Capitulo 5
Pela manhã sua varinha despertou no horário programado, e ele felizmente se levantou, sentindo-se ansioso e animado ao mesmo tempo. Tomou banho e arrumou-se, sempre um para levantar cedo sem dificuldade, colocou suas vestes de bruxo e ao olhar no pequeno espelho do banheiro viu o emblema da casa Ravenclaw com a águia bordado em seu peito e as cores do manto agora eram preto e azul, com detalhes em bronze aqui e ali. Tentou arrumar os cabelos para baixo, mas como sempre ele ficou lá, para todos os lados.
Pensando em seus primeiros passos, na verdade chegou à conclusão de que só havia um, observar, observar, ouvir, ouvir e aprender, esperaria os primeiros dias de aulas, até poder analisar quais ações seriam necessárias a seguir.
Desceu até a sala comunal e sentou-se em uma das poltronas perto da janela, a vista espetacular era de tirar o folego. Ele foi um dos primeiros a descer, e o primeiro de seu ano. Mas logo em seguida Terry também apareceu, agindo excessivamente sorridente e animado como se tivesse cheio de energia, mas junto com a ansiedade lhe dava uma aparência maníaca.
— Bom dia Harry, você dormiu bem? Eu dormi, estava muito cansado, deve ter sido toda a comida que comemos e a viagem, porque dormi assim que caí na cama. — Olhando o relógio. — Já está quase na hora, o que você acha que o Prof. Flitwick vai nos dizer?
— Bom dia Terry, eu também dormi bem rápido e a cama é bem confortável. Não sei, sua mãe não lhe contou?
— Mamãe não quis falar muito de como as coisas eram na Ravenclaw, ela não queria que me sentisse pressionado, afinal não era impossível que eu fosse para a Hufflepuff ou mesmo Gryffindor como o papai. — Disse Terry sentando-se ao seu lado na enorme poltrona.
Harry assentiu, fazia sentido, Terry queria muito ir para a mesma casa que sua mãe e se isso não acontecesse ele poderia ficar fazendo comparações com as coisas ditas por ela e poderia não se adaptar tão bem. Enquanto conversavam, a sala começou a se encher, seus colegas primeiros anos já estavam todos lá em baixo. Michael e Anthony conversavam com Lisa em um sofá a sua esquerda. Morag, Padma e Mandy sentavam-se mais atrás e sussurravam animadas, na verdade todos os alunos na sala comunal estavam mostrando uma mistura de animação, excitação e apenas uma leve sonolência. Com Dudley como exemplo ficou surpreso por encontrar tantos garotos falando animadamente das aulas, ansiosos pelas lições. Dudley detestava a escola.
Neste momento Prof. Flitwick entrou na sala comunal, com todo o zunzum de conversa, Harry não ouviu o pequeno professor responder à pergunta da porta. Mas assim que ele entrou saltando animado todos o viram e ouviram, e fizeram silencio imediatamente, um silencio respeitoso e não intimidador, observou Harry. Sua voz fina e aguda ecoou pela sala, enquanto ele subia em um banco azul estofado onde atingiu uma altura onde todos conseguiam vê-lo.
— Bom dia! Bom dia meus queridos. Como estão todos, tiveram bons verões? Sim? Que maravilha! Excelente! Este será um grande ano, todos devem estar preparados. E primeiros anos, parabéns e muita boa sorte no início de sua vida escolar aqui em Hogwarts. Espero que eu e a casa Ravenclaw os ajudem a se tornarem os melhores bruxos e bruxas. — Disse ele sorrindo e batendo palmas em alguns momentos, a visão era um pouco engraçada, mas a maneira respeitosa que todos olhavam e sorriam para ele não convidava a risos ou qualquer zombaria.
Professor Flitwick tinha um pouco mais da altura de um goblin de Gringotes, cabelos pretos bem escovados, olhos escuros brilhantes e bigode preto. Usava um terninho marrom claro que passava seriedade e leveza ao mesmo tempo, e óculos pequenos redondos. Seu sorriso era sincero e ele parecia alguém muito feliz.
— O objetivo da casa Ravenclaw é ajuda-los a alcançar todo o seu potencial, e para isso vocês terão apoio e ajuda de toda a casa e de mim em particular. Mas também serão exigidas dedicação e entrega pessoal de cada um para alcançar essas metas. Vocês terão regras a seguir e deveres a cumprir e não vou tolerar nada menos do que muito esforço em busca do conhecimento. E também esperarei que todos honrem este conhecimento. — Parando ele, solenemente, olhou para a estátua de mármore branco e leu a inscrição — "O espírito sem limites é o maior tesouro do homem. " E este é o lema que norteia a casa Ravenclaw, assim o que nossa fundadora Rowena quis dizer é que não importa suas habilidades e sim a força do seu espirito, se você limitar seu espirito você se limita e então não importa quão inteligente você seja, não alcançará todo o potencial magico ou humano. Lembrem-se disso e valorizem esse tesouro. — Completou.
Harry engoliu em seco, as palavras do professor o atingiram profundamente em seu coração. Esses era seus medos, mas a verdade é que estava no lugar certo, ele não se limitaria na Ravenclaw, não como fizera na escola trouxa, não como fizera nos Dursley. Estava em suas mãos, pensou, e ele não recuaria.
— Agora meus queridos para as questões práticas. Aqui estão seus horários de aulas, por favor, monitores entreguem para mim por ano. Sim, — disse quando alunos de crachá de monitores se adiantaram para pegar os papeis e começam a distribuir — muito bem, obrigada, obrigada. Temos muitos objetivos, sim esse vai ser um grande ano, mas iremos por partes. Passarei as informações do sétimo ano para baixo, assim cada ano pode deixar para o café da manhã até que reste apenas os 1° anos, eles têm muitas informações novas que vocês mais velhos não precisam ouvir de novo. Ok? — Perguntou Flitwick mais animadamente.
Toda a sala concordou e Harry sorriu e agradeceu quando Penélope lhe entregou seu horário.
— Certo, certo, bem 7º ano, este é o seu ano mais decisivo, os NEWTs, sim, sim eu sei, estamos todos ansiosos. — Disse quando um murmúrio animado se espalhou — Vocês verão em seus horários que temos uma reunião marcada para a segunda-feira, as 7 da manhã, falarei com vocês como um grupo e marcarei horários individuais para todos aqueles que precisarem de orientação extra. Para aqueles quem tem projetos especiais em algum assunto, no fim do mês quando estiverem mais organizados quero conversar sobre a evolução e qual são as próximas etapas, pois na reta final vocês não podem relaxar. Quero todos estudando 4 horas extras, além das aulas, comendo todas as refeições, sem pular, de maneira saudável e dormindo 8 horas por dia. Concentração mental exige cuidados com o corpo e a saúde, se descuidar de um também perde o outro e isso serve para o 5º ano também, ok? Sim? Muito bem, agora 7° anos podem sair, atente-se para seus horários e não se esqueçam de tirar um tempo para ajudar os mais novos, aprendemos ensinando e compartilhando o que sabemos e, uma casa unida nos ajuda a manter a Ravenclaw em seu lugar de direito em Hogwarts. Ah, e estarei publicando a data da primeira reunião do Clube de Feitiços na semana que vem.
Um barulho leve foi ouvido quando os alunos começaram a se movimentar deixando a sala comunal, não para fora e sim para os quartos, Harry ficou confuso até que ouviu alguém comentar que eles estavam pegando seus livros do dia, afinal com seus horários em mãos, depois do café da manhã já poderiam ir para as aulas sem precisar voltar para a torre.
Harry pensou que isso era muito inteligente, principalmente, porque não estava muito ansioso para responder as perguntas da porta.
— Bem agora 6º ano, parabéns pelos seu OWLs, eu vi os resultados de todos e não poderia estar mais orgulhoso. Vocês superaram as dificuldades que Hogwarts apresenta, não deixando seus espíritos arrefecerem, muito bem, muito bem mesmo. — Sorriu orgulhoso. — Este é um ano importante por que estão começando suas aulas NEWTs, vocês serão exigidos mais do que nunca. Meu conselho é preparem-se para as aulas com antecedência, estudem 2 horas as mais por dia, além das aulas e deveres de casa. Se alimentem e durmam bem e ajudem seus colegas mais jovem. Todos que quiserem iniciar um projeto darei um mês para organização e preparação, depois me procurem e me mostrem o que vocês já têm, e onde querem chegar. Ajudarei com seus projetos, mas espero dedicação e que no fim do 7° ano esteja concluído. Agora podem sair, vão, vão, tenham boas aulas meus queridos.
Enquanto Flitwick falava com o 6° ano os alunos do 7° passaram, silenciosamente, deixando a sala comunal. Agora como uma orquestra bem treinada os 6° anos faziam o mesmo. E o professor se virava para outro grupo de alunos que incluía o dois Monitores que os guiaram ontem.
— Sim, sim, 5° ano, este é O ANO, meus queridos. — Sua voz esganiçada ficou ainda mais aguda e ele saltou animadamente — Vocês farão suas OWLs, são as provas que definirão suas profissões. Suas notas lhe permitirão estar nas aulas NEWTs de suas escolhas de acordo com a profissão que almejam, se por acaso não conseguirem a nota para algumas das aulas podem ter que desistir de seus objetivos, meus caros, e isso não é uma escolha, por um Ravenclaw nunca desiste! A não ser que seja mais inteligente ir por outro caminho, mas apenas então. — Disse sorrindo. A sala o acompanhou, mas a tensão nos 5° anos era aparente.
"Estarei me reunindo com vocês ao longo de setembro em reuniões individuas para orientação profissional, onde lhes informarei quais aulas precisam para as profissões de seu interesse e quais notas OWLs são obrigatórias para entrarem nessas aulas ano que vem. Estudem 4 horas a mais, além das aulas, durmam e comam bem, se eu ouvir de alguém que está estudando além da conta ou dormindo pouco tirarei privilégios, entendidos? — Houve murmúrios de concordância. — Muito bem, todos aqueles que iniciaram algum projeto ano passado, esse ano concluiremos, daqui um mês estarei conversando com cada um. Agora podem ir, boas aulas e se precisarem de qualquer coisa estou em meu escritório com as portas abertas.
"Agora 4º ano, vocês têm um ano mais tranquilo, mas observem bem, tranquilidade não quer dizer relaxamento. Meu conselho é que estudem d horas a mais, além das aulas e dos deveres de casa, em preparação antecipada para os OWLs do ano que vem. Mantenham a boa preparação para as aulas deste ano e para aqueles que querem começar um projeto, têm até o fim do mês para preparar o material, quero dados e objetivos e muita dedicação para concluí-lo até o fim do 5º. Agora observem, esses projetos não são obrigatórios, mas se vocês quiserem mergulhar na pesquisa magica e criar algo novo eu os ajudarei, mas exigirei 100% de vocês, e isso acarretará muito estudo e pesquisa, além das OWLs. Assim pensem bem e depois me procurem.
Quando o 4º ano começou a deixar a sala, Harry engoliu em seco, estava chegando o momento do Professor os orientar, mas tudo o que ouvira já fora muito importante. E ele não sabia o que esperar, será que também teriam projetos? E estudos extras? Olhando para Terry viu sua expressão, meio apavorada e meio animada. Não dava para saber se ele queria saltar e começar a aprender ou fugir para bem longe e como Harry se sentia do mesmo jeito não podia nem rir da cara que ele estava fazendo.
— Muito bem, agora, — continuou Prof. Flitwick — 3º ano, esse é um ano importante, vocês estarão fazendo as aulas eletivas que escolheram ano passado, isso significa, mais aulas, mais leituras, mais deveres de casa, precisam de organização e dedicação. Espero mais preparação para as aulas e 2 horas extras de estudo independente, além das aulas e dos deveres de casa. Para aqueles que iniciaram projetos ano passado, esse ano concluiremos, preparem-se para reuniões individuais no início do mês que vem. Se tiverem alguma dificuldade nas novas aulas não hesitem em me procurar, agora podem ir, boa sorte nas aulas novas! — Exclamou feliz.
Harry sentiu o estomago afundar um pouco ao ver quão vazia estava a sala comunal. Até seu apetite, seu estomago estivera roncando a alguns instantes, recuara.
— Bem agora estamos chegando ao fim, — ele olhou no relógio e saltou — e bem na hora. Vamos aos 2° anos, agora que estão adaptados vou esperar mais organização e disciplina. Me reunirei com vocês no próximo semestre para discutirmos as aulas eletivas que escolherão para o próximo ano, mas até lá espero 2 horas extras de estudos independentes, além das aulas e deveres de casa. O mais importante este ano é que se preparem melhor para as aulas e que seus níveis de deveres de casa aumentem, afinal já tiverem um ano para se acostumar com o ritmo de cada aula e professor, para se adaptarem a estrutura da escola. Além disso, para aqueles que se interessarem em realizar um projeto me procurem na semana que vem, quarta e quinta estarei disponível depois das aulas, mostrarei os projetos que vocês podem alcançar com seu nível de conhecimento magico e poderão escolher. Lembrem-se exigirei dedicação nas pesquisas, e nenhum relaxamento em suas notas por causa do projeto. Agora podem sair, boas aulas e não esqueçam de ajudar seus colegas 1° ano, compartilhem e aprendam juntos. — Disse ele batendo palmas e saltitando na banqueta.
Harry endireitou-se imediatamente, assim que o seu chefe de casa olhou na direção deles. Mesmo tendo conhecido ele a menos de meia hora não podia deixar de respeita-lo. Ele era, claramente, um grande professor, mas também uma pessoa fácil de gostar.
— Agora 1º anos, este ano para vocês é de adaptação e aprendizagem. Se vocês observarem seus horários verão que suas aulas começam as 9 e terminam as 15 horas, com almoço no meio. Com exceção da quarta feira a noite em que terão aulas de Astronomia, espero todos respeitando o toque de recolher que é as 21 horas. Se vocês estiverem dormindo as 22 horas e acordarem as 7 da manhã terão 8 horas de sono e com boa alimentação, manterão a saúde e a concentração mental nas aulas.
"Todos os dias ao fim das aulas e antes do jantar, espero vocês aqui na sala comunal, que é nosso ambiente de estudo e treinamento. Vocês farão o dever de casa e preparação para as aulas do dia seguinte, preparação quer dizer leitura, se não lerem o conteúdo das aulas com antecedência ficarão para traz, entendido? Alguma pergunta até agora? — Todos eles disseram que não, Prof. Flitwick explicava claramente. — Agora o jantar começa às 18 horas e termina as 20h, são três horas antes e depois mais duas horas livres, e eu não espero que vocês estudem todas essas horas, vocês devem se organizar, façam os deveres de casa, façam suas leituras, façam pelo menos 1 hora de estudo independente e também passeiem pelo castelo e os jardins, socializem com colegas aqui e de outras casas e se divirtam. Lembrem-se, mesmo que o conhecimento seja importante, fazer amigos também o é, pois é com eles que vocês compartilharão a aprendizagem e os bons momentos da sua vida escolar. "
"Agora é claro que vocês estarão usando muito a biblioteca para pesquisa, mas aqui em nossa sala comunal vocês encontrarão muitos bons exemplares também, e esses livros não podem deixar a sala comunal da Ravenclaw. Enquanto estiverem estudando aqui tentem se manter respeitosos como em uma biblioteca, mas vocês podem conversar entre si ou com colegas dos anos superiores desde que seja sobre questões escolares. Ah, e temos algumas aulas aos sábados pela manhã de orientação aqui na sala comunal, alguns anos mais velhos estarão disponíveis para ajudar os mais jovens com algum dever de casa que tenham dúvida, com a escrita com pena, com alguma teoria magica e movimentos de varinhas. Eles estarão dando o tempo deles para ajuda-los e espero que vocês valorizem e respeitem isso como se deve. — Disse solenemente. "
Harry assentiu seriamente e prometeu ser sempre grato por essa ajuda, a verdade é que a ideia de que ele teria a ajuda, não apenas do professor, mas de toda a casa Ravenclaw o enchia de alivio e esperança. Se ele se aplicasse e com toda essa rede de apoio não havia como não conseguir realizar seu objetivo de ser o melhor bruxo possível.
— Bem, vocês observaram que seus quartos são bem simples, além de que, vocês não dividem um dormitório com seus colegas de ano como em outras casas. E esses fatos têm uma razão de ser. — Ele sorriu animado e se inclinou falando mais baixo como se houvesse um segredo legal para compartilhar, todos os alunos fizeram o mesmo, ansiosos para aprender. — Primeiro nós aqui na Ravenclaw acreditamos na individualidade pessoal de espaço. Não apenas o privilégio, mas também os deveres que isso acarreta. Assim, vocês têm o privilégio de ter seus próprios quartos e privacidade, mas eles são suas responsabilidades. Nós em Hogwarts temos elfos domésticos que cuidam de suas roupas, comida, limpeza da sala comunal e do resto da escola, mas seus quartos quem manterá limpo e organizado são vocês. Isso os ajudarão a aprender e treinar, aprenderão as magias de limpeza e arrumação e treinarão o trabalho pratico de varinha diariamente. E também os ajudarão a se tornarem mais responsáveis e organizados.
"Quanto a simplicidade, isso acontece para sua total diversão e criatividade. Os quartos são como uma tela em branco, vocês podem decorá-los como quiser, mas apenas usando magia, mas para isso tem que aprender. Magias de decoração não são ensinados em Hogwarts, assim cabem a vocês se tiverem interesse, pesquisar magias de pinturas, conjuração, transfiguração e qualquer coisa que assim quiserem. Mas para isso tem de saber realizar o feitiço, nenhum aluno mais velho o fará por vocês. E suas notas tem de estar se mantendo no topo, se não, perdem o privilégio de brincar com seus quartos. Entendido? — Todos concordaram e Harry pode ver as meninas parecendo animadas, não pode deixar de pensar que elas tornariam seus quartos um mundo de algodão-doce cor de rosa.
"Encerrando quero que vocês venham a mim sempre que precisarem, não importa o motivo, estou sempre disponível. Vocês sabem onde é meu escritório, certo? — Todos assentiram e ele continuou. — Sim? Ótimo, ótimo. Agora vou acompanha-los até o café da manhã, vocês verão em seus horários as informações de onde se localiza cada sala de cada uma das aulas, além do corujal, a cozinha, e claro o Grande Salão e nossa torre, não é bem um mapa, mas o ajudarão a se orientarem. E claro vocês podem sempre pedir ajuda para qualquer aluno mais velho. Agora, meus queridos subam e peguem seus livros, esperarei por vocês. "
Todos eles rapidamente se levantaram e correram para seus quartos, fazendo muito mais barulho do que os alunos anteriores. Harry entrou em seu quarto, muito mais aliviado, enquanto tudo o que fora dito era importante, não era tão difícil, ele poderia fazer. Se adaptaria, estudaria, e faria seus deveres, além disso poderia sair, conhecer o castelo e fazer amigos.
Enquanto pegava seus livros no porta-malas, olhou para suas aulas do dia. Como era terça-feira, tinha aulas duplas de Transfiguração com a Prof.ª McGonnagall, o almoço ia das 11 às 12 quando então tinha aulas duplas de Herbologia com a Prof.ª Sprout na estufa 1. Então das 14 horas as 15 uma aula de Feitiço com seu chefe de casa. Harry pegou seus livros e material e saiu do quarto, ao puxar a porta para fecha-la deu uma última olhada, comparada ao segundo quarto do Dudley e principalmente ao armário sob a escada, seu quarto aqui parecia incrível, mas a ideia de que poderia fazer magia para transforma-lo, e deixa-lo ainda melhor, sorriu com o pensamento, seria muito legal.
Rapidamente desceu a sala comunal, foi o segundo a chegar, o garoto Michael chegara primeiro e esperava em postura reta, peito estufado, seu cabelo bem penteado e com um topete que o fazia parecer um galo. Logo depois Terry e Anthony chegaram, o garoto moreno se colocou ao seu lado e o loiro arrumadinho ao lado de Michael, que estava um passo à frente. As meninas vieram em seguida, Lisa se colocou no outro lado do garoto que parecia um galo e Morag, Padma Mandy, formaram outro trio e se posicionaram do lado esquerdo de Terry.
Prof. Flitwick havia descido da banqueta e quando os viu sorriu e bateu palmas.
— Muito bem, todos prontos? Estão com seus livros e material? Bom, bom, — disse ao vê-los confirmar — vamos então, meus queridos. Agora são 8:30, vocês têm tempo para um bom café da manhã antes de suas primeiras.
Enquanto falava todos deixaram a sala comunal e desceram a escada curva da torre. Harry prestou particular atenção ao caminho e percebeu que seus pontos de referências estavam corretos, se estivessem sem o professor ainda conseguiriam encontrar o caminho.
Prof. Flitwick ia a frente descendo as escadarias e apontando aqui e ali para um corredor ou quadro, Harry não pode deixar de se lembrar, enquanto via o professor saltitando e cantarolando, a história que sua professora no jardim de infância lhe contara sobre a Branca de Neve e os sete anões. Fora o primeiro livro que pegara nas mãos e, apesar de não saber ler ainda, ficara encantado com as imagens e seu chefe de casa lhe parecia o Mestre com seus amigos anões o seguindo. Harry deu um risinho e teve que se controlar para não começar a cantar "Eu vou, eu vou".
Terry olhou para ele questionando-o, mas Harry fez um gesto de que explicaria depois, ele assentiu e os dois olharam para frente, Harry captando o olhar de reprovação de Michael, que tão preocupado estava em olhar para traz que levou um susto quando a escadaria onde estavam começou a se mover, e quase caiu, Anthony o endireitou a tempo.
— Aaaah! — Gritou agudamente Michael. Os gritinhos das meninas igualmente agudos, mas mais contidos, só serviu para constrange-lo ainda mais. Quando as escadas pararam e eles retomaram outro caminho, orientados por Flitwick, o rosto de Michael tinha duas manchas vermelhas em suas bochechas de constrangimento e raiva. Harry e Terry se olharam divertidos e controlaram a muito custo a vontade de rir.
Alguns minutos depois chegaram ao saguão e entraram no grande salão que estava praticamente lotado com um zumbido alto e animado das conversas. Harry, enquanto caminhava para a mesa da Ravenclaw, não pode deixar de compará-la com as outras mesas. Os Slytherins, estavam bem acordados, sentados rigidamente, conversando pouco e baixo. Os Huffepuffs, conversavam e riam animados e altos, pareciam felizes e prontos para as aulas. Os Gryffindors estavam em sua maior parte sonolentos, parecendo prontos para voltar para a cama, ou relaxados sem muita empolgação com as aulas, falavam ou riam sobre outros assuntos.
Os Ravenclaws, em compensação, estavam bem acordados e mostravam animação, conversavam sobre as aulas e riam, mas eram mais baixos, mostrando menos relaxamento e mais concentração. Harry se sentou em sua mesa com um sorriso, sentindo-se exatamente assim, pronto e animado para as aulas.
Terry sentou-se ao seu lado e começou a se servir imediatamente, Harry hesitou por um instante, sua fome voltara com força total, mas ainda o espantou a quantidade de comida disponível e que ele poderia se servir à vontade.
— Então, — disse Terry ao se servir de ovos e bacon, Harry fez o mesmo e acrescentou uma torrada, os dois se serviram de suco de abóbora. — O que você riu àquela hora nas escadas? Além da cara do Corner, é claro. — Sussurrou, olhando para o garoto pomposo sentado um pouco mais a baixo.
Harry explicou a ele sobre a sua lembrança da história dos anões, sendo mestiço Terry entenderia. E quando ele fez quase engasgou com os ovos ao rir, Harry teve que bater nas costas dele para ajudá-lo. Terry ofegou, e inclinando mais perto sussurrou:
— E com aquele grito o Corner pode ser a Banca de Neve, e assim fica o número certo de anões. — Disse rindo ainda mais. Harry não se segurou ao imaginar Michael de vestido e coroa sendo acordado pelo príncipe e riu sem controle. Foi como no compartimento, eles se mantiveram baixos, mas riram por uns bons 5 minutos. E tiveram que parar de olhar para Corner, se não começavam a rir outra vez.
Depois que eles comeram o café da manhã até estarem satisfeitos, decidiram sair para a sala de aula com antecedência, afinal eles teriam que encontrar pela primeira vez a sala de Transfiguração. Com dez minutos antes das 9 eles, com a ajuda das orientações nos horários, chegaram com tranquilidade a sala. Havia apenas mais uma pessoa na sala, um aluno, Hermione, que lia o livro de Transfiguração.
— Oi, — disse Terry animadamente, sentando-se na carteira ao lado de Hermione, que estava na primeira da fileira bem em frente à mesa do professor. Harry sentou-se atrás dele, não muito animado com a perspectiva de se sentar tão perto da professora.
— Bom dia Hermione. — Disse ele a menina, que levantou a cabeça e pareceu um pouco surpresa por eles estarem falando com ela. — Por onde anda o Neville, ele não perdeu o sapo de novo, não é?
_ O.…oi, Terry, bom dia Harry. — Gaguejou Hermione, depois pegando o ritmo continuou. — Não vi o Neville esta manhã, eu desci cedo para o café porque fiquei com medo de não encontrar o caminho e me atrasar para a aula, mas tive sorte, o fantasma da Gryffindor me disse como chegar ao Grande Salão. E depois que consegui meus horários uma menina do 2º ano, Katie Bell me disse onde ficava a sala de Transfiguração. Eu estava preocupada porque, Percy Weasley, o Monitor me disse que a Prof.ª McGonnagall é muito rígida e não tolera atrasos. — Depois olhando para Harry com desaprovação. — Porque não me disse que era Harry Potter ontem quando se apresentou?
— Eu... hum errrh... — pego de surpresa pela pergunta súbita e seu tom reprovador, Harry gaguejou sem saber o que responder.
— Porque eu já tinha ouvido falar de você, é claro. Tenho outros livros recomendados, e você está na História da magia moderna e em Ascensão e queda das artes das trevas e em Grandes acontecimentos mágicos do século XX.
Chocado e confuso Harry nem sabia o que responder, mas foi salvo de tentar pela entrada de vários alunos ao mesmo tempo, falando animadamente. Rapidamente a sala se encheu, com alunos do primeiro ano de Ravenclaw e Gryffindor, mas a professora não apareceu mesmo alguns minutos antes das 9 horas.
Finalmente Weasley, o garoto ruivo, alto e com sardas entrou ofegante, ele foi o último a chegar e estava sozinho, rapidamente se sentou ao lado do garoto de cabelos cor de areia, Finnigan.
— Ainda bem que a professora ainda não chegou, — disse em um sussurro alto — eu lhe disse que dava tempo de repetir mais uma vez.
— Desculpe, mas eu não quis arriscar. A garota Hemione disse que McGonnagall não aceita atrasos, além disso não estava mais com fome. — Deu de ombros Finnigan.
Ron parecia que ia dizer alguma coisa sobre isso, mas então a porta de madeira atrás da mesa se abriu e Prof.ª McGonnagall entrou, todos se endireitaram e silenciaram imediatamente. Harry instintivamente soube que ela era alguém que não se queria aborrecer.
— Bom dia turma! — Disse calma, olhando para o relógio continuou. — Espero todos os alunos na hora em minha sala, atrasos não serão tolerados, não hesitarei em tirar pontos da minha própria casa, — disse olhando na direção de Ron que engoliu em seco — ou em dar detenções. A Transfiguração é uma das mágicas mais complexas e perigosas que vão aprender em Hogwarts. Quem fizer bobagens na minha aula vai sair e não vai voltar mais. Estão avisados. Observem!
E transformou a mesa em um porco e de volta em mesa. A sala toda ficou impressionada e murmúrios se espalharam. Harry que havia visto pouca magica até agora, perdeu o folego, ele queria aprender a fazer aquilo.
— Isso é que eu espero que todos vocês sejam capazes de fazer até os seus exames OWLs, se o conseguirem terão notas suficientes para estar em minhas aulas NEWTs, onde as exigências serão ainda maiores. Mas por hoje e principalmente pelos próximos meses de aulas quero que nos aprofundemos na teoria da arte da Transfiguração. Todos leram os dois primeiros capítulos do seu livro de Transfiguração? — Houve vários acenos de cabeça, alguns hesitantes e algumas pessoas pareciam meio verdes. Harry lera todo o livro de Transfiguração, mas não se lembrava especificamente do conteúdo dos dois capítulos iniciais, além disso achara a explicação por traz dos feitiços complicada de entender.
— Muito bem, anotem o que o que vou ditar para vocês. — E depois de dar alguns minutos para pegarem pergaminho, pena e tinta, começou a explicação dos capítulos em um resumo igualmente complexo. Depois de anotarem tudo, ela então passou a explicar, Harry a ouviu com atenção e na verdade percebeu que, incrivelmente, entendia o que ela estava dizendo. Mas na hora em que ela entregou um fosforo para que cada um o transformasse em uma agulha, voltou a se decepcionar, pois apenas conseguiu torna-lo prateado e pontudo, mas ainda continuava sendo de madeira e não metal. Apenas Hermione conseguiu o feito ao fim da aula e arrancou um raro sorriso no rosto severo da professora.
Quando a professora os liberou com o pedido de um dever de casa sobre como eles se saíram na tarefa pratica, o que faltou para sua transfiguração ser perfeita e porque, Harry deixou rapidamente a sala e caminhou pelos corredores com Terry tendo que se apressar para alcança-lo. Terry poderia ser mais alto, mas Harry era mais rápido.
— Ei, ei, amigo, porque a pressa, temos bastante tempo para almoçar antes da próxima aula e nem precisamos voltar para a Torre para pegar nossos livros. — Disse um ofegante Terry, obviamente, apesar de magro, estava fora de forma. Mas Harry o ignorou e só parou quando chegou a mesa da Ravenclaw, olhando para traz parecia procurar algo, mas quando não viu, relaxou e se sentou colocando a mochila aos seus pés sob a mesa.
— Estava tentando evitar a garota Hermione, ela ia começar a fazer perguntas ou falar sobre os livros em que meu nome aparece. Não quero ficar ouvindo essa bobagem de menino-que-viveu ou seja o que for. — Disse Harry mal-humorado. — Porque você não me contou que tinha livros falando sobre mim? — Perguntou lançando seu rosto irritado para o amigo.
— Bem, — começou Terry, um pouco desconcertado — primeiro se depois de tudo que conversamos você não supôs que haveriam livros contando a história da última guerra ou os acontecimentos do Halloween de 81, com seu nome em negrito e purpurina, bem então você não é tão esperto quanto parece ou eu realmente te sobrecarreguei de informações ontem, algo alias que eu não tinha a intenção que acontecesse. Segundo, sobre a Hermione, eu entendo que ela foi um pouco agressiva, mas sua curiosidade e suas perguntas não são nada absurdas, principalmente, para alguém nascida trouxa e tão inteligente como ela demonstra ser. E terceiro, — disse suspirando enquanto se servia de suco de abóbora — sinto te informar que ela não será a única a mostrar interesse, curiosidade ou fazer perguntas para você, é só olhar em volta Harry.
Desconcertado com as palavras do amigo Harry fez o que ele sugeriu, olhou em volta e imediatamente se arrependeu. Havia um mar de rostos, principalmente nas outras mesas olhando para ele, alguns até apontavam com o dedo e cochichavam. Engolindo em seco pela atenção que estava tendo Harry baixou a cabeça e encolheu os ombros tentado, como muitas vezes nos Dursley, ficar invisível. Olhando para a mesa abarrotada de comida, percebeu que perdera o apetite.
Terry imediatamente percebeu a mudança de humor de Harry e não pode deixar de pensar ao vê-lo encolhido que o preferiria zangado. Ele serviu suco no copo do amigo e pensou, enquanto começava a comer a carne assada em seu prato, no que dizer para anima-lo.
— Você sabe Harry, ou deveria ter imaginado, que essa reação nas pessoas era inevitável. Você é considerado um herói pelo Mundo Magico, e mesmo que ninguém saiba o que exatamente aconteceu a 10 anos, ainda é verdade que você sobreviveu enquanto Vol.… demort desapareceu. Você não pode fugir disso ou se esconder, e ficar sem comer antes das aulas muito menos. Lembre-se do que disse Prof. Flitwick temos de estar bem alimentados para manter a concentração nas aulas ou não aprenderemos nada. — Disse colocando um grande pedaço de carne na boca como exemplo e esperando tentar Harry a comer.
Harry olhou para comida a sua frente, pensando no fato incrível de que podia comer o quanto quisesse. Não precisava ser lembrado que um estomago vazio tirava da sua mente a capacidade de se concentrar e aprender. Fora assim que passara praticamente todos os dias na escola trouxa. Servindo-se da carne assada cheirosa, cenouras e vagens cozidas e um pouco de molho, começou a comer calmamente pensando em que lhe dissera Terry. Ele estava certo é claro, na noite anterior e no café da manhã estivera muito sobrecarregado e distraído para perceber os olhares e cochichos, e por algumas horas se esquecera que no mundo magico não era apenas Harry, e por mais que ele gostaria de ser apenas mais uma criança normal, a ausência de seus pais lhe era um lembrete, doloroso e constante, de que nunca seria.
Ele teria que se acostumar com a curiosidade das pessoas, pensou, pois na verdade isso não mudava seus objetivos de responder as perguntas que Terry levantara no trem, ou seu desejo de se tornar o melhor bruxo possível. E ele com certeza não ia deixar um monte de olhares e cochichos entrar em seu caminho.
Enquanto pensava terminou com a comida no seu prato e como se servira de pouco, resolveu repetir já que seu apetite retornara e ainda estava com fome. Terry sorriu ao ver seu amigo pegar mais comida e seu olhar determinado e postura retornar, sim esse era o Harry que ele estava aprendendo a gostar.
Harry começou a comer com mais entusiasmo ignorando as pessoas a sua volta e lembrou-se de sua decepção por não conseguir cumprir a lição, apesar de entender a explicação teórica que McGonnagall fizera. Ele comentou isso com Terry que concordou, pegando um pouco de sorvete de sobremesa, viu Harry se servir de um grande pedaço de torta de caramelo.
— Sim, eu também entendi a teoria, mas não acho que isso é o suficiente as vezes, primeiro acho que é normal que ninguém consiga na primeira aula, estamos afinal nos acostumando a usar nossa magia. Hermione foi uma exceção porque como eu disse ela é muito inteligente, não sei como ela não está na Ravenclaw com a gente, ou ela tem um talento natural em Transfiguração.
— Faz sentido, quer dizer ela disse que decorou os livros e eu também os li, mas posso dizer que não os sei de cor. — Disse comendo sua torta, era muito boa, a melhor sobremesa que já experimentara. — E acho que entendi porque ela foi para a Gryffindor. — Comentou Harry, explicando seus pensamentos e teorias sobre os critérios do Chapéu Seletor durante a classificação. Terry, ele observou, parou por quase um minuto inteiro para processar essa nova informação, com a colher para o alto o sorvete de morango derretendo e pingando, enquanto isso Harry decidiu se servir de mais torta de caramelo.
— Claro, — disse o garoto, engolindo o sorvete antes que fizesse mais bagunça, depois de engolir, ele olhou para Harry com expressão admirada por aprender algo novo — isso faz todo o sentido, não é apenas sua personalidade ou suas habilidades, mas o que você quer para si mesmo ou acredita que quer. E provavelmente o chapéu leva todas essas coisas em consideração.
— Sim, foi com isso que eu contei e fiquei aliviado por ser assim. E é por isso que Hermione está na Gryffindor e eu na Ravenclaw. — Disse comendo o resto da sua torta. Olhando para o relógio viu que tinham 15 minutos para caminhar até a estufa 1, esperava ser tempo suficiente.
— O que quer dizer? Você pediu ao Chapéu para te mandar para a Ravenclaw? — Perguntou enquanto também se levantava e pegava mochila. Os dois começaram a caminhada para a saída na direção dos jardins como indicado em seus horários.
— Não, — disse Harry um pouco constrangido. — pedi a ele que me colocasse na casa que me ajudasse a me tornar um grande bruxo, mas que também me permitisse fazer amigos. Pensei, sabe, que meus pais, se estivessem aqui, iam querer isso para mim. — Eles chegaram aos jardins e se deslocaram para traz do castelo na direção das estufas, Harry olhou para longe na direção do lago, tentando esconder seu rosto levemente corado. Depois continuou explicando sobre o raciocínio do Chapéu, que na Slytherin ele não faria amigos, e que era a Ravenclaw que o ajudaria a alcançar seu potencial.
"E foi aí que eu tive sorte, porque ele desconsiderou o fato de que não sou tão inteligente, porque eu queria aprender e ter conhecimento. "
_ Hum... acho que você entendeu essa parte errado Harry, porque não acredito que só querer estar em uma casa é suficiente, se você não apresentar algumas das características e habilidades desta casa. Tome Hermione como exemplo, ela é material Ravenclaw todo o caminho, mas queria, por suas próprias razões, estar na Gryffindor, só que se ela não tivesse coragem e bravura em si mesma duvido que o Chapéu a colocaria nessa casa. E o mesmo acontece com você, o Chapéu percebeu que a Ravenclaw era a casa que iria potencializar sua inteligência e não o limitar como as outras duas ou te deixar solitário como a Slytherin faria. Em nenhum momento ele disse que você não era inteligente o suficiente para estar Ravenclaw.
Nesse momento eles chegaram as estufas e pararam sem saber qual era a 1, e Harry ficou meio desconcertado sem saber o que responder ao amigo. Seu primeiro instinto era dizer que Terry estava errado, que ele, Harry, não era nada de especial, muito menos suficientemente inteligente para estar na Ravenclaw. Mas o raciocínio do garoto moreno era muito claro e não lhe dava abertura para argumentar.
Antes que ele pudesse tentar encontrar um argumento, o garoto pálido da loja de vestes de Madame Malkin se aproximou olhando para Harry com um interesse muito maior do que revelara no Beco Diagonal. Harry se lembrava, da classificação, que seu nome era Draco Malfoy e ele fora para a Slytherin, a casa com quem sua turma dividiria as aulas de Herbologia.
— Meu pai me disse que você vinha para Hogwarts este ano. Bem-vindo de volta ao Mundo Magico. — Disse ao se aproximar e apontando para os dois garotos altos e troncudos que o ladeavam como guarda costas, acrescentou — Estes são Crabbe e Goyle, e eu sou Malfoy, Draco Malfoy. — Apresentou-se, estendendo a mão para cumprimenta-lo. — Como lhe disse no Beco, no Mundo Magico existem famílias melhores que outras, algumas nem deveriam estar aqui, e como você cresceu no Mundo Trouxa, — zombou com obvio desprezo — talvez você não saiba a diferença. Posso te ajudar com isso, afinal você não vai querer fazer amizade com as famílias erradas.
Esse era, pensou Harry, um momento onde ele deveria pensar bem antes de agir, sua primeira reação seria atacar de volta as palavras, obviamente, preconceituosas contra trouxas e nascidos trouxas e indiretamente a sua mãe. Mas ele não queria começar uma discussão e fazer um inimigo, isso não seria nada inteligente e deporia contra a sua casa. Ao mesmo tempo Harry sabia que nunca poderia ser amigo de alguém com esses pensamentos e com comportamento que o lembrava tão fortemente o seu odiado primo.
Assim, dando um passo à frente, apertou a mão de Malfoy, que abriu um sorriso arrogante e presunçoso.
— Prazer em conhece-lo Draco, e obrigada por suas boas vindas. — Disse sorrindo levemente, depois deu um passo para traz e deixou cair seu braço em seu lado, antes de continuar. — Quanto ao seu oferecimento de orientação ao nosso Mundo, eu agradeço, mas vou ter que decliná-lo. Eu realmente cresci com parentes trouxas, mas seu pai e você devem ter sido mal informados ao supor que não fui orientado sobre minha herança bruxa. Pelo contrário, fui muito bem ensinada e sei quais famílias os Potters se relacionam e quais não. E, claro sendo o último Potter tenho total intenção de honra-los, inclusive minha mãe, que, segundo me informaram foi uma das melhores alunas que Hogwarts já teve. — talvez estivesse exagerando um pouco, mas Draco não teria como contesta-lo, e percebendo que um pequeno grupo de espectador das duas casas se formara em volta da conversa decidiu devolver a Draco um pouco de sua própria arrogância — Infelizmente, sei que minha família não se relaciona com a sua, mas como você é o herdeiro da sua família, assim como eu da minha, podemos é claro mudar esse triste fato, desde que, obviamente os Malfoys estejam dispostos a deixar esses velhos preconceitos tolos para traz, onde é claro deveriam estar. — Ele encerrou com um sorriso contrito, deixando claro o privilegio oferecido pela família Potter a família Malfoy.
Depois olhou em direção a professora que caminhava apressadamente na direção dos alunos. Para Harry, ela não poderia ter chegado em hora melhor.
— Agora se você me der licença Draco, nem eu nem meus colegas Ravenclaws queremos nos atrasar para a aula de Herbologia. — E aproveitando-se da expressão estupefata na cara do garoto pálido, Harry se desviou dele e de seus amigos e seguiu na direção onde a professora Sprout os esperava em frente a uma das estufas. Para sua alegria o efeito de suas palavras ficou ainda melhor quando um a um, seus colegas Ravenclaw o seguiu, Harry os observou discretamente, esperando olhares reprovadores, mas para sua surpresa todos, até mesmo Michael lhe lançaram expressões de aprovação. Eles devem ter ouvido as tolices que Malfoy estava alardeando, supôs, e não pode deixar de se sentir feliz pelo apoio dos colegas, ao se colocar diante de Sprout.
Quando entraram na estufa com a Prof.ª tagarelando sobre o importante trabalho que fariam durante o ano, Harry viu a expressão eufórica de Terry, não para a professora, mas em sua direção. Quando pareceu que ele não ia aguentar e falaria algo, Harry sinalizou que não, e depois falariam, e acrescentou apontando para a professora. Isso pareceu desperta-lo e seu amigo se endireitou, assentiu e começou a prestar atenção na aula. Aliviado que Terry não diria nada que poderia desmascara-lo diante dos alunos Slytherin, principalmente Draco, que do outro lado da estufa, ainda olhava para ele, com uma expressão estranha, meio desconfiada, meio zangada. Harry já vira essa expressão em seu tio algumas vezes, quando ele acreditava que Harry fizera algo errado, mas não podia provar para assim ter a satisfação puni-lo.
Harry não sabia o que esperar das aulas de Herbologia, imaginou que como envolvia magia seria interessante, mas ao fim da aula percebeu que na verdade era apenas uma versão um pouco melhor da jardinagem que fora obrigado a fazer nos Dursley e da qual nunca gostara. A diferença é que cuidariam de plantas magicas.
Enquanto caminhavam apressadamente para aula do Prof.° Flitwick, olhou nos horários e percebeu que três vezes por semana iriam para as estufas de plantas atrás do castelo aprender como cuidar de todas as plantas e fungos estranhos. Não muito animado, pensou que a única coisa que ajudava a aula seria descobrir para o que cada um deles seriam usados, principalmente, na fabricação de poções. A verdade é que Poções, assim como Defesa Contra as Artes das Trevas, era uma das matérias que estava ansioso para começar a aprender. Mas ao olhar de novo o horário percebeu que só teriam poções na sexta-feira, e DCATs teriam na quinta.
Assim que eles entram na sala de Flitwick com todos os Ravens, se deu conta que aquela aula seria com os Gryffs mais uma vez, ao ver Hermione de novo a única pessoa na sala. Harry parou um pouco perdido, sem saber o que fazer, seu primeiro instinto era evita-la, mas lembrando-se do que Terry lhe disse, percebeu que sua curiosidade era normal, e sendo ela de origem trouxa teria ainda mais perguntas, não muito diferente de como ele se sentia.
Assim caminhou até perto dela e se sentou ao seu lado, Terry que ficara parado esperando para ver o que ele ia fazer sorriu animado e sentou-se atrás de Hermione. A garota que estava lendo o livro de Feitiços que sabia de cor, olhou para cima, mais uma vez parecendo surpresa.
— Oi Hermione, não tive tempo de responder sua pergunta mais cedo. — Disse Harry tentando manter o tom leve e baixo.
— Oh... — Disse e corou um pouco, o que levou Harry a adivinhar que ela percebera que sua pressa ao deixar a sala de Transfiguração fora para evita-la e suas perguntas. — Bem, depois da aula eu percebi que na verdade eu nem dei a chance de vocês se apresentarem direito no trem, eu estava tão nervosa e não consegui parar de falar. Então, bem não foi muito justo de mim ficar chateada. — Completou um pouco envergonhada.
— E, — disse Terry sorrindo — para ser justo com o Harry foi eu quem o apresentou apenas como Harry, e não ele e, eu fiz isso de proposito porque eu sabia que as pessoas reagiriam ao saber quem ele era. Ele já havia me dito que queria ser tratado de maneira normal e eu achei que pelo menos no trem ele merecia uma folga, já que aqui na escola isso seria impossível. — Terminou com o rosto mais sério.
— Oh... faz sentido, desculpa ter reagido daquele jeito Harry, não tinha pensado que talvez você não gostaria de ser apontado sobre os livros e tal. — Hermione parecia sincera e meio perdida como se não soubesse muito bem como agir a partir daqui.
— Tudo bem, apenas tudo isso é novo para mim como é para você sabe, eu cresci no mundo trouxa e como você só soube que era um bruxo quando recebi minha carta. — Disse tentando controlar seu temperamento, mas ao mesmo tempo deixar claro como se sentia sobre isso, se ela quer ser sua amiga teria de entender. — E toda essa bajulação sobre essa história de herói me irrita, porque para mim só me lembra do fato de que meus pais foram assassinados. Eu entendo, — disse respirando fundo, e se acalmando um pouco. — pelo que Terry disse foi um grande acontecimento, o fim da guerra e tudo, mas para mim foi algo horrível e não vou ficar fazendo festa ou usando essa fama estupida.
Houve um silencio estranho entre os três, olhando-os constrangido Harry achou que falara demais, mas a expressão dos dois não era de pena, em Terry havia seu sorriso característico de apoio e Hermione parecia dividida entre chorar e abraça-lo, além de ter uma pontinha de admiração. Harry corou e olhou para baixo, mas neste instante Prof. Flitwick entrou na sala animado e saltitante. Todos se endireitaram olhando para frente e fazendo silencio, enquanto conversava com Terry e Hermione os outros Gryffs haviam chegado. Entre eles Harry viu Neville, que estava sentado sozinho e parecia-lhe um pouco triste e perdido.
Sabendo que seu chefe de casa era um ótimo professor e que este era um assunto em que sua mãe se destacara Harry estava particularmente animado, mas logo descobriu que haveria muita pouca magia na aula de hoje. Além da apresentação do conteúdo ele passou o resto da aula falando sobre a teoria magica, sobre o núcleo magico e porque a escola começava aos 11 anos e não aos 7 ou 9 anos. Ele destacou e falou diversas vezes sobre a intenção por traz do feitiço, não importa o poder, você tem que querer realizar a magia. Foi tudo muito interessante, mas ele não teve que olhar para Terry para saber que ele já aprendera tudo isso em casa nas aulas que sua mãe lhe dera sobre a Teoria Magica.
Ainda assim ele anotou tudo e se sentiu muito mais um bruxo ao fim da aula mesmo sem ter realizado uma única mágica. Quando o professor os dispensou, Harry deixou a sala aliviado, ele sobrevivera ao primeiro dia de aula e não fora tão difícil. Na verdade, prestar atenção, se concentrar e entender as aulas fora muito mais fácil do que pensara que seria. Ele podia fazer isso, pensou com um sorriso.
Terry e Hermione saíram à sua frente conversando sobre a aula, Harry não pode deixar de sorrir para a estranha semelhança entre os dois ao tagarelarem rapidamente, sorrindo animados com toda a teoria, e no caso de Hermione dando alguns saltos como se seu sapato ainda tivesse molas. Ele tinha a intenção de segui-los pelo corredor quando ouviu seu nome ser chamado, olhando para traz viu o garoto ruivo e alto, Weasley, olhando-o com um olhar meio descrente, meio admirado.
— Oi, eu sou Ron Weasley! — Disse animado estendendo a mão para cumprimenta-lo, um pouco atrás estava os outros dois Gryffindors, Thomas e Finnigan, lembrou-se enquanto apertava sua mão.
— Oi, Harry Potter — Disse sorrindo, pensando em como seria legal fazer mais amigos e em outras casas também como sugerira Prof. Flitwick.
— Sim, nós sabemos, estávamos falando mais cedo como deve ser legal, sabe, sendo famoso e tudo. — Disse ele animadamente e apontou para os outros garotos, Finnigan concordou sorrindo também, mas Thomas parecia apenas confuso e levemente constrangido. — Queríamos te perguntar, sabe se você realmente tem a cicatriz como dizem, — disse como se fosse algo especial, apontando para a própria testa — em forma de raio. E se você se lembra de você-sabe-quem, sabe, quando ele...
— Assassinou meus pais? — Interrompeu bruscamente, seu temperamento saltando a frente antes que pudesse se conter. Os três garotos imediatamente mudaram de expressão, Finnigan olhando com espanto, Thomas com ainda mais constrangimento e confusão, no caso de Weasley, seus olhos saltaram e seu rosto ficou tão vermelho quanto seu cabelo. — Não, — Continuou friamente e uma parte dele sabia que estava exagerando como naquela manhã, mas não conseguiu se conter. _ não me lembro de nada daquela noite, nem de Voldermort — Weasley e Finnigan guincharam e no caso do ruivo ele conseguiu saltar alguns metros para traz apavorado — matando meus pais.
— Você disse o nome dele! — Chocado Weasley gritou, tão pálido que suas sardas se sobressaíram.
— Você não pode dizer o nome! — Disse Finnigan quase ao mesmo tempo.
— Como eu disse, ele é o assassino dos meus pais, — enfatizou Harry para ver se eles entendiam o ponto da questão — portanto, acredito que ganhei o direito de chama-lo como quiser, inclusive por seu maldito nome. Agora se vocês me dão licença, tenho dever de casa para fazer.
E saiu pelo corredor sem olhar para traz, não se importava com o que pensassem, e com certeza não queria amizade com aqueles idiotas. Como eles ousam, agir como se ser famoso fosse legal e incrível e que Harry deveria exibir sua cicatriz como algum troféu ou como se ele fosse um animal no zoológico. Seus pais estavam mortos! Mortos! Assassinados por esse monstro que todos tinham tanto medo até de falar o nome, saltando feito meninas assustadas, mas agiam como se para Harry fosse algum evento incrível e heroico.
Ele estava tão irritado que caminhou para a Torre sem perceber e foi só quando parou em frente a porta lisa que percebeu que perdera de vista Terry e Hermione. Imaginando que Terry voltara para a sala comunal para começar o dever de casa, Harry resolveu entrar, lamentando que a conversa com os idiotas o atrasara para entrar com Terry, que com certeza saberia a responder à pergunta do bico da águia.
Suspirando Harry deixou o vapor da última raiva sair e olhou em volta esperando ver se algum colega de casa apareceria para abrir a porta. Ele estivera tão concentrado em sua raiva que chegara a entrada da Torre sem se perder, institivamente seguindo o caminho já gravado e incrivelmente familiar. Mas agora vinha a parte mais difícil pensou, e ele não era nenhum covarde para ficar o dia todo aqui esperando ser socorrido, não mesmo. Assim tomando coragem bateu na aldrava uma vez e esperou, o bico se abriu e a voz suave perguntou:
— O que pode passar diante do sol sem fazer sombra?
Engolindo em seco Harry é claro não sabia a resposta, e como da outra vez olhou em volta para alguém inteligente responder, mas não havia ninguém. "Eu posso fazer isso, " pensou, "se concentra, da outra vez você nem tentou, agora é só com você, se concentra. "
— O que pode passar diante do sol sem fazer sombra? Teria que ser algo invisível, mas o que poderia ser algo que não se vê, mas existe e não faria sombra? Hum, acho... acho que é o vento? — Sua resposta saiu mais como uma pergunta, mas foi o suficiente, pois o bico se abriu dizendo.
— Muito bem analisado. E a porta se abriu.
Aliviado Harry entrou e sorriu, ele conseguira, conseguira entrar sozinho. Foi neste momento que ele percebeu que estava no lugar certo. Ele era um Ravenclaw e nunca, ao observar a sala comunal cheia de estudantes silenciosos debruçados sobre seu livros e pergaminhos, se sentiu tão em casa.
