Capitulo 15
O caminho iluminado pelas varinhas pareceu muito mais longo, opressivo e assustador, mas finalmente, eles chegaram ao Covil. Assim que entraram na sala acolhedora, iluminada com as tochas e a lareira se sentiram mais seguros e confortados. Desejando uma segurança ainda maior Terry fechou a porta e todos se sentiram melhor por mais essa separação, ainda que apenas simbólica, do perigo.
Harry carregado de adrenalina continuou a andar de um lado ao outro segurando sua varinha firmemente. Sabia que ouvira aquela voz em algum lugar, mas a entonação, as palavras, o volume não era de alguém que ele conhecia. Quem? Quem era a pessoa que colocara o troll na escola, sem se preocupar com o perigo aos alunos, apenas para roubar o que estava escondido abaixo do alçapão que o Cerberus protegia? E o que era tão importante que o fez tentar roubar o Gringotes e agora Hogwarts?
— Acalme-se Harry, estamos seguros agora. Precisamos pensar, e não agir, com tranquilidade. — Disse Terry com a voz incrivelmente calma, apesar de sua palidez.
— Alguém reconheceu a voz do bruxo que falava com o troll? — Perguntou Harry achando difícil com tanta adrenalina parar de se mover.
Todos negaram, Neville ainda estava ofegante e pálido, seus olhos arregalados.
— Pareceu familiar, mas não sei quem. Ele deve ter invadido Hogwarts, não precisamos avisar alguém? — Disse ele com voz tremula.
— Não sabemos quem é, se contarmos a alguém e ele, seja quem for, souber e achar que podemos identifica-lo virá atrás de nós. E não saberemos contra quem nos colocar em guarda. — Disse Terry tranquilo e pensativo.
— Além disso, ele não invadiu Hogwarts, ele já está aqui, é um dos professores, ou alunos mais velhos, 7º ano teria que ser, para saber controlar um troll adulto como aquele. — Disse Harry começando a usar a cabeça para pensar e não no modo ação e proteção. Respirou fundo e bagunçou mais seu cabelo bagunçado. — Ele sabia que o pacote estava em Gringotes, deve ter tido acesso para saber essa informação, mas Hagrid tirou o pacote usando minha apresentação ao mundo magico como disfarce. Sua tentativa de roubo chegou tarde, mas aposto que ele é inteligente o suficiente para ter tentado, pois sabia que invadir o banco seria mais fácil do que roubar bem debaixo do nariz de Dumbledore. — Disse Harry mais calmo.
— Claro, hoje não foi uma tentativa de roubo. Foi um teste. — Disse Terry e seus olhos estavam focados agora. — Agora ele sabe que uma grande festa ou distrações perigosas não dão resultados. Vai mudar de tática.
— Não entendo. Vocês acham que ele já está em Hogwarts e que o troll foi um teste? — Disse Neville confuso.
— Sim Neville, ele está aqui e aposto que já sabia sobre o Cerberus, lembre-se, ninguém entra sem autorização do diretor e vice-diretora, e um estranho qualquer não teria a informação de que Dumbledore tem em suas mãos um objeto valioso. Ou se alguém lá fora descobriu, que melhor maneira de roubar algo do que infiltrar alguém de sua confiança ou a si mesmo no local do roubo. — Disse Harry ainda agitado, mas agora eram com as ideias em sua mente que ligavam os pontos.
— Ele claro já sabia onde o objeto está, pois, o diretor o anunciou no banquete de abertura, e deve ter estado lá e visto o Cerberus. Supondo que ele sabe como passar pelo cão, aposto que existem mais proteções, Dumbledore cuidaria para que sim. Ele sabe que precisará de tempo para passar pelas proteções extras, a menos que queira ser pego no flagra e ainda lutar com o diretor. Assim ele quer invadir e tentar um roubo quando todos estiverem ocupados. — Disse Terry no ritmo.
— Ele lançou o troll, a distração para os professores e foi ao 3º andar, mas Snape não é idiota e percebeu que o troll era apenas para alguém acessar o alçapão. Era um teste, agora esse bruxo sabe que esse método não é o melhor, pois se houver uma grande comoção alguém se deslocará para a proteção do alçapão. — Disse Harry, com olhos brilhando. — Aposto que não vai tentar nada enquanto todos estiverem em alerta, vai ser em um dia qualquer, quando todos estiverem relaxados e acreditando que o ladrão desistiu. Ele já atraiu muitos olhares para o 3º andar com esse pequeno ato, ele vai ficar quieto e não atrair mais atenção para si ou para um possível roubo. — Concluiu Harry e olhou para os amigos. Terry acenou concordando, Neville parecia cansado e confuso, mas entendeu o raciocínio e concordou também. Hermione ainda pálida, encolhida no sofá olhou para ele, acenou e depois caiu no choro.
Harry abriu a boca e arregalou os olhos sem saber o que fazer ou dizer para a menina que soluçava, parecendo triste e magoada. Ele olhou para Terry e Neville, o ultimo parecia mais assustado agora do que quando estava em frente ao troll, mas Terry a olhou com carinho exasperado e movendo a cabeça negativamente, suspirou e se levantando sentou ao seu lado no sofá e esfregou seu ombro suavemente e sussurrou:
— Está tudo bem, você está segura e nenhum de nós está chateado com você. Coloque tudo para fora e acalme-se Hermione. Estamos todos seguros agora. — Terry parecia como sempre saber o que dizer e nem piscou quando a garota pulou nele em um abraço esmagador. Ele apenas abraçou de volta e esfregou suas costas suavemente.
Harry e Neville se olharam um pouco chocados e depois se aproximaram tentando imitar o amigo e confortar Hermione. Sentaram mais perto e quando ela se afastou do abraço os viu e tentou se acalmar.
— Obrigada, vocês me salvaram. Eu tenho sido horrível com vocês, principalmente vocês, Harry e Terry, ainda assim vocês foram atrás de mim e se não fosse por isso eu poderia estar morta, e isso é muito pior do que ser expulsa. — Disse Hermione, usando o lenço de Terry para enxugar o rosto, sua voz estava rouca e embargada, mas ela falou os encarando nos olhos com sinceridade.
— É claro que fomos atrás de você Hermione, teríamos ido antes se soubéssemos onde você estava. Pensamos, quando você não apareceu, que estaria em seu quarto onde não podemos entrar. Queríamos lhe falar que Weasley não sabe nada e que você tem amigos sim, nós, e que não é insuportável, muito menos um pesadelo. — Disse Neville timidamente, mas com intensa seriedade.
— É verdade Hermione, assim que Parvati nos contou onde estava, decidimos ir te buscar e conversar, mas então Quirrell entrou gritando sobre o troll, tivemos que ir para te avisar. Nem pensamos em te abandonar, amigos não esquecem ou deixam amigos para traz. — Disse Terry sorrindo meio tímido.
— E você deveria ter visto o Neville e o Terry dando um esculacho no Weasley, aposto que ele deve estar vermelho de vergonha até agora. — Disse Harry.
— Verdade? Vocês realmente me defenderam para ele? E mesmo que eu esteja sendo tão horrível me consideram sua amiga? — Disse Hermione com os olhos cheios de lagrimas e esperança.
Terry e Neville acenaram timidamente e até coraram, Hermione sorriu também tímida, mas seus olhos brilharam como não acontecia a algum tempo. Coube a Harry acabar com o momento.
— Nós consideramos você nossa amiga. A mim, me parece, que é você que não nos considera seus amigos. — Disse Harry, não foi duro ou frio, mas ainda conseguiu esfriar o calor da sala alguns graus, e o sorriso de Hermione morreu.
— Harry... — Protestou Terry chateado.
— Eu não vou ficar aqui, Terry, agindo como se tudo está bem, quando não está. Hermione tem sido, como ela mesma disse, horrível para nós, ela tem nos afastado, passado mais tempo sozinha, não quer estudar conosco, critica ou se irrita com qualquer coisa que fazemos ou dissemos. Para mim parece que quem não quer ser amigo é ela e eu gostaria de entender porque. — Disse Harry com firmeza, isso calou os protestos dos dois garotos, e todos a olharam esperando uma explicação.
— Eu... você está certo Harry, eu tenho sido horrível e cada vez as coisas ficam pior, pois não sei como agir. Nunca tive amigos, sempre tive dificuldades em fazer amigos e sou um pouco mandona, sei que irrito as vezes. — Disse Hermione, seu rosto ficou vermelho de vergonha e ela olhou para as mãos no colo. — Além disso, na escola trouxa alguns alunos se aproximaram de mim fingindo ser amigos apenas para que eu os ajudasse ou fizesse seus deveres, quando minha mãe descobriu me proibiu de ajudar e aí eles não quiseram mais ser meus amigos. Quando vim para Hogwarts queria muito fazer amigos, estava ansiosa por isso, mas tinha medo de ser usada de novo. — Continuou ela e estava claramente constrangida.
Harry viu Terry e Neville acenarem com compreensão e compaixão, mas ele não era tolo, conhecia alguém falando mentiras ou meias verdades de longe.
— Besteira! — Exclamou Harry, mas agora foi duro e frio.
Hermione o olhou com olhos arregalados, alarmada por ser pega mentindo, provavelmente pensara que a meia verdade colaria com três meninos que não sabem nada de sentimentos de meninas. Poderia dar certo, mas Harry vinha observando-a a semanas e se havia algo que usar seu cérebro com mais frequência tornara possível era notar sentimos negativos em sua direção. Além de viver com os Dursley, claro.
— Harry, você está exagerado, ela já pediu desculpas e...
— Não Terry, ela não pediu não. E não vou deixar de falar de novo e de novo, besteira. Besteira! — Disse Harry e sem poder conter os sentimentos se levantou e se afastou. — Acha que é a única pessoa aqui que nunca teve amigos? Que não sabe nada sobre se relacionar com as pessoas? Eu fui impedido de ter amigos pelos meus parentes, que me aceitam de muita má vontade em sua casa perfeita. Quando entrei no trem fiz meu primeiro amigo, sem contar o Hagrid que levou minha carta, e não fazia ideia do que fazer, falar, estava enjoado de medo e ansiedade. E também tinha medo de confiar. — Disse Harry andando de um lado por outro, seu peito estava apertado, ele passou a mãos pelos cabelos, angustiado. — Medo de confiar, pois isso me deixaria vulnerável a ser machucado de novo, medo que todos iriam querer ser amigos do menino-que-viveu e não eu, Harry. Acreditando que não merecia ter amigos por ser uma aberração anormal como ouvi meus tios me chamarem a vida toda.
Um engasgo saiu de Hermione e seu olhos se encheram de lagrimas ao entender o que Harry estava contando. Neville ficou pálido e seu estômago se agitou enjoado.
— Eu tive sorte, meu primeiro amigo foi alguém inteligente e sensível que percebeu tudo isso e foi paciente e compreensível. Até me ensinou a ser assim com outros, pois como a mãe dele o ensinou, quando uma criança vem para o mundo bruxo pela primeira vez ela está sobrecarregada e ansiosa. — Harry então parou de andar e olhou com gratidão para seu amigo que acenou de volta aceitando e devolvendo o reconhecimento. — Foi assim que você nos conheceu, eu e, principalmente, Terry lhe oferecemos a mesma compreensão e sensibilidade. Oferecemos paciência, amizade, conhecimentos, abrimos nossa casa para você. — Disse Harry agora a encarando e viu algo se agitar em seus olhos brevemente. — Você é mandona e cheia de regras sem fim, mas ainda sim nunca pensamos que isso a tornava menos nossa amiga. E enquanto tudo o que você disse antes é verdade, não se aplica a nós, pois nunca uma única vez tentamos te usar para fazer nossos deveres. Trocamos conhecimentos, ajudamos uns aos outros, mas não exploramos ninguém e não nos sentimos explorados por ninguém aqui também. Pelo menos é assim que me sinto. Terry, Neville?
— Eu também não me sinto explorado ou usado. E prefiro tirar notas baixas do que usar alguém. — Disse Terry firmemente.
— Eu posso não ser tão inteligente quanto você Hermione, mas nunca te usaria fingindo ser seu amigo, eu estudo muito e as vezes preciso de ajuda, mas eu não tive a intenção de fazer você acreditar que só gosto de você por isso. — Disse Neville serio como nunca esteve e parecendo magoado. — Se quiser nunca mais te pergunto nada.
— Neville! Não, não é isso. — Apavorada ao perceber que o magoara ela se levantou também, mas olhou para eles em conflito sem saber como explicar, sentindo-se vulnerável e perdida.
— Eu não tenho dúvida que não é isso, foi por isso que chamei seu pequeno discurso de besteira. Sabe porque eu sei que não é isso? Porque nas primeiras semanas de aula tudo estava bem, fazíamos os deveres e preparações das aulas juntos, eu dava aulas de Defesa extras, Terry de História e você participava e gostava. Você ajudou todos nós com Transfiguração no começo, agora nem que falar do assunto com a gente. E quando falo algo tentado ajudar em Feitiços e Poções ou Neville em Herbologia você se afasta. Não quer participar de nenhuma aula extra ou pesquisas, projetos, você está se isolando, nos afastando e quero saber porque. Merecemos saber porque não quer ser nossa amiga quando oferecemos nossa amizade sem condições, Hermione. — Disse Harry com firmeza.
Harry viu ela olhar para ele e os outros dois meninos que a encaravam com firmeza também, chegou a pensar que ela fugiria ao ser tão pressionada, mas ele viu o momento em que ela parou de lutar e cedeu. Com lagrimas nos olhos, ela o encarou com vergonha.
— Porque tenho inveja de vocês, porque morro de inveja de vocês dois e então fico com muita raiva de vocês, e daí fico com raiva de mim e com vergonha por me sentir assim. — Disse ela com lagrimas escorrendo pelo rosto e se sentou soluçando e escondendo o rosto nas mãos.
Os meninos não disseram nada, até porque sua resposta parecia tão absurda que eles não sabiam o que dizer. Quando se acalmou um pouco ela respirou fundo, voltou a limpar o rosto e os encarou decidida a falar tudo.
— Quando recebi minha carta, fantasiei que aqui encontraria meu lugar, minhas pessoas, meus iguais. Estava tão ansiosa no trem que não conseguia ficar parada. Vocês três me trataram tão bem, mas eu fui idiota, ao em vez de conversar com vocês e conhece-los fiquei tentando falar com todo mundo, tinha esperança de fazer amizade com algumas meninas, achei que tinha menos risco de meninas me magoarem. — Disse ela fungando.
"Tinha lido sobre as casas em Hogwarts, uma História, me senti atraída imediatamente para a casa Ravenclaw. Mas estava presa na ideia de que McGonnagall, que levou minha carta, e Dumbledore estiveram na Gryffindor, portanto essa devia ser a melhor casa. Implorei ao chapéu que me colocasse na casa Gryffindor, mas logo de cara me senti deslocada. Parvati e Lavander não se importam com estudos, mas ainda pior elas logo se cansaram da minha incessante curiosidade, sem paciência para me contar sobre o mundo magico. Os meninos, com exceção de Neville, riram de mim ou me acharam insuportável. Mas vocês dois me aceitaram, estudaram comigo sem me explorar, me levaram para sua casa, me abriram os olhos sobre a verdade do mundo mesmo quando eu insisti em continuar com minhas fantasias tolas. Foram os melhores amigos que eu poderia querer, você está certo Harry. "
Os meninos tinham sentado à sua volta e podiam ver que agora ela estava sendo sincera.
"Mas tudo o que eu consegui sentir era raiva, de mim no começo por não ter ido para a Ravenclaw, o chapéu disse que eu me sairia bem lá. Mas depois do episódio do laboratório de poções fiquei com raiva de vocês, porque tinham todos esses privilégios, e eu queria e merecia isso também. Até me ressenti da amizade fácil de vocês dois e das meninas, as vezes vejo Padma e Morag com Mandy e não consigo deixar de pensar que poderia ser eu passando tempo com meninas legais que gostam de estudar. Me ressenti dos seus sucessos Harry, fiquei me dizendo que você só era melhor que eu em algumas aulas porque tem um laboratório e um sala comum para estudo e quartos individuais. Que se eu tivesse tudo isso seria a melhor em todas as aulas como no mundo trouxa. Mas não queria me sentir assim, e fiquei com raiva e vergonha de mim mesma, me afastei por causa disso e também porque pensei que se me saísse bem por mim mesma sem ajuda de vocês estaria provando a mim mesma não precisar de ninguém, nem de vocês, nem da Ravenclaw ou da Gryffindor. "
Eles ficaram em silencio absorvendo o desabafo dela e tentando entender. Mas ela não tinha terminado.
— Eu fico me apegando as regras e criticando vocês e os afastando porque sinto que não mereço a amizade de vocês e mais cedo ou mais tarde vocês vão se cansar e não mais me querer por perto. Mas hoje o que o Ron disse... — Seus olhos voltaram a se encher de lagrimas. — Percebi que ele estava certo, eu sou um pesadelo e insuportável sim, e enquanto não ligo para o que ele pensa, percebi que a maneira que estive agindo... estive tão preocupada com notas e estudos que esqueci como também queria fazer amigos e como não estive valorizando vocês. E mesmo sem valorizar a amizade de vocês e sem levar a sério ou apoia-los sobre o perigo que corremos com o Cerberus na escola, vocês arriscaram suas vidas para me ajudar. Vocês estão certos, Dumbledore nunca deveria ter colocado aquele animal aqui, mesmo que esteja bem preso ainda corremos perigo. E alguém está tentando roubar o que quer que seja que ele está protegendo e essa pessoa não se importa em machucar estudantes, nascidos trouxas como eu. Tudo o que eu pensei e acreditei sobre o mundo magico eram mentiras, e agora percebo que até as pessoas que admirei não são tão admiráveis assim. — Disse ela e seu rosto estava magoado e zangado.
— Como assim? — Estimulou Harry percebendo que sua amiga precisava colocar tudo para fora. Ela vinha sufocando tudo e estava se envenenando. Além disso Terry e ele vinham aguardando esperançosos que ela tirasse a venda dos olhos.
— Bem há Dumbledore, como ele pode contratar um comensal da morte e deixa-lo livre para dar aquelas aulas horríveis! — Disse Hermione e se levantou indignada, andando de lá para cá. — E apesar disso, não nos deixa ter laboratórios, e o professor Flitwick encontrou uma solução tão simples. E Snape pode maltratar os alunos só porque não estão em sua casa, tentei pensar que o diretor deveria ter um motivo para tê-lo contratado, mas seja ele qual for, não lhes dá o direito de nos tratarem assim. E McGonnagall, porque não me contou a verdade sobre o mundo magico? Se não na frente dos meus pais, mas aqui em Hogwarts, poderia reunir os nascidos trouxas e falar a verdade, tentei relevar tudo, mas não posso mais.
"Nossa sala comunal não tem como estudar e ninguém faz nada, eu durmo sempre tarde porque minhas colegas de dormitório ficam até tarde falando e rindo. Eu sei que a Prof.ª McGonnagall dever estar muito ocupada, ela é vice-diretora também e, com o Diretor Dumbledore viajando para seus trabalhos como Chefe Bruxo da Suprema Corte Bruxa e o Supremo Chefe da Confederação Internacional dos Bruxos, imagino que ela é mais diretora na maior parte do tempo, mas nossa casa está abandonada e não podemos fazer nada porque se reclamamos vão nos hostilizar ainda mais do que já fazem. — Suas palavras de desabafo foram acompanhadas por gestos de mãos exasperados e um caminhar tenso.
Harry e Terry trocaram um olhar divertido e Neville a olhou um pouco assustado.
— Bem finalmente você está vendo o que tentamos te mostrar desde a primeira semana de aula. — Disse Terry, sorrindo. — O mundo magico tem muitos problemas, e esses problemas são causados pelos bruxos e bruxas da nossa sociedade, alguns com suas ações e alguns com suas inações. Como se sente ao finalmente admitir isso? — Perguntou ele com as sobrancelhas arqueadas.
— Livre! — Disse ela com um sorriso, depois mais séria. — Decepcionada, magoada e muito triste, e com raiva de mim por minha cegueira e por valorizar as coisas erradas, estou valorizando notas que na verdade não valem nada por causa do meu status de sangue, e tenho desvalorizado meus amigos. Sinto muito Harry, Terry, Neville, sinto muito por tudo e se vocês me derem uma chance prometo valorizar suas amizades. — Disse ela e seu rosto sincero os encarou e seus olhos estavam com medo e esperança.
Eles a encaram por alguns instantes e Neville foi o primeiro a se levantar e ir até ela.
— Eu falo por mim quando digo que te desculpo e quero muito ser seu amigo. E você pode ter sido difícil ultimamente, mas não é um pesadelo. — Disse ele sincero e tímido.
— Ah, Neville, obrigada, você sempre me apoia, muito obrigada. — Disse Hermione emocionada.
— Por mim você está desculpada também, até porque eu já imaginava que cedo ou tarde você entenderia que pensar por si mesma e não seguir livros cegamente ou adorar adultos só porque tem qualidades e não ser realista sobre os seus defeitos, que aliás todos temos, não é uma atitude muito inteligente. — Disse Terry seriamente. — Ter sua própria opinião e discordar do que você acredita está errado não é desrespeito Hermione, é ser humano, e um humano exigente que não se contenta ou abaixa a cabeça quando as coisas não estão certas. Você é muito inteligente para não ter um mínimo de senso crítico e viver alienada. — Concluiu com firmeza.
Hermione acenou e depois olhou para Harry que a encarou de volta, todos estavam sentados agora e era claro que era com ele que ela mais teve problemas.
— Até receber minha carta não sabia que era um bruxo, sobre esse mundo incrível e horrível, meus parentes me disseram que meus pais eram bêbados, que morreram em um acidente de carro, porque não me suportavam e preferiram morrer a continuar comigo. — Suas palavras saíram baixo e solenes, seus amigos o olharam com expressões diferentes, mas ele os ignorou. — Então descobri a verdade, eles eram grandes, talentosos e poderosos bruxos, heróis de guerra, me amavam e se amavam. Lutaram pela liberdade do mundo magico e para me proteger, desde que soube tudo isso quis ser um bom estudante para honra-los, deixá-los orgulhosos de mim.
"Soube também que teria bruxos desconhecidos tentando se vingar de mim pela morte de Voldemort, decidi então que não seria fraco, que aprenderia a me defender e a meus amigos. Depois descobri que os preconceitos pelos quais meus pais lutaram e morreram ainda existem no mundo magico e, que na realidade o governa. Decidi então aprender para continuar as lutas dos meus pais, proteger os nascidos trouxas, as meias raças, assim suas mortes não seriam em vão e toda essa injustiça não continuaria a existir. " — Harry falou com firmeza e depois olhou Hermione nos olhos.
"Quando fui procurar a Madame Pomfrey descobri que estou doente... — E sem deixar de olha-la explicou seus problemas de saúde e o que os causaram, viu lagrimas escorrer de seus olhos pelo seu rosto, mas ela não o interrompeu. — Se não fosse esse tratamento nunca alcançaria meu potencial físico e magico. Não quero ser melhor que ninguém, mais poderoso que ninguém. Não me importo Hermione em ser melhor que meus pais, Dumbledore, Voldemort, ou você, Terry, Neville ou qualquer um, apenas quero alcançar todo o meu potencial. Quero ser o melhor que eu posso ser, fisicamente, magicamente, intelectualmente, e se suas notas são melhores ou piores que as minhas não dou a mínima desde que seja o meu melhor. Você entende isso? " — Perguntou ele a olhando intensamente.
Hermione acenou afirmativamente, ainda chorando sem um som.
"Sabe com o que eu me importo e que sei que meus pais também se importariam? Eu só os conheço a poucos meses e algumas poucas coisas, acho que nunca poderei conhece-los completamente, mas ouvi sobre eles de algumas pessoas e sei que para eles o mais importante é eu ser feliz. Sei que eles me amavam e eles iriam querer que eu fosse feliz, e acho que seus pais querem o mesmo para você, não é? "
Mais uma vez ela acenou que sim.
"Prof. Flitwick em nosso primeiro dia de aula nos aconselhou a estudarmos e nos dedicarmos, mas também nos disse para fazer amigos, pois é com eles que compartilharemos nossos 7 anos em Hogwarts, as aulas, deveres, momentos felizes ou chatos, curtir o sol no jardim ou uma luta com um troll, nada disso vale a pena se não tivermos amigos e se não tentarmos ser felizes. "
Hermione acenou mais uma vez concordando e quando Harry se levantou e foi até ela, se levantou também e os dois ficaram frente a frente. Harry então estendeu a mão em cumprimento.
— Oi, eu sou Harry Potter, gostaria que fossemos amigos. Você aceita minha amizade e afeto? — Perguntou calmamente a olhando nos olhos com sinceridade.
— Oi, eu sou Hermione Granger. — Disse ela, estendendo a mão e balançando a sua com um leve sorriso, suas lagrimas secaram, mas seus olhos ainda estavam tristes. — É um prazer te conhecer e gostaria muito de ser sua amiga. Aceito sua amizade e afeto se aceitar a minha sincera amizade e afeto e minha promessa de valorizar sua amizade para sempre. — Sua voz se embargou no fim e seus olhos se encheram de lagrimas outra vez, mas Harry ignorou e sorriu mais abertamente.
— Aceito. — Disse e depois olhou para seus amigos, Terry sorria emocionado e orgulhoso deles. Neville parecia uma bagunça com algumas lagrimas e o rosto vermelho, mas também sorriu. — Acredito que devemos tentar voltar para nossas torres, os corredores já estão seguros e o melhor é que se algum professor nos pegar não será muito além do horário da crise. Teremos que voltar para o 2º andar e dar a impressão que nos escondemos no banheiro, isso tornará mais fácil eles acreditarem em nossas mentiras.
— Será que não conseguimos chegar as torres sem sermos visto? — Perguntou Neville aflito.
— Acho improvável Neville, os professores estarão em alerta e vigiando os corredores. Teremos que nos manter na verdade, dizer que fomos procurar Hermione e vimos o troll, nos escondemos no banheiro e esperamos um tempo até termos certeza que seria seguro. — Terry falou olhando para todos que acenaram concordando.
Eles então seguiram pelo caminho escuro e estreito, observaram pela estatua, mas ninguém estava lá, nem mesmo Filch ou sua gata, que deveriam estar patrulhando em outro lugar. Eles saíram e fizeram o caminho inverso para o segundo andar, até chegar ao banheiro, Hermione entrou para pegar sua mochila que deixara no chão do reservado em que estivera a tarde toda. E logo que começaram a caminhar na direção da escadaria, para irem para as torres, McGonnagall apareceu e sua expressão severa era de dar calafrios de medo.
— O que estão fazendo aqui? Porque não estão em seus dormitórios? — Perguntou além de zangada.
Todos engoliram em seco e Harry deu um passo à frente para contar a história combinada quando Hermione falou.
— Por favor Prof.ª, foi minha culpa, eles vieram me procurar. Eu estava no banheiro, — Disse ela gesticulando para o banheiro que estava a alguns metros e mentindo pela primeira vez para um professor. — Não sabia sobre o troll, eles vieram correndo me avisar e íamos para as torres como os outros alunos, mas quando saímos para o corredor vimos o troll bem em nosso caminho. Nós voltamos para dentro do banheiro e usamos Colloportus, o troll chegou a tentar entrar, mas acho que desistiu e se afastou. — Ela olhou para Terry em busca de apoio e ele pegou a deixa.
— Ficamos escondidos o máximo de tempo que pudermos professora, achamos que já teria dado tempo de o troll ser encontrado e os corredores estarem seguros e decidimos ir para nossas casas agora. Encontraram o troll Prof.ª McGonnagall? — Perguntou Terry com seu rosto mais inocente.
— Sim Sr. Boot e vocês tiveram muita sorte, se deparar com um troll adulto e sobreviver a isso é um milagre. Parabéns para o pensamento rápido de se protegerem ao em vez de agirem imprudentemente e tentar enfrentar o troll. Serão 5 pontos para cada um de vocês. — Disse ela ainda muito séria, mas mostrando orgulho.
— Professora, descobriram como o troll entrou na escola? — Perguntou Harry com curiosa inocência.
— Ainda não Sr. Potter, mas sei que o Prof. Dumbledore está investigando isso neste momento, vocês não devem se preocupar com isso. Agora vão para seus dormitórios, o jantar foi servido em suas salas comunais. — Disse McGonnagall.
Eles deram alguns passos quando Harry parou e se voltou para ela.
— Professora, sei que a senhora não perguntou e a Hermione não vai contar, mas a razão dela estar no banheiro das meninas e não na festa...
— Harry! — Hermione o interrompeu urgentemente de olhos arregalados.
— Não Hermione, você poderia ter morrido hoje se não tivéssemos ido te buscar, sei que você é capaz, mas estando sozinha as coisas poderiam ter sido diferentes. Sei que você não quer falar ou dedurar seus colegas de casa, mas acho que ele passou dos limites e sua chefe de casa deve ser informada. — Disse Harry seriamente.
— Do que está falando Sr. Potter, o que aconteceu com você Srta. Granger? — Perguntou a professora seu rosto severo voltando com força.
Hermione e até Neville abaixaram a cabeça querendo se esconder ou estar bem longe dali. Harry não deixaria passar a oportunidade.
— Neville, mas principalmente, Hermione tem sofrido zombarias e hostilidades de seus colegas Gryffindors, eles pedem silencio para fazer os deveres na sala comunal e são ignorados ou respondidos com mais barulhos. Tem festas, brincadeiras e jogos quase todas as noites na sala e é impossível estudar. Hermione tem dificuldades para dormir cedo porque suas colegas de dormitório ficam conversando e rindo até tarde e a hostilizam quando ela pede silencio. E hoje Ron Weasley depois da aula de Feitiços, ofendeu Hermione, chamou ela de pesadelo e que era por isso que ninguém gostava ou suportava ela, que não tinha amigos por causa disso. E tudo o que ela fez foi tentar ajuda-lo com a pronuncia do feitiço. Ela passou o dia chorando no banheiro e poderia ter se machucado ainda mais se o troll a tivesse encontrado sozinha e desprevenida. — Disse Harry zangado. Prof.ª McGonnagall foi ficando mais zangada e pálida e no fim estava lívida. — Não gosto de ser dedo duro também professora, mas quero te contar para provar para Hermione e qualquer outro que ela tem amigos sim, e que nós nos importamos com ela.
Houve um silencio, Hermione ainda olhava para o chão e Neville parecia se sentir culpado, Terry acenou apoiando Harry.
— Eu nunca... Sr. Longbottom, Srta. Granger isso que eu acabei de ouvir do Sr. Potter é verdade? — Perguntou ela e sua voz saiu incrivelmente suave apesar de sua expressão.
Hermione continuou em silencio e olhos no chão, mas Neville olhou para a McGonnagall e respirando fundo para tomar coragem, falou:
— Sim professora, Harry e Terry me aconselharam a conversar com a senhora antes e pedir ajuda, mas eu não queria piorar as coisas. A mim parece que toda a sala gosta das festas ou não se importam com o barulho, pensei que se falasse algo poderia ser mais impopular e que ninguém na casa falaria comigo, mas a verdade é que ninguém além de Hermione fala comigo e por causa do meu silencio ela poderia ter se machucado seriamente hoje. Sinto muito Hermione. — Disse Neville arrependido e envergonhado.
— Oh, Neville... — Disse Hermione olhando para ele e negando com a cabeça e a expressão sua culpa.
— Srta. Granger? — Perguntou McGonnagall mais calma.
— Eu... eu tentei Prof.ª me desculpa, eu queria me enturmar e fazer amigos e parecia errado reclamar, estou tão feliz de estar em Hogwarts. E achei que eles me odiariam ainda mais e me hostilizariam se soubessem que eu os dedurei e não é sua culpa Neville, você tem sido o melhor amigo, vocês três e eu não valorizei isso e.… e... — Ela começou a chorar e perdeu a voz em um soluço. — E vocês... arriscaram a vida e.…e.… me salvaram... do troll... Sinto muito... — E ela escondeu o rosto nas mãos e caiu em um choro sentido e magoado.
Terry e Neville imediatamente a cercaram um de cada lado e começaram a afagar seus ombros tentando consola-la. Harry também deu um passo mais perto mostrando seu apoio, olhando para McGonnagall viu a culpa e tristeza em seu rosto estoico.
— Muito bem, muito bem Srta. Granger acalme-se, não se preocupe, resolverei isso e de uma maneira que a casa não saiba que vocês me contaram nada. — Disse ela quase carinhosamente e aos poucos Hermione foi se tranquilizando. — Sinto muito que isso esteja acontecendo e fico feliz que vocês tenham tão bons amigos. Porque não vamos ao meu escritório, quero ouvir tudo o que vem acontecendo. Se vocês quiserem podem voltar para a torre Ravenclaw, Srs.
— Professora, a senhora se importa se acompanharmos os dois? E tenho algumas ideias que talvez possam ajudar. — Disse Terry esperançoso.
— Muito bem, venham os quatro, vou lhes servir alguns sanduiches. Poderemos conversar, acredito que essa conversa está bem atrasada. — Disse McGonnagall e os conduziu para seu escritório.
A casa Gryffindor estava tendo uma outra festa, uma justa e autorizada desta vez, com comida, bebida, música e diversão, sem saber que neste mesmo instante uma pequena reunião acontecia. Uma reunião que transformaria a casa de Godric Gryffindor para sempre.
Quando novembro começou duas coisas aconteceram que eram impossíveis de impedir, primeiro o frio chegou de vez, as serras em torno da escola viraram cinza gelo e o lago parecia metal congelado. Toda manhã o chão se cobria de geada. E segundo os alunos não conseguiam para de falar ou pensar em quadribol, pois a temporada estava começando em Hogwarts.
No próximo fim semana os times da Gryffindor e Slytherin estavam fazendo o jogo de abertura da temporada e sendo as duas casas mais rivais da escola, rapidamente tornou o clima ainda mais tenso e intenso com provocações, debates e até alguns feitiços perdidos aqui e ali.
Os Ravens se mantiveram neutros, ainda que o fato do Harry ser o novo buscador do time ter gerado algumas reações. Trevor teria gostado de manter o segredo só entre a casa, mas a garota Chang não permitiu. Depois de ser levada para Flitwick e punida com perda de pontos, privilégios e detenções ela estava ainda mais zangada e lançando olhares mortais na direção de Harry e lançou-se a contar sua triste história para quem estivesse disposto a ouvir. Sempre chorando e dizendo como ela foi desfavorecida por ser menina e não ser famosa, conseguiu um grande número de apoiadores, a maioria meninas que olharam abertamente zangadas ou foram frias com Harry. E rapidamente seu choramingo sem fim chegou as outras casas e todos souberam que Harry era o mais novo buscador do século.
Harry ignorou as hostilidades, e tentou ignorar Chang, estava ocupado o suficiente que não foi tão difícil e logo todos esqueceram o assunto, apenas a garota asiática ainda o tratava como um inimigo velado. Trevor manteve dois treinos por semana e quando começou a esfriar os ensinou a fazer o feitiço para se aquecerem, Harry já havia aprendido uma versão mais simples, mas o feitiço ensinado por seu capitão era mais próprio para competições esportivas e durava mais, para seu alivio. MacMillan queria aumentar a carga de treinos quando chegaram a duas semanas do jogo deles, mas Trevor recusou, disse que o importante eram todos estarem entrosados, lembrar-se das jogadas combinadas, e se mantiverem calmos, pois todos tinham talento de sobra para jogarem muito bem.
No sábado do jogo de abertura, Harry se sentou na arquibancada com Terry, Neville e Hermione que não quis estudar sozinha e preferiu acompanha-los. Isso era tão incomum, Hermione preferindo fazer qualquer outra coisa do que estudar, que eles apenas sorriram e aceitaram sua presença sem grande alarde.
A verdade é que depois da noite do Halloween, Hermione estava se esforçando para ser uma boa amiga para todos eles. Ela ainda era intensa e mandona, mas o obvio afeto que tinha pelos meninos suavizava essa característica de sua personalidade. E aos poucos ela ia se ajustando a cada um, com Neville ela já percebeu que as explicações tinham que ser mais claras e num ritmo mais tranquilo. Ela queria sempre ajudá-lo, talvez porque se sentia culpada por tê-lo magoado, mas Neville não gostava muito da sua intensidade, assim ela diminuía o ritmo. Ao mesmo tempo, Neville vinha se acostumando que quando ela entrava em seu ritmo acelerado e intenso o melhor era ter paciência e esperar, pois, quase sempre ela voltava a ficar mais calma.
Com Terry, como Harry sempre imaginou, Hermione encontrou uma alma afim, os dois eram muito parecidos, adoravam aprender e novos conhecimentos para eles era como doces para outras crianças. Eles leram e liam muito e podiam passar horas conversando e debatendo sobre diversos assuntos, tanto do mundo magico que Terry tendia a saber mais, quanto do mundo trouxa que os dois sabiam muito.
Harry aprendeu muito ouvindo seus debates, afinal ele não sabia muito sobre o mundo trouxa devido ao modo como foi criado. O mais interessante foi a conversa sobre os computadores, os novos dispositivos vinham se tornando cada vez mais importantes para os trouxas e Harry, que não entendia nada sobre isso aprendeu o suficiente para desejar ter um. O bom desses debates era que enquanto de personalidades fortes, Terry era de temperamento tranquilo e mesmo quando Hermione parecia que ia explodir por ele não concordar com ela, Terry apenas sorria calmo e dizia que não pensarem igual é o que os tornava quem eles eram. Hermione as vezes ficava desconcertada, mas aos poucos ia percebendo que com Terry brigas bobas e imaturas não aconteceriam, ele respeitava a opinião dela e não tentava convence-la a pensar como ele.
Com Harry a amizade não era tão natural, talvez porque os dois estavam aprendendo a ter amigos ou porque tinham que renovar a confiança que ficara um pouco abalada. Depois que tudo acontecera, de cara Hermione quis saber mais sobre sua vida com seus parentes, mas Harry deixou claro que falara tudo o que se sentia à vontade para falar. Depois ela tentou mãe ele como faz com Neville. "Você já comeu Harry? ", "Você tomou suas poções hoje Harry? " "Fez seus deveres? ". Harry a chamou de lado agradeceu a preocupação e disse que era mais do que capaz e responsável para manter seus horários e suas obrigações de estudante e com sua saúde.
A verdade, Harry considerou, era que ter alguém se preocupando e cuidando dele era legal e seria fácil relaxar e deixar a Hermione conduzir sua vida, mas Harry sempre fora independente e autossuficiente, tivera que ser para sobreviver aos seus parentes. Mas ele nunca tivera o menor controle sobre sua vida, suas roupas, comida, estudos, até o lugar onde dormir, agora ele tinha, não apenas cuidava de si mesmo, mas ele controlava sua vida e isso era algo que Harry nunca voltaria a abrir mão, não importa o quão bem-intencionada era a pessoa. Ele sabia que quando voltasse aos Dursley as coisas seriam difíceis, mas pelo menos aqui ele era seu próprio chefe e não deixaria ninguém ficar mandando nele. Hermione ficou um pouco magoada, mas quando ele contou sua rotina, horários e como se dedicava ao treinos físicos e estudos sem perder um dia, ela pareceu entender que Harry queria sua amizade e não que ela fosse sua agenda particular. Depois disso eles entraram em um ritmo melhor, mais como iguais e que entendiam e confiavam na capacidade um do outro, o que era bom porque os dois precisavam se sentir respeitados e admirados por seus amigos. Eles precisavam melhorar suas autoestimas.
Nesse momento os times entraram em campo com o locutor, que se apresentou como Lee Jordan, anunciando seus nomes. O time da Gryffindor tinha um trio de artilheiros meninas confiantes, seu capitão era o goleiro que parecia ter um olhar meio obcecado. Os batedores eram os gêmeos Weasley que sorriam maliciosos, seu buscador era o que mais destoava, parecia inseguro e quando viu o tamanho e as expressões raivosas dos jogadores Slytherin, ficou assustado e mostrou seu medo claramente.
Isso claro levou os jogadores Slytherins, que pareciam trolls de tão grandes e feios, a sorrirem arrogantes, acreditando que a vitória seria fácil. Mas não foi tão simples assim, o time Slytherin eram jogadores bruscos e desleais, não se importavam com marcação de faltas ou de jogarem justos. Mas o time do Gryffindor era muito talentos, as artilheiras voavam em perfeita sincronia como um balé no ar. A mais jovem, uma menina bonita de cabelos pretos, Katie Bell, era o ponto fraco do trio, mas ainda fazia uma boa parede e dava apoio de maneira instintiva, para que as outras duas marcassem. Wood, o capitão e goleiro, era incrivelmente bom e os Slytherin só conseguiram marcar quando ele tomos um balaço na cabeça e ficou meio grogue. Mas o ponto alto do jogo e do time vermelho eram sem dúvida seus batedores, eles eram entrosados como se esperava, sendo gêmeos e tudo, mas eles também eram habilidosos e brincalhões, pareciam saber sempre quando e onde enviar os balaços na direção e jogador certo para impedir um ataque promissor do time adversário.
A torcida era tão barulhenta e vibrante que mesmo sem torcer para nenhum time, era impossível não se empolgar e gritar a cada jogada ou bater palmas para os gols. Mesmo Hermione se levantou e comemorou os gols dos Gryffindors ou reclamou quando algo não lhe pareceu justo. Infelizmente, Malfoy e seus gremlins se sentaram por perto e tentou provoca-los, mas foi Neville que o calou rapidamente quando o chamou de aborto.
— Eu valho 12 de você Malfoy, e agora cala a boca se não quiser que eu vou aí calar para você. — Disse Neville como o olhar intenso de raiva. Enfrentar o troll e ter coragem de conversar com a McGonnagall fizera muito bem para sua confiança.
Malfoy ficou com uma expressão azeda e parecia querer revidar, mas ao perceber que nenhum deles lhe dava a mínima atenção engoliu a raiva, lhes olhou com escarnio e ficou calado. Weasley, Thomas e Finnigan também estavam por perto, o garoto ruivo parecia ser fanático pelo esporte e gritava, torcia e xingava sem parar. Ele fora chamado na sala de McGonnagall e ouvira um sermão dos grandes, ela lhe dissera o que poderia ter acontecido com Hermione por causa de suas palavras maldosas e insensatas. Ela lhe dera detenção até as férias de inverno, tirara pontos e escrevera para seus pais, contando o episódio e seu desinteresse e falta de empenho nas aulas.
No dia seguinte Harry descobrira uma invenção bruxa assustadora, o Howler, que Weasley recebeu de sua mãe. A mulher gritou com seu filho por uns bons 5 minutos, ele se encolhera na cadeira, vermelho feito uma beterraba, tentando desaparecer. Muitos riram deles, seus colegas de casa e Slytherins, em sua maioria, Harry sentiu pena dele, pois essa maneira de educar lhe pareceu humilhante e intimidadora, mas talvez para Weasley desse resultado porque logo depois ele veio se desculpar com Hermione e parecia sinceramente arrependido.
Hermione e Neville admitiram que além das desculpas o garoto ruivo estava se comportando e os tratando muito melhor, mas Hermione também disse que enquanto o desculpara, não estava interessada em sua amizade, principalmente quando ele começou a pedir sua ajuda ao fazer seus deveres. Ela apenas indicou os livros e os trechos e quando ele pediu para ela ler seu dever de Transfiguração para ver se estava bom, ela lhe lançou um olhar frio e se afastou.
— Não me deixarei ser usada, ele que se esforce e pare de jogar xadrez ou falar de quadribol. — Disse ela muito segura.
Terry a apoiou, dizendo que ela não precisava ajudar ninguém para ter amigos, que ela era uma pessoa legal e merecia ter amigos, por si mesma. Hermione corou e sorriu com o elogio.
Voltando sua atenção ao jogo Harry viu que os Gryffindors, apesar do jogo sujo, estavam ganhando, mas no fim os buscadores fizeram a diferença. O buscador da Slytherin era mais velho e experiente, além de, razoavelmente, habilidoso e nem deu chance ao buscador de disputar o pomo. Harry viu o pomo muito antes de ser visto e capturado dando a vitória ao time Slytherin, mas com uma vantagem de apenas 20 pontos, 190 a 170, o que deixava os Gryffis ainda na luta pela Copa Quadribol.
Depois do jogo eles decidiram ir tomar chá com Hagrid que fazia um tempo não visitavam. Queriam ficar longe da horda de torcedores comemorando ou lamentando o jogo. A cabana estava aquecida e o chá quente serviu para afastar o resto do frio, apesar dos feitiços de aquecimento os manter quente, ficar ao ar livre por tanto tempo dava a sensação de frio nos ossos que nem eles podiam vencer.
Os quatro amigos haviam discutido a estratégia de perguntar sobre o pacote encalombado a Hagrid, mas decidiram perguntar apenas sobre o Cerberus. O Guardião que adorava todos os tipos de animais saberia algo sobre o cão de três cabeças, assim não dariam a ele o fato de que estavam interessados no pacote. Quanto ao pacote em si, eles sabiam estar conectado a Flamel e estavam fazendo pesquisas discretamente, mas ainda não haviam encontrado informações, Terry tinha a impressão de que deveriam procurar publicações históricas, afinal Dumbledore era bem velho e seu amigo poderia ser ainda mais.
Foi Harry que tomou a iniciativa de entrar no assunto, os outros o acompanharam.
— Descobri uma coisa — falou a Hagrid. — No outro dia Terry e eu nos perdemos e acabamos no corredor do 3º andar quando no escondemos do Filch. Hagrid, havia um Cerberus lá, quase morremos de susto, você não saberia algo sobre isso saberia? — Harry falou curioso e calmo como se não fosse algo importante.
Hagrid deixou cair o bule de chá.
— Vocês sabem da existência do Fofo?
— Fofo?
— É.… é meu... comprei-o de um grego que conheci num bar no ano passado. Emprestei-o a Dumbledore para guardar o...
— Para guardar o alçapão, eu sei, onde imagino esteja o pacote que você pegou em Gringotes pouco antes de alguém tentar rouba-lo. — Disse Harry em tom de fato e indiferente.
— O quê? — Perguntou Hagrid, ansioso. — Você não deveria saber nada disso, não me pergunte mais nada – retrucou Hagrid com impaciência. — É segredo.
— Mas Hagrid se alguém está tentando roubá-lo, não devemos nos preocupar? — Hermione entrou tentando parecer assustada. — Quer dizer, essa pessoa invadiu Gringotes e poderia invadir a escola também.
— Bobagens. — Disse Hagrid. — Hogwarts é o lugar mais seguro do mundo com o Prof. Dumbledore por aqui, não se preocupem.
— Eu concordo com isso Hagrid e claro que com o cerb... quer dizer, Fofo protegendo o alçapão ninguém vai conseguir chegar perto de roubar seja o que for. — Disse Terry inteligentemente mostrando confiança.
— Exatamente e Fofo não é a única proteção, além de mim, cada professor colocou uma proteção especial e eu sei que a pedra... Quer dizer o pacote está mais do que seguro, agora esqueçam esse assunto. — Disse ele rapidamente, pegando o bule de chá.
— Está tudo bem Hagrid, não estamos interessados nesse pacote ou sei lá o que, ficamos contentes que está seguro e tudo, estamos mais interessados é no Cerberus. Quando foi que você o comprou do cara grego? — Perguntou Harry.
E assim Hagrid falou e falou como se o Cerberus assustador fosse um filhote de beagle, Harry chegou a considerar se faltava alguns parafusos em seu amigo. Mas o importante é que quando eles deixaram a cabana, já sabiam que para passar pelo Fofo Cerberus tinham que colocá-lo para dormir com música, simples e fácil.
— Aposto que o bruxo com o troll já sabe isso ou pelo menos não acredita ser difícil descobrir, são as outras proteções que o preocupam. — Disse Terry.
— E Dumbledore, você ouviu Hagrid, seja quem for deve saber que tem que tirar o diretor do caminho para conseguir fugir com a tal pedra. E porque uma pedra é tão valiosa? — Questionou Harry confuso.
Olhando para seus amigos viu a mesma confusão, seja lá o que for essa tal pedra deve ser, além de valiosa, perigosa para ser mantido em um segredo tão apertado que nem Terry ouviu falar.
No dia seguinte Harry finalmente ouviu uma resposta da comerciante informal de livros. Sua resposta viera quase 3 semanas depois do seu pedido por aqueles 3 livros de Aaron Mason e mais informação sobre qualquer outro livro dele. Charity Doylen era a comerciante de livros e sua carta era muito simpática e esclarecedora.
Caro Sr. Potter,
Fiquei muito, agradavelmente, surpresa com seu contato e feliz por seu interesse nos livros e no conhecimento que eles nos oferecem.
Enquanto não dito claramente percebi em suas palavras o seu desprazer com a censura promovida pelo Ministério da Magia nas edições dos livros e no limitado acesso aos livros sem censuras que sofrem os alunos e o resto da nossa sociedade.
Seu interesse nos livros do Sr. Mason me levou a perceber não apenas seu interesse no assunto, Defesa das Artes da Trevas, mas também o desejo de um maior conhecimento, sem limitações ou censuras. Foi por isso que procurei diligentemente ainda que discretamente, devido a minha posição, pelos livros e finalmente, depois de alguma demora, espero que me desculpe por isso, eu descobri que os livros estão sendo vendidos diretamente pela Editora que publicou e ainda publica os livros de Mason.
Isso acontece Sr. Potter, porque o Sr. Mason escolhe com critério aqueles para quem ele vende seus livros, não tem interesse que esses conhecimentos caiam nas mãos de pessoas que o usariam para fazer maldades. Assim, depois de muita conversa, eles sabem do meu trabalho e minha ética, apesar da informalidade, concordaram em dispor para você os livros que solicitou e um folheto de mais obras de Mason.
Devo lhe informar que foi o seu nome na carta que tornou isso possível, os donos da Editora estão dispostos a vender diretamente para você, assim sem passar por mim e minha comissão você pagará mais barato. Enquanto preciso vender para viver, em se tratando de você Sr. Potter e dos valores altos de cada livro, estou mais do que disposta em dispensar essa venda e lhe enviarei o contato para o dono da Editora e seu endereço de coruja. Assim você pode lhe escrever e realizar suas compras diretamente.
Espero poder lhe ajudar com quaisquer outros livros que necessite. Será sempre um grande prazer ajuda-lo.
Atenciosamente,
Charity Doylen
Harry franziu o cenho para a carta, depois suspirou e rapidamente escreveu solicitando que ela intermediasse a compra, pois não queria realizar a compra direta, até porque ele precisava que as compras desses livros se mantivessem bem discretas. Não queria que ninguém soubesse de suas leituras avançadas, além disso depois de todo seu trabalho ela merecia receber por ele e que ele, Harry, sempre compraria todos os seus livros por ela de hoje em diante e não aceitaria não como resposta. Pediu que lhe enviasse o valor dos livros, os 3, e o folheto dos livros de Mason. Agradeceu e depois selou a carta e enviou por Edwiges, pedindo a ela que lhe trouxesse a resposta diretamente para seu quarto.
O resto da semana foi como as outras, com diferença que Trevor cedeu a insistência de MacMillan de terem um treino extra. Ele usou esse tempo, não para irem ao campo e treinar, e sim para conversarem no vestiário. Conversaram sobre o jogo Slytherin e Gryffindor, analisando as estratégias, as habilidades individuais e coletivas de cada time. Conversaram também sobre seus próprios pontos fortes e o que precisavam ter mais atenção, sobre suas estratégias e o fato de que era o primeiro jogo de 4 dos 7 jogadores. Harry confessou que estava ansioso, não queria decepciona-los ou sua casa, mas não tinha medo do jogo ou de se machucar.
Eles acabaram falando mais sobre si mesmo, até MacMillan relaxou e falou de si, não que ele fosse particularmente interessante. Mas Scheyla Martín era uma garota do 4º ano muito divertida e bonita, sua mãe era uma bruxa irlandesa e seu pai um trouxa espanhol o que explicava sua aparência exótica, Davies sempre babava sobre ela, mas Scheyla o esnobava olhando-o com pena. Seus pais criavam cavalos na Irlanda e na Espanha, eles os treinavam para o trabalho nas grandes fazendas americanas e para corridas. Ela confessou com um olhar sonhador que montar e cavalgar bem rápido pelos campos era tão emocionante quanto voar em uma vassoura. Só de ouvir e ver sua expressão Harry acreditou nela e desejou muito viver essa experiência.
Roger Davies era um puro sangue também, sua família trabalhava a séculos no departamento fiscal e de impostos do Ministério e se espera que ele siga os passos do seu pai e avô, mas ele admitiu que não poderia pensar em um trabalho mais chato. Owen Flynn, o outro irlandês era nascido trouxa, Harry o encontra, assim como Scheyla e Trevor, em uma das reuniões para informar e incentivar o retorno aos estudos do mundo trouxa e porquê. Owen era um garoto tranquilo, inteligente e silencioso, seus pais trabalhavam em fabricas em Cork e ele tinha apenas uma irmã, ele confessou que ela não era bruxa e que sentia muita falta dela. Harry percebeu também que ele usava roupas usadas e vinha emprestando os livros trouxas de colegas, pois seus pais não tinham dinheiro para comprar os livros mágicos e trouxas. Sua vassoura era a única do time que era usada, Harry imaginou que ele comprara de alguém, talvez um dos alunos mais velho que estava se formando, ou em alguma loja de usados. Isso não parecia envergonha-lo, mas também não falava sobre o assunto e não queria saber de piedade.
Elton Melrose era de uma família bruxa antiga, pura e tradicional, Terry lhe disse que eram neutros como os Greengrass, mas segundo seu avô, eles apoiaram secretamente Voldemort com dinheiro. Elton estava sempre sorrindo, mas seus sorrisos nunca chegavam aos olhos, ele tratava todo mundo bem, mas Harry viu seu desprezo muito bem disfarçado na direção a Owen. Mesmo MacMillan não era assim, ele era mal-humorado e azedo com todo mundo, sua família puro-sangue e com negócios o tornava rico, arrogante e esnobe, mas ele era assim com todos não importava seus status de sangue.
Trevor era um meio sangue, sua mãe era de uma família bruxa puro sangue e seu pai um bruxo nascido trouxa, como a família de sua mãe nunca os aceitaram, ele cresceu mais no mundo trouxa que bruxo, seu pai era mecânico, quando ele não conseguiu trabalho no mundo magico, seguiu os passos do pai dele, avô de Trevor, e se tornou mecânico de carros. Trevor admitiu que sabia montar e desmontar o motor de uma moto com os olhos vendados.
O momento de confraternização foi muito bom, com exceção de Elton, todos se tronaram mais próximos, riram junto, e aprofundaram o entrosamento como um time. Harry achou que essa era uma ótima estratégia de seu capitão, mas isso não o impediu de acordar na manhã do jogo com um ninho de borboletas no estomago.
O dia amanheceu claro e frio. O cheiro de salsichas no Salão Principal o deixou enjoado e a tagarelice zumbiam em sua mente deixando-o mais ansioso. Todos pareciam querer lhe dar conselhos, alguns pareciam achar que Harry não sairia vivo do campo e alguns como Malfoy zombaram abertamente. Ainda faltavam duas horas para o jogo, assim decidido, disse aos amigos que ia mais cedo para se concentrar e deixando o salão foi para as cozinhas. Tomou o café lá, comendo menos do que normalmente comeria devido a ansiedade.
Depois foi para o campo e depois de se aquecer e alongar, subiu em sua vassoura e toda a ansiedade desapareceu. Voar era a melhor concentração antes do jogo que poderia ter, ali em cima tudo era fácil, ali não havia dúvidas ou pressões, era apenas ele, sua vassoura e o vento. Quando viu seu time chegar, ainda 30 minutos antes do jogo, Harry desceu para se encontrar com eles.
— Ei, Harry, já por aqui? Você está bem? Tomou o café da manhã? — Perguntou Trevor, do seu jeito tranquilo, mas dava para ver alguma ansiedade e intensidade o cercando como nunca antes.
— Sim Trevor, apenas me aquecendo e me concentrando para o jogo. Voar me tranquiliza. E sim tomei meu café e estou muito bem obrigada. — Disse Harry sorrindo animado e excitado.
Trevor o olhou surpreso, os outros três novatos estavam até verdes de ansiedade e não conseguiram comer nada. Harry parecia estar muito animado, mas ele observou que estava focado, os olhos determinados. Isso lhe deu uma ideia.
— Ei, time! Todo mundo em suas vassouras, quero todos voando, se aquecendo e se concentrando no jogo. Vamos lá, apenas voar e relaxar, sem manobras ou tática. — Gritou ele para o resto do time. Alguns o olharam com estranheza, mas ninguém o contestou e logo Harry estava no ar com seus colegas e por 15 minutos eles eram apenas crianças voando, brincando, rindo e relaxando. Depois Trevor os chamou para o vestiário, eles colocaram os uniformes e a seriedade voltou com força total. Eles podiam ouvir a torcida enchendo a arquibancada.
— Bem time, agora é o momento. Vocês são muito bons individualmente e apesar de esse ser nosso primeiro jogo como um time, acredito em nosso coletivo. Treinamos bastante e acredito que se nos concentrarmos e jogarmos juntos vamos ganhar. O outro time está a mais tempo juntos, mas não são tão talentosos, acreditem no time e vamos vencer. Juntos time, vamos vencer!
— VAMOS VENCER! — Gritou todos e logo depois o locutor, Jordan começou sua narração.
— E temos o time da Ravenclaw, com quatro novatos e apenas três jogadores veteranos, eles são os azarões desse ano. Seu capitão em minha opinião terá sorte de levar seu time a uma única vitória. Além da reformulação ele tem um 1º ano como buscador, menino-que-viveu a parte, é difícil acreditar que Potter vai poder competir com os jogadores mais velhos e experientes da Hufflepuff. — Disse Jordan. — E lá vem o time, Capitão e artilheiros Pickford, Melrose e Davies, goleira, Martín, uau que gata, ei Martín quer ir a Hogsmeade comigo? — Soltou Jordan.
— Jordan! Narre ou vou te substituir. — Gritou McGonnagall irada.
— Desculpe professora. E aí vem os batedores, MacMillan, o mais chato de todos, desculpa professora, e Flynn, eeeeeee... Potter o mais novo buscador no último século.
— E temos o time da Hufflepuff, sem dúvida os favoritos hoje. Capitão e batedor Finley, batedor Roberts, artilheiros Erikson, Tyler e Brian, goleiro Ringwald eeeee... Diggory o buscador.
Os capitães se apertaram as mãos, os Hufflepuff eram conhecidos pelo jogo limpo e os Ravenclaws respeitavam o mesmo tipo de jogo. Madame Hooch apitou e o jogo começou.
— E as goles estão com a Ravenclaw, o novo artilheiro Davies faz uma boa parede para Pickford que passa para Melrose que marca! Primeiro ataque e primeiro gol para os Ravenclaws, mostrando que não estão aqui para brincadeira. — Narrou Jordan.
Harry sorriu e vibrou com seu time, mas não perdeu o foco de procurar o pomo dourado.
— Agora é os Hufflepuffs que estão no ataque, MacMillan envia o balaço, mas Tyler se desvia e marca! E o jogo começa quente com os dois times marcando. — Diz Jordan empolgado.
Logo ficou claro que os dois times tinham problemas nas defesas, enquanto os dois goleiros fizeram muitas e boas defesas, a marcação não impedia os arremates para o gol e muitas vezes acabavam marcando. Isso mostrou o talento dos artilheiros no ataque e seus defeitos ao defender.
— Estamos com quase uma hora de jogo e os times continuam fazendo gols de um lado e de outro, eles estão empatados 120 a 120 pontos e pelo jeito a vitória de hoje caberá aos buscadores. Diggory, um experiente veterano em seu 2 ano pelo time ou Potter um primeiro ano que dizem usou seu nome e fama para conseguir a vaga.
Harry não se deixou desconcentrar pelos comentários, ele os ignorara facilmente depois que Chang os espalhou, não ia se deixar afetar na hora do jogo. Seu time estava indo bem, Scheyla defendeu alguns difíceis arremessos, mas Davies estava com dificuldade de recompor a marcação com Pickford e Melrose, os batedores estavam fazendo um bom trabalho, mas os artilheiros Hufflepuff eram experientes e bem treinados. Era a experiência e talento de seus artilheiros que mantinha a pontuação equilibrada.
Harry circulou mais uma vez, passando perto do camarote dos professores e se desviando de um balaço, quando aconteceu. Sua vassoura deu uma perigosa e repentina guinada. Por uma fração de segundo ele achou que ia cair. Segurou a vassoura com firmeza com as duas mãos e os joelhos. Nunca sentira nada parecido antes.
Aconteceu outra vez. Era como se a vassoura estivesse tentando derrubá-lo. Mas uma Nimbus 2000 não decidia de repente derrubar seu cavaleiro. Harry tentou voltar ao chão ou a Madame Hooch ou Trevor para ele solicitar um tempo, mas então percebeu que a vassoura se descontrolara. Não conseguia virá-la. Não conseguia dirigi-la. Ela ziguezagueava pelo ar e de vez em quando fazia movimentos bruscos que quase o desequilibravam.
Pensado rapidamente, lamentou não estar com sua varinha, ficara com medo de quebra-la em uma queda e agora nem podia sinalizar perigo.
— Trevor! — Gritou Harry, mas o grito foi apagado pelo grito da multidão de torcedores que comemoravam mais um gol da Hufflepuff.
Sua vassoura subia cada vez mais alto e ninguém parecia ter percebido o que acontecia. Irritado além do que já estivera Harry teve o repentino entendimento que alguém estava amaldiçoando sua vassoura. Percebendo que estava em sério risco pesou suas opções, quando sua vassoura fez outro movimento brusco que quase o derrubou e subiu mais um pouco, Harry a segurou com firmeza e decidiu lutar de volta.
— Ei, garota, você é minha vassour mim e a minha magia que você obedece. — Disse Harry com determinação.
E mesmo sem sua varinha usou todo o seu poder mental e magico, suas emoções para conduzir a magia a fazer sua vontade. Visualizou uma proteção ao ataque que sua vassoura estava sofrendo e ao mesmo tempo a incentivou a obedece-lo.
Para seu prazer deu certo, ele podia ainda sentir o feitiço, mas agora ele conseguiu o mínimo de controle para descer mais perto do chão e foi quando ele viu o pomo e esquecendo de tudo o mais e, com uma vontade enorme de vencer que superava tudo, Harry avançou para o pomo quebrando o que restava do controle da maldição com um estalo e em um voo veloz rente ao chão ele perseguiu o pomo que parecia querer fugir dele. Diggory se aproximou da sua rabeira, mas estava muito tarde, Harry alcançou e fechou a mão no pomo e depois voou sorrindo para o alto com o braço erguido mostrando a todo mundo sua captura.
Seu time olhou incrédulo e até os Hufflepuffs estavam chocados. Quando um segundo se passou e todos pareceram entender o que acontecera a torcida Ravenclaw começou a gritar de maneira ensurdecedora e de repente seu time estava a sua volta gritando e o abraçando e por cima de todo esse barulho Harry conseguiu ouvir.
— E não é que os azarões venceram em uma grande captura de Potter! Quem diria, parece que Potter sabe mesmo o que fazer em uma vassoura. Vocês viram aquele voo! Seja quem for que espalhou mentiras sobre Potter não ser bom deve ser um invejoso, ciumento que deveria enfiar...
— Jordan! — Interrompeu McGonnagall tomando o microfone dele.
Rindo, feliz e animado ele acompanhou seu time para o vestiário onde ficou sabendo que venceram de 270 a 150, isso os colocava na liderança da Copa de Quadribol e na Copa das Casas.
— Parabéns time. Hoje vamos comemorar e nesta semana retomaremos os treinos para corrigir nossos erros. Temos tempo até o próximo jogo em fevereiro, mas será com os Slytherins então teremos que ser ainda melhores que hoje. Agora vamos para nossa sala comunal, hoje teremos festa! — Gritou Trevor no fim de seu discurso e depois de tomarem banho e se trocarem subiram para a torre.
Na torre, como Harry esperava, a comemoração estava alta e animada, quando o time entrou foi ovacionado e vários vieram cumprimenta-los e dar tapinhas nas costas. Quando Harry finalmente conseguiu se afastar da multidão e procurar seus amigos ficou feliz que Hermione e Neville também estivessem na sala comunal. Morag e Mandy estava com eles e olhando em volta viu de Padma estava com a irmã e com sua amiga Lavander.
— Harry! Foi um voo e captura incrível! — Disse Morag animada, ela gostava de quadribol e torcia para as Wimbourne Wasps.
— Sim Harry, nosso time estava indo bem, mas acho que poderíamos ter perdido se você não pegasse o pomo. Parabéns. — Disse Mandy sorridente.
— Obrigada meninas! — Harry agradeceu e recebeu sorrisos e parabéns de Terry e seus amigos Gryffs, mas dava para ver que era um sorriso forçado e seus olhares estavam preocupados. Eles perceberam o ataque a sua vassoura, concluiu Harry e agora queriam conversar sobre isso.
Harry sinalizou depois, ele queria e, que seus amigos também, aproveitassem o momento para comemorar e ter um pouco de diversão. Eles concordaram e relaxaram e todos foram se servir de comida que os monitores tinham conseguido na cozinha. Faminto Harry comeu duas vezes antes de começar a conversar.
— Ei Morag, Mandy porque não estão com a Padma hoje? — Perguntou Harry curioso.
— Bem, Harry nós gostamos muito da Parvati e não nos importamos que ela venha aqui visitar a Padma, mas a amiga dela, Lavander é meio difícil de engolir. — Morag disse lançando um olhar irritado na direção das três meninas.
— Eu não posso culpa-las, ela é bem irritante e cheia de risinhos. Eu durmo no mesmo quarto com ela e sei bem. — Disse Hermione com um bico.
— Tem isso também, mas até relevamos os seus risinhos e as bobagens que ela fala. Como disse Morag, gostamos de Parvati, ela é muito legal. — Disse Mandy. — Assim estava tudo bem Lavander vir também, mas o problema é que ela é uma fofoqueira. Descobrimos que foi ela que espalhou o choramingo mentiroso da Chang sobre o Harry por toda a escola.
— Espera, achei que era a Chang que tinha saído falando e reclamando para todo mundo na escola. — Disse Terry com cara fechada, ele detestava a Chang, Harry não podia culpa-lo, ainda não a perdoara pelo tapa que lhe dera.
— Bem parece que, apesar de mentirosa e chorona, Chang não é tão idiota a ponto de sair falando mal para as outras casas da Ravenclaw ou do nosso time. — Disse Morag, bebendo seu suco de abobora.
— Sim, quando se espalhou pela escola que você é novo buscador do time, parece que Pickford e MacMillan ficaram muito zangados e foram tirar satisfação com a Chang, mas ela jurou que só falou do assunto aqui na torre, nem mesmo com sua amiga Marieta, ela falou sobre isso em qualquer lugar da escola. — Continuou Mandy.
— Chang ficou muito brava porque disse que não queria prejudicar as chances do time de vencer, que não ter ela como buscadora já era prejuízo suficiente. — Morag acrescentou divertidamente.
Isso rendeu alguns bufos divertidos de Terry e Neville. Mesmo Harry riu um pouco, que garota insistente.
— De qualquer forma, Chang perguntou por aí e descobriu que foi a Lavander que estava contando para suas amigas mais velhas o que claro teve o resultado de se espalhar por toda a Hogwarts. — Continuou Morag.
— E claro Chang ao em vez de reclamar com Lavander veio até nós e disse que era nossa culpa porque fomos nós que a convidamos para entrar na torre e que se vamos continuar trazendo alunos de outras casas é nossa responsabilidade fazer com que mantenham a boca fechada sobre o que ouvem ou veem aqui. — Disse Mandy chateada ainda pela reprimenda que levaram.
— Sim, além de termos que ouvir a Chang nos dar lições sobre lealdade a casa. — Disse Morag indignada com a ideia de aprender sobre lealdade com a garota asiática. — Tivemos que ir conversar com as meninas, Parvati pediu desculpas na hora, disse que Lavander ouviu o choramingo da Chang e contou para ela e depois as duas contaram para outras meninas. Ela disse que achou errado Chang não ser escolhida apenas porque era menina.
— Sim, ela disse também que não achou que era um segredo, algo como o Covil ou as reuniões que fizemos, que nenhuma das duas contaram nada sobre isso porque entendiam a importância de manter o sigilo. — Continuou Mandy. — Lavander também se desculpou, mas disse que era muita confusão por apenas quadribol. Então dissemos as duas que Chang havia contado um monte de mentiras e que elas fofocando haviam apenas espalhado essas mentiras.
— Dissemos que elas espalharem o que ouvem sem nem saber se é verdade poderia prejudicar alguém, até magoar a pessoa de quem inventaram a mentira. Disse a Lavander também que não era só quadribol, mas mesmo que fosse, cada time de cada casa, mantem seus segredos e se ela não é capaz de manter segredos ou não fofocar sobre o que vê e ouve aqui na torre, não a convidaríamos mais para entrar. — Morag ainda estava zangada.
— Depois nós viemos ficar aqui com vocês e deixamos a Padma para falar com elas. Só espero que a Padma não fique zangada conosco por termos dito todas essas coisas para a irmã dela. — Disse Mandy preocupada.
— Eu nunca ficaria brava com vocês por falarem a verdade. — Disse Padma se aproximando depois de ouvir o final da conversa. Ela sorriu para as meninas e as abraçou brevemente, se sentando continuou. — Vocês estavam certas em tudo o que disseram a elas e, em dizerem. Na Gryffindor eles são mais inconsequentes, mas Parvati sempre foi muito carinhosa e consciente, ela não inventaria uma fofoca e magoaria ninguém de propósito. Eu disse a ela que nossos pais esperam mais dela, mais dedicação aos estudos e menos brincadeiras e fofocas, que eles se decepcionariam se soubessem de sua participação em espalhar mentiras sobre o herdeiro da casa Potter. — Disse Padma muito seriamente. — E disse a Lavander que se ela não mudar de atitude não apenas, não mais a aceitaremos em nossa casa, mas também como nossa amiga, pois não queremos um amigo a quem não possamos confiar. — Encerrou Padma.
Harry ficou em silencio, não sabia que todas essas coisas haviam acontecido, olhando para seus amigos viu que estavam surpresos também e Hermione parecia satisfeita, talvez pensando que tudo isso tornaria Parvati e Lavander mais fáceis de se dividir um dormitório.
— Bem meninas eu sinto muito que todas essas coisas aconteceram e agradeço a vocês por me defenderem e a nossa casa também. Vocês foram muito corajosas em enfrentar suas amigas, sua irmã Padma, para nos defender. —Disse Harry sorrindo.
— Nada disso foi culpa sua Harry e sim daquela harpia chorona da Chang e das meninas que espalharam o que ela disse sem nem considerar ser mentira ou as consequências disso. — Disse Padma muito séria. — São elas que deveriam se desculpar com você e Parvati o fará, já disse isso a ela que, se não se desculpar e mudar de atitude escreverei ao nosso papa.
— Mas não espere qualquer desculpa de Chang, antes de você chegar ela estava afirmando bem alto que, você pegar o pomo foi um golpe de sorte. Ninguém lhe deu atenção e quando ela percebeu calou a boca e ficou por lá com suas amigas. — Disse Terry, apontando discretamente para a menina asiática que estava sentada em uns dos cantos com cara amarrada.
— Eu não me importo com isso, tenho coisas mais importantes para me preocupar do que com meninas tolas e fofoqueiras. Ainda que eu concorde que elas saírem falando sobre a nossa casa torna difícil traze-las aqui. Você tem razão Padma, precisamos de amigos confiáveis. — Disse Harry e para ele o assunto estava encerrado.
Logo depois ele sugeriu acompanhar Hermione e Neville para sua torre, mas ao saírem foram para o Covil. Assim que chegaram o clima mudou e seus amigos o olharam aflitos.
— Harry, foi o Snape, nós vimos, eu vi pelo binóculo, ele estava azarando sua vassoura. — Disse Hermione em um ímpeto desesperado. Deve ter sido difícil segurar a tarde toda a vontade de falar sobre isso.
— Alguém amaldiçoou minha vassoura, mas não foi o Snape. — Disse Harry com convicção e tranquilidade.
— Harry, o que Hermione está dizendo é verdade, nós vimos o Snape olhando para você sem piscar e murmurando, tentamos chegar até ele no estande dos professores, mas quando deixamos as arquibancadas e olhamos na sua direção você estava controlando sua vassoura e descendo para o chão e logo depois voou rápido e rasante e pegou o pomo. — Disse Terry muito sério.
— Achamos que você ia cair Harry, sua vassoura parecia estar tentando jogar você de cima dela. — Disse Neville um pouco pálido, provavelmente lembrando de sua própria queda.
— Eu li sobre amaldiçoar objetos a distância assim, Harry! A pessoa precisa manter contato visual e Snape nem ao menos piscava, eu vi! — Disse Hermione veemente.
— Eu li sobre elas também Hermione e para contra-atacar uma maldição você precisa das mesmas condições. Snape não estava me atacando e sim me defendendo, a questão é porque. — Disse Harry pensativo.
— Amigo, você não bateu a cabeça ou algo assim, não é? É do Snape que estamos falando, ele te odeia e acho difícil acreditar que ele poderia te ajudar de qualquer forma. — Disse Neville confuso.
— Isso porque vocês se esqueceram que ele fez um juramento magico no início do ano para não me prejudicar. Se ele estava mesmo como vocês viram me encarando e murmurando intensamente sem desviar o olhar, então ele estava me ajudando e não me atacando. — Disse Harry e viu seus rostos clarearem quando a lembrança e realidade dos fatos os alcançou.
— Claro! Nos esquecemos completamente disso, Snape não pode te prejudicar, muito menos tentar te matar. Como pude me esquecer disso? — Disse Hermione com expressão confusa.
— Porque somos idiotas, e claro porque ficamos tão preocupados com o Harry que nos esquecemos de usar o cérebro. — Disse Terry irritado consigo mesmo.
— E também porque o Snape é o suspeito perfeito, com ele nos tratando e ao Harry com tanta aversão, porque pensaríamos em outra pessoa qualquer? — Disse Neville sensato.
Todos acenaram concordando, a verdade é que se não fosse o juramente, nenhum deles duvidaria que Snape era o vilão e provavelmente desconsiderariam a ideia de procurar outro suspeito.
— Espere, você está muito calmo Harry para quem acabou de sofre uma tentativa de assassinato. Você nem parece preocupado em saber quem é que fez isso, sem falar que ainda não entendi como você retomou o controle da sua vassoura e ainda pegou o pomo. — Disse Terry olhando o amigo com sua melhor expressão mais inteligente.
— Agora estou confuso, achei que foi a contra-maldição do Snape que permitiu que Harry tivesse o controle de sua vassoura de volta. — Disse Neville.
— Uma maldição como essa, a distância e com a necessidade de contato visual constante e ainda em um objeto magico como a vassoura, seria difícil o atacante assumir o controle total, assim como impossível que Snape anulasse completamente a maldição. — Explicou Hermione inteligentemente.
— Desculpa, não sei se entendi. — Disse Neville se sentando em uma das poltronas.
— A distância, e o fato do alvo estar em movimento e ter sua própria magia torna o atacante alguém poderoso, mas mesmo assim ele teria dificuldade de assumir completamente a vassoura e faze-la voar na direção da Floresta Proibida, por exemplo. — Disse Terry do seu jeito de explicar que todos sempre entendiam. — Isso vale para o Snape também que, pode ter ajudado o Harry, mas dificilmente conseguiria eliminar o ataque por completo. O que me leva a perguntar outra vez, como você retomou o controle e pegou o pomo? — Perguntou Terry o encarando.
Harry acompanhou o debate de seus amigos enquanto se lembrava do momento em que lutou ele mesmo contra a maldição, sua magia e a magia da vassoura e a ajuda do Snape tornaram possível que ele retomasse o controle. Tinha certeza disso e foi o que contou aos amigos, explicando em detalhes até mesmo que falara com a vassoura.
— Claro, faz sentido, vassouras são feitas de arvores com magia como as varinhas. Sua vassoura te aceitou e é leal a você Harry assim como sua varinha. Claro ainda poderíamos voar nela, mas nunca será tão boa para nós assim como sua varinha nunca funcionaria corretamente nas mãos de outra pessoa. — Disse Terry animado como sempre com descobrir novos aspectos da magia.
— Espere. — Disse Neville de testa franzida. — Você está dizendo que varinhas de não funcionam bem para outros além de seus donos?
— Quando estive na loja de varinhas o Sr. Ollivander me disse que um bruxo poderoso pode usar qualquer coisa para canalizar sua magia, na teoria. Mas que apenas com uma varinha mágica que o escolheu ele seria capaz de realizar sua melhor e mais forte magia. — Disse Harry lembrando do estranho homem.
— Escolheu? — Neville voltou a perguntar e parecia meio pálido.
— Sim, ele disse que é a varinha que escolhe ou favorece um bruxo, quando experimentamos várias varinhas é para que encontremos uma que escolha nos dar sua lealdade, seja por nossa magia ou personalidade, ou os dois. — Continuou Harry.
— Sim Neville, e se sua varinha lhe deu sua lealdade não funcionara bem para outro bruxo, dependendo do poder do bruxo ela nem funciona, ou os feitiços saem mais fracos. — Disse Terry olhando para seu amigo que agora tirou sua varinha do bolso e a olhava tristemente.
— Mas não se pode ganhar a lealdade de uma varinha? — Perguntou Neville levemente magoado.
— Pode, se você derrotar ou matar o bruxo, a varinha então reconhece você como seu novo dono. Mas eu li que isso não acontece com todas as varinhas, algumas tem uma natureza mais pacifica e não gostam se seu novo dono for um assassino ou mal e as vezes também podem não se tornarem leais. Pelo que eu li e eu não li muito sobre o assunto, varinhas são temperamentais e não tem como dizer com certeza o que cada uma vai fazer. — Disse Terry.
— Neville porque está perguntando todas essas coisas? O Sr. Ollivander não falou nada disso quando você foi comprar sua varinha? — Perguntou Hermione delicadamente.
Neville ainda olhando para sua varinha a girou lentamente como se tentasse encontrar algo nela ou na sensação de segura-la.
— Eu nunca fui comprar uma varinha, minha avó não achou que eu teria magia o suficiente para receber a carta de Hogwarts e quando a carta chegou decidiu que era um desperdício de dinheiro. — Disse Neville olhando para o chão. — Ela disse que a varinha do meu pai fora muito boa para ele e que seria boa o suficiente para mim também. Vovó sempre diz que espera grandes coisas de mim, que eu seja como meu pai e que sua varinha poderia me ajudar como o ajudou.
— Neville... — começou Hermione baixinho e depois olhou para os meninos. Foi Terry quem assumiu.
— Neville, você sabe a verdade agora, a varinha do seu pai não é leal a você e, portanto, ela vai te atrapalhar e não te ajudar. Lembra o que o Harry disse para a Hermione? — Perguntou ele, mas não esperava uma resposta e continuou. — Harry não quer ser melhor que seus pais, ele quer deixá-los orgulhosos, mas sendo ele mesmo, Harry. Na noite anterior a viagem a Hogwarts eu estava muito excitado e animado, mas quando papai veio me ver me deu a maior insegurança. Ele é um Gryffindor, assim como o vovô, mas eu sempre fui mais parecido com a mamãe e queria muito estar na Ravenclaw, mas fiquei com medo que ele se decepcionasse comigo se eu não fosse como ele. — Terry sorriu com a lembrança. — Papai me abraçou e me disse que tudo o que os pais querem é que seus filhos sejam melhores do que eles, mais inteligentes, mais espertos e mais felizes. E disse que descobriu enquanto eu crescia que o que o deixava mais feliz e orgulhoso é que eu não era igual a minha mãe, ou igual a ele, e sim uma mistura dos dois com uma pitada dos meus avós e tios e uma pitada que era só minha e que essa mistura me torna eu Terry e que ele me amava exatamente por quem eu era.
Terry se emocionou com a lembrança e fez seus amigos se emocionarem também. Pigarreando Harry se levantou e se sentou mais perto de Neville.
— Neville, estamos estudando e nos dedicando para atingir todo o nosso potencial, mas você com uma varinha, ou sem a sua varinha nunca vai atingir. É por isso que seus feitiços são fracos, você não é quase um aborto, aposto que é e será um buxo bem poderoso, mas está se limitando com a varinha do seu pai, assim como eu estaria sendo limitado por minha doença. — Disse Harry e depois todos ficaram em silencio, até que Neville guardou a varinha e falou:
— Nas férias de inverno vou conversar com minha avó e convence-la a me comprar minha própria varinha, acho que minhas boas notas vão ajudar nisso. Obrigada pessoal. — Disse ele timidamente. — Agora vamos voltar ao assunto do ataque, ainda nem falamos sobre quem poderia ser o atacante.
— Isso é obvio. — Disse Harry e se levantando começou a andar pela sala. — Meu primeiro pensamento foi de que um dos seguidores de Voldemort ou mesmo um purista que me odeia por ter matado o bruxo que livraria o mundo magico das meias raças, finalmente decidiu se vingar. Alguém como Malfoy por exemplo, ou mesmo um dos estudantes mais velhos a mando de seus pais. Mas já estabelecemos que teria que ser um bruxo poderoso, ou ao menos um bruxo adulto. — Disse Harry e seus olhos brilhavam diante do mistério e sua resolução. — Assim pensemos que alguém invadiu Hogwarts, mas já sabemos que isso seria muito difícil. O que nos leva a concluir que, é alguém que já está aqui em Hogwarts, que é purista e que não se importa de matar uma criança, e que claramente me odeia. Quem conhecemos que se encaixa neste perfil?
— O HOMEM COM O TROLL! — Exclamaram os três ao mesmo tempo.
— Exato. Nós já sabíamos que ele, seja quem for, é um purista, pois falou claramente ao troll que gostaria que ele matasse um "sangue ruim". E agora ao me atacar nos leva a ver que era leal ao Voldemort, um dos seguidores talvez ou simpatizante a causa. Se não fosse por termos ouvido a voz e visto que não era Snape e o juramento, nosso simpático professor era o suspeito perfeito. — Disse Harry com seu sarcasmo habitual.
Todos ficaram em silencio absorvendo a nova informação e foi Neville quem perguntou o obvio.
— Harry, tínhamos pensado que ele não tentaria chamar a atenção depois do Halloween, mas ele correu um grande risco hoje e pelo menos Snape sabe o que aconteceu e pode contar para Dumbledore. Você acha que ele se arriscou porque sabe que você sabe sobre ele?
Harry ficou em silencio olhou para seus amigos preocupados e suspirando decidiu fazer algo que não gostava.
— Não, acho que ele só aproveitou a chance, um impulso talvez, e acho que ele não acreditou que ninguém ligaria uma coisa com a outra. Mas agora vai ser mais cauteloso, ele sabe que alguém percebeu o que estava fazendo e se ele acreditar que o Dumbledore estará me vigiando... — Harry disse e deixou que eles absorvessem a mentira e se tranquilizassem.
Neville e Hermione relaxaram e ao olhar para o Terry percebeu que ele não acreditara nele, mas quando ele franziu o cenho e abriu a boca para contestar suas palavras, Harry sinalizou negativamente. Terry fez um bico, mas não falou mais nada.
— Harry, eu estava pensando sobre o que você disse, sabe que você retomou o controle da sua vassoura com a ajuda do Snape e a magia da vassoura e sua própria magia. Você poderia descrever melhor a sensação? — Perguntou Hermione curiosa.
— Bem, primeiro eu tentei pedir ajuda, mas depois fiquei com muita raiva de alguém me atacar e minha vassoura e atrapalhar o jogo e decidi me defender. Usei esse pensamento para proteger minha vassoura do atacante e deu certo, consegui assumir algum controle para descer mais perto do chão. Mas então eu vi o pomo e eu queria pega-lo, queria vencer, alimentei minha magia com esse sentimento, você sabe intenção e tudo, e de repente senti a maldição quebrar, pude até ouvir o estalo. E então eu estava voando livre totalmente no controle. — Explicou Harry.
— Uau e você fez essa magia toda e quebrou a maldição sem sua varinha? — Hermione estava estupefata. Terry e Neville também pareciam surpresos.
— Você fez magia sem varinha? — Neville perguntou de olhos arregalados.
— Como falamos fazer magia com o canalizador errado a enfraquece, sem um pode ser quase impossível. Apenas bruxos poderosos como Dumbledore poderia ter a capacidade de fazer alguns feitiços sem uma varinha, mas imagino que seriam mais fracos do que se usasse a varinha. — Disse Terry pensativo.
— Acredito que a explicação para isso é bem simples. — Disse Harry divertido. — Minhas emoções controlaram minha magia, foi uma magia "acidental", sem a parte do acidente, creio que o nome correto seria uma magia emocional. Acho que até posso um dia fazer alguns feitiços sem varinha, quando for adulto talvez, mas acredito que quando tentamos controlar nossa magia e estamos devidamente impulsionados pelas circunstâncias e nossas emoções nessas situações, bem acho que seria difícil minha magia não me obedecer. — Disse Harry com ironia.
Seus amigos o olharam confusos e ele contou o que aconteceu no dia em que Terry e ele descobriram o troll. Como a porta se abriu e se fechou magicamente, e como ele por puro instinto e necessidade obrigou sua magia a trabalhar para defende-lo.
— Então é isso, naquele dia o medo era tão grande, foi mais instinto do que ação consciente, eu não disse feitiço nenhum apesar de segurar minha varinha, apenas precisava que a porta se abrisse e se fechasse e minha magia cuidou disso. E eu já tinha entendido isso e hoje decidi testar se a raiva era uma emoção tão forte quanto o medo. — Disse ele a seus amigos.
— Claro, isso faz todo sentido, nossas magias acidentais são controladas pelas nossas emoções, raiva, medo, desejo. Porque não continuaria assim e se sabemos disso porque não controlar nossa magia e impulsiona-la com nossas emoções para que ela haja conscientemente e não acidentalmente. — Disse Terry animado.
— Isso seria incrível! Mas acho que o Harry está certo, não podemos fingir emoções, são as circunstancias que a impulsionam. Ainda que seria incrível se pudéssemos desenvolver uma maneira de fazer magia sem varinha. — Disse Hermione animada.
— Bem eu ficarei feliz se conseguir uma varinha para fazer magia, vou deixar para vocês essa ideia de magia sem varinha. — Disse Neville divertido e todos riram.
Depois disso eles fizeram alguns estudos e trabalharam no projeto de Herbologia. Com os livros tendo chegado a algumas semanas eles estavam bem adiantados e queriam entregar a parte teórica para a Prof.ª Sprout na primeira semana de dezembro e a parte pratica na semana seguinte. Depois do jantar eles se separaram, mas Terry não quis ir para a torre e sim voltar para o Covil, depois de deixarem os amigos na frente do retrato da Mulher Gorda.
Harry sabia o que Terry queria falar e sabia que não podia fugir disso. Assim que chegaram Terry não perdeu tempo.
— Bem, o que você estava escondendo da Hermione e do Neville. Eles não perceberam e reconheço que você conta meias verdades muito bem, mas o que você disse não fazia sentido. — Disse Terry curioso. — Eu até concordo com você que o ataque hoje foi um impulso de momento, mas se quem estiver atrás da tal pedra também quiser machucar você, ele pode ainda estar planejando um jeito de afastar o diretor e fazer as duas coisas no mesmo dia. Isso sem falar que ele pode ter outras oportunidades de exercitar seus impulsos. — Acrescentou ele com sarcasmo.
— O que eu disse pode ser verdade também, Snape percebeu o ataque e vai contar para Dumbledore, aposto que a vigilância sobre mim vai aumentar e essa pessoa vai ser mais cautelosa e não acredito que depois de tudo que aconteceu ele vai tentar roubar a pedra nas próximas semanas ou meses, a não ser que ele não seja tão inteligente como nós supomos. — Disse Harry defensivamente.
— Ok, isso tudo é verdade e plausível, mas Harry ainda não sabemos quem é o atacante, pode ser qualquer um e você ainda corre perigo, porque se ele decidir aproveitar alguma outra oportunidade poderia ter sucesso e como... — Ele parou suas palavras, olhando para o amigo com atenção. — É isso, eu conheço essa expressão, você sempre fica com esse olhar quando você sabe algo, algum mistério e mantem para si mesmo. Você sabe quem é o atacante?
— Tenha 95% de certeza de quem seja sim. — Disse Harry se levantando e se aproximando da janela, estava fechada por causa do frio, mas ainda oferecia uma linda vista.
— Mas... Harry! Você não pode nos esconder essa informação. Pensei que tínhamos superado esse problema de confiança, Hermione está se esforçando e Neville nunca nos deu motivo para não confiar nele. — Terry estava claramente chateado.
— Não é uma questão de confiança, e não é só para os dois que não vou contar, não pretendo te contar também. — Disse Harry e olhando de volta para o amigo viu sua expressão surpresa e magoada. — Terry, se eu te contar quem eu acredito é a pessoa que me atacou e deixou o troll entrar na escola, você pode me garantir que, ao ir a sua aula ou encontra-lo no corredor, conseguirá disfarçar e agir normalmente? E sobre o Neville, você acredita que ele não ficará pálido e tremulo e a Hermione não agira estranha sem conseguir fazer mil perguntas como sempre faz ou encarando essa pessoa com aquele olhar inquisitivo dela? — Perguntou Harry implacável.
Terry abriu a boca para argumentar, mas pensou e a fechou com um estalo, ficou meio pálido e suspirou derrotado com a lógica do amigo que ele não tinha como contestar.
— Você está certo, se logo depois do que aconteceu no Halloween e hoje começássemos a agir estranho, essa pessoa perceberia que sabemos ou ao menos desconfiamos dela. E aí estaríamos todos em perigo e não só você, está nos escondendo essa informação para nos proteger. — Disse Terry com uma sobrancelha arqueada.
— Sim, mas não gosto disso tanto quanto você. Acredito que saber os fatos é sempre melhor, se preparar para se proteger, estar de guarda alta. Não pretendo esconder de vocês por muito tempo, apenas agora, Neville e Hermione estão assustados com tudo o que aconteceu hoje e a duas semanas, mas no trem no caminho para nossas férias de inverno eu contarei e vocês terão muito tempo para se ajustarem e absorverem. Assim quando voltarmos, espero que vocês consigam disfarçar e se manterem calmos. — Explicou Harry, não gostava de seus amigos não saberem quem era a pessoa, tinha medo que eles baixassem a guarda e fossem machucados apenas porque eram seus amigos. Mas contar agora também seria muito arriscado.
— Você está certo Harry, não posso garantir nem a mim mesmo quanto mais os outros dois para nos mantermos calmos, poderíamos pôr tudo a perder e pior nos colocarmos a todos em perigo. Durantes as férias vamos poder relaxar e tenho certeza que voltaremos mais calmos e capazes de manter o disfarce. — Disse Terry pensativo.
Em seguida eles voltaram para sua sala comum, a festa já se encerrara e você poderia apreciar o silencio de sempre para os estudos. Que foi exatamente o que decidiram fazer.
Quando chegou ao seu quarto mais tarde naquela noite Edwiges tinha voltado com uma resposta da negociadora de livros. Depois de acariciar e conversar com sua coruja, Edwiges foi descansar e Harry leu a resposta.
Caro Sr. Potter,
Minha primeira reação foi recusar a sua oferta, mas lendo sua carta com mais atenção, percebi sua necessidade de conhecimentos e, que você adquirir esses conhecimentos não se torne conhecido por seus inimigos e pelo Ministério. Assim aceito sua oferta e espero que aceite minha discrição e lealdade, confie que não o decepcionarei.
Bem, estive em contato com os donos da Editora Aprilis e depois de me reunir com eles pessoalmente, pois queriam provas de que você é você, mostrei-lhes sua carta, concordaram em vender os 3 livros que você solicitou. Mas antes de venderem quaisquer outros livros mais avançados querem se encontrar com você e ter certeza de sua pessoa.
Acredito ser justo, Mason é muito criterioso e nos dias de hoje todo o cuidado é pouco. Assim se você quiser posso intermediar um encontro quando for de sua conveniência.
Os três livros lhes custarão 165 galeões e sei que talvez lhe surpreenda tal valor, mas tive em minhas mãos tais livros e garanto a você que valem cada centavo. Espero que possa confiar em minha avaliação.
Se decidir por comprar, por favor envie o dinheiro por sua linda coruja, manteremos tudo informal para a segurança de nós dois, bem, a minha, principalmente. Se você me permitir ficar com sua coruja por apenas um dia, poderei enviar de volta os livros com ela, assim você poderá recebe-los discretamente em seu quarto.
Caso precise de qualquer outra coisa, ficarei feliz em lhe ajudar.
Atenciosamente,
Charity Doylen
Harry escreveu de volta e separou o dinheiro para a compra. Na manhã seguinte quando Edwiges, sentindo que precisava dela, apareceu ele lhe explicou o que devia fazer, ficar por um dia e esperar sua encomenda e entrega-la em seu quarto. Sua coruja inteligente piou concordando e ele a levou até a janela e impulsionou sua decolagem.
— Fique segura, minha amiga. — Sussurrou ele enquanto a via voar em direção ao sul.
