora Mestra Isabella Swan, a falta delas não foi um problema. Tinha se apegado a confiar mais em seus instintos nessa jornada de meses, e eles só diziam que estava tudo em ordem. Como deveria ser.

Sua bexiga reclamou, de repente, tirando-a do transe que se encontrava olhando Edward dormir. Mexeu-se com cuidado, sibilando entre dentes ao sentir dores nas coxas e um desconforto entre as pernas, xingando baixo.

Certo. Transar duas vezes na mesma noite, após meses na seca, talvez não fosse a melhor ideia. Edward não era exatamente pequeno, e a última não tinha sido muito carinhosa. Mas foi bom.

Puta que pariu, foi bom para caralho, e ela até quis pegar o telefone e contar às amigas que finalmente tinha transado, e só não o fez pois lembrou que ninguém sabia ainda o que rolou na Grécia.

Desvencilhou-se dos braços dele, finalmente, e levantou-se com calma para se arrastar ao banheiro. Após se aliviar, aproveitou e buscou na bolsa um analgésico. Todos os seus movimentos eram lentos e calculados, a fim de não acordar o rapaz. Ainda devia ser oito da manhã, e eles foram dormir depois das quatro.

Tomou rapidamente o remédio, mas antes de voltar ao quentinho da cama, foi presenteada por uma cena que a paralisou.

Um raio da cortina entreaberta cruzava a lateral da cabeça de Edward, iluminando somente seu cabelo. Seu rosto era de total relaxamento. O torso nu e a coberta sobre os quadris moldavam sua figura provocativamente. Ele parecia uma pintura. Etéreo, quase um anjo. O momento precisava ser eternizado.

Teve a brilhante ideia de pegar a câmera dele na mochila que ainda estava ali, pois seu celular não faria jus, e assim foi, na ponta dos dedos e pés. Se achou muito travessa por estar mexendo nas coisas dele, mas sua consciência estava limpa, só queria fazer uma foto.

Não é como se ela estivesse fuçando o celular dele, como tinha feito uma vez no auge de uma crise de ciúmes. Era uma vergonha que iria levar ao túmulo.

– O que está fazendo? – ouviu, e pulou um pouco, escondendo a câmera nas costas. Sua cara pegou fogo ao encará-lo.

– Nada.

– Sério? Achei que estava revirando minha mochila.

– Impressão sua.

– Bella...

– Ai, tá bom. – ela trouxe a máquina para frente e confessou com olhos baixos. – Eu só queria tirar uma foto de você dormindo.

Ele deu uma leve risada com a voz grave de sono, se espreguiçando.

– Por quê?

– Porque você estava lindo e gostoso, parecendo uma pintura de anjo caído. Ou modelo da Calvin Klein, tanto faz.

– Hm. Modelo da Calvin Klein é impossível.

– Ahm?

– Estou sem cueca. – ele sorriu sacana, abaixando só um pouco a coberta cinza e provocando um arrepio nela. Estava sem roupas por não ter tido forças para ir ao quarto pegar novas, e odiava usar cuecas sujas.

Bella se recompôs, focada.

– Deixa eu tirar só uma, vai? Eu sei que você tirou um monte de fotos minhas sem eu saber nessa viagem.

– Ué, se era sem você saber, então como sabia?

– Edward, por favor!

– Posso mijar antes?

– Não, senão o sol vai mudar de lugar. Fica na posição que estava, por favor. Cabeça virada pra lá e olhos fechados. Finja que está dormindo.

Ele suspirou, mas aquiesceu ao pedido. Relaxou parecendo que estava dormindo, e quase pegou no sono de verdade ouvindo os cliques suaves de Bella sobre seu corpo.

– Ok. Pode sair. – ela avisou satisfeita, e ele pulou da cama para ir ao banheiro. Quando voltou, ela ainda estava vendo as fotos no rolo da câmera.

Pegou uma bermuda de pijama jogada sobre a cadeira, reconhecendo que ela tinha usado isso no dia da bebedeira anteontem, ontem? Ele estava confuso sobre os dias. Mas se bem lembrava, essa bermuda na realidade era uma cueca samba-canção que foi sua milênios atrás. Nem sabia que sua ex tinha ficado com isso. A peça era horrível, toda puída e era a cara dela ter roubado para usar.

Olhou as horas no celular dela na cabeceira, antes de se enfiar embaixo da coberta.

– Putz, ainda sete e cinquenta. Parece que não dormi nada. Estou exausto.

Ele viu Bella guardar sua máquina onde achou, com cuidado, antes de recostar na mesa do quarto para observá-lo.

– É porque não dormimos muito mesmo. E estou sentindo que a companhia aérea vai ligar a qualquer momento, odeio voar sem dormir direito.

– Tudo bem, valeu a pena não dormir direito com você.

– É... Valeu sim. – ela mordeu o cantinho da boca para não escapar o sorriso mais besta do mundo. Edward notou, e só queria ela do lado agora para beijar aquele biquinho engraçado.

– Volta pra cama. – pediu, e ela foi. Mas foi fazendo uma careta de dor, ralentando os pés para andar. O rapaz se preocupou. – Tá tudo bem?

– Tá... Quer dizer, mais ou menos. Tudo da cintura pra baixo dói... E arde. Mas tudo bem, já tomei analgésico, daqui a pouco passa.

– O que houve?

– Ah... Você sabe... – murmurou de repente tímida, entrando sob as cobertas.

Claro que ele sabia, mas o moço estava a fim de se divertir um pouco quando viu que ela corava.

– Como assim eu sei?

– Você estava na hora que aconteceu, oras.

– Eu estava? Por acaso você andou a cavalo ontem e eu perdi?

Ela estalou a língua, já impaciente com o papo.

– Estou assim porque não faço sexo há um tempo e seu pau é um pouco acima da média. Pronto, tá satisfeito?

– Muito. E pelo visto, você também. – falou deixando um imenso sorriso malicioso e arrogante surgir, e Bella entendeu que ele só estava zombando da desgraça dela.

– Ai, como sou trouxa, sempre caio na pilha. – protestou, empurrando-o. Virou-se para o outro lado, porém ele a puxou de volta e beijou sua testa, começando a massagear seu quadril e coxa, buscando aliviar a dor.

– Será que isso ajuda?

– Talvez…

– Desculpa por te fazer sentir dor.

– Tudo bem. Foi por um ótimo motivo. – ela sorriu, seus olhos fechando-se, pesados.

Finalmente poder sentir as mãos dele era um alívio. Antes dessa noite, não sabia a dimensão da falta que sentia do toque dele, do contato, da proximidade; Poderia julgar ser apenas frustração sexual comum, porém era muito mais que isso. Essa conexão alimentava uma parte da sua alma que poucos tinham acesso.

Ela aproximou-se para lhe dar alguns beijinhos preguiçosos, e assim ficaram por minutos, trocando cafunés, até ambos pegarem no sono novamente.

xxxx

A paz e calmaria do quarto duraram meros vinte e cinco minutos.

O celular de Bella tocou primeiro, mas eles só acordaram no quinto toque do celular de Edward. Era a Egypt Airlines avisando que um ônibus estaria na pousada em uma hora, e o vôo sairia uma da tarde.

Obviamente, Bella já tinha deixado quase tudo pronto, então bastou tomar uma ducha e vestir uma roupa confortável antes de descer à recepção para o check-out. E obviamente, também, Edward não tinha terminado de arrumar as malas, então saiu correndo pelo quarto catando suas coisas.

– Tsc, tsc. Sempre deixando tudo pra última hora. – Bella observava por trás de seus óculos escuros, já toda pronta, em pé na porta dele. – Se a gente perder o ônibus, você vai pagar o táxi até o aeroporto.

– Ao invés de me dar sermão, podia vir me ajudar, hein?

Uma pontada de irritação surgiu em Bella, afinal a desorganização e desleixo de Edward já eram seus inimigos antigos. Mas ao contrário de todas as vezes que havia reclamado, ficaria em silêncio agora, e deixaria que ele entendesse sozinho os motivos para se programar em ocasiões como essa. Ele já era um homem feito e essa não era a posição dela, havia aprendido isso.

– O que precisa? – suspirou, indo até ele mesmo assim.

– Botar esses presentes de um jeito que não amasse ou quebre tudo. – ele apontou os pequenos e variados pacotes e jornais sobre a cama. Bella começou a estudar as posições na mala dele.

– Jesus, pra que tanto presentinho?

– Pra minha família.

– Eles vem visitar no Natal?

– Não, eu que vou... Fevereiro ou Março, talvez. Ainda não sei.

– Ah sim… – O fato de ele não ter lhe contado incomodou um pouco, mesmo sem razão.

– Prometi no avião. Na hora do pouso forçado.

– Jura?

– Ué, claro, na hora do desespero prometi coisas se ficasse vivo. Todo mundo faz isso. – ele falou com a maior certeza do mundo, até que viu sua ex prendendo o riso. Seu constrangimento veio com tudo. – Não? Só eu?

Bella deu uma risadinha então, enrolando os pacotes em camisetas, como tinha aprendido há anos.

– Não sei, mas eu particularmente estava fora de órbita naquele momento, só o básico funcionava mesmo. Nem lembro o que pensei.

– Faz sentido.

– Então vai pra América ano que vem. Já tem um tempo desde a última vez, né?

– Um pouco mais de dois anos. – falou entregando mais pacotes. E olhou-a de canto de olho quando uma ideia surgiu. – Você bem que podia ir comigo, a gente até podia fazer uma parada em Seattle antes de Chicago...

Foi a vez de ela olhar de esguelha.

– Visitar sua família?

– Vocês se dão bem. – ele deu de ombros.

– Sim, mas... Visitá-los fazia mais sentido quando... A gente tinha. Uma. Relação. – ela falou tudo bem pausadamente, morrendo de medo de que ele interpretasse de um jeito ruim. A última coisa que queria agora era magoá-lo.

– Oh... Certo. Entendi. – ele tentou não transparecer a desilusão, e acabou forçando um sorriso. – Bom, mas fica o convite. Se quiser aproveitar a carona, você já tem um companheiro pra viagem de longa distância.

Bella terminou de enfim fechar a mala antes de pegar nos ombros dele, seu olhar tentando falar tudo o que ainda estava incubado, só aguardando o momento certo para sair.

– Eu quero ir, sim. Estou com saudades de Seattle, até da sua mãe também... Mas vamos conversar melhor em casa, ok? A gente precisa conversar antes de qualquer coisa.

Embora ainda não fosse o que seu coração desejava ouvir, aquilo tranquilizou Edward.

– Claro. Tudo bem. – afirmou. Bella se pôs na ponta dos pés para lhe dar um selinho, mas ele retribuiu com mais que isso, e ela precisou se afastar mesmo sem querer.

– Agora, vamos tomar um café da manhã rápido. Chego a estar zonza de sono, preciso de cafeína.

Na metade da manhã, estavam se despedindo de Nea Makri.

Dentro do ônibus, ambos lado a lado, em silêncio, iam dando adeus ao lugar que havia os abrigado nesses dias, e que ficaria marcado na história de ambos. Despediram-se da paisagem, das pessoas tão simpáticas da Grécia, até do sol que brilhava forte hoje.

Sentiriam falta de tudo isso, e saber que as memórias dessa viagem em particular teriam um significado especial, deixava tudo mais agridoce.

– A gente não tirou nenhuma foto junto. – Edward comentou, do nada, colocando sua bendita boina inglesa cinza que irritava Bella, mas que agora ela já até tinha se acostumado e sentia falta.

– Tem certeza? Lá em cima na Acrópole não?

– Você só tirou com Irina. E acho que tem uma do grupo todo lá na boate. Mas nenhuma só nossa.

– Poxa. Mas tudo bem, o importante é o que a gente vai guardar... – ela viu que o rapaz não parava de olhar para a frente. – Que foi?

– Já volto.

Ele se ergueu, andando até o motorista. Trocou algumas palavras que terminaram com sorrisos e um aperto de mão, e com o veículo parando bem em frente a uma praia quase na saída da cidade. Embora tentasse, Bella não conseguiu ouvir nada do que disseram, e ele logo voltou, puxando sua mão.

– Vem aqui, rápido.

Ela passou sem entender nada pela porta aberta, descendo até pararem em frente a uma pedra com inscrições. Havia uma praça e mais uma igrejinha branca ornando com a vasta paisagem em tons de azul e verdes, hoje bem elétricos e vibrantes.

– O que tá acontecendo?

– Diga xis. – Edward falou, apontando sua câmera para eles e envolvendo um braço pelo pescoço dela antes de bater algumas selfies rapidamente. Mesmo perdida, Bella sacou seu celular, fazendo caras e bocas ao lado dele, naquele cenário lindo de plano de fundo.

Quando subiram de volta, o rapaz agradeceu ao motorista em grego, tal como aprendera.

Efcharistó! – ele acenou, e a porta do ônibus se fechou atrás deles.

Bella começou a rir, ainda excitada pela ação inusitada.

– Eu não acredito que você parou o ônibus só pra gente tirar fotos. – sussurrou pelo corredor. – Agora tá todo mundo olhando com cara de bunda, devem estar nos achando dois americanos idiotas e arrogantes.

– E qual a novidade? Nem ligo mais.

Sentaram-se de volta com as mochilas no colo.

– Como conseguiu que ele parasse pra gente, seu doido?

– Botei minha fama de persuasivo pra jogo. Falei que você tinha perdido a câmera no início da viagem, só achou agora, e estava triste por não ter nenhuma imagem pra guardar. – ele estrategicamente deixou de fora a parte que inventou sobre a máquina ser de sua esposa, e essa ser a lua de mel deles.

– E ainda me põe no meio da mentira! – ela fingiu indignação.

– E daí? Pelo menos temos as fotos e agora ninguém vai poder falar que nunca estivemos juntos na Grécia por acaso.

– Estou tão curiosa pra saber o que o povo vai dizer quando a gente contar...

– Acho que eles vão adorar.

– Tomara.

Em meia hora, chegaram ao aeroporto de Atenas – o qual, naquele dia eles descobriram, não ficava exatamente em Atenas, mas num distrito afastado da capital.

A visão geral era bem diferente de quando chegaram, três dias atrás. Não havia caos, as pessoas agiam normalmente, mesmo aqueles que Bella reconhecia do voo de Alexandria-Londres. Na verdade, todos pareciam compartilhar o alívio de finalmente poderem ir para suas casas.

Foram direcionados a uma fila especial da companhia, para receber a passagem e fazer o check-in diretamente. Porém foi logo ali, chegando cada vez mais perto da bancada, que um frio na barriga de Bella começou a surgir.

Edward notou que ela não parava de variar o peso entre as pernas e mexer no cabelo.

– Ainda com aquela dor?

– Ahm?

– Nas pernas e tal... Você tá agitada.

– Ah... – respirou Bella, tentando relaxar. – Não. Estou ok, o remédio me ajudou... Será que é possível adquirir reação a um trauma em apenas 72 horas?

– Como assim? – ele achou um pouco de graça da pergunta inusitada.

– É que só agora está batendo a realidade de que eu realmente vou entrar de novo num avião depois de ter passado por uma experiência daquelas. Estou com medo de ter um ataque de pânico de verdade lá dentro, mesmo eu nunca tendo tido, e nem faça ideia de como seja um.

– Ei, olha pra mim. – o rapaz pediu, sendo atendido prontamente. – Vai dar tudo certo, são só quatro horas. Aliás, três horas e quarenta. Só foca nisso. A gente não sobreviveu a um quase desastre de avião pra sofrer outro logo em seguida. Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

– Ah, mas cai. Cai sim, porque eu já li várias dessas histórias macabras nos jornais.

– Esquece isso. Foca no que está te esperando daqui a pouco, em Londres. Foca na loucura que foi esse fim de semana, tudo o que vivemos… Eu sei que parece bobagem, mas eu tenho pra mim que se a gente se encontrou, e estamos aqui depois de tudo, vivos, é por um bom motivo.

Ela o olhou, refletindo sobre as palavras de consolo que ele tentava lhe dar. Eram doces e tranquilizadoras, mas mesmo assim, era difícil ser convencida de que nada de ruim aconteceria. Seu estômago estava em nós.

– Pode ser... Mas aí já é seu romantismo falando, e infelizmente minha ansiedade ainda é maior que ele. – respondeu.

Edward pegou a mão dela, entrelaçando seus dedos como um conforto, enquanto a fila andava. Estava tudo funcionando tão bem, e rápido. Nada como ter atendimento exclusivo depois de um quase-desastre aéreo. Mais dois minutos, e enfim chegava sua vez de encararem a funcionária sorridente da companhia.

Entretanto, decepcionaram-se quando pediram por assentos próximos e a atendente Cosima explicou que estes eram apenas para casais e famílias. Todos os lugares já haviam sido designados anteriormente.

– Entendo... – Edward falou em seguida, antes de resmungar só para Bella ouvir, – Você que não quis ir como casal pro hotel em Atenas, viu.

– A gente tenta trocar com alguém lá na hora, tudo bem. – sussurrou ela, e levou um susto quando a moça falou alto.

– Veja só! Hoje é seu dia de sorte, senhora Swan! Seu nome foi sorteado para um assento na nossa Primeira Classe. – Bella ouviu, olhando surpresa para Edward, que sorriu em apoio. – Logo aqui atrás está nosso lounge, convidamos a senhora a aproveitar nossos serviços enquanto aguarda nosso voo. Por favor, assine aqui.

Cosima apresentou um documento e uma caneta.

– Sortuda do caramba, hein. Um pé rapado como eu não ganha esses luxos. – Edward zombou enquanto Bella lia.

Ela até começou a assinar, porém em meio segundo, mudou de ideia.

Não parecia certo ficar na mordomia, enquanto Edward se ferrava na outra classe. Eles tinham passado por todo o perrengue juntos, deixá-lo sozinho agora soava um pouco egoísta.

Além do mais, foi impactada pela lembrança de Edward colocando uma máscara de oxigênio nela e alisando suas costas, e agora se dava conta de que não teria ninguém para fazer isso.

– Espera. Só eu ganhei? E ele?

A moça checou novamente seu computador, sacudindo a cabeça.

– O sistema sorteou sua inscrição e de mais duas pessoas. Nenhuma foi o senhor Cullen, ele está na Econômica Premium.

– Desculpa, mas não posso aceitar. Nós estamos viajando juntos.

Embora o rapaz tivesse achado fofo ela finalmente assumir que viajavam juntos, ele não era doido a ponto de deixar que ela recusasse um bilhete dourado daqueles. Precisou intervir.

– Ei, ei, você acabou de ganhar um assento na Primeira Classe, tá doida? É claro que ela aceita, Cosima.

– Edward, não. Eu quero viajar com você. Por favor, Cosima, como posso pedir pra trocar minha passagem, voltar à Econômica?

– Não podemos fazer trocas. O check-in já foi feito.

Bella abriu e fechou a boca. Não era nada normal recusar um tratamento VIP, logicamente, mas era uma daquelas coisas que só na sua cabeça fazia sentido.

– O assento ao lado do meu está ocupado? – perguntou, no impulso.

– Não, senhora.

– Então eu compro. Pode ser aqui mesmo?

Edward quase caiu para trás.

– Bella, você não vai pagar uma fortuna só pra eu ir ao seu lado numa viagem de quatro horas.

– Considere como um presente. – ela já estava tirando o cartão de crédito da mochila, quando o rapaz travou sua mão.

– Você não tá falando sério, né?

– Claro que estou. Eu quero estar com você. Preciso, até. Você sabe disso.

– Eu sei e entendo. Mas vamos usar a cabeça um pouco, ao invés da emoção, você é ótima nisso. Eu não vou sumir. Se precisar, vou estar com você pelo celular, esse voo tem wi-fi grátis em todas as classes.

– Falar por mensagem não é a mesma coisa... – ela sabia que estava choramingando e agindo feito criança birrenta, mas não se importava. – Eu compro sua passagem, não tem problema.

– Não precisa disso, você nem vai sentir minha falta. Vai ser um voo mais tranquilo, mais confortável pra você, todas as mordomias vão fazer a viagem passar assim. – ele estalou os dedos demonstrando.

– Será que o casalzinho pode brigar um pouco mais pra lá? Tem gente com pressa aqui. – um rapaz lá de trás da fila reclamou, e Bella apenas deu um olhar matador.

– Vamos, assina logo pra gente poder ir despachar as malas. – Edward deu a caneta de volta na mão dela, que somente bufou e acabou sucumbindo. Assinou, apesar de seu peito estar pesado pela culpa, ansiedade e preocupação.

Eles caminharam lado a lado até o local de despacho com seus cartões de embarque em mãos; uma Bella cabisbaixa e um Edward preocupado pensando em como melhorar o humor dela.

– Será que você vai encontrar algum famoso nessa Primeira Classe?

Ela deu de ombros sem dizer nada.

– Há grandes chances, viu. – continuou ele. – As celebridades adoram vir pra cá, né? Até seria legal porque, sabe o que dizem, um avião nunca cai quando tem um famoso dentro.

– Tenho quase certeza que posso destruir esse ditado popular com estatísticas, mas tudo bem.

– Tem alguém pessimista hoje, hein?

– Realismo, é diferente.

– Peraí, essa fala é minha.

– É. Eu sei.

Edward olhou para ela, parando em uma outra fila.

– O que você tá sentindo, me fala?

– Um aperto no peito e estou meio enjoada.

– Não gosto de te ver assim… O que eu posso fazer pra te ajudar?

– Nada. Sei lá. Só fica do meu lado até o embarque.

Ele então decidiu que seria uma boa hora para trazê-la para perto, passando um braço por seus ombros. Automaticamente, a cabeça de Bella se aninhou debaixo da asa dele, e ele beijou o topo.

– Você não quer mesmo aproveitar o lounge VIP?

– Não vai ter graça ficar lá sozinha, sabendo que você tá do lado de fora.

Edward abriu um sorriso enorme, mas ela não viu.

– Ah, para. Não quero que perca isso por minha causa. É uma experiência única. Quando vai poder ser uma burguesa safada com tudo pago de novo? – falou, enfim conseguindo arrancar uma risada dela. – Além disso, com certeza eles vão te oferecer champanhe caro. Ou Vodka. Ou uísque, Uzo, quem sabe até calmantes. Nem precisa de mim pra relaxar.

– Mas eu não quero você lá só pra me relaxar.

– Ué, não?

– Eu queria sua companhia de verdade. – ela se ajeitou para encará-lo, um pouco apreensiva e constrangida pela forma como se portou no aeroporto até agora. – Desculpa se pareceu que eu só queria usar você como muleta emocional pro meu estresse de voar. Não é isso.

– Poxa, que pena, eu já estava planejando te levar pro banheiro e te deixar bem relaxada em apenas cinco minutinhos.

Bella riu alto vendo as sobrancelhas dele levantarem sugestivamente.

– Para!

– Tô brincando... Mas se quiser, podemos.

Eles se aproximaram naturalmente para um abraço e um beijo carinhoso, e ficaram assim até alguém pigarrear. Eram os próximos da fila.

Após despachar suas malas, foram sentar para esperar o voo, e aproveitaram para olhar o povo que passava. Edward volta e meia fazia comentários hilários, inventando histórias às custas dos inocentes transeuntes.

Bella adorava tanto isso. Tinha sentido muita falta mesmo dessas pequenas coisas. Resolveu contar sobre quando ficou assistindo o surfista atrapalhado na praia, pois sabia que ele adoraria saber, e não deu outra: Edward começou a gargalhar imaginando a cena.

Para sua sorte, porém, ele parou o escândalo antes de algum segurança brotar do chão, olhando para frente fixamente.

– Que foi? – a morena perguntou.

– Cacete, aquele ali não é o Mr. Darcy?

– Oi?! Onde? – Bella até se levantou de susto para olhar na mesma direção.

– Não o seu gato. O ator.

– Eu sei que é o ator, idiota. Onde ele tá?

– Ali na porta do lounge conversando com uma moça... Viu? Eu disse! É um sinal divino. Pronto, agora pode relaxar de vez, estamos a salvo.

– Será que é ele mesmo? Parece tão diferente. – falou ao avistar as pessoas que seu ex apontava.

– Com certeza é. Eu assisti Kingsman outro dia, ele estava com essa cara mesmo. Ou você estava esperando o Mr. Darcy de vinte anos atrás?

Bella já tinha feito Edward assistir à Orgulho e Preconceito em formato de série da BBC várias vezes. Não era lá seu tipo de entretenimento favorito, e ele detestava esse personagem, mas às vezes queria apenas um motivo para ficar agarradinho com a namorada no sofá numa noite fria.

– Claro que não, o que eu quis dizer é que ele parece mais bonito pessoalmente. Mais alto.

– Eh… Talvez.

– Meu Deus. Não acredito que o Colin Firth vai voar do meu lado. Vou falar com Angela, ela vai surtar. – a moça pegou o celular, rapidamente digitando mensagens para sua amiga com quem dividia uma paixonite pelo ator.

– Aposto que agora você tá morrendo de vontade de ir até lá. – ele riu da postura travada dela, que não tirava os olhos da porta do lounge VIP, mesmo enquanto usava o celular.

– Claro que não. – ela mentiu descaradamente.

– Pode ir, sabe. Eu não vou fugir.

– Eu não sou de tietar, Edward. Fico satisfeita só em ver de longe.

– Uhum. Sei. Tô vendo. Não para quieta na cadeira, vai ter torcicolo de espichar o pescoço.

– Impressão sua… Talvez agora eu esteja imaginando a gente saindo pela Grécia cantando Waterloo numa pantalona colorida com lantejoulas? Talvez. Mas fora isso, estou super tranquila.

– Por que caralhos você faria isso?

Ela o olhou como se fosse o maior idiota da Terra.

– Mamma Mia…?

Here I go again? – completou sem entender. – Por que estamos cantando Abba?

– Você nunca viu Mamma Mia?

– Não. Deveria?

– Porra, você morou comigo por três anos mesmo, rapaz? Eu já vi esse filme umas cem vezes.

– Ahh, aquele com a loira do olho grande. Não vou com a cara dela? Toda hora que ela aparecia me dava uns calafrios e eu saía da sala. – Bella ouviu e revirou os olhos. – Não sabia que ele fazia o filme. Aliás, é baseado numa peça, né?

Essa foi a deixa perfeita para que Bella desatasse a contar sobre o enredo e o papel do Colin Firth. Se empolgou tanto, que até conseguiu fazer Edward prometer dar mais uma chance para o filme, sob o argumento de que agora ele estava entrando no ramo dos musicais e seria um requisito conhecer, além de ir ver a peça, em cartaz num teatro de Londres.

As próximas horas de espera foram gastas falando sobre filmes que assistiram nesse ano e mostrando livros que haviam comprado na Bienal de Alexandria.

Faltando quarenta minutos para a partida, Edward finalmente a convenceu de entrar no lounge só para ver como era, lembrando-a de quando ela quase aceitou andar no iate dos russos, usando o mesmo argumento que ela naquele dia: ninguém deveria recusar ser "extremamente VIP uma vez na vida".

Foi difícil voltar depois de ter sido paparicada com champanhe Dom Pérignon, chocolates finos e uma massagem shiatsu express, mas ela escapou quando começaram a anunciar os portões de embarque, correndo para onde tinha deixado Edward.

– Pode falar comigo quando quiser, ok? Não sofra sozinha. E nem fique pensando nas coisas… Se distraia. – ele aconselhou, colocando a mochila nas costas.

– Tá… Vou tentar. – ela respirou fundo.

A vontade de chorar veio com tudo.

Sabia que, de certa forma, aqui terminava um capítulo importante na jornada da sua vida. Agora, além de todo o nervosismo por voar, ela também estava apreensiva pelo futuro. Tentou não pensar nisso o dia todo, mas agora era impossível.

E se fosse essa a última vez que eles estavam desse jeito, se dando tão bem e felizes? Desejou poder guardar o momento e o sentimento para sempre em uma arca dourada, bem fechada, para que o tempo lhes fosse gentil e jamais os apagassem.

– Que cara é essa? – Edward inquiriu.

– Nada, é que eu estou pensando que… Bom, eu sei que fui um pouco chata e difícil nessa viagem—

– Ôh!

– Mas eu queria agradecer, de novo, pelas aventuras, pela paciência, e… Quero que saiba que esses dias foram muito especiais pra mim.

– Eu sei. Pra mim também foram. – ele sorriu, e ouvindo a última chamada de passageiros, puxou-a para um beijo. – Agora, vem cá antes que a gente perca esse avião e precise passar mais uma semana aqui.

– Deus me livre, eu só quero apertar meus gatos!

O rapaz riu, atacando seus lábios.

– Hmm, gostinho de chocolate. – comentou entre beijos e línguas.

– Comi no lounge.

– Delícia. Cinquenta euros só nessa saliva.

– Que nojo! – ela riu, se afastando. – Desnecessário.

Edward apenas de ombros, pegando seu rosto para um último selinho, antes de andar para o seu portão de meros mortais, diferente do dela.

– Tchau, até Londres!

– Até.

xxxx

Colin Firth estava sentado à esquerda, na última ilha – assim Bella resolveu chamar o cubículo individual dos assentos espaçosos na Primeira Classe – folheando uma revista e muito concentrado.

Ela foi direcionada a um lugar na frente, e era impossível ficar obcecada olhando para ele discretamente.

Não que ela soubesse realmente o que fazer se conseguisse chegar perto. De fato, não se importava mesmo em só observar. Era ok para ela amar seus ídolos à distância.

Viajar na mordomia provou ser tudo e um pouco mais do que diziam. Assim que chegou, uma outra taça de champanhe surgiu na sua mão, e ela poderia pedir almoço a hora que quisesse. Ao menor sinal de uma mera tosse, um comissário veio explicar que ela poderia controlar o ar condicionado em sua ilha, e que havia um cobertor e travesseiro num compartimento.

Mesmo assim, pegou seu bom e velho travesseirinho lilás com aroma de lavanda que lembrava sua mãe, e o colocou para enfrentar a decolagem.

Respirou muito, meditando e tentando não deixar vir as imagens chocantes de passageiros desesperados e máscaras amarelas caindo. Lembrou-se das palavras de Edward; eram apenas quatro horas, ela conseguiria aguentar. Ficou recordando tudo o que havia acontecido no fim de semana, e só assim pôde se desconectar da realidade por algum tempo.

O almoço chique de três estrelas Michelin veio assim que o avião se estabilizou no ar, e ela aproveitou tudo folheando uma revista Vogue que havia sido oferecida num carrinho.

Infelizmente, esse tempo de calma durou apenas uma hora.

Um chorinho de bebê ao fundo soou, e seu corpo entrou em alerta ao recordar do bebê do voo anterior e do choro dele enquanto faziam o pouso forçado. Tinha sido horrível, e até esse momento, esse fato estava guardado em seu inconsciente.

A descarga de emoções, o Dom Pérignon e as horas sem dormir vieram cobrar sua conta, e ela começou a sentir-se exausta. Queria dormir imediatamente para passar tudo o mais rápido possível, então largou a revista e se esticou na semi-cama do cubículo, fazendo um casulo com o cobertor.

Virou-se e remexeu-se. Mas quem disse que ela conseguia pegar no sono?

Como se pressentisse que algo estava errado, uma mensagem de Edward apareceu naquele momento em seu celular. Ela abriu rapidamente.

[Edward]
e aí?

[Bella]
Já meditei, estou mais tranquila.
Porém morrendo de sono, e não consigo dormir.
Tá me batendo um leve desespero. rs

[Edward]
tenta ler. ou ver um filme

[Bella]
Não vou conseguir me concentrar,
só vou ficar com mais agonia...

[Edward]
joga alguma coisa no celular então

[Bella]
PALAVRAS COM AMIGOS

[Edward]
PQ TÁ GRITANDO COMIGO?

[Bella]
Desculpa, me empolguei. Delírios do sono...

Joga comigo, por favor.

[Edward]
não tenho no meu celular :(

[Bella]
Veja na pasta games.

Ele demorou trinta segundos para responder.

[Edward]
como esse app veio parar aqui, Isabella?

[Bella]

Sei lá!

Mentira.

Eu baixei há alguns anos, quando fiquei viciada.
Queria que vc jogasse tbm, mas
me distraí,
esqueci de te pentelhar.

[Edward]
ah

isso explica pq essa bostinha tá sempre
sem espaço,
e eu nunca sei o que devo apagar

[Bella]
Perdão! Agora joga comigo.

[Edward]
como?

[Bella]
Vou te chamar, entra no app e aceita meu pedido.

Demorou um pouco para Edward pegar o jeito da coisa, mas logo ele estava se animando e tentando fazer mais pontos do que Bella com uma palavra mais obscura que a outra. O que não era nada fácil. A mulher parecia o próprio Dicionário de Cambridge em carne e osso.

Até que começou a ficar chato, porém ao invés de desistir, foi infectado por uma ideia travessa. Achou que seria engraçado começar a escrever somente palavras sujas para ela completar, e ficou esperando as letras certas aparecerem para começar.

PEITOS foi o que ele escreveu primeiro. Bella apenas riu ao ver.

– Sério isso? – murmurou para si. Na sua vez, escreveu LISURA, entretanto seu companheiro estava empenhado em continuar a brincadeira e digitou DELÍCIA. Ela riu novamente, abrindo as mensagens para perguntar o que estava acontecendo.

[Bella]
Essas palavras são propositais?

[Edward]
com certeza

Resolvendo entrar na onda dele, conseguiu formar um MAMILO na sua jogada.

AMO – Edward revidou.

LAMBE – ela lançou, só esperando a reação dele. O rapaz do outro lado riu e tentou escrever sua próxima palavra duas vezes. Nenhuma funcionou.

[Edward]
merda, pq não aceita buceta?
ou será que estou escrevendo errado, é boceta?
se for, não tenho um O
...

Ele reclamou, fazendo Bella rir do absurdo da frase e da situação.

[Bella]
O jogo não aceita palavrão.

[Edward]
não é um palavrão, é uma parte do corpo

[Bella]
Pense em outra coisa!
[Edward]
difícil. estou falando sacanagem contigo

[Bella]
HAHAHAHA

[Edward]
ok, desisto. vc já está com mais pontos mesmo. ganhou

[Bella]
Perdeu por uma boceta. Rindo estou!

[Edward]
dps dessa eu vou até me retirar.
com licença. vou ao banheiro

A conversa naturalmente se dissipou com aquela última mensagem. Os celulares ficaram silenciosos, e Bella resolveu pegar um livro na mochila.

Ficou lendo por mais de uma hora, conseguindo enfim focar nas palavras. A telinha em frente, que havia ligado para distrair durante o jogo, mostrava que estavam sobrevoando a Bélgica. Faltava muito pouco agora, ela deixou-se relaxar.

Mas é claro que o destino não seria tão bonzinho assim.

Pouco depois, os leves tremores começaram a sacudir o avião. Em poucos minutos, parecia que estavam andando de carroça numa estrada esburacada.

Não passava de uma turbulência normal. Forte, porém normal. Os comissários instruíram os passageiros a se manterem sentados e com os cintos, mas nenhum parecia assustado ou nervoso a ponto de representar um perigo real.

Ao menos, era isso que Bella tentava se convencer.

Fechou os olhos, tentando meditar novamente, só pensando que quando saísse daqui iria telefonar para seu terapeuta, pois essas reações não podiam ser normais.

Seu celular piscou com nova mensagem.

[Edward]
tá tremendo um pouquinho, né?
mas já estamos chegando
e lembre que tem um famoso do seu lado,
tá tudo bem. puxa papo com ele...

Bella deixou um suspiro de tensão sair, respirando com um pouco de dificuldade.

[Bella]
Ele tá lá atrás, nem consigo ver.

[Edward]
já meditou e respirou? respira!
[Bella]

Tentei. A turbulência não tá ajudando.
Fala alguma coisa aí pra me acalmar, por favor.

A sinalização de que Edward digitava uma mensagem durou longos e longos segundos de suspense enquanto ela olhava a tela, que tremia em suas mãos. Só por isso, o coração de Bella começou a bater mais forte, ela já nem sabia o motivo exato.

A mensagem enfim chegou.

[Edward]
em 1h30 vc vai estar com o Mr. Darcy no colo (o gato. não o Colin)
e
fazendo sei lá o quê vc e o Heathcliff fazem pra trocar afeto
(ele é esquisito, desculpa)
. tudo isso tomando um chá quentinho
na sua caneca do Fantasma da Ópera
(o earl grey que vc sempre
compra,
então com ctz tem em casa). consegue visualizar isso?

[Bella]
Agora estou pensando neles e quero chorar.
E se eu morrer, como eles vão ficar?
Quem vai cuidar dos meus bebês?

[Edward]
Alice e Jasper seriam ótimos
pais adotivos de gatos orfãos

[Bella]
Não fala isso, eu não quero eles órfãos :'(

Meu coração tá disparado.

[Edward]
Bella, foco. respira. tá td bem. a turbulência já vai acabar.
lembra que a gnt passou por tudo isso por algum motivo.

estaremos vivos pra contar aos nossos filhos e netos.
e eu pretendo ter alguns, viu? :)

Quando leu aquilo, Bella soltou uma risada involuntária. Por que ele tinha que ser tão fofo e aleatório assim? Ela apreciava muito o esforço que ele fazia para distraí-la, embora o assunto nada tivesse a ver com o momento.

[Bella]
Hahahaha! Eu surtando e você falando de netos.
Só Edward Cullen mesmo.

[Edward]
ué, qual o problema? acho que Edward Cullen
será um ótimo avô.
vc não acha?

[Bella]
Não consigo pensar tão distante assim,
mas acho que sim...

[Edward]
acho que Isabella Swan será uma avó muito boa tb

[Bella]
Quem disse que eu vou ter netos?
Está muito apressadinho.

[Edward]
não vai? mas um dia vc disse que queria ter filhos.
comigo inclusive. mudou de ideia?

[Bella]
Filhos com você? Hahahaha

Bella ficou olhando a tela, esperando que ele desse uma risada e dissesse que só estava implicando com ela com esse assunto. Mas a resposta demorou a chegar, e ela sentiu a necessidade de confirmar que o que havia dito era apenas uma brincadeira.

[Bella]
Tô brincando, tá? Acho que você seria ótimo pai, claro.
Mas é um pouquinho cedo pra falar sobre isso.
Você sabe.
Até porque estou surtando nesse momento
dentro de um avião...

[mensagem não enviada]

Se bem que com essa conversa até melhorei um pouco.
Obrigada! Acho que tá até passando a turbulência, tá sentindo?

[mensagem não enviada]

– Ué? – ela leu o aviso, abrindo e fechando o app de mensagens para ver se conseguia enviar as duas últimas de novo.

[mensagem não enviada]

[mensagem não enviada]

As palavras zombavam da sua cara, rodando em sua mente.

Foi ler a última coisa que definitivamente havia sido enviada, e seu estômago gelou. Um sarcasmo gratuito e sem graça sobre não querer ter filhos com ele com certeza não era o melhor ponto de parar essa conversa. Não pode ser.

Um desconforto em seu peito foi aumentando conforme o tempo passava, e ela tentava ligar e desligar o wi-fi.

Nada resolvido.

Tentou acionar o 4G, porém também não funcionou. Reiniciou o celular, fazendo todos os passos novamente. Sem sucesso. Nem mesmo poderia tentar fazer uma ligação agora, pois não havia sinal algum.

– Ah, não. Não faz isso comigo, por favor! – seu coração, antes já acelerado, agora parecia querer sair pela boca.

Fudeu. Fudeu bastante agora.

– Algum problema, senhora? Posso ajudar? – um comissário chegou para perguntar, e ela nem tinha percebido que a tripulação já havia voltado a circular agora, o avião livre de tremores.

– O que houve com a internet? Nem o 4G nem o wi-fi estão funcionando, e eu realmente preciso da internet nesse momento.

– Vou verificar, com licença. – ela viu o rapaz andar até um telefone, e em um minuto, estava de volta. – Sinto muito, senhora, mas o staff informou que a nossa torre de retransmissão de sinal acabou de queimar durante a turbulência.

Meu Deus, nada funciona direito nessas merdas de aviões da Egypt Airlines?! Bella queria gritar um palavrão na cara dele, porém sabia que o pobre rapaz não tinha culpa de nada.

– Ok. Obrigada.

– Gostaria de mais alguma coisa, senhora?

– Não… Quer dizer, eu acho que vou querer uma dose de uísque. Com pouco gelo e um dedo de água, por favor.

Se fosse para passar mais esse nervoso, seria melhor estar inebriada, afinal.

Talvez estivesse reagindo de forma exacerbada para a situação, mas ela não conseguia parar de criar cenários na sua mente sobre como Edward sentia-se agora depois de ler aquilo.

Estava carregando uma culpa pesada em seus ombros. Sabia que havia cometido o mesmo erro desse final de semana; novamente brincou com os sentimentos dele sobre algo importante, sem pensar antes de falar. Enfiou os pés pelas mãos. Sentia-se a mulher mais burra e azarenta do mundo.

O comissário retornou com a bebida logo, e ela tomou tudo praticamente em um gole que desceu rasgando. As pernas já inquietas fizeram-na levantar para ir ao banheiro. Precisava de privacidade para surtar à vontade.

– Isso não tá acontecendo. Não. – pequenas lágrimas escaparam enquanto ela fazia um xixi rápido e falava sozinha. – Deus, faz a internet voltar, por favor.

Abriu a torneira, lavando as mãos e jogando água gelada no rosto, tentando se focar e manter o controle – o que já não era tão fácil após o uísque. Caminhou de volta à sua ilha para se enrolar no cobertor, tentando retornar ao livro e esquecer tudo isso.

Foco, Bella. Foco.

Eles iriam conversar quando chegassem em terra firme. Tudo seria resolvido rapidamente, Edward iria ver que ela só estava brincando – uma brincadeira idiota, com certeza – e não era aquilo que ela queria dizer de verdade. Levou esse mantra na cabeça, repetindo mecanicamente até que o pouso no Aeroporto da Cidade de Londres foi anunciado pelo comandante, meia hora depois.

Jamais enfrentou uma aterrissagem com tanta facilidade. Seus nervos agora estavam em outro lugar, e ela mal sentiu o momento que as rodinhas da aeronave fizeram contato com o chão.

Praticamente quicava em seu assento enquanto aguardava. Sua mochila já nas costas, tudo pronto para sair correndo quando a Primeira Classe fosse liberada – e eles tinham sido avisados que seriam os primeiros. Não havia ninguém se amontoando na porta da saída, como ela estava acostumada e odiava, e por um instante sentiu-se uma caipira sem modos no meio de um monte de milionários blasés.

Pareceu uma eternidade até o avião parar de taxiar pela pista e a porta se abrir.

Quando enfim conseguiu pisar no solo londrino, o misto de emoções veio como uma enxurrada: o alívio por estar em casa; A felicidade por ter sobrevivido a mais uma viagem de avião; E a completa e total perturbação das ideias pela ânsia de ver e falar com Edward pessoalmente logo.

Telefonou para o número dele assim que foi possível, o celular grudado na orelha enquanto andava por um corredor exclusivo até o local de pegar as malas.

"Fora da área de cobertura ou desligado."

Seu coração se apertou.

Ouviu a mesma coisa em todas as vezes que tentou iniciar uma ligação, de novo e de novo. Talvez tenha xingado a voz eletrônica de vaca e mandado ela ir à merda sem perceber, e isso explicaria as pessoas ao redor olhando engraçado.

Sua mala foi uma das primeiras a aparecer na esteira, e ela a recolheu, olhando em volta como um corvo, sem tirar os olhos da entrada do local. Foi para um cantinho e começou a digitar várias mensagens aflitas, mesmo sabendo que as chances de ele ver eram mínimas.

[Bella]
Já peguei minha mala, cadê vc?

Desculpa por ter dito aquilo, foi brincadeira sem graça.

Edward

Me perdoa? Eu sou péssima, eu sei.

Estou tendo um treco.

Aparece, por favor :(

Quando viu que não teria resposta alguma, preparou-se para ir procurá-lo pessoalmente. Ao invés de voltar para o portão de desembarque, achou mais seguro ficar na área da esteira de bagagens, na esperança de encontrá-lo ali.

Durante um bom tempo, esperou, atenta. Viu que os passageiros da Primeira Classe já haviam sido renovados pela horda dos Econômicos e Executivos que começou a preencher o local, e ficou na ponta dos pés tentando avistar a boina inglesa dentre todas as cabeças.

Vinte minutos se passaram, e Edward ainda não atendia ao celular, muito menos surgia na sua frente.

Seu nível de estresse já estava no máximo. Embora houvesse explicações perfeitamente plausíveis, Bella só conseguia pensar que ele tinha se sentido ofendido, estava magoado com ela e a evitando de propósito.

Não que fosse do feitio dele. Ele jamais faria ou fez isso. Esse era mais o estilo Isabella de lidar com problemas.

Sem conseguir mais esperar parada, foi circulando a área, andou a fila de ponta a ponta, até olhou nos banheiros ali perto.

Nada. O rapaz simplesmente pareceu ter tomado chá de sumiço.

Decidiu sair dali, pensando que talvez ela tivesse o perdido de vista na muvuca, e saiu pelo aeroporto – que não era o maior da cidade, porém ainda assim muito cheio e movimentado.

– Aparece, Edward, por favor. – ela pediu com toda a força, olhando ao redor. Seu celular tocou de repente, e ela quase berrou de emoção para atender.

Mas era apenas Alice.

Tinha esquecido que avisou a hora de saída e de chegada do voo para a amiga, e que ligaria quando tivesse pousado. Ela ainda estava na sua casa, provavelmente doida para ir embora.

– Alô?

– Credo, eu ia perguntar se o voo foi bom, mas pela sua voz parece que foi horrível.

– É, tive uns probleminhas...

– Turbulência?

– Uhum. – ela andava a esmo pelo corredor, quase sendo atropelada por uma criança correndo.

– Já está vindo pra casa, então?

– Não, ainda estou no aeroporto.

– O voo atrasou?

– Não…

Ela caminhou até as lojas de comida, vasculhando o local com os olhos.

– São mais de seis horas, Bella. Você disse que ia pousar às cinco.

Ouvir que horas eram só fez aumentar seu desespero.

Estava há meia hora assim. Não era possível. Será que ele havia ido para casa? Mas sem pegar a mala? E pior, sem esperar por ela ou tentar ligar pelo orelhão?

As palavras ditas por ele ontem no carro vieram martelar sua mente já tonta de sono, ansiedade, e várias doses de bebida alcóolica.

"...você precisa me dizer logo, antes que eu saia de uma vez da sua vida. Antes que eu siga em frente."

Será que aquela havia sido a gota d'água para ele se cansar de correr atrás dela, de tentar fazer o relacionamento dar certo? O sexo tinha sido maravilhoso, claro, mas não era isso que ele queria dela, e o que ele queria mesmo, ela ainda não tinha conseguido entregar.

Sentia que precisava fazer alguma coisa. Qualquer coisa.

– Bella? Amiga? – ouviu ser chamada de volta.

– Ah. Pois é, eu… Já estou indo. Estou tentando resolver um problema aqui.

– O que foi? Posso ajudar?

– Infelizmente não. – falou ao mesmo tempo que a voz nos alto-falantes soou com um anúncio, e ela olhou de cara feia para a cabine de som envidraçada no segundo andar.

– Quê? Nossa, que som alto nesse aeroporto.

– Bastante… – e assim que as palavras saíram de sua boca, uma ideia apareceu na cabeça, quase piscando em neon.

Foi a melhor coisa que ela podia pensar em fazer agora ao invés de apenas ficar aqui criando paranóias.

– Alice, eu já falo com você, ok? Até mais. – desligou e saiu correndo. Xingou ao puxar sua mala pesada, porém logo começou a agradecer a ajuda que veio do céu.

Ela nem sabia direito o que estava fazendo.

Quando percebeu, já estava entrando por uma porta escrito "Entrada Restrita". O desespero só aumentava a cada passo que dava naquelas escadas, lhe impulsionando para a loucura que estava prestes a fazer.

E qual seria a atitude extrema que ela era capaz de cometer por Edward, pelo puro medo de perdê-lo para sempre?

Chorar de escorrer o nariz na frente da funcionária do Departamento de Comunicação era a resposta correta no mundo de Bella, aparentemente.

– Por favor, por favor. Eu pago quanto for. – ela implorava que a moça deixasse usar o microfone para chamar uma pessoa perdida. Botou a mão no bolso, puxando uma nota de vinte libras. – Isso é suficiente?

A funcionária recusou.

– Senhora, por favor, eu vou pedir que se acalme ou terei que chamar a segurança.

– Você não está entendendo, eu estou há meia hora procurando, eu preciso achá-lo! Ele é meu…. – Namorado? Ex? Amante? Amigo? Nada se aplicava direito. Ela soluçou, exausta.

– Seu?

– Filho! – falou a primeira coisa que pensou.

– É uma criança? – ela pergunta, e Bella confirmou com a cabeça dramaticamente. – Ora, por que não disse antes? Venha, entre.

Só havia aquela moça na pequena sala de dois computadores e dois microfones. Wanda era o nome no crachá.

– Qual o nome dele? – perguntou, pegando um microfone.

– Edward Anthony Masen Cullen.

– Nome de príncipe. – Wanda ingenuamente comentou sorrindo, tentando acalmar a chorona, que havia sentado na cadeira com suas coisas largadas no chão. – E o da senhora?

– Isabella Swan.

– Onde vai esperar por ele?

– No Starbucks aqui em frente.

Wanda ligou o microfone e começou a anunciar numa voz doce, porém incisiva.

– Atenção Edward Cullen. Sua mãe, Isabella Swan, lhe aguarda na frente do Starbucks. Atenção Edward Cullen. Sua mãe, Isabella Swan, lhe aguarda—

Ela não conseguiu terminar a frase, porém, pois foi interrompida pelo vulto que puxou o microfone da sua mão.

– EDWARD! – Bella berrou.

A funcionária estava sendo solícita, mas não era esse o plano inicial que fez Bella subir até aqui, ela simplesmente tinha que fazer aquilo.

– Senhora! Eu sei que está em desespero, mas não pode fazer isso. Devolva, por favor! – ela brigou, se digladiando com Bella e fazendo um cabo de guerra com o aparelho. Um barulho horrível de microfonia quase deixou as duas surdas.

– Me desculpa, Wanda, me desculpa mesmo, você é um amor, mas eu preciso falar com ele, eu mesma!

– Dona Isabella, devolva!

Bella deu uma bundada na moça, que perdeu o equilíbrio, caindo em cima da cadeira, e finalmente conseguiu a posse do microfone.

– EDWARD! Edward, sou eu, Bella! – a morena berrava com esforço, uma pulsação forte em seu ouvido. – Por favor, eu sei que você tá aqui ainda, você não foi embora sem sua mala cheia de lembrancinhas pra família Cullen.

– Senhora, não! Estou chamando a segurança agora.

Bella viu Wanda saindo pela porta, e teve que agir rápido. Começou a falar muitas das coisas que passaram na sua cabeça pelos últimas horas.

– Edward Cullen, por favor, se você está aqui, venha até a cabine de som. Ou me liga, sei lá. Olha, quando eu disse aquilo no voo, foi só uma brincadeira estúpida, eu expliquei na mensagem seguinte, mas a internet caiu. – ela espiou a porta aberta, e em seguida o vidro à sua frente, vendo várias pessoas olhando para cima com estranhamento. Aumentou o volume do som nos botões abaixo. – Me desculpa, não fique chateado comigo. Eu… Eu quero ter filhos com você, sim. E se Deus quiser, muitos netinhos. Não tem outro homem no mundo que eu gostaria que ocupasse o lugar de pai dos meus filhos.

Wanda retornou naquele momento, esbaforida. Bella parou de falar por um segundo, já se arrependendo dessa loucura impensada, e esperando os guardas entrarem para prenderem-na. Sua carreira estaria arruinada. O que ela tinha feito?
Deus, me ajude.

– A sua sorte é que eles estão em horário de lanche e o inútil do Louie está no banheiro, como sempre. – a funcionária adentrou, indo até ela. – Anda, acabou a brincadeira, passa meu microfone.

– Não, não, por favor. – Bella choramingou, tentando se esquivar de Wanda, e logo continuando a falar. – Por favor, Edward Anthony Masen Cullen. Apareça! Eu estou na cabine de som em frente ao Starbucks. Eu sei que pisei na bola várias vezes nesses dias, mas não suma assim, por favor. Nossa história não merece isso. Volta pra mim. Eu… Eu te amo.

– Cacete, esse Edward não é seu filho coisa nenhuma, né? – Wanda perguntou.

– Ele é meu ex-namorado, a gente se encontrou por acaso em Atenas quando nosso voo fez um pouso forçado. – Bella respondeu com urgência. – Mas agora nos desencontramos, e eu estou procurando por ele desde que pousamos. Por favor, me deixe terminar!

Ela viu a feição da funcionária suavizar pouco a pouco.

– Você estava naquele voo de Alexandria com seu ex, garota?

– Sim!

– Ah, inferno… – ela suspirou.

Hoje realmente era o dia de sorte de Bella.

Wanda tinha um coração mole por histórias de amor. Já tinha visto muitas nesse aeroporto, e sempre se encantava com os pedidos de casamento e os amantes que se encontravam depois das viagens. Como lidar com essa agora?

Ela que não teria coragem de impedir o amor de um casal jovem que passou por uma experiência traumática daquelas. Seria karma ruim.

– Vai. Termina logo e dá o fora da minha cabine. – ela permitiu, enfim, olhando a movimentação lá de baixo na janela.

– Obrigada. – Bella fungou um pouco, voltando a discursar. – Edward… Sou, eu, Bella. De novo. Você já sabe. Bom, espero que sim, senão eu vou estar aqui sendo doida à toa… Olha, eu tenho tanta coisa pra falar… Quero conversar com você logo. Mas se eu começar a falar agora, não vou parar. Eu não devia ter bebido no voo. Droga de Primeira Classe!

– Por acaso seu Edward é um branquelo tão lindo que parece deus grego usando moletom preto e jaqueta jeans?

Bella largou o microfone e praticamente se tacou sobre o vidro para ver.

E sim, lá estava ele.

Parado, o olhar fixo no dela. Havia uma pequena plateia em volta, algumas pessoas até com os celulares apontados para cima. Ela sabia que deveria morrer de vergonha, mas a essa altura, o que importava é que seu esforço tinha dado certo, e agora poderia respirar aliviada.

– É o único que parece estar interessado de verdade e não está gravando no celular. É ele? – Wanda perguntou de novo.

– É sim. Meu Adonis. – ela riu de leve, lembrando-se do apelido que Irina tinha dado ontem.

– Não era Edward?

O nome fez Bella sair do transe, e ela começou a juntar suas coisas. Largou a nota de vinte libras na mão de Wanda antes de sair pela porta com pressa.

– Muito obrigada! – gritou já no corredor. – E desculpa qualquer coisa, por favor, não me processem!

Ela correu pelas escadas e só parou ao atingir o saguão cheio de gente.

Todas aquelas pessoas intimidaram-na um pouco, porém agora ela só tinha olhos para o moço ao fundo, e fez uma linha quase reta até ele. Assim que chegou em seus braços, desabou; a tensão precisava ser descarregada de seu corpo.

Edward deixou que ela chorasse tudo o que havia acumulado, segurando-a sem entender muito bem o que acontecia. As pessoas em volta vibraram por uns instantes, mas aos poucos foi perdendo a graça ver a mulher apenas chorando, e foram parando de filmar, se dispersando.

Após longos minutos, Bella se afastou, tentando secar o nariz e o rosto. Ela estava uma tremenda bagunça e sabia.

– Eu-eu-eu. – tentou dizer, mas só conseguia gaguejar e soluçar.

– Shh, calma, respira. O que foi, amor?

– Eu… Me assustei. Achei que tinha perdido… Você.

Edward franziu o cenho.

– Eu estava aqui o tempo todo, Bella. Fui no banheiro, depois peguei minha mala e saí pra beber um café.

– Não, sim, mas... – ela piscou, fungando. – Você sabe, pelo que eu falei na mensagem. Achei que tinha desistido de mim.

– Ahm?

– A mensagem. Que eu ri quando disse sobre ter filhos…

– Ah. – ele assentiu. – Bella… Eu não entendi o que aconteceu, fiquei um pouco magoado... Só não te procurei antes porque meu celular acabou a bateria, e eu não lembro seu número de cor pra ligar dos telefones públicos. Mas iria te esperar na sua casa e conversar com você mais tarde, não precisava se preocupar tanto. Acha mesmo que eu ia desistir de você só por causa de uma mensagem de texto?

– Foi um mal-entendido. Você pode ver na mensagem que foi entregue logo depois.

– Eu sei. Tá tudo bem. – ele a acalmou pela milésima vez, alisando seus ombros, e olhando a cara dela com um sorrisinho. Sacudiu a cabeça, bobo e sem acreditar no que tinha acabado de acontecer.

– Eu tô horrível, eu sei. – Bella falou, desviando os olhos e tentando limpar a lambança do rosto.

– Nada que eu nunca tenha visto antes.

– Então o que houve?

– Você disse 'eu te amo, Edward' mesmo?

Pega no flagra assim tão na cara, Bella sentiu-se constrangida.

Droga.

– Eu? Talvez... Falei tanta coisa, nem lembro mais. Acho que eu tô meio bêbada. Aliás, eu vou parar de beber por um bom tempo a partir de hoje, é isso.

Ele riu das artimanhas dela para fugir do assunto.

– Eu também te amo, tá? Só pra constar.

– Ai, para! – ela começou a chorar de novo, se jogando para abraçá-lo pelo pescoço. – Eu quero te beijar, mas eu realmente estou muito nojenta.

– Vai lá no banheiro logo, então, porque eu também quero te beijar.

Ela se afastou com cuidado. O banheiro estava somente a alguns passos deles, e ela foi andando de costas para não perdê-lo de vista mais.

– Não suma, hein! – apontou um dedo.

– Não tenho a menor intenção!


N/A: SOBRE O EXTRA - A cena é do 2º round de sexo da noite hehe Vou enviar pra quem comentar nesse capítulo. Deixe seu e-mail disfarçado (vejam no meu perfil as instruções certinhas!) ou endereço de twitter OU comente com sua conta do FFnet logada.

E aí, gostaram?

Me contem: você já fez uma loucura assim por amor? Se sim, como foi aguentar esse mico? hahahah

Até a próxima!

Beijoss