Disclaimer: Twilight é da Stephenie Meyer! Eu apenas faço seus personagens pagaram muitos micos.

Obrigada a Dandara pelas dicas preciosas e surtos.

Um aviso: eu continuarei enviando o extra pra quem comentar lá no capítulo 6. Quem ainda não comentou, tá perdendo :P

Vejam lá embaixo como vai ser o extra dessa semana!


Capítulo 7: Are You The One?

Do lado de fora do banheiro, Edward aguardava olhando as pessoas passando, sem poder se distrair com o celular. A bostinha de aparelho, como ele dizia, tinha descarregado a bateria sem ele perceber durante a aterrissagem (culpa do joguinho de palavras de Bella), e seu carregador estava no fundo da mala feita às pressas.

– Você conseguiu ouvir a menina doida do microfone?

– Claro, quem não? Vou te contar, Meryl... Cada semana é uma coisa, o povo pensa que aqui é a casa deles.

Seus ouvidos captaram a conversa entre dois funcionários da limpeza que haviam parado entre os banheiros masculino e feminino do saguão. Uma segurava o carrinho e o outro passava pano no chão. Ele se aprumou para ouvir, se escondendo um pouco atrás de uma planta, mexendo no celular desligado como disfarce.

– Ah, Raul, deixa a garota... Coisa de jovem. Achei uma gracinha.

– Wanda estava lá embaixo contando, a garota chegou numa violência. E o bastardo do Louie nem pra acudir, estava mandando um fax no banheiro pra variar.

– Tirou a vesícula há pouco tempo, o pobre.

– Ela veio de Primeira Classe, devia estar cheiradaça, você sabe como são esses ricos. Ainda por cima deu uma nota de vinte pra Wanda. Patricinha pão dura! – Edward arregalou os olhos e teve que prender uma gargalhada ao ouvir aquilo.

– Só vinte? Quanto mais rico, mais mão de vaca, né? Ôh, raça!

Eles chegaram limpando na frente de Edward, que baixou a cabeça e felizmente não foi reconhecido, mordendo a boca para não rir. Foram se afastando pelo corredor fofocando enquanto limpavam o chão. Isabella tinha umas boas explicações para dar, e ele não via a hora de ela sair do banheiro.

Dois minutos depois, seu desejo se realizou. Ele fez cara de paisagem quando foi encontrá-la.

– Pronto, virei gente de novo. – disse ela, pegando o carrinho da mala que deixou com o rapaz. – Estava uma fila... Tinham duas cabines interditadas.

– Ah, sim quando fui lá na área de desembarque também fiquei um tempão.

– Espera, você estava o tempo todo no banheiro mesmo?

– Praticamente.

– Estranho, eu fiquei te esperando na esteira das malas, depois fui nos banheiros lá, como não te achei?

– Nos desencontramos, provavelmente. Eu vim direto pro banheiro assim que desembarquei, precisava muito mijar.

– Esqueceu de fazer no avião?

– Não, pior. Um abençoado deixou um cheiro horrível no banheiro, ninguém conseguia usar. Mas claro que todos tivemos a mesma ideia quando aterrissamos, fiquei uns quinze minutos na fila. Só três mictórios funcionavam, metade do banheiro está reformando. Só fui buscar a mala bem depois, e ainda demorou a chegar.

– Como eu não te vi em lugar nenhum? – ela falou olhando-o, e só então percebendo algo. – Cadê aquela sua boina, aliás?

– Na mochila. Tirei durante a viagem. – respondeu mexendo no cabelo. – Por quê?

– Porque eu fiquei o tempo todo tentando te reconhecer por ela. Tsc, quando eu preciso que você use essa coisa, você não usa. – ela sacudiu a cabeça. – Olha, vou te contar...

– Para de implicar com meus acessórios de cabeça, por obséquio? Obrigado.

– Eu tenho culpa se você resolve ir de boina até em evento com traje passeio completo? Não lembra do casamento da Professora Fletcher? Ficou todo mundo olhando.

– Já ouviu falar em estilo?

– Ah tá bom, Karl Lagerfeld de Chicago.

– Vou ignorar esse ataque gratuito às minhas escolhas de moda. Mas só porque estou muito curioso pra saber como você conseguiu essa proeza de me chamar pelo alto-falante do aeroporto.

O coração de Bella deu um salto, e não tinha nem chances de esconder o rubor que tomou suas orelhas.

– Sério?

– Óbvio.

Passada um pouco a adrenalina, agora ela começava a tomar consciência do que havia acontecido, e ouvir aquilo dito assim, em voz alta, parecia um pouco exagerado. Não que ela se arrependesse. Faria tudo de novo por ele.

Talvez.

Pelo menos por enquanto. Se acordasse com ressaca moral amanhã, aí já seria outra história. Resolveu amenizar sua versão dos fatos para Edward não achar que ela era uma completa maluca.

– Bom, eles tem esse serviço aqui. De encontrar pessoas. Crianças especialmente. Foi só pedir. – deu de ombros, desviando os olhos, e só por isso o rapaz já sabia que ela estava mentindo descaradamente. Bella não era mulher de se intimidar assim, sempre falava tudo com convicção, às vezes mesmo estando errada.

– Jura? Em todos os aeroportos que eu fui nunca vi isso. Acontece mais em supermercados e tal. Mas também, não é como se eu tivesse viajado pra muitos lugares...

– É... Sabe como é, acho que Londres é cidade-modelo. Por isso fingi que você era meu filho, assim seria mais fáci—

– Espera aí, você o quê? – as sobrancelhas dele quase se uniram de tanto franzir o rosto.

– Ué. Você não ouviu quando anunciaram seu nome da primeira vez?

– Não, eu devia estar pegando o café, só comecei a prestar atenção quando você falou dos presentinhos na minha mala.

– Oh. – ela respirou com dificuldade. Se havia alguma chance de passar por esse interrogatório com o mínimo de dignidade, ela mesma tinha acabado de dizimá-la.

– Deixa eu ver se entendi: você entrou lá e pediu pra anunciarem seu filho perdido, que no caso era eu?

– Aham.

Ele juntou essa informação à que tinha ouvido dos funcionários, e foi o que bastou para as primeiras risada virem com força. Saiu até um ronco.

Filho, Isabella? Você não tem vergonha na cara?

– Para de rir de mim! Foi a primeira coisa que pensei em dizer, só assim a moça faria o que eu pedi!

Ela soou tão ofendida, que Edward fez um esforço para travar as gargalhadas. Respirou um pouco, demorou, mas conseguiu voltar.

– Tá bom, desculpa. Mas posso saber como, exatamente, deixaram você falar tudo aquilo? Gritar meu nome, fazer uma declaração de amor... Parece que ouvi você brigando com alguém quando cheguei lá na frente.

Ela sacudiu a cabeça rapidamente.

– Impressão sua, imagina eu brigando fisicamente?

– Eu não disse fisicamente, você que está dizendo. Isso aconteceu?

– Hm. – ela grunhiu, mordendo a boca. Pega no flagra. Pela milésima vez nesse fim de semana.

– Bella... – ele prendeu uma risada. – Conta a verdade logo. Uma hora ou outra eu vou descobrir.

– Eu já contei!

– É? E onde fica mesmo esse departamento especial de procurar crianças perdidas ou homens com telefones desligados?

Com vergonha, ela cruzou os braços, e apontou apenas um dedo na direção da porta do outro lado do corredor. Edward olhou.

– Ali? Você entrou naquela salinha escrito Acesso Restrito?

– Não é uma salinha, tem uma escada e aí no final, a sala da Comunicação. Imagina subir tudo aquilo carregando essa minha mala cheia de livros? Valorize o esforço que fiz por você!

– Você sabe o significado de Acesso Restrito?

– Me deixa! Eu não estava com a cabeça no lugar, já tinha meia hora que eu estava rodando te procurando, pensa como eu fiquei?

– Ficou doida. Ok, e depois?

– Você não vai me deixar em paz com essa história, né?

– Não mesmo. – ele sorriu presunçoso. Bella apenas revirou os olhos, e já que estava no meio do inferno da vergonha, iria abraçar o capeta da derrota de vez.

– Depois eu falei com a moça. Wanda, o nome dela, uma senhora bem simpática, até. Eu pedi para que ela anunciasse uma pessoa perdida. Pedi não, implorei, e ela me deixou entrar... Então eu inventei que você era meu filho, uma criança. Só assim ela se compadeceu e fez o que eu estava pedindo.

– Porque você implorou. – ele estava ansiosamente aguardando que ela contasse do suborno.

– Isso.

– Você chorou? Por que eu super consigo imaginar você chorando.

– Para de falar super, é coisa de adolescente, já conversei com você a respeito.

– Não fuja do assunto falando do meu vocabulário pobre, Professora. Continue a história.

Ela suspirou. Em momento algum conseguia focar o olhar no dele, desviava sempre para baixo, de tão envergonhada.

– Bom, aí eu não sei o que deu em mim. Foi um impulso muito forte. Eu me apavorei com um medo real e irracional de você ter fugido de mim. E... Só sei que eu puxei o microfone da mão dela, e comecei a berrar seu nome, perguntar onde estava.

– Você puxou o microfone? – seus olhos ficaram imensos. – Porra, você podia ter machucado a mulher, imagina se ela resolve te processar?

– Eu não ia machucá-la, não era minha intenção. Só que ela também não ficou passiva, veio pra cima de mim com tudo, mas eu consegui tirá-la da jogada, e fiquei com o microfone. A sorte é que depois ela ficou com pena quando eu disse que estávamos no voo de Alexandria, e me deixou em paz.

– Calma aí, o que você quis dizer com tirar ela da jogada?

– Sei lá. – ela tentou disfarçar, porém viu que ele continuava encarando com força total. Não havia saída. – Ai, tá bom. Eu dei uma bundada nela, e ela saiu deslizando na cadeira.

– Ah! – ele apenas berrou antes de cair na gargalhada. – Pelo amor de Deus, Isabella!

– Ela é uma mulher grande, ok?! Eu sou pequena, tinha que usar minhas armas!

– E que armas, hein? – ele se inclinou para dar dois tapinhas na bunda dela, que logo espantou a mão intrusa.

– Para! A gente tá em público.

– Ah, claro, fazer um escândalo nos alto-falantes de um aeroporto tudo bem, mas eu encostar na sua bunda um segundo é um pecado?

Bella nem deu ouvidos, somente começou a pensar num jeito de aliviar sua barra.

– Sabe de uma coisa? Eu devia era processar essa Egypt Airlines. Vou até consultar a Leah, ver onde podemos enquadrar a empresa. – ela se indignou, braços cruzados novamente. – Só por causa da porcaria de serviços deles é que eu fiz essa loucura toda. Se a caixa da internet não tivesse queimado naquela carroça que eles chamam de avião, eu não passaria por esse estresse!

– Carroça? Você estava na Primeira Classe, com certeza não parecia uma carroça!

– Pior ainda.

Edward balançou a cabeça, se aproximando e massageando um pouco os ombros tensos da morena.

– Deus, como eu amo você. Sério. Como aguentei ficar dez meses longe? – ele segurou seu rosto, alisando suas bochechas e se aproximou para um beijo, finalmente aquele prometido minutos atrás.

Não demorou nada para que Bella se desmanchasse, subindo as mãos pelo cabelo dele. Foi carinhoso e tenro, um agradecimento por tudo o que ela havia feito, e uma libertação para a moça.

Porém não durou muito. Edward começou a rir novamente em seus lábios, até ter que se afastar.

– O que foi dessa vez? – Bella indagou desanimada.

– Calma, é que está difícil acreditar que... – dizia entre gargalhadas, sem ar. – Que você realmente lutou com a moça dos anúncios e ainda por cima... Subornou ela só pra me achar.

– Não fala assim, eu só dei um trocado... De vinte libras.

– Suborno. É assim que chama mesmo, querida.

– Ei, mas espera aí, eu não contei essa parte, de onde você tirou isso?

– Eu ouvi dois auxiliares da limpeza comentando quando você estava no banheiro. E ainda te chamaram de patricinha pão dura e cheirada!

– Ai, meu Deus. – ela não teve outra reação a não ser tapar o rosto com as mãos. Humilhada. Completamente humilhada, ela estava. – Eu só deixei o dinheiro e saí correndo, foi uma forma de agradecer pelos danos causados.

– Eles falaram claramente que você subornou. – Edward só ria.

– Foi o desespero de uma mulher apaixonada! E a privação de sono... E talvez as taças de champanhe e a dose de uísque que tomei pra não entrar em pânico no voo.

– E tudo isso só porque eu fiquei preso na fila do banheiro quase mijando nas calças! – ele segurou a barriga com as mãos, se escorando na parede. – Ai! Ai, eu vou morrer!

A risada dele já havia escalado para a potência máxima, o que significava que praticamente todo o saguão podia ouvir, e as cabecinhas dos passantes começavam a girar. Bella tentou materializar um buraco se abrindo no chão para a engolir, a realidade do que havia feito arrebatando-a de vez.

Com cara de tacho, ela teve que esperar até Edward se acalmar do ataque de risada novamente. As pessoas passavam olhando-os como animal no zoológico, e Bella estava cem por cento pronta para esse dia acabar logo.

Claro que, no final, ela mesma já estava prendendo um pouco o riso, embora ainda estivesse em choque para assumir seus atos esdrúxulos e rir de si mesma completamente.

O rapaz finalmente se ergueu, secando os cantinhos dos olhos. Respirou fundo.

– Desculpa. Não aguentei.

– Oh, me prometa que isso não vai sair daqui, hein. Bico calado. – ela apontou na cara dele.

– Ah, isso com certeza vai sair daqui. Você acha que eu vou perder a oportunidade de contar pra todo mundo que o amor da minha vida me fez uma imensa e cafona declaração pública, pra milhares de pessoas ouvirem? E que foi Isabella Swan, a própria chata das regras, que quebrou várias só pra isso?

Bella ficou tão encantada por ter ouvido uma expressão específica, que não ofendeu-se nem quis protestar mais. Pegou no colarinho da jaqueta dele, brincando timidamente, antes de pedir:

– Eu sou o quê? Fala de novo.

– A chata das regras? Isso você já sabe.

– Não, a outra coisa aí que você falou...

Edward viu a carinha que ela fazia, e a trouxe para perto enlaçando sua cintura. Observou sua face por um momento.

Os grandes olhos gentis brilhando, os cílios ainda um pouco úmidos; as pequenas sardas sobre o nariz meio inchado pelo choro; a boca vermelha maltratada de tanto que ela devia ter mordido as pelinhas pelo nervosismo durante o voo; até as pequenas rugas que os anos traziam por sorrir tão lindamente.

Edward sentiu no peito uma sensação de paz e pertencimento tão boa, que não havia outra forma de dizer isso. Era o amor da sua vida todinho mesmo.

– Você é a mulher da minha vida, Isabella Swan. Meu primeiro e único amor de verdade. – ele exalou o ar com dificuldade, assim como ela. Mas ambos sorriam.

– Você nunca disse isso pra mim antes.

– Não? – ele apertou os olhos tentando se lembrar, porém a memória dela sempre foi melhor e isso ele não discutia.

– Não. Só "eu te amo". Mas isso aí é diferente, na minha concepção.

– Bom, acho que estou dizendo só agora porque hoje eu tenho certeza. Precisei de um tempinho pra confirmar isso.

– Entendi...

– E aí?

– E aí o quê?

– Você não vai retribuir, dizer que eu sou o homem da sua vida e tal?

– Acho que já deu pra perceber que você é, né? Eu paguei o maior mico de cinco encarnações por você, além de ter cometido talvez uns três delitos. E aliás, eu acho melhor a gente ir embora logo, antes que a Wanda mude de ideia e eles resolvam chamar a polícia, e estou muito exausta pra correr.

– Boa pedida. – ele pegou sua mão, para com a outra puxar o carrinho da mala. – Vamos pra casa.

– Pra casa, finalmente.

xxxx

O aeroporto não era tão grande, mas ainda assim o caminho até a saída parecia uma eternidade. Não conversaram mais durante cinco minutos, ambos em suas cabeças recordando e repassando o dia de hoje.

Bella enviou uma mensagem à Alice, tranquilizando-a e falando que já estava saindo. Também mandou aos seus pais, e Edward fez o mesmo com sua mãe. Eles podia estar em outro continente, porém ambos ainda contavam à família quando estavam indo viajar ou voltando. Um hábito que trazia um estranho senso de segurança.

No entanto, todo o marasmo foi sumindo conforme eles se aproximavam de uma lanchonete perto da entrada. Um bando de quinze meninas e meninos adolescentes com moletons da Disney e tênis coloridos ria, cochichava e apontava para eles.

– Ahm... Por que parece que sua amiga famosa de Instagram está atrás da gente? – Edward apertou sua mão, lembrando dos olhares no jantar em Atenas.

– Não sei. – falou Bella. Exceto que ela sabia muito bem, e suas piores suspeitas foram confirmadas quando uma adolescente loira e uma com feições indianas vieram em sua direção. Ambas tinham celulares com capas brilhantes nas mãos. – Elas estão vindo pra cá? Ah meu Deus, elas estão vindo pra cá.

O casal continuou andando normalmente, porém as pequenas foram acompanhando.

– Oi! – elas falaram, e a menina indiana tomou a frente. – Vocês estavam com a Nina ontem em Atenas, né?

Finge demência, finge demência. – Edward sussurrou no ouvido de Bella, mas ela se atrapalhou e acabou miando um "Aham" confirmatório.

Certamente elas tinham visto as fotos no Instagram de Irina. Agora Bella se arrependia de ter dito seu perfil no site que ela nem usava para a modelo internacional e influencer NinaPavlova marcar nas fotos.

– Nossa, vocês são muito mais bonitos pessoalmente! – a menina loira falou. – E foi tão fofa a declaração da Bella, ela te ama mesmo, Edward!

– Ah, vocês ouviram? – Bella sorriu querendo desaparecer.

– Claro, todo mundo! Muita coincidência encontrar vocês aqui, a gente veio no avião invejando as fotos da Nina na Grécia. – a outra garota disse. – Não sabia que vocês eram namorados.

– Rupi, eu acho que eles são casados, ela tava falando de netos!

– Não, Jane, eles nem aliança tem. Ou tem? Vocês são casados?

– Não. – ambos responderam juntos e sem graça.

– Então namoram mesmo, né?

Eles nada disseram, apenas apertaram o passo. Felizmente, a Jane engatou em outro assunto.

– Aliás, vem cá, por que vocês não destrancam o perfil do Insta? Iam fazer o maior sucesso.

– Nós não somos famosos, sinto muito. – Edward se manifestou.

– Ué, e daí? Não são, mas passam a ser. – a Rupi falou. – Mas enfim, a gente veio aqui só pra perguntar se vocês podem pedir pra Nina gravar um stories pra Jane. Hoje é aniversário dela.

– Gravar o quê?! – Bella perguntou.

Shh, não dá mais brecha. – o rapaz murmurou, antes de lançar a elas um sorriso especial que sempre usava para conseguir algumas coisas. – Garotas, mil perdões, mas não podemos fazer isso, Irina está voando nesse momento, incomunicável. Aliás, temos que ir, nosso táxi já chegou!

Funcionou. As duas pareciam hipnotizadas pelo rapaz, e pararam de seguir. Ele foi andando mais rápido até atravessar a porta automática, carregando Bella consigo.

– Tchau! Feliz aniversário! – berrou ele, vendo as meninas ficando para trás.

Bella pegou a deixa, e correu para abrir a porta do primeiro carro que viu pela frente, furando a fila de alguns passageiros que aguardavam antes dela. Alguém berrou "oh folgada!", mas ela nem se agravou. Já tinha quebrado tantas regras hoje mesmo.

– O que está fazendo? – Edward riu um pouco do desespero dela, afinal eles tinham combinado de ir de Uber, o táxi era só para despistar.

– Só entra! – respondeu, já pedindo que o motorista abrisse o porta-malas e jogando a dela lá dentro.

Edward fez o mesmo, e eles entraram no carro, finalmente respirando aliviados, embora um pouco esbaforidos. Nem queriam pensar na grana que seria gasta num táxi, ambos exaustos demais para enfrentar trens e ônibus a essa altura – ou adolescentes loucas enquanto esperavam um Uber.

– Jesus, o que foi isso?! – o rapaz se perguntou, incrédulo e passando a mãos pelos cabelos.

– Depois dessa, não pretendo mais sair de casa por uns quinze anos. Pronto, decidi. Se você ainda quiser ter filhos, só se for no meio do mato como Tarzan e Jane.

– Tô dentro. Contanto que você fique de tanguinha o dia inteiro.

– Pra onde, meus caros? – o motorista pigarreou. O casal se entreolhou, e só agora Edward percebia que ele não fazia ideia do atual endereço de Bella, ou mesmo se deveriam estar dividindo um táxi, se iriam para lados opostos.

– Ahm... Estou morando em Camden. Perto da ponte pra Regent's Park. – Bella sanou a dúvida. – Pode me deixar primeiro, por favor. Depois ele segue para Hounslow, é caminho.

Edward sacudiu a cabeça, bufando uma risada, enquanto o motorista dava a partida para uma longa viagem de quase uma hora até a casa de Bella, e mais quarenta minutos até o flat do rapaz.

– Claro que você está morando em Camden. – ele debochou.

– O que tem?

– Você diz que não, mas adora um clichê de hipster londrino. Assim como todos que moram em Camden Town.

– Não é nada disso. Foi o mais perto que achei da faculdade, só quinze minutos de ônibus direto. Não gasto mais de uma hora no trânsito, como antes, nem preciso mais pegar três conduções. A rua é tranquila, é perto de mercados e feiras, também de várias livrarias e cafés, onde eu acabo tendo eventos do trabalho que posso ir a pé. E ainda tem um estúdio de yoga na frente.

– O que é uma das frases mais hipsters que existem na língua inglesa.

– Olha quem fala.

– Eu não sou hipster. Sou alternativo. – falou, mas assim que as palavras saíram, ele se arrependeu. – Ok, isso soava melhor na minha cabeça.

– Ah, que cara de pau. – ela riu. – A pessoa mora num estúdio caindo aos pedaços, podendo pagar coisa melhor, só pra manter a imagem de artista sofrido que não liga pra aparências. E ainda por cima, eu lembro bem que você escolheu aquela rua só porque Jasper falou que o cara do Led Zeppelin foi criado lá. Moral para falar de mim: zero.

– Primeiramente, o nome dele é Jimmy Page. E segundo que... – ele pensou por um instante, refletindo que talvez não tivesse mesmo muita moral para falar dela, pois era tudo verdade. – Você concordou em morar lá.

– Eu era jovem e estava cegamente apaixonada! Foi fácil ser convencida a ir morar lá.

– Da forma como você fala, parece que morar comigo foi a pior coisa que aconteceu na sua vida.

Bella viu que ele parecia sério dizendo aquilo. Temeu ter passado do ponto das alfinetadas, embora ele tivesse começado.

– Não foi a pior coisa. Só… Não foi como eu esperava.

– O que você esperava, então? – perguntou com curiosidade genuína.

– Um lugar melhor, maior, mais organizado. Menos mofado.

– Aquilo foi o que a gente conseguia pagar na época. Bem… Ainda é o que eu consigo pagar agora, morando sozinho. Não tinha como ser muito diferente.

– Tudo bem, mas mesmo assim... Eu entendo que você não ligue pra bagunça, mas eu preciso ter as coisas limpas e no lugar pra minha mente funcionar direito. Por isso eu passava tanto tempo na biblioteca da faculdade estudando ou produzindo textos. No caos, eu só consigo criar caos, me perturba.

Edward assentiu, percebendo verdade no que ela dizia.

– É, faz sentido. Desde que eu tenho tentado manter o mínimo de organização, tudo parece fluir magicamente mais fácil. – falou, antes de começar a fingir um draminha. – Argh! Não acredito que estou dando o braço a torcer sobre esse assunto. Você faz essa coisa de ser adulto parecer tão fácil.

Bella riu.

– A gente tem trinta anos, você já está sendo adulto há um tempinho.

– É, mas só agora estou pegando a manha disso. Você parece que já veio sabendo.

– Eu sou uma mulher que veio de uma cidadezinha e acabei indo parar em outro continente sozinha. Era crescer na marra, ou o mundo me engoliria. Fora que aprendi cedo a me virar, a criar meus métodos dentro de casa com a minha mãe trabalhando tanto. E eu sou uma mulher, já falei isso? O mundo cobra mais de mim.

– Certo, é verdade. Mas você nunca se abriu comigo sobre isso… Digo, sobre como precisa de tudo certinho pra trabalhar e criar.

– Foi uma das coisas que só percebi há pouco tempo, com a terapia. Antes de qualquer coisa, essa é a forma que eu funciono, não tem jeito, eu preciso do mínimo de ordem pra ficar bem. Talvez eu devesse ter lidado melhor na convivência com alguém diferente, reconheço. Mas essa percepção só veio agora.

– Eu achava que o problema era eu. Você só brigava e mandava. Eu nunca soube receber bem, me emputecia… Quer dizer, o problema não sou eu, né? Como companheiro?

Bella viu a incerteza em seu olhar.

– Edward… Eu não vou mentir, você era parte do problema, sim. Difícil dissociar uma coisa da outra, né? Principalmente quando rolava aquelas festas, mexia com todos meus esquemas, cronogramas. Você sabia que eu sempre tinha que acordar cedo pra estudar ou trabalhar, me atrapalhava.

Ele fez uma careta de reprovação a si mesmo.

– Ouvindo você falar assim… Soa péssimo. Parece que faltou bom senso e respeito da minha parte. Faltou, né?

– Correto. – ela sorriu um pouco, contente por ele ter feito sua autoavaliação. – Mas também, não é como se você fosse um companheiro horrível...

– Não?

– Claro que não. Você sempre soube respeitar meu espaço e meu silêncio, era muito bom quando a gente ficava lendo no sofá domingo de manhã, por exemplo. Ou o contrário, quando a gente precisava falar e tinha nossas conversas bobas ou profundas antes de dormir…

– Eu também gostava. Sinto falta. – ele sorriu de lado, e Bella retribuiu.

– E também tinha os jantares que fazia pra mim quando eu chegava tarde… E se eu estava tendo uma semana ruim, sempre achava chocolates nas minhas bolsas e seus recadinhos nos meus livros, isso realmente era muito fofo.

O coração dele se apertou com as palavras, e sua mão foi acariciar o rosto dela.

– Obrigado, mas essas são coisas que qualquer namorado faz. Eu queria saber como companheiro de casa, de vida...

– Preciso te corrigir, porque essas são coisas que Edward, como namorado, faz. Por que você acha que eu fiquei com você tanto tempo?

– Por que eu sou um gostoso e ofereço o melhor sexo da sua vida?

Bella abriu a boca, espiando se o motorista tinha ouvido aquilo. Ele parecia impassível, mas talvez fossem os anos de treinamento.

– Você é ridículo.

– Tudo bem, eu sei que a resposta é sim.

– Bom, voltando ao assunto. Eu diria que como namorado, você foi… O melhor de todos. Como companheiro de casa… Poderia melhorar bastante.

– Se você me permitir… – ele limpou a garganta, voltando a falar sério. – Eu quero ser um homem melhor, um companheiro melhor, sabe. Pra você. A partir de agora.

Bella o olhou por alguns instantes antes de suspirar. Sua cabeça estava cheia de tantas palavras, e nenhuma parecia adequada. Pegou a mão dele, deixando um beijo, decidindo somente agradecer.

– É muito bom ouvir isso. Eu sei que você quer, vejo honestidade. Obrigada.

Ok, talvez não fosse exatamente a resposta que Edward estava querendo ouvir, mas já era melhor que nada. Bella tinha falado tanto sobre conversar, mas ele não sabia se isso já configurava como "A Conversa". Em todo caso, resolveu esperar o tempo dela. Deus sabe como já tinha sido difícil chegarem nesse ponto.

A viagem continuou com reminiscências sobre a recente estadia na Grécia, e eles ficaram vendo fotos juntos, rindo das lembranças. O motorista, Elio, até se interessou pela história e eles a recontaram – o que já estava virando corriqueiro a essa altura. O pessoal adorava mesmo ouvir uma história de quase-tragédia.

Pela janela do carro, foram observando a noite de Londres e o estrago que a nevasca havia deixado. Boa parte da neve já tinha derretido, e havia pontos onde a rua enlameava, a sujeira esperando para ser limpa, algumas árvores padecendo com a ação do tempo. E apesar de tudo, sentiram o alívio de estar no lugar que haviam escolhido chamar de casa, após tantos acontecimentos.

O celular de Bella vibrou em sua mão com nova mensagem.

[Alice]
Tá onde? Preciso dar um pulo no teatro.

[Bella]
Já em Camden.
Daqui uns dez minutos estou aí!
Mas pode ir, sem problemas.
Já te aluguei demais.

Obrigada por tudo!

[Alice]
De nada! Ok :)

Bella deu as coordenadas exatas de sua casa a Elio quando entraram no bairro de Camden Town, e em poucos minutos estavam chegando lá.

– Vou pagar até aqui, você completa o restante até sua casa, pode ser? – disse, tirando dinheiro da carteira.

– Não quer dividir tudo? Você vai acabar pagando mais, daqui pra minha casa é mais rápido.

– Não tem problema.

– Bella…

– Ai, pega logo esse dinheiro. – ela colocou dentro do bolso da jaqueta dele, e o rapaz precisou aceitar. Esse fim de semana surpresa podia ter sido maravilhoso, mas deixou um rombo na sua conta bancária.

O táxi foi parando até estacionar numa curva bem em frente à entrada da curta ponte de pedestres. De fato, havia um estúdio de yoga logo ali. Do outro lado da ponte, havia ruas de comércio e casas classe alta que rodeavam um Parque Real da cidade, o Regent's Park.

Edward não conseguiu evitar. Mesmo no escuro da noite, ficou avaliando a casa geminada de dois andares com paredes brancas e janelas compridas, uma mureta de tijolinhos coberto por um pequeno arbusto iluminado e uma fileirinha de flores na soleira da janela superior da casa à esquerda, que ele tinha a sensação de ser a dela.

Bella abriu a porta, agradecendo ao motorista. Mas antes virou-se para Edward.

– Me ajuda a subir a mala? Estou tão sem forças depois de tudo...

– Ajudo. – concordou, e saiu para rodear o carro. – Você tem vizinhos?

– Sim, alugo deles. Clientes de Angela, foi ela que me indicou. São um casal de idosos bem legais… Ex-hippies.

– Imagino. – ele riu, porém assentiu, de olho na casa. – É… Até que parece ser um lugar bacana. É agradável por aqui, menos movimento.

– Por favor, não inveje muito, eu acabei de pintar a porta.

– É a preta? – Ele fez um esforço para tirar a mala pesada dela e colocar no chão.

– Uhum.

– Pintou sozinha?

– Claro. Lixei e envernizei também.

Por algum motivo, aquilo fez o rapaz sorrir.

– Não tenho inveja, estou feliz por você. É o lugar que você sempre quis.

– É… Quase isso. Estou adorando morar aqui, mas o lugar que eu sempre quis mesmo é uma casa própria perto das montanhas, e até lá ainda falta muito. – ela deu de ombros, e iria começar a se despedir, porém Edward a puxou, de repente, surpreendendo-a com um beijo.

Por instantes, esqueceram-se de onde estavam e que horas eram, e só aproveitaram o momento. Suas energias pareciam ter até renovado com um pouco da excitação ressurgindo.

Até que Bella se lembrou do moço esperando no táxi, e se afastou a contragosto.

– Ok, chega.

– Não… – ele não quis desgrudar.

– Olha lá o taxímetro rodando.

– Tá bom, tá bom, parei. – disse ele, dando um passo atrás. Porém traiu suas palavras logo em seguida, e pulou para abraçá-la, tomando seus lábios novamente.

– Edward! – Bella riu entre seus beijos, os quais retribuía, segurando seu rosto. – Ele vai sair correndo com suas coisas lá dentro, hein.

O rapaz parou, então, portando uma expressão irritada como uma criança birrenta.

– Que porra. Como eu vou te largar agora, me diz?

– Como assim? – ela mexeu no cabelo dele, tirando da testa.

– Agora que eu te reencontrei, não consigo te deixar ir. Você está morando tão longe, amanhã eu já volto a trabalhar, não sei quando vamos nos ver de novo...

Ouvir essa informação fez o peito de Bella ficar pequenininho, e ela tentou não chorar. Buscou na mente uma palavra reconfortante, até que lembrou que eles não necessariamente precisavam dizer adeus ou se encontrar só quando o universo colaborasse novamente.

– Dorme aqui hoje. – falou sua ideia sem pensar muito.

– Sério?

– Se quiser… Pijama e escova de dentes você já tem.

– Não vou incomodar? Eu sei que você quer ficar com seus gatos, arrumar suas coisas...

– Ficar com eles com certeza quero, mas hoje não vou arrumar nada. Só quero comer, tomar um banho e cama.

– Plano perfeito. – ele sorriu. – Mas espera, Alice não está aí? Não sei se estou a fim de encontrar com ela logo hoje e dar explicações…

– Ela me avisou que ia dar uma saída. Se ela voltar, a gente te esconde no meu quarto. – falou, fazendo-o rir com a ideia.

– Ok. Então vamos. – ele tirou sua mala, e voltou ao táxi para pegar a mochila e pagar a quantia do taxímetro nesses minutos a mais.

Enquanto isso, Bella subia os cinco degraus até a entrada, já ansiosa para finalmente encontrar seus gatinhos, e pensando que teria que dar muitos petiscos para compensar sua falta. Edward iria ter que esperar um pouco pela sua atenção.

Ela já estava em outro mundo quando passou a chave pela fechadura, porém sua realidade deu um giro de 180 graus num segundo.

Uma hora estava abrindo a porta, e na outra:

– SURPRESAAA! – foi massacrada por berros e confetes na cara.

– AH, que isso?! – foi só o que conseguiu berrar, segurando o peito. Talvez sua alma tenha saído um pouco do corpo; já até sentia a boca meio dormente.

É infarto. Com certeza. Agora já era.

Percebeu seus amigos reunidos na sala de casa, e teve um impulso de dar meia volta e sair pela porta, mas Alice veio correndo abraçá-la. Porém foi Leah que explicou:

– Isso é uma recepção e uma comemoração à sua vida!

– Quase me matando de susto?! – disse entre dentes sobre o ombro de Alice.

– Sustinho à toa, para. Olha a faixa que eu fiz! – Leah foi abraçá-la também, e apontou orgulhosa para um cartaz de cartolina preso na televisão, escrito com letras impressas "Ainda bem que você está VIVA!", e bem pequeno embaixo, "pra pagar meu dinheiro (£10 daquele dia no pub. Passa a grana, meretriz)".

Mas que caralhos está acontecendo aqui, agora, neste dia?!

– Adorei. – Bella sorriu sem graça, concluindo que tudo isso devia ser uma daquelas piadas de humor britânico que ela ainda tinha dificuldade às vezes de entender. – Oi, pessoal.

Passou os olhos pelo ambiente, vendo a fila vindo abraçá-la no hall de entrada, enquanto só pensava em Edward pagando o táxi lá fora. Viu Jake e Angela com garrafas de Stella nas mãos, e até a Ekene, namorada nigeriana de Leah, estava lá com Mr. Darcy no colo.

Fodida. Era o estado no qual se encontrava Bella. Por quantas vezes nesses dias mesmo? Ela já tinha desistido de contar.

– Mas pra que isso, gente? – ouviu sua própria voz trêmula perguntar, abraçada a Angela.

– Amiga, você mandou aquelas mensagens ontem dizendo que estava com saudades, achamos você meio tristinha. A gente sabe como esses dias foram tensos pra você. – Alice explicou. – Então eu dei a ideia de fazer um comitê de boas-vindas só pra te alegrar um pouco. E realmente comemorar sua vida. Todo mundo sabe como você odeia voar, ficamos tão preocupados com tudo o que aconteceu naquele avião, você nem imagina...

E vocês não sabem nem a metade. Eu só queria minha cama.

– Bem-vinda, Bella. – Ekene a abraçou entregando o gato, que logo se aninhou no pescoço da dona. – Ele estava um doce hoje. O Heathcliff é que ficou escondido embaixo da sua cama.

– Oi, bebê. – ela o apertou e alisou, cheirando seu pescocinho. – Obrigada por cuidarem deles e da minha casinha nessa semana… Vocês são os melhores amigos do mundo, de verdade. Mas, gente, infelizmente eu estou exausta, não sei se consigo receber vocês direito.

– Eu disse que ela ia estar cansada. – Jake resmungou para a irmã gêmea. – Leah é teimosa.

– Foi ideia de Alice!

– Mas você que atiçou o pessoal a vir.

– Como eu ia adivinhar? Foram só quatro horas de voo, por que ela estaria cansada? Mas, olha, Bella, a gente não vai varar a noite, viu? – Leah tentou se redimir. – Só viemos te mimar um pouco. Tem comida pronta na cozinha, Angela se dispôs a preparar uma banheira quando você quiser, e também se—

A fala dela morreu repentinamente.

Bella viu os rostos dos amigos indo de descontraídos a pasmos e arregalados, ninguém dava um pio.

Angela foi a responsável por quebrar o gelo.

– Ahm, Bella. Acho que seu ex está atrás de você?

Ela petrificou no lugar, branca como estátua de cera. Se passasse um vento, se espatifaria no chão.

– É, eu volto em outra hora, tchauzinho! – o dito-cujo disse afobado deixando a mala dela na entrada, e Bella ouviu os passos atrás de si, a porta batendo no climão silencioso da sala.

Ela abriu a boca, fechou. Perdida e chocada. Não esperava ter essa reação, e agora não sabia o que dizer. Por fim, acabou decidindo ir atrás dele, soltando o gato no chão.

– Só um minuto. – falou antes de virar-se, bater a porta e descer as escadas. Chamou Edward de volta, falando baixo como quem queria berrar. – Psiu, pode voltar agora! Eu não vou segurar esse rojão sozinha, não!

Quando enfim o alcançou no portão, o rapaz fez uma careta.

– É tarde demais pra eu me esconder no seu quarto?

– Edward, a gente vai ter que dar um jeito nisso.

– O que eles estão fazendo ali, porra?

– Eu sei lá! – ela choramingou. – Comitê de boas-vindas e celebração da minha sobrevivência ao avião. Algo assim. Coisa de Leah e Alice, claro. Não vai ter jeito, fomos descobertos. Vamos pensar no que dizer.

– Não sei se estou pronto pra isso hoje, Bella. Estou tão cansado.

– E você acha que eu estou como? Mas a gente vai ter que dizer alguma coisa.

– O que você quer contar?

– Vamos resumir sem muitos detalhes, senão eles vão querer ficar a noite toda e eu não vou ter coragem de expulsá-los. – A cabeça dela estava a mil, buscando soluções para essa saia-justa. – Podemos dizer que nos encontramos na Grécia, fizemos alguns passeios juntos e eu te chamei pra um chá hoje, só isso. Eu conto o resto outro dia. O que acha?

Ela ficou esperando uma resposta, porém Edward olhava para longe e bufou uma risadinha.

– Que foi?

– Angela, Leah e Jake amontoados, espiando pela janela da sala. Ah lá, os bandidos, só os olhinhos na fresta da cortina… – ele sacudiu a cabeça, e Bella virou, porém só viu a cortina balançando. – Tsc, acabaram de sair. Pilantras.

– Eu só queria que esse domingo acabasse. – ela suspirou pesado, fechando os olhos e esfregando as têmporas. – Deusa do céu, se minha saúde mental sair incólume desse dia, eu prometo ficar um mês sem sexo.

– Ei! – Edward protestou, e ela abriu um olho.

– Ok, prometo ficar um mês sem chocolate.

– Ah bom.

– Está bem. – Bella ajeitou a postura, respirando fundo. – Eu sou uma adulta. Meus amigos não vão me intimidar. E eu não sou obrigada a responder nada se eu não quiser.

– Eu não tenho essa convicção toda, acho melhor eu meter o pé mesmo. – ele virou-se novamente, porém a morena o impediu pelo pulso.

– Para de palhaçada! Cadê aquela coragem de horas atrás? Você não disse que não ia perder a oportunidade de contar pra todo mundo o que eu fiz no aeroporto?

– Disse. Mas não sabia que seria pra uma Inquisição Britânica dessa logo de cara.

– Quanto mais a gente enrolar aqui fora, mas eles vão ficar criando teorias, isso se já não sacaram tudo. Alice já deve ter contado que você estava comigo quando eu liguei pra ela logo após o pouso.

– Jasper tá aí?

– Não.

– Merda. Então se ela vier tentar cortar minhas bolas, você que vai me defender, ok?

– Vou pensar no seu caso. – ela o puxou, conseguindo trazê-lo pela escada. – Vamos logo enfrentar as feras, vem.

Ela abriu a porta com certa dificuldade, e obviamente Leah e Alice saltaram para longe assim que eles entraram, todos agindo como se nada tivesse acontecido.

– Vocês estavam ouvindo atrás da porta? – Bella desconfiou.

– Ah, por favor, você acha que a gente tem treze anos? – Leah protestou.

– Estavam sim! – Jake berrou enquanto colocava música para tocar, rindo. Recebeu um dedo do meio da irmã gêmea.

Edward estava ali parado com o rabo entre as pernas, agarrado à sua mala e brincando com a alça da mochila. Bella trancou a porta para começar a parte difícil da noite.

– Bom, vocês já devem saber, Edward e eu nos encontramos por acaso no voo que pousou em Atenas. – anunciou, todos olhando atentamente. – Ele estava na Bienal também. A gente dividiu o táxi do aeroporto, e íamos tomar um chá e conversar um pouco antes de vocês tentarem me matar de infarto. E aliás, alguém vai ter que limpar esses confetes do chão e essa bagunça toda aqui, viu?

Edward limpou a garganta.

– Oi, pessoal. – ele acenou, tentando um meio sorriso.

– Quanto tempo, hein? Você sumiu... – Alice se aproximou, e ele instintivamente se encolheu para trás. – Calma, rapaz, não vou morder, só quero te dar um abraço.

– Desculpa. – falou, deixando ser abraçado. Para não perder o embalo, foi passando pela sala e cumprimentando todo o resto. Além de Ekene, a quem ainda não tinha sido apresentado, Angela era quem ele menos tinha contato antes do término.

Alice e os gêmeos eram seus amigos mais próximos dali, se falavam pela internet com alguma frequência, mas não os via de verdade há três meses, quando ainda estava saindo com a outra mulher. Tinha dado de cara com eles num pub durante um encontro, e foi uma situação tão estranha, que ele preferiu evitá-los por um tempo, com medo de repetir.

– Esqueceu dos amigos, né, filho da puta. – Leah disse quando o pegou para um abraço firme. Em seguida, Jake deu um daqueles abraços com tapinhas nas costas como fazem homens héteros em todo o mundo.

– Esqueceu mesmo, arrombado.

O rapaz riu com os apelidos tão carinhosos. Essa turma fez muita falta nesses meses, isso era verdade.

– Eu sei, eu sei, vacilei com vocês… Estive meio ocupado. Perdão.

– Só desculpo porque Jasper contou que você está trabalhando pesado na produção de uma peça na ONG. – Jake falou, abrindo uma garrafa de Stella e dando na mão dele.

– Obrigado. Pois é, estou mesmo. Está chegando a estreia, é uma loucura.

– Vamos ser convidados pra assistir ou você vai ignorar a nossa existência de novo? – Alice debochou, em pé ao lado de Bella.

– Vou chamar todo mundo, fica tranquila. – ele virou-se para a moça negra sentada na ponta do sofá, ainda pouco aclimatada com a interação deles. – Oi, ninguém nos apresentou ainda, sou Edward Cullen, prazer.

Ela sorriu, apertando a mão do rapaz.

– Ekene Uba, como vai?

– Ah. Lembra quando você perguntou sobre as novidades do pessoal? – Bella se prontificou a explicar. – Eu esqueci de contar que Leah está namorando a Ekene.

– Jura? – Ele sorriu para as duas, surpreso. – Por que acho que já vi você em algum lugar?

– Ela é dentista naquela sala embaixo do seu flat. – Leah explicou, sentando-se ao lado da namorada. – Nos conhecemos lá sem querer. Eu estava ajudando Bella a carregar umas caixas na mudança em fevereiro, e acabei esbarrando na Ekene na calçada.

– Não só esbarrou como também derrubou o lanche que eu tinha acabado de comprar. Ainda estava quente!

– Mas como eu sou um doce de pessoa, claro que me ofereci pra comprar um novo, e você sabe que eu não perco tempo. – ela sorriu.

Edward sentou-se na poltrona livre ao lado, deixando o gato mais sociável da casa subir em seu colo. Mr. Darcy o cheirava tentando lembrar de onde conhecia aquele humano, cujas roupas não cheiravam mais à cigarro como antes.

– Quem diria. Leah Clearwater namorando. – o rapaz comentou.

– Por quê? Ela não costuma namorar? – Ekene perguntou, rindo.

– Não que eu saiba. Só conheci a Leah solteira das baladas. Já vi cada coisa...

– Rapaz, se você começar a contar meus podres, eu juro que vai sair sem um dente, e proíbo Eke de consertar.

Ele riu, embora com um pouco de receio. As amigas de Bella sabiam ser agressivas e protetoras quando necessário, especialmente com ele.

– Não está mais aqui quem falou.

– E como vai a… – Leah começou. – Qual o nome dela mesmo? Chelsea?

O corpo dele tensionou, e tentou não olhar para Bella, que fingia não estar interessada na conversa, porém quase subiu na ponta dos pés de antecipação para ouvir a resposta.

– Chelsea, sim… Ah, a gente não se vê há um tempo... Não deu certo.

– Hm. Entendi... – ela encarou a amiga nem um pouco discretamente, e Bella desviou os olhos. Um instante de desconforto voltou a assolar a sala, porém Angela novamente se prontificou a quebrar o climão.

– Bella, você tá com fome? Tem pizza, tailandês e mexicano, você escolhe.

– Claro, vamos comer. Estou morta de fome, posso provar de tudo um pouco. Vou só deixar minhas coisas lá em cima e já volto. – ela disse arrastando a mala, e Edward fez menção de levantar, no impulso, metade pelo desespero de ficar sozinho com as feras ali embaixo, metade no intuito de ajudá-la a carregar o peso.

Até que percebeu os olhares curiosos, afinal não havia nenhum motivo aparente para ele acompanhar sua ex-namorada até seus aposentos, e não se mexeu mais. A morena percebeu também.

– Jacob, me ajuda a carregar a mala, por favor?

– Eu?

– Você é o único Jacob por aqui, amigo.

– Tá bom... – o rapaz se ergueu, sussurrando rápido para Edward antes de subir a escada. – Se toca, cara, era a sua deixa.

– E-eu... – ele estava tão confuso sobre como agir, que apenas tomou mais um gole de cerveja.

– Vou pôr a mesa! – Angela saltou da outra poltrona. – Alguém me ajuda?

– Eu! – Leah exclamou, sendo seguida por Ekene. Saíram logo com Angela para a cozinha, enquanto Leah murmurava algo que Edward entendeu como "se eu ficar aqui vou acabar falando besteira".

– Então… Gostou da Grécia? – Alice puxou assunto.

– Muito. É linda. Só a vista do hotel em Nea Makri já era incrível, bem de frente ao mar, uma cidade bem tranquila.

– Nea Makri? Você ficou lá também?

Edward pausou um instante, temendo ter dito algo errado.

– Aham.

– Ué. Bella disse que você ficou num hotel em outra cidade.

– Sério?

– Sim. Vocês ficaram no mesmo hotel?

– Ahm… O que ela contou mesmo?

Muito esperta, Alice começou a juntar todas as peças daquilo que tinha conhecimento. Soltou uma risada enquanto sacudia a cabeça lentamente.

– Agora tudo faz sentido...

– Oi?

– Meu Deus, a cara nem treme! – exclamou.

– Mas eu nem fiz nada!

– Claro. Tsc, tsc, bem que eu estava pressentindo isso...

– Pressentindo o quê? – Bella voltava com Jake atrás.

– Que você tem um monte de novidades pra contar pra gente. – Alice sorriu, ardilosa como o gato do País das Maravilhas.

– É… Algumas.

– Mesa posta, amigos. – Angela anunciou.

– Ótimo, vamos comer! – Edward se levantou na velocidade da luz.

Poucas vezes Bella viu sua casa como nessa noite.

Parecia feira de domingo, tanto pela falação, quanto pela comilança e bagunça. Para ser honesta, ela já não estava ligando muito. O cansaço era maior que a preocupação, e além disso, começava a perceber sua sorte por ter aquelas pessoas em sua vida, e por eles se importarem tanto com ela.

Estava grata pela festinha, mas é claro que ela não seria boba de externar esse sentimento logo agora, afinal ainda precisava convencê-los a ir embora em exatamente duas horas, deixando tudo arrumado. E foi o que combinaram enquanto ela servia um prato de pedreiro: metade frango tailandês, metade pizza de pepperoni.

Não havia cadeiras suficientes na pequena mesa, então o pessoal foi pegando a comida e se espalhando pelo sofá, poltronas e até no chão perto da mesinha de centro, reunidos próximo ao som, que tocava Janelle Monáe.

Edward ficou ao lado de Bella no sofá o tempo todo, como um garotinho assustado na barra da saia da mãe, enquanto todos jantavam e conversavam animadamente. Ambos sentiam ser o centro das atenções, porém tentavam agir com naturalidade. Fizeram piadas, ouviram sobre o perrengue que foi a nevasca na cidade e riram de Alice contando peripécias dos felinos da casa nesses quase sete dias sem a dona.

Tudo corria suave e tranquilamente, até que, de repente, Ekene soltou um arquejo de surpresa, olhando seu celular.

– Vocês saíram com a Nina Pavlova?! – ela virou a tela para o ex-casal da sala, mostrando a foto deles na boate, no Instagram da amiga famosa. Bella foi atingida pela mesma adrenalina de algumas horas atrás com as garotas no aeroporto, e sua cabeça instintivamente começou a negar.

– Nós? Não, são só pessoas parecidas.

Porém Leah pegou o celular para checar, já sem intenção de deixá-los em paz.

– Credo, Isabella mente que nem sente. É você e Edward sim, ela até marcou os perfis dos dois!

– Desde quando vocês são amigos da Nina?! – Angela exclamou, com Jake ao lado olhando o celular, que agora já rodava a sala toda.

– Porra, vocês conhecem essa deusa mesmo? E nunca me apresentaram? Que amigos, hein…

Ai meu Pai, de novo não.– Edward cochichou.

– Gente, como é que todos vocês conhecem Irina? – Bella se denunciou.

– Como vocês conhecem ela? – Leah indagou.

– Ela é uma amiga antiga. Nós fomos colegas de quarto na faculdade, e nos encontramos na Acrópole por coincidência, fazia anos que eu não tinha notícias dela.

– Meu amor, você vive numa caverna? Ela é simplesmente uma das modelos mais famosas da Victoria's Secrets, desfila todo ano, é o maior sucesso daquele show que eles transmitem. Como não tinha notícias?

– Desculpa se ver desfiles de lingerie não é meu tipo de entretenimento preferido, querida, eu tenho mais o que fazer!

– Olha a hipócrita falando, até parece que não ficou um final de semana todo fazendo maratona de RuPaul's Drag Race, enquanto dizia que estava vendo Downton Abbey. Eu vi no seu perfil do Netflix.

– Você fica espionando a conta dos outros, é? Eu vou mudar a senha hoje, acabou a farra. E o que uma coisa tem a ver com a outra? RuPaul é arte.

– Tem tudo a ver! Ambos os programas tem gente montada desfilando e dando pinta com música pop tocando—

– Vocês podem parar de discutir? – Ekene interrompeu as duas. – Eu só queria ouvir sobre essa balada com as celebridades, até a Katrina Petrov e a Tanya Denali estavam lá. Que loucura foi essa?

– Isso, conta! – Angela implorou, olhos brilhando. – Ai, aquele marido da Nina é esquisito mesmo? Não gosto da vibe dele...

– Esquisitíssimo. – Edward confirmou num tom sóbrio, fazendo Bella rolar os olhos.

– Então eles estavam em Atenas juntos mesmo… – Alice murmurou para si, porém todos ouviram, e o tempo pareceu suspender por um segundo. Bella tentou manter a compostura fria para falar sobre aquilo como se não fosse uma grande coisa.

– Ah… É, a gente acabou ficando no mesmo hotel, e ia ser meio tedioso ficar o tempo todo lá. Resolvemos passear um pouco. Fomos a algumas cidades próximas do litoral, além de Atenas.

Seus amigos fizeram não-tão discretas caras de espanto, o silêncio muito parecido com o momento em que Edward entrou pela porta mais cedo.

– E gostaram? – O sorriso de Alice dizia que ela já havia compreendendo muito mais do que Bella havia contado, porém não iria dizer nada para não constranger a amiga.

– Muito, é um lugar lindo. Depois mostro as fotos pra vocês.

O climão se estendeu por mais alguns instantes, cada um com mil perguntas na mente à espera de respostas.

– Então… – Jake limpou a garganta, já incomodado com o silêncio. – A Nina tem marido. Mas e a Katrina? Será que não rola mesmo me apresentar? Eu posso ir pra Rússia, tenho milhas.

Bella riu, respirando aliviada, já que o interesse sobre o rolo dos dois ex-namorados na Grécia parecia ter sido ofuscado pela aventura com os famosos. Enquanto acabavam de comer, eles recontaram como havia sido o intenso dia anterior.

Falaram do jantar VIP, da boate, da bebida e ilícitos suspeitos, prendendo a atenção dos amigos, que fizeram mil perguntas – inclusive se elas eram mesmo lindas pessoalmente e como Nina tinha sido como colega de quarto, anos atrás.

Recontaram pela décima vez sobre a experiência no pouso emergencial do voo de ida, e como Bella havia ganhado uma passagem de primeira classe na volta, novamente matando as amigas de inveja por ter encontrado o ator.

Quando Bella começou a bocejar, Angela, sempre a mais sensível, foi a primeira a se levantar do chão, convocando a todos para limpar a bagunça que haviam feito, mandando a dona da casa descansar lá em cima.

Em vinte minutos, tudo estava no lugar, como encontraram.

– Vou chamar o Uber. – Jake avisou, ao final. – Edward, quer rachar?

– Ah… Não, valeu. Vou ficar mais um tempinho… Acho que ela ainda quer conversar. – ele coçou a cabeça, nervoso. Os olhares e sorrisinhos do pessoal não passaram despercebidos.

– Certo. Boa conversa, então. – o rapaz piscou um olho, tapeando o ombro do amigo, antes de ir para a escada chamar Bella, que brincava com os gatos no corredor. – Bells? Estamos indo!

Ela desceu rapidamente para se despedir, um a um na frente da porta da rua. Alice foi a que lhe agarrou mais forte.

– Eu sei que você mentiu pra mim sobre Edward ter ficado no mesmo hotel, mas tudo bem. Agora entendi tudo. – ela sussurrou em seu ouvido.

– Desculpa. Mas é que esses dias foram uma loucura. Eu não sabia o que dizer...

– Tudo bem, de verdade. Vocês parecem felizes.

– Estamos. – confessou.

– Espero que seja pra valer dessa vez. Vocês merecem… Tenha calma e paciência. – disse antes de beijar sua bochecha e soltá-la, virando-se para Edward e o abraçando da mesma maneira. – Estou feliz de ter você de volta, amigo.

– Também estou, Ali.

– Cuida bem dela, hein… E lembre que ela tem uma família aqui. Estamos de olho. – ela brincou ao se afastar, e Edward riu, muito embora quisesse se esconder no cantinho.

– É, isso aí. – Leah chegou perto dele para abraçá-lo também, a última que havia sobrado na sala. – A gente vem correndo se ela chamar. Estamos de olho, rapaz.

– Okay... – ele disse, e Bella foi abraçada em seguida, vendo a cara de medo de Edward. Ofereceu-lhe um sorriso misericordioso.

– Eu consigo me virar sozinha, não precisa. Mas agradeço o apoio. – ela se afastou, encaminhando Leah para a porta e deixando Edward na sala.

– Vamos marcar uma cerveja, Ed! – falou antes de sair. Ele apenas deu um joinha. Ao chegarem do lado de fora da casa, o pessoal já estava sentado no carro. Leah a puxou pela mão e parou, encarando-a por alguns instantes, e Bella logo soube que ela tinha algo na ponta da língua.

– Que cara é essa, hein?

– Posso te fazer uma pergunta indiscreta? – ela teve a decência de dizer antes.

– Claro que não!

– Você nem precisa responder em voz alta, só piscar uma vez pra sim e duas pra não.

Bella teve que rir.

– Eu prometo que vou contar tudo, é uma longa história, mas não agora. Estou exausta, e Edward também, precisamos descansar.

– Ele vai dormir aí?! – ela arquejou, tapando a boca, porém ainda falando baixo. Bella quase se deu um soco, sem acreditar no que tinha acabado de deixar escapar. Leah era puro orgulho. – Eu sabia! Dá pra ver na sua cara todinha.

– Ai, não me vem com aquele clichê de que eu estou brilhando por estar apaixonada.

– Não, é só porque você estão fofinhos perto um do outro a noite toda. Fazia tempo que eu não te via tão felizinha.

Bella sequer tentou negar.

– Tá bom. Mas se você contar pra alguém que ele vai dormir aqui, Ekene vai receber aquelas fotos do ano novo em Amsterdam, hein.

– Como você é baixa, Isabella Swan.

– Eu jogo com o que tenho. – falou dando de ombros e cruzando os braços.

– Minha boca é um túmulo, eu juro. – disparou e logo arfou novamente antes de sussurrar, – Meu Deus, vocês já tiveram o sexo de reconciliação, né? Puta merda, tiveram sim!

– Para de ser fofoqueira, Leah! – ela se virou para entrar e fechar a porta de uma vez. – Tchau.

– Ei, isso é um chupão no seu pescoço?! – A mão de Bella voou para tapar o local, mesmo sabendo que era apenas implicância da amiga e que não havia nada ali. Leah foi descendo pela escada rindo. – Vamos tomar um café essa semana, me liga. E boa noite!

Quando enfim conseguiu trancar a porta, Bella virou, se escorando na madeira preta para encarar Edward sentado no sofá, terminando sua cerveja.

– Enfim, sós. – ele comentou. – Eles são divertidos, mas essa noite foi uma pedrada.

– Dia mais longo. Da vida.

– Finalmente acabou. Ouça a paz e o som do silêncio...

– Quer ficar de molho na banheira por meia hora antes de dormir?

– Vai ter espaço pra mim?

– Claro.

O sorriso dele com o convite foi tão grande quanto ontem, da primeira vez que ela sugeriu um banho. Sentia que estavam se re-acostumando à uma rotina em conjunto, e quem diria que algo tão singelo assim lhe traria tanta alegria?

– Vamos, então. – concordou, indo atrás dela. Pararam em frente à escada de madeira.

– Ah, deixe os sapatos aqui sempre que for subir ao segundo andar, ok? Prefiro evitar a sujeira.

– Regras da casa. Entendi. – ele obedeceu, tirando as botas e colocando-as num móvel baixinho de guardar sapatos sob a escada. Bella liderou a subida.

No andar de baixo, no cantinho do sofá, ficou seu celular esquecido.

Eles tomaram banho e foram para a cama quentinha sem saber que durante toda a madrugada uma nova mensagem iluminaria a tela de bloqueio – a foto preferida de Bella dos gatinhos na janela. A primeira mensagem na fileira era do amigo que eles tinham em comum.

[Carlisle]
Bella, você está em Londres? Uma tia passou esse video no grupo da família, e só abri porque achei o casal parecido com você e Edward. Que doido. Olha só:

"LINDO! Declaração de amor louca no aeroporto de Londres s2 s2"

clique para ver

Antes de dormir, Isabella lembrou-se vagamente que tinha deixado o celular na sala. Porém o sono dos justos e exaustos falou mais alto, e ela adormeceu sem se mover um centímetro para resgatá-lo. Na sua mente, apenas sonhos sobre Colin Firth com champanhe, e nenhuma ideia do que o dia seguinte lhe reservava em três exclamações e emojis de coraçãozinho.


N/A: SOBRE O EXTRA - A cena da vez é o momento em que Edward ouve seu nome sendo chamado no aeroporto e sua reação. Obrigada à Barbara pela dica! Para receber basta comentar deixando seu e-mail disfarçado (vejam no meu perfil as instruções certinhas!) ou endereço de twitter OU comente com sua conta do FFnet logada.

Curtiram? O que você faria se, da noite pro dia, um video seu viralizasse? (Vamos ver como Bella reage...)

Até a próxima, beijos!