Disclaimer: Twilight é da Stephenie Meyer! Eu apenas faço seus personagens serem paranóicos a ponto de sair de casa num disfarce.
Obrigada a Dandara por ler, betar, comentar e me divertir com os socos que quer dar no meu casal.
SOBRE O EXTRA da vez: vai ter votação. Veja lá embaixo!
Capítulo 8: Big Brother UK
...Algumas horas antes...
– Então nessa banheira cabem dois, hm? – Edward comentou ao chegarem no segundo andar, aliviado por poder se portar livremente ao redor de Bella sem os amigos olhando como gaviões.
– Quase apertado, mas cabe.
– Nem banheira eu tenho. Ser rico é uma delícia.
– Eu não sou rica.
– Ah, qual é. Olha pra essa casa.
– Não é nenhuma mansão.
– Mas é bem decente. E tá tudo bem, viu? Você já disse que tá ralando muito pra pagar tudo isso. Mais rica do que eu, você está, com certeza.
– Isso te incomoda? – Bella indagou enquanto ia até a cômoda no quarto pegar toalhas e roupões, tudo duplicado e novinho, além de seus chinelos de banho.
– Nem um pouco. Você pode ser minha sugar mamma agora. – ele brincou, tirando uma gargalhada dela.
– Olha bem pra minha cara de quem vai sustentar marmanjo? Ah tá.
– Nem se eu oferecer sexo, carinho e muitas massagens?
– Se eu já tenho isso de graça há anos, por que pagar agora?
– Bom argumento. – Edward riu, de braços cruzados, inclinado na porta. – Que pena, vou ter que continuar trabalhando todo dia e correndo atrás dos meus objetivos como um mero mortal.
– Isso é divertido, também. Continue nessa. Acredito no seu potencial. – ela piscou um olho, implicando com ele.
Chegaram ao banheiro mais ou menos espaçoso, com um chuveiro separado da banheira, e o rapaz logo notou que parecia saído direto daquelas fotos que via rodando no Instagram. Era a cara dela.
Tijolos branquinhos, pequenos vasos de cactus e suculentas espalhados em prateleiras de madeira, detalhes em preto e dourado, uma cadeira de madeira ao lado de um espelho de corpo todo, além de uma pia cheia de cosméticos sobre um armário cinza-claro – o qual Edward tinha certeza que ela havia pintado sozinha também.
Mas ele ainda tentava entender mesmo era como Bella conseguia deixar o lugar mais cheiroso e limpo que qualquer coisa que ele já tentou lavar na vida. Disso estava com inveja.
– Fica à vontade. – disse ela, pegando uma caixa para escolher sais, espuma em barra e um óleo essencial que agradasse ambos. Tinha uma pequena coleção de itens para banho. Shh. Não julgue.
– Posso ajudar em algo, pra agilizar?
– Ah, as velas. Tem um acendedor na primeira gaveta. – ela apontou, e o rapaz rapidamente começou a iluminar as velas espalhadas ao redor da banheira. Algumas tinham um leve aroma, e a combinação delas com uma única lâmpada quente deixava o ambiente muito aconchegante. Se perguntou quantas horas na semana Bella ficava de molho aqui.
– Uau, você está preparando um banho de verdade. – comentou ao vê-la agitando a água crescente para fabricar as bolhas.
– Não faço nada pela metade, você sabe. Aliás, pro ritual ficar completo, a gente precisa tomar uma ducha antes. Vai indo lá enquanto termino aqui.
Ele despiu-se sem questionar, deixando as roupas sobre um banco de madeira, e foi logo para o chuveiro, se ensaboando e limpando o cansaço do dia.
Minutos se passaram, porém, e nada de sua ex-ex-namorada juntar-se a ele. Abriu os olhos depois de lavar o cabelo com o xampu dela, e viu pelo vidro embaçado que Bella o encarava duramente, ainda sentada aguardando a banheira encher.
– Vai ficar aí só assistindo? Esse corpinho não é de graça, Sugar Mamma, vou querer meus mimos.
Aquilo a quebrou, e sua risada foi sincera.
– Desculpa, nem percebi que estava olhando. – ela desviou-se, fechando a torneira para tirar a roupa e entrar no box. Ele lhe deu espaço. – Só estava pensando no que disse.
– Sobre?
– Correr atrás de seus objetivos. – retornou ao assunto, a voz sóbria sob o barulho do chuveiro. – Foi só brincadeira?
– Foi... Quer dizer, pensando bem, acho que não. Por quê?
– Bom, você esteve meio perdido por um tempo sobre isso… Fiquei curiosa.
Edward pensou por uns instantes. Enquanto Bella se ensaboava, ele tirava o condicionador do cabelo. Os tempos de cuidar da cabeleira comprida eram passado, mas o hábito permanecia.
– Não me vejo mais tão perdido. – respondeu. – Acho que entrar na ONG foi meu divisor de águas.
– Como?
– Lembra do que eu disse sobre minhas prioridades terem mudado? Então. Aquele lugar me deu novas perspectivas, coisas que eu nem sabia que desejava… Estou conseguindo enxergar melhor meus objetivos agora.
– Tipo quais?
– Ah… É só uma ideia. Mas eu gostaria de investir de verdade no teatro. Se minhas peças com as crianças derem certo, eu vou tentar escrever mais e vender pra algum diretor ou companhia.
Bella sorriu imensamente.
– Eu acho uma ótima ideia. Você sempre foi bom com diálogos, é perfeito pra escrever teatro. Pode até mesmo tentar roteiros de cinema.
– Acha mesmo? – Edward sorriu encabulado. Um elogio desses vindo justamente dela era música para os ouvidos.
– Claro, confia em mim. Seria uma boa investir nisso. Tenho um colega roteirista, vou te passar o contato.
– Jura? Obrigado.
– Imagina…
De coração quentinho, Edward deixou um beijo nela antes de sair do box, indo direto para a banheira morna e perfumada. O verdadeiro paraíso na Terra nesse momento, pensou ele, de olhos fechados para aproveitar melhor.
Mesmo que ele tivesse molhado o piso todo fazendo o caminho, Bella não teve forças para reclamar. Ficou um pouco hipnotizada pelos músculos novos que viu nas costas e no bumbum do moço, inundando sua mente de pensamentos bem gráficos. Jogar um pouco de água na cara foi o alívio que encontrou para a tentação.
Não demorou muito também, e logo ela estava pronta para seguir com a segunda parte do banho. Quando atravessou o banheiro, porém, algo na sua imagem no espelho captou seu olhar. Parou e virou-se para analisar a mancha no bumbum.
– Por acaso você deu um chupão na minha bunda ontem?
O rapaz só deu uma olhada antes de cerrá-los novamente.
– Talvez?
– Edward!
– O que é que tem?
– É um chupão!
– Minha marquinha em você, ué.
– Eu lá sou vaca pra ser marcada? Você sabe que eu não gosto.
– Na hora você gostou.
– Eu nem percebi!
– Vem cá. – ele chamou, fazendo Bella deixar o espelho para entrar na água, frente a ele. Pegou os quadris dela, soltando uma careta ao ver de perto os sutis hematomas que seus dedos também deixaram. – Nossa. Não sabia que estava feio assim, por isso você acordou daquele jeito... Desculpa.
E se inclinou, distribuindo beijinhos na pele que havia magoado. Bella acariciou o cabelo dele, os olhos fechando-se com o toque tão carinhoso que a derreteu em um segundo.
– Tudo bem, eu não me importo, acontece quando a gente vai um pouco mais forte. E você sabe que eu gosto disso.
– Sei… – falou olhando-a com divertimento e beijando o umbigo dela.
– Eu só não gosto é de chupão.
– Foi no calor do momento. Pensa pelo lado positivo, pelo menos foi num lugar escondido.
Ela se desvencilhou, indo sentar do lado oposto com cuidado para não jogar água ou espuma fora. Suspirou, relaxando enfim.
– Ainda bem mesmo. Leah brincou que eu estava com um no pescoço e eu caí feito trouxa.
– Você, trouxa? Pleonasmo, né, profe? – bufou uma risada.
– Cala a boca! – ela também riu, porém chutou um pouco da água na cara dele. – Agora, imagina se fosse verdade? Antes de sair, ela veio na intenção de perguntar o que estava rolando entre a gente… Fiquei tão nervosa, que acabei soltando que você ia dormir aqui hoje.
– Ih... E aí?
– E aí que ela surtou um pouco.
– Isso é bom ou ruim?
– Bom. Eu acho.
– Não foi tão ruim quanto achei que seria hoje… Tirando as ligeiras ameaças de Alice e Leah quando se despediram de mim. Eu podia dormir sem essa.
– Você tinha que ver sua cara.
– E que culpa eu tenho? Elas conseguem meter medo quando querem.
– Elas tem metade do seu tamanho, homem!
– Mas sabem virar leoas com sangue nos olhos, ainda mais quando se juntam.
– Elas só estavam brincando e tirando um sarro com você, não foi tão dramático assim, vai.
Ele a fitou antes de mudar de assunto, a voz sem resquício de brincadeira.
– Elas se preocupam muito com você.
– Sim. – respondeu, vendo-o balançar a cabeça e se calar. Esperou que elaborasse, porém precisou perguntar ela mesma, – Por que a observação?
Edward sentou-se mais ereto, apoiando os braços nas bordas da banheira, a luz amarelada das velas criando sombras em sua pele. Só então Bella percebeu como ele parecia um gigante naquele espaço, que para ela foi seu refúgio durante tanto tempo nesse ano.
Quantos dias ela veio para esse cantinho chorar, ou relaxar, completamente sozinha, fugindo dos problemas do mundo lá fora? Fugindo dos pensamentos que levavam a esse mesmo homem que agora enfeitava seu banheiro.
– Isso me faz pensar em como você deve ter ficado mal nesses meses. – ele respondeu, enfim. – E tudo o que você deve ter falado de mim pra elas…
Bella pendeu a cabeça para a parede, evitando o olhar dele, enquanto pensava o que dizer.
– Não falei muita coisa...
– Mas falou alguma coisa.
– Elas secaram minhas lágrimas, Edward. Todos eles, na verdade… Eu fiquei bem mal no primeiro mês, sem conseguir sair de casa, e elas vinham aqui o tempo todo ver se eu estava bem, tentando me animar. – seu coração disparou com as lembranças, e para disfarçar, ela pegou um hidratante de banho, passando nos braços com uma falsa calma. – Mas só falei de você no início. Depois, eu já não aguentava mais sofrer por sua causa, então resolvi pedir pros nossos amigos em comum pararem de falar de você pra mim, e vice-versa.
– E funcionou? Com o sofrimento, quer dizer.
– Sim. Um pouco. Foi como uma anestesia. O incômodo ainda existia, mas a dor em si foi diminuindo.
– Hm. Eu bem que percebi, eles evitavam o assunto Bella a qualquer custo sempre que a gente se esbarrava. Pelo menos, já temos provas de como são amigos leais.
– Você quis saber sobre o assunto Bella? – ela se interessou.
– Quis saber algumas notícias, se você estava bem, se continuava indo bem no trabalho, só isso. Mas eles me mantinham no escuro, sempre desconversavam… Vai me dizer que você não quis saber do assunto Edward?
– Não exatamente. Claro que eu pensava em você de tempos em tempos. Às vezes, em momentos que eu menos esperava… Mas perguntar mesmo, só uma vez.
– Uma vez...?
– Quando eu quis saber se você já estava com outra mulher. Na intenção de fazer fofoca e falar mal mesmo. – confessou. Viu as sobrancelhas dele erguendo minimamente, sem proferir uma palavra. Logo se arrependeu. – Foi durante uma TPM braba…
– Imagino.
– Mas eles mantiveram a palavra, não me disseram nada.
– Bom.
– Ok, isso está me fazendo sentir péssima. Confessa que você também fez a minha caveira pros seus amigos e eu não fui a única vadia amarga aqui? – ela tentou quebrar o clima tenso, brincando. Edward acabou sorrindo um pouco, mas logo voltou a falar sério.
– Fazer a caveira é um termo horrível, eu jamais faria isso com alguém que eu amo.
– Com alguém que é a mulher da sua vida.
– Exato. – ele pegou um pé dela, começando a massagear. – Mas é claro que torrei a orelha deles sim, eu precisava desabafar também. Você disse umas coisas bem ruins... Pode não parecer, mas eu tenho um pouco de orgulho, e ele ficou ferido.
– Eu sei, era muita raiva e vontade de te atingir... Só de lembrar, fico com vergonha.
– Mas eu vejo pelo lado bom, sabe. Volta e meia, essas palavras ficavam martelando minha cabeça, e eu acabei refletindo muito sobre elas. Algumas eu mereci, realmente. – ele ponderou. – Outras apenas doeram.
– Me perdoa por essas?
– Você tem dito bastante isso ultimamente, ou é impressão minha?
– Só quando é preciso.
Ele sorriu, assentindo, para alívio dela.
– Claro que está perdoada. Se não estivesse, eu nem teria sentado do seu lado naquele avião quando te vi... Até porque, eu sei bem que também soltei umas sem motivo naquela briga. Eu também queria te atingir. Não fui nenhum santo.
– Não mesmo. Você reclamou de coisas de anos atrás. Falou até daquela festa surpresa que você achou que eu fiquei com cara de bunda o tempo todo, mas na verdade eu só estava com dor de cabeça.
– Eu falei disso?! – ele fingiu espanto.
– Falou, para de ser sonso! – ela riu. – Achei que guardar mágoa fosse exclusividade minha. Eu nem sabia que você podia ser assim.
– Nem eu mesmo sabia que teria essa reação, pra ser sincero...
Bella lembrou-se de outra coisa.
– E quando você me chamou de moleca mimada? Jesus, como eu te odiei naquela hora.
– Moleca mimada? Não foi egoísta, não? – ele franziu os olhos, buscando se lembrar. – Porque você me chamou de egoísta primeiro, e eu só devolvi.
– Egoísta e mimada.
– Provavelmente você mereceu, vai.
Bella ficou boquiaberta, indignada, porém não havia muito como se defender. Aquele dia fatídico já havia sido analisado e esmiuçado várias vezes por ela – sozinha e com a terapeuta –, e não havia outro laudo possível: tinha agido como uma mimada mesmo.
– Eu sei disso. Hoje em dia. Na hora, meu orgulho ficou tão ferido que eu só não taquei uma almofada em você porque não queria dar mais razão.
– Você jogou pantufas em mim ontem, acho que já teve sua revanche.
– Eh, minha mira podia ser melhor. – ela brincou, e eles dividiram um momento de silêncio com sorrisos no rosto.
– É bom poder rir dessas coisas com você.
– É sim. Estava com saudades.
– Eu também. Mas você ainda não respondeu: estou perdoado? Pelas outras coisas sem noção e desnecessárias que eu disse...
– Claro que sim. Se não estivesse, não estaria sentado na minha banheira. – concedeu. – Vem cá, deixa eu passar um hidratante.
O rapaz virou-se de costas no meio, e Bella sentou-se atrás, aplicando o creme na mão.
– Cheiro bom. – ele comentou.
– É sândalo com leite de coco. – a morena deu alguns beijos no pescoço dele antes de começar a alisar seus ombros, arrepiando-o.
– Hmm. Continue assim, e vamos ter outra noite sem dormir.
– Nem pensar! – riu, sentindo uma mão subindo sua coxa submersa. Afastou o braço dele para continuar seu serviço. – Temos trabalho amanhã. Responsabilidades, lembra?
– Pff, a gente pode muito bem viver só de sexo e banhos de banheira, quem precisa de responsabilidades?
– Eu sentiria falta de comida nessa equação, pode incluir também.
– Comida na cama e na banheira. Perfeito pra mim.
– Tão romântico. – ela ironizou a piada sacana dele, antes de se calar, as mãos trabalhando pelos braços tatuados dele agora. Ainda queria perguntar sobre as novas figuras, porém haviam entrado num silêncio tão agradável, que não queria fazer nada para perturbar isso.
Edward, no entanto, tinha outros planos.
– Bella?
– Hm.
– Pra onde vamos agora? – a voz tão suave e hesitante, que ela quase não ouviu. Seu peito deu um pequeno salto.
– Minha cama, dormir.
– Tô falando sério... Como ficamos daqui pra frente? Eu e você.
– Preciso responder agora?
– Gostaria que sim.
Ela suspirou, parando o que fazia.
– Acho que a gente precisa de um tempo pra fazer isso dar certo. Não acha?
– Mas existe um isso?
– Você sabe que existe. Embora ainda não seja aquilo.
– Ok, agora me perdi.
Ele se virou, e Bella aproveitou para dizer o que precisava encarando seus olhos, abraçada aos próprios joelhos como um conforto.
– Eu vou ser bem sincera com você. Eu quero que a gente tenha nossa segunda chance, mais do que tudo… Mas eu também sinto que precisamos de um tempinho na vida real. Um teste pra ver se realmente vai dar certo.
– Você sabe que vai, não precisa disso.
– Tá, mas… Eu preciso estar segura de que a gente vai conseguir de verdade, e que aquilo que nos separou não vai mais ser um problema. Porque se for pra voltar agora, e terminar em dois meses pelas mesmas velhas razões… – disse sacudindo a cabeça. – Eu não quero passar por tudo de novo, não sei se aguentaria.
Suspirando, Edward pegou o rosto dela. Viu o receio, a esperança e o amor, que ele mesmo também sentia. Ela estava certa, concluiu, era algo grande e precioso demais que devia ser lidado com cuidado. Embora seu primeiro impulso fosse sempre se jogar de cabeça e trazê-la junto, caminhar no raso de mãos dadas talvez não fosse uma má ideia. Por enquanto.
– Tudo aquilo que eu falei no táxi vindo pra cá foi verdade, sabe? Eu quero ser um companheiro melhor, como você merece. Não duvide disso.
– Eu sei, não duvido mesmo. Até porque, eu também quero ser melhor pra você… Você merece uma companheira centrada, sem ataques de ciúme e egoísmo. Segura de si e de nós dois. Por isso mesmo, eu preciso desse tempo, pra me adaptar à nossa nova realidade, a quem eu venho me tornando nesse ano, entende?
– Claro… Mas, então, o que você propõe?
– Na prática… Seria isso aqui. – ela apontou para ambos na banheira. – Porém com mais calma. Sem tanta profundidade e cobranças de ambas as partes. Que tal?
– Por quanto tempo?
– Não sei. Não muito. Prefiro que seja algo orgânico. Pode deixar que não vou colocar datas no meu planner.
– Obrigado, Senhor. – ele brincou com as mãos para o céu, e finalmente assentiu. – Está bem. Vamos tentar.
– Ok. – falou sorrindo, seu coração um tambor no peito. Mas reparou na cara estranha que ele fazia. – Que é?
– Porra, esse karma foi rápido demais, paguei a língua. Olha eu sendo trouxa agora. Por você, ainda por cima.
– Sim, e eu te amo por isso.
– Eu também te amo. Mas você ainda é mais trouxa do que eu.
Eles riram, inclinando-se para um beijo carinhoso.
– Ok, agora é minha vez de te alisar um pouquinho, chega pra cá. – Edward a fez virar-se, enchendo as costas dela de mais hidratante do que o necessário, e ficaram ali até a água esfriar e ambos não aguentarem mais deixar os olhos abertos.
xxxx
O despertador de Bella tocou exatamente nove horas depois. Ela demorou um tempo para desligar o intruso, enquanto Edward nem piscou.
Tinham dormido agarradinhos novamente – dessa vez, ele vestiu um pijama – e mal se mexeram a noite toda, tamanho era o cansaço. Tampouco ouviram os miados do Mr. Darcy tentando entender porque tinham fechado a porta do quarto dele. Teve que se contentar em dormir no corredor ao lado do irmão rabugento, nas caminhas de maxi-crochê azul escuro que Bella tinha feito.
Ela deixou o rapaz dormindo e levantou-se para o banheiro, parando antes para falar com os gatos.
– Bom dia, amorzinhos. Dormiram bem? – Coçou o queixo de um e outro, ambos sonolentos que se espreguiçaram e estremeceram, saindo de suas camas. Estavam novamente com as roupinhas natalinas de rena, e Bella já planejava esmagá-los daqui a cinco minutos.
Mas antes, precisava esvaziar a bexiga e, como sempre, os dois foram atrás, se enroscando por suas pernas e parando para participar do xixi de porta aberta. Heathcliff não parava de fungar os pés e pernas dela, enquanto Mr. Darcy subia na cadeira de madeira para fuçar as roupas estranhas deixadas ali.
– É, tem outro macho comigo hoje. Mas esse vocês já conhecem muito bem. – o felino no seu pé a encarou e miou. – Ih, nem adianta fazer essa cara. Darcy já falou com ele ontem, você que foi um antipático e ficou a noite toda escondido. Sinto muito, acabou o reinado de vocês, vão voltar a me dividir com ele.
Ela se limpou sem pensar, porém teve que sugar o ar entre dentes com a fisgada de dor que ainda sentiu lá embaixo. O outro gato saltou alarmado, indo para ela.
– Tá tudo bem, amor. Isso é culpa do seu futuro papai que tem um pé de mesa no meio das pernas. – Bella foi até a pia lavar as mãos. – Estou sentindo uma dorzinha até agora, acredita?
Colocou sua faixa de cabelo para iniciar o ritual de pele matinal, e continuou tagarelando com os filhos peludos enquanto lavava o rosto, como se eles se importassem com o assunto e não estivessem atrás dela só aguardando o café da manhã.
– Acho que agora entendo as gatas berrando no cio, sabe? Alguns machos valem a pena. Não são todos, mas alguns raros sim. O problema é quando são maiores que a média, tem que ter mais cuidado. Será que todas as fêmeas que gostam de pinto passam por isso com seus parceiros avantajados? Pode arder horrores no dia seguinte, mas é tão gostoso que a gente só quer repetir a vida toda—
– Você tá falando do meu pau com os gatos?
Bella pulou já no meio da frase, o sabão entrando nos olhos.
– Porra, idiota! – jogou água nele. – Para com esse negócio de me assustar! Não aguento mais essa palhaçada há quatro dias, qualquer hora caio dura aqui.
– Tá, tá, desculpa. – ele entrou indo direto ao vaso, os felinos se amontoando na cadeira para observar o invasor tirando água do joelho. Até tentou prender o riso, porém ela escutou um murmúrio.
– Qual é a graça?
– Você não respondeu minha pergunta, então assumi que a resposta é sim. Vem cá, por que a banheira ainda está cheia?
– Pra você usar a água no vaso ao invés de dar descarga. Tem um balde no armário.
– Ah. Sim. Sustentabilidade. – ele foi pegar o balde e jogar a água reutilizada no vaso. – Esqueci que agora você é uma burguesa safada e precisa aliviar a culpa de algum jeito. Você não vai salvar o planeta desse jeito, você sabe, né? Já estamos fadados à extinção.
– Meu Deus, por que estou sendo atacada logo pela manhã? Você é um péssimo hóspede.
– Sinto muito, eu só trago as verdades.
– Não vai dar bom dia pra eles, não? – ela mudou de assunto, enxugando o rosto para aplicar seu hidratante facial. – Da última vez que os ignorou, alguém fez xixi no seu tênis.
– Eu só ignorei justamente porque já tinham mijado num livro meu. Pestinhas.
– Não fala assim, eles só tem ciúmes da mãe.
Ele foi lavar as mãos rapidamente para só então ir falar com os gatos.
– Bom dia, garotos. Como estamos? – Só conseguiu uma coçadinha no queixo do Mr. Darcy, enquanto o outro cheirava sua mão. Ambos desceram e foram para longe na primeira oportunidade. – Cagaram pra mim.
– Não, senão teriam ido embora quando você entrou. Mas podemos melhorar a conexão. Me ajude a colocar comida pra eles.
– Bom dia pra você também, né. – ele a abraçou por trás, beijando seu pescoço enquanto ela lambuzava a cara de protetor solar. A morena era só sorrisos.
– Bom dia.
– Qual a programação hoje?
– Queria dizer que vou pegar um barco para Santorini, mas na realidade tenho duas aulas depois do almoço e uma reunião. Vou tomar café, ir pra yoga e dar um jeito na bagunça aqui antes do trabalho. – Bella terminou tudo e saiu para pegar a comida dos gatos, Edward em seus calcanhares pela casa. – E você?
– Preciso estar na ONG em três horas. Fico lá entre aulas e ensaios até dez da noite.
– Nossa. Espero que estejam te pagando hora extra.
– Eles pagam, mas segunda-feira eu costumo ficar por conta própria ensaiando individualmente quem tem alguma dificuldade.
– Jura? Isso é… Fofo.
– Obrigado, eu acho. – ele riu sem jeito.
– Não é todo professor que tem paciência ou disposição pra trabalhar depois do expediente.
Pararam na frente das tigelas e cada um se abaixou para encher uma. Os bichanos vieram correndo.
– Ah, eu gosto. Além do mais, eles merecem. Quem fica até depois é porque realmente está empenhado e interessado. São os mais talentosos.
– Eu imagino, mas continua sendo trabalho, apesar de tudo. Converse com seus chefes, explique como você está se empenhando e veja se consegue um aumento. Foi assim que consegui entrar no projeto da professora Thompson, falando com eles. Tem que valorizar seu trabalho, rapaz.
– Tem razão. Vou tentar. – ele abriu um sorriso que perdurou.
– Que foi?
– Obrigado por estar dividindo essas dicas comigo. Você só chegou onde está porque obviamente traçou um plano e foi atrás dele, sabe do que tá falando. Acho que ter te chamado de mimada foi injusto, afinal de contas.
– Ah, talvez. Porém existe mais de um significado pra essa palavra, e naquele dia, eu definitivamente estava agindo como uma perfeita mimadinha. – ela se levantou. – Eu não costumo comer antes da yoga, mas já que está aqui, posso preparar algo pra gente. Quer?
– Se não for dar trabalho, eu quero.
– Tudo que vale a pena dá trabalho. Mas então eu vou fazer. Quantos ovos?
– Dois tá bom.
O rapaz foi arrumar suas coisas para ir embora enquanto ela preparava o café. Somente quando estavam sentados comendo, vinte minutos depois, Bella se deu conta de que não tinha ouvido nem visto seu celular desde ontem. A presença de Edward já era distração suficiente.
– Eu não consegui achar meu celular até agora, você viu por aí?
– Já tentou ligar pra ele?
– Boa ideia. Pega lá o seu.
– Você não tem um fixo?
– Não aguentava mais telemarketing o dia todo e mandei tirar mês passado.
– Esperta. – ele se ergueu, espanando da camiseta os farelos de torrada integral sem glúten que não tinha gosto de nada, porém a pastinha de queijo e ervas que ela fazia era uma delícia. – Vou lá pegar, já volto pra lavar a louça.
– Hmm, lavar a louça pra mim? Assim você me conquista.
– Descobriu meu plano! – ele riu antes de subir as escadas.
Seu celular estava à mão na mesinha da cama dela, porém desligado. Desde que começou a yoga, seu instrutor havia sugerido só pegar o aparelho após o desjejum, e suas manhãs realmente tinham ficado bem mais produtivas. Bella já havia falado desse hábito há algum tempo, mas ele não lhe deu ouvidos na época.
O celular ligou e a primeira coisa que Edward notou foi a quantidade de mensagens não-abertas na tela inicial. 820.
– Opa. – ele até riu. Por acaso alguém tinha o colocado em um novo grupo de chat ou algo assim? Tinha saído dos desimportantes e os únicos que restaram estavam silenciados, mas nunca se sabe.
Seus dedos começaram a deslizar pela tela com calma, porém conforme seus olhos absorviam as informações, seu coração disparava, e a rolagem ficava mais frenética.
– Ôh oh… – disse em voz alta.
Carlisle. Alice. Emmett. Jazz. Seu chefe, Eleazar. Até sua irmã, Bree. Todos pareciam falar sobre a mesma coisa.
– Não. Não. Caralho de asas. Fudeu.
Sua mente ficou a mil vendo as mensagens. Aparentemente, todos os seus amigos, colegas de trabalho e familiares do outro lado do oceano já sabiam que sua ex-namorada havia feito uma loucura de amor no aeroporto.
Porque alguém havia feito um vídeo disso.
E porque agora eles eram personagens viralizados na internet.
Abriu um link esperando que fosse tudo uma pegadinha, porém não restava dúvidas. As 400 mil visualizações lhe zombavam, e todos queriam saber mais da história, se eles tinham reatado o namoro, se tudo tinha sido combinado, se eram os amigos de Nina Pavlova e tudo o mais. A curiosidade não vinha apenas de seus conhecidos, mas também de pessoas aleatórias no YouTube.
Puta que pariu, Bella vai surtar. Caralho, ela vai surtar muito. O celular dela provavelmente devia estar igual ou pior.
– Edward? Já achou? Preciso sair. – ele ouviu a moça subindo e pulou.
O que fazer? O que fazer?, tentava raciocinar. Será que ela perceberia se seu iPhone desaparecesse misteriosamente? Podia culpar o Heathcliff, ele só fazia merda mesmo. Mas como fazer pra sumir com o telefone que ele nem tinha achado ainda?
– Ai, bateu uma preguiça de ir pra yoga. – Bella chegou no andar e Edward, sem um único neurônio funcionando, resolveu jogar o próprio celular embaixo do tapete felpudo rosé antes de se lançar para abraçá-la.
– Já disse que te amo hoje?
– Hoje ainda não. – falou com um pouco de dificuldade pelo abraço e ataque de beijos que ele começou em seu pescoço.
– Eu te amo. E você é maravilhosa, sabia disso? Sério, em tudo o que faz. Tenho o maior orgulho. Nunca esqueça disso.
Bella sorriu sem graça. O olhar dele estava a deixando um pouco desconfortável.
– Obrigada. Eu também tenho orgulho de você… Mas por que tanta paparicação logo agora?
– Só deu vontade de falar. – ele encolheu os ombros antes de apertá-la novamente, prendendo-a no lugar, as mãos vagando pelas costas. Geladas, ela reparou. Edward parecia ofegante e... nervoso?
– Ei, rapaz, calma, eu não vou fugir. Não mais.
– Eu sei.
– Então, pode me soltar um instante só pra eu ir ali tirar o pijama?
– Desculpa. – se afastou com uma risada trêmula, liberando a morena para ir ao closet.
– Vou me arrumar logo antes que perca a hora.
– Pra onde?
– A yoga, eu acabei de falar.
– Ah, amor, não precisa ir se não quiser.
– Claro que preciso. Minhas costas estão travadas depois de tanto estresse e horas de viagens. – ela vestiu sua calça preta.
– O que acha de ficarmos aqui na cama o dia todo, hein? – Edward até se esparramou na cama tentando ser sensual e convidativo. – Posso fazer uma massagem daquelas que vai melhorar muito.
– Tá louco? Responsabilidades, lembra?
– Liga pra faculdade e diz que está doente.
– Não faço isso e você sabe.
– Mas hoje pode fazer.
Ela não respondeu, apenas continuou a andar pelo quarto com roupa de yoga, indo pegar sua bolsa na poltrona perto da janela. Quando viu que ela precisaria passar por cima do tapete, Edward saltou da cama à sua frente, fazendo Bella pular de susto. A moça já estava começando a se irritar.
– O que deu em você, hein?
– Eu realmente quero te fazer uma massagem. Os dois pelados, de preferência.
– Edward, para de palhaçada? – ela o empurrou com um pouco mais de força, conseguindo ultrapassá-lo e enfim, passar pelo tapete.
Sentiu um volume duro e ouviu um pequeno crack, e na mesma hora recuou olhando para baixo. Edward apenas fechou os olhos numa careta, se encolhendo de braços cruzados.
– Que isso aqui? – murmurou ela, e abaixou para descobrir o chão, pegando o aparelho preto. – Ué, não é meu celular.
– Não. É o meu.
Bella o encarou por um momento.
– Ok. O que está acontecendo aqui?
Puta merda. É agora que a mulher tem um AVC.
– Acho melhor você sentar. – falou seriamente.
– Por que você tá usando todos os clichês que usam quando vão contar que uma desgraça aconteceu?
– Por favor, só senta. – ele a colocou à força no colchão.
– Você tá me assustando! Fala logo.
Edward soltou o ar, lambendo os lábios e se agachando na frente dela. Se recompôs para começar a contar com a voz mais calma que conseguia.
– Ok. Lembra de ontem… Quando você fez pra mim a maior, mais linda e mais incrível declaração de amor que eu poderia receber?
Ela hesitou em responder.
– Sim?
– Então. Alguém filmou e colocou na internet…
– Ah para, eu aqui falando sério e você tirando uma com a minha cara?
– Não é brincadeira. O vídeo já tem quase meio milhão de visualizações.
Bella o fitou sem expressão alguma por dez segundos inteiros. Edward quase podia ver as engrenagens funcionando em sua cabeça.
E enfim, compreendeu.
– Ai meu Deus. – murmurou sem voz e sem ar, os olhos arregalando-se aos poucos.
– É, eu falei a mesma coisa.
– Ai. Meu. Deus.
– Eu sei!
Ele viu que ela segurava o estômago, o rosto empalidecendo e a boca aberta como se desse pequenos arrotos invisíveis. De repente, ela se ergueu, querendo marchar para sua mesa de trabalho, mas ele era uma barreira.
– Merda! Dá licença, Edward! – o empurrou.
– Vai vomitar de novo? Posso segurar seu cabelo dessa vez.
– Não, não vou vomitar, vou fazer algo melhor.
– O quê?
– Procurar um jeito de mandar apagar isso.
– Mas não tem como.
– Claro que tem como! É minha imagem, se eu não gostei, é só pedir e eles retiram. Nem que eu tenha que acionar um advogado. – ela abriu o laptop, incrivelmente rápida para alguém que estava tendo um colapso nervoso. – Aliás, vou ligar pra Leah já ir resolvendo isso, me passa o celular.
– Bella, me escuta. Isso é a internet, as coisas são pra sempre. Consegue entender isso?
– Não fala como se eu fosse criança! É claro que eu entendo!
– Não, você não está entendendo, não tem como apagar. Uma vez no ar, a coisa fica lá pra sempre. Mesmo que o vídeo saia do YouTube, ele já está nos grupos de iMessenger, de Whatsapp, provavelmente até no Instagram, Twitter e Facebook.
Ela parou e olhou para ele, antes de voltar ao laptop. Calmamente – tão calma, como se tivesse saído do corpo –, fechou o computador e se levantou. Caminhou até a cama e jogou-se de cara, o rosto enfiado no travesseiro abafando berros que saíram sem esforço, acompanhados por socos e pontapés.
Edward sentou ao lado esperando-a parar de espernear e se debater. Tocou sua lombar delicadamente com medo de ser atingido.
– Ei. Tá tudo bem. Calma.
– Não dá pra ficar calma! – falou abafada, ela não queria encarar a realidade mais.
– Foi uma coisa linda, não precisa se envergonhar.
– Tem a porra de um vídeo meu invadindo um espaço privado rolando na internet. Eles tem a prova do meu crime em vídeo, Edward!
– Que crime? Não viaja.
– Não sei, mas algum eu cometi. Eu simplesmente acabei com a minha carreira. Vou ser demitida, já estou sentindo isso.
– Eles não tem motivo algum, não fala besteira.
– Os diretores são rigorosos, a faculdade tem um nome a zelar, você acha mesmo que vão querer continuar com uma professora que age descontroladamente em público?
– Não é como se a gente tivesse transado no meio do aeroporto. Pensa um pouco.
Mas ela não o ouvia.
– Puta que pariu, como eu vou dar aula assim? Os alunos vão ficar rindo da minha cara e me enchendo de pergunta o tempo todo. Demorei tanto pra conseguir respeito naquele lugar, e agora acabei de destruir minha reputação.
– Você dá aula pra adultos, tenho certeza que lidarão de acordo.
– Você não lembra como é ter vinte anos, né? São praticamente adolescentes ainda.
– Tudo bem, pode rolar um interesse maior no início, afinal não é todo dia que a gente conhece uma pessoa famosa na internet. Mas hoje em dia as coisas não duram, daqui a duas semanas surge outro vídeo pra viralizar e a gente vai ser esquecido.
– Duas semanas disso? – ela esticou só a mão para fora. – Me dá, eu vou ligar e falar que tô doente. Tuberculose ou malária?
– Você não vai ligar nada.
– Agora eu vou sim.
– Bella, calma. Me ouve. Eu sei que parece um absurdo agora, mas vamos usar a razão. Não tem nada demais. É uma historinha engraçada e bonitinha, eu tenho certeza que as pessoas estão adorando, achando fofo e ninguém está debochando de você. Muito menos vão acusá-la de algum crime ou te demitir.
O silêncio continuou por um tempo, e Edward deixou que ela processasse as coisas. Até que viu seus ombros tremendo, e passou a alisar suas costas.
– Está chorando?
– Não. – respondeu miando e ele ouviu uma grande fungada.
– Se te consola, você quase não aparece no vídeo. Está focado mais nas minhas reações, a pessoa que filmou não estava num ângulo que pegasse você direito naquela salinha. Vi uns comentários falando como eu sou gato, acharam que eu era algum ator e que aquilo seria um vídeo promocional de companhia aérea. Queriam saber meu Instagram.
Foi o que bastou para ela virar e finalmente encará-lo. O rosto vermelho e marcado.
– Além de tudo, ainda vou ter que lidar com o assédio das suas fãs online?!
– Ai, para, eu só tava brincando. Também não é assim.
Bella abriu a boca para rebater, mas sua consciência logo a lembrou de tudo o que tinha aprendido até aqui. Ouviu a voz de sua terapeuta, e todos os debates sobre seus ciúmes e autocontrole. Antes de surtar novamente, resolveu sentar e respirar fundo – embora a essa altura já estivesse tonta de hiperventilação.
Havia batalhado tanto para virar senhora do próprio destino, esse acontecimento não poderia pirar sua cabeça assim. Isso tudo era apenas a consequência de um ato seu, e o universo sempre cobrava de uma forma ou de outra. Lhe bastava apenas encarar.
– Você tem que ir pro trabalho agora? – perguntou, limpando o rosto na blusa.
– Em meia hora, senão chego atrasado.
– Não quer ir pra yoga comigo, não? Me ajudaria a distrair, não quero ir toda paranóica enfrentar o mundo real.
– Vou ficar suado e não vai dar tempo de tomar banho. Mas posso fazer aquela massagem aqui, te ajudaria?
– Eu não tô a fim de transar agora.
– Não é sexo, é só massagem mesmo. Eu fico vestido.
– Pega aquele creme, por favor. – ela apontou para seu creme de mãos na cabeceira, tirando a camiseta e deitando de bruços.
Edward foi paciente e meticuloso, enquanto ela se relaxava. Trocaram poucas palavras, e ele tentou aliviar a mente dela contando-lhe como tinha feito um curso de massagem oferecido na ONG, e que não via a hora de testar com ela, inclusive outras menos comportadas.
O rapaz preocupava-se quando Bella ficava assim. E claro que não falaria, mas estava sim um pouco receoso com a recepção que ela teria na faculdade entre os chefes. Pensar que ela poderia ter se prejudicado só porque queria chamar sua atenção lhe deixava apreensivo.
Se despediram na porta da casa, Edward levando apenas a mochila, já que combinaram que ele dormiria novamente hoje. Sentiu que Bella precisaria de um ombro.
Ela passou a manhã toda deitada na cama vendo Gilmore Girls agarrada aos gatinhos, sem forças alguma para desarrumar a mala ou riscar qualquer coisa da sua lista de tarefas de segunda-feira. Só deu uma olhada no celular por alguns minutos, mandando uma mensagem padrão para os amigos mais próximos.
Sim, sou eu no vídeo!
Edward e eu estamos juntos de novo depois de nos encontrarmos na Grécia.
Ele tinha sumido no aeroporto, e eu tinha que procurá-lo.
O que a gente não faz por amor, né?
(Ainda mais estando um pouquinho bêbada e alterada. Não julguem! Vcs sabem que eu odeio voar) Hahah :)
Como o dia de uma celebridade da internet não é fácil, estarei ocupada até a noite.
Falo com vcs melhor depois. Beijinhos!
Esperava que fosse simpática e concisa o suficiente e ninguém ficasse perturbando. Obviamente, Alice e Leah, conhecendo-a melhor, notaram algo errado e ligaram em conjunto num chat. Acabou sendo um alívio, e ela pôde chorar as pitangas de preocupação com o futuro, enquanto ouvia a vibração das amigas por sua vida amorosa tão agitada ultimamente.
Almoçou o resto da comida da festinha de ontem. Na hora de sair para o trabalho, resolveu botar um óculos escuros que tapava metade do rosto, e jogou um xale roxo na cabeça. Claro que sentia-se ridícula e que certamente estava exagerando nessa coisa toda, mas estar meio escondida do mundo lhe trouxe algum conforto.
Absolutamente ninguém deu a menor bola quando ela entrou no metrô ou andou na rua. Exceto quando chegou na faculdade, e aos poucos as pessoas iam a reconhecendo e acenando. A maioria eram alunos ou ex-alunos, e todos sorriam com sinceridade.
Tentou passar pelo corredor de salas de aula sem que ninguém a visse, evitando causar alguma comoção, porém alguém lhe chamou com uma interrogação na voz e seu corpo todo gelou.
– Bella?
Ela continuou andando.
– Isabella! – a voz se aproximou e Carlisle surgiu no campo de visão, para seu alívio. – Não me ouviu? Estou chamando há tempos.
– Ah, oi, desculpa. Estava distraída.
– Hm, deixa adivinhar... Madame Bovary indo encontrar o amante?
– Ahm?
– Não é aula temática? Por que esse disfarce todo?
– Ah. Não, só estou com frio. – ela sorriu sem graça, tirando o pano da cabeça, mas mantendo os óculos.
– Como foi de viagem? Soube que o painel foi um sucesso.
– Foi ótimo, ainda bem. Os dois dias foram lotados.
– E a Grécia, huh?
– Pois é… A Grécia. – suspirou, evitando alongar o papo.
– Como está Edward?
Bella olhou seu amigo, que portava um sorriso contido, sempre tão calmo e apaziguador. Não podia simplesmente ignorá-lo.
– Está bem, tudo ótimo... Ah, eu tenho que tirar uma xerox antes da minha aula, depois a gente se fala, tá? – ela se virou querendo ir para o outro lado, se possível se esconder no banheiro da biblioteca e só sair quando necessário. Porém ele pegou seu ombro, a impedindo.
– Bella. Estou vendo que não quer falar sobre isso, né?
– Não agora...
– Olha, me desculpa, mas eu preciso falar. Fiquei muito feliz com a notícia. Eu tinha certeza que isso aconteceria uma hora ou outra, vocês são um casal que tem tudo a ver, não fazia sentido estarem separados.
– Obrigada, Carlisle. – ela se amoleceu um pouco. – Você sempre torceu tanto pra gente.
– Claro. Fazem bem um ao outro. Gosto de ver meus amigos felizes... E por isso mesmo que eu preciso te alertar de uma coisa.
– Sobre? – teve até medo de perguntar.
Ele a conduziu discretamente para um canto do corredor antes da escada, esperando passar um aluno que os encarou por mais tempo que o adequado.
– Bom, você já deve saber como aquele vídeo está voando por aí. Foi o assunto da salinha do café hoje.
Bella sentiu o coração acelerar, mas tentou manter a respiração controlada.
– Foi? Como o povo é bobo, né? Tanta coisa melhor pra se conversar.
– Não se apavore, mas eu ouvi uma coisa, que…
– O quê?
– Talvez o Gale te chame pra conversar. Ele se mostrou preocupado com a legalidade de tudo, e como seu nome aparece no vídeo… Ele está preocupado com a repercusão entre os alunos, principalmente.
Bella virou-se ao ouvir a menção sobre Peter Gale, o coordenador do departamento de Línguas. Apenas fechou os olhos desejando sumir, seu pior medo atual se concretizando tão cedo.
– O quão fodida eu estou? Pode falar.
– Não sei, honestamente. Mas saiba que o que for, você tem o apoio do corpo docente, nossos colegas menos conservadores estão vendo tudo com outros olhos. Principalmente as mulheres. Você tá bem? Está meio sem cor.
– Estou bem… – engoliu com dificuldade, sua mente mal conseguindo processar o que ele dizia. Agora, só pensava em um plano B e os lugares onde conseguiria trabalhar com uma demissão assim no currículo. Quem empregaria uma pessoa como ela em um dos meios mais esnobes do mundo, como o Acadêmico na Europa? Será que teria que voltar para os Estados Unidos e começar do zero?
– Professora Swan? – ela reconheceu a secretária de Peter Gale sorrindo em sua direção no corredor. – Estava ligando para o seu celular, mas só dava caixa postal. Quando é sua próxima aula?
– Ahm... Em meia hora.
– Tem algum compromisso agora? O Sr. Gale gostaria de dar uma palavrinha com a senhorita.
– Não. Estou livre. – lutou muito para não gaguejar. A calma e o sorriso da secretária lhe zombavam.
– Me acompanhe, por favor.
Isabella seguiu a pequena senhora como um condenado seguia seu carrasco. Por Deus, onde ela tinha se metido?
N/A: SOBRE O EXTRA - votem aí: Edward ouvindo Bella conversando com os gatos /ou/ a cena da massagem?
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Tô curiosa demais, o que acham que vai acontecer com Bella? hahaha
Até breve, beijos
