Disclaimer: Twilight é da Stephenie Meyer. Eu apenas faço seus personagens falarem putaria com uma carinha fofa.
Obrigada à Dandara por ler, betar e surtar com nosso casal. Ela tava com uns probleminhas que impediram de betar, mas agora voltou pra mim, TÔ FELIZ!
Vejam os bilhetinhos de Beward, fotos e spoilers no meu grupo de Facebook ou no meu twitter hohcarol. Links na bio!
Capítulo 12: Back With the Ex
– Você não transava desde fevereiro mesmo? – A pergunta inesperada rompeu a calmaria silenciosa do quarto e fez Bella abrir os olhos.
Estavam em sua cama ainda um pouco ofegantes. Seus lânguidos corpos nus e suados, entrelaçados lado a lado, descansavam após um dia de Natal agitado e uma noite mais ainda. Obviamente, Bella não conseguiu cumprir a greve de sexo por mais de vinte quatro horas.
Ela o encarou, confusa.
– Você realmente quer saber sobre isso?
– Quero. Se quiser falar, claro… – Edward deu de ombros, alisando o braço dela.
– Por quê?
– Estou curioso. Porque eu estranhei bastante ter outra pessoa... Foi um pouco difícil acostumar. Queria saber se você sentiu isso também.
Bella esperou a onda de ciúmes vir e passar. Pensar sobre essas coisas era sempre um desconforto, mas agora, achou que não havia momento melhor senão o presente para começar a exercitar a comunicação e maturidade emocional entre eles.
– Não foi desde fevereiro, a última vez foi no verão, deve ter uns seis meses. – respondeu, enfim.
– E foi tranquilo pra você?
– Se eu disser que foi, você vai ficar chateado?
– Não. Talvez só um pouquinho de ciúmes, mas passa. – riu.
– Bom, foi melhor do que eu esperava, pra ser sincera. – disse com reticência na voz, e ele captou.
– Mas…?
– Mas também não foi tão maravilhoso assim.
– Como é comigo. – ele completou, e Bella soltou uma risada pois era exatamente o que ela estava pensando.
– Convencido… Mas sim, não tão maravilhoso quanto é com você. Ele até que era legal, nós saímos algumas vezes, mas não foi nada que me desse vontade de levar adiante.
– Te entendo. Acho que senti o mesmo.
– Sério?
– Quer dizer, não foi ruim de forma alguma. Sexo pra um homem hétero é bom até quando não é tão bom, somos fáceis.
– Deus às vezes erra feio. – ela disse falsamente rancorosa, fazendo-o gargalhar.
– É, mas eu estranhei. Acho que estava acostumado demais com você depois de tantos anos. Era outro cheiro, outro gosto, outros sons. Fora que eu sentia falta da tua intensidade.
– Como assim? – Ela sorriu achando graça. Edward passou os dedos em sua bochecha docemente.
– Você se entrega sempre. Sempre. É tudo verdade, se gosta ou se não gosta. Não se importa se vai me desagradar, se está bonita ou não, você se expõe muito pra mim. Eu não sentia muito isso com ela, acho que a pouca intimidade às vezes fazia com que ela se sentisse forçada a me satisfazer. Quase uma atuação, entende?
– Uhum. Coitada. – Bella bocejou profundamente.
– Coitada?
– Eu poderia citar umas cinco autoras contemporâneas que falam sobre o comportamento que essa moça estava replicando, mas minha cabeça não funciona direito depois de gozar, então só vou dizer que isso aí tem uma causa bem forte.
– Já sei. Patriarcado.
– Você é um ótimo aluno. – ela sorriu, deixando um beijinho nele. – Mas mesmo eu tendo consciência disso, acho que a falta de intensidade e intimidade também foram barreiras pra mim.
– Quando tem amor é uma coisa diferente, né?
– Ôh…
– Que bom que a gente consegue falar disso assim, abertamente. Achei que seria mais complicado. Antigamente, se eu mencionasse uma ex, você pirava legal. Aliás, foi assim que começou nossa briga, né…
– Se eu disser que estou completamente livre de ciúmes é mentira. Mas agora sei separar as coisas, você tá comigo cem por cento, eu vejo e sinto isso. Talvez a terapia esteja surtindo efeito mesmo. Dinheiro bem investido.
Edward assentiu e bebeu um gole da água que ela deixou na cabeceira, enquanto Bella ia até o banheiro aliviar a bexiga. Ele foi atrás depois, e acabaram dividindo o chuveiro num banho rápido.
De volta à cama, com os gatos seguindo depois de horas implorando entrada, o rapaz estava pensativo.
– Que foi? – Bella perguntou, terminando de colocar seu pijama e entrando sob o edredom ao lado dele.
– Estou feliz em saber que não estou sozinho nessas questões que a gente conversou...
– Por que achou que estaria sozinho?
– Na época, conversei com alguns amigos, e a maioria falou que eu era emocionado demais, que eu devia aproveitar a solteirice pra pirar um pouco, testar coisas diferentes com outras pessoas. Sabe, como gente normal que termina uma relação e vai atrás de todo mundo que sempre quis pegar mas não podia.
– Você nunca me disse que queria testar coisas diferentes.
– Ah... É modo de dizer.
– Mas você queria ou não?
– Tem tanta coisa que eu queria explorar com você... No sexo. Na vida. A gente só tava começando, Bella.
Se o coração acelerado dela fosse indício de qualquer coisa, então ela também concordava. Sentou-se mais recostada, pegando sua própria água. Os gatos haviam subido na cama e agora brincavam de pegar seus pés mexendo na coberta.
– Explorar… Tipo o quê? – Indagou.
– Explorar os limites do nosso corpo, do nosso prazer. Tenho lido tanto sobre os ensinamentos tântricos, a gente pode ter experiências doidas, fiquei curioso.
– Eu sei que podemos muita coisa juntos, mas queria saber de você. O que você queria experimentar? Às vezes sinto que você vai muito na minha onda, acabamos sempre realizando só os meus fetiches.
– Os seus fetiches são os meus também, por isso eu aceito fazer.
– Todos? Não tem nada que seja só seu, que ainda não fizemos? Pode ser egoísta agora, eu vou entender.
– Bom… Tem algumas coisas, mas uma em especial...
– Sim? – Ela encorajou.
Edward Cullen era uma pessoa que raramente corava de vergonha, um sentimento praticamente inexistente dentro dele.
Por isso quando Bella viu as bochechas ficando vermelhas e o olhar desviando nervosamente, ela quis apertá-lo até esmagar. Parecia tão fofo, mesmo falando certas putarias que com certeza eram ilegais em algum lugar do mundo.
– Eu… Bem. Meu corpo tem mais de uma forma de ter prazer, assim como o seu, sabe? Dizem que são umas gozadas loucas e intensas.
Bella demorou um tempo até compreender. Um sorriso travesso aumentou nos lábios, erguendo as sobrancelhas.
– Espera. Você tá dizendo que quer… – apontou o queixo na direção sul. – Lá?
– Você toparia?
– Dedos ou dildo?
– Dedos.
– Hm. Tudo bem. Vou lembrar de pesquisar sobre isso e te trago os resultados. – ela respondeu algo tão tipicamente Bella, que Edward só conseguiu rir, descarregando sua tensão.
– Obrigado. Achei que ficaria com nojinho.
– Não é minha ideia favorita do mundo, mas se vai te satisfazer, eu tô dentro. Foi gostoso quando você fez comigo, só imagino como deve ser bem melhor pra você.
– Já disse que eu te amo?
– Você é emocionado mesmo, seus amigos tem razão. – ela riu. – Quando você começou a falar fiquei com medo, esperei umas coisas bem mais audaciosas, tipo troca de casais ou escatologia.
– Não, nada disso. Nem BDSM, nem sado-masoquismo também, fique tranquila. – seu tom era jocoso, mas Isabella sabia brincar igualmente.
– Jura? Que pena, ser sua dominatrix por um dia era o meu sonho.
– Imagina! – Gargalhou, até que viu a cara dela. – Você não tá falando sério, né?
– Ter carta branca pra mandar em você por um dia inteiro, principalmente só pra me dar prazer? É o meu sonho erótico.
– Eu sei que você tá zoando com a minha cara. Mas bem que eu lembro quando você me amarrou na cama aquela vez. Foi uma loucura.
– Você me conhece tão bem. – ela bocejou novamente, se aninhando nas cobertas. Mr. Darcy tomou a deixa e se aninhou atrás de seu bumbum, e Heathcliff nos pés de Edward. Gostava de proximidade, mas nem tanto.
– Vamos dormir? Você me deu uma canseira hoje, tô morto.
– Quem tava reclamando ontem de uma semana sem foder era você, amor.
– Cuidado com o que desejas, né? – Ele riu, virando-se para apagar o abajur.
– Exato. – Bella o abraçou por trás numa conchinha, e em pouco tempo adormeceram profundamente.
O Natal havia sido cansativo ao conciliarem os festejos tradicionais na casa dos Black com a confraternização de amigos na casa de Rosie e Emmett.
Mas no fim, os amigos de Edward adoraram a presença de Bella, além do presente que ela escolheu e os biscoitos que levou, e os Black amaram saber que eles reataram. Parecia que tudo voltara mesmo ao normal.
Depois da maratona natalina, o ano novo se aproximava. Bella, de folga no recesso, aproveitava para fazer sua limpeza e renovação anual da casa. A mulher realmente ficava obcecada em deixar tudo organizado para receber o novo ano.
Estava há quase uma semana assim, jogando coisas fora e limpando. Edward já tinha até desistido de chamá-la para sair, então só aparecia lá à noite com uma comida de algum lugar, e assistiam Netflix. Sexo talvez estivesse incluso ou não, dependendo do cansaço.
A única que conseguiu exorcizar a Marie Kondo do corpo de Bella foi Esme. Disse que tinha uma proposta sobre o Projeto de Extensão que ela coordenava, e em meia hora, as duas estavam sentando num bistrô para tomar um chá.
– Ainda nem acredito. – Bella explicava-se sobre o incidente do aeroporto, sua chefe tinha tocado no assunto. – Quase um mês e as pessoas ainda lembram. Algumas me olham estranho e sorriem, tenho certeza que é porque estão pensando "lá vai a doida daquele vídeo".
Esme riu discretamente, sacudindo a cabeça.
– Talvez. Mas é um bom motivo pra ser chamada de doida.
– Será? Me trouxe tanta dor de cabeça.
– Eu vejo pelo lado bom. Na verdade, eu achei que foi um ato corajoso, e a repercussão não foi de todo ruim. Você foi um exemplo.
– Jura?
– Você é uma jovem que fez algo que está muito mais associado aos homens: algo grande e audacioso, foi a protagonista da sua própria história. Mesmo sendo sua história de amor. Eu acho lindo. Quem me dera ter essa coragem.
– Obrigada. – Bella sorriu genuinamente. – Mas acho que foi mais desespero do que qualquer outra coisa.
– O desespero é pai da coragem. Minha proposta tem a ver com isso, inclusive.
– Com desespero?
– Não. Coragem. – Esme riu. – Não seria incrível que mais mulheres sentissem coragem de colocar seus desejos em primeiro lugar, esquecendo um pouco a obrigação social de sempre agradar aos outros? Seja em algo bonito como uma declaração pública, ou mesmo para sair de uma relação ruim. Sua experiência poder ser inspiradora.
A moça baixou sua xícara de chá, franzindo o rosto, pega de surpresa.
– Ok, nunca pensei que a conversa fosse pra esse lado, mas agora estou curiosa, como eu usaria minha experiência no Projeto?
– Pensei em uma roda de conversa e uma oficina de escrita, estimulando as mulheres a pensar o assunto na Literatura. É raro ver mulheres fazendo grandes gestos de amor, esse papel ainda costuma ficar com os homens num casal hétero. Até hoje, muitas só esperam atitudes grandiosas deles, quando atitudes assim podem e devem vir de ambos, tem que haver igualdade em tudo, até no romance.
– É, concordo. Vendo por esse lado, o constrangimento de ter virado uma subcelebridade ridícula na internet até reduz um pouco.
– Por isso, acredito que essa pequena fama nos aproximaria do público, pode inspirar muita gente. O que acha? Topa?
– Bom, acho que seria legal mesmo, gosto desse tema. – Bella sorriu, sem pensar duas vezes, pois a ideia era mesmo excitante. – Está bem. Eu topo.
Esme mostrou-se animada.
– Então, ótimo! Depois vou te passar um e-mail com o pré-projeto que escrevi, além de algumas possíveis datas, será movimentado. Leia com calma, pode responder o e-mail até depois do ano novo.
– Tudo bem. Falando em ano novo… Já sabe onde vai passar?
– Desde que me divorciei, tenho passado com meus pais, mas acredita que eles viajaram para a Itália? Oitenta anos e ainda aproveitando a vida. Eu sobrei, fiquei para trabalhar e cuidar do cachorro da mamãe.
Bella soltou uma gargalhada da indignação dela, parecia até uma garota falando.
– Estão certos, eles. Mas olha, você pode aproveitar também. Edward e eu vamos à uma festa fechada de uns amigos dele que tem uma rede de pubs. Vai ser incrível, posso te colocar na lista.
– Ai, Bella. Boate na minha idade? Agradeço o convite, mas vou recusar, já passou minha época.
– Não é boate. É uma festa boa mesmo, nós vamos há dois anos. Não é lotada, tem jantar, música ao vivo, boa de verdade. Inclusive, Edward vai tocar. Ah, e Carlisle também.
– Carlisle? – Ela riu. Bella viu seu rosto se iluminar. – Esse daí não perde uma mesmo, se acha garoto ainda.
– Vocês são amigos?
– Colegas. Ele gosta de me pagar um café de vez em quando. Na verdade, nos conhecemos na época da faculdade, estudando.
– Jura?
– Em 91. Eu estava saindo, e ele entrando. Depois perdemos contato, voltamos a nos falar quando ele entrou no programa de Pós, junto com você.
Bella encarou sua chefe com olhos semi-cerrados, tentando decifrá-la, mas sem querer ultrapassar algum limite. Esme reparou.
– Vai, menina, fala o que está pensando logo.
– Nada… É só que… Por que sinto que tem algo a mais nessa história?
E então com toda a classe de uma sofisticada mulher britânica, Esme Thompson suspirou enquanto ajeitava a postura ereta na cadeira, só para disparar:
– Está curiosa pra saber se a gente já trepou? Já.
A risada de Isabella pôde ser ouvida até na cozinha do bistrô, por um momento fazendo cover de Edward Cullen.
– Desculpa, não estava esperando. – falou cobrindo a boca, porém Esme juntou-se.
– Boba! Mas lá se vão anos desde que rolou. Foi naquela época, antes da vida acontecer. Hoje em dia, só amizade.
– Pois agora os dois estão divorciados, solteiros. Acho que tem tudo a ver.
– Um revival, será? Às vezes acho que nosso tempo já passou.
– Não, para. Nunca é tarde. Se você me acha uma inspiração de vida amorosa, então nossas estrelas se alinharam agora. É um sinal. Esse é o momento de vocês. Venha pra essa festa, veja o que vai dar.
– Bella…
– Vamos! Por favor? Vai ser divertido, tendo Carlisle ou não. Eles fecham o pub, é uma festa exclusiva, todo mundo se conhece, o clima é ótimo. Tem gente de todas as idades.
Esme sentiu a empolgação da moça, e um frio na barriga atingiu-lhe como não fazia há anos. Como resistir?
– Está bem. Prometo que vou pensar.
Ela levou um dia e meio para responder à Bella que aceitaria o convite.
No dia 31, a excitação era geral na cidade. Londres piscava de luzes, abastecida de felicidade e ansiedade.
Quase todos os amigos mais próximos do casal estavam no pub. Emmett e Rosalie discutindo cinema ucraniano, Alice assistindo Jasper tocar blues no baixo, Leah e a namorada Ekene comendo camarões até entupir, Jake e uma desconhecida se pegando no canto.
Tudo estava perfeito. A música agradável, o jantar à luz de velas delicioso, muitas risadas na grande mesa deles. Edward só não conseguia entender porque, mesmo assim, Bella às vezes parecia aérea.
Depois do jantar, quase perto da meia-noite, ele conseguiu tirá-la do papo com Esme e Carlisle – que, aliás, sem surpresa alguma, não se desgrudaram desde que se encontraram naquele pub numa conversa sem fim.
– Você tá linda demais hoje, esqueci de dizer antes de sair. – ele falou, carinhosamente tirando o cabelo dela que caía do rosto e deixando um beijo em sua bochecha. – Sua pele nesse vestido vermelho me deixa fraco.
– Obrigada. – sorriu e suspirou, pesadamente.
– Tá tudo bem?
– Tá.
– Estou te achando meio estranha.
– É vinho.
– Se fosse vinho, você estaria me agarrando em alguma parede.
– Que absurdo! – Fingiu, empurrando o ombro dele.
– Menti, por acaso? Eu te conheço, Isabella. – brincou, logo mudando o tom. – Se quiser conversar, pode falar, eu ouço.
– Só estou meio encucada com umas coisas. Problemas de trabalho.
– Jura que hoje, de todos os dias do ano, você resolve ocupar a cabeça de trabalho?
– É que talvez seja mais pessoal do que de trabalho.
– Não entendi nada.
– Vem cá.
Bella pegou sua mão, levantando-se com ele levando seus casacos, e o guiou até a porta da escada que levaria ao terraço. Era o fumódromo e o lugar onde veriam os fogos daqui a pouco, mas felizmente grande o bastante para terem privacidade.
Edward apoiou as costas na mureta de pedra, e Bella fez o mesmo ao seu lado, o vento gelado da noite de inverno obrigando-os a recolocar suas luvas.
– Esme me fez aquela proposta de ser a responsável por uma nova parte do Projeto, eu te contei. – ela começou.
– Sim? Achei que estava super animada.
– Estou. Só que ela me mandou os itinerários ontem, de onde quer que eu vá com os eventos, e é bem mais do que fiz esse ano. Praticamente são viagens a cada quinze dias pelo Reino Unido, sem contar as internacionais.
– Seu passaporte vai lotar mais que o da Irina blogueirinha. Qual o problema?
– O problema é que… Sei lá, fiquei pensando que talvez isso pudesse prejudicar a gente, sabe? Nós acabamos de reiniciar nossa história, e eu estou prestes a ficar longe por vários dias. Não é justo.
Edward olhou toda a confusão e angústia nos olhos dela. Queria beijá-los para retirar tudo aquilo, mas a maquiagem não permitia.
– Eu nunca te pediria pra não ir, Bella.
– Eu sei. Mas eu tenho medo de tomar essa decisão e estar sendo egoísta, como já fui tantas vezes. Quando teremos tempo pra nos vermos? Eu não quero um relacionamento à distância.
– Ôh cabecinha, se aquieta, vai queimar a mufa de tanto pensar. – ele puxou sua mão para abraçá-la pela cintura. – Você não vai morar em outro país, não. Só viajar de vez em quando.
– Mas não estamos mais morando sob o mesmo teto, percebeu como às vezes foi complicado achar tempo pra gente nessas semanas? Temos agendas cheias agora, os dois, moramos longe.
– Você continua morando em Londres, eu também. A gente vai conseguir dar um jeito, mesmo que não seja todos os dias. A única coisa que eu não quero é que você desista.
– Não, desistir de você tá fora de cogitação.
Edward riu beijando a pontinha gelada do nariz dela.
– Meu ego amou ouvir isso, mas estou falando do Projeto. – ele parou com um sorriso. – Não desista por mim. Eu quero mais é que você vá, que se jogue no mundo e ganhe ele, que explore sua carreira. Você trabalha tanto pra isso. Se escolher aceitar, eu vou te apoiar.
– Quero chorar porque você é muito fofo. – ela choramingou rindo.
– Eu tento. Melhorou, agora?
– Sim. – suspirou de alívio. – Você tem razão. Eu não quero e nem posso abrir mão de nada. Vou ter que achar um jeito de conciliar tudo.
– Claro que tenho razão. Quando eu disse que você devia me ouvir mais, estava falando sério. Além do mais… – ele iniciou só para alfinetar, pois não se aguentou. – Não sei porque a preocupação toda com a nossa relação, não somos namorados oficiais ainda.
– E daí?
– Você não tem um compromisso de verdade comigo, pode fazer o que quiser.
– Ai, Edward, para de ser bobo, não tem nada a ver— Bella começou a se justificar, porém, naquele momento, o terraço foi invadido pelos festeiros, que subiam com champanhe, taças e todo tipo de item comemorativo legal ou ilegal.
As vozes e a alegria contagiaram o casal, trazidos para o círculo de seus amigos. Alguém começou a contagem regressiva. Taças cheias surgiram em suas mãos.
Quando 2019 rompeu no relógio e nos céus, um beijo apaixonado e esperançoso que eles deram abriu o caminho para o ano.
– Ao melhor ano das nossas vidas? – Edward sorriu meio de lado, uma mão segurando-a pela cintura e a outra oferecendo a taça para brinde.
Bella olhou aquele rosto lindo com o mesmo frio na barriga e tesão que sentiu na primeira noite, e concordou, selando o pacto ao brindar.
– Ao melhor ano das nossas vidas!
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Janeiro passou num piscar. Mais frio do que dezembro, se possível, o pior inverno que os dois americanos já enfrentaram em Londres.
Bella praticamente não conseguia sair de casa nem mesmo para a aula de yoga, e era só atravessar a rua. Num dia de desespero, ela considerou seriamente arrumar as coisas e partir para a Grécia, até viu aluguel na internet com Edward ao lado reclamando que seus dedos cairiam andando na rua.
Mas a vida real logo bateu à porta.
Fevereiro chegou, e com ele, a primeira viagem do ano. Seria curta, uma cidade a três horas dali, no décimo dia – quatro antes da estreia da peça de Edward na ONG, justamente no Dia dos Namorados.
Seria uma grande semana para ambos.
– Queria tanto que você fosse. – Bella fez um biquinho ao colocar suas coisas no carro. Edward ajudava, logo pela manhã antes de ir trabalhar.
Tinham combinado que, sempre que possível, ele acompanharia nas viagens. Embora Bella tivesse achado loucura ele gastar dinheiro com isso, o rapaz nem quis saber. Viu naquilo até uma boa desculpa para conhecer o Reino Unido em seu Volvo 2008.
– Eu também queria. Mas fico por um motivo nobre. Vamos ter mais oportunidades.
– Eu sei. Prometo que chego até antes de você ir pra ONG.
– Tudo bem, só não corram na estrada. – ele disse mais para a Amelia, professora que a acompanharia, motorista da vez.
– Pode deixar. Lembra de deixar ingressos pra Esme e Carlisle, eles disseram que queriam ir. – Bella avisou.
No dia de ano novo, eles tinham visto o nascer do sol antes de irem para casa andando com os amigos, foi uma aventura. Tinham visto também um certo casal de velhos conhecidos beijando-se no cantinho antes de ir embora.
Já fazia dois meses que Esme e Carlisle estavam juntos, e Bella era puro orgulho por ter unido um casal de pessoas tão queridas.
Estava ainda mais feliz porque as boas notícias chegavam: seu processo já havia sido iniciado, o professor James Hay tinha sido demitido, e estava na hora da renovação do Conselho de Professores. Esme era uma das mais cotadas, juntamente com mais duas professoras.
Se antes Bella preferia ficar longe da salinha e da fofoca dos professores, agora tinha erguido acampamento lá.
Virou cabo eleitoral de Esme Thompson, tentava convencer os colegas usando as dicas que anotou de Edward, aproveitando-se da incrível habilidade de convencimento dele (porque se fosse para ser nerd, Isabella Swan seria até o pescoço).
No dia da estreia da peça, Edward acordou antes do relógio.
Mas foi porque havia um gato esmagando sua barriga. Estava ficando na casa dela em Camden Town para cuidar dos felinos, foram quatro dias bem interessantes. Bella ligou por volta de dez da manhã, aflita.
– Eu juro que não sei o que aconteceu, parece que a Europa inteira tá nessa estrada agora. Estamos paradas há uma hora no mesmo lugar, eu disse que devíamos ter ido de trem. Eu não quero me atrasar, mas talvez atrase. Desculpa.
– Amor, respira. Tá tudo bem, a peça é só às sete, você tem nove horas pra chegar.
– Mas eu quero te ver antes de você ir pra lá.
– Por quê?
– Ah. Nada.
– Nada?
– Quero ver sua cara linda só, pode ser?
– Você é esquisita. Estou com a mesma cara de sempre. Quer dizer, deixei a barba crescer um pouco, pra ficar mais no personagem.
– Droga, eu quero te ver agora.
– Eu saio em duas horas, até lá você chega.
– Ok. Torça por mim, estou acordada desde as cinco. Bebi chá e não tem banheiro em vista por alguns quilômetros.
– Vai dar tudo certo. E lembre: qualquer lugar pode ser um banheiro, basta você querer.
– Edward! – Ela reclamou de nojo, mas riu.
– Tenho que ir, vou terminar de organizar minhas partituras aqui. Te amo.
– Também te amo.
Embora ele não tivesse transparecido, tinha ficado um pouco chateado por Bella não chegar a tempo. Queria muito abraçá-la e beijá-la antes do dia movimentado que teria. Sentia que ela lhe trazia sorte – mesmo sendo uma das pessoas mais azaradas que ele já conheceu.
Conforme as horas passavam, seu peito ia martelando, a ansiedade tomando conta de seu ser.
Terminou os afazeres, lavou a louça, tomou seu banho. Não parava de encher o saco dos adolescentes no grupo de Whatsapp, seu elenco já não aguentava mais as recomendações que ele tinha.
Nunca havia sentido algo assim. Era tanta responsabilidade, tanta coisa para se preocupar. Mas mesmo sendo tudo novidade, ele estava dando conta, até impressionou-se.
Esperou Bella até o último minuto. Quando já ia sair, viu os gatos de orelha levantada, correndo para a porta e esquecendo a ração que ele tinha nas mãos.
Ela surgiu como uma aparição, tropeçando em sua mala, e depois do Mr. Darcy subir em seu colo, foi direto para encontrá-lo, de pé na cozinha.
– Ai, nem acredito. Finalmente em casa. – desabafou num abraço e beijo.
– Conseguiu mijar na estrada?
– Prefiro não comentar, assunto sensível.
Edward gargalhou, pegando seu rosto e beijando de novo, dessa vez mais profundamente.
– Tanta saudade.
– Eu também. Você já tá indo?
– Sim.
Heathcliff ficou com ciúmes e resolver interromper o momento, querendo colo também, esfregando-se nas pernas dela. Bella precisou sentar no sofá para mimar os dois.
– Oh, meus bebês. Deram trabalho?
– Só destruíram uma cueca minha, mas foi porque dei mole e esqueci no chão. Dormiram comigo. Estamos evoluindo.
– Viu, eles confiam em você, sabem que é o papai deles, né, meus amores? – Ela fez voz de bebê, antes de virar para Edward. – Já tá indo? Cadê sua mochila?
– Lá em cima. Estava só indo deixar a comida deles antes de sair.
– Deixa que eu pego, então. Vou deixar minha mala lá.
– Não precisa, eu pego.
– Eu pego, sem problemas. Bota a comidinha deles, por favor. Até eu botar, eles já ficaram surtados.
Edward deu de ombros, mas aceitou a proposta. Quando Bella voltou, tinha trocado as botas pelas pantufas, e entregou-lhe sua mochila com um sorriso.
– Bom trabalho. Coloquei aí meu kit de costura e um de primeiros socorros. Alice disse que no teatro sempre precisam de urgência.
– Obrigado. Mas eu não sei costurar, lembra?
– Sabe sim, porque eu te ensinei. E é só pra caso alguém precise. – ele colocou a mochila pesada demais com itens possivelmente desnecessários, mas não ia falar nada para não chateá-la. Deu um último selinho, dirigindo-se à porta. – Agora preciso ir mesmo. Seu ingresso está na sua mesa.
– Ok. Até mais tarde!
O dia foi tão corrido de últimos ajustes de ensaio, figurinos e cenário, ele mal teve tempo de respirar. Sentia-se cansado, embora bastante satisfeito como as coisas estavam saindo.
Sua cabeça estava a mil, e quanto mais perto chegava a hora do espetáculo, mais frenéticas as coisas ficavam. Já tinha se apresentado inúmeras vezes em pequenos shows, mas nunca havia feito nada parecido, envolvendo tantas pessoas e tanta coisa. Por um momento, duvidou se estava mesmo fazendo tudo certo. Parecia que ia bem demais e uma hora a sorte viraria.
Às seis e quarenta, vinte minutos para o início, quando se vestia para ser o pianista-personagem da peça, suas suspeitas se confirmaram. A camisa abriu um rasgo na dobra das costas, e ele se perguntou se tinha criado tanta massa muscular assim desde a última prova ou engordado no inverno – provavelmente, a última opção.
Ao invés de desesperar-se atrás da costureira que estava em algum lugar da ONG, lembrou-se do kit de Bella na mochila. Mas ao meter sua mão lá no fundo, acabou encontrando um saco estranho.
Puxou-o para ver vários quadradinhos de brownies embaladinhos, justificando, enfim, o motivo do peso misterioso da sua mochila. Havia também uma carta num envelope endereçada a ele.
Seu peito pulou.
– Ah não, ela não fez isso. – murmurou ao abrir e ler.
"Edward,
Hoje é seu grande dia! Alice, em vez de desejar "merda", ontem me mandou falar "toi toi toi" (assim é mais chique, as bailarinas russas usam, explicou).
Eu já disse antes, porém repito: estou morrendo de orgulho de você, da sua trajetória e esforço sendo recompensados. Me emociona ver seu crescimento.
O que seria desse mundo sem Edward Cullen? Você é um cara especial, merece tudo que está acontecendo. Tenho certeza que sua estrada é longa, e eu quero estar ao seu lado para ver onde vai chegar. Hoje, estou na fila D para te aplaudir.
Achou que eu não ia te dar nenhuma lembrancinha de boa estreia? Os brownies são meio-amargo, mas espero que esse dia seja doce para você e seus alunos! Tem um para cada do elenco.
Te amo, sua Bella.
P.S.: Minha vez de te lembrar. Respira. Já respirou?"
Edward precisou respirar mesmo, e bastante, por segundos após ler, sua garganta embolada e a visão turva lacrimejante.
Tinha esquecido o buraco na camisa, esquecido que entraria em cena em quinze minutos. Agora só conseguia pensar em como era completamente apaixonado por essa mulher.
Ele precisava dizer isso. E agora.
Dez minutos depois, quando o primeiro sinal tocou, levantou-se de sua mesa no camarim. Largou suas coisas todas ali; Os colegas e alunos com interrogação nos rostos enquanto atravessava os corredores para sair pela porta lateral do palco.
Bella estava onde disse, fila D, lado esquerdo, rodeada por alguns amigos seus.
Viu Edward correndo em sua direção com fogo nos olhos, desviando de idosas buscando seus assentos, crianças brincando, e duas mães que gostariam de falar com ele.
– Oi, Alice. Oi, Carlisle, Esme, obrigado por terem vindo! – Disse rapidamente aos amigos antes de pegar a mão de Bella, e a levar para fora do teatro da ONG.
– Que houve? – Ela perguntou, mas só foi respondida quando estavam escondidos do público. Edward pegou seu rosto, deixando um beijo tão profundo e com tanta intenção, que ela até perdeu o fôlego.
O rapaz soltou, só para encará-la, os olhos cheios de ternura e um brilho de divertimento. Parecia um garoto em dia de Natal. Depois de soltá-la, colocou um bilhete em sua mão.
– Que isso?
– Só leia, por favor. Antes do segundo sinal tocar. É que eu não podia esperar mais pra isso, preciso saber de uma coisa.
Ela aquiesceu, já nervosa, abrindo o papel.
"BELLA,
Desculpa a letra tremida, é que estou com pressa. Eu preciso dizer umas coisinhas:
Você é tudo o que eu sempre desejei ter na minha vida, antes mesmo de saber que eu tinha capacidade de desejar, planejar, e fazer meus sonhos acontecerem. Aprendi essas coisas contigo e muito, muito mais. Obrigado. Obrigado pra caralho. Chego aqui hoje com meu esforço, mas também impulsionado pelo seu amor.
Você sempre me disse que eu era bom demais pra desperdiçar o meu talento em coisas sem futuro, que eu precisava buscar uma motivação real pra minha vida profissional, algo sólido. Agora, eu achei.
Sei que todo homem apaixonado fala isso, mas é sério: você é a melhor namorada que um cara poderia pedir. Ganhei na loteria.
Porra, escrevi namorada. Mas quer saber? Foda-se, não aguento mais esperar. (Desculpa os palavrões)
Tá bom, lá vai:
Isabella Swan, quer namorar comigo?"
Ela terminou de ler, boquiaberta. Encarou-o com o coração em frangalhos, lágrimas ameaçando saltar e borrar toda a maquiagem que ela tinha perdido uma hora colocando para a noite especial.
– Edward… – ele pegou sua mão. Com o rosto esperançoso, perguntou:
– Bella. Você quer ser minha namorada de novo?
N/A: RESPIRA, GAROTA! RESPIRA! Deixe 1 comentário = envio 1 spoiler do próximo capítulo pra vcs poderem respirar em paz até sair o 13 hahahaha
SOBRE EXTRAS: estarei enviando tudinho em Janeiro. Pra ler os bilhetinhos, vai lá no meu grupo ou no meu twitter, links na bio!
Feliz ano novo, leitoras! Obrigada por acompanharem DFCE nesse ano, por fazerem a fic crescer e ser amada. Fizemos 1 aninho dia 18 de dezembro, acredita?
Até breve, beijos!
