AN: Olá pessoal, não gosto muito de notas de autores, a não ser quando tem algo importante a ser comunicado e nem quero vir aqui e ficar pedindo elogios. Mas adoraria algumas revisões, apenas para saber se estou indo em um bom caminho. Eu sinto que sim e amo essa história, mas adoraria saber o que alguns de vocês pensam. Não precisam ser elogios, apenas um avaliação sincera, perguntas ou criticas já seriam bem-vindas. Abraços a todos, Tania
Capítulo 16
Nos dias seguintes os Ravenclaws curtiram a vitória e festejaram com animação, principalmente por não estarem entre os favoritos, mas agora muitos especulavam que com um buscador como o Harry e se arrumarem a defesa, poderiam sim serem os campeões da Copa de Quadribol. Na Taças das Casas os Ravens estavam na frente por mais de 100 pontos, seguido dos Slytherins, Hufflepuffs e Gryffindors.
Quando o mês foi se aproximando do fim Hermione e Neville trouxeram novidades, Prof.ª McGonnagall fizera uma reunião com a casa e mudanças importantes estavam sendo promovidas na casa Gryffindor e, o melhor, ninguém sabia do envolvimento dos dois.
Hermione já tinha contado que Parvati e Lavander estavam um pouco mais calmas, a garota indiana que viera se desculpar com Harry, também se mostrava mais focada nos estudos, mas agora era o resto da casa que teria que se ajustar.
— Bem, ontem a Prof. McGonnagall apareceu de repente no meio da sala comunal. Ela chamou uma reunião e disse que como já passara do toque de recolher das 21 horas, quem estivesse faltando estaria automaticamente em detenção até o fim do ano. — Começou Hermione, eles se reuniram no Covil, não queriam arriscar que alguém ouvisse a conversa e percebessem o envolvimento deles nas mudanças que a professora de Transfiguração decidira implantar.
— Sim, muitos ficaram para fora e quando foram voltando de repente no meio da reunião, alguns casais, outros que estavam na cozinha e os gêmeos Weasley que estavam aprontando alguma de suas brincadeiras, foram sendo informados das detenções. — Acrescentou Neville.
— Ela começou falando que tem observado como as notas dos alunos da sua casa estão bem abaixo se comparadas as notas das outras casas. Que percebeu que os alunos do primeiro ano não se adaptam a escola facilmente e não conseguem entregar bons deveres de casa ou mostrar interesse nas aulas. — Continuou Hermione. — A professora então disse que decidiu investigar e que nas últimas semanas tem vindo a observar nossa sala comunal invisível. — Hermione não pode deixar de sorrir maliciosamente.
Neville riu e Harry e Terry os acompanhou, não queriam estar na pele dos Gryffs.
— Todos ficaram pálidos quando ela disse isso, mas McGonnagall nem piscou, e continuou dizendo que queria conhecer nossos hábitos de estudo, os métodos e os horários em que fazemos os deveres e, como os alunos mais velhos ajudam os anos mais jovens com suas dúvidas. — Disse Neville sorrindo.
— Oh! Eu adoraria ser um Doxy para ouvir essa conversa. — Disse Terry animado.
— Bem, depois disso as coisas não ficaram melhor para ninguém. Prof.ª McGonnagall estava lívida e disse que nunca se sentiu tão envergonhada de ser uma Gryffindor, mas que nas últimas semanas foi isso o que ela sentiu a cada vez que entrou em nossa torre e viu as brincadeiras, festas, barulhos e jogos. Ninguém estudando nada e ignorando o apelo por silencio, daqueles poucos que queriam estudar ou fazer deveres. — Hermione agora estava mais séria. — Ela disse que todos os monitores estão em condicional, qualquer outro problema e eles perderão seus distintivos, disse estar muito decepcionada com eles por não fazerem nada para tornar a sala comunal o que ela deve ser, um lugar de estudo, deveres e confraternização e não de festas e jogos sem fim, barulho e falta de respeito para com os colegas.
— Percy Weasley tentou se defender dizendo que ele tentou controla-los, mas que ninguém o obedecia, mas a professora o cortou e disse que ele deveria ter procurado por sua ajuda e não se calado apenas porque eram seus amigos fazendo coisas erradas. Ela deu o exemplo de que se fosse um auror, ele tinha que honrar seu cargo e distintivo e prender qualquer bandido, mesmo que seja um amigo ou familiar. — Neville contou. — Deu pena dele, para falar a verdade.
— Bem, ele era o único que tentava manter algum controle, mas depois ele se cansava e ia estudar para suas OWLs em algum lugar e nos deixava sozinhos naquela balburdia. — Acrescentou Hermione. — A professora também disse que era responsabilidade dela o que vinha acontecendo, que como tem mais duas funções na escola, seu trabalho como chefe da nossa casa estava sendo mal feito e que era sua culpa. Ela estava muito triste, disse que seus alunos eram o que tinha de mais importante em sua vida e que lamentava ver que nos últimos anos esteve mais ocupada com a burocracia da escola e não em ajudar os membros de sua casa a se tornarem talentosos bruxos e também bons seres humanos. — Disse Hermione triste.
— Ela estava muito chateada e toda a casa ficou envergonhada, todo mundo gosta da McGonnagall e acho que eles perceberam que o que aconteceu era bem sério. A professora continuou dizendo que teve uma reunião com o diretor e eles decidiram que ela deve deixar uma das funções para, assim poder realizar as outras duas de maneira correta e permitir que alguém que assuma uma das suas funções possa fazer o seu melhor. — Disse Neville muito triste agora.
— Você quer dizer...? — Harry perguntou chocado, não esperava esse desdobramento.
— Sim, ela decidiu deixar de ser a chefe da casa Gryffindor, para poder ser uma professora melhor e assumir seu trabalho como vice-diretora de maneira mais integral. Acredito que ela já até faça isso, era como chefe da nossa casa que ela vinha dedicando muito pouco tempo. — Disse Hermione e apesar de triste pela sua professora preferida, estava animada com as mudanças. — Eu gosto muito dela, é minha professora preferida, mas não estou tão triste que vão ocorrer mudanças.
— E quem será o novo chefe? — Perguntou Terry curioso.
— Bem, dos outros professores, os únicos que são da Gryffindor são o professor Silvanus Kettleburn de Trato de Criaturas Magicas, e a Prof.ª Séptima Vector de Aritmancia, a professora Babbling, Quirrell e Trelawney são Ravenclaw. A professora Burbage é Hufflepuff e Sinistra é Slytherin. Assim não há muita escolha, mas a Prof.º McGonnagall disse que a Prof.º Vector aceitou a nova função e na verdade ela já se apresentou ontem mesmo durante a reunião. — Explicou didaticamente Hermione.
— Ela começou a falar de mudanças imediatamente, disse que conversou com outros chefes de casa e que McGonnagall vai ajudá-la na transição e apoiar suas decisões. Ela é meio assustadora, sabe, do tipo McGonnagall assustadora. — Disse Neville encolhendo os ombros.
— Bem, eu gostei dela, assim que se apresentou para quem não a conhecia, ela começou a falar sobre reconfigurar a sala comunal, disse que podemos ter um lado para jogos e conversa, mas em um volume aceitável, mas que a maior parte da nova decoração será privilegiando os estudos. Ela falou que durante o verão reformas serão feitas na torre para separar sala de estudos e deveres das salas de convívio. — Hermione estava sorrindo agora. — Isso quer dizer que no próximo ano teremos a estrutura igual à da torre de vocês, ela não falou sobre os quartos, mas colocou uma caixa de sugestões e reclamações anônimas na casa. Pretendo sugerir os quartos individuais, mesinhas de chás e os livros na sala comunal. — Ela parecia muito satisfeita, sorrindo e com os olhos brilhando.
— Ok, isso vai ser incrível, e a curto prazo? O que vai mudar? — Perguntou Terry.
— Bem, basicamente, teremos alguém nos vigiando quase que o tempo todo, então não mais festas e jogos barulhentos, ela vai promover o ambiente para estudos. Temos toque de recolher para estar dormindo e estar acordado, temos horas para fazer os deveres e se descumprirmos algumas das novas regras tomaremos advertências e, três advertências uma semana de detenção que podem se acumular, para aqueles que já estão em detenção haverá ainda mais detenções e pouco horário livre e até mesmo reuniões pessoalmente com os pais, suspensão e expulsão se não houver evolução no comportamento. — Contou Neville.
— Nossa. Ela parece bem rígida. — Disse Harry.
— Sim, e eu vi alguns alunos olhando apavorados e zangados, ainda bem que ninguém sabe que é nossa culpa tudo isso, senão estaríamos em problemas. — Disse Hermione aflita.
— A culpa é deles Hermione, poderiam ter feito festas só aos sábados, ou respeitado quando você ou outros pediram silencio, foram eles que provocaram essa situação com seu comportamento absurdo e com o bullying para com aqueles que se interessam por estudar. — Disse Terry sensato.
Ninguém pode contestar suas palavras, cada casa era única e especial por suas diferenças, mas, quer quisessem aceitar ou não, eles estavam em uma escola e aprender deveria ser, se não a prioridade, pelo menos importante. Agir como se estivessem aqui para apenas brincar era jogar o dinheiro de seus pais e a oportunidade que tinham de estudar em Hogwarts, na lata do lixo.
Enquanto o zunzunzum das mudanças na torre Gryffindor se espalhavam e os alunos da casa começavam a se ajustar, muitos com dificuldades, outros tantos com muita má vontade, dezembro chegou trazendo muita neve e ainda mais frio.
Eles entregaram o projeto de Herbologia para a Prof. Sprout e na semana seguinte depois de seus elogios animados, os quatro apresentaram a parte pratica de projeto. Em uma sala de aula quentinha todos os 1º anos das quatro casas se reuniram e eles nervosamente lhes serviu chás, patês de ervas com pão com ervas (Harry os fez sozinhos, para a contrariedade de Mimy). Terry e Neville deram demonstrações do uso de algumas plantas como remédio, no passado e no presente, na vida dos trouxas. E uma animada Hermione os presenteou com sabonetes cheirosos de flores e ervas que ela explicou sua avó trouxa lhe ensinara a fazer. E contou que trouxas usavam plantas e flores em todas a linhas de higiene, sabonete, shampoo, perfumes, hidratantes corporais. A maioria dos alunos ficaram encantados, os puros-sangues surpresos e fizeram um monte de perguntas sobre como eles sabiam o que era ou não comestível sem magia, como faziam sabonetes com as ervas e flores sem Poções?
Eles explicaram da maneira mais simplificada sobre química e como tinha semelhanças com poções, mostraram fotos de laboratórios e alguns nascidos trouxas os ajudaram explicando sobre como ao longo da história se fizeram pesquisas e registros das ervas comestíveis e como haviam maneiras de se descobrir os componentes de uma planta, e que as vezes o veneno era usado em remédios assim como os bruxos os usavam em poções.
Harry observou alguns puros sangues como Malfoy que estavam ali bem contrariados aos poucos se interessarem mais pelo assunto e apesar de disfarçarem se mostraram muito surpresos com as informações e, por fim, foi MacMillan do seu jeitão sincero que resumiu a apresentação com perfeição.
— Uau! Eu não sabia que trouxas eram tão engenhosos e inteligentes. Incrível!
Naquela semana o Prof. Flitwick passou com uma lista para que, quem pretendesse ficar em Hogwarts para o Natal, a assinasse, mas Harry depois de confirmar com Terry, respirou fundo e não assinou. Os testes de meio de ano, ainda que não tão difíceis ou importantes como os Exames de fim de ano, exigiram horas extras de estudos e Trevor cancelou os treinos naquela semana sem a menor cerimônia. Não havia nada mais importante para um Raven que seus estudos e notas.
Harry não sentiu dificuldades e quando as notas individuais de cada disciplina saíram se sentiu satisfeito. As únicas notas que não foram perfeitas foram Transfiguração, na parte teórica, na pratica ele foi bem. Herbologia e História também não foram tão bem porque havia só teoria, eram muitas informações e ele não tinha a memória da Hermione, mas em todas as outras disciplinas ele se saiu bem.
— Não se preocupe com isso Harry aposto que quanto mais saudável você ficar, melhor será sua memória e concentração. — Disse Terry consolando o amigo.
— Espero que sim, mas ao mesmo tempo acho mais fácil memorizar a parte pratica da magia. Lembro de todos os feitiços e maldições que aprendi, mas não consigo me lembrar de todos esses elementos da Transfiguração, ou as propriedades das plantas ou as batalhas dos goblins e suas datas. — Disse Harry divertido.
Hermione se saíra muito bem e estava animada em contar para seus pais sobre isso.
— Mas confesso que estou mais ansiosa para falar sobre meus amigos, eu nunca tive amigos antes, sei que ficarão felizes. Que bom que você vai para a casa do Terry, se não, te convidaria para vir para minha casa, você não deve ficar aqui sozinho Harry. — Disse ela sorrindo carinhosa.
— Você poderia vir para minha casa também Harry, minha avó adoraria te conhecer, eu escrevi a ela e disse que somos amigos e que você me ajuda bastante nos estudos. E ela vai gostar das minhas notas. Transfiguração e Poções ela vai implicar, mas o resto até que foi bem. Acho que vou convence-la a me comprar uma varinha própria. — Disse Neville animado.
Neville era o melhor em Herbologia e se mantinha na média em todo o resto, mas Transfiguração era seu pior assunto, tanto pratico, já que sua varinha o desfavorecia, como teórico, sua memória o fazia confundir todos os fatos complexos do assunto. Isso acontecia em História também, mas ele não se importava muito com essa nota. Em Poções ele melhorara muito, quando conseguia ignorar Snape e os Slytherin, mas algumas vezes eles eram mais mesquinhos que o normal e, infelizmente, isso acontecera no dia do teste, resumo Neville derretera seu caldeirão pela segunda vez no semestre e acabara com uma nota zero.
Depois de combinar com os amigos de se encontrarem no jantar, o ultimo do semestre, pois estariam partindo bem cedo no trem na manhã seguinte, Harry subiu para tomar banho e terminar de arrumar todas as suas coisas. Ele decidira levar tudo que tinha com ele, deixando apenas as roupas velhas do primo e os livros e materiais escolares. Ele já terminara os deveres de férias que os professores passaram, foi Terry quem insistira nisso dizendo que haveria muita diversão e não queria ficar se preocupando com estudos.
Harry tinha tanto a fazer que esperava ter tempo para se divertir também. Suspirando ele guardou com carinho o livro de seu avô, ele terminara de lê-lo e ficara impressionado com seus antepassados. Com bondade e sabedoria, sem busca por poder ou riqueza desmedida, sua família ajudara o mundo magico a se desenvolver, magicamente, intelectualmente, judicialmente, politicamente. Seu avô encerrara o livro falando um pouco de si e sua história, um dos maiores duelistas do mundo magico por causa das provocações ao seu nome, Fleamont. Contara de seu amor por sua avó e que seu maior feito seriam os filhos que teria. Sua percepção dos preconceitos no mundo magico e luta contra isso politicamente mostrou para Harry a grandiosidade da responsabilidade que tinha diante de si e como teria sido bom ter ele e seus pais para ensina-lo e guia-lo.
Suspirando, Harry também guardou com cuidado os livros de Aaron Mason, eles eram incríveis e valia cada centavo. Todos tinham ilustrações coloridas de todas as maldições e contra maldições, feitiços e contrafeitiços que descrevia. O livro, A magia defensiva na prática e seu uso contra as artes das trevas, Vol. 1, tinham dez volumes e Harry não via hora de pôr a mãos nos mais avançados. Seu foco era na defesa, inclusive pensar, antecipar e planejar diante do perigo. Defendia o trabalho físico e até incentivava a aprendizagem de alguma luta física. No mundo magico, a luta de espada e a esgrima eram as únicas lutas que se ensinava, lutas corporais eram menosprezadas e Mason mencionava com muito desprezo esse aspecto da cultura puro sangue. Harry terminara o livro em uma semana e treinara as magias diligentemente.
O livro, Compreensão das Artes das Trevas, saiba contra o que está lutando se concentrava mais nas artes das trevas, não ensinando os feitiços escuros e sim falando sobre eles, seus efeitos e como combate-los, quais poderiam passar por uma barreira de Protego fraco e incentivava a usar em uma luta de vida ou morte as barreiras mais fortes e avançadas, além de barreiras físicas que poderiam ser convocados ou conjurados durante a batalha. Mason frisava que eram maldições de batalha, mas que com a magia você deveria considerar qualquer ataque uma batalha e usava a maldição imperdoável Imperius, como exemplo. Era um livro bem assustador, Harry ainda não o terminara, mas ele abrira seus olhos para as maldades que poderiam ser feitas as pessoas por seus semelhantes.
O 3º livro, A Jornada para seu Mestre em Defesa Contra a Artes das Trevas era o mais acadêmico dos três e falava sobre a disposição de sua magia para o assunto, explicando que algumas pessoas tinham aversão ou dificuldades, porque sua personalidade e sua magia não interagiam bem com as artes das trevas mesmo que fosse na busca para se defender dela. Ele também explicava os passos necessários para se tornar um Mestre sobre o assunto, havia inclusive um capítulo sobre como ser um bom professor e outro que, Harry não via a hora de ler, sobre criação de maldições e contra maldições.
Depois de arrumar tudo, fechou o malão e separou seu pijama da noite, sua roupa para viajar amanhã e um livro de criaturas magicas. Algo bem inocente. Quando terminou de arrumar e limpar seu quarto, Edwiges apareceu.
— Ei, garota, na hora certa. — Disse ele sorrindo e pegando as cartas que deixara para ela levar, explicou. — Edwiges, essas cartas vão para os meus pedidos de presente, são muito importantes, preciso dar presentes de Natal para todos os meus amigos e para a Sra. Boot em agradecimento por ela me receber em sua casa. Assim que as entregar você deve ir me encontrar na casa do Terry está bem? Ou você prefere voltar para a escola? — Perguntou ele, mas sua coruja imediatamente piou que não e bagunçou seu cabelo. — Ótimo, vamos ter um bom tempo na casa dos Boot, acho e.…, bem vai ser bom ter você lá comigo. Agora vá e faça uma viagem segura, minha amiga.
Assim que Edwiges saiu pela janela, ele a fechou para conservar o calor e ouviu uma batida na porta. Terry surgiu pronto para descer ao banquete de despedida.
— Terminou de arrumar tudo? — Perguntou ele olhando em volta. — E você limpou o quarto também? Você sabe que quando voltar em janeiro vai estar precisando limpar de qualquer forma, não é?
— Sim, mas o Prof. Flitwick passou a lista com o móvel que queremos, eu escolhi um conjunto de mesa e uma cadeira, assim ele com a ajuda de Bubbles vai vir ao meu quarto e quero que ele encontre tudo limpo. — Disse Harry enquanto saiam do quarto e desciam as escadas.
Terry arregalou os olhos e bagunçou os cabelos arrumados, ainda não entendia porque ele perdia tempo se em 5 minutos estava tudo uma bagunça.
— Me esqueci disso, pedi uma estante, não tenho espaço para os meus livros. Quando voltar do jantar vou limpar tudo. — Disse ele e logo depois se encontram com Michael e Anthony conversando com Morag.
— Eu disse, não sou um purista Anthony, mas a festa é para a alta sociedade bruxa. Morag, por exemplo, é mestiça e foi convidada. — Dizia Michael aborrecido.
Anthony tinha uma expressão magoada e Morag, parecia que queria sumir.
— O que foi? —Perguntou Terry.
— Bem, a família do Michael vai dar uma festa e ele não pode convidar o Anthony. — Disse Morag.
— Não é que não queira te convidar, primeiro quem convida são meus pais e segundo os convidados são apenas as famílias da alta sociedade bruxa, o fato de a maior parte delas ser puro sangue é apenas um detalhe. E não é minha culpa. — Disse Michael ainda mais irritado.
— Eu entendi, apenas achei que como seu amigo o fato de minha família não ser antiga ou bruxa não importaria, porque se for pelo dinheiro, minha família é bem rica. Me desculpa, mas acho esse critério da sua família exclusivista e preconceituoso, igual as aulas que descobrimos esse ano. — Disse Anthony e depois se virou e saiu da sala comunal sozinho.
Harry e Terry seguiram atrás conversando sobre a discussão.
— O problema Harry é que essas festas são mesmo elitistas e alimentam o preconceito, mas a família Corner precisa dessas famílias da alta sociedade. Seu pai é um advogado e administrador de muitas dessas famílias. E se aparecerem por lá com convidados, vamos dizer, abaixo deles ou pior um sangue ruim, isso acabaria com seus negócios. — Explicou Terry com asco.
— Isso é horrível, mas talvez quando Michael assumir os negócios da família, ele possa mudar isso. — Disse Harry.
Eles chegaram ao Grande Salão e falaram de coisas mais amenas enquanto comiam. Assim que a sobremesa acabou o Diretor Dumbledore se levantou e pediu silencio. Todos se aquietaram imediatamente.
— Boa noite a todos. Eu sei que depois do nosso delicioso jantar vocês estarão ansiosos para terminarem de empacotar as malas para partirem para casa amanhã. Mas antes de irem o Prof. Flitwick tem algumas novidades para vocês, espero que gostem. — Disse Dumbledore sorrindo animado.
O professor Flitwick se levantou e subiu em uma cadeira que estava mais perto do centro, colocada ali para ele, provavelmente.
— Boa noite. Eu recebi a algumas semanas o pedido de alguns alunos para aprenderem carpintaria magica, um ramo muito interessante da magia e muito útil. — Disse ele com sua voz esganiçada. — Essa era uma disciplina que existia entre as eletivas em Hogwarts, mas isso se perdeu com o tempo. Agora, depois de conversar com o nosso Diretor e conseguir autorização do Conselho de Governadores, vamos voltar a ter essas aulas.
Houve um burburinho entre os alunos e Harry e Terry sorriram um para o outro empolgados.
"Não serão aulas eletivas obrigatórias como antes e sim optativas. Assim aqueles que tiverem interesse em aprender esse maravilhoso aspecto da magia, deverá pegar comigo na saída uma autorização para seus mais assinarem o seu consentimento. Existem alguns materiais necessários para se comprar para as aulas. Elas serão as tardes de sábados a cada 15 dias, e dependendo do número de alunos, haverá apenas uma turma sem separação por casa ou ano. — Explicou Flitwick animadamente. — Por favor, só se disponham a fazer a aula se estiverem dispostos ao trabalho duro, pois será exigido e ensinado a vocês muita magia e trabalhos físicos também. O professor que contratamos estará aqui na noite do retorno de vocês em janeiro, ele é muito competente e experiente na arte e espero que vocês aprendam muito e se divirtam nessas novas aulas.
Logo depois ele desceu da cadeira e se aproximou de uma mesa cheia de papeis e esperou. Harry foi o primeiro a se levantar, seguido de Terry, mas logo vários alunos de várias idades se aproximaram interessados e conversando sobre as novidades. Harry pegou a lista de material e a autorização, imaginando como faria para sua tia assinar e com uma coruja entregando o maldito papel, ela o rasgaria com certeza. E ele queria tanto essas aulas, porque essa autorização era necessária?
Depois de agradecer a Flitwick ele se afastou irritado, e se encostou na parede esperando seus amigos.
— Essas aulas serão bem legais Owen, mas essas ferramentas, estão com cara de serem caras. — Disse uma voz perto do Harry. Era uma menina do 3º ano, nascida trouxa também como Owen, e como ele parecia ter uma situação financeira difícil.
— Você acha Meg? Seria incrível aprender uma profissão ainda em Hogwarts. Poderia até fazer alguns trabalhos e ganhar um dinheiro para ajudar meus pais antes mesmo de me formar. — Respondeu Owen pensativo olhando para a lista. — Talvez eu encontre eles usados em algum lugar, meus pais mal conseguem pagar a mensalidade de Hogwarts, nem sei o que vão dizer quando contar a eles que apesar de minhas boas notas não vou ter um bom emprego no mundo magico. Todo o trabalho duro deles por nada, vou acabar tendo que trabalhar nas fabricas de Cork como eles nunca quiseram para mim. — Disse Owen chateado.
— Não pense assim Owen, você está estudando no mundo trouxa agora também e é tão inteligente, talvez consiga alguma bolsa de estudo no mundo trouxa, para a faculdade, estou com esperança disso para mim também, se não nem sei no que vou trabalhar. — Disse a menina, Meg.
— Meus pais estão trabalhando demais, fazendo horas extras Meg e ainda cheios de dividas, como posso pensar em ir para a faculdade por mais 4 anos e não os ajudar. E minha irmã, com o que eles pagam para mim vir a Hogwarts, poderiam pagar para nós dois para ir a uma boa escola particular. Linda estuda em uma escola pública, tudo para mim ser um bruxo. Mas esse projeto, poder ser o que eu precisava, apenas preciso comprar as ferramentas. E você? Pretende se ins... —E eles se afastaram em outra direção sem vê-lo ali ouvindo a conversa.
Harry engoliu em seco e olhando em volta, imaginou quantos outros alunos tinham o mesmo problema. E se perguntou pela primeira vez quanto era a mensalidade de Hogwarts.
— Ei, vamos subir? — Perguntou Terry se aproximando.
Hermione e Neville estava com ele e eles pretendiam ir para o Covil, mas mudou de ideia e antes decidiu ir para seu quarto.
— Vocês vão para o Covil, vou no meu quarto por um momento, quero pegar uma coisa. — Respondeu Harry, rapidamente se separou dos amigos e subiu mais rápido para seu quarto.
Ao chegar lá ele reabriu seu baú e pegou o que precisava. Saiu e trancou seu quarto e foi direto para o Covil, onde seus amigos já estavam conversando. Hoje Harry havia decidido contar sobre sua conversa com Flitwick a eles, sobre Mason e a censura do Ministério, os comerciantes informais e Sirius Black.
— Oi, eu ouvi uma conversa mais cedo no Salão Principal. — Começou o Harry e contou rapidamente sobre o que ouviu Owen e sua amiga Meg conversarem. — Não tinha pensado em dar presentes de Natal para o pessoal do time, mas agora vou escolher um presente para cada um e assim dou o estojo de ferramentas para o Owen.
— Isso é muito legal de você Harry, Owen parece ser um garoto bem legal. — Disse Hermione se aproximando e olhando os folhetos com curiosidade. — Eu não sabia que as lojas tinham folhetos, isso é muito legal, poderia até já ter escolhido seus presentes de Natal, mas deixei para ir comprar com meus pais pessoalmente. — Disse Hermione pegando o folheto de Charity.
Harry suspirou e olhou para Terry que acenou seu apoio e então ele decidiu explicar isso primeiro.
— Bem isso estava entre as coisas que eu queria contar a vocês, Flitwick me contou e pediu a máxima discrição, mas acredito que posso confiar em vocês. — Disse Harry e rapidamente explicou sobre como o professor ajudava seus ex-alunos, sobre os comerciantes informais e o perigo que corriam e sobre como o laboratório da torre também se beneficiava e ajudava essas pessoas.
— Você quer dizer que o Prof. Flitwick não apenas quebra as regras da escola, mas também ajuda a enganar o Ministério? — Perguntou Hermione chocada.
Harry acenou olhando preocupado para sua amiga, esse era o maior teste que Hermione estava passando depois das mudanças de opiniões e suas promessas no Halloween. Se ela não aceitasse o que Flitwick fazia poderia colocar muitas vidas em risco.
— Oh! Ele quebra todas essas regras e ajuda um monte de pessoas que são prejudicadas por todas essas leis absurdas e preconceituosas, além de ajudar os Ravenclaws a se tornarem bons potionners. — Disse ela ainda com sua expressão de choque absoluto. — E eu o julgando por isso. — Hermione os olhou e sorriu timidamente e um pouco envergonhada. — Prof. Flitwick acabou de se tornar minha pessoa favorita no mundo todo. Deixe-me ver esses folhetos, quero ajudar, vou comprar com eles os meus presentes para dar neste Natal.
Harry sorriu aliviado e olhando para Terry e Neville, percebeu o mesmo alivio em seus sorrisos. E logo eles se moveram para se sentarem no chão em volta da mesa e analisarem os folhetos. Harry escolheu os presentes para seus colegas de time sem dificuldades. Apenas MacMillan e Melrose foi mais difícil, já que não era tão amigo deles, mas depois sorrindo decidiu para MacMillan um vinil dos Beatles, talvez ele ficasse mais legal apreciando uma boa música e para Melrose um livro sobre a vida de Winston Churchill, um dos maiores políticos ingleses e ainda trouxa. Rindo, imaginou a expressão do garoto purista ao receber o presente.
Ele já enviara com Edwiges o pedido de presentes para seus colegas de ano, não era tão próximo de Michael, Lisa e Anthony, mas eles ainda eram bons companheiros e lhe apoiaram em muitos momentos nesse semestre. Decidira que alguns chocolates era um presente adequado. Para as meninas, Morag, Padma e Mandy ele também mandaria chocolate, mas acrescentara alguns vinis de bandas trouxas, sabia que elas gostariam, pois estavam sempre falando sobre alguma banda. Mandy e Morag conheciam a música trouxa e apresentaram a Padma.
Para Neville ele escolhera junto ao Herbolista uma planta trouxa rara chamada, Cypripedium calceolus que era o tipo mais raro de orquídea selvagem do continente e um livro de plantas e flores raras do mundo trouxa. Seu amigo gostara muito do projeto de Herbologia que fizeram e mostrara interesse nas inúmeras espécies que trouxas descobriram e classificaram. Para Hermione, ele escolhera um livro sobre Transfiguração e outro sobre animagus. Eram livros sem censura do Ministério, assim acreditava que ela gostaria das muitas informações adicionais.
Para os Boots era o mais difícil, a família era enorme e era difícil comprar presentes para todos. Assim depois de pedir conselhos para Mandy, ele decidira por alguns doces caseiros, seria algo mais apreciado e divertido do que doces comerciais. Ele foi escondido para a cozinha e assara com a supervisão de Mimy, que ficara chateada por ele e não ela cozinhar, mas Mimy não conseguia lhe dizer não. Harry fizera várias fornadas de biscoitos natalinos com glace e colocara em caixinhas vermelhas. Deram 16 caixas com 6 biscoitos em cada uma.
Apenas para Terry e a Sra. Boot ele daria algo mais pessoal. Para seu amigo ele escolheu um casaco de pele de Dragão Negro, era muito legal e era de tamanho adulto, mas o encanto se ajustaria ao tamanho atual de Terry e cresceria com ele até chegar ao tamanho de um adulto alto. Para a Sra. Boot ele comprara um relógio bem feminino e bonito, era de ouro rosa e madrepérola. Mais uma vez Mandy o ajudara a escolher, ela sempre se vestia com bom gosto e parecia entender de coisas femininas.
Por fim ele separa alguns biscoitos e luvas para Hagrid, biscoitos e meias para Flitwick, além de comprar algumas toucas de gatos para Mimy e Bubbles, para eles protegerem suas orelhas pontudas do frio e em agradecimento por toda a ajuda que lhe deram.
Edwiges fora entregar todos esses pedidos de presentes e ele teria que pegar uma coruja da escola para pedir os presentes para seus amigos de time. Olhando para seus amigos, viu eles animadamente discutindo opções de presentes, sorrindo Harry pensou que estava preparado para o Natal, esperava apenas ter acertado no presente de todos, afinal essa era a primeira vez que comemoraria o Natal. Nos Dursley depois de ajudar a preparar a comida e ser servido algo simples como pão e queijo, costumava ser trancado no armário e não participava das celebrações.
— Bem, queria contar para vocês outras coisas que o Flitwick me contou, primeiro sobre os livros... — E contou a eles suas descobertas e como o Ministério censura o acesso a livros e censura a edição dos livros para que eles soubessem apenas o que eles queriam.
— Mas..., mas o que isso quer dizer? Eles estão mentindo? Tudo que está nos livros que eu leio da biblioteca é mentira? — Balbuciou Hermione completamente pálida.
— Não exatamente Hermione, a censura não é mentira exatamente, é mais contar a versão deles dos fatos, ou simplificar ou principalmente cortar informação, assim só sabemos o que eles querem que saibamos. — Explicou Terry.
— E aprendemos o que eles querem que aprendamos. — Disse Harry e pegou o livro de Mason e mostrou a eles. — Esse seria um livro de qualidade para nosso primeiro ano, tem mais de uma dezena a mais de feitiços, todos ilustrados, nos orienta a pensar, questionar e pesquisar. Mas é proibido pelo Ministério, foi publicado sem seguir suas regras e assim custa quase 3x mais que o livro da nossa lista de material escolar por causa das taxas. Eles controlam a magia que aprendemos, assim nunca aprendemos toda a magia disponível. — Contou ele folheando o livro.
— Mas... isso é incrível! Você o comprou? Porque não nos disse? — Disse Hermione deliciada com o livro de Mason.
Harry explicou as dificuldades de Charity em conseguir e o desejo dos donos da Editora em encontra-lo.
— Mason não parece se importar com dinheiro, ele não quer que pessoas que seguiam Voldemort ou ainda acreditam nesses preconceitos tenham acesso. Infelizmente é muito caro e, claro, proibido pelo Ministério, chegou só a algumas semanas e eu estive lendo, tem mais dois e assim que terminar empresto para vocês. Mas esse, vocês não precisam ler, vou preparar algumas boas aulas extras de Defesa com as informações nele.
— Isso é horrível, eu não entendo, se as pessoas sabem que isso acontece por que não fazem nada. Minha avó, Dumbledore, os professores. — Disse Neville indignado.
— Porque eles são minoria e sabem que não vão conseguir mudar nada, a menos que se unissem, assim nem tentam e muitos não sabem ou se importam. E quem sofre na verdade são famílias bruxas pobres e nascidos trouxas, ou você acha que uma família rica como os Corners e os MacMillans não terão acesso a esses livros ou a tutores que lhes darão aulas durante o verão? — Disse Terry com cinismo. — Mesmo minha família, eu com certeza terei minha mãe me dando algumas aulas extras, assim como meu pai e avô.
Hermione estava bem chateada, aprender era muito importante para ela, havia tanto a se aprender na biblioteca, mas era horrível considerar que esse conhecimento era limitado e muito mais era proibido de ser alcançado pelos alunos.
— Bem, continuando eu perguntei ao professor sobre meus pais e quem eram seus amigos e o que aconteceu com eles. — Harry então explicou sobre Sirius Black e como Terry e ele concluíram que havia algo muito mal explicado na história toda.
— Mas Harry, se ele está na prisão é porque deve ser culpado já obviamente foi condenado. Ele provavelmente era um espião nessa tal Ordem e pode ter sido responsável por vazar informação e quando Voldemort decidiu matar seus pais, Black informou onde eles estavam escondidos. Não me parece que haja nada estranho nisso. — Disse Hermione sensata.
— Sim Hermione, parece simples assim, mas você tem que considerar todo o contesto. — Disse Terry e explicou tudo o que ele e Harry conversaram desde o primeiro encontro no trem. — Vocês entendem? Hermione talvez seja mais difícil para você, mas mesmo no mundo trouxa, imagine uma criança herdeira de uma família importante e rica, mantida longe de quaisquer amigos de seus pais, isolada em parentes que nunca o quiseram. E a pessoa que o deixou lá nunca aparece, uma única vez, para checa-lo e principalmente contar sobre sua família, sua história, seus deveres. E tudo se torna pior porque Harry deveria ter sido preparado, treinado, ensinado o mínimo de magia para saber se defender, pois ele tem inimigos. — Explicou Terry incisivamente.
— Então vocês estão sugerindo que o diretor Dumbledore deixou Harry na casa dos seus parentes e prendeu ilegalmente seu possível guardião para o que, alguma segunda intenção nefasta? Roubar seu dinheiro? — Perguntou Hermione exasperada. — Olha eu reconheço os defeitos do diretor, mas isso é ir um pouco longe, vocês não acham?
— Hermione, não sabemos os muitos porquês, faltam muitos dados, sabemos disso e não, não acreditamos de Dumbledore seja um ladrão. Mas pense, quem eram os amigos ainda vivos de Lily Potter, minha mãe e Maria MacDougal, Harry conversou com Morag e escreveu para a tia dela que disse o mesmo que a minha mãe. Ela tentou encontrar o paradeiro do Harry, ao menos visita-lo, mas foi impedida. Dos amigos de James Potter, apenas Remus Lupim não está preso ou morto, aposto que ele também tentou encontrar o Harry e foi impedido. E quanto ao testamento dos Potters? Eles eram inteligentes o suficiente para deixar tudo organizado, afinal estavam vivendo uma guerra. E porque Hagrid foi levar sua carta, a mando de Dumbledore, você recebeu inúmeras informações com a visita de um professor, Harry nem o kit para os nascidos trouxas. E ele é um Potter e o menino-que-sobreviveu. — Quando terminou seu discurso ele estava ofegante.
Harry ouviu em silencio e nada disse, Neville também ficou calado desde que ouvira o nome de Black. Hermione analisou tudo o que ele e agora Terry explicou e suspirando acenou concordando.
— Ok, concordo que tem muitas perguntas sem respostas e que foi errado alguém impedir o testamento de seus pais ou afastar você dos amigos deles que sobreviveram. Mas Harry, aí a pensar que um assassino condenado é inocente ou supor que Dumbledore o isolou nos seus parentes por algum motivo obscuro. — Ela moveu a cabeça negativamente. — Eles eram sua única família, o diretor colocou você lá e provavelmente nunca imaginou que você não seria bem quisto ou tratado bem, ou que eles não lhe contariam a verdade sobre quem você era. — Concluiu Hermione.
— Sim, e sobre prepara-lo para se defender, até você sabia mais sobre o mundo magico do que o Harry, ele era um gatinho entrando em uma toca de lobos. E sobre isso? — Perguntou Terry implacável.
— Bem... eu não sei, talvez ele queira que Harry fosse criança o máximo de tempo possível e não lhe contar que ele corre perigo ou tem inimigos. Talvez acredite que aqui Harry estaria protegido por ele e que talvez o Harry não precisasse de treinamento especial. — Disse ela bem hesitante.
— São muitos talvez, Hermione. — Disse Terry olhando-a divertido.
— Bem..., e você Neville o que pensa? — Disse Hermione tentado disfarçar as dúvidas.
— Não posso falar nada sobre Black, apenas que sua família é uma das mais escuras do nosso mundo. Eles são maus e seguiram abertamente e com orgulho Vol... Volde... mort. Mas concordo que existem muitas questões estranhas e, em se tratando do Ministério, acredito que já sabemos que não podemos confiar. — Disse Neville muito sério. — Sobre todo o resto, sinto muito Hermione, mas discordo de você. O que foi feito para o Harry não é simplesmente "errado", foi e é criminoso. Um Potter crescer sem saber que é um bruxo, sua história, tratado mal por parentes e chegando ao mundo magico ignorando tudo e sem saber segurar sua varinha. Isso sem considerar que ele é o menino-que-sobreviveu. — Neville estava irritado agora. — Se sua família não o queria, ele devia ter sido trazido de volta ao mundo magico, Harry poderia ter vivido com os Boots, os MacDougal, até comigo. Meus pais e seus pais eram muito bons amigos e minha avó era amiga da sua avó Euphemia Potter, assim não era por falta de uma família que você não foi deixado aqui. E mesmo que ele tivesse ido morar com famílias que o amavam era obrigação de quem o afastou do nosso mundo checa-lo, ter certeza de que ele estava bem e ensina-lo a ser quem ele é, um bruxo e o herdeiro de uma das famílias mais importantes e respeitadas em nosso mundo. — Neville estava vermelho e nenhum dos amigos o viu tão zangado.
— Ok, entendi, eu não tenho como compreender a dimensão disso tudo que aconteceu e concordo que é tudo muito suspeito. Não vou ficar defendo quando na verdade tenho um monte de perguntas também. — Concordou Hermione, bem menos contestadora do que era antes.
— Não quero também bancar o paranoico que vê perseguição por toda a parte. Mas que tem muita coisa sem explicação, com certeza tem. — Disse Terry e depois olhando para o amigo. — E você Harry não vai dizer o que pensa?
— Eu estava ouvindo suas opiniões, e eu as respeito todas. — Disse Harry suspirando e se levantando caminhou até a janela. — No fim o que importa é que existem muitas perguntas sim e eu quero saber a resposta de cada uma delas. Onde está e porque o testamento dos meus pais não foi respeitado? Porque eu tive que ir viver no mundo trouxa e com parentes que não me queriam? Porque pessoas boas e que amavam meus pais foram impedidas de chegar até mim? Porque é tão importante para Dumbledore que eu continue na ignorância, nunca me visitar, me preparar para assumir meu lugar como membro da minha família e da nossa sociedade, enviar Hagrid que não tinha qualificação para me apresentar ao mundo magico. Mesmo supondo que Dumbledore acreditou que minha tia me contaria minha origem, ela não sabe quase nada sobre o mundo bruxo, assim não poderia me preparar para os perigos e inimigos que encontraria quando chegasse a Hogwarts. Perigos que ele mesmo reconheceu a Flitwick que eu corria. — Passando as mãos pelos cabelos agitado, Harry encarou os amigos com determinação. — Porque Voldemort queria matar meus pais, eles estavam escondidos a meses, não estavam mais lutando contra ele. E como, se Black era o espião, eles se mantiveram vivos por tanto tempo, quando é obvio que seria ele o único que saberia onde estavam. Mas mesmo supondo que Black seja o culpado, eu também quero saber porque, ele era o melhor amigo do meu pai desde os 11 anos e quero saber porque ele os traiu. — Engolindo em seco a raiva e angustia, Harry voltou a olhar pela janela e sussurrou bem baixinho. — Eu mereço saber.
Antes do toque de recolher Harry e seus amigos foram enviar seus pedidos de presente pelas corujas da escola. E em seguida voltaram para suas torres.
— Bem a nossa torre vai ficar vazia. Todos estão tendo um pouco de dificuldades de se ajustarem as regras, quer dizer elas sempre existiram, mas não eram cumpridas. — Explicou Hermione.
— Bem, Ron me disse que ele e seus irmãos planejavam ficar, pois seus pais iam visitar seu irmão mais velho Charles, ele trabalha como Domador de Dragões na Romênia. Mas com tudo o que aconteceu, bem, a Prof.ª Vector escreveu aos pais deles por causa dos gêmeos que não conseguem seguir as regras e estão cheios de advertências e detenções. E ela também escreveu por causa da qualidade do trabalho escolar dele. Assim eles cancelaram a viagem e os rapazes voltarão para casa para o Natal. Ron estava muito chateado por que sabe que vai ter muita bronca e tarefas como castigo. — Contou Neville.
— Bem pelo menos não teve mais Howlers, isso já é um alivio. E afinal em quantos irmãos eles são? — Perguntou Harry curioso.
— Hum, acho que são 7, além do Domador de Dragões, Ron também falou de um que trabalha como Disjuntor de Maldição para Gringotes. E ele mencionou algumas vezes uma irmã mais nova, ele parece não gostar muito dela, quer dizer, diz que é chata e não está ansioso para ela vir para a escola no ano que vem. — Contou Neville.
Harry acenou e teve um vislumbre de lembrança de uma menina ruiva com sardas e lagrimas no rosto que correra atrás do trem acenando adeus loucamente, meio sorrindo meio chorando.
Na manhã seguinte Harry entrou no trem e tentou ignorar o frio na barriga que pensar nos próximos dias na casa dos Boots lhe trazia. Sentado com seus amigos no compartimento ele ouviu suas conversas sobre a carpintaria mágica. Hermione decidira não se juntar a aula, ela confessara que pesquisara sobre o assunto o aspecto aventureiro do projeto não a interessara. Terry confessou que se sentia do mesmo jeito, mas entre querer aprender novas magias, montar seu quarto e apoiar o Harry, ele decidira se inscrever. Neville estava fascinado de encontrar madeiras e usar suas mãos e magias para construir algo. Harry sentia a mesma fascinação, ainda que ele estava menos interessado na questão botânica e sim na aventura e magia.
— Você está muito silencioso Harry, achei que seria o mais animado sobre essas aulas. — Comentou Hermione folheando um livro de Transfiguração, seu assunto favorito.
— Não sei se farei as aulas. — Disse simplesmente, olhando pela janela não sabia o que sentir sobre isso, o antigo Harry se conformaria, sabendo que com seus parentes ele nunca teria nada de bom e era melhor esquecer e não se empolgar com nada. Mas o Harry dos últimos meses estava com raiva, muita raiva e não conseguia aceitar mais a crueldade deles, que ele não merecia.
— O que? — Terry perguntou chocado. Neville e Hermione também pararam o que faziam para encara-lo.
— Preciso que meus responsáveis assinem a maldita autorização, se a enviar para meus tios assinarem por uma coruja vou lembra-los que eu existo. Minha tia disse em alto e bom som que me queria bem longe até o verão, assim ela poderia esquecer da minha existência. E pior vou faze-los pensar em magia que eles odeiam tanto quanto eu. — Harry voltou a olhar para a janela tentando controlar a raiva. — Se enviar Edwiges terei sorte se ela voltar inteira e com certeza eles rasgarão a autorização sem nem se importarem em ler, muito menos assinar.
Houve um silencio mórbido na cabine por alguns minutos, seus amigos percebendo que Harry estava muito zangado, até que Terry falou baixinho.
— Pensaremos em alguma coisa Harry, sempre há uma solução para os problemas, apenas temos que encontrá-la.
Harry não respondeu, não queria ter esperança, a verdade é que também passara as últimas semanas se esforçando, apesar do seu tratamento médico, a esquecer da existência dos Dursley e, essa autorização, o forçara a lembrar o que o esperava em alguns meses, e por todo um longo verão.
Duas horas depois a senhora com o carrinho de doces passou. Harry pegou alguns pasteis de abóboras e sapos de chocolates. Neville e Terry também pegaram alguns doces, mas Hermione quis só um suco de abóbora gelado. Harry então decidiu que era um bom momento para falar sobre seu suspeito.
— Eu queria falar com vocês sobre quem eu suspeito seja o homem com o troll e que me atacou no dia do jogo. — Começou Harry e viu seus três amigos o encararem, apenas Terry não estava surpreso e sim expectante.
— O que? Como assim? Você tem um suspeito? Desde quando você suspeita de alguém e não nos disse? — Perguntou Hermione do seu jeito intenso.
— Desconfio desde o jogo e não contei antes porque tive receio que vocês não conseguissem disfarçar e, se ele percebesse, isso os colocaria em perigo — Disse Harry abrindo um dos sapos e dando uma boa dentada.
— Mas..., mas Harry! — Hermione estava indignada. — Nós merecíamos saber depois de tudo o que passamos e como vamos nos defender se não sabemos quem é a pessoa que...
— Hermione. — Interrompeu Terry. — Eu percebi no dia do jogo que o Harry estava nos escondendo alguma coisa e fiquei chateado também, mas ele argumentou que como estava muito perto dos ataques e estávamos muito tensos e ansiosos, poderíamos não conseguir agir normalmente. Ele não me contou também e eu não insisti, eu não poderia nem me garantir de que teria sangue frio para me deparar com o atacante e não mostrar no meu rosto que eu sabia ou desconfiava dele. Vocês podem ter certeza absoluta que poderiam ter essa frieza? — Argumentou Terry sensato.
— Não, acho que ficaria apavorado e acabaria mostrando meu medo. — Disse Neville sincero.
— Pois eu não, sei que poderia disfarçar meu medo e ansiedade, você deveria ter nos perguntado o que queríamos Harry e não decidido por nós. — Hermione cruzou os braços irritada.
— Talvez, da próxima vez deixo que cada um decida por si, mas enquanto você poderia ter disfarçado sua expressão, tive receio em relação ao seu comportamento habitual. — Explicou Harry calmo. — Se parasse o habito de fazer perguntas, ou se ficasse encarando ele como se fosse um livro que você quer entender, daria tudo a perder.
— Eu não faria isso! — Hermione olhou para os outros e viu que eles pareciam duvidar dela, corando continuou. — Ok, talvez eu poderia ter sido curiosa ou eu poderia ter ficado pouco à vontade para fazer perguntas em sala de aula sabendo o que ele fez, mas eu ainda preferiria ter decidido por mim mesma e... — Ela parou encarou Harry com um olhar aguçado. — Nós estamos em sua sala de aula? É um dos nossos professores?
— Quirrell. — Respondeu simplesmente Harry antes de abocanhar a cabeça de outro sapo. — E espero que durante as férias vocês consigam absorver isso e não mostrar para ele que desconfiamos dele.
— O que? — Perguntou Terry chocado.
— Quirrell? — Hermione também surpresa.
— Mas…, Quirrell é um medroso, acho que nem eu sou tão covarde quanto ele. — Disse Neville estupefato.
— Você não é nenhum covarde Neville, e nem Quirrell é um medroso, ele apenas disfarça bem, é um bom ator para conseguir enganar até os professores e o diretor. — Disse Harry depois olhando para seus rostos duvidosos, suspirou. — Ok, entendo a dúvida, mas vamos a alguns fatos. Sabemos que quem entrou com o troll e me atacou é a mesma pessoa, que é um homem e que está em Hogwarts. Todo mundo concorda?
— Espere, não sei, até concordo que é a mesma pessoa, mas ainda não tenho certeza que não é alguém de fora que encontrou um jeito de entrar na escola. — Argumentou Hermione pensativa.
— Sim, mas sua ideia é a própria contra argumentação, porque se essa pessoa tem acesso a Hogwarts sempre que quiser, porque não roubar a pedra ou me atacar em momentos menos público. O que ele fez foi apenas chamar atenção, agora a pedra e eu estamos sendo mais vigiados. — Disse Harry.
— Claro, se essa pessoa pode entrar sempre que quiser faria isso bem quieto, esperaria um dia que Dumbledore esteja fora da escola e entraria pelo alçapão sem alarde. E nem tentaria roubar Gringotes, porque dar o aviso que tem um ladrão atrás da pedra. E já concordamos que ele atacar Harry foi um impulso, assim ele já estava ali assistindo ao jogo. — Disse Terry animado.
— Ok. — Pensativa buscou um argumento, mas ao não encontrar Hermione continuou. — Ok, concordo com vocês, faz mais sentido ele já estar em Hogwarts, mas sobre ele ser homem, bem poderia ser uma mulher disfarçando a voz. — Acrescentou pratica.
— E porque ele disfarçaria voz se não sabia que estava sendo ouvido? E se ele soubesse que estávamos lá porque falou todas aquelas coisas? Mesmo supondo que "ela" lançou suspeita a um "ele", seria muito mais fácil tirar o troll sem revelar nada e assim nem haveria um suspeito. — Argumentou Harry com inteligência.
— Ele está certo Hermione, se soubesse que estava sendo ouvido, poderia ter tirado o troll calado e sem saber que estávamos ali não tinha porque disfarçar a voz e para mim foi a voz de um homem. — Disse Neville.
— Ok, concordo. — Suspirou e depois olhou para o Harry. — Mas isso não é razão para acreditar que é o Quirrell.
— Bem, esses são alguns dos fatos que já descobrimos ou acreditamos ser o mais possivelmente próximo da verdade. — Continuou o Harry. — Se pensarmos em quantos homens tem em Hogwarts podemos excluir alguns. Snape, já havíamos concluído não ser meu atacante e que estava tentando proteger a mim e a pedra. Dumbledore e Hagrid, os dois estiveram com a pedra em mãos e agora a protegem, não acredito que queiram rouba-la. Ou me machucar, claro. — Harry fez uma pausa olhando para os amigos e os três acenaram concordância. — Assim fica o Prof. Afon de Música, Prof. Waldau que ensina os Estudos dos Vampiros, Prof. Flitwick, Prof. Kettleburn, Quirrell e Filch. — Harry enumerou os suspeitos.
— Você pode tirar o Filch, ele é um aborto, não poderia controlar o troll ou te atacar. — Disse Terry pensativo.
— Como você sabe disso? — Hermione o olhou curiosa.
— Bem, é algo que todos sabem, não sei quem me contou, mas mesmo antes vir a Hogwarts ouvi algum comentário sobre o "zelador aborto da escola que é insuportável". — Disse ele com um encolher de ombros.
— Que grosseria, Terry, não devia falar assim dele. — Disse Hermione desaprovadora.
— Ei, eu disse que ouvi não que eu disse, além disso ele é bem chat zelador, e um aborto. Não falei nada demais. — Terry se defendeu.
— Isso explica porque ele é tão chato, ser um aborto e trabalhar em uma escola de magia e tudo. — Disse Neville simpático.
— Bem, Harry, de qualquer forma acho que você pode tirar o Flitwick da lista, não acredito que nosso chefe de casa...
— Espera, não podemos tirar ele da lista de suspeitos só porque é o chefe da Ravenclaw, precisamos de um motivo mais forte, até porque ele já é conhecido por não seguir as regras. — Argumentou Hermione.
— Hermione, isso é obvio, eu já estive sozinho com ele, Flitwick poderia me machucar ou até me envenenar com o chá que me serviu. Sem contar que ele tem acesso fácil ao meu quarto quando estou dormindo. E ele é um Ravenclaw, é inteligente o suficiente para entrar pelo alçapão sem precisar de um troll estupido. — Disse Harry impaciente, não gostava que criticassem seu chefe de casa apenas por tentar ajudar os outros.
— Além de tudo isso Flitwick não é um purista Hermione, é por isso que ele quebra todas essas regras que você mencionou, para ajudar nascidos trouxas. — Defendeu Terry igualmente incomodado.
— Sim, desculpe. — Hermione ficou vermelha de constrangimento. — E sobre os outros?
— Bem, eu não conheço os outros três, assim deixemos eles como suspeitos por enquanto e analisemos outros fatos. — Disse Harry e seus olhos brilhavam diante do mistério a ser desvendado. — Adivinhem quem eu encontrei na minha visita ao Beco Diagonal no dia do meu aniversário e da tentativa de roubo do cofre? Hagrid nos apresentou e eu apertei sua mão e tudo.
Seus amigos ficaram surpreso com essa nova informação, mas Terry logo entendeu e perguntou surpreso.
— Quirrell?
Acenando Harry continuou:
— Quem é o novo professor este ano? Eu verifiquei, todos os outros três são professores a anos, assim quem conseguiu convenientemente uma vaga no lugar onde algo valioso estaria escondido e no ano em que eu começaria Hogwarts?
— Quirrell. — Respondeu os três amigos acompanhando seu raciocínio.
— Quem fala gaguejando em um sussurro inaudível em sala de aula, os outros nós não ouvimos a voz já que não temos aulas com eles, mas essa é a questão, afinal a voz que falou com o troll nos foi familiar. Assim, quem fala em um tom diferente do que ouvimos naquela noite, como se estivesse disfarçando ou fingindo uma gagueira para se passar por um medroso inofensivo?
Harry viu seus amigos arregalarem os olhos e começarem a pensar com mais cuidado.
— Quirrell. — Responderam mais uma vez.
— Quem entrou no grande salão informando sobre o troll nas masmorras e logos depois desmaiou, ficando, convenientemente, sozinho no Grande Salão enquanto todos os professores iam atrás do troll no lugar onde ele os enviou, bem longe do 3º andar? — Perguntou Harry quase divertido agora.
— Quirrell! — Eles exclamaram agora com expressões surpresas.
— No dia do jogo eu passei várias vezes pelo camarote dos professores, Quirrell estava lá, difícil perder seu turbante roxo. Depois que peguei o pomo, subi bem alto para mostrar ao estádio que o pegara e também para dar uma olhada em volta e ver se via alguém suspeito. E para minha surpresa foi o que eu não vi que foi suspeito, qual dos professores não estava no camarote? — Perguntou Harry olhando-os com as sobrancelhas arqueadas.
— Quirrell! — Gritarem mais uma vez juntos.
— Sim, pode ser tudo coincidência, mas é muita coincidência para uma pessoa só, assim eu tenho uns 95% de certeza que ele é nosso homem. E também porque acho ele um professor horrível e sempre tenho uma enorme dor de cabeça quando saio da sua aula. — Disse Harry aborrecido.
Depois ficou em silencio deixando seus amigos absorver tudo o que ele dissera. Olhando pela janela pensou em seu falso, gago e medroso professor de Defesa. Saber que Quirrell era o culpado não era o mesmo que ter provas e em teoria os adultos da escola devem ter chegado as mesmas conclusões que ele, até porque teriam ainda mais dados. Se não fosse pelo fato de Quirrell ter tentando lhe matar Harry não se preocuparia com essa história de pedra, pois acreditava que as proteções e mais o diretor Dumbledore seriam o suficiente para detê-lo. Mas com Quirrell atrás dele e podendo machucar um dos seus amigos, não fazer nada não era uma opção.
— Harry você pode estar certo e pensando em tudo isso que descobrimos, não seria melhor avisarmos um adulto? Dumbledore? — Perguntou Hermione preocupada.
Terry acenou concordando, enquanto não cego aos defeitos dos adultos como sua amiga de cabelos encaracolados, Terry tinha a tendência a acreditar que os adultos resolvem tudo e o melhor é deixar nas mãos deles. Suspirando Harry olhou para Neville e eles trocaram um olhar de cumplicidade, Neville como ele, não confiava nos adultos tão facilmente.
— Ele já sabe. — Disse Harry simplesmente.
— Mas... — Hermione parou sem entender.
— Espera, você acredita que Dumbledore já sabe tudo isso e que Quirrell é o responsável pelo troll e seu ataque? Como? E se é esse o caso porque ele continua na escola? — Perguntou Terry também surpreso.
— Bem, imagino que sendo ele muito mais inteligente que nós 4 juntos, Dumbledore ligou os pontos. Hagrid deve ter dito a ele que encontrou o Quirrell na visita ao Beco, ou eu imagino que depois da tentativa de roubo ele ao menos investigou e perguntou se Hagrid observou alguém nos seguindo e com quem nos encontramos. A questão do troll é óbvia, e ele deve ter percebido ou sido informado pelo Snape que alguém tentou acessar o alçapão e quem não estava nas masmorras? E o ataque, já conversamos sobre o fato de que o Snape contaria ao diretor o acontecido e aposto que ele deve ter percebido que o turbante roxo não estava mais no camarote bem na hora que minha vassoura apresentou problemas. O fato dele ter percebido tão rapidamente a ponto de tentar me ajudar me leva a pensar que Snape já estava em observando e, como sabemos que ele me odeia, é possível que Dumbledore ordenou que ficasse atento a qualquer tentativa contra mim. Lembrem-se que o diretor contou a Flitwick temer que os antigos seguidores de Voldemort poderiam tentar se vingar. — Explicou Harry calmamente.
— Ok, ok. Deixe-me pensar parece até que deixei meu cérebro escorregar em algum lugar por aí. — Disse Terry, exasperado bagunçou os cabelos bem assentados. — Ok, você está certo, Dumbledore é considerado um gênio e um grande bruxo, ele já deve saber tudo isso, mas a questão é porque Quirrell não foi preso ou demitido, imagino que seja porque ele não tem provas. Ele deve estar querendo pega-lo em flagrante e assim pode chamar os aurores. — Disse Terry mais animado.
— Claro! Isso faz sentido. Ele só tem especulações e deve querer pegar o Quirrell em flagrante. — Disse Hermione sorrindo. — Eu não gosto da ideia do Quirrell continuar na escola, mas se Dumbledore já sabe que ele é o atacante e está atento me sinto mais tranquila.
— Eu não acho que seja tão simples assim. — Disse Neville encarando a expressão de Harry com atenção.
— Como assim? O que perdemos? — Perguntou Terry confuso.
Neville deu de ombro ainda olhando para o Harry, ele não entendia completamente, mas podia ver nos olhos de seu amigo de óculos que sua mente estava inquieta e mesmo Neville sentia que estava olhando para a direção errada.
— Harry? — Perguntou Hermione hesitante.
— São só perguntas. — Disse Harry passando a mão pelos cabelos e suspirando. — Eu não sei nada, apenas tenho um monte de perguntas.
— Mas isso é bom, é com perguntas que chegamos aos fatos. Harry, se não formularmos perguntas como saberemos que tem coisas que não entendemos ou não sabemos? — Disse Terry. — Vamos lá, talvez se todos nós pensarmos juntos possamos descobrir juntos, talvez não agora, mas juntos temos mais chances de encontrar uma resposta.
— Bem, a primeira seria o que é essa tal pedra? E porque ela é tão valiosa e importante? Quirrell está trabalhando sozinho ou tem mais seguidores de Voldemort envolvido nisso tudo? Minha volta ao mundo magico tem algo a ver com isso tudo? Esse roubo tem a ver com Voldemort? Porque Dumbledore sabendo que alguém tentaria roubar a pedra decidiu esconde-la na escola onde dezenas de alunos estão vulneráveis? Porque não a esconder em um lugar desconhecido e não contar a ninguém? Quem seria capaz de tiras essa informação dele? Se a intenção sempre foi montar uma armadilha para o ladrão, anunciando para toda a escola sobre o corredor do 3º andar, montando as proteções para tentar pega-lo em fragrante, porque não montar a armadilha em outro lugar onde não estivéssemos no caminho? E se Quirrell me odeia e quer se vingar o que ele pretende fazer depois de pegar ou fracassar em pegar a pedra? Dumbledore considerou isso? Que eu estaria em perigo e, se o fez como disse a Flitwick, porque não foi me visitar e ensinar magia mais cedo, porque me permitiu entrar como um gatinho em uma toca de lobos, que ainda por cima tem um lobo assassino e que me odeia bem ali à espreita? Ele está me testando? E se sim, por que? — Harry terminou a perguntas e olhou com atenção para os amigos.
Todos estavam chocados e sem palavras, pois pareciam ter percebido que seja o que fosse que acontecia em Hogwarts, era muito maior do que eles haviam considerado.
— Sim, acho que não é tão simples mesmo. — Disse Neville.
Algum tempo depois eles finalmente chegaram a estação, mais sérios do que deveriam para crianças indo para casa de férias no Natal. Pegando seus baús eles se despediram com Harry os orientando a esquecer de tudo isso e curtir o Natal.
— Teremos que estar prontos quando voltarmos, assim é melhor relaxarmos e nos divertirmos um pouco. Bom Natal para vocês. — Disse ele estendendo a mão. Hermione parecia querer abraça-lo, mas depois desistiu e apertou sua mão com um sorriso.
Eles desceram na plataforma e Neville rapidamente encontrou sua avó e se aproximou dela. Ela não disse muito, o cumprimentou brevemente e eles foram na direção das lareiras para a viagem de flu. Harry observou com curiosidade, no kit para os nascidos trouxas os meios de transporte eram algumas das informações. Aparatação parecia algo bem útil para se saber, o ônibus magico bem pratico, mas o uso do pó de flu em uma lareira acesa era no mínimo assustadora.
Hermione seguiu pela barreira para o mundo trouxa, para encontrar seus pais e Terry olhou em volta procurando alguém da sua família.
— Ali, meu está bem ali, vamos Harry. — Disse Terry animado e caminhou rapidamente mais para o fim da plataforma.
Harry seguiu atrás com seu malão, ele usara um feitiço de pena nele, mas já começava a desgastar.
— Oi, papai! — Exclamou Terry.
E um homem alto com uma juba de cabelos castanhos escuros se virou na direção deles. Terry tinha alguma semelhança com ele, o queixo e formato do rosto, as sobrancelhas grossas, o cabelo escuro liso e farto. Como seu filho, Sr. Boot usava o cabelo bem assentado, provavelmente usava algum produto no cabelo para tirar seu volume. Ele era como na foto do casamente, mais velho, com algumas linhas de expressões no rosto, mas com um sorriso bonito e olhar de falcão.
— Vem Harry, vou apresenta-los. — Disse Terry arrastando seu malão com dificuldade, seu feitiço se desgastara mais cedo. — Papai, oi! Pai, quero que conheça meu amigo, Harry Potter, Harry este é meu pai, Falcon Boot. — Continuou sorridente e animado Terry enquanto olhava em volta procurando alguma coisa.
— Olá senhor, prazer em conhece-lo. — Disse Harry e estendeu sua mão educadamente, pensando que seu nome combinava muito com seu olhar, Sr. Boot parecia um falcão.
— Ora, Harry o prazer é todo meu, e veja se não estou olhando para uma cópia de James Potter, bem aqui na minha frente. — Ele sorriu gentilmente e todo ele pareceu mais acessível, apertando sua mão firmemente continuou. — Meu pai ficará emocionado. E Terry, meu filho o que está procurando? — Perguntou sem ainda deixar de olhar Harry com atenção, mas parecendo perceber sem precisar olhar o que Terry fazia.
— Onde está a mamãe? — Perguntou Terry entre surpreso e desapontado por ela não estar na plataforma.
— Ahh, imaginei que era ela que você procurava. Sua mãe não veio, tinha muito que arrumar na casa, cozinhar o jantar e, como vamos para St. Albans de trem, não queria se atrasar com tudo. — Disse Sr. Boot olhando para seu filho divertido, depois piscou para Harry e continuou. — Sei que não sou seu pai preferido, mas espero servir ao menos para te levar para casa.
— O que? Não papai, não foi isso, apenas achei que seria ela que estaria mais desocupada, porque já não está mais trabalhando. — Disse Terry apavorado de magoar seu pai, mas ao ver seu olhar divertido, percebeu a provocação e os dois riram divertidos. — Bem, de qualquer forma, acho que apesar de velho, você serve. — Provocou Terry de volta seu sorriso ainda maior.
— Velho!? Vem aqui seu atrevido, onde está meu abraço. — Disse Sr. Boot parecendo zangado, mas era só fingimento porque ele agarrou o Terry e o abraçou em um abraço de urso e Terry derreteu no abraço imediatamente.
Harry arregalou os olhos para a troca e sentiu uma quentura estranha no peito quando eles se abraçaram, quando começaram a sussurrar um para o outro, Harry imediatamente desviou o olhar, não queria constranger seu amigo.
Virando a cabeça olhou mais para o fim da plataforma e viu os irmãos Weasleys com uma mulher mais velha, gorda e ruiva. Ela estava gritando com eles, mas, felizmente, Harry estava longe o suficiente para não entender o que dizia. Ron estava com cabeça baixa e mesmo os gêmeos pareciam meio caídos, tentavam aparentar indiferença, mas mesmo desta distancia dava para perceber que suas palavras o atingiam. O monitor era o único que ouvia de cabeça erguida, Harry imaginou se pretendia contar para os pais que estava de condicional e poderia perder seu distintivo. Não entendia porque ela estava gritando com eles aqui na plataforma, porque não esperava chegar em casa e aí os repreendia?
Suspirando Harry já ia desviar o olhar quando viu uma menina a alguns passos dela, a menina ruiva que correra atrás do trem, reconheceu ele. A tal irmã de Weasley que ele não estava animado que viesse para escola. Ela parecia legal, olhava em volta procurando alguma coisa, mas era muito pequena e seja o fosse que procurava a plataforma tinha muita gente e não lhe permitia enxergar. Terry parecia adorar seus irmãos mais novos e disse que seria legal se fossem mais velhos e viessem mais cedo para Hogwarts, assim não entendia porque Weasley não gostava da irmã vindo no próximo ano.
Finalmente a garota desistiu de procurar ou foi obrigada a desistir, quando sua mãe agarrou seu braço e a puxou na direção da barreira do mundo trouxa. Harry voltou seu olhar para seu amigo e seu pai que estavam sorrido carinhosamente um para o outro, mas não se abraçavam mais.
— Bem, é melhor partimos, quero pegar o trem das 15 horas para St. Albans, devemos chegar em casa em uma hora dependendo, se a neve não nos atrasar muito. — Disse Sr. Boot olhando relógio de bolse de ouro muito elegante que usava. Depois pegou a varinha e apontando para o baú do filho silenciosamente o fez desaparecer. — Agora o seu Harry, ele estará em seu quarto quando chegarmos ao Chalé Stone Grove, assim viajamos sem peso. — Explicou ele e viu quando seu baú sumiu com um movimento silencioso de varinha.
Depois disso o Sr. Boot os conduziu rapidamente para a barreira que levava ao mundo trouxa. Eles atravessaram e Harry não pode deixar de lembrar da última vez que estivera aqui, quando perdido chegara a pensar que perderia o trem, mas, incrivelmente, foi sua tia Petúnia que, querendo se livrar dele por vários meses, o ajudou na maneira correta de chegar ao Expresso de Hogwarts.
— Eles caminharam rapidamente pela estação enorme e abarrotado de pessoas que estavam bem encapuzadas. O dia estava, particularmente, frio e úmido e havia previsão de neve para a noite, contou o Sr. Boot enquanto os meninos o seguiam até a plataforma do trem que os levaria para St. Albans. Eles chegaram com alguns minutos de sobra e enquanto esperavam Terry começou a perguntar sobre a família, os irmãos, os avós, tios e primos.
— Estão todos bem Terry, não o veremos hoje, pois sua mãe quer passar um tempo com você, ela sentiu muito sua falta e seus irmãos o mesmo. Além disso ela quer que o Harry tenha uma primeira noite tranquila antes de ser apresentado ao resto da família. Ela não quer te sobrecarregar Harry. — Disse ele enquanto o trem parava na estação e abria as portas. — Vamos lá, entrem e fiquem perto, tem muitas pessoas viajando de e para Londres por causa das compras de Natal.
Eles entraram e conseguiram um espaço com cadeiras duplas confortáveis uma de frente a outra e uma mesinha no meio. Terry se sentou na janela, seu pai no banco ao seu lado e Harry se sentou na outra janela de frente para seu amigo.
— Papai. — Começou baixinho Terry quando o trem fechou as portas e saiu da estação. — Porque não fomos de flu ou de aparatação?
— Porque imaginamos que o Harry aqui nunca antes usou esses meios de transportes mágicos. — Respondeu ele também em um sussurro e olhou interrogativamente para Harry, que acenou com a cabeça concordando. — Assim, achamos muito perigoso que ele usasse flu sem experiência previa e ser ensinado corretamente, Harry poderia acabar em alguma lareira errada e se perder. E quanto a aparatação, não queríamos que Harry passasse o resto do dia enjoado, você sabe que as primeiras vezes podem causar um forte mal-estar.
— Oh, faz sentido. — Disse Terry sorrindo.
— Desculpe Sr. Boot, causar tantos problemas. — Disse Harry sentido o estomago afundar, nem chegara a casa deles e já estava dando trabalho.
— Oh, não Harry, não é problema algum. — Disse Sr. Boot sorrindo gentilmente. — Vou confessar a você que desde que minha Serafina me apresentou ao mundo trouxa descobri muitas coisas de que gosto, entre elas é seu transporte público, os trens estão cada vez mais práticos, rápidos e modernos. Claro que com magia você faz as coisas em um instante, mas pense assim, cada vez que vou aparatar preciso encontrar um lugar discreto para não ser visto pelos trouxas, e as vezes com crianças de estomago cheio essa é uma péssima e nojenta ideia, se é que você me entende. — Sr. Boot sorriu divertido e outra piscadela, Harry fez uma cara de nojo com a imagem. — E lareiras também não tem em todos os lugares, alguns pontos públicos as vezes tem e em quase toda casa bruxa há uma, mas chegar sem avisar é bem, não muito educado. — Explicou ele. — Assim me acostumei a usar o transporte público trouxa para ir trabalhar todos os dias, é incrivelmente relaxante. Ah, e nada de me chamar de Sr. Boot, esse é o meu pai, se você me chamar assim isso vai ficar confuso rapidamente quando estivemos todos juntos, assim me chame de Sr. Falcon ou Falc, é assim que todos me chamam.
— Sim, senhor. E obrigada Sr. Bo... quer dizer, Sr. Falcon, por me receber na sua casa para o Natal, prometo não dar muito trabalho, senhor. — Disse Harry rapidamente e sentiu seu rosto esquentar.
O pai de Terry o olhou por um momento com seus olhos azuis de falcão, lhe ocorreu que ele devia ser um bom advogado. Depois ele sorriu gentilmente suavizando toda a sua expressão e Harry relaxou um pouco.
— É um grande prazer recebe-lo em nossa casa Harry, você é, afinal, membro de uma família amiga da nossa família a gerações. É filho de bons amigos meu e de minha esposa, neto de um grande amigo do meu pai e, ainda mais importante é o melhor amigo de meu filho. — Explanou o Sr. Boot sorrindo divertido na direção de Terry. — Na verdade Terry falou tanto de você nas suas cartas que é quase como se o conhecesse.
Terry ofegou de surpresa e seus olhos castanhos se arregalaram, olharam para o pai e depois para o Harry, corando um pouco.
— Isso não é verdade Harry, papai pare de me envergonhar na frente do Harry, você vai. — Disse Terry indignado.
Sr. Boot riu divertido e Harry o acompanhou, Terry riu também apesar de ter corado ainda mais ao perceber que caíra na provocação de novo.
— De qualquer forma Harry, meu filho nos falou muito bem de você em suas cartas, assim, estamos muito felizes em conhece-lo e tê-lo para as Festas conosco. Na verdade, minha mulher poderia sair voando de tão alegre ela está, pensei até em lhe dar uma poção de sobriedade. — Ele disse rindo e os meninos riram com ele.
Durante os 35 minutos de viagem de trem Harry pode perceber que o Sr. Boot era um cara bem divertido e que Terry e ele se davam muito bem, apesar de seu amigo ser do tipo mais sério.
Quando desceram na estação em St. Albans eles caminharam para o estacionamento, o frio intenso os fez entrar rapidamente no carro preto, Harry só conseguiu perceber que era um Audi dos mais novos e modernos e ele sabia disso porque vira seu tio o cobiçando em uma revista quando ele fora lançado no ano anterior. Harry olhou em volta da cidade, apesar do frio e da neve havia muitas pessoas circulando pelas ruas, ele ficou impressionado com quão bonita St. Albans era. Era claramente uma cidade histórica, pois sua arquitetura era antiga e estava cheia de igrejas e catedrais.
Eles passaram por muitas casas bonitas de tijolinhos vermelhos e parques com muitas arvores sem folhas e neve branca e marrom que caíra nos últimos dias. Lembrando que Terry disse morar em um chalé imaginou que eles vivessem mais fora da cidade. Quando passaram por um enorme parque chamado Verulamium, Terry começou a lhe contar a história da cidade e como sempre Harry se viu fascinado pela História e a maneira simples e fácil que Terry a contava.
— Precisamos vir até o Museu Verulamium, é muito legal e os muros de pedras romanas então, são incríveis. Tem também o teatro e o parque, mas esses são melhores no verão. — Enquanto Terry falava animadamente, seu pai deixou de vez a cidade para traz e eles dirigiram cada vez mais para noroeste, saindo da rodovia e pegando uma estrada simples cercada por arvores Harry percebeu que o Chalé Stone Grove ficava mesmo em um bosque.
A viagem depois que deixaram a cidade ainda demorou mais 20 minutos, mas finalmente Sr. Boot entrou por uma estrada de pedras e cascalhos e o carro chocalhou um pouco enquanto avançava por um caminho fechado dos dois lados por Bordos, Carvalhos e Freixos, Harry percebeu que agora não estavam apenas indo paralelamente ao bosque e sim adentrando nele.
— Agora já entramos em nossa propriedade Harry, vovô e vovó moram na Abadia Boot, fica mais ao norte, é mais uns 20 minutos de carro, e nós moramos aqui. É o Chalé do filho mais velho a muitas gerações e um dia se quiserem papai e mamãe também podem morar na Abadia. — Explicou Terry olhando em volta da paisagem com carinho.
— Como assim? — Perguntou Harry confuso.
— É uma tradição Harry, famílias antigas como a sua ou não tão antigas como os Boot tornaram isso comum, principalmente, pela necessidade que se tinha de viverem perto de suas famílias. Antigamente com trouxas os perseguindo ou mesmo devido aos conflitos entre bruxos era perigoso morar muito distante. — Explicou o Sr. Boot apesar de ainda estar concentrado na estrada, ele dirigia muito melhor que seu tio. — A família, então, tem uma mansão ou castelo, no caso dos Boots, como nos estabelecemos em uma região histórica e religiosa, uma Abadia, e uma casa de campo ou chalé nas proximidades. Quando o filho mais velho e herdeiro se casa ele e sua nova esposa tem privacidade para começar sua nova vida juntos sem precisar morar na casa da família. Mas quando os pais ou as vezes um dos pais morrem não é incomum que esse filho mais velho se mude para a Mansão e assim o chalé fica livre para que o próximo primogênito o ocupe um dia, entende?
— Sim, quer dizer que um dia o senhor vai se mudar para a Abadia Boot e Terry terá o chalé para viver quando se casar. — Disse Harry seus pensamentos se voltando para seus pais.
— Exato, mas isso vai demorar muito, muito tempo, além disso minha mãe ama o Chalé Stone Grove, duvido que ela algum dia queira sair. — Disse Terry divertido.
Sr. Boot riu e concordou.
— Você está certo, provavelmente Terry se mudará direto para a Abadia, não é como se você não goste do lugar, felizmente. — Comentou o pai de Terry e depois de fazer uma última curva, parou o carro em frente a uma das casas mais bonitas que Harry já vira. — Tem como não amar viver aqui?
Não, pensou Harry, era de tirar o folego. Apesar de ser chamada de Chalé, era bem maior e mais imponente que o nome sugeria. Toda de pedra amarela e cinza, com janelas azuis Ravenclaw, abertas e receptivas, tinha três andares e duas chaminés que expeliam fumaça branca. Seu jardim e arbustos estavam sofrendo pelo inverno, mas podia visualizar que na primavera e verão seria cheio de flores e verde. Seu telhado estava cheio de neve, assim como o chão do jardim e as arvores do bosque que o cercava, com as luzes já acesas dentro davam uma atmosfera de cartão postal, mas ainda parecia um lar e um bem aconchegante.
— É linda — Sussurrou Harry e recebeu um sorriso de volta dos dois Boot e um segundo depois Terry saltou do carro ansioso para ver sua mãe.
Harry os seguiu mais timidamente pelo caminho de pedra até a varanda, subiu os degraus e olhou para a flores nos vasos que não deveriam estar floridas e imaginou que era a magia trabalhando para mantê-las tão vivas e bonitas. Quando entrou pela porta no hall de entrada, Terry e o Sr. Boot já tinham desaparecido na sala mais à frente. Engolindo em seco de ansiedade, Harry fechou a porta grande de carvalho vermelha Gryffindor, tirou o casaco pesado e o pendurou no mancebo na entrada onde os casacos de Terry e de seu pai estavam. Depois caminhou na direção do murmúrio de vozes, mas antes de entrar na sala, ouviu uma voz de mulher falar mais alto.
— Onde ele está? Não me diga que você o esqueceu lá fora, Falc. Porque se você o deixou em qualquer lugar que não seja quente dentro de casa... — Antes que ela pudesse continuar Harry surgiu no pórtico da sala de estar aconchegante e quente com a lareira a acesa e bonita decoração.
Na sala além de seu amigo e o pai, haviam duas crianças que estavam agarradas a Terry, uma menina de cabelos cacheados, pele de chocolate e olhos azuis de falcão, de uns 8 anos o abraçava pelo peito. E um menino, parecido com o irmão mais velho até nos olhos castanhos tranquilos, o apertava pela cintura. Ao lado deles estava uma mulher alta e magra, negra, com cabelos cacheados amarrados para o alto com um lenço azul e usando um pulôver da mesma cor e calças cinzas escuras. Ela estava de botas pretas e era muito bonita, olhava para Harry com gigantes e redondos olhos castanhos cheios de lagrimas e carinho.
— Oi. — Disse Harry suavemente e, sem saber o que fazer com todos o olhando, acenou e deu outro passo para dentro da sala.
Sra. Boot pareceu despertar e deu os passos restante em sua direção e apesar que não se sentir ameaçado Harry se encolheu instintivamente e ela percebeu na hora, ao em vez do abraço enorme e apertado que planejara lhe dar, Serafina Boot apenas estendeu a mão e acariciando seu rosto com carinho e sem deixar de olha-lo nos olhos sussurrou:
— Olá Harry, você não pode imaginar como estou feliz em finalmente encontra-lo e olhar para esses olhos outra vez, você tem os olhos de sua mãe e como sua mãe você tem sua alma no olhar. — Disse ela carinhosamente e com a voz engasgada, mas felizmente ela não chorou e sim sorriu para ele, Harry não resistiu e, sentindo uma quentura estranha no peito, sorriu de volta. — Bem-vindo a casa Boot, Harry. Seja muito, muito bem-vindo.
Harry olhou em volta da sala, Sr. Boot também sorria e parecia emocionado, as crianças o olhavam com olhares curiosos e sorrisos gentis. Terry ainda com seus irmãos agarrados a ele como se quisessem espreme-lo lhe dirigia o maior sorriso que Harry já vira e nunca lhe pareceu tão feliz. Sim, ele pensou, sentia-se muito bem-vindo.
