Capítulo 4
Os Ohs! e Ahs! com a primeira visão da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts ecoou na noite. Para Harry a visão do grande e iluminado castelo foi um momento de afirmação, concentrado na longa e informativa conversa que tivera com seu novo amigo Terry Boot, não prestou atenção no trajeto de barco, apenas registrou que com ele estavam Terry, Hermione e Neville.
— Abaixem as cabeças! — Berrou Hagrid quando os barcos chegaram a uma cortina de hera, logo em seguida passaram por um túnel escuro e chegaram a um cais subterrâneo, onde desembarcaram, subindo um caminho de pedra e seixos.
— Ei, você aí! É o seu sapo? — Perguntou Hagrid, que verificava os barcos à medida que as pessoas desembarcavam.
— Trevor! — Gritou Neville, feliz, estendendo as mãos.
Eles seguiram Hagrid e sua lanterna que balançava no caminho escuro até chegarem ao gramado a sombra do castelo, onde se via uma escada de pedra e uma porta grande de madeira maciça. Todos se amontoaram diante da porta, Hagrid voltou a checa-los e depois ergueu um punho gigantesco e bateu três vezes na porta.
A grande porta de carvalho abriu-se imediatamente e uma bruxa alta de cabelos negros e vestes verde esmeralda surgiu, seu rosto severo não convidava a bobagens, pensou Harry, que se endireitou e tentou arrumar os cabelos.
— Alunos do primeiro ano, Profa. Minerva McGonagall — informou Hagrid.
— Obrigada, Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante.
Ela escancarou a porta e caminhou para um imenso saguão, maior que a casa dos Dursley inteira, onde todos a seguiram. Harry não pode deixar de admirar as paredes de pedra, que estavam iluminadas com archotes flamejantes como os de Gringotes, o teto era alto demais para se ver, os pisos de lajotas que levavam a uma imponente escada de mármore logo a frente. A direita ouvia-se o murmúrio de centenas de vozes que vinham de uma porta; o restante da escola já devia estar reunido.
Profa. Minerva levou os alunos do 1° ano para uma sala vazia ao lado do saguão. Eles se agruparam lá dentro, um pouco apertados, um pouco nervosos olhando para os lados.
— Bem-vindos a Hogwarts — disse a Profa. Minerva. — O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A Seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão as aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal.
"As quatro casas chamam-se Gryffindor, Hufflepuff, Ravenclaw e Slytherin. Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça da casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. "
"A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam. "
O olhar dela se demorou por um instante na capa de Neville, que estava afivelada debaixo da orelha esquerda, e no nariz sujo de um garoto alto e ruivo. Harry, ansioso, voltou a tentar achatar os cabelos.
— Voltarei quando estivermos prontos para receber vocês — disse a Profa. Minerva. — Por favor, aguardem em silêncio.
Depois que ela deixou a sala, Harry engoliu em seco, próximo a ele estava Terry estranhamente pálido, Hermione que saltava como se tivesse molas nos sapatos, e Neville que tremia e apertava o sapo Trevor a ponto de espreme-lo. Se não tivesse tão ansioso poderia até sentir pena do pobre sapo, mas sua mente estava muito sobrecarregada para se concentrar.
Ele ouviu um murmúrio se espalhar pela sala tornando a tensão mais espessa, mas ele não prestou atenção. Foi só quando alguém gritou, o que os fez saltar de susto, que Harry olhou em volta e viu o motivo da agitação. Ele ofegou, assim como as pessoas à sua volta. Uns vinte fantasmas passaram pela parede dos fundos. Brancos-pérola e ligeiramente transparentes, eles deslizaram pela sala conversando entre si, mal vendo os alunos do primeiro ano. Pareciam estar discutindo. O que lembrava um fradinho gorducho ia dizendo:
— Perdoar e esquecer, eu diria, vamos dar a ele uma segunda chance...
— Meu caro Frei, já não demos a Pirraça todas as chances que ele merecia? Ele mancha a nossa reputação e, você sabe, ele nem ao menos é um fantasma. Nossa, o que é que essa garotada está fazendo aqui?
Um fantasma, que usava uma gola de rufos engomados e meias compridas, de repente reparou nos alunos do primeiro ano. Ninguém respondeu.
— Alunos novos! — Disse o Frei Gorducho, sorrindo para eles. — Estão esperando para ser selecionados, imagino?
Alguns garotos confirmaram com a cabeça, mudos.
— Espero ver vocês na Hufflepuff! — Falou o Frei. — A minha casa antiga, sabe?
— Vamos andando agora — disse uma voz enérgica. — A Cerimônia de Seleção vai começar.
A Profa. Minerva voltara. Um a um os fantasmas saíram voando pela parede oposta.
— Agora façam fila e me sigam.
Harry a seguiu junto com os outros, Terry estava a sua frente e Hermione ao seu lado, ele a ouviu murmurar algo, prestando atenção, percebeu que eram feitiços do livro Padrão de Feitiços do 1°ano. Se perguntando o motivo disso, seguiu a fila que atravessou o saguão e as portas duplas que levavam ao Grande Salão.
Harry perdeu o folego, jamais imaginara que um lugar tão diferente e esplêndido pudesse existir. Era iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os demais estudantes já se encontravam sentados. As mesas estavam postas com pratos e taças douradas. Do outro lado do salão havia mais uma mesa comprida em que se sentavam os professores. A Profa. Minerva levou-os diante desta mesa, de modo que eles pararam enfileirados em frente aos outros alunos, tendo os professores às suas costas. Desejando evitar todos os olhos fixos neles, Harry olhou para cima e viu um teto aveludado e negro salpicado de estrelas. Ouviu Hermione cochichar:
— É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em Hogwarts, uma história.
Esse devia ser um dos livros complementares recomendados a ela pela Prof. McGonagall, pensou Harry, percebendo que sua apresentação ao Mundo Magico fora tão aquém que ele nem sabia como estariam classificados. Inclinando-se até Terry perguntou baixinho, este respondeu ainda mais num sussurro.
— Eu não sei também, mas mamãe disse que não é nada complicado.
Harry endireitou-se rapidamente quando a Profa. Minerva silenciosamente colocou um banquinho de quatro pernas diante dos alunos. Em cima do banquinho ela pôs um chapéu pontudo de bruxo. O chapéu era remendado, esfiapado e sujíssimo. Harry não pode deixar de pensar que Tia Petúnia não teria permitido que um objeto nessas condições entrasse em sua casa. Ele olhou em volta para o silencio que se fez no salão, todos os alunos sentados agora encaravam o chapéu como se esperasse que ele fizesse ou falasse algo. Assim, ele olhou também.
Então o chapéu se mexeu. Um rasgo junto à aba se abriu como uma boca; e o chapéu começou a cantar:
Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Gryffindor,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Gryffindor dos demais;
Quem sabe é na Hufflepuff que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Ravenclaw,
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais;
Ou quem sabe a Slytherin será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!
O salão inteiro prorrompeu em aplausos quando o chapéu acabou de cantar. Ele fez uma reverência para cada uma das quatro mesas e em seguida ficou muito quieto outra vez.
O chapéu, pensou Harry, parecia estar pedindo muito; ele não se sentia corajoso nem inteligente nem qualquer outra coisa naquele momento. Ao mesmo tempo ele sabia que esse era um momento importante em sua jornada em Hogwarts, e depois de tudo o que descobrira e mais importante, tudo o que ainda não sabia, ele tinha que estar em uma casa que o ajudasse a encontrar essas respostas que o ajudasse a aprender que o ajudasse a se tornar um estudante que deixaria seus pais orgulhosos.
A Profa. Minerva então se adiantou segurando um longo rolo de pergaminho.
— Quando eu chamar seus nomes, vocês porão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Abbott, Hannah!
Uma garota loura de rosto rosado, saiu aos tropeços da fila, pôs o chapéu, que lhe afundou direto até os olhos, e se sentou. Uma pausa momentânea...
— HUFFLEPUFF! — Anunciou o chapéu.
A mesa à direita deu vivas e bateu palmas quando Hannah foi se sentar à mesa da Hufflepuff.
Harry viu o fantasma do frei Gorducho acenar alegremente para ela.
— Bones, Susan!
— HUFFLEPUFF! — Anunciou o chapéu outra vez, e Susan saiu depressa e foi se sentar ao lado de Hannah.
— Boot, Terrence!
Harry sentiu seu coração acelerar, pelo que conhecia de Terry e do pouco que ouvira sobre as casas, ele podia imaginar onde seu amigo seria classificado. E mais, durante a longa conversa que tiveram fora possível perceber qual a casa que Terry queria estar. Agora era o momento de começar a analisar o critério usado pelo chapéu ao classificar os alunos, levava em conta sua personalidade, suas habilidades, o que cada um queria para sim mesmo, ou talvez pensou Harry, enquanto Terry sentava-se no banquinho e punha o chapéu, todas essas coisas juntas.
— RAVENCLAW! — Anunciou o chapéu. Sim! Excitação e alegria percorreu Harry e se instalou em seu estomago, alegria por seu amigo conseguir o que seu coração queria, era obvio que Terry queria estar em Ravenclaw como sua mãe e essa era a casa que seu amigo inteligente parecia mais combinar. E excitação porque sua teoria de que o chapéu levava mais do que habilidades em consideração parecia correta.
Ele só conhecia mais duas crianças e estava curioso para ver se sua ideia se manteria. Enquanto considerava, Mandy Brocklehurst foi para a Ravenclaw também, mas Lavander Brown foi a primeira a ser escolhida para a Gryffindor e Mila Bulstrode se tornou uma Slytherin. Essa foi a mesa que menos fez barulho, eles lhe pareciam estranhamente mais sérios.
— Finch-Fletchley, Justin!
— HUFFLEPUFF!
Às vezes, Harry reparou, o chapéu anunciava logo o nome da casa, mas outras levava um tempo para se decidir. Será porque alguns eram mais difíceis de ler, ou talvez fosse que a pessoa não sabia muito bem o que queria e se assim fosse caberia ao chapéu escolher e talvez ele ficaria em dúvida sobre qual características ou habilidades eram mais importantes. Afinal, pensou, era impossível que cada um deles não tivesse mais de uma das qualidades descritas na música.
Seamus Finnigan, sentou-se no banquinho quase um minuto, antes de o chapéu anunciar que iria para a Gryffindor.
— Granger, Hermione! — Anunciou e a menina negra de cachos correu para o banquinho e colocou o chapéu.
— Gryffindor! Enquanto a mesa da Gryffindor gritava e recebia Hermione, Harry não pode deixar de sorrir, sua teoria se mostrava certa outra vez, a menina tinha inteligência suficiente para estar na Ravenclaw, e se mostrou uma amiga leal com Neville, característica que a colocaria na Hufflepuff, mas ela era também corajosa para ir de compartimento em compartimento para ajudar alguém e, o mais importante, Hermione queria Gryffindor, assim o chapéu lavava em consideração o que cada um queria.
Sentindo-se mais leve, observou quando Neville Longbottom, foi chamado e levou um tombo a caminho do banquinho. O chapéu demorou muito tempo para se decidir sobre Neville e não foi difícil imaginar que o garoto não sabia muito bem o que queria, talvez estivesse até com medo de ir para alguma casa, assim o chapéu devia estar lendo suas características e habilidades, ou ao menos seu potencial. Quando finalmente anunciou "GRYFFINDOR", Neville saiu correndo com o chapéu na cabeça, e teve de voltar em meio a uma avalanche de risadas para entregá-lo a Morag MacDougal, que se tornou mais uma integrante da Ravenclaw.
O garoto loiro de Madame Malkins, de nome Draco Malfoy se adiantou, gingando, quando chamaram seu nome e teve seu desejo realizado imediatamente: o chapéu mal tocara sua cabeça quando anunciou:
— Slytherin! — Claro ele sabia muito bem o que queria.
Faltava pouca gente agora.
Moon..., Nott..., Parkinson..., depois duas gêmeas, Patil e Patil..., depois Perks, Sara... e então, finalmente...
— Potter, Harry!
Respirando fundo Harry se adiantou, e ouviu-se um burburinho percorrendo todo o salão.
— Potter, foi o que ela disse?
— O Harry Potter? — Por acaso existe outro, pensou com sarcasmo Harry.
Ele então desligou-se das vozes e olhares e se concentrou em colocar o Chapéu, e pensar no queria para este.
— Hum, interessante... Ora isso é muito interessante. Então você já sabe o que quer, sim, sim, vejo aqui. Você não se importa em qual casa vai estar e sim em estar na casa que mais vai prepara-lo para alcançar seus objetivos. Difícil. Muito difícil. Você tem muita coragem, e uma mente nada má. Há talento, ah, minha nossa, uma sede razoável de se provar, mas uma sede ainda maior de conhecimento e de atingir todo seu potencial, eu vejo... Então, onde vou colocá-lo?
Calmamente, Harry pensou "Por favor me coloque na casa onde eu posso aprender a ser o melhor bruxo possível, mas também onde eu posso fazer amigos", pois ele sabia que seus pais iriam querer isso para ele, seus pais alegres e animados cercados de amigos, jamais quereriam vê-lo sozinho.
— Amigos, hum...? Bem, se fosse apenas ser o melhor bruxo, Slytherin poderia te ajudar a ser grande, sabe, está tudo aqui na sua cabeça, e a Slytherin lhe ajudaria a alcançar essa grandeza. Mas sendo quem você é nunca faria amigos naquela casa, sim seria um gatinho na toca dos lobos. Você quer aprender a ser o lobo, não para ser temido, apenas para ajudar outras pessoas, sim você tem muito potencial e precisa da casa certa para te ajudar neste caminho. Assim, ficará melhor na RAVENCLAW!
Houve um instante de silencio ensurdecedor, durante esse segundo Harry soltou o folego que estivera prendendo, levantou-se, tirou o chapéu e entregou a Prof.ª McGonnagall, quando virou para frente do salão a segunda mesa da esquerda entrou em erupção. Foi a mais alta e longa ovação da noite sem dúvida, Harry caminhou até a mesa na direção de Terry que estava de pé com seu sorriso branco brilhante escancarado e batendo palmas com entusiasmo.
Envergonhado e um pouco tremulo sentou-se ao seu lado, e corou com os gritos e palmas, toda a mesa estava de pé e o barulho era enorme. Terry bateu em suas costas e disse algo sobre "ser incrível" e "mesma casa" e "não posso acreditar", mas sua voz se perdeu em meio a todas as outras na mesa que gritavam e cumprimentavam.
Foi só quando a Prof.ª pigarreou que o barulho diminuiu e morreu e Harry não podia se sentir mais grato quando ela chamou o próximo nome.
— Thomas, Dean!
Harry viu o garoto alto e negro ser colocado na Gryffindor. E não pode deixar de sentir uma pontada, esta era a casa dos seus pais, teria sido bom estar na mesma casa em que estiveram. Mas, pensou, observando a comemoração que a mesa a direita fez ao receber seu novo membro, era da Ravenclaw que precisava, o Chapéu Seletor estava certo em sua escolha e ele mesmo havia chegado a essa conclusão enquanto ouvia a música, mas deixara que o Chapéu lesse seus objetivos e o orientasse sem pedir uma casa especifica.
Neste momento Lisa Turpin foi escolhida para sua casa e ele como o resto da mesa a recebeu com entusiasmo quando ela se sentou ao seu lado. Havia apenas mais 2 garotos, o ruivo alto de nome Ronald Weasley foi para Gryffindor, o barulho foi alto, especialmente de dois garotos ruivos gêmeos que deviam ser seus irmãos. Em seguida outro garoto de nome Blaise Zabini foi para Slytherin. A Prof.ª Minerva enrolou o pergaminho e recolheu o Chapéu Seletor.
Um homem alto e velho levantou-se então, usava vestes azuis, cabelos e barbas compridas e prateadas que brilhavam tanto quanto os fantasmas. Olhando para o resto da mesa Harry viu o Prof. Quirrell também, o rapaz nervoso do Caldeirão Furado. Parecia muito extravagante num grande turbante púrpura.
— Sejam bem-vindos! — Disse o homem abrindo os braços em um claro sinal de boas-vindas. — Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.
E sentou-se. Todos bateram palmas e deram vivas. Harry não sabia se ria ou não.
Olhando para Terry viu seu olhar de espanto para a mesa diante deles.
— Uau! — Disse antes de pagar uma travessa com costeletas e servir-se. Harry, que estava prestes a lhe perguntar sobre o homem de cabelos prateados, também olhou para a mesa e seu queixo caiu. Os pratos diante dele agora estavam cheios de comida. Ele nunca vira tantas coisas que gostava de comer em uma mesa só: rosbife, galinha assada, costeletas de porco e de carneiro, pudim de carne, ervilhas, cenouras, molho, ketchup e, por alguma estranha razão, docinhos de hortelã.
— Costeletas, Harry. — Ofereceu Terry lhe passando a travessa. Harry colocou algumas em seu prato, depois pegou um pouco de cada coisa exceto os docinhos e começou a comer. Estava uma delícia. Enquanto saboreava cada pedaço, pensou nos Dursley, que embora não tivessem deixado Harry com fome, também nunca lhe permitiram comer tanto quanto quisesse. Dudley sempre comia a maior parte, mesmo que acabasse doente.
Depois de sentir a fome recuar olhou para Terry que também diminuíra o ritmo e agora comia uma salada de batatas, e perguntou.
— Terry, o homem de cabelos prateados é o Diretor Dumbledore? — Ele deduzira que sim, mas queria ter certeza.
Engolindo o que estava mastigando, Terry ao mesmo tempo confirmou com o movimento de cabeça.
— Sim, é ele, — disse ao olhar na direção da mesa alta — tinha ouvido que alguns pensam que ele é meio louco, mas também é considerado um dos melhores diretores que Hogwarts já teve, e já é diretor a uns 40 anos, antes foi professor de transfiguração. Ele é muito famoso e influente no Mundo Magico, principalmente depois de derrotar Grindelwald. — Ao perceber o olhar vazio do amigo, segurou um suspiro, ainda o surpreendia o quanto Harry não sabia. — Grindelwald foi um bruxo das trevas, muito poderoso e causou as mortes de milhares, ele agiu mais no exterior e no fim apenas Dumbledore conseguiu derrota-lo. É por isso que ele foi a única esperança quando Vol... Voldemort ganhou cada vez mais poder. — Completou Terry, sussurrando o nome que todos pareciam temer.
Harry assentiu olhando para a mesa dos professores com mais atenção, Diretor Dumbledore estava comendo calmamente e conversando com a Prof.ª McGonnagall. Hagrid tomava um grande gole de sua taça. O Prof. Quirrell, com aquele turbante ridículo, conversava com um professor de cabelos negros e oleosos, nariz de gancho e pele macilenta.
Aconteceu muito de repente. O olhar do professor de nariz de gancho passou pelo turbante de Quirrell e se fixou nos olhos de Harry, e uma pontada aguda e quente correu por sua cicatriz.
— Ui! — Harry levou a mão à testa.
— Tudo bem? — Perguntou Terry, enquanto deitava seu garfo sobre o prato agora vazio.
— S-Sim, tudo certo.
A dor se foi com a mesma rapidez com que viera. Mais difícil foi se livrar da sensação que Harry teve sob o olhar do professor, uma sensação de que ele não gostava nada de Harry.
Logo depois surgiram as sobremesas. Tijolos de sorvete de todos os sabores que se possa imaginar, tortas de maçãs, tortinhas de caramelo, bombas de chocolate, roscas fritas com geleia, bolos de frutas com calda de vinho, morangos, gelatinas, pudim de arroz...
Quando Harry se serviu das tortinhas de caramelo, começou a prestar atenção na conversa a sua volta. Uma menina gordinha de cabelos vermelhos escuros e crespos estava falando com sotaque parecido com o de Hagrid.
— Toda a minha família é bruxa, moramos na região de Perth, os MacDougal vivem em uma comunidade bruxa/trouxa a séculos, uma vila chamada Invermay. _ disse Morag timidamente.
— Minha família também é toda bruxa, eles se mudaram para a Inglaterra por causa do trabalho do papai, seu escritório com sede em Londres é a ligação comercial do Ministério Bruxo Indiano com o Ministério Bruxo Inglês, _ disse uma das gêmeas Patil _ mas minha irmã Parvati e eu nascemos aqui em Londres.
Um garoto com cabelos loiros bem assentados e olhos azuis comendo um enorme bolo de chocolate disse:
— Eu sou um nascido trouxa, minha família ficou muito surpresa quando Prof. Flitwick nos visitou e explicou tudo, quando visitamos o Beco Diagonal ele recomendou aos meus pais alguns livros para entender a vida dos nascidos trouxas no mundo magico. Eles não ficaram muito animados, mas implorei para vir e eles concordaram já que não existe mais guerra, sabe. Moramos em Londres, temos uma joalheria lá, está a gerações na família Goldstein. — Harry então lembrou-se de seu nome, Anthony Goldstein. Terry então disse, depois de engolir um pedaço de torta de morango.
— Eu sou mestiço, meus pais são bruxos, mas minha mãe é nascida trouxa. Ela trabalha como professora no mundo trouxa, e meu pai tem um escritório de advocacia no mundo bruxo.
Enquanto mais primeiros anos descreviam suas origens Lisa estava conversando com a garota a sua direita. Parecia ser um segundo ano pela aparência, era asiática de rosto bonito.
— Obrigada Cho, estou ansiosa por estas aulas, suas anotações serão uma grande ajuda. Meu pai era bruxo, mas como ele morreu na guerra, mamãe que é trouxa nunca teve acesso a livros, eu cresci com ela me contando sobre Hogwarts, do que papai descreveu para ela. Desde que a Prof.ª McGonnagall me visitou com a minha carta, li todos os livros em que pude pôr as mãos. Suas anotações de Transfiguração me ajudarão a me colocar no topo!
— Sim, isso é importante, Prof. Flitwick gosta que honremos nossa casa, nos mantermos no topo em todas as nossas aulas é o mínimo. Mas não se preocupe, ele vai explicar mais amanhã antes das aulas. E mesmo crescendo no mundo trouxa se você se aplicar pode alcançar os bruxos que cresceram sabendo de magia. Prof. Flitwick sempre nos fala que a melhor aluna de Feitiços que ele já teve, melhor do que ele mesmo, foi uma nascida trouxa. — Disse a garota, Cho.
Enquanto Lisa exclamava animada, Harry não pode deixar de sorrir sabendo que eles estavam falando de sua mãe. Pensando no que fora dito não pode deixar de se sentir um pouco ansioso, a verdade é que contara que o Chapéu Seletor levasse o que ele queria mais que suas habilidades em consideração ao classifica-lo, "uma mente nada má" não era um grande elogio e ele não se acreditava tão inteligente quanto Terry, por exemplo, assim saber que o Prof. Flitwick era tão exigente o preocupava.
Ele começou a sentir se sonolento quando terminou seu último pudim, observou a mesa alta em direção ao professor de nariz de gancho, mas ele não voltou a olhar em sua direção. Logo depois que a última sobremesa sumiu e os pratos desapareceram, Diretor Dumbledore levantou-se mais uma vez. O salão silenciou.
— Hum... só mais umas palavrinhas agora que já comemos e bebemos. Tenho alguns avisos de início de ano letivo para vocês.
"Os alunos do primeiro ano devem observar que é proibido andar na floresta da propriedade. E alguns dos nossos estudantes mais antigos fariam bem em se lembrar dessa proibição. "
Os olhos cintilantes de Dumbledore faiscaram na direção dos gêmeos ruivos na Gryffindor.
— O Sr. Filch, o zelador, me pediu para lembrar a todos que não devem fazer mágicas no corredor durante os intervalos das aulas.
" Os testes de quadribol serão realizados na segunda semana de aulas. Quem estiver interessado em entrar para o time de sua casa deverá procurar Madame Hooch. E, por último, é preciso avisar que, este ano, o corredor do terceiro andar do lado direito está proibido a todos que não quiserem ter uma morte muito dolorosa. "
Harry quase riu, mas ao observa-lo com atenção percebeu que seus olhos estavam sérios apesar do rosto sereno. Será que isso é normal em uma escola magica, um corredor perigoso que pode levar a morte dos alunos? Olhando em volta, percebeu muitas expressões confusas, curiosas e serias, além de um zumbido de especulação, entre seus colegas mais velhos. Não, isso não parecia uma ocorrência comum, um mistério pensou, apenas mais uma pergunta entre tantas. Ainda que essa não devia, com sorte, ter nada a ver com ele.
— E agora, antes de irmos para a cama, vamos cantar o hino da escola! — Exclamou Dumbledore. Harry reparou que os sorrisos dos outros professores tinham amarelado. O Diretor fez um pequeno aceno com a varinha como se estivesse tentando espantar uma mosca na ponta e surgiu no ar uma longa fita dourada, que esvoaçou para o alto das mesas e se enroscou como uma serpente formando palavras.
— Cada um, escolha sua música preferida, — convidou Dumbledore — e lá vamos nós!
E a escola entoou em altos brados:
Hogwarts, Hogwarts, Hoggy Warty Hogwarts,
Nos ensine algo por favor,
Quer sejamos velhos e calvos
Quer moços de pernas raladas,
Temos as cabeças precisadas
De ideias interessantes
Pois estão ocas e cheias de ar,
Moscas mortas e fios de cotão.
Nos ensine o que vale a pena
Faça lembrar o que já esquecemos
Faça o melhor, faremos o resto,
Estudaremos até o cérebro se desmanchar.
Todos terminaram a música em tempos diferentes. E por fim só restaram os gêmeos ruivos cantando sozinhos, ao som de uma lenta marcha fúnebre. Dumbledore regeu os últimos versos com sua varinha e, quando eles terminaram, foi um dos que aplaudiram mais alto.
— Ah, a música — disse secando os olhos. — Uma mágica que transcende todas que fazemos aqui! E agora, hora de dormir. Andando!
Harry levantou-se e juntou-se aos novos alunos, preparado para seguir os mais velhos, quando uma garota alta de cabelos castanhos volumosos os abordou.
— Primeiros anos, olá, — disse animadamente, seus olhos castanhos por traz dos óculos brilhavam e seu sorriso era tímido, mas acessível. — Sou Penélope Clearwater, Monitora do 5º ano da Ravenclaw, vou guia-los a sua nova casa. Este é Brady Thorne, meu colega monitor, por favor nos sigam. — Disse enquanto começavam a andar, saindo do grande salão e seguindo para o saguão.
Harry percebeu que os colegas mais velhos já haviam se dispersado, conhecendo o caminho, não havia porque esperar orientação. Com Terry ao seu lado, Harry começou a subir a grande escadaria de mármore que observara antes.
— Por favor, observem com atenção o caminho, vocês perceberão que nosso dormitório fica em uma das grandes torres do castelo, é a torre oeste e é possível vermos as montanhas pelas janelas, uma linda vista. Por estarmos em umas das torres subiremos muitas escadas e como quase tudo em Hogwarts as escadas são magicas. — Brady falou em voz alta e clara para o grupo que os seguia, ele era um garoto alto, com cabelos loiros sujos e inteligentes olhos verdes claros. — Não será incomum vocês perceberem que as escadas se movem e levam para direções diferentes, então observem os pontos significativos que nos levam do grande salão até a entrada da nossa sala comunal e vice e versa.
Harry fez exatamente o sugerido, nem um pouco interessado em passar seus primeiros dias em Hogwarts perdido. Assim usou seu poder de observação e de notar detalhes para gravar os pontos importantes no caminho, quadros específicos com imagens únicas, como um quadro com uma grande águia azul sobre o ombro de um homem alto, ou armaduras com elmos imponentes.
Dobrando esquinas e subindo diversas escadarias ele tentou gravar, direita neste quadro, esquerda nesta tapeçaria e, quando, finalmente subiram uma escada circular em círculos apertados e estonteantes, Harry acreditou-se razoavelmente seguro do caminho quando chegaram a uma porta. Não tinha maçaneta nem fechadura: nada, exceto uma tábua lisa de madeira envelhecida e uma aldraba de bronze em forma de águia.
Penélope, a Monitora, esticou a mão e bateu uma vez. Imediatamente, o bico da águia se abriu, mas, em vez do grito do pássaro, uma voz suave e musical perguntou:
— O que nunca volta, embora nunca tenha ido?
— Hum... essa é uma boa, o que vocês acreditam ser a resposta? — Perguntou Penélope, com um ar professoral.
Todos ficaram em silencio entre confusos pela porta estranha e ansiosos para encontrar uma resposta. Harry que não tinha ideia de qual era a resposta, olhou para Terry que estava em profunda concentração, sussurrando a frase repetidamente, lembrou-lhe Hermione mais cedo antes da classificação.
— Ninguém? Alguém pode ao menos me explicar o que significa esta entrada para nossa casa? _ perguntou Brady
Terry imediatamente levantou a mão, parecendo ansioso para ao menos dar uma resposta.
— Sim? Você... — Questionou Brady.
— Terry Boot! — Exclamou ele do seu jeito animado.
— Terry, por favor, nos explique o porquê da porta.
— Quer dizer que sempre que formos entrar na sala comunal temos de responder uma pergunta. Assim, você aprende.
— Correto! — Disse Penelope sorrindo — Qualquer oportunidade para se aprender deve ser aproveitada, portanto não há como entrar nos dormitórios de Ravenclaw sem responder a uma pergunta corretamente, se você não sabe a resposta, espere por um colega que a saiba. Caso não aja mais ninguém do lado de fora, o escritório do Prof. Flitwick fica descendo o primeiro corredor a esquerda, a primeira porta. Basta bater na porta, ele sempre está disponível, seus aposentos ficam atrás do escritório e a porta é encantada para enviar o som da batida até onde ele está.
" Agora — continuou — alguém encontrou uma resposta? Não? Muito bem, acredito que a resposta é "o passado".
— Bem pensado — disse a voz, e a porta se abriu.
Enquanto todos entravam Harry sentiu-se meio enjoado com a ideia de ficar preso todo o tempo do lado de fora e virar motivo de riso.
Entrando rapidamente, observou a sala comunal da Ravenclaw, que era ampla e circular, arejada com graciosas janelas em arco pontuando as paredes, ladeadas por reposteiros de seda azul e bronze; de dia, os alunos deviam ter uma vista espetacular das montanhas ao redor. O teto era abobadado e pintado com estrelas que se repetiam também no carpete azul-escuro. Havia mesas, poltronas e estantes com livros e, em um nicho na parede oposta à porta, uma alta estátua de mármore branco se erguia ao lado de uma porta. Harry não pode deixar de olhar a mulher de mármore, que pareceu fitá-lo com um meio sorriso intrigado e intimidante no rosto belo. Um diadema de aspecto delicado fora reproduzido, em mármore, no topo de sua cabeça.
— Bem-vindos a sala comunal da Ravenclaw! — Disse Penélope orgulhosa — Vocês notarão que temos um ambiente propicio para os estudos, observem que aqui é um lugar de estudo e treinamento, onde farão deveres de casa e poderão solicitar ajuda para os colegas dos anos acima. Por aquela porta estaremos indo aos dormitórios, pela escada a esquerda dos meninos, pela direita das meninas, cada andar para um ano, então 7 andares, cada aluno tem seu próprio quarto e em cada andar há uma sala de convívio, ou seja, uma sala onde poderão se conhecer, conversar, jogar jogos e só sair. — Informou seriamente.
— Isso é algo importante pessoal, aqui na sala comunal não é lugar de jogos e conversa sem sentido e sim estudo e concentração. Todos os alunos são permitidos em todas as salas de convívio em qualquer andar, do lado das meninas ou meninos, mas os meninos não podem entrar nos quartos pessoais das meninas e vice e versa. — Disse Brady.
— Vocês logo se adaptarão, então não se preocupem e qualquer coisa é só perguntar, qualquer aluno mais velho ajudará mesmo que não seja um Monitor. E como sei que estão cansados não vou alongar, apenas encerrarei dizendo que o Prof. Flitwick fará uma reunião amanhã antes das aulas começarem, assim estejam todos aqui prontos as 7 da manhã. Alguém não sabe programar sua varinha para despertar?
Algumas mãos se levantaram, Harry observou que além da sua, as outras eram de crianças que tinham origem ou criação trouxa como ele.
— Muito bem, para quem não sabe e para relembrar, assim não teremos dorminhocos atrasados amanhã, apenas movimente a varinha no sentido horário, — disse girando a varinha enquanto falava — diga Aponte-me Tempus e a hora que você quer que a varinha desperte. — Completou girando a varinha e dizendo: "Aponte-me Tempus 6 da manhã"
— Muito bem, todos tentem por favor. — Disse Penelope. Assim o som de todos falando o novo feitiço e girando a varinha encheu a sala. — Ótimo, isso fará com que sua varinha desperte todos os dias neste horário, se quiserem mudar o horário é só dizer de novo o feitiço com a hora desejada e se quiser cancelar o despertador apenas digam Finite Tempus.
Logo depois virou para aporta ao lado da estátua e abriu, um pequeno hall mostrava as duas escadas de pedras circulares. Brady subiu no primeiro degrau da esquerda e Penélope o da direita. Eles se despediram com um boa noite e os alunos do 1º ano os ecoaram mais timidamente. Harry seguiu Brady escada acima e já no primeiro andar ele avançou por um corredor com diversas portas de cada lado onde se lia o nome de cada garoto, quando viu seu nome escrito em bronze na placa azul, Harry sentiu seu estomago aquecer de um jeito muito bom.
— Esses são seus quartos, seus pertences e animais de estimação já estão lá dentro, cada quarto tem seu próprio banheiro. No fim do corredor está a sala de convívio, mas sugiro que deixem para explorar e se conhecerem mais amanhã. Por hoje durmam e descansem bem, terão um dia agitado amanhã, com muitas informações, que começará cedo na reunião com nosso chefe de casa e depois nas primeiras aulas. Se tiverem algum problema não hesitem em me procurar, vocês têm alguma pergunta? — Quando todos negaram com gestos de cabeça Brady sorriu. — Não? Muito bem, tenham um boa noite rapazes. — Disse subindo os degraus para seu andar.
Harry hesitou na porta e olhou para Terry que lhe deu um sorriso cansado, sua porta era a segunda, e a seguinte era a do Terry, olhando em volta viu que a quarta era a de Anthony e a primeira do garoto Michael Corner. Michael já havia entrado em seu quarto e fechado a porta, mas Anthony ficou mais um pouco para um boa noite sonolento.
— Boa noite Harry, — Disse Terry abrindo a porta. — nos falamos mais amanhã. Dá para a acreditar? Estamos na Ravenclaw e já começamos a aprender amanhã.
— Sim, vai ser legal, até amanhã Terry. Boa noite. — Disse Harry com um sorriso amarelo. Ele entrou no quarto circular de parede e chão de pedras e observou em volta, tinha uma cama simples de solteiro, mas maior e com um colchão de aparência mais confortável do que o seu no segundo quarto de Dudley. Um guarda-roupa na parede oposta a porta de entrada, era de madeira marrom escura e portas duplas. Nesta mesma parede duas janelas de tamanho médio e folhas de vidro duplas. Ao lado da cama havia apenas uma mesinha de cabeceira simples, na mesma madeira dos outros dois moveis no quarto. E uma porta a esquerda que ao se aproximar e abrir, descobriu que era o banheiro, compacto e simples.
Mas apesar da simplicidade, sentiu-se mais a vontade do que toda a sua vida na casa dos Dursley, e não importava suas dúvidas e receios, aqui ele era bem-vindo, aqui o era o lugar dele.
Abrindo seu baú tirou seu pijama e foi ao banheiro arrumar-se para dormir. Antes de deitar Harry abriu a gaiola de Edwiges e depois uma janela e a deixou ir sabendo que ela gostava de caçar a noite.
— Vá agora, garota, se divirta e se quiser pode ficar no Corujal com as outras corujas. Mas deixarei uma janela aberta se quiser vir me ver. — Disse, acariciando suas penas suavemente, Edwiges fez um som de assentimento e bicou carinhosamente sua mão e depois decolou.
Suspirando ele olhou para a escuridão, e apesar de não ter uma lua cheia, havia iluminação suficiente das milhares de estrelas para que Harry visse o contorno das montanhas. A brisa fria da noite agitou seu cabelo e clareou sua mente, apesar de cansado, não sentia sono.
Fechando os olhos pensou no garoto que fora e no garoto que poderia ter sido. O garoto que entrara no trem essa manhã queria ser apenas Harry, e teria sido feliz na Gryffindor, seria uma casa de diversão e grandes aventuras. Mas ele sentara-se com um garoto inteligente e curioso que lhe fizera algumas perguntas que Harry não só não sabia responder, mas que, claramente, tudo fazia parecer que um esforço considerável foi feito para que ele nem as perguntasse. E agora, pensou, queria perguntar e queria saber a verdade, mas também precisava se concentrar nos estudos, se esforçar, e honrar seu nome, seus pais e sua nova casa.
Assim, pensou, teria que ter calma e uma estratégia, o Harry Ravenclaw descobriria os fatos, descobriria quem, o que e porque estavam escondendo coisas dele, mas faria isso sem revelar sua busca. Precisava, considerou, ter um plano.
Sabendo que não encontraria repostas hoje, deitou-se e apesar do que esperava dormiu imediatamente. E sonhou, e em seu sonho ele estava diante da estátua de mármore branco da mulher de sorriso intimidante. Ela estava olhando-o zangada e sua voz falou "seu lugar não é aqui, você não deveria estar na minha casa". Harry tentou dizer a ela que não era verdade, que Ravenclaw era a casa certa para ele, mas então ela riu e depois a risada se tornou mais aguda e fria, ouviu um grito de mulher e uma luz verde brilhante e Harry acordou, suado e trêmulo.
Mudou de posição e tornou a dormir, e quando acordou no dia seguinte, nem se lembrou que tinha sonhado.
