Capítulo 8

Pensando em outra coisa dita que não entendera completamente, Harry pegou mais um pouco de frango e batatas assadas, considerando que vinha comendo muito mais ultimamente e fazendo mais perguntas que fizera a vida toda. E não estava planejando parar, sorriu e pegou algumas vagens e cenouras a mais.

— Terry, tem algo que você e o Prof. Flitwick mencionaram, o termo meia raça. O que quer dizer? — Perguntou Harry, seu amigo terminou de mastigar e engolir antes de responder.

— Quer dizer exatamente isso Harry, meia raça, ou mestiços, nós somos considerados mestiços pela sociedade bruxa que insiste nesta classificação preconceituosa. Mas existem outros, como o professor que acredito deva ser meio bruxo e meio goblin. Além dos goblins, tem também as veelas, há os centauros, lobisomens, vampiros, sereianos. São todos seres sencientes que são classificados pelo Ministério como criaturas, alguns como criaturas escuras, como o lobisomem, por exemplo. E claro se houver um cruzamento como o do Prof. Flitwick ou como o nosso, somos classificados como meia raça.

— E isso é possível? Quer dizer cruzamento entre tantos seres sencientes diferentes?

— Eu não sei Harry, essa ideia é tão reprimida e perseguida que não acredito que haja muitas meias raças, ou se há eles ficam bem quietos. Os mais comuns somos nós é claro, e as meias veelas, sei que não é incomum também você ter sangue de algum antepassado vampiro. Os centauros e os sereianos não se misturam ou confiam nos bruxos e os lobisomens são tão perseguidos, as leis contra eles os tratam como animais raivosos. Eles se transformam em lobos apenas na lua cheia, mas são impedidos no resto do mês de conseguir emprego e ter uma vida normal. Quanto aos goblins, eles normalmente não se misturam com bruxos também, mas existem exceções, obviamente.

Harry concordou e terminando sua sobremesa olhou para a mesa dos Gryffindors e se deparou com o olhar fixo de Hermione, observando que Terry também terminara, sinalizou para ela que se levantou rapidamente e puxou o pobre Neville que ainda não terminara sua torta de caramelo. Harry teve pena do garoto, a torta de caramelo estivera especialmente boa hoje.

Os quatro se encontram na saída do Salão Principal e começaram a subir a escadaria de mármore no saguão. Harry tinha um objetivo em mente, lembrando-se das orientações de seu chefe de casa.

— As coisas que temos que lhes contar são muito importantes, Prof. Flitwick não quer que fiquemos de fofoca sobre tudo isso pelo castelo. — Afirmou Harry, seriamente.

— Podemos encontrar uma sala de aula vazia. — Sugeriu Hermione friamente. Obviamente ainda estava chateada com o que acontecera mais cedo. Harry sacudiu a cabeça discordando, decidido a ignorar sua frieza, continuou a subir as escadas em direção a Torre.

— Em uma sala qualquer ainda poderiam nos ouvir, o lugar mais seguro é na nossa torre, lá teremos privacidade e os poucos ouvidos são confiáveis. — Disse quando finalmente terminaram a subida na escada estonteante e pararam em frente a porta lisa.

— Mas Harry, não podemos entrar na sala comunal de outra casa. Isso vai no meter em problemas! — Exclamou Hermione chocada.

— Quem disse? — Questionou Harry. — Estamos em Hogwarts a 4 dias e não ouvi ninguém dizendo que era proibido, ou contra as regras. Vocês são nossos amigos e precisamos de um lugar para conversar seriamente, assuntos sensíveis, assim vamos falar onde é mais seguro. Temos um ótimo espaço de convívio, e lembro de ouvir nosso chefe de casa que esse espaço era para nos conhecermos e fazermos amizade. — Concluiu ele encarando cada um, Hermione parecia apavorada, Neville perdido e Terry muito surpreso, mas ele se recuperou rapidamente e sorriu do seu jeito brilhante e animado.

— Você está certo Harry, não é contra nenhuma regra que ouvimos e se por acaso alguém falar alguma coisa vamos usar a recomendação que o Prof. Flitwick nos deu ontem. — Depois olhando para os dois Gryffindor reafirmou. — Está tudo bem pessoal, não vamos nos meter em encrenca.

Hermione e Neville se olharam e depois olharam para Harry e acenaram, Hermione ainda muito rigidamente.

— Tudo bem, se vocês têm certeza, qual a senha para entrar na torre? — Questionou retomando seu tom mandão.

— Nós não temos senhas, é assim na torre Gryffindor? Sim? — Diante dos acenos afirmativos ele sorriu malicioso. — Interessante, mas na Ravenclaw incentivamos o aprendizado a qualquer momento, assim... — se adiantou e bateu na aldrava, o bico se abriu e suavemente perguntou:

— O que nunca fala e nunca escuta, mas nos conta tudo?

Harry e Terry imediatamente começaram a pensar enquanto Hermione arregalava os olhos e Neville parecia horrorizado.

— Você quer dizer... — Neville gaguejou apavorado. — vocês têm que saber a resposta ou...

— Eles não podem entrar na torre! Claro! Isso é muito inteligente! — Hermione estava frenética e saltava em seus pés como se a sola tivesse mola. — Oh, seria tão legal se na nossa torre fosse assim, imagine, sempre que entramos na nossa sala comunal aprendemos algo!

Neville engasgou parecendo ainda mais horrorizado, e Hermione sorria maníaca.

— Eu nem consigo me lembrar das senhas, se tivesse que responder perguntas eu nunca entraria na torre, então não, muito obrigada. — Disse Neville timidamente.

Harry e Terry riram da reação dos dois.

— Bem vamos entrar, a resposta é... — Terry começou a dizer, mas foi interrompido por um grito.

— Eu! Deixa eu responder, por favor. — Exclamou a saltitante Hermione — Eu, eu, eu...

— Ok, vai lá. — Resignado e divertido Terry recuou deixando-a saltitar para a frente da porta.

— Ah, sim, o que não fala ou ouve, mas nos conta tudo, bem... é obvio. Um livro! — Exclamou triunfantemente.

— Muito bem colocado. — Disse o bico e a porta se abriu.

— Oh, eu acertei, — Hermione saltitou de novo batendo palmas animada — obrigada dona porta.

Harry assumiu o comando, se não ficariam ali o dia todo, e entrou gesticulando para que os outros os seguissem, haviam alguns alunos estudando e fazendo deveres, assim ele fez sinal de silencio e os levou para o fundo da sala onde se encontrava a porta que levava aos dormitórios. Neville e Hermione olharam para a sala com olhos arregalados, ela encantada com todos os livros e Neville com o silencio, na sala comunal da Gryffindor sempre havia barulho de conversa e para ele era difícil se concentrar em fazer os deveres.

Rapidamente eles subiram a escada para o primeiro corredor e no fim dele chegaram a sala de convívio. Os dois Gryffindors olhando em volta, Hermione não pode deixar de sentir inveja pelos quartos individuais, ela dividia o dormitório com duas meninas muito faladeiras e risonhas, que acabavam deixando-a acordada até tarde.

— Aqui nós podemos conversar sem problemas. A sala comunal é apenas para estudo e treinamento, cada andar da torre tem um ano hospedado e tem sua própria sala de convívio. Aquela porta, — disse Harry apontando para a porta na parede no fim da sala. — Leva aos dormitórios das meninas do nosso ano, elas também têm uma sala de convivência, mas a porta nos permite nos visitarmos a vontade.

— Mas vocês podem ir até o lado das meninas!? — Perguntou Neville surpreso.

— Sim. — Respondeu Terry seriamente. — Mas não podemos entrar em seus quartos e nem elas nos nossos, mas as salas de convívio e corredores é livre.

— Legal, e a sala comunal para estudar é muito legal também, as vezes tenho dificuldades de me concentrar nos deveres em nossa sala devido ao barulho. — Acrescentou Neville cabisbaixo.

— Sim, essa separação é muito inteligente, na nossa torre é tudo junto e as vezes é impossível estudar com toda a balburdia. E o mais interessante são os quartos individuais, seria incrível, eu divido meu dormitório com duas garotas muito barulhentas. — Reclamou Hermione enquanto olhava em volta para a convidativa sala.

— Ainda bem que vim para a Ravenclaw então, teria dificuldade de me concentrar nos estudos com muitas distrações. — Disse Harry aliviado. — Vamos nos sentar então e posso contar a vocês o que aconteceu ontem na aula de poções, peço que vocês sigam nosso exemplo e não comentem o que vamos lhe contar pela escola entre si ou com outros alunos. Claro que se vocês quiserem podem contar para algum amigo da casa de vocês em quem confiem, mas sejam discretos, por favor.

— Eu não tenho amigos na Gryffindor, e prometo não falar para ninguém. — Disse Neville solenemente.

— Ninguém da torre do nosso ano fala comigo também, eles não se interessam muito por estudar e, bem, eu sim e é por isso que prefiro ficar com vocês dois depois das aulas.

Harry concordou sentindo-se um pouco mal pelos dois, Neville, pensou, seria muito tímido para Weasley e seus amigos e Hermione teria dificuldades em fazer amizade com meninas risonhas e faladeiras que não se importam muito com os estudos. Ele teve sorte, pois não só encontrara um bom amigo em Terry, mas também tinha uma casa que oferecia muito apoio e condições de estudo e amizade.

— Bem, — disse Hermione rigidamente. — Este é um bom momento para vocês nos contarem o que aconteceu na aula de poções ontem? Ou temos que esperar mais alguma coisa?

Harry suspirou sabendo que teriam que resolver esta questão antes de mais nada. Neville sem entender nada, olhou confuso e surpreso com o tom de Hermione. Mas foi Terry que reagiu mais fortemente, sem muita mais paciência para aguentar as péssimas maneiras da garota. Ele tentara muito, ser educado e paciente, sua mãe o alertara de como ansioso e perdido uma criança que vinha do mundo trouxa estaria. Mas os últimos dias foram difíceis para todos e ela estava além da falta de educação.

— Nós vamos começar quando você deixar de lado essa chateação sem sentido. Eu não estou afim de passar várias horas com alguém que vai fazer bico e drama por qualquer coisinha. Eu sei que os últimos dias tem sido bem complicados, chegando a Hogwarts e todas as aulas, se adaptando a tantas coisas novas, mas isso não justifica sua falta de consideração. — Disse Terry rispidamente, Harry nunca vira o animado e alegre garoto tão zangado. — Harry lhe disse muito claramente ontem que contaria o que acontecera na aula, hoje, e pela manhã quando você de maneira muito mal-educada, devo acrescentar, cobrou explicações dele, Harry com muita mais paciência que qualquer um teria, justificou para você o motivo que o fez se calar ontem e marcou um tempo para conversarmos. E aqui estamos, mas ao em vez de ser compreensiva, como fomos com você em diversas ocasiões onde foi grosseira, você fica de cara amarrada.

Houve um silencio longo, Neville parecia querer ficar invisível e Hermione parecia querer chorar e Terry é quem estava de cara amarrada agora. Harry suspirou novamente, as coisas não estavam indo muito bem e ele nunca tivera amigos, não sabia o que fazer para resolver. Mas, pensou, talvez a verdade os ajudassem a chegar a algum lugar.

— Acho que primeiro devo dizer que me desculpe se te ofendi de alguma maneira Hermione, não foi minha intenção e não queria te esconder nada, apenas não queria falar naquele momento, até porque não tinha todos os fatos. Quero também me desculpar com você Neville, os últimos dias foram bem agitados e eu pretendia conversar com você e convida-lo para fazer o dever com a gente, mas sempre escorregava da minha mente. — Harry falou tranquilamente.

"Isso não foi muito legal e, quero aproveitar esse momento para dizer que Terry e eu pretendemos, além dos nossos estudos de preparação para as aulas e deveres de casa, fazer estudos independente em História, Defesa e Poções, devido aos péssimos professores que temos, e seria muito legal se vocês dois quisessem se juntar a nós. Esses são importantes assuntos e não podemos terminar o ano sem saber nada. "

Os dois Gryffindors olharam para ele de olhos arregalados de surpresa e Terry, entendendo o que Harry estava fazendo, suspirou, sabendo que sua mãe ficaria muito bravo com sua explosão.

— Eu também me desculpo, por minha desatenção com você Neville e também com minha grosseria Hermione, não é justo que eu fique cobrando de você que você não fique nos cobrando. Não faz o menor sentido e minha mãe estaria envergonhada dos meus modos. E seria muito legal se vocês quisessem estudar com a gente, vamos começar hoje, com Defesa. — Concluiu Terry envergonhado.

Hermione fungou e olhou para baixo, suas mãos nervosamente alisava a saia das vestes e tomando coragem disse baixinho:

— Minha mãe também. — Pigarreou e mais alto continuou. — Minha mãe também estaria envergonhada dos meus modos. Desde o trem, na verdade, eu tenho estado muito ansiosa e sido muito grosseira com todos vocês, e Neville eu também me desculpo, estar ocupada e sobrecarregada com a escola não é desculpa para te deixar de lado e sendo nós dois da mesma casa, isso se torna ainda pior. — Respirando fundo ela olhou para o Harry com respeito e acrescentou. — Me desculpe por ter falado com você daquela maneira de manhã, Terry está certo, não foi justo. E obrigada por, apesar disso, vocês me convidarem para estudar juntos, eu aceito com prazer.

Houve outro silencio, mas agora mais leve e todos olharam para Neville que ainda estava surpreso com tudo e ao ser encarado por todos os outros três, corou timidamente.

— Claro que eu desculpo. — Disse ele desajeitadamente. — Não foi nada, eu também estive muito sobrecarregado com tudo, e eu nem sabia que ia receber minha carta. Minha família achava que eu era um aborto e ficaram muito felizes quando a carta chegou, eu fiquei tão aliviado por não ser um aborto que não tinha pensado em como seriam as aulas ou o castelo, sabe. — Encerrou Neville, ficando mais vermelho de constrangimento.

— O que é um aborto? — Perguntou Harry confuso.

— Um aborto é alguém que nasceu em uma família bruxa, mas não tem poderes mágicos. É o oposto dos bruxos nascidos trouxas. — Disse Hermione em tom de fato, como se tivesse lendo o trecho em um livro e, pensou Harry, levando em conta sua capacidade de decorar livros, provavelmente era isso mesmo. — Mas pelo que eu li os abortos são bastante incomuns.

— E eles são, mas se uma criança demora a apresentar alguma magia acidental, as famílias claro começam a temer que ela seja um aborto. — Disse Terry em seu jeito amável de professor. — Só quando a carta de Hogwarts chega eles têm confirmação de que a criança é um bruxo ou bruxa.

Todos olharam para Neville, que não acostumado a ser o centro das atenções, tentou explicar.

— Bem, eu nunca fiz magia acidental e minha avó e meu tio Algi pensaram que eu era um aborto, então ele teve a ideia de me forçar a recorrer a magia me pegando desprevenido. Ele me empurrou pela borda de um cais uma vez, mas quase me afoguei. E quando eu tinha oito anos, meu tio Algi veio tomar chá conosco e tinha me pendurado pelos calcanhares para fora de uma janela do primeiro andar, quando a minha tia avó Enid lhe ofereceu um merengue e ele sem querer me deixou cair. Mas eu desci flutuando até o jardim e a estrada. Todos ficaram realmente satisfeitos. Minha avó chorou de tanta felicidade. E vocês deviam ter visto a cara deles quando entrei para Hogwarts. Achavam que eu não era bastante mágico para entrar, entendem. Meu tio Algi ficou tão contente que me comprou Trevor. — Neville contou a absurda história com obvia satisfação e Harry decidiu não estourar sua bolha, até porque ele parecia pensar que tudo era bem normal.

Quando viu Hermione abrir a boca parecendo indignada, Terry a chutou na canela sinalizando negativamente.

— Que bom que você é um bruxo e pode vir para Hogwarts Neville, e sorte que você não se machucou nem nada, mas você sabe que existem outras maneiras mais modernas de se testar uma criança para constatar se ela é um bruxo. Minha irmã Ayana é bem temperamental e sempre está, acidentalmente, fazendo magia, mas meu irmão Adam, — Terry sorriu carinhosamente ao falar de seus irmãos. — Ele é todo calmo e tranquilo, nada tira ele do sério, e nunca tinha feito magia acidental. Meus pais também pensaram que ele pudesse ser um nascido bruxo, que é a terminologia mais correta, ou pelo menos a com uma carga menor de preconceitos. Então, eles o levaram para o St. Mungus, o hospital bruxo e o Curandeiro infantil o examinou rapidamente e descobriu que ele é um bruxo e explicou que magia acidental está ligado a emoções. Quer dizer, agora estamos aprendendo a intencionalmente usar nossa magia, mas quando somos mais jovens são fortes emoções que dispara nossa magia, raiva, medo, desejo. Ele disse que muitas crianças como Adam, tem temperamento tranquilo e não precisa dessa magia emocional.

Hermione estava adorando as coisas novas que estava aprendendo e parecia louca para começar a fazer perguntas e anotar, e Harry por mais que considerasse o assunto interessante decidiu voltar ao motivo do encontro deles. Isso era mais importante no momento.

— Que bom que Adam é um bruxo também Terry, você nunca disse a idade dos seus irmãos, quando eles estarão com a gente aqui na escola? — Perguntou Harry, não permitindo as torrentes de perguntas que estavam escritas no rosto de Hermione.

Terry percebeu o que Harry estava fazendo e com um olhar divertido, respondeu:

— Eles tê anos, vai demorar para virem para Hogwarts, Ayana vem primeiro daqui a quatro anos, nós seremos 4º ano então e Adam dois anos depois, quando estivermos no 6º ano. — Terry informou e rapidamente acrescentou. — Agora acho melhor nos concentrarmos no que viemos conversar aqui, temos que contar tudo antes do jantar e eu sei que o Harry ainda quer que estudemos Defesa.

Harry assentiu e olhou para Neville.

— Eu também tive problemas com Snape ontem na nossa aula Neville, na verdade tudo o que aconteceu de manhã o deixou furioso e acho que ele descontou nos Gryffindors, em você especialmente e eu lamento por isso. Se você quiser procurar sua chefe de casa e contar o que aconteceu, posso acompanha-lo. — Disse Harry firmemente.

— Bem Harry, eu não quero causar confusão, além disso foi minha culpa que eu fiquei todo atrapalhado e não fiz minha poção corretamente e não sua ou do Prof. Snape. — Disse Neville tristemente. — A verdade é que mesmo que eu não seja um aborto, não sou muito mais que um, eu não sou um bom bruxo e não acho que reclamar vai mudar isso.

Suas palavras ficaram pairando tristemente no ar até que Hermione fungou outra vez e Terry olhou para Harry em busca de liderança. Harry engoliu em seco e olhou para Neville tentando encontras as palavras certas.

— Sabe Neville, quando Hagrid foi levar minha carta de Hogwarts, eu não sabia que era um bruxo e minha primeira reação foi dizer que ele devia estar errado, que eu não podia ser um bruxo, que eu não tinha nada de especial. Mas o fato é que eu sou um bruxo, e talvez eu nunca seja um bruxo poderoso como Dumbledore, mas ainda vou tentar ser o melhor que eu puder e não vou deixar ninguém me impedir. Nem meus parentes ou colegas ou professores e nem eu mesmo. Eu devo ao menos tentar e me esforçar ao máximo, aos meus pais e aos Potters que já viveram. Aqui, tirando o Terry nenhum de nós sabia que ia receber a carta que nos permitia sermos bruxos, mas não podemos deixar que isso signifique que não seremos o melhor que podemos ser. — Harry falou tudo com voz firme e Neville o ouviu de olhos arregalados e quando Harry lhe falou sobre seus pais, ele abaixou a cabeça se sentindo envergonhado, ele, Neville também devia aos seus pais pelo menos tentar. — Se você estiver disposto eu e, tenho certeza que Terry e Hermione vamos te ajudar, na verdade, acredito que todos podemos ajudar uns aos outros. Podemos nos preparar para as aulas, fazer os deveres e os estudos independentes juntos.

— Harry está certo Neville, eu nesses primeiros dias não fui melhor que a Hermione em Transfiguração ou que o Harry em Feitiços, mas isso não vai me impedir que tentar ser o meu melhor. Não é uma questão de competição, sabe, sobre quem é melhor ou mais poderoso, é sobre sermos os melhores bruxos que podemos ser, dar o nosso melhor, aprender bastante e fazermos coisas boas com nossos dons. — Afirmou Terry intensamente.

— Sim Neville, eu estava muito preocupada com ficar para traz das crianças que se sabiam bruxas a vida toda, e tenho lido tudo quanto é livro de referência que posso pegar. E eu fiquei chateada quando o Harry foi melhor que eu em Feitiços, mas depois entendi, conversando com os dois, que alguns serão bons em todos os assuntos, na média. Mas outros serão incríveis em alguns assuntos, virá naturalmente para ele, como eu em Transfiguração e Harry em Feitiços, isso não quer dizer que eu não possa ser o meu melhor em Feitiços, apenas talvez, eu não seja tão boa quanto ele. E talvez você não seja tão bom em poções, mas Neville ninguém até agora foi tão bom em Herbologia, Prof.ª Sprout está apaixonada por você, não se esqueça disso. — Hermione finalizou com seu tom mandão, mas o efeito se perdeu quando a voz se embargou.

Desta vez o silencio foi mais longo, Neville não conseguia falar, pois estava emocionado, assim como Hermione. Harry e Terry esperaram eles se acalmarem antes de Harry contar o que acontecera na aula de Poções. Os dois Gryffindors eram bons ouvintes, ainda que Hermione teve que ouvir a voz dura do Harry dizer, "Não vou chama-lo de professor Snape, Hermione, pare de tentar me dizer o que fazer. ", para então se calar e ouvir com atenção. Quando chegou a parte em que Harry o enfrentara Neville olhou como se ele fosse louco ou um gênio, Hermione até queria repreende-lo, mas depois da tirada de antes se calou.

— E foi quando o Prof. Flitwick disse que se alguém não quisesse saber das informações ou ir contra uma ordem do Diretor podia sair, assim se vocês não quiserem saber está tudo bem, diremos só o que o próprio Diretor vai dizer após o jantar hoje à noite. — Disse Harry e depois aguardou em silencio.

Neville estava chocado ao perceber que Snape não o tratara assim apenas porque ele errara, na verdade ele tratava mal todos que não eram Slytherin e isso era muito injusto, mas o pior para ele era o professor de poções ofender o pai do Harry. A verdade é que mesmo que se achasse um covarde, sabia que ficaria furioso se alguém ousasse falar alguma coisa contra seus pais. Assim ele queria entender, e se preparar para as próximas aulas, não apenas lendo o livro, mas também conhecendo melhor o homem que o ensinará por 7 anos.

Para Hermione o conflito era maior, ir contra um grande bruxo como o Diretor, mas também não discordava do discurso do professor de Feitiços, não saber os impedia de entender. Ela adorava aprender e lhe parecia que não permitir que eles compreendessem o que, porque e como, contrariava a função de uma escola. Assim depois de refletirem os dois concordaram em saber tudo.

As exclamações ficaram ainda mais alta, principalmente, de Neville que estava furioso em saber que um comensal da morte lhe daria aulas e ainda podia ataca-lo e a outros depois do que acontecera com seus pais. A amargura que sentiu em direção a Dumbledore deixou um gosto ruim em sua boca. Para Hermione tudo era chocante, ainda que ela pensasse que o Diretor tinha seus motivos para ter Severus Snape ensinando, mas mostrando um comedimento inesperado, se calou ao ver a raiva nos três garotos, talvez depois poderia convence-los, decidiu.

A última parte sobre as mudanças trouxe alegria e alivio aos dois, Hermione porque isso lhe parecia mais justo e Neville porque percebeu que se esforçasse para fazer um bom trabalho, suas notas dependeriam apenas deste esforço e não de um comensal da morte.

— Bem é isso. — Finalizou Harry, estava com a garganta seca, assim foi até uma mesinha na sala onde havia um bule e xícaras para o chá. Pegando uma xicara, apontou sua varinha e disse — Aguamenti. — Assim que a xicara estava cheia, bebeu, encheu mais uma vez e bebeu tudo outra vez. — Delicia, estava sedento.

Hermione olhou meio abobada como se nunca lhe ocorrera usar esse feitiço para algo tão simples e útil. Neville olhou com vontade, ainda não dominara esse feitiço. Terry estava divertido e também com sede copiou o amigo e depois pegou uma xicara para Hermione e Harry uma para Neville.

— Bem agora temos que esperar para ver o que mais o Diretor vai dizer e como vamos nos adaptar as mudanças. — Disse Terry pensativo.

— Minha maior preocupação é que quando não puder me atacar Snape ataque outros alunos, principalmente meus amigos. Por isso queria que vocês soubessem tudo o que aconteceu e porquê. Vocês têm que estar preparados e se for necessário procurar ajuda dos nossos chefes de casa, tenho certeza que tanto quanto Flitwick nos apoiou, McGonnagall não faria diferente. — Disse Harry preocupado.

Os três amigos assentiram, mas Harry ainda viu alguma hesitação em Hermione e Neville, suspirando disse a si mesmo que fizera o que era possível, mas a verdade é que assim como não queria ninguém lhe dizendo o que fazer, não podia sair dizendo para eles que fizessem isso ou aquilo.

Logo depois eles desceram a sala comunal, com Harry e Terry pegando antes suas mochilas, como não tinham muito tempo eles decidiram estudar ali mesmo e dividiriam os livros, ao em vez de os Gryffs irem até sua torre pegar seus materiais.

O assunto interessava muito Harry que naturalmente assumiu a liderança explanando sobre as partes mais interessantes e importantes. Quando falou sobre a importância de conhecer a fauna magica, suas características e como combate-las, Hermione imediatamente o interrompeu.

— Mas eu li que eles não são perigosos! — Exclamou indignada.

— Bem na teoria eles não são, mas a verdade é que poderia ser fatal tanto encontrar um dragão como ser mordido por umas 20 ou 30 Doxys. Elas são venenosas e estão sempre em grupos grandes em lugares inesperados, escuros, antes que perceba elas te atacam. Combate-las é bem simples, mas temos de aprender o simples, o que adianta se aprendemos a nos defender de ataques mortais, mas não sabemos como afastar os Grindylow. — Afirmou Harry seriamente e os três colegas assentiram.

Depois Harry falou sobre as maldições simples que o livro ensinava e seu objetivo.

— O autor diz que como somos 1º anos não podemos, obviamente, lutar ou vencer uma luta, mas podemos distrair o oponente para fuga e esconderijo e claro para pedir ajuda se possível. Assim ele ensina algumas maldiçoes bem simples que vai nos dar essa vantagem, e em alguns casos uma pequena vantagem poderia nos salvar a vida.

Harry tinha um jeito de falar que cativava os outros três, vinha da sua segurança e também apreço pelo assunto. Quando passaram para a parte pratica ele pacientemente ensinou o feitiço e os movimentos de varinha, que para surpresa dos outros ele não precisou olhar no livro, tendo decorado naquela manhã. E apesar de não ter tentado nenhuma das maldições antes, afinal não tinha um alvo, ele não teve problema com nenhum deles naquele momento, acertando o pobre Neville com todos os seus muitos efeitos. Depois ele usou o Finite Incantatem para desfazer esses efeitos.

Neville foi quem mais teve problema, mas conseguiu sucesso o suficiente para se sentir animado, principalmente quando Terry lhe falou sobre a importância da repetição. Terry também se saiu muito bem, e Hermione veio logo atrás e incrivelmente não demonstrou chateação por não ser a melhor, se fosse perguntada, diria, de má vontade que o assunto lhe assustava um pouco. Para Harry nada do que fizera até então, mesmo Feitiços lhe pareceu tão fácil ou certo e ficou muito aliviado que o assunto que mais queria aprender era também o que ele fazia melhor.

O clima de estudo e camaradagem se manteve por toda a tarde, houve muitos olhares surpresos na direção onde o grupo estudava e treinava, nunca antes tinham visto Gryffindors na sala comunal Ravenclaw. Enquanto isso não era proibido ou contra as regras, era mais ou menos como uma regra não dita que crianças de uma casa não entravam nas outras casas. Mas como eles estavam bem-comportados e mais importante, estudando, ninguém reclamou ou interrompeu, fato que, indelevelmente, alterará a cultura de visitação das casas em Hogwarts no futuro.

Pouco antes do jantar Hermione e Neville foram para sua torre muito animados com seus novos amigos e todas as coisas novas que aprenderam. Enquanto eles se arrumavam para o jantar, Harry e Terry fizeram o mesmo. Harry depois de tomar banho e se vestir, olhou ansioso para a caixa que Edwiges lhe trouxera de manhã, mas olhando para o relógio percebeu que não teria tempo e não queria perder o jantar para o caso de o Diretor Dumbledore fazer algum anuncio antes.

Assim ele deixou para depois e junto a Terry desceu ao Salão Principal, assim que entraram perceberam pelo zunzunzum que algo estava diferente e ao se sentarem Lisa se inclinou e compartilhou o motivo.

— Prof.ª McGonnagall disse a pouco que ninguém deve deixar o salão, pois teremos alguns anúncios importantes depois do jantar. — Sussurrou ela, seriamente.

Prof.ª McGonnagall não precisou repetir o anuncio, pois ele se espalhou rapidamente entre os que entravam depois para o jantar e assim que o ultimo prato com as sobremesas desapareceram todos olharam com expectativa para a mesa alto. Os Ravenclaw já sabiam o que seria dito, mas estavam ansiosos para que fosse feito oficial, só assim estariam tranquilos.

Diretor Dumbledore parecia mais velho quando se levantou e sua postura cabisbaixa chamou a atenção dos alunos que imediatamente ficaram tensos, imaginando notícias ruins. Ele começou a contar sobre a mudanças, sem entrar em méritos do porquê, apenas alegando que é sempre bom para uma escola mudar e renovar. Quando ele terminou de explicar e decretar as mudanças nas avaliações das poções nas aulas de Poções, todos o encaram boquiabertos, até que os gêmeos Weasley da Gryffindor se levantaram e começaram a pular e gritar feito loucos. Isso pareceu liberar os outros alunos que se levantaram e começaram a comemorar com igual alegria. Bem três quartos dos alunos, a mesa Slytherin ficou sentada, a maioria chocada e muitos parecendo furiosos e claro o professor Snape sentado em sua cadeira na mesa alta parecia que queria matar alguém apenas com seu olhar enraivecido.

Os outros professores também se levantaram e bateram palmas, os chefes de casas, Flitwick, Sprout e McGonnagall eram os mais animados. O Diretor parecia meio chocado e ainda mais abatido, era como se nunca tivesse lhe ocorrido o quão verdadeiramente detestado eram as aulas de Poções.

Depois de quase 5 minutos finalmente Dumbledore exigiu silencio e explicou que no dia seguinte depois do café da manhã todos deveriam trazer seu caldeirão para que os professores Flitwick e Babbling os encantassem.

— Bem, muito bem. — Continuou Dumbledore mostrando, claramente, uma falsa animação. — Agora sobre as tomadas de pontos, nós, o corpo docente tivemos uma longa reunião hoje buscando maneiras de tornar as perdas ou ganhos de pontos mais justas. Alguns acreditam — o diretor olhou levemente na direção de Flitwick. — que esse é um sistema ultrapassado que deveria ser substituído, mas ainda acredito na validade de se punir ou presentear os alunos com pontos que levarão as suas casas a ganharem o Campeonato das Casas, devido ao seu bom comportamento e participação positiva em aulas. Assim o sistema será mantido, apenas com um adendo, nenhum professor dessa escola pode tirar ou dar mais do que 5 pontos em sala de aula por aluno, e não mais que 30 por ano. O que quer dizer é que em uma aula um professor não pode tirar de todos os alunos do ano daquela casa mais do que 30 pontos e não pode dar mais do que esses mesmos 30 pontos. Claro que diante de uma falta, vista como grave pelo professor, seja em aula ou pelos corredores da escola, será tratado de forma diferente. O professor levará o aluno até seu chefe de casa e apresentará a falta e os dois decidirão quantos pontos e quais detenções o aluno servirá.

Depois deste novo anuncio as casas Ravenclaw e Hufflepuff foram as que bateram palmas mais alto. Os Gryffindors não ligavam muito para bons comportamentos e pontos, com exceção de Hermione que parecia muito feliz. E os Slytherin estavam mais uma vez em silencio parecendo cada vez mais contrariados.

— Agora vejam bem, essas mudanças não estão sendo implementadas para apoiar a indisciplina e sim para incentivar a justiça, mas qualquer aluno pego rescindindo a quebra de regras ou cometendo uma falta grave não deixará de ser punido não importa quem seja ou em qual casa esteja. — Seu olhar serio se deteve por um instante nos gêmeos ruivos e depois se dirigiram para Harry, que imediatamente ficou tenso.

A sugestão de que Harry se aproveitaria de sua fama para fugir de punições era clara, e Harry teve que engolir a raiva, pois ele não fizera nada errado para merecer as punições de Snape. Olhando para seu chefe de casa viu que ele também estava furioso, seu rosto vermelho e seu olhar mortal se dirigia ao Diretor.

— Prosseguindo, os monitores e monitores-chefes ainda podem tirar pontos, mas façam com sabedoria e diante de verdadeira necessidade, estaremos mais atentos e qualquer um flagrado usando esse privilégio para alguma disputa pessoal ou rivalidade mesquinha entre casas, serão severamente punidos e perderão seus emblemas de monitor. — Dumbledore parecia muito sério e olhou sutilmente para a mesa Slytherin que, Harry observou, tinha os alunos mais velhos até pálidos, mas não de preocupação ou medo, e sim de fúria. — É isso, agora alunos prestem atenção as mudanças e vocês podem ir para a cama e tenham um bom domingo amanhã.

Assim que ele os liberou, o salão em peso se levantou e começou a deixar em direção a seus dormitórios. As conversas eram altas e animadas nos grupos de amigos, mas Harry ao se levantar não saiu do lugar e apenas observou a mesa Slytherin que estavam discutindo também, mas mais baixo e com palavras de raiva e contrariedade. Mas então, Snape desceu da mesa alta, seu manto negro voando a sua volta, lembrando um morcegão, e se aproximou de seus alunos e disse algo em tom cortante, que com todo barulho não deu para ouvir, mas foi o suficiente para calar a mesa toda.

Depois Snape seguiu em direção a saída, com um gesto ele sinalizou para os alunos, que o seguiram silenciosamente em direção as masmorras. Harry não precisava ser um Ravenclaw para entender que outra reunião se seguiria a essa, desta vez na sala comunal Slytherin.

Quando Harry e Terry finalmente chegaram a torre Ravenclaw, um grupo grande e animado estava comemorando, era obvio que o salão propicio para estudo se tornava facilmente um lugar de festa e comemoração quando necessário.

Harry ficou por um tempo e conversou com seus colegas 1º anos, Michael e Anthony estavam meio indignados de que o papel deles nas mudanças não foi divulgado para toda a escola pelo Diretor. Lisa apenas aliviada que suas marcas estariam no topo, Padma que rolou os olhos para a declaração de Lisa, disse que o mais importante é que os Slytherin também teriam suas poções avaliadas justamente, pois disse ela, "Aposto que as notas deles nas aulas de Poções não serão tão altas agora. " Morag parecia concordar com Padma, mas acrescentou, inteligentemente, que era melhor que os Slytherin não soubessem que eles eram responsáveis por isso ou tentariam se vingar.

Harry concordava com as duas meninas e não pode deixar de pensar que enquanto a participação de todos não foi divulgada a sua com certeza será por Snape para sua casa esta noite.

Quando algumas meninas do 2º ano vieram conversar com ele e começaram a dizer que ele era um herói e a dar risinhos, Harry achou que era um bom momento para se retirar e rapidamente, com o rosto corado, se despediu e subiu para o seu quarto. Foi só quando entrou e viu a caixa sobre a cama, percebeu que seu dia ainda não acabara. Ansiosamente ele vestiu seu pijama e subiu na cama, sentou sobre as cobertas e se apoiou na cabeceira.

Olhando a caixa com atenção tentou imaginar o que podia ter lá dentro, era uma caixa quadrada, não muito grande, não muito alta, embrulhada em um bonito papel azul. Não tinha laços como normalmente teria um presente, assim não era um presente, pensou. Hesitante e cuidadosamente ele desembrulhou a caixa, não queria rasgar o papel, feito isso ele dobrou o papel azul e o deixou de lado para guardar em seu baú. Colado no topo da caixa fechada havia um envelope azul com uma bonita letra escrita em bronze onde se lia:

Para: Harry J. Potter

De: Serafina M. Boot

Leia este primeiro Harry

Soltando um suspiro ansioso e com mãos nada firmes ele abriu sua primeira carta pessoal, dirigida a ele, Harry, não uma carta para todos os alunos ou um pequeno bilhete, que tão bons que foram, não tiravam a emoção e importância deste momento. A carta dobrada cuidadosamente em pergaminho creme tinha uma longa escrita em cor preta. Respirando fundo Harry começou a ler.

Caro Harry,

É com grande prazer que te escrevo essa cartae espero que essas poucas palavras lhe tragam bons sentimentos.

Antes de mais nada Parabéns por entrar na casa Ravenclaw, eu sou suspeita para afirmar, já que está era minha casa, mas acredito que não há lugar melhor para recebe-lo e prepara-lo para se tornar o grande bruxo que eu sei você está destinado a ser. Minha certeza vem das palavras de sua mãe, que tinha absoluta convicção do seu potencial, não apenas para ser um grande bruxo, mas também um grande homem e um belo ser humano. E acredite Harry, uma mãe sempre sabe.

Harry sorriu, e sentiu algumas lagrimas escorrer pelo seu rosto que ele limpou impaciente. Sua mãe realmente dissera isso dele? Engolindo em seco, decidiu continuar a ler.

Mas deixaremos sua mãe para falarmos no fim da carta.

Agora vamos falar sobre a carta de meu filho Terry para a casa. Não posso expressar o quanto me sinto feliz que vocês se tornaram amigos, mas também não posso expressar o tamanho da minha preocupação com o que ele me contou sobre você. Ele não deu muitos detalhes, mas suas preocupações com sua vida com seus parentes trouxas e seu desconhecimento sobre sua herança e o mundo magico, transbordava por toda a carta.

Gostaria que você possa confiar em mim para dar mais detalhes, mas sei que confiança não se ganha a distância ou com uma carta, assim desde já o convido para vir passar o Natal conosco em St. Albans. E acrescento que minha casa sempre, sempre, estará aberta para você. Na verdade, lamento desconhecer seu paradeiro por todos esses anos, mas as informações divulgadas eram que você estava seguro no Mundo Trouxa e que qualquer contato com nosso mundo poderia te colocar em perigo. Agora me arrependo de não insistir mais.

Harry suspirou chocado, Sra. Boot parecia ser muito legal e o estava convidando para o Natal! Ele pensara que ficaria sozinho no castelo, porque não queria voltar para seus parentes e nem eles o queria lá, mas agora poderia ir com Terry até sua casa e conhecer toda a sua grande família. Sorrindo ele releu o último trecho, ela tentara encontra-lo depois do fim da guerra, mas alguém a impedira alegando que ele estaria mais seguro no Mundo Trouxa. A questão era quem lhe dissera essa mentira, e lembrou-se das palavras do professor Flitwick dita no dia anterior onde ele informava que Dumbledore era o responsável para envia-lo ao mundo trouxa e garantir pessoalmente sua segurança. Se perguntou se fora ele também que impedira que a Sra. Boot ou quaisquer outros amigos de seus pais de visita-lo. Suspirando continuou a leitura.

Bem, vamos nos concentrar no presente e no futuro, e pensando nas preocupações de Terry quanto ao seu peso e altura enviei a você alguns lanches nutritivos e saudáveis, (Terry disse que você gostou muito dos meus sanduiches de frango e cenoura) você os encontrará em um pote nesta caixa onde se manterão conservados, e poderá comer entre as refeições ou sempre que tiver fome. Há alguns doces também, mas espero que os coma com comedimento.

Também quero aconselha-lo a procurar Madame Pomfrey, a curandeira de Hogwarts, na ala hospitalar e diga suas preocupações com seu peso e altura. Se não quiser falar sobre seus problemas em casa, não precisa, Madame Pomfrey não fará perguntas e ela poderá verificar se você está com anemia, se está abaixo do peso e altura para sua idade. Ela vai lhe dar poções nutritivas que vão ajudar sua saúde, seu corpo a crescer e até mesmo sua magia. Tenho certeza que o professor Flitwick falou a vocês sobre a importância de manter seu corpo e mente saudáveis, para assim alcançar seu potencial nos estudos.

Harry ficou surpreso outra vez, não só ela lhe aconselhava a procurar a curandeira da escola como demonstrava preocupação com sua saúde. Até lhe enviara alguns daqueles sanduiches deliciosos! Ele, rapidamente, abriu a tampa e encontrou no topo da caixa, que era muito mais funda do que a aparência externa fazia supor, um pote como o que Terry tinha no trem, só que com a tampa azul. Abrindo ele sorriu ainda mais animado, pois dentro o pote também era mais fundo devido ao Feitiço Indetectável de Extensão, assim tinha uma grande pilha de sanduiches embrulhados. Ao lado havia alguns doces também, dentro de saquinhos transparente, mas em quantidade menor.

Sentindo-se mais grato do que conseguiria expressar ele pegou um dos sanduiches e abriu. Era de frango, cenouras, queijo branco e era muito bom. Mastigando lentamente, Harry voltou a ler.

Bem, prosseguindo e antes de entrar em assuntos mais difíceis, você pode olhar na caixa e encontrará um livro, no livro há uma pequena carta de meu sogro para você. Depois de lê-la você pode voltar aqui e prosseguiremos.

Deixando a carta de lado suavemente, Harry olhou dentro da caixa e realmente encontrou um livro, ele era grosso e pesado, com capa vermelha bem conservada, e escrito em letra dourada brilhante na frente estava:

BATILDA BAGSHOT

FAMILIA POTTER

SUA GRANDIOSA HISTÓRIA EM ALGUMAS POUCAS PALAVRAS

O livro! Harry olhou animadamente para o livro com a história de sua família. Depois se perguntou porque não fora enviado para Terry emprestar a ele, abrindo a capa viu um envelope creme com um brasão verde muito bonito que continha uma ave de rapina e o nome BOOT escrita em baixo. Escrito em letra forte no centro estava:

Para: Sr. Harry J. Potter

De: Sr. Áquila T. Boot

Abrindo rapidamente Harry pôs-se a ler.

Prezado Sr. Potter,

Soube pelo meu neto que ao fazer amizade com você no trem, amizade essa da qual muito me alegra, descobriu seu desconhecimento sobre sua história familiar. Como alguém que foi amigo de seu avô e conheceu seu profundo respeito pela história que sua família havia escrito no mundo magico, sinto ser meu dever corrigir essa falha em sua aprendizagem.

Minha nora já me informou do convite que fará para que passe as festas conosco aqui em St. Albans, assim espero pessoalmente conhece-lo e contar muitas histórias de seus avós e de seu pai, já que os conheci e acredito mantive uma boa e querida amizade.

O livro que lhe envio foi escrito a mais de meio século pela brilhante historiadora Batilda Bagshot que também foi muito amiga da família Potter. Ela ainda vive em Godric's Hollow, lugar que foi o lar dos Potters por muitos séculos e onde, eu acredito que você saiba, seus pais foram assassinados e enterrados.

Seu avô Fleamont, não apenas trabalhou com ela nas pesquisas, deu-lhe acesso a mansão da família Potter com sua incrível biblioteca, mas financiou a pesquisa e publicação do livro. Seu objetivo era deixar registrado a incrível história da família que ele tanto se orgulhava, mas Fleamont sempre teve uma mão mágica para gerar lucro em qualquer empreendimento, assim o livro foi um grande sucesso e deixou o imenso cofre de sua família ainda maior.

Quando da publicação ele me presenteou com um livro, não me permitindo comprar, este é o livro, e enquanto um presente querido, sei que meu amigo ficaria mais feliz ao vê-lo ser entregue a seu neto e herdeiro. Espero que este presente dado a mim e por mim a você com tanto carinho lhe permita conhecer e se orgulhar de suas raízes.

Espero encontra-lo em breve para discutir o livro e para uma tarde de muitas histórias.

Atenciosamente,

Áquila Timoteo Boot

Harry olhou abismado para o incrível presente, ele que nunca antes ganhara um de seus parentes, recebia agora não qualquer presente, mas um livro que fora idealizado por seu avô, que esteve em suas mãos e que ainda por cima conta a história de sua família. Com mão tremulas pela emoção ele abriu a capa e viu uma escrita com letra bonita e sagaz onde se lia:

Ao meu amigo, agradeço sua amizade e apoio.

E que se alegre com este meu filho, enquanto o de verdade não nos dá a sua graça.

Coloquei aqui muitos sentimentos de realização e orgulho, sei que mais que qualquer um, você é capaz de entender esses sentimentos pelos que já se foram, mas que nos trouxeram até este momento.

Esse livro, que te presenteio, é em honra deles e em esperança aos Potters que ainda pisarão nesta Terra.

Seu amigo,

Fleamont H. Potter

Tudo o que Harry pode fazer foi sorrir emocionado, enxugando a lagrima que escorreu, atrevidamente, ele voltou a ler, e leu mais uma vez. Depois voltou a ler a carta do avô de Terry e encontrou muitas e importantes novas informações. Sua família vivia a séculos em Godric's Hollow, seus pais foram mortos e enterrados lá. A historiadora ainda vivia por lá e também fora amiga da família. Havia uma mansão e uma grande biblioteca, e mais uma vez ele mencionava, como dito antes por Terry que o cofre Potter era imenso. E isso o levava a se perguntar mais uma vez sobre o testamento de seus pais e porque tudo fora escondido dele. Não mais, pensou, dobrando a carta com carinho e colocando cuidadosamente o livro ao lado, ninguém mais o impediria de fazer perguntas e encontrar as respostas.

Antes de continuar Harry olhou em volta do quarto, se antes a simplicidade não o incomodara, percebia agora que não tinha uma estante para colocar seus livros ou uma mesa para apoiar sua caixa e o pote com sanduiches e doces, ou sua mochila. Além do criado mudo onde ele deixava seus óculos havia apenas um guarda roupa que estava quase vazio porque ele não tinha quase nada para vestir. Seu baú pensou, estava muito bagunçado para colocar algo tão precioso, assim descendo da cama ele guardou seu pote com comida e seu livro no guarda roupa, estaria mais seguro lá.

Depois voltou a subir na cama e antes de olhar para dentro da caixa e ver o que mais tinha pegou a carta da Sra. Boot e retornou a leitura.

Agora que você já recebeu seu primeiro presente vou lhe dar mais alguns, e também me despedir dizendo a você que tenho um imenso prazer em conhece-lo, não por você ser o "menino-que-sobreviveu" ou mesmo um Potter, ainda que saiba o quanto é importante sua família e história, mas por você Harry, apenas por você. Estude bastante e faça muitos amigos, cuide-se e cuide do Terry e se precisar que qualquer coisa, não hesite em me pedir.

Sem nunca esquecer,

Sarafina M Boot

PS.: Sua mãe e eu trocamos algumas poucas e preciosas cartas, estou enviando para você copias de três que acho que mais lhe agradarão. Além disso eu encontrei algumas fotos, não são muitas, mas seus pais, eu sei, gostariam que você tivesse copias delas.

Harry arregalou os olhos ao ler o PS., cartas de sua mãe e fotos! Nunca vira fotos de seus pais, Hagrid lhe disse que se parecia eles, mas ainda não sabia como eles eram realmente. Tremendo todo ele olhou a caixa e no fundo encontrou um envelope grande azul, havia uma pequena águia impressa e quando ele pegou sentiu seu corpo formigar. Engolindo em seco e tentando parar de tremer, abriu o grande envelope e o virou na cama, de cara três envelopes brancos chamou sua atenção, pegando-os deixou de lado e pegou as fotos.

A primeira era de um grupo de garotos que acenavam animadamente ou sorriam timidamente. Olhando atrás estava escrito "Clube de Feitiços, Natal de 1973", voltando a foto olhou com mais atenção e pela primeira vez percebeu as decorações natalinas no fundo da sala. Olhando para os alunos, encontrou o que procurava, no lado direto da foto, sorrindo alegre e com um aceno tímido estava uma menina de uns 13 anos, ela estaria no terceiro ano, pensou sem folego, seu cabelo era vermelho escuro, e seus olhos verdes iguaizinhos aos seus. Harry perdeu a noção do tempo olhando para ela, tão viva e animada.

Depois quando seus olhos borraram com lagrimas ele lembrou das outras e a próxima lhe tirou o ar dos pulmões. Era sua mãe outra vez, ela estava com uma cara de brava na direção de um menino muito parecido com Harry, cabelos pretos bagunçados, óculos e muito magro, mas bem mais alto. Harry olhou encantado para seus pais, seu pai, que ele herdou a testa e sobrancelhas, além do sorriso, sorria e segurando uma vassoura e usando um uniforme esportivo, fazia um gesto tentando apaziguar sua mãe, que ao ficar zangada Harry percebia agora ele também herdara o formato do seu rosto, boca e bochechas. Soluçando baixinho sem nem perceber ele olhou atrás da foto onde estava escrito "Final da Copa de Quadribol, 1973", indo para próxima foto ele percebeu que as lagrimas não lhe permitiam ver e respirou fundo tentando se acalmar. Nem se lembrava a última vez que chorara, nunca comovia seus parentes e seu tio e primo costumavam zombar dele, então ele se obrigara a não chorar mais.

Suspirando mais calmo, olhou a outra foto onde seu pais apareciam agora adultos jovens, estavam muito bonitos e estavam em um casamento. Os noivos eram muito bonitos também, mas foi seus pais juntos de braços dados e sorrindo, parecendo muito felizes e apaixonados que lhe atraiu toda atenção. Olhando atrás leu, "Nosso casamento, foto com Lily Evans e James Potter, 19 de julho de 1977", seria no verão antes do 7º ano deles em Hogwarts pensou, eles já estavam namorando e pareciam muito legais juntos. Harry sorriu e olhou a foto por ainda mais tempo.

Quando passou para a próxima arregalou os olhos ao ver sua mãe segurando um bebê nos braços, o bebê estava todo embrulhado, mas dava para ver o rosto e os cabelos escuros e era claro que o bebe era ele mesmo. Sua mãe estava meio pálida e parecendo cansada e parecia estar inclinada em uma cama, mas amorosamente o segurava e na foto ela sorria e olhava para ele carinhosamente. Seu pai não aparecia, imaginou que ele tirara a foto. Com algumas lagrimas teimosas escorrendo pelo rosto, Harry leu a inscrição atrás, que dizia: " Nascimento de Harry James Potter, 31 de julho de 1981, Maior amor da nossa vida".

Harry tentou não chorar, mas era difícil, ao sentir o amor de sua mãe que vinha dos seus olhos na foto, direto para ele. Ela o amara, pensou, seus pais o amaram, seus tios estavam errados, ele não fora um estorvo para eles, não morreram para poder ficar longe dele porque não o suportavam, soluçando baixinho ele pegou as cartas, estavam presas em ordem assim ele foi para a primeira.

Minha querida Serafina,

Recebi sua carta, e imagino que agora você já poderá ter deixado o país. Quando essas poucas palavras te encontrarem, espero que esteja já em segurança. Não se puna por sua decisão, sei o quanto você tem lutado por nossa liberdade, por nosso direito aos nossos dons mágicos e agora com seu menino a caminho é por ele que você deve lutar.

Seu lugar é em segurança e trazendo esse brilhante bruxo ao nosso mundo. Não se preocupe que lutarei duas vezes mais para que quando ele chegar já tenhamos um mundo livre para ele viver.

Sem nunca esquecer,

Lily E. Potter

Engasgado com as lagrimas Harry releu a carta, observando as palavras e a letra, muito bonita e pequena, combinava com a pessoa que escrevera aquelas palavras tão doces. Sorrindo entre as lagrimas pegou a segunda carta e abriu começou a ler.

Minha querida Serafina,

Que alegria me tomou quando recebi sua carta, um dia depois do natal. Nossas cartas são tão raras devido ao medo de serem interceptadas que quando recebo notícias suas, sinto um imenso alivio ao saber que continua segura. E sua carta me contando da chegada de seu menino foi ainda mais especial. Terrence Boot nasceu adiantado? Bem, é possível que ele queria passar o Natal com seus pais. Que lindo presente ele nascer uma semana antes do Natal. Parabéns minha querida Serafina, e que ele se torne um lindo menino e um brilhante bruxo.

Tenho notícias também, estamos sendo cuidadosos com a divulgação. As atividades dos comensais da morte têm sido mais intensas e violentas, por isso como você também terei que parar a luta direta, pois também estou gravida e de um menino. Sim, é verdade e minha alegria é tão grande que sobre juga o medo, e James parece que a guerra acabou, tamanha é sua felicidade.

Com a mortes de seus pais, James esteve muito triste e mergulhado nas questões da guerra, agora seus olhos brilham e o sorriso nunca se apaga de seu rosto. Sinto como você Serafina, uma necessidade imensa de protege-lo.

Meu menino nascerá no fim de julho e estará em Hogwarts no mesmo ano que seu Terry, espero que eles sejam grandes amigos.

Sem nunca esquecer,

Lily E. Potter

Sem mais tentar controlar ou enxugar as lagrimas, Harry rapidamente abriu o ultimo envelope e com as mãos tremendo segurou a carta e leu.

Minha querida Serafina,

Apenas algumas poucas palavras te envio, junto a foto do meu menino, estamos escondidos e não posso dizer muito com medo de que a carta caia em mãos inimigas. Espero que esta carta te encontre ainda em segurança e que Terry esteja saudável.

Meu Harry nasceu, em 31 de julho, no dia esperado, nem adiantado ou atrasado. O parto foi tranquilo e foi assim que ele chegou ao mundo, calmamente e sem alarde, nem chorou muito. Quem chorou foi James de tanta emoção, meu amor com coração de criança mal conseguia falar de tanta alegria e felicidade ao segurar nosso menino.

E para mim, ah Serafina, eu achava que conhecia o amor, o dia do meu casamento foi o dia mais feliz da minha vida, até o dia em que meu Harry foi colocado em meus braços, foi então que eu soube o que era o amor. O amor mais incrível e imenso que há neste mundo.

Peço a Deus apenas que meu amor seja o suficiente para proteger meu menino, meu Harry James, pois só de olhar em seus olhos sei que ele vai ser um grande bruxo, um grande homem e um belo ser humano.

Sem nunca esquecer,

Lily E. Potter

Harry perdeu a noção do tempo e espaço enquanto relia a declaração de amor de sua mãe, sua letra ao escrever seu nome, a imensa alegria de seu pai com seu nascimento. Soluçando agora alto e, não baixinho como aprendera ainda pequeno em armário, chorou abraçando a carta com o amor de sua mãe.

Nunca percebera até este momento o grande amor que perdera ao perder seus pais. Nunca antes se dera conta da imensa tristeza e vazio que suas ausências traziam. E nunca ao se encolher na cama abraçado com suas cartas e fotos sentiu tanta saudades e solidão, e nunca, nunca se sentiu tão amado.

— Mamãe, Papai, sinto sua falta! — Sussurrou baixinho antes de cair em um sono pesado.