NA: Obrigada pelos comentários. Kalil era o nome do meu cachorro que morreu ano passado, quis fazer uma pequena homenagem a ele. Espero que gostem do Boots tanto quanto eu. Beijos, Tania.

Capítulo 17

O silencio na sala só durou alguns instantes, antes que Harry pudesse responder ou se apresentar formalmente, um cachorro grande de pelo longo caramelo entrou na sala e saltou sobre Terry que com três pesos sobre ele não conseguiu mais se manter em pé e caiu no chão em um monte de braços e pernas emaranhadas e com o enorme cachorro o esmagando.

— Ufff! Não Kalilllll…. Agggghhh! — Gritou Terry enquanto caia no chão.

Harry arregalou os olhos e viu o enorme e saudoso cachorro começar a lamber o rosto do amigo com carinho e muita baba.

— Não Kalil... Kalil, para garoto, papai me dá uma ajuda aqui! — Exclamou o amigo e Harry não aguentou mais e caiu na gargalhada.

Qualquer tensão ou constrangimento se desfez enquanto Harry ria vendo o sempre bem arrumado e sério amigo amassado no chão pelos irmãos e o cachorro, com as roupas e os cabelos bagunçados e cheio de baba. Quando os adultos viram a cena corriqueira olharam curiosos, não para o filho, mas para Harry que parecia espantado e nunca ter visto crianças e cachorros juntos se cumprimentando ou brincando. Eles trocaram um olhar e depois sem poder se conter diante da gargalhada alegre e contagiosa, os dois riram também.

— Ei, parem de rir e alguém me dá uma mão. Levanta Ayana, Adam você também está me esmagando aqui, amigo. Kalil para garoto de me lamber, eu sei, senti sua falta também, mas para de me babar todo. Papai! — Gritou Terry em desespero e Harry segurou o estomago de tanto rir, lagrimas escorreram por seu rosto.

— Ah! Ah! Ah! — Harry gargalhou sem poder se controlar e desejou ter uma câmera para uma foto. Hermione e Neville amariam ver, e ao pensar na expressão deles quando lhe contassem a cena diante dele, Harry riu ainda mais. — Ah!Ah!Ah!.

— Ei, Harry vou te pegar por isso! — Gritou seu amigo e olhando todos rindo não conseguiu se conter e começou a rir também e o Golden Retriever começou a latir animado.

Finalmente depois de alguns minutos Sr. Boot decidiu ajudar o filho mais velho e tirou cada um de seus filhos mais novos de cima dele e os colocou de pé.

— Pronto, agora acho que você consegue lidar com o Kalil. — Disse ele divertido.

Terry de sentou e abraçou o cachorro pelo pescoço sussurrando e acariciando, Kalil se acalmou e ficou sentado ouvindo e curtindo a festa que Terry fazia nele, com um sorriso bobo e babão no focinho.

— Bem crianças, venham aqui, vamos nos apresentar para nosso convidado. Sejam educados. — Disse Sra. Boot puxando os filhos mais novos a frente de Harry que felizmente conseguira parar de rir e limpar as lagrimas do rosto e se colocar apresentável também. — Harry estes são meus filhos mais novos Ayana Carole Madaki Boot e Adam Áquila Madaki Boot. — Apresentou a Sra. Boot com um sorriso animado e brilhante como o de Terry. — E eu sou Serafina Madaki Boot, é um grande prazer conhece-lo.

— Eu sou Harry Potter, prazer em conhecer vocês. — Disse Harry sorrindo timidamente e os cumprimentou apertando suas mãos firmemente. Adam lhe deu um sorriso tímido e Ayana um malicioso igual ao do Sr. Boot.

— Oi, Harry, é verdade que você é o novo buscador da Ravenclaw? Mesmo estando no primeiro ano? E você realmente está corrigindo as receitas de poções dos livros? Você pode me ensinar a fazer isso e a voar como um natural como Terry disse que você faz? — A menina bonita de olhos azuis de falcão soltou as perguntas em rápida sucessão e o olhou com uma expressão "não ouse me dizer não".

Harry engoliu em seco e com olhos arregalados olhou para Terry em busca de ajuda, mas o amigo ainda sentado no chão e abraçado ao cachorro apenas sorriu divertido e com o olhar deixando claro que era por conta dele.

— Pay Back, amigo. — Ele sussurrou e Harry lhe lançou um olhar atravessado, depois voltou a encarar a menina inquisitiva.

— Hum, bem Ayana, você vê que, bem, tanto voar como as poções hum, vem naturalmente para mim eu acho, assim não saberia como ou o que te ensinar. — Gaguejou Harry, mas ao ver seus olhos se estreitarem e um bico magoado se formar em seus lábios, apavorado acrescentou. — Mas posso tentar, claro, eu posso tentar te ensinar. — Ayana o olhou com atenção e depois abriu um sorriso enorme que a fez mais parecida com Terry também.

— Ok, obrigada Harry. — Disse ela e Harry respirou aliviado.

—Ayana pare de atormentar o Harry, ele mal entrou pela porta. Harry ignore essa menina curiosa ou ela vai te fazer tantas perguntas que você nunca mais vai querer voltar. — Sra. Boot disse e sorriu para ele carinhosa. — Eu preparei seu quarto, vamos jantar em uma hora, você pode aguentar ou quer um lanche, posso pegar alguns sanduiches ou frutas? Terry querido, levante-se do chão e vá se lavar, você não vai lanchar com toda essa baba e pelo de cachorro. — Continuou ela olhando para o filho até que ele se levantou.

— Ok mamãe, mas estou bem posso esperar até o jantar. Harry só comeu alguns lanches no almoço, ele precisa comer algumas frutas mesmo que diga que não. — Disse Terry arrumando as roupas amassados e o cabelo emaranhado tentando recuperar um pouco de sua dignidade.

— Oh não, Sra. Boot eu estou bem também, eu comi alguns sapos de chocolate e pasteis de abóbora. Consigo esperar até o jantar também. — Disse Harry apressadamente e olhando para o Terry pedindo apoio, mas infelizmente seu estomago conseguiu desmenti-lo quando roncou audivelmente, e só lhe restou corar de vergonha.

— Sei, hum, vamos para cozinha comigo, vou te servir algumas frutas, assim não estraga o seu jantar, enquanto isso você me conta sobre quaisquer restrições ou exigências que a curandeira fez em relação a sua alimentação. — Ela disse sorrindo e pegou sua mão o conduzindo na direção ao fundo da sala. — Terry, você tome banho e arrume suas coisas, durante o jantar conversamos mais.

— Ok mamãe, nos vemos depois Harry. — E seu amigo tranquilamente sumiu pelas escadas do lado oposto aonde sua mãe o levava.

— Sra. Boot, eu... eu estou bem, não estou com muita fome, não quero dar trabalho, posso esperar o jantar — Balbuciou Harry e de repente ele estava em uma grande cozinha com armários de madeira brancos e uma grande mesa de madeira azul.

Uma panela cozinhava no fogão e uma colher de pau mexia magicamente o que estivesse na panela. O cheiro que vinha do forno parecia divino, Harry adivinhou que era um pernil de porco. Na bancada uma faca magicamente cortava cenouras e, olhando com mais atenção, viu vagens e espinafre.

— Harry querido, você não dará trabalho algum, eu tenho que alimentar 3 crianças, 4 com meu marido. — Disse sorrindo. — E nada de Sra. Boot, essa é minha sogra, sempre olho em volta procurando por ela quando alguém me chama assim. Me chame de Sra. Serafina, é um nome cumprido, eu sei, mas eu não tenho apelido, alguns tentam me chamar de Finn, imagine. Por um acaso eu tenho cara de Finn? — Ela perguntou indignada enquanto montava um prato com diversas frutas e um copo de leite e colocava na mesa.

— O que? Não, não, a senhora é muito bonita e o seu nome também, combina com a senhora. — Apressou-se em afirmar Harry, ora quem chamava uma mulher de Finn, pensou ele, entendo sua indignação.

— Exatamente. Aqui Harry, coma e me conte sobre sua alimentação. — Disse ela apontando uma cadeira azul como a mesa. Harry se sentou e bebeu um gole do leite que estava quente como ele gostava e afastou o frio da viagem.

Levantando o olhar do prato, Harry viu sua expressão de expectativa e pigarreando voltou a olhar para o prato e pegando uma fatia de maçã colocou na boca adiando ter que falar.

— Desculpe Harry, estive tão alegre e empolgada por ver meu filho e com sua visita que não pensei que poderia se sentir pressionado, se não quiser me falar, tudo bem. — Disse ela e Harry poderia ver que estava sendo sincera.

— É que, bem, a senhora já fez tanto por mim, com as fotos e as cartas e os sanduiches deliciosos todos esses meses. Muito, muito obrigado. — Disse Harry olhando nos olhos castanhos e os viu se arregalarem levemente de surpresa. — E agora a senhora está me recebendo tão bem e vai ser incrível comemorar o Natal e tudo que, bem, eu não quero lhe dar mais trabalho tendo que cozinhar para mim uma dieta especial. Tenho certeza que está tudo bem se eu comer igual a todo mundo por alguns dias. — Harry falou firmemente.

Seus olhos verdes teimosos se dirigiram a ela e Serafina percebeu que ele herdara a teimosia e determinação de Lily Evans. Lembrava-se muito bem daquele mesmo olhar em sua amiga e sabia que ele não seria convencido, mas ela não seria uma mulher, e uma Ravenclaw se não soubesse como negociar com homens ou meninos teimosos. E, por Merlin, ela se casou com um Gryffindor.

— Bem, Harry, acho que você está certo. — Concordou ela seriamente.

— Estou? — Perguntou surpreso, Harry não esperava que ela concordasse e estava preparado para fincar os pés no chão.

— Sim, quer dizer, estaremos muito ocupados nos próximos dias, e vamos sair para comer fora também e teremos o almoço de Natal, não seria muito legal se você nos visse comendo todas essas comidas maravilhosas e você em uma dieta especial. — Disse ela com uma expressão inteligente arqueando a sobrancelha continuou. — Mas talvez possamos chegar a um acordo?

— Um acordo? — Harry a olhou confuso.

— Sim, quando estivermos só nós, a família e apenas no café da manhã e no almoço, você come sua dieta especial e no jantar ou em algum outro lugar que formos comer fora ou recebendo convidados você come como todo mundo. O que me diz? — Perguntou ela sorrindo. — Ah, e você pode me ajudar na cozinha quando quiser também, meus meninos têm algumas tarefas e você pode ajuda-los.

Harry mastigou e engoliu outro pedaço de fruta e bebeu mais um gole de leite enquanto refletia, parecia um acordo razoável, ele manteria sua dieta em duas refeições por dia, não daria trabalho a Sra. Serafina ou a qualquer outra pessoa e ainda poderia agradecer ajudando a preparar as refeições. Acenando, Harry a olhou com atenção.

— E eu posso ajudar a preparar as refeições? — Perguntou ele querendo ter certeza que ela não mentia.

— Sim, você pode ajudar, exatamente como os meus filhos, nem mais nem menos. — Disse Serafina sentindo todo o poder daquele olhar inteligente, sentiu o coração se apertar, Lily amaria vê-lo tão grande, bonito e esperto.

— Ok, estamos de acordo. — Disse Harry e estendeu a mão para fechar o acordo.

Eles se apertaram as mãos e depois Harry explicou seus problemas de saúde e porque precisava comer alguns alimentos específicos e em horários corretos. Serafina sorriu e tentou esconder a raiva que sentia ao perceber que era culpa de seus parentes que não o alimentaram direito que o levou a desnutrição e a esses problemas de saúde.

— Bem, não é nada tão difícil, tenho o hábito de alimentar meus filhos com esses alimentos saudáveis, ou eu tento, teremos que estar atentos apenas aos horários. E quero que me prometa que se sentir fome ou sede a qualquer momento você vai me dizer, não quero que esconda e caso eu esteja ocupada a cozinha está aberta para você. Ok? — Perguntou ela devolvendo o seu olhar atento e intenso e garantindo que ele não podia mentir.

— Ok, eu prometo. — Disse e terminou o ultimo leite. — Acabei, muito obrigado, Sra. Serafina.

— De nada Harry, vem vou te mostrar seu quarto e você pode tomar um banho antes do jantar também. — Disse ela sorrindo.

Harry se levantou e levou seu prato na direção da pia onde um escovão magicamente lavava uma frigideira. Ele colocou o prato na pia e imediatamente uma bucha se moveu em sua direção e ele se ergueu no ar e a bucha molhada e com sabão começou a lava-lo.

— Que legal. — Disse Harry sorrindo.

— Posso te ensinar esses feitiços depois se você quiser. Aliás tenho alguns livros de feitiços muito importantes para te emprestar. São alguns feitiços práticos do dia a dia, para cozinhar, limpar, higiene pessoal e também um livro que te ensina como utilizar os transportes mágicos sem riscos para você. — Disse ela enquanto eles retornavam à sala agora vazia.

Eles continuaram pelas escadas de madeira, o chão de toda a casa era de madeira clara e as janelas abertas deixavam o bosque mais perto e a sensação de estar no campo ou no meio de um bosque se tornava mais forte.

— Isso é muito bom Sr. Serafina, e a senhora vai me ensinar como faz os sanduiches aparecerem no meu pote em Hogwarts? E poderia me ensinar também como o Sr. Bo... quer dizer, o Sr. Falcon enviou nossos baús direto para cá de Londres? — Harry ainda estava impressionado com isso, mas tivera receio de perguntar cercado por trouxas.

— Claro que sim, mas é um feitiço meio avançado, posso te ensinar, provavelmente será alguns anos antes de poder realiza-lo. — Disse ela enquanto subiam mais um lance de escadas. — Mas se você for tão bom em magia quanto Terry disse em suas cartas talvez possa conseguir mais cedo. — Ela tinha um sorriso animado e lhe deu uma piscadela.

Harry corou, pensando, o que exatamente Terry andou falando para os pais, ele não era tão bom assim.

— Harry o 1º andar são meu quarto e do Sr. Falc, e nossos escritórios, quando nossos filhos eram bebês também tinham seu quarto lá. E este é o 2º andar onde estão os quartos das crianças, no 3º andar temos os quartos dos hospedes, mas não quis que ficasse lá em cima sozinho, assim arrumei a sala de brinquedos das crianças desse andar em um quarto para você. — Enquanto Serafina falava, apontava com as mãos e depois eles seguiram pelo corredor até a última das 4 portas que ela abriu e deixou que Harry entrasse primeiro.

O quarto era espaçoso, com uma cama de solteiro bem confortável, uma colcha azul a cobria. As paredes também eram azuis claras e o tapete cinza claro, havia uma escrivaninha e um guarda roupa de madeira clara como o chão de madeira. As janelas que davam para o bosque agora na penumbra antes do escurecer tinham cortinas brancas. Engolindo em seco Harry absorveu tudo em um instante e percebeu que, claramente, tudo era novo.

— Eu... senhora não precisava de tudo... eu... obrigado, é muito bom... hum demais senhora, é bom, mas tudo isso é muito. — Gaguejou Harry chocado, não entendia porque ela fizera tudo isso, poderia tem ficado num dos quartos de hospedes, o menor deles estava bom.

— Que bom que você gosta, Harry, esse será seu quarto sempre que vier nos visitar o que espero aconteça com frequência. Aqui, você tem seu próprio banheiro, você tem meia hora para um banho e arrumar suas coisas antes do jantar, se não der para arrumar tudo antes você pode terminar depois do jantar. Ok? — Disse ela gentilmente, abrindo uma porta a esquerda e mostrando o banheiro, era pequeno como o que tinha em Hogwarts, mas ainda era incrível. — Vou deixar você se ajeitar, qualquer coisa estarei na cozinha finalizando o jantar.

Ela sorriu para ele e controlando a vontade de abraça-lo saiu do quarto e fechou a porta. Respirando fundo para controlar as lagrimas, tentou apagar da mente a expressão de surpresa confusa no rosto do menino pequeno e magro. Era muito obvio sua surpresa e confusão por ter algo feito para ele, mesmo algo tão simples e básico quanto um quarto.

— Tudo bem, querida? — A voz de seu marido a despertou de seus pensamentos.

Falc estava na porta do quarto de Adam, seu filho mais novo tendo sido ajudado no banho e usava roupas limpas para o jantar, ele a olhava levemente preocupado e seu filho tinha a mesma expressão.

— Sim, tudo, apenas perdida em pensamentos. E estou perdendo tempo, tenho que terminar o jantar. Harry comeu algumas frutas, mas Terry estará faminto. — Disse Serafina enquanto descia as escadas, com seu marido e filho mais novo a seguindo. — Você viu como ele cresceu? Ele vai ser alto como você, Falc.

Continuou sorrindo ao lembrar do abraço que dera em seu garoto mais cedo e como percebera que ele crescera alguns centímetros. Isso a fez pensar em Harry e imaginar se ele crescera também o que, claro, a fez considerar que ele era ainda menor do que estava agora ao chegar a Hogwarts.

— Ou como você. — Disse Falc com um sorriso amoroso, ele era só alguns poucos centímetros mais alto que ela. Depois ficou sério ao ver a tristeza em seu olhar e suas mãos levemente tremulas. — Adam, querido, porque você não brinca um pouco na nova sala de jogos, vou ajudar a mamãe com o jantar. E não deixe o Kalil te encher de pelos. Ok?

— Ok, papai. — Adam respondeu sorrido tranquilo e rapidamente correu para a nova sala de jogos que era bem maior que a antiga.

Falc a seguiu para a cozinha e ela começou a verificar a comida, mas tudo estava encaminhado. Pensando no que Harry lhe disse ela desistiu do molho e apenas colocou mais legumes para picar e saltear, e uma salada verde combinaria com a carne assada e o arroz selvagem. Enquanto isso com um movimento de varinha seu marido começou a arrumar a mesa.

— Porque está tão chateada, querida? Você estava tão feliz com a chegada dos meninos e agora acho que está segurando o choro. — Perguntou ele gentilmente.

— Ah, Falc, ele é um menino tão doce, se parece tanto com Lily, não consigo deixar de pensar no quanto ela gostaria de tê-lo visto crescer. — Disse ela se virando para o marido, os olhos atormentados.

— Querida, minha Serafina, não fique assim, não há como mudar isso, mas vamos tentar cuidar dele da maneira que pudermos. Ok? — Disse ele a abraçando carinhoso. — E que história é essa, Harry é a cara do James. Papai vai tomar o maior susto.

— Ele pode parecer o James na aparência, mas sua personalidade, é todo Lily, ela tinha esses mesmos olhos teimosos e determinados. Por Merlin, ainda bem que ele não é um Gryffindor, se não seria tão impulsivo como o vento. — Disse ela com um bufo divertido, depois mais seria acrescentou. — Tive que negociar com ele mais cedo. — Ao ver o olhar de surpresa de Falc contou a ele a insistência em não dar trabalho com uma dieta especial e como eles entraram em um acordo. Depois contou sobre seus problemas de saúde o que fez algumas lagrimas saltar e ela andar com raiva de um lado para outro da cozinha. — Como eu gostaria de fazer uma visita as esses Dursley, e transformá-los em ratos e depois jogá-los nos esgotos, é o que esses dois mereciam.

— Desnutrição? Nanismo? — Falc estava pálido e chocado, o filho de James, o neto de Fleamont, seu pai ficaria furioso. — Nunca pensei que ouviria sobre doenças como essas nos nossos tempos e em um país rico como a Inglaterra.

— Isso não tem nada a ver com dinheiro ou cultura e sim com a maldade do ser humano que tem em todo lugar do mundo. Eles nunca o mataram de fome, como teriam gostado, mas deram tão pouco que ele está doente e sua magia poderia ter sofrido severamente também. E você deveria ter visto sua expressão quando lhe mostrei o quarto, Harry não parecia acreditar ou entender porque eu havia me dado ao trabalho de fazer algo por ele mesmo que fosse algo tão básico como um quarto, parecia que eu tinha lhe comprado a lua. — Disse Serafina com tristeza. — Precisamos tira-lo de lá Falc, eu não sei como e não ligo se vamos ir contra Dumbledore, mas precisamos afasta-lo dessas pessoas.

— Eu nunca pensei que as coisas eram tão ruins e não entendo porque raios Dumbledore o deixou lá. Isso não será fácil, ninguém que se coloca contra ele, vence, mas nós temos de tentar. Não fazer nada não é uma opção. — Disse ele e a abraçou de novo forte.

— Não é não. Sei que se fosse o contrário Lily e James fariam o impossível pelo nosso Terry, mas, mesmo que assim não fosse, não podemos deixar aquele garotinho abandonado. — Sussurrou ela em seu ombro.

— Olha, vamos esperar passar o Natal, assim ele pode relaxar e se sentir mais à vontade conosco e, depois das festas, conversamos com ele e vemos o que Harry quer. A verdade é que não podemos fazer nada se ele não estiver de acordo. — Falc disse se afastando e olhando em seus olhos castanhos. Ela acenou concordando.

— Mamãe o jantar está pronto? Estou faminto... — Terry entrou na cozinha, mas parou ao ver os pais abraçados, ele sempre tomava cuidado, pois não queria pega-los se beijando, mas desta vez suas expressões eram diferentes, preocupado perguntou. — Tudo bem?

— Sim querido, está tudo ótimo, porque você não me ajuda a servir a comida na mesa e nos conta um pouco sobre seus primeiros meses em Hogwarts. — Disse Serafina disfarçando a tristeza rapidamente e distraindo o filho. — Adam! — Quando seu filho mais jovem apareceu na porta ela sorriu para ele. — Você pode ir buscar sua irmã e o Harry, por favor, querido? Diga a eles que o jantar está pronto.

— Sim, mamãe. — Disse ele com o sorriso gentil do pai e subiu as escadas.

Enquanto Serafina e Falc conversavam, Harry ficou parado no meio do quarto que fora feito para ele sem entender como as coisas vieram nesta direção. Engolindo em seco foi até seu baú e abriu pegando roupas limpas para o jantar.

Depois de um banho rápido ele desempacotou suas coisas, suspirando, percebeu que aqui tinha mais espaço do que em Hogwarts. Porque Serafina lhe fizera um quarto quando sua tia sempre deixara claro o estorvo que era sua presença e que ele não merecia nada, muito menos ter uma cama e um quarto? E ainda dissera que devia ser grato por ter um teto sobre sua cabeça. Aqui nos Boot, ele não parecia ser um estorvo ou um caso de caridade. Era apenas amizade? Sentindo-se confuso além do que já estivera, Harry terminou de arrumar suas poucas coisas e ouviu uma batida na porta.

Abrindo-a, se deparou com o irmão menor de seu amigo, o olhando suavemente e com um sorriso.

— Oi Adam, tudo bem? — Perguntou sorrindo também.

— Oi Harry, eu estou bem e você? — Seus olhos castanhos transbordavam gentileza.

— Eu... — Hesitando em mentir para o menino de olhos inocentes, Harry pigarreou e olhou em volta para o quarto, seu quarto. — Acho que vou ficar bem.

— Que bom, você gostou do seu quarto? Eu e Ayana ajudamos a arrumar, eu escolhi o tapete. Ah, mamãe pediu para avisar que o jantar está pronto. — Continuou ele calmamente.

— Oh, eu... Obrigado Adam, eu gostei muito do quarto e adorei o tapete, eu gosto muito de cinza. — Disse ele e o sorriso do menino aumentou, sentindo uma quentura estranha no peito, Harry saiu do quarto e fechando a porta caminhou pelo corredor ao lado do garotinho. — Então, você tem 5 anos, certo? Sim? E você já está indo para a escola trouxa?

Enquanto faziam o caminho para a cozinha, Adam lhe contou como ainda estava estudando em casa, mas que no próximo ano, no outono, começaria a escola trouxa. Sim, ele estava ansioso e queria aprender sobre os astronautas. Ele já sabia ler e escrever, ele até escrevera uma carta para Terry na escola de magia. E assim chegaram a cozinha onde todos os esperavam.

— Ah, que bom, estou faminto. — Disse Terry sorrindo animado.

Logo todos se sentaram à mesa, Sr. Falc na cabeceira, Sra. Serafina a sua direita, Terry a sua esquerda. Harry se sentou a esquerda de Terry com Adam ao lado da mãe e Ayna ao lado de Adam. Harry pensou que Ayana deixara seu lugar para ele se sentar, mas logo viu ela ajudando o irmão caçula com seu copo de suco enquanto a Sra. Serafina servia os pratos de todos com a bonita e cheirosa comida que estava sobre a mesa.

— Muito bem, quero todos comendo tudo do prato, ao em vez de molho temos saladas e legumes, se todos comerem o pouquinho que eu coloquei em seus pratos terão sobremesa extra. — Disse Serafina com um sorriso animado. Seus olhos ainda estavam tristes, mas estar com sua família sempre a deixava feliz.

— Ok, mamãe. — Disse Adam bebendo seu suco e colocando o copo de volta sem derrubar. Logo pegou o garfo e começou a comer.

Ayana fez uma careta nada feminina, mas logo começou a comer, adorava arroz selvagem com porco assado. Terry e Harry nem piscaram, ainda que Harry achou que seu prato tinha muita comida.

— Por mim tudo bem, desde que o Harry começou sua dieta acabei acompanhando ele em comer mais saudável, eu nem percebi no começo, mas quando vi estava comendo mais saladas e legumes e menos frituras e molhos. — Disse Terry.

— Você estava nos contando sobre Transfiguração querido. Continue. — Disse o Sr. Falc. — Está uma delícia querida.

— Sim mamãe, está muito bom, nem tinha percebido que sentia falta da sua comida, já que na escola a comida é tão boa. — Terry disse e Harry, com a boca cheia do delicioso arroz selvagem que nunca comera, acenou com a cabeça concordando.

— Obrigada, queridos. — Respondeu Serafina com um sorriso brilhante.

— Bem, com eu disse esse é o assunto em que tenho mais dificuldade, não sei se preciso de mais poder magico ou apenas mais concentração mental. Feitiços sou quase tão bom quanto Hermione e ela só não é tão boa como o Harry, mas ele aprende os feitiços de primeira. Defesa não é tão difícil também, ainda que não me sinta tão seguro, parece que mesmo sendo para se defender as maldições são mais violentas. — Explicou Terry para os pais.

— Acredito que você está certo, tecnicamente, não é para atacar e sim se defender de um ataque, mas ainda é preciso uma dose de violência. — Comentou Falc. — Esse e Feitiços eram meus melhores assuntos em Hogwarts, mas aquela era outra época.

— Quanto a Transfiguração, é preciso poder magico mais do que Feitiços, e poder mental mais do que defesa, mas um pouco é preparação e confiança. — Disse Serafina trocando um olhar com o marido, provavelmente pensando na época da guerra em que viveram. — Como tem sido sua preparação, filho?

— Acredito que boa, não que eu não ache que seria possível melhorar. Quanto a confiança, talvez seja um problema, as vezes me parece tão difícil que não acredito que vou conseguir, não tinha considerado que isso estava me atrapalhando. — Disse Terry pensativo.

— Isso é algo a se considerar Terry, se você acreditar que não pode, então você não pode. — Serafina disse sorrindo carinhosa para o filho que acenou sorrindo de volta. — Teremos tempo para trabalhar nisso durante as férias. E você Harry, você tem tido dificuldades em algum assunto?

Terry bufou divertido e Harry o encarou com um olhar atravessado, isso só fez o amigo sorrir mais.

— Eu, bem, senhora, hum... Não sou tão bom em História, Herbologia e Astronomia, a parte teórica de Transfiguração também não sou bom, é muita coisa para lembrar e me concentrar. — Explicou Harry um pouco envergonhado.

— E eu já disse a ele que quando sua saúde melhorar de vez ele vai ter mais concentração e memoria, tenho certeza. Mas ninguém é melhor na parte pratica do que o Harry. — Disse Terry sorrindo orgulhoso do amigo.

Harry corou e bebeu um pouco de suco tentando esconder o rosto.

— Isso é ótimo, você se sai bem em Transfiguração, Feitiços e Defesa? — Perguntou Sr. Falcon parecendo surpreso.

— Bem, em Feitiços eu entendi que a feitiçaria é como uma conversa de palavras e vontade, eu quero que minha magia faça o feitiço então eu digo para ela fazer com meus pensamentos e a palavra do feitiço. Transfiguração foi mais difícil, mas então eu entendi que era a força da minha magia e a força da minha mente e uma imagem e não palavras desta vez, assim eu tento sempre confiar que a imagem em minha mente pode existir devido a minha magia, mas Hermione é muito melhor que eu nisso, ela nem precisa pensar nada, é instintivo, ela quer que algo se transfigure e sua magia lhe dá sem hesitação. Natural. — Explicou Harry e não percebeu os olhares impressionados dos Boots adultos.

Terry apenas acenou concordando, na verdade as técnicas de Harry o ajudaram muito, mas talvez o que lhe faltasse fosse mais confiança em si mesmo.

— Impressionante. E quanto a Defesa? — Perguntou Falc, surpreso ao ver um primeiro ano mostrar tanto entendimento da própria magia, parecia só teoria magica, mas era mais e percebeu que sua mulher também tinha os mesmos pensamentos.

— Bem, Defesa é natural para mim. Não sei porque, mas é instintivo, minha magia parece entender as maldições e porque elas são ou agem assim ou daquele jeito, e eu só não tenho que pensar muito. — Disse ele e corou de novo envergonhado.

— Isso é muito legal Harry, eu era bom em Defesa, mas não me lembro de vir tão naturalmente para mim. Mas para seu pai e seu avô era assim também, Sr. Fleamont era um grande duelista e James, nunca consegui vencê-lo e sou oito anos mais velho do que ele. Depois que ele terminou seus OWLs, sempre limpava o chão comigo quando duelamos e treinamos juntos, assim não me admira que você tenha herdado esse talento dos Potters. — Disse Sr. Falc sorrindo com as lembranças.

Harry corou ainda mais e sentiu seu coração de apertar pensando que se estivessem vivos poderiam estar lhe ensinando tudo o que sabiam.

— Mas Terry é muito bom em Feitiços e Defesa também, ele sempre pega os feitiços e maldições bem rápido. E Hermione é ótima em Feitiço, em Defesa, ela tem um pouco de medo e acho que por isso tem dificuldades com as maldições defensivas. E Neville, ele é incrível em Herbologia, o melhor do nosso ano, ele é um pouco esquecido, mas tenho certeza que assim que ele resolver sua varinha vai se sair muito bem nas partes praticas também. — Disse Harry rapidamente tentando tirar o foco de si mesmo.

— Varinha? Ele quebrou sua varinha? — Perguntou Serafina surpresa.

— Não mamãe, é pior. — Disse Terry e explicou rapidamente como e porque Neville estava tendo problemas com sua varinha.

Os Boots ficaram chocados e trocaram um olhar confuso.

— Mas, a Sra. Longbottom deve estar ciente de que com uma varinha que não o escolheu Neville nunca vai desenvolver sua magia em todo o seu potencial. Não apenas ele fará feitiços fracos, mas sua falta de confiança em si mesmo pode fazê-lo reprimir sua magia. — Disse Sra. Serafina muito indignada.

— Reprimir? — Perguntou Harry surpreso.

— Sim Harry, o desenvolvimento físico, você sabe, é importante para a magia, mas o psicológico também é. Sentimentos negativos como insegurança, medo, baixa autoestima, falta de confiança, tudo isso podem fazer sua magia mais fraca ou instável. Na verdade, é até perigoso se uma criança tenta consciente ou inconscientemente reprimir sua magia, pois ela pode acabar explodindo para todos os lados e machucar a si mesmo e a outros. — Disse Serafina inteligentemente.

Harry acenou, não entendia nada de psicologia, mas achou bem interessante.

— Querida, talvez a Sra. Longbottom tenha medo de perder o Neville como perdeu o filho e não quer que ele se torne um bruxo poderoso. Se ele não tiver uma boa varinha e não aprender muita magia, não será tão poderoso quanto Frank e talvez não se torne um auror como ele. — Disse Sr. Falc pensativamente.

— Bem, se ela tem essa ideia, está sendo muito injusta com Neville. Ele tem o direito que desenvolver sua magia e ser quem quiser, além disso como ele vai se defender se não aprender corretamente e não tiver uma magia poderosa a sua disposição. — Serafina estava além de chateada.

— O pai do Neville era um auror? — Perguntou Terry impressionado.

— Sim e a mãe dele também, dois dos melhores aurores da época, lutavam incansavelmente durante a guerra. O que aconteceu com eles foi uma grande tristeza. — Disse Sr. Falc, e além de triste dava para ver que estava com raiva também.

— Sim, mas não vamos falar sobre isso. Não é o momento. — Disse Serafina, mesmo com Terry e Harry ela não queria tocar nessa tragédia, até porque considerou que Neville devia ser aquele que contaria a eles.

— Hum... — Harry hesitou em dizer o que pensava, não tinha o habito de falar na frente de adultos, mas tinha uma percepção diferente sobre o Neville.

— Sim, querido? — Sra. Serafina o olhou com um sorriso e expressão carinhosa.

— Bem, Neville disse que sua avó afirmou que a varinha ajudou seu pai a ser um grande bruxo e que vai ajuda-lo da mesma maneira. Ele deixou escapar que ela quer que ele seja como seu pai, mas que acredita ser uma decepção para a avó porque não é tão poderoso ou inteligente como ele foi. — Disse Harry e olhou para Terry que o apoiou acenando com a cabeça afirmativamente.

— Entendo, e o que você pensa disso Harry? — Perguntou Sra. Serafina cuidadosamente e Harry arregalou os olhos, os adultos nunca pediam sua opinião. Flitwick fez isso uma vez.

— Bem, Sr. Serafina, acredito que a avó de Neville não enxerga o Neville por ele mesmo, sabe. Acho que ela vê apenas o filho que morreu e que sente falta. Neville, não importa a varinha, é tímido e prefere Herbologia do que Defesa, mas é assim que ele é e isso é bom, mas acho que ela quer que ele seja Frank e não Neville. — Ouve um silencio estranho depois que ele terminou, todos o olhavam, até mesmo as crianças, corando, Harry pigarreou. — Não sei se faz sentido...

— Oh, mas faz muito sentido e você, provavelmente, está certo. Eu apenas percebi que você herdou a percepção de olhar para o mundo de sua mãe, Lily era assim, muito sensível as pessoas e relações a sua volta. — Disse Serafina emocionada.

— Eu... obrigado senhora. — Disse Harry com voz embargada.

— E sobre o que você disse do Neville, acredito que a amizade de vocês e o crescimento do próprio Neville quando tiver uma varinha dele, vão ajudá-lo a ter mais confiança em si mesmo. E quando isso acontecer a Sra. Longbottom vai enxergar o neto por quem ele é e não por quem ela quer que ele seja. — Disse Serafina confiante e viu os olhos do filho e de Harry se iluminarem com a mesma crença que ela transmitia.

Quando todos terminaram seus pratos, Serafina não insistiu que ninguém repetisse, pois sabia que se o fizessem seria apenas por gula e não fome. Falc trouxe a sobremesa enquanto ela guardava a comida restante e colocava a louça suja na pia para serem lavadas. Serafina observou e viu o olhar de Harry se iluminar quando viu a torta de caramelo e a torta de morango teve o mesmo efeito em seu filho.

Harry estava bem satisfeito com o jantar delicioso, mas sua sobremesa favorita elevou aos céus. Era deliciosa, tão boa quanto a de Mimy, pensou, comendo um segundo pedaço enquanto ouvia a conversa de Terry com os pais e os irmãos. Ayana era muito curiosa, mas educada também e não interrompia ou atropelava os assuntos e sempre estava atenta ao irmão mais novo que depois da sobremesa parecia mais sonolento. Antes que todos terminassem e deixassem a mesa, Harry tomou coragem para perguntar algo importante.

— Sr. Falcon?

— Sim, Harry. — Seu sorriso gentil aumentava as linhas de expressão em seu rosto e o tornava mais acessível. Talvez essa era a intenção concluiu Harry, relaxando levemente.

— Terry me disse que o senhor é um advogado e, bem, eu gostaria de contrata-lo, senhor. Estou precisando de um advogado e gostaria de saber se, apesar de ser férias, o senhor teria tempo para uma consulta, senhor. — Disse Harry muito sério e compenetrado.

Falc tentou esconder a surpresa e trocou um olhar com sua esposa, eles tinham decidido deixar as conversas mais serias para quando Harry os conhecesse melhor e tivesse maior confiança. Mas olhando para o menino, para o herdeiro Potter, reconsiderou, percebeu que ele precisava tomar a iniciativa e ter algum controle de sua vida. E Serafina também tinha entendido, Harry Potter não precisava de salvadores, ele apenas precisava de adultos que o apoiassem enquanto salvasse a si mesmo.

— Claro Harry, o que me diz, depois de amanhã? Amanhã teremos um dia cheio com a festa, mas na sexta estarei com a manhã livre. Você se importa se meu pai participar da reunião, ele é advogado a mais tempo que eu e, tenho certeza, ficará feliz em ajudar. — Perguntou ele seriamente.

— Claro, senhor. — Harry se sentiu aliviado, depois franziu o rosto confuso. — Festa?

— Terry? Você não contou ao Harry sobre a festa de amanhã? — Serafina olhou para o filho surpresa e desaprovadora.

— Eu me esqueci, desculpa Harry. — Disse seu amigo depois de engolir o ultimo pedaço de sobremesa. — Amanhã é meu aniversário, 18 de dezembro, mamãe e papai vão dar uma festa, apenas a família e alguns amigos.

— Oh, eu não sabia. — Disse Harry e sua cabeça começou a trabalhar meio em pânico, ele não comprara um presente para o amigo e não tinha roupas de festa, tivera esperança de ir fazer algumas compras antes do Natal ou qualquer outro evento mais formal.

— Tudo bem Harry? — Perguntou Serafina gentilmente ao perceber o rosto preocupado do menino.

Engolindo em seco, Harry a olhou e viu como ela enviava a louça suja para a pia e ao mesmo tempo guardava as sobras das sobremesas na caixa fria.

— Bem, Sra. Serafina, eu não sabia que o aniversário do Terry seria amanhã e não lhe comprei um presente e não acredito ter nada bom para vestir para a festa. Tinha esperança de ir comprar algumas roupas antes de voltar para a escola, mas eu não quero dar trabalho. Eu possa ficar no meu quarto durante a festa, assim ninguém me vê. — Disse Harry esperando que eles não fiquem zangados com ele.

Tanto Falc como Serafina arfaram e Terry olhou para o amigo de olhos arregalados, Harry lhe parecia muito mais inseguro e hesitante, bem diferente do amigo confiante e decidido das últimas semanas.

— Isso…, Harry, você nunca poderia dar trabalho, não com algo tão simples como a visita a uma ou duas lojas. E por qualquer outro motivo ou razão você nunca ficará escondido em seu quarto, nós o estamos recebendo em nossa casa e você é muito bem-vindo em todos os momentos e eventos. Entendido? — Perguntou Serafina seriamente.

Harry apenas acenou humildemente.

— Sim Harry, eu sei que você acabou de chegar, mas queremos que você se sinta em casa. Serafina tem planos de leva-los para fazer compras em Londres, magica e trouxa no sábado. Mas amanhã tenho alguns recados em St. Albans, você pode me acompanhar e então escolher um presente para Terry e te ajudo a escolher uma roupa para a festa. O que me diz? — Disse Falc tentando não permitir que o momento estranho se prolongasse.

— Sim, isso seria bom, muito obrigado, senhor. — Disse Harry sentindo-se aliviando e agradecido.

— Bom, está combinado então, sairei as 10 horas, assim esteja pronto. — Disse ele com um sorriso e depois olhou para o filho mais novo e seu sorriso aumentou. — E eu vejo alguém que precisa ir para a cama. Vamos lá filho, papai vai te contar uma história, mas antes escovar os dentes.

Sr. Falc se levantou e pegou Adam no colo, que estendeu os braços para ser carregado. Ele estava mesmo com muito sono.

— Não posso ficar como Terry mais um pouco papai? — Perguntou o garotinho antes de bocejar.

— Eu vou estar aqui amanhã Adam, e poderemos brincar bastante. Boa noite. — Disse Terry sorrindo e levantando-se deu um beijo no irmão mais novo.

— Está bem... boa noite Terry. — Disse ele com outro bocejo e depois desceu do colo do pai e deu beijo na irmã e na mãe e disse boa noite. Depois, para sua surpresa veio até o Harry e dando um beijo em sua boceja também se despediu.

— Boa noite, Adam. — Sussurrou sorrindo com o prazer inesperado de ser incluído no gesto que era um habito familiar.

Depois que eles deixaram Sra. Serafina continuou a organizar a cozinha.

— Ayana querida, se você quiser poder brinca na sala de jogos por mais 1 hora, depois também vai para a cama. Ok? — Disse ela para a filha do meio.

— Mas mamãe, quero perguntar mais sobre Hogwarts para o Terry e o Harry poderia me dizer como ele faz tão bem as poções. — Protestou a menina com um bico.

— Querida. — Disse ela com um suspiro. — Sei que está curiosa, mas terá muito tempo para perguntas, além disso você ficará acordada até mais tarde amanhã por causa na festa. Se não dormir no horário hoje não aproveitará nada amanhã, pois estará cansada.

A menina pareceu não gostar, mas concordou e deixou a cozinha para a sala de jogos.

— A senhora precisa de qualquer ajuda, Sra. Serafina? — Harry perguntou solicito.

— Não Harry, com magia tudo se organiza facilmente. Vê? — Disse ela com um sorriso brilhante e moveu a mão em um gesto para mostrar que toda a cozinha estava perfeitamente organizada e limpa.

— Incrível! — Harry sorriu abertamente, amava a magia.

— Bem eu vou subir para olhar seu irmão e pegar a lista de quem vem amanhã Terry, não quero que fique surpreso com os convidados. — Disse ela enquanto saia da cozinha. — Porque não vão para a biblioteca, Harry pode ler o que quiser dos livros lá.

Sozinhos os dois se olharam e sorriram meio sem jeito, era diferente da escola, aqui precisavam se ajustar a serem amigos em espaço e com pessoas diferentes em volta.

— Vamos lá Harry, a biblioteca fica por aqui. — Disse Terry.

Do lado direito do hall de entrada, uma única porta se abria para uma grande biblioteca. Não tão grande como a de Hogwarts, mas para uma casa era impressionante. Além das prateleiras que forravam as paredes na sala havia uma grande escrivaninha com uma cadeira que estava de costas para uma grande janela. Do lado esquerdo um conjunto de sofás e poltronas formavam uma confortável saleta para leitura e do lado direito uma grande mesa redonda de madeira devia ser usada muitas vezes para fazer deveres e estudo.

— Uau, quantos livros. — Disse Harry verdadeiramente impressionado.

— Sim, é a nossa paixão, minha e da mamãe, e da Ayana também, Adam gosta deles mais para colorir por enquanto. — Disse ele sorrindo e observou o amigo olhar para as prateleiras com curiosidade. — Olha, sinto muito ter me esquecido de falar sobre a festa e meu aniversário, foi minha culpa e você nem deveria comprar presente nenhum, eu não mereço. — Terry ainda estava chateado com o pensamento de que seu amigo preferiria ficar no quarto escondido.

Harry o observou com atenção, os olhos verdes pareciam poder ler a alma de alguém e Terry agora sabia que ele herdara isso da mãe.

— Você quer que eu vá a sua festa? — Perguntou Harry, ele não acreditava ser isso, mas queria ter certeza de que seu amigo não mencionara nada porque não queria que Harry estivesse entre os convidados.

Terry empalideceu na hora e arregalou os olhos.

— Não! Quer dizer, sim eu quero que você esteja na minha festa, não foi por isso que não mencionei nada, eu juro. — Disse Terry e se aproximou mais, seu rosto era como sempre muito sincero. — É que todos os anos eu participo da organização da minha festa, ajudo a minha mãe, escolho o tema, presentes, comida. Mamãe sempre tenta fazer especial, ela disse que não é porque é tão perto do Natal que eu não mereço uma festa. — Terry olhou para a porta e continuou em um sussurro. — Este ano eu não estava aqui e, bem, a verdade é que não queria uma grande festa com temas e decorações como quando eu era criança, quer dizer, estou em Hogwarts agora e queria algo diferente, mas eu não queria chatear a mamãe então concordei com o que ela queria. Acho que meio que tentei esquecer da festa sabe. — Ele parecia envergonhado e arrastou o pé e bagunçou o cabelo assentado igual ao do pai dele. — Mas me sinto culpado, quer dizer, mamãe se esforça tanto e não quero ser um ingrato. Sabe?

— Bem, na verdade eu não sei, mas compreendo e acredito que é normal você não gostar das mesmas coisas de quando era criança, isso não quer dizer que você não vai gostar da sua festa. Além disso seus pais não te viram por meses, eles não têm como saber que você gosta de outras coisas se não falar para eles, Terry. Como sua mãe saberia? — Harry apontou gentilmente

Terry pareceu ainda mais envergonhado, mas ele se sentia tão diferente do Terry que pegara o trem em 1º de setembro que era estranho voltar para casa. Suspirou, Harry tinha razão, ele tinha que falar com seus pais, não podia deixar que o tempo que passavam separados os distanciassem e o fizesse um estranho para eles.

— Você está certo Harry, estou sendo bobo. Obrigado, e obrigado por não ficar chateado com meu esquecimento. — Terry sorriu mais animado. — Você é o que vai salvar essa lista de convidados, nem imagino quem possa estar nela, além da família.

— Davis com certeza estará. — Disse Harry divertido e riu ao ver o amigo arregalar os olhos de pavor.

— Oh! Por Merlin, Tracy, eu me esqueci dela! — Exclamou ele e Harry riu ainda mais.

Quando Serafina entrou na biblioteca sorriu ao ver os dois brincando, rindo e conversando, qualquer estranheza anterior desaparecida.

— Aqui filho, pensei que além da família, os amigos mais próximos deveriam vir, já que esse é um ano especial. — Disse Serafina lhe entregando a lista. — Eu sei que você gostaria de ver o Zack, pensei em te levar para passar o dia com ele depois do Natal, e esse ano não teremos uma festa trouxa, espero que você não se importe. — Ela parecia preocupada.

— Tudo bem mãe, não estou mais na escola trouxa, antes fazia uma festa para meus colegas de classe porque não podíamos convida-los para vir a uma casa magica, mas é normal que eu perca contato com eles. E seria legal ver Zack, ainda que ele não parecia mais querer ser meu amigo, você sabe. — Disse Terry com um encolher de ombros enquanto olhava a lista.

Em agosto sua briga com seu melhor amigo trouxa parecera o fim do mundo, agora já não tinha a mesma importância.

— Querido, tenho certeza que depois de tanto tempo ele nem lembra mais da discussão de vocês e estará ansioso para encontra-lo. Vocês são amigos desde o 1º ano, você não deve deixar que suas diferenças os separem. — Disse sua mãe carinhosa.

— Precisava mesmo convidar os Davis, mamãe? E por que os Diggory estão aqui? Oh! Por Merlin, você convidou os Brown!? — Terry olhou a lista horrorizado.

— Terry, desde quando qualquer umas dessas famílias são um problema? E porque não convidaria os Davis, Anton é sócio do papai no escritório e os dois são muito amigos. E Amos e seu pai estudaram juntos e começaram o trabalho no Ministério ao mesmo tempo. Você costumava gostar de Cedric quando ele vinha a suas festas, apesar dele ser alguns anos mais velhos. E eu sou amiga de Leticia Brown desde a escola, achei que como ela tem uma menina de seu ano, você gostaria que a convidasse.

Terry fez uma careta e terminou de olhar a lista, devolvendo a mãe.

— Cedric não é ruim, mas ele perdeu o pomo para o Harry a algumas semanas e não sei como vai agir. E Tracy ainda continua com aqueles risinhos e olhares estranhos, ainda não entendi, mas é constrangedor. E Lavander, a menina do nosso ano, bem, digamos que ela é muito fofoqueira e teremos de tomar muito cuidado com o que falamos na frente dela. E isso não será divertido. — Explicou Terry meio chateado.

Sra. Serafina pareceu surpresa, mas seu rosto logo se suavizou.

— Bem, talvez se você tivesse mostrado mais interesse em sua festa eu saberia de tudo isso. — Disse ela com uma sobrancelha arqueada, Terry corou levemente. — Você não contou para o Harry sobre seu aniversário e imagino que nem para seus outros amigos. Ano que vem deixarei a lista de convidados para você, afinal é sua festa e ela dever ter seus convidados. Você está crescendo e agora em Hogwarts vai formar um círculo de amigos diferentes da sua infância.

— Eu não pensei em convidá-los, seria muito mais divertido se Neville e Hermione e as meninas pudessem vir. Ano que vem posso convidar todos eles? — Terry perguntou esperançoso.

— Claro que pode. E que meninas? — Perguntou Serafina curiosa.

— Mandy Brocklehurst, Morag MacDougal e Padma Patil, os outros Ravenclaws 1º anos são legais também, mas somos mais próximos delas. — Explicou Terry, depois hesitante. — Hum, mamãe e sobre a decoração, o que você escolheu fazer?

— Bem, normalmente você escolhe o tema ou cores, mas esse ano achei que você iria gostar das cores Ravenclaw, não exatamente como um tema, mais como decoração. São suas cores de casa e penso que comemorar ser um Ravenclaw seja algo importante, sei que você queria muito estar na melhor casa de Hogwarts. — Disse ela com um grande e brilhante sorriso e uma piscadela. — Mas não diga ao seu pai que eu disse isso.

— Verdade!? Isso é muito legal, eu gosto das cores Ravenclaw, obrigado mamãe. — Terry parecia sobre a lua e abraçou a mãe fortemente.

— De nada querido. — E olhando para Harry deu outra piscada marota, sobre o ombro do amigo. Harry retribuiu o sorriso entendendo que ela ouvira a conversa deles mais cedo e mudara o tema da festa na última hora.

— Bem, agora porque você não sobe e pega suas notas, quero dar uma olhada, seus últimos ensaios também, quero ver sua evolução. Vamos trabalhar por uma hora antes de vocês dormirem, quero vocês dormindo cedo e bens dispostos amanhã. — Disse Serafina no modo professora agora. — Você também Harry, quero dar uma olhada em seus trabalhos, e sempre que tivermos um tempo vamos estudar e treinar seus pontos fracos.

— Claro mãe, já volto. Vem Harry. — Disse Terry e saiu da sala rapidamente.

— Eu... sim, hum... vou ir buscar, senhora. — Disse Harry confuso, nunca ninguém antes se preocupara com seus estudos e notas. Mas ele devia saber que a Sra. Serafina sendo professora quereria olhar para isso, esperava que ela não se desapontasse com ele, seus trabalhos práticos eram bem melhores que os teóricos.

Alguns minutos depois Harry desceu com as copias de seus testes e o boletim com as notas práticas e teóricas, além de seus deveres de férias, eles tinham terminado tudo antes de virem, mas Harry não os deixara em seu quarto como os livros. Pensara que estariam mais protegidos em seu baú. Terry chegara um pouco antes e Serafina já olhava para suas notas e testes.

— Hum, você está certo querido, o seu trabalho prático em Transfiguração precisa de mais atenção. Mas seus trabalhos teóricos em todos os assuntos recebeu um E, com exceção de Feitiços e Poções que foram O, mas suas poções foram um E, assim você está tendo problemas na fabricação das poções. — Sra. Serafina o olhou com atenção e não parecia muito feliz. Harry engoliu em seco por seu amigo, mas Terry parecia tranquilo sentado à mesa redonda.

— Bem, sobre poções, acho que devemos falar em um momento com mais tempo e com o papai porque temos muito o que contar. Não quis enviar por carta porque, bem, parecia muito complicado e importante para explicar em uma carta. — Disse Terry calmamente.

— Ok, você me deixou curiosa. Vamos marcar essa conversa para domingo, vou falar com seu pai. E sobre os outros assuntos? — Disse ela enquanto começava a ler os deveres de férias do filho.

— Bem, Transfiguração é o meu maior desafio sem dúvida. Tanto prático como teórico. Astronomia eu estou sempre com sono e confesso ouvir metade do que a professora fala, achei que ia me acostumar, mas isso não aconteceu ainda. Herbologia só tem teoria e bem, acho um pouco chato, não falamos nada além de composição e como cuidar das plantas magicas, quando a professora explica seus usos em poções me interessa mais. Defesa e História temos péssimos professores, e seus testes conseguem ser ainda piores e confusos. A senhora pode ver por si mesma. — Terry justificou.

— Sim, posso ver que os testes de História só têm datas e batalhas goblins, vocês só tiveram isso em aula? — Ela franziu o cenho quando eles confirmaram. — Tinha esperança de que Binns tivesse melhorado ou sido substituído. E Defesa você tirou um E porque respondeu além do que ele perguntou, obviamente esse Prof. Quirrell não gosta quando os alunos acrescentam mais informações ou dão múltiplas respostas. — Serafina disse um pouco mal-humorada.

— Sim, Hermione também teve esse problema com Quirrell, ela escreve ainda mais do que eu. — Confirmou Terry com uma careta.

— E vocês só aprenderam isso o semestre inteiro? —Agora ela estava chateada de verdade.

— Sim, mas estamos bem a frente mamãe, temos aulas extras de Defesa, História e Poções, Harry ensina Defesa e estamos terminando o livro do 1º ano já. — Contou Terry sorrindo para o amigo.

— Bom, vou querer testa-los, mas deixaremos isso para o verão, temos pouco tempo e vamos nos concentrar durante essas férias em suas dificuldades. — Disse ela e depois olhou para o filho com atenção. — Entendo que são só alguns meses e você está se adaptando, mas tudo o que você fez foi me dar desculpas. Você está indo muito bem e estou orgulhosa, mas precisa pensar em como resolver suas dificuldades, encontrar uma solução e não reclamar do que não dá certo. É assim que um Ravenclaw faz.

Terry acenou, mas não pareceu magoado.

— Vamos rever suas preparações, tempo de estudo e sono. Quanto a Herbologia, ser chato não é motivo para não ir bem na aula. Espero mais de você nos próximos meses nesses assuntos. — Disse ela firmemente, mas não parecia zangada ou desapontada.

— Sim, mamãe. — Disse Terry suspirando e depois pegou suas coisas e começou a arruma-las.

— Agora você Harry, deixe-me dar uma olhada. — Sra. Serafina sorriu para ele, mas ainda assim Harry se sentiu como se estivesse caminhando na prancha.

— Aqui, senhora.

Serafina analisou suas notas primeiros e fez algumas anotações em seu caderno, depois olhou para seus testes teóricos. E com mais atenção para seus deveres de casa. Enquanto isso Terry saiu para levar suas coisas para seu quarto e não voltou, Harry imaginou que estaria com o pai ou a irmã.

— Bem Harry, antes de mais nada devo lhe dar os parabéns, você tem um O em todos os seus testes práticos, inclusive em Poções, muito impressionante. — Sra. Serafina sorria de um jeito legal, parecia orgulhoso dele e Harry sentiu o rosto e o peito esquentar.

— Obrigado, senhora.

— Você, como disse antes está tendo dificuldades na parte teórica, além do fato de estar sendo apresentado agora a teoria magica e estar em um momento de adaptação, você identifica qualquer outro motivo para isso? Terry disse que tem problemas de concentração e memória? — Perguntou ela delicadamente.

— Sim, Madame Pomfrey disse que a desnutrição pode causar problemas na aprendizagem, hum... Ela perguntou e eu contei que nem sempre conseguia me concentrar nas aulas e como não conseguia ler antes das aulas as vezes não entendia o que os professores estavam dizendo e bem, não me lembrava de quase nada nos testes. Na escola trouxa eu era melhor em matemática e ciências. — Disse Harry levemente envergonhado.

— Isso faz sentido, se você tem facilidades para matemática e ciências, todos esses fatos teóricos exigem mais concentração e atenção para gravar o conteúdo e memorizar. Como está agora? — Perguntou ela sorrindo gentil.

Isso aliviou Harry que sorriu também.

— Bem, ajuda muito a preparação para as aulas, ler antes e prestar mais atenção aos professores e suas explicações, eu até entendo e me lembro mais o que eles explicam, mas acho mais difícil me lembrar do que li do que eu ouvi. Faz sentido? — Perguntou Harry em dúvida.

— Sim, você não tinha o habito da leitura e por isso tem mais dificuldades em absorver tantas novas informações em tão pouco tempo. E o 1º ano tem muita teoria. A leitura é um habito Harry, assim como nossa escrita, sua letra deve ter melhorado muito desde setembro, estou certa? — Harry acenou concordando e contou sobre as aulas de auxílio aos sábados de manhã, eles iam quase sempre ou tentavam sempre usar esse período para fazer as poções das aulas seguintes. — Muito bem, assim como sua escrita melhorou com treinamento, quanto mais você ler mais adquire o habito da leitura e assim passará a ler melhor e escrever melhor. E quando digo ler melhor digo entender e absorver o que você lê. Entende?

— Sim, então minha memória vai melhorar também? Quer dizer, Feitiços, Poções e Defesa eu entendo bem e não tenho tantas dificuldades, mas os outros assuntos são mais difíceis lembrar. — Explicou Harry feliz em ter alguém para perguntar essas coisas. Penny o ajudava, mas Serafina era professora e tinha mais experiência.

— Sim, com o habito da leitura e com sua saúde evoluindo acredito que sua memória vai melhorar também, mas aqui entra o que eu disse ao Terry, não gostar tanto de um assunto ou ele ser mais difícil é apenas uma desculpa. Quando um assunto nos apresenta alguma dificuldade temos que estudar ele ainda mais, nos preparar ainda mais e não apenas ser desinteressado. O "Eu não gosto mesmo disso", é apenas uma desculpa. — Disse ela firmemente, mas gentil.

— Sim, senhora. — Disse Harry humilde.

— Também percebo alguns problemas em sua gramática, os professores disseram algo sobre isso? — Perguntou ela olhando para seus deveres.

— Hum, não senhora, apenas que devo ter mais atenção a gramática. — Disse Harry sentindo o rosto esquentar.

— Não há motivo para se envergonhar, acredito já sabemos que suas dificuldades vêm da forma como seus parentes o trataram, não é sua falha. A sua gramática vai melhorar também com sua leitura, mas estudar um pouco mais de inglês não é uma má ideia. Vamos trabalhar nisso enquanto estiver aqui. — Serafina sorriu quando Harry acenou ansioso. — E por falar nisso como tem sido as aulas trouxas?

Harry sorriu e falou sobre essas aulas, os livros para alunos que estudavam em casa eram diferenciados. Tinham um texto mais simples e didático, e muitos exercícios práticos. Terry, Hermione e Harry vinham estudando uma vez por semana com Mandy, Morag, Justin, Megan e Hannah. Todos estavam muito felizes com seus progressos e gostavam de estudar juntos, pois assim um ajudava o outro com seus pontos fortes. Harry era o melhor em matemática.

— Isso é ótimo Harry, na Inglaterra os alunos fazem as provas de progressão de ciclo a cada dois anos. Assim vocês só terão exames no verão do próximo ano e não neste verão. Lembre-se de sempre guardar suas anotações e resumos para revisão. — Orientou Sra. Serafina.

Nesse momento Ayana entrou pela porta aberta da biblioteca de pijama e sonolenta.

— Mamãe, estou indo dormir, você vem me contar uma história? — Disse ela com um bocejo. Seus cabelos encaracolados como o da mãe estavam soltos e armados agora e seus olhos azuis menos focados.

— Claro querida, vamos lá. Harry, vou descer daqui a pouco te preparar um lanche para você comer antes de suas poções. Ok? — Disse Sra. Serafina antes de pegar a mão de Ayana.

— Boa noite Harry. — Disse a menina acenando para ele.

— Boa noite, Ayana.

Sozinho Harry olhou para seus deveres e testes com um sorriso, até que não foi tão ruim, mas Serafina estava certa, ele podia sempre melhorar, estudar mais, ler mais, sem desculpa. Ele só lia para as aulas, e aulas extras, mas talvez fosse importante ler por lazer também. Hermione e Terry faziam isso, suspirou enquanto subia ao seu quarto para guardar suas coisas, nunca tivera o habito da leitura ou do lazer, a ideia de ter os dois era inimaginável.

Quando desceu ouviu risos vindo da cozinha e quando foi até lá encontrou Terry com o pais, sentados à mesa tomando chocolate quente e com um prato de sanduiches.

— Ah, Harry vem, pegue um chocolate quente querido. E um sanduiche. — Disse Sra. Serafina sorrindo.

— Obrigada Sra. Serafina. — Harry sorriu e tomou um gole do delicioso chocolate e pegou um sanduiche de frango. — Muito bom.

— Bem, alguém gosta dos meus sanduiche saudáveis, adoro fazer e saber que alguém os aprecia Harry. — Serafina piscou para ele enquanto olhava para o filho e o marido contrariada.

— Desculpe querida, mas não gosto de cenoura, prefiro o seu sanduiche de rosbife, é o melhor. — Disse ele mostrando isso com uma grande mordida e um sorriso culpado.

— Eu gosto mais do de bacon, mas o de frango e cenoura não é ruim, Harry é que parece um coelho, mesmo antes da dieta da curandeira ele comia legumes e verduras, depois ele passou a comer ainda mais. Adora brócolis. — Disse Terry com uma expressão que dizia que não entendia como alguém pode gosta de brócolis.

— Terry estava nos contando como foi o primeiro jogo da Ravenclaw e como a Gryffindor perdeu para os Slytherins. — Disse o Sr. Falcon.

Por mais meia hora eles falaram sobre quadribol e os jogos, Harry estava animado e preocupado com o próximo jogo com a casa das cobras, afinal eles jogavam sujo. Sr. Falcon jogara como artilheiro pela Gryffindor e disse que o melhor era ter sangue frio e jogar o jogo, sem apelar como eles, mas estar atento para qualquer tentativa de sabotagem.

Depois Terry e ele foram dormir. Harry achou que estranharia a cama, talvez o quarto ou pelo menos o barulho das árvores que se agitavam com o vento de inverno, mas isso não aconteceu. Assim que tomou suas poções e escovou o dente, deitou-se pensando no dia estranho, diferente, e ainda muito bom. E a próxima coisa que ele teve noção era a sua varinha o despertando a 7 horas como sempre.

Suspirando, Harry se levantou e viu que realmente nevara como dissera o homem do tempo. Depois de ir ao banheiro e se vestir com sua roupa de treino e o casaco, ele desceu e saiu da casa pela porta da cozinha. O frio era intenso, mas Harry lançou em si mesmo o forte feitiço de aquecimento ensinado por Trevor. Ele se aqueceu e alongou calmamente, não pensou em acordar o amigo, Terry deveria ter tirado a varinha do modo despertar e com certeza queria descansar até mais tarde no dia do aniversário ou até enquanto estavam de férias.

Harry não se importava em treinar sozinho, vinha se sentido muito mais forte e apto ultimamente e em sua última consulta com madame Pomfrey ela constatara que ele crescera 2 centímetros. Isso o deixou eufórico, assim se Terry queria descansar um pouco tudo bem, mas Harry não podia descansar, tinha que continuar cuidando de sua saúde e se tornando mais atlético para o quadribol. Começando sua corrida leve, Harry notou uma estufa de vidro mais perto das arvores e decidiu ir correr pela estrada e não pelo bosque, não queria correr o risco de se perder.

Ele ainda vinha correndo distancias curtas e levemente, esperava que com o tempo ele pudesse aumentar a distância e ir mais rápido, pois gostava muito de correr. Terry e ele chamaram Neville e Hermione para treinarem, mas os dois recusaram, seu amigo se mostrara horrorizado e a garota dentuça indiferente. Esperava que ao explicar o que Mason escrevera em seu livro sobre a importância da aptidão física eles mudassem de ideia.

Sentindo a adrenalina percorre-lo Harry correu uns 2 km e depois voltou, a neve formara uma camada fina no chão e não dificultava os passos, bem diferente de Hogwarts. Quando a neve se tornara um problema Terry e ele começaram a usar o corredor estreito do Covil para correr. Eles descobriram como trocar as tochas e agora tinham um caminho bem iluminado. O caminho secundário acabou por ser outra saída ou entrada, no 1º andar não muito longe da biblioteca, o que de fato fora muito bom, assim eles entravam por lugares diferentes, infelizmente a entrada do 3º andar não era acessível, Filch e sua gata estavam sempre rondando.

Chegando a parte de traz da casa onde estava a estufa e a porta da cozinha, Harry decidiu começar os exercícios, olhando em volta para um lugar bom, se assustou a ver uma mulher a uns 10 metros de distância. Instintivamente ele pegou sua varinha e olhou em volta procurando mais alguém ou qualquer outra coisa suspeita, mas não havia nada. Apenas a mulher de cabelos longos soltos que caminhava lentamente como se estivesse passeando, se aproximando mais Harry concluiu que ela estava andando devagar porque estava descalça. Seus pés deviam doer no chão com neve fria, observando com mais atenção percebeu que ela usava uma camisola azul clara muito fina e mais nada. Preocupado agora, Harry caminhou até ela se perguntando se estava perdida.

— Senhora? — Perguntou gentilmente para não a assustar. Ela murmurava baixinho e caminhava arrastando os pés na direção da estufa. Quando ele falou, ela se virou olhando para ele surpresa, mas seu sorriso era doce e carinhoso.

— James? Oh, eu não sabia que vinha nos visitar hoje, querido, sua mãe veio com você? Estou com muitas saudades de Euphemia. — Seu sorriso continuou doce e ela o olhava como se o conhecesse ou pelos menos seu pai. — Onde ela está?

Confuso Harry olhou em volta como se alguém pudesse aparecer para ajuda-lo, mas o silencio branco do inverno que antes lhe passou tranquilidade agora parecia meio assustador. Voltando a olhar a mulher percebeu que seus lábios estavam roxos e que o mais importante seria tira-la do frio.

— Senhora...? — Começou ele gentilmente.

— Honora, querido. Sra. Honora, como eu te ensinei, Sra. Boot é minha sogra, sempre olho em volta procurando por ela quando alguém me chama assim. — Ela continuava sorrindo parecendo muito feliz.

Com um sobressalto Harry percebeu que esta era a avó de Terry.

— Sra. Honora, não gostaria de entrar comigo? Podemos tomar um chocolate quente e nos aquecer. — Harry disse estendendo o braço para ajudá-la.

— James, James, sempre um cavalheiro, minha querida amiga lhe ensinou muito bem. Mas não posso entrar agora, querido, estou indo até a estufa recolher algumas flores. Meus garotos chegam de Hogwarts hoje para as férias de inverno, quero colocar algumas tulipas amarelas no quarto da minha Carole, são suas flores preferidas. — Disse ela animada como uma criança enquanto dava mais alguns pequenos passos na direção da estufa.

— Oh! — Engolindo em seco, Harry percebeu que ela estava confusa, não lembrava que sua filha morrera. Olhando para a casa silenciosa, pensou em ir buscar ajuda, mas teve receio que ela fosse para o bosque e eles não conseguissem mais encontrá-la.

Decidindo ele apontou sua varinha para ela e lançou o feitiço de aquecimento pedindo a sua magia que a aquecesse e a mantivesse assim.

— Oh! Que maravilha, eu não percebi que estava com tanto frio, muito obrigada querido, estou me sentindo muito melhor. — Ela disse sorrindo e se abraçando. — Com quem aprendeu esse feitiço James? Você só começa Hogwarts no próximo ano. — Disse ela olhando-o com olhos atentos.

— Hum... Minha mãe senhora. — Respondeu ele meio engasgado.

— Ora, é claro que é com Euphemia, ela é ótima em Feitiços e nunca te nega nada. Nunca vi uma criança tão amada e mimada como você James. — Ela riu alegre e depois apontou a casa. — Volte para dentro e diga a sua mãe que entrarei em um instante. Apenas vou colher as tulipas.

— Hum, minha mãe não veio comigo senhora, eu poderia acompanha-la até a estufa? Posso ajudar a pegar as flores e depois vamos tomar um chocolate quente, que me diz? — Disse Harry oferecendo seu braço e caminhando com ela na direção da estufa, apesar de estar quente, ela ainda andava muito devagar.

Quando entraram na estufa a temperatura era mais quente e as inúmeras flores coloridas faziam parecer mais primavera do que inverno.

— Ah! Como estão lindas. Aqui James, querido, aqui estão as tulipas, eu sempre tenho elas para minha Carole, são suas preferidas. — Disse ela animada e ainda andando devagar apesar de não ter mais neve.

Olhando para seus pés viu com o coração apertado que eles estavam com alguns ferimentos e sangravam bem devagar, por causa do frio, pensou, não sangravam mais.

— Bem James. — Disse ela ainda sorrindo, como se não registrasse a dor nos pés. Ela pegou uma tesoura de jardinagem e começou a colher as tulipas. — Se você não veio com sua mãe deve ter vindo com seu pai e agora ele está lá dentro no escritório conversando com meu Áquila. Teremos muito tempo para nosso chocolate quente, querido, pois esses dois quando começam a conversar nunca param, a não ser que sua mãe venha e arraste Fleamont embora. — Sra. Honora gargalhou divertida.

— Não senhora, eu vim... estou me hospedando aqui por alguns dias. Meus pais estão viajando. — Disse Harry tentando não ficar muito longe da verdade.

— James querido, você não está aqui escondido, não é? Se estiver pregando uma peça em seus pais isso não é certo, mesmo um brincalhão tem limites. Seus pais te amam tanto e ficariam apavorados se não te encontrassem em casa. — Disse ela e o olhou com atenção direto nos olhos, ela tinha os mesmos olhos azuis de falcão de seu filho e neta.

— Não senhora, eu juro. — Disse Harry e aflito olhou seu pé que começara a sangrar mais agora que não estava mais tão frio. — Hum, Sra. Honora, a senhora machucou os pés, se puder se sentar aqui, posso fazer um curativo para a senhora.

— Claro querido, você é muito gentil. — Sra. Honora se sentou em uma cadeira com algumas tulipas nos braços. — Quantas tulipas você acha que devo pegar? Talvez 10 ou 12, uma dúzia parece melhor, não é?

— Hum... — Se ajoelhando Harry apontou sua varinha e disse "ferula" duas vezes e bandagens envolveram seus pés, mas ele sabia que precisavam ser limpos ou curados adequadamente. — Pronto. Eu colho mais flores para a senhora, sei fazer isso. — Rapidamente Harry colheu mais 5 tulipas amarelas, feliz que sua tia lhe ensinara a fazer isso. — Aqui Sra. Honora, mais 5 e agora são 12, podemos entrar, assim tomamos aquele chocolate quente.

—Essa é uma boa ideia James, quando ver sua mãe vou elogia-lo para ela, cada dia mais bonito e educado. — Levantando-se com sua ajuda, segurou seu braço com as mãos meio tremulas e algumas flores caíram. — Oh! — Ela parecia tão triste que cortou seu coração.

— Aqui, pronto, eu pego para a senhora, eu posso levar se quiser. A senhora pode segurar meu ombro enquanto caminhamos. — Sugeriu gentilmente Harry e felizmente ela concordou.

Parecia cansada e Harry se lembrou preocupado que a hipotermia causava cansaço e sono. Rapidamente antes de deixarem a estufa ele lançou mais uma vez o feitiço de aquecimento nos dois. Eles chegaram na cozinha vazia e silenciosa, ainda não eram 8 horas da manhã, mas ele imaginou que não demoraria para os pais de Terry descerem. Sra. Honora olhou em volta levemente confusa e depois para ele e sorriu docemente de novo como se o reconhecer a acalmasse.

— Pronto, senhora, sente-se aqui na mesa, vou preparar um chocolate para nós. — Disse Harry colocando as tulipas na mesa e puxando uma cadeira para ela.

— Ora, James querido, eu mesmo preparo o chocolate, você não saberá onde está tudo. — Disse ela sorrindo carinhosa.

— Eu posso encontrar Sra. Honora, mamãe me deixa fazer chocolate em casa, ela diz que é o melhor que já provou. E a senhora machucou os pés, deve se sentar, vou buscar uma bacia para limpar os cortes. Não demoro. — Harry com medo que ela deixasse a cozinha e do sangue que poderia escorrer mais rápido agora que estavam longe da neve, rapidamente procurou uma bacia nos armários.

Enquanto enchia a bacia de água na torneira, Harry procurou por ingredientes para o chocolate quente e uma leiteira. Acostumado a se virar na cozinha muitas vezes com sua tia o importunando ou mesmo seu tio e primo, ele rapidamente teve o chocolate no fogão fervendo e os pés da Sra. Honora dentro da bacia de agua quente. Ela murmurava suavemente olhando para ele trabalhar com um sorriso doce e um olhar ausente. Quando ele lhe entregou sua xicara de chocolate ela sorriu ainda mais e bebeu um gole suave.

— Hummm... Sua mãe tem razão James, você faz um ótimo chocolate. Nem eu preparo um tão bom. Vai ser ótimo ter você aqui por alguns dias querido, Falc e Carole chegam de Hogwarts hoje e eles lhe farão companhia. — Ela disse sorrindo animada. — Esse é o último ano de Falc, ele está ansioso para começar a trabalhar no Ministério com o pai. Ele quer ser advogado, meu Falc. — Seu olhar era sonhador. — Mas minha Carole tem mais dois anos pela frente, assim vocês estarão indo juntos em setembro. Talvez estejam juntos na Hufflepuff, hum? — Disse ela orgulhosa.

— Eu... hum... sim seria bom acho. — Disse desconcertado e vendo que a água se enchera de sangue, pensou que agora que estava limpo o melhor era colocar a bandagem de volta.

— James, você herdou o tato do seu pai, sempre gentil. Nós dois sabemos que você é um Gryffindor de corpo e alma, exatamente como seu pai. E assim é meu Áquila e meu Falc, apenas eu sou uma Hufflepuff e assim é minha Carole, ela é muito parecida comigo. Hum, não vejo a hora que ela chegue, sinto muita sua falta. — Seus olhos tinham lagrimas e Harry sentiu seu próprio coração se apertar.

— Sra. Honora, vou secar seus pés e refazer as bandagens agora. A senhora está se sentindo quente? Quer um pouco mais de chocolate? — Perguntou Harry suavemente.

— Oh, não James, estou bem, querido, apenas um pouco cansada. Obrigada por cuidar de mim tão bem, Euphemia estará orgulhosa quando eu contar a ela. Tenho apenas que arrumar essas tulipas em um lindo vaso e levar ao quarto da minha Carole, são as flores favoritas dela. Oh! Mas eu já te contei isso, que esquecida eu estou. — Exclamou ela rindo animada.

Enquanto Harry cuidava de Honora Boot, seu marido acordou para uma cama vazia e gelada e imediatamente se pôs em alerta. Não demorou nem 10 minutos para checar com alguns feitiços que ela não estava na Abadia Boot e rapidamente enviou seu patrono para seu filho. Depois se vestiu e saiu para procurar por ela, o frio e o tamanho do jardim o fez ficar ainda mais angustiado, mas com a ajuda do seu filho eles procurariam em direções diferentes e a encontrariam.

Falc estava acordado já, mas deitado em sua cama olhando sua esposa que se vestia e falava sobre o dia deles.

— Ainda é cedo, imagino que as crianças vão dormir mais uma hora pelo menos, estão de férias afinal. Mas já quero começar o café da manhã, vou deixar aquecido e quando eles acordarem podem comer e eu já estarei ocupada com a organização da festa. — Disse Serafina agitada, seu olhar mostrava-se distante e ele sabia que estava listando todos os afazeres em ordem.

— Vai ficar tudo bem, Anne deve chegar para te ajudar as 9 horas, certo? E eu estarei de volta da cidade, por volta do meio dia, 13 horas no máximo e vou ajudar também. Quando os convidados chegarem as 16 horas tudo estará organizado. Sua mãe vem? — Perguntou sorrindo para ela carinhoso.

— Sim, ela vai fazer o bolo dele como em todos os anos e... — Mas a entrada de uma águia branco brilhante no quarto a interrompeu.

Os dois imediatamente se colocaram em alerta enquanto a águia falava com a voz de seu sogro.

— Sua mãe desapareceu, não está na Abadia, não sei a quanto tempo, preciso de ajuda para percorrer o jardim.

Antes que a águia terminasse de falar Falc já estava quase que completamente vestido.

— Merlin, deve estar uns 5 graus lá fora agora e mais cedo ainda mais frio. E ele nem sabe quando ela saiu. — Disse ele calçando as botas, preocupado.

— Calma Falc, vocês vão encontrá-la. Você quer que eu vá junto, podemos cobrir mais terreno, posso chamar a Anne para vir mais cedo e ficar com as crianças. — Disse Serafina enquanto desciam as escadas, também estava aflita.

— Não, se não a encontrarmos logo, te aviso e você faz isso e vem nos ajudar. — Falando um palavrão ele se apressou para o hall de entrada, e começou a colocar o casaco e o cachecol. — Eu disse a ele para colocar um feitiço de localização nela, mas ele nunca me...

E nesse momento um riso bem familiar foi ouvido por eles vindo da cozinha. Trancando um olhar surpreso e confuso os dois rapidamente caminharam até a cozinha, onde encontraram uma cena inesperada. Sra. Honora Boot estava sentada a mesa com uma xicara de chocolate, apenas de camisola e com os cabelos grisalhos soltos, ria de algo animada e feliz sem qualquer preocupação no mundo. E Harry Potter estava sentado no chão usando sua varinha para colocar bandagens em volta de seus pés, claramente, machucados.

— Mamãe? — Ele falou suavemente e viu sua mulher ir para a sala para avisar seu pai, percebeu ele quando a ouviu dizer o encanto do patrono.

Sua mãe sorriu tranquilamente para ele.

— Falc querido, você já chegou em casa, seu pai foi busca-los na estação? James aqui me ajudou a colher essas lindas tulipas amarelas, pretendia colocar no quarto da sua irmã antes dela chegar. Mas me distrai com o chocolate mais gostoso que já tomei, você deve provar, muito melhor que o meu. — Disse ela erguendo sua xicara com um sorriso brincalhão, depois ficou mais séria. — Estou preocupada com a visita de James, ele me disse que está passando uns dias aqui conosco, que seus pais estão viajando, mas Euphemia e Fleamont são os pais mais possessivos e amorosos que conheço, sempre levam James com eles onde vão. Você pode confirmar que eles não estão procurando por ele?

Harry se levantou do chão e olhou para o senhor Falc, ele parecia um pouco chocado e zangado, esperava não ter feito nada errado e ser mandando embora, pensou, engolindo em seco.

— Claro mamãe, James está aqui apenas por dois dias, os pais deles tinham uma festa bem chata na Irlanda e não queriam que ele viajasse com esse frio. — Disse ele suavemente se aproximando e beijando-a na testa com carinho.

— Ora, é claro, faz sentido, Euphemia morre de medo que ele adoeça. James me preparou um chocolate, tem mais querido, pegue um pouco. Ele também me fez umas bandagens, machuquei os pés, nem sei como. — Disse ela e bocejou sonolenta.

— Papai estava te procurando, o que me diz de procurarmos ele e depois você pode descansar um pouco. — Falc sugeriu suavemente e ela concordou.

— Boa ideia querido, estou um pouco cansada, não sei por que. James querido, muito obrigada por sua ajuda. Euphemia estará orgulhosa, não tenho dúvida. — Seu sorriso doce e ausente retornara.

— De nada Sra. Honora. Senhor? — Perguntou ele timidamente.

— Sim Har... Sim? — Disse suavemente enquanto levava sua mãe na direção da sala da frente.

— Os machucados, senhor, eu os limpei com água antes de colocar as bandagens, acho que fiz do jeito certo, senhor. — Disse Harry apontando a bacia com água vermelha de sangue para provar.

— Eu... obrigado, Potter. — Disse e levou sua mãe para o carro, lançando antes um feitiço para amortecer a dor dos pés machucados. No caminho para a Abadia ela dormiu suavemente, embalada por sonhos doces com um menino de olhos verdes brilhantes.