Disclaimer: Twilight é da Stephenie Meyer. Eu só faço seus personagens fazerem coisas muito erradas em lugares secretos.

Obrigada à Dandara por ser a melhor beta do mundo.

O extra dessa semana tá bem bom :) AH E SEM CRISE, estarei enviando os extras do outro capítulo nesse fds!


Capítulo 10: Casa dos Segredos

Bella resfolegou, de repente, travando sua caminhada ao saírem do posto de gasolina. Edward até se assustou.

– Que houve?

– Não consigo lembrar se deixei comida suficiente pros gatos. Estava tão perturbada quando saí à tarde pra trabalhar.

– Putz. Quer ir embora? – a desanimação foi nítida na voz dele.

– Não sei... – respondeu incerta, mas felizmente a solução se revelou. – Não, tudo bem. Vou ligar pra vizinha, ela tem minha chave.

– Vocês já são amigas assim, de ligar tarde da noite e ter a chave?

Ela tirou o celular da mochila, fingindo não ver as várias mensagens e ligações perdidas de várias pessoas.

– Sim, na verdade sou amiga do casal, eles são uns amores, eu tenho a chave deles também. – pôs o telefone na orelha. – Depois me lembra de apresentar vocês. Eles tem quatro gatos, acredita?

Por sorte, a simpática Helen Waters atendeu, combinando tudo direitinho, e foi bem compreensiva sem exigir detalhes – especialmente ao ouvir que Bella estava na companhia do moço bonitão que ela tinha visto sair de sua casa hoje cedo.

Assim que virou o celular para desligá-lo novamente, porém, o rosto de sua mãe apareceu na tela.

– Ah, não. – resmungou. Edward olhou sobre seu ombro.

– Renee, quanto tempo.

– Não vou atender. Ela vai querer saber todos os detalhes, e eu simplesmente não estou com saco de falar. – ela deu o celular na mão dele. – Atende você, fala que eu tô no banho.

– Atende sua mãe, filha ingrata. Ela deve tá morrendo de preocupação. – devolveu o aparelho, obrigando Bella a pensar melhor por um instante, e foi a culpa que deslizou seu dedo na tela para aceitar a ligação.

– Alô?

Cinco horas, Isabella! – ela berrou, fazendo a filha até afastar um pouco do ouvido com uma careta. – Cinco horas tentando falar com você. Sabe o significado de celular? E o que aconteceu com seu telefone fixo?

– Eu vendi. Oi, mãe, mil desculpas por não te atender, hoje o dia foi super cheio… – ouviu Edward bufar de deboche, e quando o olhou, ele balbuciou "super". Empurrou seu ombro. – Mas podemos falar agora.

Você está bem? Que história é essa de escândalo em aeroporto? Já estava vendo os procurados da Interpol pra te achar.

– Ah. Você já soube, é?

Suas tias e seus primos não param de comentar o dia todo, você não viu no grupo, não?

– Mãe, eu saí daquele grupo na eleição do Trump em 2016.

Bem. Por isso eles ficam falando de você como se não estivesse lá...

– Hein? Quem fica falando de mim, o quê?

Esquece. Me fala a verdade, o que aconteceu depois daquele vídeo? Você estava tão desesperada. Estou preocupada, liguei até pra faculdade, mas—

– Ligou pra onde?!

Arrumei o telefone da faculdade e liguei. Você estava incomunicável, Isabella, o que eu devia fazer?

Bella tapou os olhos com os dedos.

– E-e eles falaram o quê?

Que você não estava presente no momento, saiu mais cedo. Diz pra sua mãe, você tá bem? Tô te achando meio estranha…

– É resfriado. – fingiu uma tosse seca, tirando um ronco de Edward. Pior atriz do mundo.

Chá de orégano pra curar, já te falei. Espera, tem alguém aí com você? É Edward?

– Ahm… Sim?

Bem que vi, essa risada estratosférica só podia ser dele.

– É, ele curte um escândalo. Ok, mãe, eu preciso desligar, vou tomar banho e jantar. – por algum motivo, omitiu seu paradeiro para a mãe, sentindo o gostinho da adolescência. – Amanhã a gente conversa melhor e eu te explico o que aconteceu. Já são dez horas aqui. Mas prometo que está tudo bem.

Está bem. Se cuida, hein. Mande um abraço pro seu moço. Gostei que vocês se acertaram. – disse antes de baixar a voz. – Aliás, chá de orégano é bom pra isso também, viu?

– Isso o quê?

A pepeca maltratada nas reconciliações.

– Mãe! Tchau!

Banho de assento, vê na internet. Tchau, te amo. Estamos com saudades, Phil estava preocupado também.

– Pelo amor de Deus, me diz que ele não tá ouvindo essa conversa.

Não, está trabalhando, eu avisei que ia ligar.

– Tá, manda um beijo pra ele. Te amo, tchau.

Com um longo suspiro, ela terminou a ligação. Pegou a mão de Edward para continuarem seu percurso até o local desconhecido.

– O que ela falou? – perguntou o rapaz.

– Pra eu sentar no orégano.

– Oi? – ele riu.

– Nada… Mandou um abraço pra você e está feliz por nós.

– Agora estou curioso pra saber como Renee reagiu quando soube da separação?

– Ela achou que você me traiu e te xingou um monte até eu conseguir explicar tudo.

– Cruzes, que imagem ela tem de mim?

– Não acho que seja de você, exatamente, é que ela é traumatizada com todo o rolo com meu pai, né… Mas depois só ficou preocupada de eu morar totalmente sozinha. Como se eu não estivesse fora de casa há quase uma década!

– Mas você se vira tão bem sozinha. Diria melhor do que eu, até.

– Nem é por isso, é que ela acha que eu tenho tendência a ficar muito solitária e reclusa com a cara enfiada nos livros, então quanto mais gente em volta, melhor pra eu não ficar deprimida. Se for um macho, melhor ainda.

– Bom, até que não é uma mentira sobre ficar reclusa, você tem essa tendência, mas essa é você, introvertida. Não tem problema nenhum nisso, quando quer companhia, você vai atrás.

– Eu sei, ela que é exagerada. Tem umas ideias meio antigas sobre a mulher precisar de um companheiro.

– Apesar de tudo, eu gosto dela. Renee é bem-humorada.

– Ela gosta de você também. Mais do que qualquer outro namorado que já tive.

– Sério?

– É, mas não fica se achando muito, não. Deve ser só porque você consegue cativar até o diabo e tem uma estrutura óssea perfeita pra fornecer netos lindos.

– Você acabou de chamar sua mãe de diabo?

Apesar do papo ter distraído, eles agora chegavam numa avenida quase deserta às dez da noite. A área não parecia nem um pouco propícia ao divertimento, o que estava deixando Bella com um pé atrás.

– Eu nunca vim pra essas bandas. Tem certeza que é aqui? Só tem loja fechada e prédio comercial.

– É sim. No fim dessa ponte. – passavam por debaixo de um viaduto escuro e com ares de que pularia um Drácula na frente deles a qualquer hora.

– Olha lá, hein.

– Confia em mim, mulher. Alguma vez eu já te botei em roubada? Não responde.

– Você já foi nesse lugar, pelo menos?

– Uma vez, no início do ano... – a morena apertava sua mão, de medo, sem se dar conta. – Pronto, chegamos.

– Onde?

– Aqui. – ele parou, apontando do outro lado da rua o sobrado branco com uma fachada vermelha, e Bella começou a rir. Gargalhar, na verdade.

– Pizzaria "Quente Por Você"?

– Não é uma indireta, eu juro.

– Mas esse lugar tá fechado.

– Não tá, não. Vem.

Ele a levou para circular a casa, até pararem na parte de trás, uma varandinha cheia de caixas e mal iluminada. Edward precisou tatear a parede tomada por trepadeiras para achar a campainha e um lugar onde enfiou um cartão.

Cinco segundos depois, uma voz masculina surgiu, fazendo Bella pular – e disfarçar, claro.

Boa noite, estranhos.

– Boa noite, Voz. – Edward respondeu antes de acrescentar, – Staccato.

Na espera do próximo passo, o peito da moça martelava como se estivesse fazendo algo proibido.

Ou será que estava mesmo?

– Tem certeza que isso aqui tá dentro da lei? Não é uma daquelas festas clandestinas de jovem londrino que sempre acabam com a polícia?

– Nada ilegal por aqui... Eu acho.

– Acha?

– Brincadeira, não é clandestino. Apenas secreto.

E se sua companheira já estava achando tudo estranhíssimo, piorou quando as folhagens se mexeram, deslizando para abrir uma porta que não havia reparado.

– Pronta?

– Tenho que estar, né… – respondeu, sendo guiada pelo rapaz para dentro, e logo em seguida a porta fechou-se atrás deles.

Bella não fazia ideia do que esperar, mas de certo não era bem isso: uma sala pequena com luz avermelhada vinda de um abajur carmim vintage, de paredes e piso revestidos por tapetes felpudos pretos. Havia o distinto som de música e vozes abafadas. Cheirava a incenso.

De repente, uma pessoa muito alta, que ela não sabia dizer se era mulher ou homem, surgiu da escuridão, vestindo uma grande capa preta com capuz e andando sobre botas de salto fino. Bella puxou Edward para falar no ouvido antes que a pessoa chegasse neles.

– Isso é um clube de sexo, por acaso?

A risada dele escapou sem querer.

– Claro que não. – avisou, emendando um sussurro. – Mas pode ser se a gente quiser…

– Quê? – ela realmente não ouviu.

– Eu não traria você a um clube de sexo sem combinar antes, né? Relaxa. É só arte.

– Bem-vindos. – a voz masculina falou ao tirar o capuz. Estava bem maquiado, de batom vermelho, cabelos raspados, e era incrivelmente atraente. Entregou-lhes cartões dourados com uma chave. – Aqui estão os passaportes. Aparelhos mundanos devem ficar nos armários. Os acessórios estão disponíveis, caso queiram se adornar antes de iniciar nossa jornada.

Entraram no cômodo ao lado e deixaram seus celulares em escaninhos antes de pararem em um mini-camarim. Várias roupas, máscaras e perucas pendiam na parede ou em cabeças de cerâmica de aparência inumana.

– Por que isso? – perguntou Bella, vendo seu reflexo no espelho, enquanto ele já escolhia seus adornos.

– Anonimato, liberdade… Mas acho que é mesmo porque sempre recebem celebridades aqui, e elas não querem chamar atenção.

– Mentira? Quem?

– Aquele menino Harry Potter estava na pista doidão quando eu vim.

– Daniel Radcliffe?! – exclamou alto.

– Shh. Anonimato, lembra?

– Droga, eu quero ver o Daniel desde que vim pra Londres. Sempre perco essas coisas, você podia ter me chamado.

– A gente não estava se falando, esqueceu? E não era você que não tietava celebridades?

– É o Harry Potter, porra. Só vê-lo de longe já estaria bom.

– Rosalie e ele fizeram uma peça juntos esse ano, são colegas. Peço pra ela te apresentar. – ele meteu na cara uma meia-máscara como a do Fantasma da Ópera, só que cheia de penas verde-escuras, que acentuava o delineado do seu maxilar. – Gostou?

– Lindo. Me ajuda a escolher?

– Vai com a Daenerys ali. – ele apontou, e assim Bella acabou saindo do camarim camuflada em uma longa peruca platinada com tranças que lembrava a personagem de Game of Thrones, e uma máscara de gato branca nos olhos.

Voltando à sala maior, abriu-se um alçapão no chão, onde lia-se uma frase nada agradável em preto e caixa alta: "DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE AQUI ENTRAIS".

A moça estremeceu sem perceber, já havia lido a sentença sinistra em algum lugar.

– Desçamos ao mundo onde nada se vê. – disse o recepcionista. – Eu irei na frente e vocês me seguirão.

Edward foi o primeiro a descer pela escada, e Bella seguiu com o coração na boca. Apenas algumas lamparinas iluminavam o chão do corredor onde chegaram, e ela se agarrava ao braço dele esperando não tropeçar.

Ouvia-se uma ventania e um misto de lamúrios e gritos em várias línguas – de desespero? Dor? Prazer? –, o que só aumentava sua ansiedade. Mas era bom. A excitação do desconhecido se misturava à adrenalina, uma sensação que ela estava ainda se acostumando a gostar.

– Por que é tão quente aqui? – indagou baixo, no tom de voz assumido desde que pisou nessa casa.

O final do túnel se iluminou, e eles chegaram numa nova ante-sala de luz azul, com pessoas deitadas na escuridão perto das paredes. O chão coberto por telas de LED projetavam um rio de água barrenta, e ela podia jurar que sairia com os tênis emprestados sujos.

– Sério, que calor é esse?

– Melhor a gente tirar os casacos agora, vai ficar mais quente. – Edward explicou, e ambos seguiram seu conselho, guardando-os nas mochilas. Ela ficou tentada a tirar a peruca loira, porém estava adorando a ideia de não ter identidade.

A primeira coisa que notou na próxima sala foi a leve fumaça pelo chão, agora de terra real em relevos; O ambiente era árido e alaranjado, de paredes bege, quase um deserto. Pessoas de todos os tipos físicos e etnias seminuas, sujas de barro, se distribuíam em atividades dentro de várias bacias de madeira – cantando lamúrias, recitando dizeres angustiantes, ou com gestuais violentos.

Uma performance teatral, Bella concluiu, olhando as estátuas de criaturas gregas maléficas no meio. O recepcionista havia desaparecido, porém logo um novo ser mascarado vestindo uma larga túnica branca chegou para acompanhá-los.

Ele – ou ela – não disse nada, apenas uniu dois punhos do casal lado a lado, e começou a amarrá-los numa corda vermelha, de maneira intrincada.

Aquele ritual levou um tempo suficiente para Bella começar a refletir a respeito.

Ser amarrada não era necessariamente um fetiche seu, porém algo na forma como seu braço desnudo roçava forçadamente no antebraço do rapaz lhe deu arrepios. Dos bons.

Edward também sentiu.

– Tudo bem aí?

Seus olhos se encontraram por trás das máscaras. A energia trocada foi intensa o bastante para sumir com as palavras por instantes. Ele parecia tão mais alto nessa posição, e tudo estava em evidência contra a pele dela. Os pelos, a pele quente e ligeiramente suada, o perfume.

Um vacilo do olhar dele para baixo e de volta, num segundo, confirmou sua suspeita de que seus mamilos estavam furando a blusa, e seu sexo levou um choque.

– Sede. – foi a única coisa que conseguiu dizer, chegando até a lamber os lábios quando os reparou abertos.

O rapaz assentiu, o sorriso torto surgindo do lado descoberto pelo disfarce. Voltou-se para frente, mas sem deixar de comunicar o que desejava com um leve roçar de dedos no braço dela. Ritmado, quente e ardido.

A imaginação foi longe, mas Bella respirou fundo. Buscando distração urgente, enquanto o novo guia agora amarrava o resto da corda em si mesmo com certa distância, ela olhou ao redor, vendo as outras pessoas "normais" na sala com seus guias.

Até que, lá no fim, avistou um homem muito alto, todo pintado de argila branca numa máscara de três cabeças, e tudo fez sentido.

– Isso é o inferno? – inquiriu, começando uma conversa em sussurros. Edward sorriu ligeiramente.

– O que denunciou?

– O Lúcifer com três rostos. Lembrei do Inferno de Dante Alighieri… – ela começou a contar os artistas em suas posições. – Nove pessoas em nove círculos do inferno. Aquela frase lá de cima é da Divina Comédia, não é?

– Droga, eu estava esperando te contar só quando chegássemos ao Paraíso. Não dá mesmo pra surpreender uma profissional da literatura. Por que você é tão inteligente?

Ela riu.

– Quase conseguiu. Eu não sei esses livros de cor. É uma bela obra, admiro pela inovação e material artístico, mas só li uma vez, por obrigação.

– Sério? Por quê?

– Misógino demais, além de ter toda a noção de pecado que eu não concordo. Faz jus à época. Discutimos no primeiro ano da faculdade e eu passei uma raiva…

– Imagino. Mas esse projeto é diferente. É atualizado pro nosso mundo, nossos problemas de hoje. Você vai curtir.

Assim que acabou de explicar, o guia virou-se para eles.

– O mundo é cego, e vós vindes exatamente dele. Permita-me que lhes mostre o que alguns não querem que seja visto...

Em cada círculo, eles testemunharam confissões de dores e todo tipo de podridão humana. Falavam de preconceitos, violências, egoísmos, sempre arrependidos. Isabella se arrepiou com o Lúcifer sujo de branco, já no fim, mas felizmente o guia logo os libertou com o ritual de desamarração.

Sozinhos, foram deixados num labirinto escuro de paredes pretas com TVs que passavam vídeos, onde artistas performavam o que só podia ser um tipo de pecado tradicional, aos olhos da professora.

Tentaram achar a saída juntos, mas era difícil não ficar preso nos vídeos. Num deles, o que mais lhes chamou atenção, havia algumas pessoas nuas dentro de duas gaiolas de vidro, separadas frente a frente.

Os homens tinham os pênis eretos, e todos e todas simulavam sexo com seu respectivo par – homens com mulheres ou com outros homens, ou mulheres com mulheres, e outros gêneros indefinidos; havia para todos os gostos.

Era incrível e bizarramente excitante ver o desespero dos pares por não poderem se tocar, mas ainda assim exalando tesão. Tão perto, mas tão longe.

– Gostou desse? – Edward parou atrás dela, arrepiando sua nuca.

– Sim... Apreciei a diversidade.

– E a cena também.

– A cena também, claro. É intensa, muito bem feita.

– O pecado favorito de todo mundo.

– Será? Acho que a gula vem primeiro.

– Empate, vai. No fim, tudo acaba em pizza… e sexo.

– É, com certeza são os pecados que mais cometo.

– Não é injusto? Mesmo você dizendo que não aceita a noção de pecado, ainda assim continua a ser uma pecadora de acordo com a lógica deles.

– Já estou acostumada. Esqueceu que minha família é religiosa? Deus sabe o quanto já pedi perdão por coisas que eu nem entendia direito porque devia pedir.

– E agora? Se rebelou e foi morar bem longe dela, virou uma pecadora de primeira?

– Minha transgressão começou bem antes disso, quando minha mãe brigou com as mulheres da igreja por falarem mal dela e nunca mais voltou.

– Mentira? Me conta essa fofoca aí.

– Um dia peço pra ela te contar, será mais divertido.

No áudio baixinho do vídeo, um gemido de mulher soou mais alto que todos, tomando-lhes a atenção de volta. Deitada no chão, ela contorcia-se lentamente de pernas abertas para seu parceiro aprisionado.

Bella sentiu vontade de se confessar.

– Teve uma vez que eu literalmente ajoelhei e rezei depois de me masturbar.

– Hmm, adoro quando você ajoelha e reza depois de me masturbar. – Edward soltou. Ela deu um tapa em sua perna, mas riu.

– Sério! Eu tinha doze anos, nem entendia porque devia me sentir culpada, se eu estava sozinha, sabe? Mas mesmo assim, eu me sentia.

– Isso é tão ruim. Sinto muito que tenha passado por isso. Ninguém merece sentir essa culpa.

– Eu nunca entendi principalmente como comida e sexo podiam ser pecados, se são coisas que fazem parte da Natureza. Os outros tipos de pecado são só atitudes horríveis, mas esses?

Edward se aproximou para abraçar sua cintura e deixar em seu pescoço um beijo que ela sentiu no corpo todo.

– Acho que é porque, em algum momento da História, alguém cismou que devíamos carregar culpa pelos nossos excessos e prazeres mundanos, e a moda pegou.

– Pois é, eu não consigo aceitar isso. A culpa. Não existe o errado no prazer.

– Isso eu já não sei… E quando o prazer vier de um lugar moralmente errado? E os pervertidos, os pedófilos, por exemplo?

– São errados, claro, mas as motivações são outras, não sexo, nem prazer. Pelo menos não acredito que seja. É mais sobre a sensação de poder e dor de uma mente nada saudável.

– Faz sentido…

– Sabe o que isso está me lembrando? Nosso primeiro encontro. Aquele desenho do Klimt… Como era o nome?

– "Masturbação feminina"?

– Esse. Klimt tão sutil... – ela riu.

– Eu sou muito cara de pau de levar uma mulher logo de cara pra ver algo assim. Fui ousado.

– E eu que dei no primeiro encontro?

– E daí?

– Os homens tendem a correr assustados quando isso acontece. Não te passaram esse recado no clubinho dos machos?

– Eu perdi minha carteirinha. Jamais sairia correndo. Aliás, acho que foi o que me fez ficar. E você não deu nada, Bella, você que me comeu naquele dia.

– É o quê? – ela gargalhou.

– Você foi uma coisinha feroz que me atacou já no táxi da volta. E eu só deixei você abusar do meu corpinho, estava de quatro. Quer dizer, não literalmente, mas se você quisesse talvez eu aceitasse naquele dia.

– Aww, você daria seu cu pra mim? Adoro um homem romântico.

Foi a vez dele gargalhar de surpresa, apertando Bella em seu corpo e fazendo cócegas para ela se contorcer. Um casal de moças passou pelos dois, mas nem quiseram parar e apreciar o vídeo erótico bizarro.

– Acho que foi ali que me apaixonei, sabia? – explicou o rapaz, parando de torturá-la.

– Ah, para, você só ficou emocionado com o sexo bom.

– Não foi só isso. Eu realmente te achei incrível, meu coração balançou.

– Eu já demorei mais um tempinho pra me apaixonar.

– Eu sei. Sempre a cética. Mas de cara eu já vi toda a paixão que você tinha aí dentro, como a gente combinava tanto, nossa sintonia. Pensei nas possibilidades… Você realmente se entregou, eu fiquei doido.

– Foi atípico pra mim. Não costumava fazer isso, mas você era o garoto mais lindo que eu já saí, tinha um papo bom, inteligente sem ser pretensioso e ainda me levou a um encontro maravilhoso que era a minha cara. Sabe o quanto isso é raro? Eu tinha que deixar minha marca de algum jeito, não queria te largar mais.

– Funcionou, parabéns.

– Graças a Deus... De onde vem essa música?

– Do Purgatório. A festa.

Bella virou-se em seus braços e até se desequilibrou um pouco pela proximidade dele. Riu sem jeito quando ele a estabilizou.

– Por que o Purgatório é justo uma festa?

– É onde vamos nos livrar dos nossos problemas e demônios pessoais. Expiar, purgar e tal...

– Parece um lugar mais propício a cometer pecados do que nunca. Tem certeza que chegaremos ao Paraíso assim?

– Felizmente, sim. Não tem outra saída. Vamos. – pegou sua mão, levando pelo caminho que até então ele fingia não conhecer, em nome da diversão dela.

No final de uma longa escada, encontraram uma festa como outra qualquer, a única diferença eram os telões, que passavam os mesmos vídeos de antes. Estava quase lotado, um espaço pequeno com umas duzentas pessoas. Acharam uma mesinha livre num canto, e sentaram-se com água e uma jarra de cerveja do bar.

Beberam e jogaram uma boa conversa fora por algum tempo, enquanto a atividade da pista gradualmente começava a se intensificar. A música dançante era agradável, de cantores em línguas além do Inglês, e Bella não conseguia ficar parada. Até cantou para ele uma em espanhol que conhecia.

– É a terceira vez nessa semana que eu saio pra beber, a segunda madrugada numa boate. Olha o que virou minha vida desde que você voltou? – ela riu tomando um gole de cerveja.

– Uma diversão sem fim com aventuras excitantes e maravilhosas?

Bella gargalhou, da cabeça chegar a virar.

– Que foi? – Edward sorriu. – Brega demais pro seu gosto?

– Eu ia dizer que virou uma bagunça. E ok, também uma diversão sem fim com aventuras excitantes.

– E maravilhosas. – completou, vendo a metade visível do rosto dela se transformar. – E esse sorrisinho aí?

– É porque estou realmente estou muito feliz que você voltou pra mim.

– Ah, isso eu percebi. Eu e milhões de pessoas da internet.

– Dá pra esquecer desse fato só por um minuto?

– Jamais. E eu também estou feliz que você voltou pra mim. – deixou um selinho em sua boca, esticando o braço no ombro da cadeira dela. – Foi bom saber que eu conseguia sobreviver sem você, mas ser solteiro já estava ficando um saco. Você também sentiu isso?

– Mais ou menos. Eu gosto da minha companhia, e ficar sozinha foi ótimo pra me conhecer melhor, eu estava precisando nessa altura da vida, você foi meu terceiro relacionamento longo desde os meus dezoito anos... Mas tem uma Bella que só aparece quando você tá por perto, e por mais que às vezes ela me dê um medo do caramba, eu também estava sentindo falta dela. E do que nós dois somos juntos…

– Somos um bom time, não somos? – ele sorriu em contentamento.

– Porra, sim! – ela ofereceu seu copo para brindarem.

As luzes foram ficando mais agitadas, a batida da música mais forte e as pessoas pulavam, bebiam, berravam. Algumas subiam nas mesas para dançar louca ou vulgarmente e eram ovacionadas; os parceiros se beijavam e se agarravam pelos cantos escuros sem pudor. Se olhasse bem, veria certas coisas que não deviam ser feitas em público, mas ninguém ficava encarando.

Os adornos de anonimato com certeza encorajavam-nos a agir com a liberdade de pessoas que não seriam cobradas e julgadas pelas normas da sociedade. Ninguém tinha identidade aqui, o lema era perder-se para se encontrar. Descarregar as energias acumuladas do mundo exterior e limpar seu sistema de suas vontades.

Foi Bella quem decidiu se levantar, puxando Edward. Tropeçou um pouco com o movimento súbito, rindo no peito dele.

– Acho que bateu… – disse ao pé do ouvido.

– Mas já? Só bebemos uma jarra.

– Deve ter sido a adrenalina de hoje, me deixou mais fraca. Mas pode deixar que dessa vez não vou vomitar num canteiro de rua.

– Podemos resolver isso, vou voltar no bar daqui a pouco. – brincou, enroscando os braços em sua cintura para seguir o ritmo da música.

Dançaram por um bom tempo. Rindo, brincando, se provocando. E eram muito bons nisso. Tão bons, que até movimentos ousados, de corpos grudados e mãos bobas por toda a parte pareciam naturais.

A música voltou a ficar mais calma, e Bella se apoiou nos ombros dele. Um feixe de luz escolheu aquele momento para incendiar seus olhos castanhos na máscara branca, uma imagem tão linda, que roubou o fôlego de Edward.

Às vezes esquecia-se de como havia se apaixonado primeiro por aqueles olhos. Grandes, profundos e misteriosos. Quantos segredos eles ainda lhe revelariam?

– Por que essa Bella que surge quando está comigo te dá tanto medo? – sua voz perguntou suavemente.

A moça sorriu, surpresa por ele voltar ao assunto da mesa.

– Acho que você sabe…

– Por que eu te deixo eufórica e excitada demais, e o quê mesmo?

– Não. – ela sacudiu a cabeça. – Quer dizer, isso tudo é verdade, mas não tenho medo mais. O medo é porque às vezes eu tenho umas reações ridículas que, nossa… Nunca pensei.

– Tipo o quê?

– Só falo se você prometer não me zoar.

– Prometo, claro, só tem um problema.

– Qual?

– Eu vou te zoar.

Bella revirou os olhos, porém começou a contar.

– Ok... Por exemplo, eu sei que é ridículo, mas eu só aceitei ir naquela boate em Chamolia com os amigos de Irina porque estava com ciúmes de você.

– Não diga? Eu nem reparei. Ai! – ele levou um beliscão na bunda pelo deboche, e riu. – Tá, tudo bem. Confesso que também só aceitei ir porque estava a fim de te cutucar, sabia que ficaria irritada.

– E porque queria me fazer ciúmes com aquela Tanya, né…

– Não. Nada disso. Você acha que eu seria capaz de fazer algo assim? – inquiriu sério, e quando Bella reparou que ele tinha ficado magoado, beijou-o na bochecha antes de se desculpar.

– Não, eu sei, não é sua cara fazer isso. Desculpa. Aí, tá vendo, que saco! Até conversando numa boa, a monstrinha ciumenta bota a cabeça pra fora.

– Tudo bem. O que eu queria mesmo quando aceitei o convite de Irina era ver uma reação sua, e talvez não tenha sido a coisa mais legal. Meu plano nunca foi dar papo pra Tanya, só fui quando você me rejeitou. Mas enfim... – suspirou. – Vamos esquecer isso, porque agora eu sou só seu e todos os Edwards estão muito a fim de ver todas as Isabellas que existem aí dentro.

– Bom, você tem uma loira hoje. Aproveite.

– Você tá muito gata com essa peruca, por falar nisso.

– Pena que preciso devolver no fim, não vai ser dessa vez que você vai realizar seu sonho de dormir com a Daenerys.

– Puta que pariu! – ele teve uma ideia. – Agora quero você numa fantasia completa. Por favor, no próximo Halloween dos gêmeos!

– Sério? – ela riu. Leah e Jake faziam aniversário no dia 31 de outubro, e a festa à fantasia deles já era tradição. Edward não foi na desse ano e perdeu Bella vestida de boneca Annabelle.

– Por favor, por favor. Eu posso ir de Jon Snow.

– Incesto uma hora dessas, amor? Pelo menos vai vestido de Daario Naharis, aquele amante gostoso dela, mais a sua cara.

Edward se afastou, franzindo a cara.

– Aquele o quê?

– Amante da Daenerys. Que é um gostoso, você vai me desculpar, mas é.

– Ah, é? – lentamente, ele abriu um sorriso implicante, preguiçoso e delicioso, do jeito que ela amava e se derretia. Bella reciprocou, rindo dele em provocação.

– É, é sim. Por quê?

– Ah, tá bom. Vem cá que eu vou te mostrar quem é o gostoso aqui. – ele apertou sua cintura com tanta fome nos olhos, que a morena só concordou.

– Por favor!

Seus lábios se encontraram no meio do caminho e o que era para ser uma brincadeira, acabou com o casal se embolando até encostarem na parede atrás da mesa.

As bocas atacavam-se com vontade, lenta e profundamente, ambos tomados por arrepios. Há quanto tempo não davam uns pegas na parede de uma boate? Sentiam-se tão jovens e livres, deixaram-se levar pelas sensações.

As máscaras foram tiradas quando começaram a atrapalhar, mas as inibições já tinham sido diluídas na bagunça do ambiente, e Edward agarrava a coxa dela, subindo para enroscar em seu quadril.

Quando foi buscar fôlego, começou a descer beijos e arranhões de dentes pelo pescoço da moça. Os olhos semi-cerrados dela avistaram o telão em frente, e o video da Luxúria hipnotizava.

Tudo o que ela queria agora era pecar.

Puxou-o pelo cabelo na nuca para ter sua vez de brincar, sentindo a pele do pescoço dele salgar sua língua, que percorria alternando com chupões leves. Ele cheirava tão, tão bem. Como resistir?

Chegando atrás da orelha, sugou a carne entre os dentes, e Edward puxou sua bunda, esmagando-a contra ele. Num reflexo, a mão que tinha ido parar dentro da camisa dele arranhou a pele. O gemido do rapaz foi o que fez Bella se refrear.

– Melhor parar, senão eu vou te lamber inteiro nessa pista. – ela arrastou as palavras em seu ouvido.

– A gente não precisa parar…

A mulher riu, dando um leve tapa no peito dele, descendo sua perna.

– Você disse que não era um clube de sexo, seu safado.

– E não é. Você quer parar mesmo?

– Pareço que quero?

– Não. Confia em mim? – ele ofereceu uma mão e ela aceitou.

– Sim…?

– Então vem comigo.

Impressionava a rapidez com que ele pegou suas mochilas na mesa ao lado, e a arrastou até chegarem ao pé da escada que dava para o último andar. Ao invés de subir, o rapaz começou a tatear a parede por trás de um extintor. O ambiente todo era preto, difícil de distinguir alguma coisa por ali.

Bella balançou seu ombro.

– O que tá fazendo, seu doido?

Mas ficou sem resposta, pois um instante depois, ele a arrastou novamente até uma porta embaixo da escada. Olhou para ter certeza que ninguém os vigiava, e abriu com uma chave, enfiando os dois lá dentro.

– Edward, que loucura é essa?

Ele não disse nada enquanto se certificava que não havia companhias no almoxarifado escuro sob a escada, trancando a porta por dentro.

– A gente não pode entrar aqui!

– Consegue guardar segredo?

– O qu—

Ele nem esperou a resposta, foi logo pegando seu rosto para voltar de onde pararam. Bella estranhou o negócio redondo que espetava a lateral de seu braço na parede, mas era a última coisa em sua mente do meio desse beijo.

Sentiu mãos na barra da blusa, e deu sua permissão silenciosa erguendo os braços. Ele foi só até onde era preciso para libertar os seios do sutiã, dando passagem à sua boca. Estava sedento por aqueles bicos que o tentavam desde a sala do Inferno.

– Esse maldito sutiã de renda que deixa seus peitos mais gostosos ainda, foi só pra me provocar? – inquiriu, mordiscando e chupando um mamilo, enquanto rolava o outro entre os dedos.

Ela queria responder que precisava levantar a autoestima nesse dia de merda de alguma forma, mas apenas agarrou os cabelos dele, tentando olhar o que fazia.

– Quero seus dedos… – pediu.

A calça era apertada e ela teve que ajudá-lo a abrir. Edward acabou puxando a calcinha junto, e seus dedos encontraram o clitóris inchado. Sua outra mão segurou os punhos dela para o alto da cabeça, só para deixá-la doida.

Sua boca voraz voltou a atacar peitos, colo, pescoço, lábios. Onde conseguia e queria enquanto a masturbava. A barba por fazer queimava e fazia cócegas em certos lugares, e a risada dela saiu espontânea em meio aos gemidos.

– Gostosa. – Edward declarou, e porque não se aguentava também, desceu beijos pela barriga dela até alcançar a buceta. – Dois ou três?

– Três. – ela afastou os joelhos para recebê-lo, os dele grudados no chão empoeirado.

A língua preparou o terreno espalhando sua excitação, e quando sentiu os dedos ásperos do rapaz trabalhando lá dentro em harmonia com a boca que a chupava, Bella gemeu um palavrão tão alto, que teve medo de alguém ouvir.

Bobagem. O lado de fora tinha decibéis muito mais altos.

A cabeça girou de prazer, e ela acabou percebendo que a festa lá fora podia ser vista pelas quatro frestas na porta ao seu lado, por onde a luz entrava. Apesar do receio de ser descoberta, poucas vezes sentiu um tesão tão grande, e estava certa de que bastava dizer um "a", e Edward aceitaria foder ali mesmo.

Felizmente, ele pareceu ler seus pensamentos.

Ergueu-se sugando os dedos encharcados, puxando o rosto dela para encará-lo. Seus olhos se encontraram na meia-luz piscante.

– Tá a fim de fazer uma loucura maior ainda? – ofegou. Bella já tinha começado a abrir a calça dele.

– Tem camisinha aí?

– Comprei no posto mais cedo.

– Então me come logo, pelo amor de Deus.

Edward bufou uma risada carregada com a verdade e desespero na voz dela enquanto pegava o preservativo na mochila jogada. Bella chutou os tênis para tirar a calça toda, fazendo-o lembrar da cena que viu no vestiário da ONG.

– Que tara é essa de ficar pelada em locais impróprios hoje?

– Eu só quero te sentir. – ela o pegou pelo colarinho, mordendo seu lábio e acariciando seu pau que pulou do jeans, sua calça aberta caindo pelas pernas.

Foi Edward quem arrancou a peruca dela, sentindo um grande alívio por ter sua morena de volta. Era só o que ele queria. Isabella, pura e inalterada.

Assim que se protegeram, Bella abraçou os ombros de Edward, que enganchou a perna dela num cotovelo para penetrá-la quase sem relutância. Com a invasão, as unhas fincaram a pele dele e um gritinho deixou sua garganta.

– Ainda tá dolorida?

– Não. Pode ir sem pena.

– Não fala isso. – dando uma risada sombria, ele agarrou a bunda dela para estocar com intensidade.

Fundo, forte e lento, ele ia aumentando a velocidade conforme aumentava o calor daquele quartinho. A música que vinha abafada era um estímulo aos seus corpos em sincronia, e o beijos guardavam gemidos na boca do outro.

Bella achou um jeito de ficar mais confortável apoiando seu pé numa prateleira, podendo mover os quadris para acomodá-lo onde desejava. Suas costas arrastavam na parede e talvez ficasse machucada, mas seu corpo obedecia aos instintos agora e ele não pararia tão cedo.

Assim que sentiu a morena contraindo-se ao redor de seu pau, Edward parou tudo para virá-la, segurando-a pelos quadris para voltar a meter por trás.

Ela estava gostando de deixá-lo comandar. Sentia as mãos dele explorando sua pele, dedos massageando seu clitóris e outros beliscando seus mamilos. E não lhe escapou o fato de que ele havia colocado sua cabeça virada na direção das frestas da porta de propósito.

– Tem gente aqui na frente. – ela grunhiu, porém continuou indo ao encontro das estocadas dele.

– Tá com medo de te verem sendo fodida nesse quartinho sujo? – ele retrucou, o hálito quente em sua orelha, deixando beijos por ali. – Hein, Isabella? Quer parar?

– Não...

– Mais alto, não ouvi.

– Não para, caralho! Não!

Bella pôs uma mão sob a bochecha na parede evitando se machucar, e uniu sua mão livre à dele em sua buceta para tocarem juntos. Foi a deixa para o rapaz começar a inclinar os quadris na intenção de atingir os pontos que ela necessitava para o orgasmo.

Eles sentiam coxas e dedos melados de tanta excitação da morena, e por mais que Edward tentasse manter a compostura, por dentro tremia para não gozar antes da hora. Não fazia ideia que ela teria essa reação, o que só o deixou com mais tesão ainda.

– Edward. Tão gostoso. – ela lamuriou e o parou com uma mão, rebolando apenas na cabeça do pau para chegar onde queria. O rapaz tentava olhar, as luzes piscavam naquela bunda que ele amava deixando tudo mais sensual.

– Puta que pariu…

Sem demora, Bella começou a gemer alto em seu clímax, sem medo, soltando tudo o que havia preso na garganta hoje. Suas pernas foram enfraquecendo, o corpo todo estremecendo pelos choques, mas foi amparada por Edward, que não parou de meter um segundo, prolongando o prazer dela e trazendo o seu.

Ele gozou forte dentro dela logo depois, apertando Bella contra si e beijando sua nuca suada. Ainda sentia os últimos espasmos dela onde estavam conectados, e era uma sensação como nenhuma outra, principalmente por saber que havia ajudado a causar toda essa bagunça e explosão maravilhosas no corpo dela.

Enquanto pegavam fôlego, ele tentou se escorar na parede com receio de esmagar a mulher, mas ela escapou e acabou escorregando para sentar no chão sobre os joelhos. Edward se encostou meio sentado na prateleira.

– Que loucura… – Bella foi a primeira a dizer, a voz quase não saindo.

– Você que pediu pra eu te ajudar a esquecer… Fiz minha parte.

– Eu tô sem forças nenhuma. Acho que você me quebrou.

– Amanhã, na BBC Londres: "Professora americana morre de tanto gozar gostoso".

– Palhaço! – ela pegou o tênis e tentou jogar nele, fracassando. Caiu a dois palmos de si. – Credo, eu tô toda molhada. Que foi isso…

Minutos depois, tomaram coragem para se mover e se limparam conforme dava com os lenços umedecidos que Edward havia comprado no posto de gasolina, já prevendo que necessitaria. Vestiram-se e colocaram de volta seus disfarces.

Mesmo com eles, Bella ainda andou cabisbaixa quando Edward abriu a porta, e foi agarrada ao braço dele, deixando ser guiada. No entanto, quase ninguém pareceu notar que um casal tinha saído da escuridão, pois a festa agora estava em seu auge. Foram ao banheiro e Bella mal conseguia segurar as coxas, ainda bambas.

Quando foi a última vez que sentiu-se assim? Provavelmente nunca – ao menos não recentemente.

Na contramão da energia do ambiente, os dois voltaram a se encontrar e pegaram uma água antes de subir direto ao último andar do labirinto da Divina Comédia. O tão aguardado e desejado Paraíso.

Seus olhos até demoraram para ajustar à claridade da sala clara em tons pasteis. Era suave, silenciosa, o ar condicionado uma brisa fresca aliviando o suor grudento da pele de ambos à essa altura.

Havia imensos puffs brancos pelo chão e redes penduradas, onde poucas pessoas descansavam. Tecidos transparentes flutuavam do teto, e no centro uma grande escultura abstrata que lembrava uma rosa vermelha.

Bella se jogou de cara em um dos puffs, trazendo o rapaz. Queriam ir para casa tomar um bom banho e dormir como um bebê, mas por ora, enquanto seus corpos se recuperavam do pós-orgasmo, esse lugar estava mais do que perfeito.

Uma música de instrumentos asiáticos bem leve tocava, e às vezes uma mulher recitava algumas estrofes de Dante Alighieri sobre o Paraíso numa voz suave que ninava os presentes.

– Tem o cheiro do seu banheiro… – Bella ouviu em algum momento, pouco antes de pegar no sono no peito dele. Ergueu a cabeça.

– Ahm?

– A essência que tem nesse Paraíso, é o mesmo que no seu banheiro. Fresco, meio floral, meio amadeirado.

– Você é estranho. – ela riu. – Devem ser as velas… Minha banheira é mesmo divina.

– Gostou da nossa noite?

– Amei. Mais do que amei, deu pra sentir, né? Muito obrigada, era tudo o que eu precisava. Ver arte, dançar. Já falei que eu amo dançar com você?

Edward fazia cafuné em sua cabeça e deixou um beijo na bochecha.

– Pois eu acho é que depois desse caos todo passar, devíamos sair pra dançar mais vezes, sabe? Pelo menos uma vez por mês.

– Não estamos meio velhos pra festas e boates?

– Primeiro que velho é meu pau de óculos. Segundo, que não precisa ser assim sempre, a gente tá numa cidade com milhares de opções de entretenimento, tem festas mais tranquilas, mais cedo.

– Hm, pode ser, vamos ver…

– Por favor? Você é minha melhor parceira de dança.

– Espero que a única também, agora. Não quero nem pensar em outra dançando daquele jeito com você...

– Que jeito? – perguntou com falsa inocência.

– Bem sacana e com final feliz dentro de um quartinho no meio da festa.

– Jamais. Isso só com você. – ele passou um dedo em sua bochecha. Bella suspirou, fechando os olhos.

– Ainda estou sentindo no meu corpo. Me sinto tão… Viva.

– Eu também. Não sei como vou conseguir levantar daqui, pra ser sincero.

– Como você sabia desse lugarzinho? – ela sentou-se um pouco, pegando as garrafas d'água para beberem.

– Essa casa e o projeto são de um amigo meu e do Jasper, ele convidou um pessoal. Sou VIP.

– Não, digo, sobre o quartinho...

– Hm. – ele bufou, bebendo um gole da água. – Pergunte à Alice. Se divertiu bastante lá dentro, ao que parece.

– Ah, não me diz que ela ficou te contando das escapadas sexuais deles? Ela sempre faz isso quando tá bêbada.

– Claro que não. – ele riu do desespero dela. – Foi Jasper, ele disse que havia um lugar e onde achar a chave.

– Piorou, agora tô imaginando dois marmanjos falando da vida sexual da minha melhor amiga!

– Ah, parou. Até parece que você e Alice não fofocam sobre as vidas sexuais também.

– Eu não sou de foder e falar, Edward. O que nós duas conversamos sobre sexo é meio… genérico. Nada detalhado. – dizia, antes de desviar os olhos. – Se bem que…

– O quê?

– Nada não. – ela enrubesceu ao negar. Ficou vermelhinha, vermelhinha.

– Ah, não, agora fala.

– Bem. Talvez eu tenha usado a palavra pirocudo pra te descrever.

– Meu Deus, Bella! – ele gargalhou, chegando a se sentar no puff, tentando não fazer muito barulho.

– Ai, falei. Não me julgue, por favor? Foi quando a gente começou a sair, é claro que eu contei à elas, estava impressionada. Porque, nossa… – seus olhos se arregalaram.

– Elas quem?

– As meninas… Leah, Alice e Angela.

– Você fez propaganda gratuita assim mesmo, é?

– Se te consola, Alice também me contou sobre Jasper.

– Argh! – ele fez som de nojo, mas logo variou o tom. – Eu sou maior que ele?

– Edward! – riu.

– Fala a verdade, eu sou maior, né?

– Ih sai fora, não vou ficar massageando seu ego masculino, não.

– É só curiosidade.

– Que interesse no pau do seu amigo, hein, pede pra ele te mostrar.

Edward quase cuspiu a água com a risada.

– Imagina a cena?

– Vem garanhão, vamos pra casa. – ela se levantou, puxando sua mochila e a mão dele.

– Garanhão, o animal? Confirmado, então? Sou maior, é isso.

– Deixa de ser ridículo! – eles saíram rindo e se implicando, até chegarem ao lado de fora: uma varanda com escada, por onde desceram na lateral da casa e puderam entrar e pegar seus celulares de volta para chamar um Uber.

Quase uma hora depois, enfim banhados e confortáveis, se deitaram na cama de Bella. Os gatos, bravos por terem sido esquecidos por tanto tempo, não deixaram trancar a porta hoje, e ficaram de aquecedor de pés do casal.

– Não acredito que estou indo dormir às quatro da manhã numa segunda-feira. – murmurou ela, colocando o despertador para as dez. Se aninhou no peito dele, suas pernas enroscadas. – Tomara que consiga acordar bem, pelo menos pra yoga.

– Está de ressaca?

– Não fiquei tão bêbada. Mas talvez eu tenha que comprar orégano, afinal.

– Hm?

– Esquece… – ela riu, lembrando-se da mãe, e apagou o abajur. – Sabe, aquele telefonema da mamãe mais cedo me deu uma saudade, fiquei com o coração apertado. Deve ser o clima natalino mesmo como você falou.

– Entendo totalmente.

– Faz mais de um ano que não vou, esse ano não pude ir porque estava viajando com o Projeto da professora Thompson. Saudade da minha mãe, do Phil, minha avó… Até daquele povo fofoqueiro, minhas tias e primos.

– Ei, eu ainda pretendo viajar pra ver minha família ano que vem. Vem comigo.

– Não posso até as férias de verão em julho, sigo o calendário da faculdade.

– Posso esperar por você. A ONG deve ter férias também, vamos juntos.

– Hm… Pode ser. Vamos ver as passagens amanhã, tenho milhas. – respondeu com a voz já embargada de sono. – Tomara que tenha algo barato pro verão.

– Nossa, que saudade do verão. Do sol… Ei, a gente podia ir pra Califórnia, hein, amor?

– Seattle e Chicago ficam um pouco mais pra cima.

– Podíamos fazer uma roadtrip! Pegar um carro e viajar pelo litoral da Califórnia até chegar em Seattle, é praticamente uma linha reta. Que nem na Grécia, só maior.

– Uhum…

– Bella? – chamou, mas ela já havia apagado e seus planos audaciosos para o próximo verão teriam que ficar para outra hora. Fechou os olhos e tentou adormecer, ele também.

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Acordar com a bunda de um gato em sua cara não era bem a forma ideal de começar um dia.

Acordar com a bunda de um gato, com apenas quatro horas de sono, e a campainha tocando como se Jesus tivesse voltado, com certeza indicava um dia péssimo, e Edward teve até medo de abrir os olhos. Empurrou o bichano, cuspindo pelos da boca sem nem pensar muito sobre o gosto estranho.

– Filho da puta! Eu quero dormir! – Bella resmungou e se mexeu ao lado, colocando o travesseiro na cabeça.

– Amor, vai atender logo.

– Vai lá você, por favor, minhas pernas estão pesadas e eu não consigo abrir os olhos. – ela realmente falava meio enrolado.

– E eu com isso?

– É tudo culpa sua.

– Eu não vou atender a porta da sua casa.

– Vai, por favor, deve ser o entregador da minha feira orgânica da semana.

– Se a gente ignorar, ele vai embora.

– Não posso perder minha feirinha. Faz esse favor pra sua mulher.

– De namorada-de-testes fomos direto pra "minha mulher"? Que evolução.

A campainha parou de tocar, para seu alívio.

Alívio este que durou apenas dez segundos, até recomeçar.

– Cretino! – foi a vez de Edward reclamar, e dessa vez, usou a raiva de força motora para que se levantasse com pressa, de pés descalços e cuequinha branca mesmo, para abrir a maldita porta.

Desceu a escada correndo e só percebeu que tinha sido uma péssima ideia dispensar o olho mágico quando abriu, dando de cara com uma mulher de meia idade muito bem vestida.

Ela pareceu se assustar, dando um passo atrás.

– Pois não? – perguntou o rapaz, e a senhora levou alguns instantes.

– A-acho que errei de endereço, perdão…

– Talvez não tenha errado, é que eu não moro aqui. Com quem deseja falar? – Ele espremeu os olhos tentando enxergá-la, a claridade da rua derretendo-os aos poucos. Fazia sol em Londres hoje. Lógico.

– Ahm… – ela parecia distraída, e foi seu olhar vago que fez Edward notar os trajes mínimos que portava. Escondeu-se atrás da porta. – Aqui é a casa de Isabella Swan? Eu trabalho com ela, é um pouco urgente.

– É a casa dela sim, só um minuto, ela está no quarto, vou chamar.

– Olha, mas se ela estiver dormindo não precisa, eu volto mais tarde.

– Ah, não, por favor, eu faço questão. – falou, sentindo um gostinho de revanche, já que iria tirar Bella da cama. – Ela me fez vir até aqui e a cama estava uma delícia, acredite, a senhora deve ser importante.

– Tudo bem. Desculpa incomodar a essa hora… Ela não tem atendido meus telefonemas desde ontem.

– Eu sei. Deve ser a nova regra. Por favor, entre. – ele ofereceu, trazendo-a para sentar no sofá e fechando a porta. – Fique à vontade, a casa é sua. Bom, não que seja minha também, mas com certeza Bella falaria isso. Eu acho... É, já volto.

Ele gaguejava de sono, seu cérebro mal funcionava, porém enquanto cruzava a sala percebeu que ela ainda o olhava de esguelha e sentiu-se mais errado do que quando tinha feito todas as barbaridades na boate ontem. Deu meia volta em direção a porta da rua.

A senhora continuou olhando.

– A escada é pra lá… – comentou ela. Prendia um sorriso.

– Eu sei, eu vou só… Pegar isso aqui. – disse envergonhado e vestiu o sobretudo preto de Bella pendurado na entrada da casa, só para que a senhora chique não ficasse olhando sua bunda branca subindo as escadas.

Mas nem precisaria passar pelo constrangimento. Na mesma hora, ouviram pés descendo as escadas. Bella tinha se levantado.

– Edward? Tá tudo bem? Estou te chaman—

A frase foi cortada ao meio porque Isabella errou um degrau e caiu de bunda, quase rolando a escada como uma laranja.

E porque havia dado de cara com a Professora Esme Thompson, ninguém menos que sua chefe no projeto de extensão sobre Literatura Feminina. Respeitada, aclamada, adorada e temida por Bella, mas que agora lhe via em toda sua glória indigna de uma manhã: descabelada numa camiseta e calcinha, indo atrás de seu ex-ex-namorado seminu de cuequinha branca. Velha. Quase transparente.

Não iria perguntar ao Universo o que mais restava acontecer, pois era assim que as desgraças maiores surgiam. Mas devia saber que não adiantava fugir. A encrenca já tinha conhecido o caminho de sua casa.


N/A: E O EXTRA? Será um trecho do 1º encontro. Quem quer? Deixa comentário com seu contato - twitter ou email disfarçado - veja no meu perfil como fazer!

Há três frases tiradas da Divina Comédia de Dante Alighieri (lançado na Itália em 1321):

"DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE AQUI ENTRAIS"
"Desçamos ao mundo onde nada se vê."
"O mundo é cego, e vós vindes exatamente dele."

Até a próxima, beijosss