NA: Gostaria de agradecer a todos que estão lendo minha história, por favor, favoritem, sigam e comentem quando puderem. Recentemente alguém me apontou alguns erros de conjugação verbal. Agradeço muito e prometo a todos que quando terminar o primeiro ano vou fazer uma revisão gramatical completa.

Uma leitora anonima me enviou palavras lindas e perguntas, por favor, Hela se cadastre no site assim posso responder seus comentários diretamente. Obrigada e fico muito feliz que você está gostando. Respondendo a sua pergunta, Harry e Ron não são inimigos, apenas também não são amigos e não terão muito em comum. Ron não é meu personagem preferido, mas não desgosto dele e nem pretendo faze-lo uma caricatura horrível. Mas sendo explosivo e imaturo acredito que suas ações até agora não são tão absurdas. Isso é importante para mim, manter o original o maior possível e que as mudanças geradas pelo Harry estar em Ravenclaw não sejam absurdas e incoerentes. Ron terá uma participação muito importante no futuro, estou louca para ver o que ele vai fazer quando o Harry e a Ginny finalmente ficarem juntos, sabe, sem eles serem melhores amigos e tal. Espero por escrever essa cena ansiosa. Beijos de Luz para você também, Tania.

Capítulo 18

Depois que o marido saiu Serafina voltou para a cozinha, percebera que aparecer traria mais confusão a sogra, pois ela não a reconheceria e eles teriam que explicar sua presença. Quando entrou na cozinha encontrou Harry Potter lavando uma bacia e uma xícara na pia.

— Harry querido, deixe que eu faço isso. Suba e tome um banho, você estava treinando? Sim? A que horas acordou? — Perguntou desconcertada, não lhe ocorrera que ele acordaria mais cedo e continuaria os treinos físicos mesmo nas férias.

— Acordei as 7 como sempre Sra. Serafina. Estou acostumado e não quero parar meus treinos, eu cresci 2 centímetros desde setembro e Madame Pomfrey disse que os treinamentos, além da alimentação, ajudaram muito. — Disse ele sorrindo levemente enquanto ela com sua varinha começava a lavar a louça. — Eu fiz um chocolate para a Sra. Honora, ainda sobrou na leiteira um pouco, senhora.

— Bom, porque você não o toma Harry, de manhã eu prefiro chá. Depois vá se lavar e desça para me ajudar com o café da manhã, Sr. Falc demorará um tempo para voltar e as crianças ainda estão dormindo. Assim será só nós dois. — Disse ela com um sorriso suave.

Ele concordou e tomou o resto do chocolate, estava com fome e com tudo que acontecera nem tinha percebido. Harry subiu e tomou um banho rápido, depois desceu a cozinha para ajudá-la. Sra. Serafina não o deixou perto do fogão, disse que fazia mais rápido com magia e pediu que ele picasse algumas frutas e espremesse a laranja para um suco. Ele a observou preparar o café e tentar agir normalmente, sem muito sucesso, mas decidiu também agir o mais normal possível e não fazer perguntas.

Quando o cheiro de bacon, ovos, salsichas e legumes grelhados se espalharam pela casa, os três Boots mais jovens apareceram, sonolentos e ainda de pijamas. Adam estava no colo de Terry e Ayana se escorava nele andando de olhos fechados.

— Bom dia! — Gritou animada Serafina e fez seus filhos saltarem. — Hum, mesmo dormindo em pé espero que tenham escovado os dentes? — Disse ela observando-os com atenção e viu a expressão de culpa da filha na hora.

Sentada na cadeira Ayana abriu um olho só, observou sua mãe e ao ver sua sobrancelha arqueada se levantou e voltou para o andar de cima.

— Feliz aniversário, querido. — Disse Serafina dando um abraço e beijo na cabeça do filho ainda sentado.

— Sim, feliz aniversário Terry. — Acrescentou Harry sorrindo ao amigo sonolento.

— Obrigado mamãe, e obrigado Harry. — Terry sorriu para eles, depois serviu Adam e olhou em volta confuso. — Papai já saiu? Achei que ele fosse mais tarde e Harry o acompanharia a cidade. — Perguntou colocando seu próprio prato.

— Não querido, seu pai saiu rapidamente, deve estar voltando. — Disse sua mãe com um sorriso tenso.

Olhando com atenção, Terry afastou o sono, pois percebeu que seu amigo também parecia preocupado, ainda que ele disfarçasse melhor que sua mãe. Engolindo seus ovos decidiu esperar seu pai chegar para saber o que acontecera.

Depois que todos terminaram o café, Serafina subiu para ajudar Adam e Ayana com o que vestir. Eles queriam pôr a roupa da festa sete horas antes da festa, com certeza não chegaria inteira e limpa e ela estava tentando convence-los a colocar uma roupa mais simples para poderem brincar. Terry também foi se vestir e Harry ficou na cozinha arrumando tudo o que conseguiu enquanto a pia lavava a louça magicamente. A verdade é que não tinha muito o que ajudar a Sra. Serafina, para pagar a comida especial que ela fazia para ele.

Antes que eles descessem a porta da frente se abriu, pensando que poderia ser o Sr. Falcon, Harry foi até a sala, queria saber se a Sra. Honora estava bem. Mas não era ele e sim uma mulher de uns 25 anos, tinha cabelos castanhos em uma trança, olhos castanhos, rosto redondo e risonho. Quando ela o viu pareceu surpresa por um segundo, mas depois olhou para sua testa viu sua cicatriz e seus olhos se arregalaram.

— Oh... Oh! Meu Deus, eu sabia que você estaria aqui, mas ainda estou assombrada. Eu... é uma grande honra Sr. Potter, quer dizer Harry. Eu não sei se alguém já agradeceu, mas eu estava em Hogwarts quando tudo aconteceu, sou nascida trouxa e se não fosse você matar você-sabe-quem eu poderia nem ter conseguido terminar a escola e meus pais estavam escondidos porque eles estavam matando famílias de nascidos trouxas que estavam em Hogwarts e...

E felizmente para um Harry corado que não sabia o que fazer, se ficava constrangido ou zangado, Adam e Ayana desceram as escadas nesse momento chamando pela moça.

— Anne! Anne! Você chegou!

— Anne! Mamãe disse que podemos brincar na sala de jogos até a hora da festa. — Disse Ayana sorrindo e saltando em volta da moça, Anne. — Hoje é folga, sem aulas, estamos de férias da escola e também não precisamos fazer leituras. Sabe porque, porque, porque?

— Hum, seria porque é o aniversário de alguém especial? — Perguntou, seu rosto redondo e risonho se abrindo em um sorriso, sua expressão era tão bondosa e carinhosa que Harry não pode não simpatizar com ela de imediato, quer dizer, quase de imediato.

— Sim, e o Terry voltou para a casa! — Disse Adam emocionado, Ayana concordou com entusiasmo e nesse momento seu amigo surgiu no topo da escada e gritou:

— Anne! — Descendo correndo ele lhe deu um grande abraço que ela retribuiu.

— Olha para você, como cresceu e que falta você fez, como foi a escola, você precisa me contar tudo, tudinho. — Disse ela no mesmo ritmo acelerado que falara com Harry e este ficou aliviado que ela falasse assim com todo mundo e não só com ele.

— Oh, não, você tem que brincar com a gente, temos o dia livre para brincar Anne. — Disse Ayana com um bico.

— Ok, vou ir brincar com vocês. Terry depois vou ajudar sua mãe a organizar sua festa e você pode me ajudar e contar tudo. O que me diz? — Disse Anne enquanto era puxada pelos dois irmãos de Terry.

— Combinado. Ah, Anne esse é meu amigo Harry Potter, Harry está é Anne Kemp, nossa babá, ou melhor dizendo, a babá dos meus irmãos. — Disse ele corando levemente.

— Oi Harry, é um prazer.

— Oi Anne. — Sorriu Harry enquanto os três desapareciam na sala de jogos. Ele não disse que era um prazer, ainda não decidira sobre isso ainda.

Terry sorriu um pedido de desculpa e abriu a boca para falar, mas a porta da frente voltou a se abrir e logo depois seu pai apareceu na sala pálido e perturbado.

— Ah, Harry precisamos conversar, filho onde está sua mãe e seus irmãos? — Perguntou ele, não parecia zangado, mas angustiado.

— Mamãe está lá em cima e Ayana e Adam na sala de jogos brincando com a Anne. — Informou Terry preocupado, poucas vezes vira o pai tão chateado.

— Anne já chegou? — Pareceu surpreso e ao tentar tirar seu relógio do bolso percebeu que o esquecera na pressa de se vestir mais cedo. — Isso é bom, Terry suba e busque sua mãe, estaremos na biblioteca, vem Harry.

Ele rapidamente desapareceu na sala mencionada e Harry e Terry trocaram um olhar, um preocupado e o outro bem confuso. Eles se mexeram e Harry entrando na biblioteca e se sentou na mesa redonda, Sr. Falc continuou de pé andando de um lado para o outro. Quando Terry e sua mãe chegaram, Sra. Serafina deu uma olhada no marido e rapidamente gesticulou com a varinha e uma mesinha de chá na sala começou a preparar quatro xicaras para eles.

— Vamos nos sentar e tomar um chá, querido. Você precisa se acalmar, está assustando os meninos, vamos, pare de andar de um lado para o outro, sente-se e tome seu chá. Você está frio, nem usou um feitiço de aquecimento Falc. — Disse Sra. Serafina, enquanto levava o marido até a mesa redonda.

Ele se sentou e suspirou, pegando a xicara de chá quente bebeu um gole e fechou os olhos por um segundo, obviamente tentando se acalmar.

— Você está certa, querida. Desculpe meninos, não quis assusta-los. — Disse ele um pouco envergonhado.

— Tudo bem, senhor. — Disse Harry com um olhar solene.

— Você não me assustou papai, só estou preocupado e confuso, o que aconteceu? — Terry perguntou sentando-se ao lado do pai.

— Isso é o que o Harry vai nos dizer. Harry poderia contar o que aconteceu hoje pela manhã? — Sr. Falc o olhou ansioso.

— Harry? — Terry estava ainda mais confuso.

— Sim, querido, sua avó apareceu aqui em casa de manhã e Harry a encontrou. Harry, você a encontrou na cozinha? — Serafina terminou de servir o chá para os meninos e a si mesma e se sentou do outro lado do marido e os três ficaram de frente para o Harry.

— Hum... Não senhora, eu estava lá fora e...

— Espere, porque você estava lá fora tão cedo? — Agora quem estava confuso era Falc.

— Oh! Eu e o Terry temos treinado pela manhã todos os dias, hum, para o quadribol e minha saúde e o Terry decidiu me acompanhar porquê... — Harry olhou para o amigo que entendeu a dica.

— Para estar em forma, o castelo é enorme e estamos sempre subindo e descendo as escadas, o Harry está em forma e, anda ou corre muito rápido, eu ficava sempre atrás dele, lento e arfando como um cachorro velho. Mas eu pensei que durante as férias faríamos uma pausa. — Explicou Terry aos pais e depois olhou questionando o amigo.

— Bem, eu estou acostumado a acordar cedo e gosto do treino, tem me feito mais forte e madame Pomfrey disse que cresci 2 centímetros desde setembro, assim prefiro não parar. Mas tudo bem se você quiser tirar uma folga, não me importo de treinar sozinho. — Harry tranquilizou o amigo que assentiu e depois olhou para o Sr. Falc e continuou. — Eu fiz uma corrida leve pela estrada e voltei, e foi quando eu vi uma mulher...

— Espere Harry você poderia dar uma descrição dos seus passos, você não viu ela antes da corrida? Que horas eram exatamente? — Perguntou Sr. Falc.

Harry acenou e tomou um pouco do seu chá quente antes de respirar fundo e continuar.

— Ok, hum... Minha varinha despertou as 7 horas como sempre e depois de me vestir desci as escadas e sai pela porta da cozinha.

— Estava aberta querido, a porta, estava aberta? — Serafina perguntou apertando as mãos tensa.

— Sim senhora, achei que teria que abrir com uma chave ou feitiço, mas quando girei a maçaneta a porta estava aberta. — Respondeu ele e a viu trocar um olhar preocupado com o marido. — Eu alonguei e me aqueci na parte de fora rapidamente e depois comecei a correr pela estrada, eu fiz uns 2 km em ritmo leve, eu posso correr mais rápido, mas a curandeira disse para ir aumentando a distância e o ritmo aos poucos, pois ainda estou fortalecendo meus músculos e ossos.

Harry viu todos acenarem com sua explicação e tomou mais um gole de chá. Estava ansioso para contar a parte principal, esperava que nenhum deles se zangassem.

"Quando voltei para a parte de traz da casa decidi fazer os exercícios e olhei em volta por um lugar plano e mais limpo, foi quando vi uma mulher de costas indo na direção da estufa bem devagar. Fiquei surpreso e tirei minha varinha e olhei em volta, temi que poderia ser alguém para me atacar". — Harry corou com os rostos surpresos dos Boots, apenas Terry acenou compreensível. — "Eu me aproximei e foi quando eu percebi que a mulher estava com uma camisola fina e descalça, seus lábios estavam roxos pelo frio e os cabelos soltos e emaranhados. " — Harry viu o rosto de Terry empalidecer e seus pais ficaram ainda mais tensos. — "Eu pensei então que poderia ser alguma trouxa perdida e a chamei "senhora", ela estava murmurando como se cantasse uma música sem letra e se virou para mim. Ela sorriu quando me viu e disse "James? Eu não sabia que vinha nos visitar hoje, querido, sua mãe veio com você? " — Harry ouviu seu amigo arfar de choque e rapidamente contou o resto do que aconteceu, culminando no momento em que ele fez a segunda bandagem e o Sr. Falc entrou na cozinha com a Sra. Serafina.

— ... E ela parecia bem cansada, temi que pudesse ser a hipotermia, lembro na aula de saúde que isso dá sono e cansaço. Hum... espero que tenha feito certo em acompanhá-la até a estufa, fiquei com medo de que se fosse buscar ajuda ela pudesse entrar no bosque e se perder. — Harry se calou então percebendo que estava se repetindo e engoliu o resto do seu chá agora frio.

Ele olhou os Boots e viu seus rostos pálidos e angustiado, Terry parecia muito chocado e Sr. Falc desesperado.

— Ela estava melhor senhor, quando o senhor a deixou na Abadia? Seus pés não estavam mais sangrando? — Perguntou Harry hesitante.

— Eu... Sim Harry, ela dormiu no caminho, mas estava bem, apenas cansada. E os machucados dos seus pés estavam bem limpos e não sangravam, você fez corretamente. Por Merlin! — Exclamou Sr. Falc se levantado e voltando a andar pela sala.

— Querido você tem que se acalmar...

— Serafina, não me peça calma, a situação está cada vez pior e você sabe. Eu disse ao meu pai que isso poderia acontecer, sua teimosia poderia ter custado a vida dela se não fosse por Harry. — Ele parecia frenético — Nem sabemos a que horas ela deixou a Abadia, como chegou aqui, quanto tempo estava vagando pelo frio no inverno e um menino, Merlin, um menino salvou a vida dela. — Depois caminhando até o Harry se ajoelhou em frente a sua cadeira. — Harry se você tivesse decidido não treinar em suas férias, algo perfeitamente justo e normal, nunca teríamos chegado nela a tempo para impedir que a hipotermia a matasse. Quando você a encontrou com os lábios roxos e andando lentamente, neste momento ela já devia estar bem próxima de morrer, usar o feitiço de aquecimento e depois lhe dar uma bebida quente, colocar seus pés na água quente, tudo isso salvou a vida dela. — Ele parecia engasgado e seus olhos tinham lagrimas. — Harry Potter, muito obrigado e apesar de essa ser a função do meu pai, sei que falo por ele quando te digo que os Boots estarão para sempre em gratidão com os Potters e a você eu estou em dívida até o dia da minha morte. — Suas palavras foram fortes e solenes, depois ele curvou levemente a cabeça mostrando respeito.

Harry só pode arregalar os olhos e ficar mudo sem saber o que dizer ou fazer, corando envergonhado e sentindo-se mortificado, só lhe restou gaguejar:

— Eu... eu não... não foi por isso que a ajudei, eu só estou feliz que ela está bem, eu fiz o que qualquer pessoa teria feito em meu lugar e.… estar lá foi uma coincidência e... — Harry se calou e engoliu em seco ainda mais vermelho.

— Pode ter sido uma coincidência você estar lá fora Harry, mas todo o resto não foi, você usou seu cérebro, pensou em como era a melhor maneira de agir com muita inteligência, como um verdadeiro Ravenclaw. Você percebeu que não devia deixa-la sozinha e não fez, percebeu que precisava aquece-la e cuidou disso perfeitamente. Não a contrariou ou desfez sua confusão com sua identidade, pois percebeu que tentar isso seria perigoso para ela e para você, cuidou de seus ferimentos e a ajudou em sua "missão". — Disse Sra. Serafina também se aproximando dele e suavemente colocou a mão em seu ombro. — Ela saiu daqui agradecendo sua gentileza e cuidado amoroso, e a nós só resta fazer o mesmo Harry, agradecer sua presença em nossas vidas que lhe permitiu impedir que tal perda terrível nos alcançasse. — Sua voz se embargou no fim e seu olhar era carinhoso e sincero.

Olhando em seus olhos castanhos iguais aos de seu melhor amigo Harry soube o que tinha que dizer. Levantando-se estendeu a mão para o Sr. Falc e o ajudou a se levantar.

— Nenhuma dívida se faz necessária entre amigos. A família Boot e minha família são amigas a séculos e vocês desde o dia em que conheci Terry me ofereceram amizade, afeto e apoio. Sra. Serafina fez mais por mim nos últimos meses do que minha tia nos últimos 10 anos. — Olhando-a nos olhos com a mesma sinceridade continuou. — Ela me pediu para aceitar e ver sua ajuda como um gesto de sua amizade e afeto, eu concordei desde que ela aceitasse minha amizade e afeto em retribuição. Ela aceitou e, portanto, qualquer ajuda que eu prestar a família Boot ou vocês a minha família não nos tornará em dívida e sim mostrará a força de nossa amizade e afeto. — Harry encerrou olhando Sr. Falc firmemente e com determinação.

O silencio na sala foi curto, pois logo uma voz falou da entrada da sala.

— Nem mesmo seu avô, meu bom amigo Fleamont, poderia ter dito melhor.

Sr. Boot entrou na sala caminhando com um passo suave, alto e muito elegante com um terno cinza, seu cabelo, completamente branco, era uma juba cheia que adornava seu rosto envelhecido com rugas e linha de expressão. À primeira vista ele parecia severo ou zangado, mas seus olhos azuis acinzentados mostravam uma suavidade e gentileza e neste momento encaravam Harry com gratidão.

— Papai, faz tempo que chegou? Mamãe? — Perguntou Falc preocupado.

— Sua mãe ainda está dormindo, eu chamei a medi-bruxa, Srta. Cassiane, para examina-la e ela lhe fará companhia até meu retorno. Quis vir pessoalmente para ouvir o que tinha acontecido. — Depois olhou para Harry de novo, e sorriu gentil. — Ouvi seu conto praticamente desde o início, não quis entrar e interrompe-lo. Você se parece muito com seu pai fisicamente, mas sua seriedade e postura me lembra muito seu avô. James era um brincalhão jovial, ele puxou a sua avó que era a alegria em qualquer festa, mas esses olhos espertos e determinados é tudo Fleamont.

— Lamento discordar de você meu sogro, mas eu conheci sua mãe e, desde a cor até essa inteligência, além do grande coração, é tudo Lily Evans. — Discordou Sra. Serafina com um sorriso amoroso em sua direção.

Mas pela primeira vez Harry não gostou nada disso, fora chamado de James pela manhã e fora muito doloroso, fingir ser ele mesmo que fosse por meia hora lhe cortara a alma e estava sinceramente cansado das comparações.

— Na verdade é tudo Harry, sei que olham para mim e veem meus pais e avôs, mas eu não sou James, Lily ou Fleamont e Euphemia, eu sou Harry, não apenas Harry, sou um Potter também e isso é muito importante, pois é parte de quem sou. — Suas palavras saíram mais duras do que teria gostado, mas estavam sufocadas em seu peito. — Eu sou Harry Potter, prazer em conhece-lo senhor. — Disse e com firmeza deu alguns passos e estendeu a mão para cumprimenta-lo.

Mais uma vez se fez silencio na sala, mas logo Sr. Boot começou a rir, seu riso se tornou uma gargalhada e seu rosto se suavizou como o do filho, Harry relaxou suavemente, ainda que não entendesse qual era a graça.

— Muito bem, muito bem, Sr. Harry Potter, é um grande prazer conhece-lo. Eu sou Áquila Boot e estou rindo porque você me lembrou ainda mais de Fleamont, pois falou como um verdadeiro Potter. E está certo em nos corrigir Sr. Potter, porque você pode ser um Potter, neto dos seus avós e filho dos seus pais, mas você é você, Harry. E me parece, pelo pouco tempo em sua presença, alguém muito interessante de se conhecer. — Disse ele apertando sua mão fortemente e com um olhar de respeito.

— Obrigado, senhor. — Disse Harry, sorrindo, simpatizara com o avô de Terry. — E obrigado outra vez por me dar o livro do meu avô, senhor, eu realmente apreciei muito.

— Ora, isso era o mínimo que eu poderia fazer para o neto de meu amigo. Espero que possamos discutir o livro e falar sobre sua família em algum momento de sua visita. — Disse ele sorrindo de volta, Harry acenou ansioso pela ideia. — Agora sobre o que você e meu filho conversavam antes. Faço minhas as palavras de Falc e de minha nora, sua presença e pensamento rápido impediram que a tragédia encontrasse minha família, e teria sido minha culpa se isso viesse a acontecer, culpa da minha teimosia e do meu orgulho. — Sua voz falhou no fim.

— Papai... — Sr. Falc deu um passo à frente, mas seu pai o deteve.

— Não, Falc, você e eu sabemos que é verdade e conversaremos sobre isso em instantes, deixe-me apenas tranquilizar nosso jovem convidado. — Voltando seu olhar agora cansado e triste, seus ombros se curvaram como se carregasse um grande peso. — Você nos salvou da dor e a mim da culpa eterna. Mas concordo com suas palavras, nossas famílias são amigas e na verdadeira e forte amizade não há divididas, mas há gratidão e por isso lhe agradeço. E aceito seu oferecimento de amizade, a sua e dos teus e ofereço-lhe a minha e dos meus. Que assim seja. — Disse ele solenemente e a magia crepitou no ar com suas palavras.

Harry não entendia completamente, mas sentiu os pelos da nuca e dos braços se arrepiarem ao sentir a magia o envolver e instintivamente se endireitou e olhando o Sr. Boot nos olhos repetiu.

— Que assim seja. — A promessa saiu de seus lábios e uma onda maior e mais quente de magia saiu dele e se espalhou por todos da sala, até mesmo os outros Boots, Adam e Ayana brincando e Sra. Honora dormindo sentiram o calor no fundo da alma. Harry enviara a sinceridade de sua amizade e afeto por sua promessa magica e todos se emocionaram ao sentir seus bons sentimentos.

— Oh! Obrigada Harry. — Disse Sra. Serafina com lagrimas escorrendo dos olhos.

Harry ainda não entendia como fizera o que fizera, assim apenas assentiu. Sr. Boot pigarreou e olhando para o neto, sorriu gentilmente.

— Olá meu garoto, venha me dar um abraço. E um feliz aniversário para você. — Disse ele, Terry correu e se derreteu em seu abraço, os dois sussurraram um para o outro como Terry fez na estação com seu pai. — Agora meninos, por favor, nos deixem sozinhos, preciso ter uma conversa a muito atrasada com meu filho e minha nora. Não devemos demorar, não quero estragar sua festa. — Continuou ele com uma piscadela e sorriso, mas dava para perceber sua tristeza e preocupação.

Terry e ele saíram da sala e caminharam para fora pela porta da cozinha, nenhum dos dois disse onde iam, mas estava claro que Terry precisava de espaço e conversar, lá fora estava frio, mas isso talvez até ajudasse clarear a mente. Os dois acabaram na parte de traz perto da estufa, Terry olhou em volta com tristeza e culpa.

— Eu devia ter vindo treinar também, e não tirar uns dias de folga. — Ele moveu a cabeça de um lado para o outro e dava para perceber que estava se recriminando.

— Você tem todo o direito de tirar alguns dias para descansar nas férias, é justo, seu pai mesmo disse isso. Eu apenas quero muito crescer e ficar saudável, você não tem a mesma preocupação, além disso também tenho o quadribol. Não tinha como você saber o que aconteceria. E no fim foi melhor assim, ela talvez não te reconhecesse e poderia ter sido mais difícil leva-la para dentro. — Contemporizou Harry tentando tranquilizar o amigo.

— Sim, talvez, ou eu poderia ter ido pedir ajuda do meu pai enquanto você cuidava dela, e assim ela estaria fora do frio mais cedo. Mas você tem razão, eu não sabia que algo assim aconteceria e ficar me culpando não resolve nada. — Suspirando ele bagunçou o cabelo angustiado. — Obrigado Harry, por cuidar dela, sei você faria isso por qualquer pessoa, sei que não fez isso por agradecimentos e muito menos para ser o herói, mas para mim você não poderia ter me dado um presente melhor, assim, muito obrigado. — Ele olhou em seus olhos sinceros e Harry apenas assentiu solenemente.

Eles ficaram em silencio por um tempo e Harry decidiu que o melhor era aquece-los até seu amigo terminar de falar o que precisava. Assim tirou sua varinha e lançou o feitiço de aquecimento nos dois, Terry suspirou, fechou os olhos e finalmente encontrou as palavras.

— Minha avó tem demência. — Disse ele com voz sufocada. — No começo meu avô e meu pai acharam que era só tristeza pela morte da minha tia. Quando eu nasci e depois meus irmãos ela pareceu se recuperar e voltar a sorrir, mas então de tempos em tempos voltava a ficar muito triste e não queria sair do quarto ou ver ninguém. Meu tio trouxa, irmão de minha mãe, é psiquiatra e disse que ela estava com depressão. — Terry engoliu em seco e abriu os olhos, mas manteve-se encarando as árvores. — No mundo magico ninguém sabe nada sobre isso, não existe uma área de curandeiros que cuidam de problemas psicológicos. As vítimas da guerra têm que superar ou esquecer, por si mesmo. Eu era pequeno e não entendia porque em um momento minha avó estava brincando comigo e no outro estava aos prantos ou não queria me ver ou brincar.

"A uns 3 anos ou menos ela começou a esquecer coisas do dia a dia, são chamadas de memórias recentes, meu avô achou que era apenas uma fase ou algo assim. Então ela não sabia onde estava, ou saia e se perdia. Não sabia onde ficava as coisas na cozinha e um dia onde estava a cozinha. "

"Eles viviam em Londres, o Chalé foi o lar deles enquanto meu pai e minha tia eram crianças, mas quando eles foram para Hogwarts meus avós decidiram se mudar para a casa de Londres, era mais perto do trabalho do vovô no Ministério. Apenas durante suas férias de inverno e verão toda a família voltava para cá. Quando meus pais se casaram e assumiram o Chalé, meus avós preferiram continuar na cidade, gostavam mais do que de viver no campo, assim a Abadia ficou fechada. "

"Quando vovó piorou meu avô a levou ao St. Mungus, eles não sabem nada sobre problemas neurológicos, os trouxas estão a anos luz a frente quando se trata do cérebro, talvez porque estamos acostumados a curar por magia ninguém se interessa muito por pesquisar algo tão complexo. Mas eles têm uma ala para doenças cerebrais, uma ala permanente, se você de alguma forma ficar sem capacidade cognitiva, memoria ou virar um vegetal, é internado nesse lugar e medicado com poções que tem apenas o objetivo de tranquilizar e amenizar os efeitos do dano magico, é uma enfermaria fechada para danos irrecuperáveis causados por feitiços. Meu avô visitou o lugar, tinha esperança que eles estivessem trabalhando em pesquisas para curar danos cerebrais, mas voltou furioso, pois percebeu que ali o objetivo não era cura e sim mantê-los fechados e controlados para não correr o risco de se quebrar o Estatuto de Sigilo. "

— Como assim? — Perguntou Harry entristecido pelo drama que os Boots viviam.

— Imagine que minha avó saia no mundo trouxa como estava ontem, falando sobre magia, Hogwarts, trouxas, com uma varinha fazendo magia na frente deles e se ela achar que está sendo atacada, poderia atacar e até matar alguém se estiver alucinando. Os curandeiros nem sabem que doença ela tem, disse que as vezes bruxos e bruxas mais velhos aparecem por lá com esses sintomas, eles chamam de cerebrum infirma, cérebro fraco, acham que com o tempo o cérebro não aguenta a magia e enfraquece, mas não sabem porque isso acontece. O fato de trouxas ter essa mesma doença apesar de não terem magia nem é considerado.

— E seu avô não quis interna-la nesse lugar, imagino. — Harry falou em tom de afirmação e não pergunta, já concluíra que esse era um dos assuntos que os adultos discutiam na biblioteca.

— Sim, claro que ele era obrigado por lei a interna-la, mas ao em vez disso despistou os curandeiros e se mudou de Londres para a Abadia. Ele havia deixado o Ministério anos atrás por causa da falta de justiça no assassinato da minha tia, mas trabalhava com meu pai como advogado. Quando ela piorou decidiu se aposentar e cuidar da minha avó pessoalmente, eles têm uma empregada que os ajuda, mas é meu avô quem cuida dela 24 horas por dia. — Terry sentindo o frio começar a envolve-lo percebeu que o feitiço se desfizera e caminhou até a estufa que estaria quente.

Harry o seguiu e eles entraram na estufa, Terry apenas olhou para a beleza das flores coloridas, mas Harry automaticamente começou a cuidar delas, podando aqui e ali com uma tesoura. As plantas magicas ele ainda não sabia cuidar, mas as flores, aprendera com sua tia que o transformara em seu jardineiro desde pequeno.

"Meus pais o apoiou e se dispuseram a ajudar, mas minha mãe sabia que quanto mais a doença avançasse, mas difícil seria cuidar dela sozinho, assim procurou e encontrou uma clínica de curandeiros e medibruxos que trabalham, escondidos do Ministério, com cura magica e trouxa. Eles são em sua maioria nascidos trouxas e mestiços que pesquisam maneiras de curar doenças magicas na medicina trouxa e o inverso também. Eles também são contra a internação, pois acreditam que isso apenas faz com que a doença progrida mais rápido, eles oferecem apoio de medibruxos ou enfermeiros. Incrivelmente com os remédios e terapia trouxa minha avó apresentou melhora, ou pelo menos a doença está progredindo mais lentamente. Mas a alguns meses, no início do verão, eles foram até Londres fazer compras e meu avô se distraiu conversando com um amigo, vovó se afastou dele e começou a caminhar sozinha, ela se perdeu e foi encontrada por policiais trouxas que perceberam os sintomas da doença e a levaram para um hospital. Não tinham como nos contatar, vovó falava para fazer um flu e alguém a pegaria, felizmente ela estava sem varinha. Meu avô ficou desesperado e chamou por ajuda, foi mamãe quem disse que deviam ir aos hospitais e acabaram a encontrando umas 2 horas depois que ela sumiu. "

"Depois disso meu pai insistiu em mudanças, que uma medibruxa fosse contratada, uma rotina criada, que vovô não poderia cuidar dela sozinho e precisava de apoio, mas ele se recusou e bem, você ouviu o que ele disse, sua teimosia e orgulho o impediram de admitir que precisava de ajuda para cuidar dela, mas agora acredito que finalmente ele vai aceitar. "

Harry acenou enquanto ainda podava as flores, e observando seu amigo, notou que ele hesitava em continuar.

— Aqui, me ajuda, vou te ensinar, você precisa tirar os galhos e folhas secas ou que estão secando, assim elas ficam mais bonitas e vivem mais tempo. — Disse Harry entregando uma tesoura de poda e ensinando onde e quando cortar. Enquanto trabalhavam em silencio amigável, finalmente Terry tomou coragem e continuou.

— Sinto muito não ter lhe contado sobre tudo isso, eu sabia que você a conheceria e perceberia que estava doente, mas acho que quis acreditar que quando eu voltasse ela estaria melhor e então eu não precisaria falar nunca disso. — Disse ele e seus ombros caíram. — Quando estava em Hogwarts quis esquecer disso tudo, assim não tinha que pensar e falar sobre meu maior medo. Tenho medo que um dia eu volte da escola nas férias de inverno ou verão e ela não me reconheça mais e tenho medo de admitir que um dia isso vai acontecer. Não há nada que eu possa fazer, que ninguém pode fazer, não sei que ano será, mas um dia eu vou chegar em casa e minha avó não saberá quem eu sou, ela vai me esquecer para sempre. — Terry disse com voz embargada e colocando as mãos na bancada, baixou a cabeça e chorou baixinho.

Harry sentiu lagrimas escorrer de seus olhos pela dor do amigo e sentindo que não havia palavras que pudessem mudar os fatos, ou amenizar sua dor, apenas colocou uma mão em seu ombro e apertou com força e o deixou chorar.

Alguns minutos depois fungando Terry olhou para o seu trabalho de poda e sorriu culpado.

— Acho que não sou muito bom nisso Harry. — Disse apontando para a flor que ele cortara errado. Harry olhou para as outras e deu de ombros.

— Também não é um caso perdido, amigo. Mais algumas lições e você poderia ser um bom jardineiro. — Disse Harry com sarcasmo.

— Dispenso, muito obrigado. — Terry lhe deu um sorriso aguado, seus olhos estavam vermelhos e seu rosto pálido.

— Sabe o que precisamos? De um chocolate quente, o meu chocolate, Sra. Honora disse que foi o melhor que ela já provou e modéstia à parte acredito que ela sabia exatamente o que estava falando. — Disse Harry e abraçando o amigo pelo ombro o puxou para a saída. — Aposto que Adam e Ayana também gostariam e a sua babá poderia fazer uma pausa.

— Um chocolate vai bem sim, e Ayana ama chocolate de qualquer jeito e.… ei, Anne não é minha babá! — Exclamou Terry indignado.

— Tem certeza? Porque eu me lembro muito bem de você apresenta-la assim para mim. — Provocou Harry enquanto entravam na cozinha.

— Pois eu me lembro de me corrigir e dizer que ela é a babá dos meus irmãos, eu não preciso mais de babá, fique sabendo. — Continuou a discussão Terry sabendo que seu amigo só o estava provocando.

— Ok, eu vou fazer o chocolate quente, enquanto isso você pode ir buscar seus irmãos e sua ex-babá. — Disse Harry com um sorriso sarcástico.

— Ei! — Gritou Terry já saindo da cozinha.

Harry apenas riu e começou o preparo do chocolate, desta vez ele pegou mais leite e chocolate, acendeu o fogão com sua varinha, era diferente do jeito trouxa, mas ele não teve dificuldades. Mais cedo ele fizera tudo meio sem pensar na pressa que nem lhe ocorrera que nunca acendera um fogão magico antes. Olhando na caixa fria encontrou ingredientes para fazer sanduiches grelhados de queijo e começou a prepara-los, eles os fazia bem porque muitas vezes era o que sua tia o deixava comer. E as vezes quando estava de castigo sem refeições, ele fugia a noite e os preparava rapidamente e acalmava o estomago.

Enquanto cortava e montava os sanduiches ouviu os irmãos Boots retornando, eles tagarelavam e riam de algo. Adam foi o primeiro a aparecer sorrindo animado.

— Harry você está fazendo chocolate quente para nós? — Perguntou se aproximando dele.

— Sim Adam, vou fazer uns queijos grelhados, você gosta? — Perguntou Harry sorrindo.

— Sim! Eu gosto, posso ter dois Harry? — Adam pediu sentando e olhando Harry trabalhar.

— Também quero dois queijos grelhados Harry, eles são meus favoritos. — Gritou Ayana entrando na cozinha correndo e se sentando ao lado de Adam.

— Ok, vou fazer dois queijos grelhados para todos. — Disse Harry animado, gostava de cozinhar quando não era para seus parentes.

Rapidamente ele pegou uma frigideira e mantendo a atenção no chocolate que ainda não fervera, começou a grelhar os sanduiches. Estava na metade do processo quando Terry e Anne entraram na cozinha conversando sobre Hogwarts.

— Harry! O que está fazendo? Serafina não deixa as crianças mexerem no fogão. — Disse Anne aflita se aproximando dele.

— Tudo bem Anne, estou acostumado, e são só uns queijos grelhados e um chocolate quente. Ah, ele já ferveu, você pode pegar umas xícaras e servir todo mundo, estou fazendo dois sanduiches para cada um. — Disse Harry e apressadamente virou o próximo na frigideira com habilidade, sem perceber a expressão surpresa de Anne e Terry, que não sabia que o amigo era tão bom no fogão.

— Ok. — Disse Anne um pouco abismada.

Ela pegou 5 xícaras e quando terminou de servir o espesso chocolate quente Harry terminou de grelhar os sanduiches e logo todos se sentaram para comer.

— Humm... Harry isso é muito bom, humm. — Disse Anne e as crianças acenaram com a boca cheia.

— Humm, seu chocolate quente é muito bom, só perde para o da minha mãe, Harry. — Disse Terry provocando o amigo.

— O que perde para mim? — Perguntou Sra. Serafina entrando na cozinha com o Sr. Falc.

— Que cheiro maravilhoso é esse, estou faminto, ainda não tive tempo de tomar meu café da manhã. Humm... — Disse Sr. Falc pegando um queijo grelhado do prato e deu uma mordida. — Que delicia, não sabia que você fazia um queijo grelhado tão bom Anne.

— Oh, não. — Disse Anne de olhos arregalados.

— Foi o Harry papai, ele faz o melhor queijo grelhado, mas ele não fez para você, esse que você pegou era meu. — Disse Adam, mas não parecia chateado.

— Eu posso fazer mais Adam. — Disse Harry e rapidamente se levantou. — A Sra. Serafina quer também, senhora? Sr. Falc. Quer mais um ou dois?

— Harry querido, deixe que eu preparo, você não tem que cozinhar para nós. — Disse Serafina se movendo na direção dele depois do momento de surpresa.

— São só alguns sanduiches, além disso eu queria provar para o Terry que meu chocolate quente era o melhor, como disse a Sra. Honora. — Disse Harry e teimosamente começou a prepara-los.

— E eu estava dizendo a ele que não é melhor que o seu, mamãe. — Disse Terry sorrindo.

— Bem, deixe-me provar e dar meu veredito. — Disse Sr. Falc que pegou mais duas xícaras e serviu ele e a esposa. — Hummm, sinto muito querida, mas mamãe está correta, o chocolate do Harry é o melhor, bate até o seu.

— Não bate não! O da mamãe é melhor, Adam diz para eles. — Disse Terry falsamente indignado.

— Mamãe não fica brava, mas o chocolate e o queijo grelhado do Harry são melhores. — Disse Adam solenemente.

Todos ficaram em silencio e olharam para Serafina que provou o chocolate e o sanduiche da mão do marido.

— Humm... concordo com você Adam, desculpe Terry, mas desta vez você errou. — Disse ela e todos na cozinha riram divertidos.

Harry animado com os elogios fez mais sanduiches para todos e outra rodada de chocolate. Eles comeram e riram em uma espécie de lanche/almoço improvisado. Serafina ficou em volta, ajudando aqui e ali com medo que ele se queimasse, mas logo ficou claro que Harry sabia muito bem o que fazia. Ela trocou um olhar com o marido que acenou entendendo que isso só mostrava o quanto Harry trabalhava para os parentes na cozinha.

Depois Serafina e Terry ficaram com a limpeza enquanto Sr. Falc e Harry iam para St. Albans. Eles foram fazer as compras de Harry primeiro, ele nunca tinha comprado roupas antes de pedir por coruja de Hogwarts algumas roupas casuais, mas algo formal seria a primeira vez, felizmente Sr. Falc pareceu captar sua aflição e o ajudou. Terry usaria uma camisa de botões azul e um blazer cinza, calça cinza escura. Ele sugeriu a mesma formalidade casual, Harry concordou ainda que viu algumas roupas mais esportivas e não pode deixar de olhar para uma jaqueta de couro preta com um olhar guloso. Mas ainda seguiu o conselho do Sr. Falc e comprou uma calça preta, um blazer preto e uma camisa verde que a vendedora disse que combinaria com seus olhos, ela estava certa. E um sapato de couro brilhante bem legal. Para o presente de Terry, ele escolheu um livro sobre jardinagem que Harry sabia seu amigo gostaria apenas pela provocação extra.

Depois eles foram pegar as encomendas dos doces e salgados para a festa. Sra. Serafina faria muita coisa ela mesma com a ajuda de sua mãe, mas sempre encomendava comida extra, pois eram muitos convidados. Por causa da manhã tumultuada eles só voltaram as 14 horas, a casa estava uma confusão, a festa seria no solar que foi magicamente ampliado, Terry disse que sem magia era um solar de tamanho normal. Ele tinha paredes de vidro que se abriam lindamente para o bosque que estava mais perto deste ponto da casa. A decoração Ravenclaw ficara muito bonita, a comida foi arrumada em uma grande mesa e seria servida em modo coquetel, ou seja, cada um se servia por si mesmo dos doces, salgados e canapés.

Os Madaki foram os primeiros a chegar antes mesmo deles voltarem, eles vieram de carro a partir Oxford e se hospedariam até sábado. Sra. Shawanna Madaki estava fazendo o bolo de aniversário que tinha glace azul, branco e bronze e os brasão Ravenclaw de um lado, o brasão dos Boots do outro e o nome de Terry no centro. Ele parecia emocionado com o bolo e em ter os avós de quem sentira muita falta.

O Sr. Bunmi Madaki era alto e encorpado como um jogador de futebol americano. Ele não aparentava ou sua esposa nem 50 anos, mas na verdade já tinham 65 e 64 anos respectivamente. Quando o viu o olhou com atenção e depois olhou a filha e o genro.

— Por um acaso fez um filho branco por aí Falc, por que na minha lembrança vocês só me deram 3 netos e eles são todos latte, e não leite como esse garoto por aqui. — Era obvio que ele estava brincando, mas sua voz grossa e retumbante era meio assustadora.

— Papai, deixa de fazer brincadeiras. Esse é o melhor amigo de Terry em Hogwarts, Harry Potter, filho de uma amiga dos tempos da escola. Harry esses são meus pais, Bunmi e Shawanna Madaki. — Os apresentou Serafina.

— Prazer em conhece-los, Sr. Madaki, Sra. Madaki. Terry me falou muito de vocês. — Disse Harry educadamente.

— Bem, em suas cartas para nós ele nos falou de um amigo chamado Harry com muito entusiasmo. É um prazer conhece-lo querido. — Disse Sra. Madaki apertando sua mão carinhosa, Serafina parecia muito com ela.

— Ora, você é o menino que alguns dizem matou o tal bruxo mal quando era um bebê. Ainda é bem pequeno e imagino que com um ano de idade era ainda mais, não consigo imaginar você matando um homem adulto, ainda mais um com poderes. — Sr. Madaki disse, criticamente o avaliando.

— Eu não sei o que aconteceu naquela noite senhor, apenas o que todos acreditam, assim que descobrir a verdade dos fatos lhe informarei o mais rápido possível. Ainda que não me deixaria infeliz saber que de alguma forma fui responsável pelo fim do assassino dos meus pais. — Harry falou com sinceridade e firmeza. Na verdade, gostava que o senhor Madaki não o visse como um herói.

— Muito bem, gostei de você. Harry Potter, prazer em conhece-lo. Pode me chamar de Prof. Bunmi, prefiro assim. — Disse ele com um sorriso branco brilhante.

As 15 horas Serafina mandou todos se banhar e se arrumar, estava agitada e queria todos de volta sem atrasos para receber os convidados. Harry foi o primeiro a descer e foi cercado por Serafina, muito bonita em um vestido longo azul de mangas compridas e um decote em v. Ela tinha uma lata de spray de um produto de cabelo chamado Sleekeazy, mas depois de espirrar e tentar abaixar seus cabelos com as mãos e depois um pente, franziu a testa surpresa ao ver o cabelo voltando a ficar para todos os lados.

— Ele nunca se assenta Sra. Serafina. — Disse Harry em tom de desculpa.

— Ora, não tem problema, você é bonito assim mesmo, e está muito elegante em suas roupas novas Harry. Só estou surpresa, essa poção nunca falhou antes, mesmo meu cabelo afro perde o volume ou fica liso dependendo de qual linha eu uso. — Disse ela olhando para a lata confusa.

Logo depois Terry e os irmãos desceram com os cabelos bem assentados e penteados, no caso de Ayana os cachos estavam sem volume e muito bonitos. Harry entendeu que eles usaram a tal poção. Todos estavam bem vestidos e sorrindo animados

Os irmãos da Sra. Serafina chegaram em seguida, eles vieram de trem e alugaram carros na estação. Os dois eram mais novos que ela, o do meio, o psiquiatra mencionado antes por Terry, vivia em Londres com a esposa e os dois filhos. Martin era casado com Elizabeth, uma medica pediatra negra e de estatura baixa, era muito bonita e usava seu cabelo bem curto combinando com seu rosto fino. Seus filhos eram Tianna de 6 anos e Marvel de 4. Assim que chegaram as crianças se juntaram a Adam e Ayana e foram brincar. Harry observou Sra. Serafina conversando baixinho com a cunhada e olhando para ele, mas nenhuma das duas falou nada diretamente a ele.

A tia mais nova de Terry chegou em seguida, Miriam era muito bonita e Harry descobriu que era modelo, seu marido, Chester Colton III, era de uma família muito rica e ligado a produção de TV. Eles tinham um filhinho de apenas 2 anos, Chester Junior, ele era muito lindo e logo as duas meninas estavam cercando ele e cutucando como se fosse uma boneca viva. Harry ficou com pena do pequeno.

Com os trouxas que sabiam sobre magia na casa Harry pode ver como os Boots se desdobravam para encaixar os dois mundos, e os convidados bruxos nem tinham chegado. Quem chegou desta turma primeiro foram os Diggorys, Cedric foi muito bom em cumprimenta-lo pela vitória e não parecia nem um pouco ressentido. Mas seu pai, depois de encarar sua cicatriz com espanto, o olhou de alto a baixo criticamente e disse:

— Obviamente foi apenas sorte de primeiro jogo. — O menosprezo em sua voz não disfarçava o ciúme e Terry lhe lançou um olhar mortal. Até Cedric pareceu constrangido e sua mãe Zenira indiferente.

Depois vieram os avós Boots, Harry estava tenso, mas as apresentações foram bem calmas. Sra. Honora não se lembrava do episódio da manhã e o cumprimentou com um sorriso feliz e doce. Estava muito bonita em um vestido rosa, seus cabelos presos em um coque elaborado. A medibruxa Srta. Cassiane a acompanhava e ela parecia saber onde e quando estava. Abraçou o neto longamente, disse de suas saudades e que queria ouvir tudo sobre Hogwarts.

— Sr. Potter, fui muito amiga de sua avó e posso lhe dizer que você se parece muito com seu avô, James era um brincalhão como a mãe, mas Fleamont parecia um rei. Não é mesmo, querido. — Disse ela ao apertar sua mão.

— Sim, sem dúvida. Espero que eu possa lhe contar sobre eles em outro momento Sr. Potter. — Disse Sr. Boot com um sorriso de desculpa.

— Harry, por favor, senhor, senhora. — Disse Harry educado.

Em seguida vieram os Davis, Tracy com seus risinhos e olhares melosos em direção ao Terry, fez Harry rir, seu amigo passou boa parte da festa fugindo dela. Anton Davis lhe lançou um olhar meio guloso que Harry não gostou, o Slytherin não era purista, mas era ambicioso e não precisava ser um Ravenclaw para saber que ao olhar na sua direção ele via um grande saco de galeões. Sua esposa era uma mulher bonita, mas tímida, chamada Loreley e trazia consigo seu segundo filho, o orgulho de Anton, pois carregaria seu nome. O garoto de 8 anos de nome Athos parecia ter uma queda por Ayana que o ignorou e esnobou a noite toda também.

Por fim chegaram os Brown, Leticia e Lavander estavam vestidas exageradamente e combinando o que fez muitos arregalarem os olhos. Seu marido e seu filho, o 6º ano Gryffindor que não queria que sua irmã conversasse com ele também estavam presentes, e com atitudes bem diferentes. O marido, Procópio Brown olhava e cumprimentava a todos avidamente, interessado em bons negócios para sua empresa de seguro. Seu filho Peter olhava para tudo com indiferença e mostrava claramente que não queria estar em uma festa de aniversário de uma pessoa a quem ele considerava uma criança. Mas o pior foi Leticia, que para constrangimento absoluto de Harry tentou dizer que se vestira de maneira especial porque eles tinham o menino-que-viveu como convidado especial. E pior, ficou empurrando e elogiando Lavander que conseguiu ser ainda pior que Tracy em risinhos, olhares melosos e corar.

A noite foi caótica a partir dali, Harry tentou fugir dos convidados adultos bruxos e se manteve entre os trouxas. Teve uma conversa muito legal com o Prof. Bunmi que disse que lhe daria aulas no verão junto com Terry, inclusive de francês e latim.

— Um homem precisa de conhecimento Harry, não há nada mais seu do que o conhecimento, podem te tirar tudo, mas nunca seu entendimento do mundo. — Ele disse seriamente. Harry assentiu, os últimos meses o fizeram ver a verdade dessas palavras.

Mas a conversa mais difícil da noite foi com o tio de Terry, ele vinha acompanhando o caso da Sra. Honora e quis ouvir o relato de Harry do acontecera de manhã. No fim ele perguntou:

— E você Harry? Você está bem com o que aconteceu? — Ele perguntou suavemente.

— Eu... — Sua intenção era dizer que estava bem, mas de repente ele se viu dizendo algo diferente. — Não sei senhor. Me fez sentir triste como no verão quando soube que meus pais foram assassinados, quer dizer, antes eu sabia que eles morreram, mas meus tios mentiram e disseram que eles morreram em um acidente de carro, era triste, mas bem eu não me lembrava deles e eu tinha outras coisas em que pensar acho. Mas então eu soube a verdade senhor, que alguém os tirou de mim, e que eles me amaram, meu tio dizia que eles me odiavam, mas era mentira. Foi bom saber a verdade, sabe, foi como ter partes deles de volta para mim, mas a verdade é que eles se foram e não vão voltar. — Harry arfou angustiado e tentou controlar a vontade de chorar. — E o mesmo aconteceu com a Sra. Honora, alguém tirou sua filha dela e ela nunca mais voltar e isso a fez adoecer senhor, sei que foi a tristeza que fez isso com ela. É muito injusto senhor, ter eles tirados de nós e eles fazem muita falta.

Harry ficou em silencio depois de suas palavras atropeladas olhando para as mãos, não percebera até esse momento como fora doloroso ver a Sra. Honora esperando a filha que nunca chegaria.

— É muito bom que consiga dizer a verdade do que está sentindo Harry, isso é importante, mas sabe o que eu acho que lhe faria bem? — Sr. Martin esperou Harry olha-lo curioso antes de continuar. — Você já se despediu dos seu pais, Harry? Foi visitar seus túmulos e conversou com eles? Levou flores? Não? Bem acredito que você precisa, principalmente agora que eles têm rostos, que eles fazem parte de você, foram devolvidos a você, creio que lhe fará bem se puder visita-los.

Harry arregalou os olhos, a ideia não lhe ocorrera antes, mas agora que a ouviu, o desejo de ir era tão grande que ele teve que se controlar para não se levantar e implorar para ir nesse instante.

— Eu gostaria disso senhor, gostaria muito. — Harry disse ansioso.

— Muito bem, vou avisar minha irmã. E se precisar falar sobre qualquer coisa em qualquer momento não hesite em dizer Harry. — Disse ele suavemente e Harry voltou a acenar.

Depois disso Harry foi para junto das crianças, sentindo vontade de se distrair com seus risos e alegria inocente. Ayana o tratava como uma espécie de irmão e o exibia para os primos. Adam contou sobre seu queijo gralhado e chocolate deliciosos, e os primos trouxas queriam ver ele fazer magia, Harry lhes mostrou bolhas coloridas saindo da varinha. Chester Junior ficou encantado rindo tentando pegar as bolhas e as meninas ficaram encantadas quando ele conjurou uma flor na varinha para cada uma. Ele ficou com eles por mais de uma hora e Chester dormiu em seu colo.

Quando ele voltou para a festa se sentou perto de Cedric que estava tentando conversar com o entediando e muito chato irmão de Lavander. Os dois conversaram sobre quadribol e Harry descobriu que o Hufflepuff era muito legal e muito mais humilde do que seu pai. Ele era filho único e parecia ter muita pressão, seu pai queria que ele fosse perfeito e trabalhasse no Ministério com ele quando se formasse. Os Diggorys trabalhavam no Departamento de Controle de Criaturas Magicas a séculos e se esperava de Cedric continuasse a tradição, mas ele disse que não concordava com o pai e o avô sobre como trata-los ou mesmo classifica-los. Harry acabou por surpreende-lo e disse que talvez seja seu diferente modo de pensar que o Departamento precisava.

— Um dia você será o chefe do Departamento Cedric, será o momento de você colocar suas ideias em campo e acabar com os preconceitos e discriminações contra essas criaturas. Com uma mudança de atitude desse Departamento e mudanças de leis na Suprema Corte talvez quando seu filho ou neto assumir o Departamento o mundo magico trate muito melhor esses seres mágicos.

Cedric ficou pensativo depois disso e Harry mais uma vez se deslocou e tentando evitar o centro da festa, acabou se aproximando da Sra. Honora que estava sentada com a Srta. Cassiane em um dos cantos do solar, a noite já caíra e estava nevando, a visão da parede de vidro era de tirar o folego.

— Olá querido, você está gostando da festa? Você comeu? Tudo está delicioso, Serafina como sempre fez uma festa linda. — Disse Sra. Honora docemente.

— Sim, senhora, eu comi, estava muito bom. Estou cheio, agora só tenho espaço para o bolo. — Disse Harry sentando ao seu lado.

— Ah, sim o bolo, Shawanna sempre faz os bolos das crianças, sua mãe era doceira lá na América e ela costumava ajudar. Hoje ela apenas faz doces e bolos para ajudar na caridade, mas não perdeu a mão. Você vai ver, duvido que já provou ou vai provar um bolo tão gostoso. — Disse, sorrindo na direção da outra avó de Terry, depois ela o encarou com atenção. — Então você é um Potter hein? Obvio para qualquer um que conheceu seu pai e avô, fisicamente você se parece muito com eles. Mas esses olhos verdes devem ter vindo de sua mãe, certo? Sim? Eu pensei assim, seu pai e avô tinham olhos avelãs e sua avó olhos de whisky, mas esse cabelo escuro e bagunçado para todos os lados é uma característica dos Potters, sem dúvida. Mas me diga querido, como você conheceu meu neto mesmo? — Perguntou Sra. Honora docemente.

— Ah, eu estudo com ele em Hogwarts senhora, estamos na mesma casa, somos os melhores amigos. — Disse Harry sorrindo de volta.

— Ah, sim claro, ando muito esquecida. Ora, isso quer dizer que você está na Ravenclaw, bem isso é algo que nunca pensei que veria, um Potter que não está na Gryffindor, quem diria. — Disse ela sorrindo. — Mas, pensando bem sua trisavó paterna era uma Ravenclaw, obviamente você puxou dela. Seu avô falava com muito orgulho dela, dizia ser uma guerreira e uma mestra em Runas Antigas, chamava Laura Fleamont, quando solteira e era a última linha da família Fleamont e por ser uma linha feminina morreu com ela.

Harry acenou, lera a história no livro de seu avô, ela pedira que ao neto fosse dado seu nome de família, pois se não morreria com ela. E a maioria dos Potters eram Gryffindors, mas aqui e ali alguém se desgarrava, também não era incomum que eles se casassem com alguém de outra casa. Como sua avó Euphemia que era Slytherin. Mas não havia no livro informação sobre a família de sua avó, talvez a Sra. Honora se lembrasse, decidiu perguntar.

— Ah, Euphemia era irlandesa querido, você só tem que olhar uma foto dela e você sabe disso. Aqueles cabelos de fogo e olhos de whisky, tinha um temperamento alegre e feliz, adorava cantar e dançar, detestava a formalidade inglesa e James era um brincalhão como ela. — Sra. Honora riu com a lembrança. — Ele aprendeu a pregar brincadeiras com ela, devo ter fotos dela em algum lugar, vou procurar e te conseguir umas copias Harry. Cassiane querida, não me deixe esquecer. — Dirigiu-se a enfermeira que estivera lendo um livro calmamente, enquanto ainda acompanhava a conversa.

— Não deixarei Sra. Honora, amanhã mesmo faremos esta atividade, será muito bom para exercitar sua memória. — Disse a medibruxa com um sorriso solicito.

— Bem, sobre sua família, eles eram irlandeses, claro, uma família bruxa muito tradicional e rica. Eles eram os donos fundadores do time de Quadribol Kenmare Kestrels, mas a família perdeu muito dinheiro com o avô de Euphemia e eles tiveram que vender o time. Isso sempre a entristeceu. Seu pai, que era um homem sensato e inteligente, conseguiu tomar as rédeas da fortuna da família, mas ele morreu cedo. Seu filho e herdeiro assumiu e voltou a ter grandes perdas, ele era o irmão mais novo de sua avó e eles não se davam bem porque ele vivia uma vida de luxo e ainda fazia investimentos tolos, e claro nunca a escutava. Pudera se naquela época o conselho de uma mulher era respeitado. No fim ele perdeu o que restava da riqueza da família, mas seu avô, ele amava tanto Euphemia que, quando o cunhado teve que vender a casa ancestral dos O'Hallahan, Fleamont a comprou e lhe deu de presente de aniversário de casamento. — Sra. Honora sorria e se emocionava. — Imagine que o irmão ficou zangado, ele esperava que Fleamont devolvesse a casa ao herdeiro legitimo, ou herdeiro masculino como se dizia. Nunca mais quis falar com sua avó depois que, como ele disse, "ela roubou o que era seu de direito".

— Que tolo. — Disse Harry abismado.

— Hum, seu avô costumava chama-lo assim, Euphemia tinha mais criatividade em seus elogios a ele. — Ela riu divertidamente e Harry acompanhou imaginando uma mulher bonita de cabelos de fogo e olhos de whisky xingando o irmão por sua tolice. — Hallanon é sua agora, claro. — Continuou Sra. Honora em tom de fato.

— Desculpe senhora, não entendi. — Harry ficou confuso.

— Hallanon, querido, a casa ancestral dos O'Hallahans. Eu nunca a visitei, mas sua avó a descreveu como uma linda Mansão, feita de pedra e com vista para o mar. Euphemia amava sua casa de infância e lhe doía a ideia que ela pertencesse a alguém que não fosse de sua família, assim seu avô lhe comprou de presente. E claro ela deve fazer parte de sua herança querido, seus administradores não lhe falaram sobre isso? — Perguntou Sra. Honora curiosa.

— Eu... ainda não tivemos a oportunidade de nos reunir senhora. Hum... Obrigado Sra. Honora por me contar sobre minha avó. Muito obrigado mesmo. — Disse Harry e depois se afastou.

Sua mente estava zunindo, uma casa, não, uma Mansão que lhe pertencia, parte da história de sua família. E ele não sabia de nada, talvez houvesse mais e de repente ele quis conhecer todas as propriedades que lhe pertenciam e cada uma de suas histórias e se estavam bem cuidadas. Será que foram abandonadas assim como ele ao ser enviado para a casa de seus parentes e nunca mais checado? A reunião amanhã como Sr. Falc e o Sr. Boot não parecia chegar rápido o suficiente.

Logo houve o momento dos parabéns e cortar o bolo, seu amigo ficou sorridente e levemente corado diante do bolo e revirou os olhos para Harry quando seu pai iniciou um discurso.

— Sempre agradeci que Terry herdou o cérebro e a beleza da mãe. — Isso provocou risos e ele continuou. — Mas o que sempre me deixou mais orgulhoso é que Terry é ele mesmo, ele é leal e o melhor dos amigos, é protetor com os irmãos, atencioso e educado com os avós. E um filho que nos ama incondicionalmente. Assim Terry é, verdadeiro e, para aumentar nossa alegria, principalmente da mãe dele, ele foi classificado na Ravenclaw. Serafina, pelas minhas costas, diz que é a melhor casa de Hogwarts, mas eu posso afirmar com certeza que agora que ela tem meu filho como um dos seus membros, Ravenclaw é realmente a melhor das casas. — Depois Sr. Falc ergueu sua taça e propôs um brinde. — A Terry!

— A Terry! — Toda a sala brindou.

Harry ergueu seu copo de cerveja amanteigada quente, era muito bom, sorriu para Terry que estava mais corado e bebeu.

Depois Sra. Brown se adiantou batendo sua varinha em sua taça e chamando a atenção para si. Ela sorria meio maníaca, seu rosto vermelho fez Harry supor que ela tinha bebido um pouco demais, e ele sentiu um mal pressentimento que se afundou em seu estômago.

— Agora, agora, hoje é um dia muito importante para nosso aniversariante, Terry parabéns, você merece tudo de bom. Mas eu proponho mais um brinde, pois hoje temos entre nós um convidado muito especial. — Sra. Brown olhou na sua direção e Harry desejou ter saído assim que ela começou a falar, paralisado ele empalideceu, muito além de envergonhado para corar. — O herói do nosso mundo, aquele que nos livrou de você-sabe-quem está presente e gostaria que todos levantassem suas taças, como fizemos no Halloween a 10 anos, e brindassem comigo, ao MENINO-QUE-SOBREVIVEU! — Seu grito final agudo arranhou seus ouvidos e fez sangrar seu coração.

Harry observou todos os bruxos da sala, que entendiam o que acontecia, com exceção dos Boots, das crianças e Cedric, levantando e brindando a ele, ou o herói que eles pensavam que era. Tentando entender o que devia fazer, Harry olhou em volta e viu o rosto triste de Terry em sua direção e lamentou ter estragado a festa de seu amigo, teria sido melhor ele ficar em seu quarto. Assim, ao em vez de responder como gostaria para aquela mulher horrorosa, Harry apenas saiu de cabeça baixa e foi para seu quarto.

Estava sozinho a algum tempo olhando para a neve cair na escuridão do bosque quando ouviu uma batida na porta. Ele abriu e a Sra. Serafina estava ali, Harry deixou-a entrar e esperou que dissesse algo, mas ela continuou em silencio. Harry a olhou e viu a olhando-o de volta. Suspirando percebeu que ela queria que ele falasse primeiro.

— Terry está chateado comigo? — Perguntou Harry, finalmente.

— Porque Terry estaria chateado com você? — Ela lhe devolveu com outra pergunta.

— Bem, aquela mulher ficou falando de mim como se eu fosse especial quando a festa é do Terry, é o dia especial dele. E, bem, por eu abandonar a festa. Não quis envergonha-lo, mas se ficasse lá ia gritar com aquela mulher horrível. — Disse ele rabugento.

— Não, ele não está chateado com você, Terry está chateado por você, me disse muito claramente para tirar a harpia bêbada da festa dele e se não fosse pelo fato de eu mesma estar muito zangada com Leticia, teria lavado sua boca com sabão por dizer algo assim. — Disse ela displicentemente.

— Oh!... Bem, fico feliz então, não queria estragar a festa dele. — Disse Harry mais aliviado.

— Mesmo se a festa dele tivesse sido estragada, não teria sido por você e sim por "aquela mulher horrível". E para você saber eu não resisti como você e gritei com ela. — Disse Serafina muito séria.

— A senhora fez? — Harry estava muito surpreso.

— Sim, sabe Harry eu nunca tentaria ser sua mãe, até porque Lily Potter é insubstituível e ela o amava tanto quanto eu amo meus filhos. Mas eu sei que se ela estivesse aqui teria gritado com a harpia... quer dizer com a Leticia e talvez até lhe tirado alguns cabelos. — Serafina sorriu maliciosa. — Mas sei que também teria se orgulhado de você por não ter gritado com ela. Pessoas como Leticia nunca serão capazes de entender a profundidade do que aconteceu naquela noite e você poderia até ter esfregado em seu rosto e ainda assim ela só veria a superfície. Na verdade, você lhe virar as costas como fez a envergonhou mais do que qualquer coisa que você poderia ter lhe dito Harry.

Harry apenas acenou, aliviado por ter feito a coisa certa, a verdade é que as pessoas eram bem difíceis e nem sempre ele sabia agir socialmente certo.

— Agora você não gostaria de descer? Todos já foram embora, apenas minha família ainda está por aqui. E você nem comeu o bolo de mamãe, garanto que vai se arrepender se não experimentar. —Ela agora estava mais animada e Harry sorriu também.

Ele desceu e corou um pouco, mas ninguém ficou encarando e Terry também não disse nada, só lhe entregou um grande pedaço de bolo e disse um "melhor bolo de sempre, amigo", e tudo voltou ao normal. Terry abriu seus presentes animado e lançou a Harry um olhar agradecido e divertido quando viu o livro de jardinagem. Logo depois a festa acabou.

A família Madaki se hospedaria até o dia seguinte, com os avós de Terry ficando até sábado. Apenas os avós Boots partiram, pois Sra. Honora precisava de uma rotina e um espaço conhecido.

Harry não dormiu muito bem, sonhou com gritos e luzes verdes e risos frios. Acordou de repente ao amanhecer e sem conseguir voltar a dormir desceu ainda de pijama para fazer um chocolate quente. Depois foi para a biblioteca e sentado confortável em uma poltrona abriu um livro de ficção, tinha que começar a adquirir o habito da leitura. Ele decidiu pelo mistério e logo se viu envolvido pelo detetive Sherlock Holmes e seu amigo medico Watson.

Quando sua varinha tocou as 7 horas lamentou ter que deixar o livro, subindo o levou para seu quarto e deixou na mesinha de cabeceira. Serafina disse que ele podia pegar qualquer livro da biblioteca. Ele colocou sua roupa de treino e quando saiu para o corredor encontrou Terry lhe esperando. Acenando bom dia, sem perguntas ou comentários os dois deixaram a casa para a rotina de treino habitual. Quando voltaram Serafina já iniciara o café da manhã e sua mão a ajudava.

— Bom dia meninos. O café da manhã fica pronto em quinze minutos, subam e tomem banho. — Disse Sra. Serafina sorrindo.

Harry concordou e quando desceu, ofereceu sua ajuda, mas a irmã e cunhada da Sra. Serafina estavam ajudando e só lhe restou se sentar e comer a deliciosa comida. Em seguida vieram as despedidas, os irmãos e seus cônjuges e as crianças estavam partindo e combinando de se encontrarem no almoço de Natal na próxima semana. Os avós iam ficar até o dia seguinte, queriam passar o dia com os netos, Terry principalmente, que não viam desde agosto.

Depois que a casa se esvaziou Sra. Serafina o chamou na biblioteca para conversar.

— Tudo bem? — Perguntou ele preocupado ao se sentar no sofá de couro marrom.

— Está tudo bem Harry, não se preocupe, queria apenas conversar com você sobre algumas coisas, organizar outras. Eu conversei com minha cunhada, ela é pediatra, sei que você está em tratamento com uma curandeira, mas existem exames e vacinas no mundo trouxa que não temos no mundo magico. — Começou ela hesitante. — Quando uma criança bruxa nasce ela toma as devidas vacinas para varíola de dragão e outras doenças magicas contagiosas. Mas no mundo trouxa as vacinas precisam de reforço e algumas só podem ser tomadas depois de certa idade. Imagino que sua tia não o levou para tomar essas vacinas, levou?

— Hum, não senhora, ela nunca me levou no médico. Quando me acidentei algumas vezes minha tia me levou ao hospital, uma vez eu me queimei no fogão, em outra, meu primo me empurrou na escada e eu quebrei o braço. E quando fui para o jardim de infância a professora percebeu que eu precisava de óculos, assim eles me levaram ao médico dos olhos. Mas não me lembro de ir ao médico para uma consulta, exames ou vacinas. — Explicou Harry olhando para as mãos.

— Foi o que eu pensei. — Suspirando Serafina se sentou mais perto dele e segurou suas mãos. — Harry, a maneira como eles agiram, como eles te trataram, não importa seus motivos, foi muito errada e não é sua culpa, porque nada justifica o que fizeram. Você compreende isso? — Ela perguntou olhando sua expressão com atenção.

Harry suspirou e olhou para ela nos olhos.

— Antes de saber porque eles me odiavam, eu não entendia. Eles me disseram que meus pais não me queriam, que eles foram obrigados a ficar comigo quando morreram, que eu era um estorvo, um peso e que devia ser grato por me darem um teto. E que eu não merecia mais do que isso. — Harry não desviou o olhar e viu seus olhos se encherem de lagrimas. — Mas então eu entendi que eles me odeiam por causa da minha magia, assim como eles odiavam meus pais, assim como eles odeiam tudo que não é normal e que afetem suas vidas normais. Eles odeiam o mundo Sra. Serafina, pois ninguém no mundo é exatamente normal como eles tentam ser, eles deveriam se odiar também, porque eles não são normais também, apenas de mente estreita e vazia. Eu amo meus pais senhora como eles me amavam, e eu amo minha magia, e eu estou aprendendo a me amar também e entender que não é minha culpa. — Disse Harry seriamente, seus olhos se encheram de lagrimas, mas ele se recusou a chorar.

Serafina apertou suas mãos com mais força desejando abraça-lo, mas sabendo que ele não estava pronto ainda.

— É muito bom ver que você não vai deixar aquelas pessoas te derrubarem Harry. Eu não esperaria nada diferente de você. — Suspirando para controlar a emoção, Serafina agitou a varinha e um chá começou a ser preparado para eles. — Bem, continuando, você se importaria se eu marcasse uma consulta com Elisabeth? Assim ela pode checar você e podemos também passar pelo oftalmologista que é como se chama o médico dos olhos. — Perguntou ela sorrindo quando serviu chá aos dois.

— Não me importo, não quero dar nenhum trabalho, Sra. Serafina, mas gostaria de cuidar da minha saúde. Quero ser forte e saudável, isso é importante para mim. — Disse Harry firmemente e tomou seu chá quente.

— Não é trabalho nenhum. Vou marcar com ela então. Meu irmão Martin me disse que seria importante para você visitar os túmulos dos seu pais e que você gostaria de ir? — A afirmação saiu em um tom de pergunta e um pouco hesitante.

— Sim senhora, eu já sabia que eles estavam enterrados em Godric's Hollow, mas não tinha me ocorrido visita-los. Não sei como me sentirei, mas quero muito ir vê-los e conversar com eles, acho. Não sei se faz sentido. — Disse Harry confuso com essa nova necessidade, ele sabia que não veria seus pais, mas uma parte dele queria fazer isso.

— Faz todo sentido Harry, cada pessoa lida com a morte de sua própria maneira, não há certo ou errado. E a verdade é que você só pôde começar a lidar com a morte e a perda de seus pais nos últimos meses. Muitas vezes precisamos nos despedir, passar por um encerramento para começar a curar a dor que sentimos. Concordo com meu irmão, acredito que os visitar te ajudará. Vou fazer o seguinte, depois do Natal vamos tirar um dia só nós dois, Terry estará visitando seu amigo trouxa nesse dia e eu te levo pela manhã na consulta medica e a tarde para Godric's Hollow. O que me diz? — Perguntou Serafina sorrindo.

— Isso seria bom. — Harry disse e depois pensando em algo, hesitou. — Hum... senhora, eu...

— Sim, Harry? Pode falar o que quiser. — Disse ela e parecia sincera.

Harry então explicou rapidamente sobre as aulas extras de carpintaria magica, desde o começo, e como depois de falar com o Prof. Flitwick, elas seriam aulas optativas.

— E agora com essa autorização não vou conseguir fazer as aulas. Seria possível neste dia irmos até a casa dos meus parentes e assim pessoalmente eu consigo que minha tia assine? Se eu enviar a Edwiges eles vão apenas rasgar o papel e ainda podem machucar minha coruja. — Pediu Harry meio corando, mas seus grandes olhos verdes a encaravam e ela imaginou como a tia lhe negava algo quando ele a olhava assim.

— Claro Harry, levarei você com prazer. E que ótima ideia a sua e a do professor. Terry não me falou nada, mas tanto aconteceu desde que vocês chegaram. — Ela ficou pensativa. — Bem ainda bem que vamos fazer compras amanhã, vocês poderão comprar os materiais para as aulas. E essa é outra coisa que quero falar com você, amanhã iremos todos fazer compras, bem meus pais ficarão com os pequenos, então seremos nós quatro. Com as lojas cheias por causa do Natal será mais fácil se soubermos antes o que precisamos comprar, nas lojas trouxas e magicas. Quero que faça uma lista de tudo o que precisa, separe por coisas trouxas e magicas, e por coisas que encontraremos na mesma loja. Se formos mais organizados, será bem mais rápido e menos estressante. Ok?

— Sim senhora, vou fazer a lista hoje mesmo. — Disse Harry animado com a ideia de poder comprar tudo o que precisava. — Mais alguma coisa?

— Sim, na verdade, tem algo. Sua reunião com Falc e meu sogro mais tarde hoje, me pareceu bem oficial, você disse precisar de um advogado. Mas você não terá um adulto responsável para te acompanhar e te aconselhar, e enquanto confio no meu marido, gostaria de saber se eu posso ser sua acompanhante. Não sou sua guardiã, mas seus guardiões são trouxas e como estabelecemos não interessados em ajuda-lo em qualquer conselho que precise ou em qualquer outra questão que aparecer. O que me diz? — Perguntou Sra. Serafina e o olhou com expectativa.

— Eu... eu acho que seria bom, hum... Sr. Serafina, seria possível o Terry participar também? Eu gostaria do seu apoio, mas muitas das coisas que eu preciso encontrar respostas, bem, foi o Terry que fez a maioria das perguntas. — Perguntou Harry hesitante.

— Eu acredito que é possível sim. — Ela sorriu para ele. — É obvio para mim que vocês se tornaram bons amigos e se ele quer te ajudar e você precisa desse apoio, tem minha concordância sim e tenho certeza que do meu marido também. Vou falar com eles agora mesmo. — Disse Sra. Serafina e deixou a biblioteca.

Harry decidiu ir visitar Edwiges, o poleiro de King e das corujas que visitavam ficava no sótão. Ele passou quase uma hora com os dois e quando desceu ajudou Serafina a colocar a mesa, sobrara comida da festa, assim não era necessário cozinhar o almoço. Anne tirara o dia de folga hoje, pois os avós Madakis ficariam com as crianças. Terry inicialmente pretendia ir passear com eles, mas com o pedido do Harry, ele decidiu ficar.

As 13 horas todos estavam na biblioteca as portas fechadas. Ao em vez da escrivaninha eles estavam usando os sofás e poltronas, assim todos ficariam mais acomodados e diminuía a formalidade. Sr. Boot ocupava uma poltrona marrom e parecia muito sério, Harry decidiu se sentar sozinho também, enquanto o apoio de Terry e sua mãe era apreciado, sentia que tinha que fazer suas solicitações por si mesmo. Terry se sentou com a mãe um sofá e o Sr. Falc em uma cadeira que ele conjurou, assim ficava bem de frente ao Harry.

— Bem Harry, normalmente, faríamos essa consulta em nosso escritório, mas dado o fato de estarmos de férias e a relação de nossas famílias, acredito que podemos responder qualquer de suas dúvidas com mais informalidade, se você não se importar. — Sr. Falc assumiu a reunião.

Sr. Boot ficou em silencio e Harry entendeu que ele estava ali mais como um apoio para todos e por sua experiência do que para tomar decisões.

— Eu não me importo senhor. — Disse Harry e ansioso enxugou as mãos suadas na calça jeans que usava.

— Bem Harry, se você tem dúvidas legais pergunte e vamos orienta-lo. — Disse Sr. Falc prestativo.

— Primeiro Sr. Falc você poderia me explicar em qual área você ou seu escritório trabalham? — Harry lera dois livros sobre o trabalho de um advogado e fizera algumas perguntas a Hermione que parecia saber muita coisa sobre tudo. Mesmo Terry o ajudara, mas ele não quisera envolver seu amigo demais, afinal ele tinha que contratar um bom advogado e não o pai de seu melhor amigo.

— Essa é uma boa pergunta e minha resposta é que trabalhamos em várias áreas. Eu particularmente trabalho na área criminal, de família e direito civil. Anton Davis, meu sócio trabalha na área empresarial e tributaria, mas nós dois podemos trabalhar nos diversos setores, fazemos essa divisão mais por gosto do que por competência. — Respondeu Sr. Falc.

— Ok, eu não sei quem eram os advogados que representavam minha família, existe alguma maneira de eu descobrir isso? — Harry perguntou.

— Essa resposta eu sei Harry. — Sr. Boot falou pela primeira vez desde que o cumprimentara. — Sua família sempre teve muita boa relação com os Corners, eles são advogados e cuidam dos negócios e propriedades Potters desde seu bisavô. Quando Henry Potter se tornou um membro da Suprema Corte, por ser muito atuante não tinha mais tanto tempo para administrar a fortuna Potter no dia a dia, assim ele os contratou. Seu bisavô era muito amigo de Carson Corner. — Explicou ele calmamente.

— Antes disso ele não tinha advogados? — Harry precisava saber esses detalhes.

— Se Henry precisasse de um advogado ele o chamaria com certeza, mas não acredito que antes desse tempo houve um administrador, os Potters sempre gostaram de cuidar de suas propriedades e negócios pessoalmente. Não eram preguiçosos como alguns puros sangues que só desfrutam da fortuna. — Sr. Boot falou com desprezo.

— Então o advogado também administra os negócios? Não apenas cuidam de questões legais ou a manutenção das propriedades? E porque meu bisavô não contratou os Boots? Nossas famílias eram amigas também, não? — Harry voltou a enxugar as mãos suadas.

— Bem, para sua última pergunta, os Boots sempre trabalharam na área do direito, mas sempre trabalhamos no setor público, nos tribunais do Ministério da Magia, seja como advogado ou como juiz. Não se esqueça que nem todos podem pagar um advogado particular Harry, e o sistema judicial existe no mundo magico assim como no mundo trouxa. — Explicou Sr. Falc.

— Nós dois quebramos a tradição de minha família Harry. Falc deixou o Ministério quando foi se esconder para proteger Serafina e Terry e nunca voltou, eu continuei trabalhando como juiz do tribunal na área de direitos civis, mas quando o homem que assassinou minha filha pagou sua liberdade sem nem ter um julgamento e passou a desfilar pelos corredores do Ministério como uma espécie de príncipe, eu deixei meu cargo também. — Sr. Boot enquanto falava fechou os punhos com força pela raiva que sentia.

— Foi nessa época que partimos para a área particular e abrimos um escritório com Anton. — Continuou Falc, não querendo que o assunto se desviasse. — E quanto a sua primeira pergunta, o dinheiro é administrado e cuidado pelos goblins, mas eles não se metem com bruxos ou seus negócios. Em teoria cada um deveria administrar seus próprios negócios ou investimentos, e famílias como os Potters sempre o fizeram, mas se tornou comum que os advogados além de questões legais, contratuais e tributarias também começassem a administrar esses negócios. Ou pelo menos supervisionar o administrador contratado pela família. Faz sentido? — Sr. Falc perguntou.

— Sim, eu entendo. Minha família tinha um administrador?

— Não Harry, seu bisavô, mesmo enquanto membro da Suprema Corte Bruxa, ainda administrava os negócios da família, apenas não cuidava dos inúmeros detalhes do dia a dia, mas qualquer grande decisão era dele e foi assim com seu avô também. Fleamont era ainda mais participativo e só diminuiu o ritmo quando James nasceu, assim ele podia passar mais tempo com o filho tão desejado. — Sr. Boot explicou.

Harry acenou entendendo tudo e formulando ainda mais perguntas.

— Quem administrou tudo nos últimos 10 anos? — Harry olhos os dois adultos com muita atenção.

Eles pareceram um pouco surpresos com a pergunta, mas logo Sr. Falc respondeu:

— Acredito que os escritórios Corners, seus pais estavam em uma guerra Harry, acredito que eles deixaram tudo organizado em caso de algo lhes acontecer. E em seu testamento eles designariam um administrador, que acredito deva ser Carson Corner o atual chefe da família Corner. — Explicou Falc e viu Harry e seu filho trocarem um olhar significativo. — Harry se você está com receio de alguém ou Corner lhe roubar ou não cuidar bem de suas propriedades, não se preocupe, pois eles fazem um contrato magico com a família para quem trabalham, eles são magicamente obrigados a serem honestos. E mesmo com o falecimento de James o contrato ainda é vinculativo a linha Potter, ou seja, você.

— E se o Sr. Corner morresse ou se ele não cumprisse o contrato, o que aconteceria? — Harry estava tentando chegar ao ponto mais importante.

— Se ele morresse, existem salvaguardas, se o advogado não tem um sócio ou herdeiro para assumir, a defensoria pública assumiria e o Ministério continuaria a cuidar de tudo. O Ministério tem um departamento que lida com propriedades ou negócios cujo herdeiro não pode assumir ou que não tem mais um herdeiro e não houve testamento. — Sr. Boot explicou olhando curioso para Harry, tentando entender onde ele estava querendo chegar. — Imagine se várias empresas deixassem de existir ou entrassem em falência simplesmente por não ter um administrador ou herdeiro. Quando não há um herdeiro a propriedade é leiloada e o dinheiro fica para os cofres do Ministério, mas até o leilão existem pessoas que mantem a empresa funcionando, isso acontece também com aquelas que precisam esperar o herdeiro atingir a maioridade.

— E sobre a quebra do contrato, depende do que foi estipulado no contrato magico, indenizações, multas, perda de poder magico, dívida magica na linha da família, mesmo a morte. Não acredito que seu pai pediria algo muito ruim, acredito que uma indenização bem vultuosa seria o solicitado, é o mais comum nos dias de hoje. — Falc trocou um olhar com seu pai, também estava com um mal pressentimento.

— Ok, e existe alguma maneira de se quebrar o contrato? Por Corner ou um terceiro bruxo? Alguém muito poderoso? — Harry voltou a pressionar.

— Não Harry, um contrato assinado com um chefe de uma família antiga não pode ser quebrado. Você viu o que aconteceu com a promessa magica feita ontem por nós dois. Ninguém, por mais poderoso que seja pode quebrar algo assim e se tentasse poderia até levar a morte, sua e do outro contratante, no caso, o Sr. Corner. E o Corner não tentaria fazer isso, mesmo que seja só uma grande indenização, poderia leva-lo a falência e se isso se espalhasse ele perderia sua reputação, seus clientes. Ele estaria acabado como advogado. — Sr. Boot falou com firmeza.

— Ok, então onde está o testamento dos meus pais? — Harry os encarou com determinação. — O testamento é um contrato magico, feito para entrar em vigor imediatamente após a morte dos meus pais. Terry me explicou que eles são magicamente preparados e ativados quando sentem a morte daqueles a quem pertencem. Mas em algum momento ele foi contido, ele foi parado. Se Corner não tem nada a ver com isso, então o que aconteceu? — Sua pergunta saiu com dureza e Harry tentou controlar a raiva que sentia.

Houve um longo silencio e Harry se levantou e andou de um lado para o outro tenso. Finalmente Sr. Falc decidiu reiniciar com alguns esclarecimentos.

— Harry, acredito que sua suposição de que o testamento não entrou em vigor está incorreta. Como você disse por ser um documento magico poderoso ele não pode ser detido. E como eu disse é bem possível que Corner colocou as determinações de seus pais em vigor, ele deve estar administrando e cuidando de seus negócios e propriedades, sendo competente como ele é deve estar fazendo um bom trabalho. — Explicou Falc e seu tom saiu paternalista.

Harry se irritou e estava prestes a responder impetuosamente quando Terry veio em seu socorro.

— Pai, avô, vocês estão desconsiderando o mais importante aqui e o mais obvio. — Terry o olhou e depois olhou para a mãe. — O que James e Lily Potter tinham de mais importante?

— Harry, o mais importante para eles era Harry. — Respondeu ela sem hesitação.

— Assim, em seu testamento haveria guardiões designados para assumirem a tutela do Harry. Os Potters tinham muitos amigos, vocês três são um exemplo dessa amizade e lealdade, e deveriam haver outros. Eles teriam considerado a possiblidade, não apenas deles morrerem na guerra, mas também de seus amigos mais próximos. Tudo o que Harry ouviu sobre os pais, nunca ninguém deixou de mencionar quão brilhantes eram, assim eles teriam se preparado para que o que mais amavam fosse muito bem cuidado caso eles não pudessem estar aqui para isso. A questão é, como Harry foi parar na casa de parentes que o odeiam, odeiam magia, odiavam seus pais, onde ele ficou isolado do nosso mundo e nunca foi ensinado nada ou preparado para assumir sua herança ou se defender de seus inimigos? — Terry como sempre com seu jeito simples de explicar deixou todos mudos. Até que.

— Espere, acho que estou faltando algo aqui. Eu compreendi que Harry cresceu no mundo trouxa e que não sabia muito sobre a história de sua família. Você nos escreveu Terry pedindo o livro dos Potters para emprestar a ele para que pudesse adquirir esse conhecimento. Considerei isso normal e resolvi lhe presentear com um presente do meu amigo Fleamont. E até onde sei Harry foi viver com parentes trouxas, os únicos parentes vivos que tinha, imagino que eles estariam no topo da lista de guardiões. — Sr. Boot os olhou com atenção.

Harry engoliu em seco e olhou para Terry percebendo que ele precisaria contar sobre sua vida nos Dursley para que eles entendessem.

— Quando Harry entrou no meu compartimento em 1º de setembro, eu vi um menino pequeno, mais parecia ter 9 anos e não 11, talvez menos. — Terry começou olhando para o amigo com um sorriso. — Nós nos apresentamos e não sei com o que me surpreendi mais, quem ele era ou sua aparência. Ele usava uma camiseta usada e velha, uma calça puída e um tênis com buraco, tudo uns 4 números maior do que o dele. Mas então começamos a conversar e minha surpresa só aumentou porque Harry Potter me disse que nem sabia que era um bruxo até receber sua carta de Hogawarts. — Terry fez uma pausa esperando e não se desapontou.

— O que!? — Gritou sua mãe.

— Isso é impossível! — Exclamou seu pai.

— Do que está falando Terrence Boot. — Seu avô era o mais zangado.

— Sim, minha surpresa foi a mesma de vocês, mas fica pior. E acho que essa é uma história que Harry deve contar, mas se mantenham calmos, tudo já é bem difícil para o ele sem vocês gritando. — Terry foi bem contundente, tendo visto seu amigo se encolher com os gritos zangados.

— Nos desculpe Harry, eu sabia que sua família não estava cuidando bem de você, por causa de sua saúde, mas não tinha considerado que você não sabia nada sobre nosso mundo, você poderia nos contar? Vamos todos nos manter calmos. — Disse Sra. Serafina, olhando para o marido e o sogro com olhar agudo.

— Sua saúde? O que tem de errado com a saúde do menino? — Sr. Boot perguntou surpreso.

— Deixe ele contar meu pai, e Harry, por favor, saiba que o que nos disser será confidencial. — Acrescentou Sr. Falc.

Harry acenou e voltou a se sentar, suspirando.

— Bem, acho que começa com o fato de que minha tia odiava minha mãe, não faz muito tempo ela me contou que a odiou desde que minha mãe recebeu sua carta de Hogwarts, meus avós a consideravam especial, ter uma bruxa na família, mas minha tia a considerava uma anormal. Seja por ciúme ou inveja, eu não sei. Tia Petúnia nunca me quis, ela disse que meus pais morreram em um acidente de carro, que eles me odiavam, me achavam um estorvo, que eram bêbados e foram os culpados do acidente. — Harry viu as expressões indignadas e possessas, mas continuou falando. — Ela me contou que alguém, alguns dos anormais com quem eles saiam, me deixaram na porta de sua casa e que ela queria me levar a um orfanato, mas teve medo do que os vizinhos falariam. Assim assumiu para todos, sua natureza caridosa e decidiu cuidar do pirralho da sua irmã esquisita. — Harry continuou falando sobre sua infância, sua voz se manteve plana e vazia e seus olhos fixados em suas mãos. Não queria ver aversão ou pena nos olhos de ninguém. — Eu já tinha perdido a esperança de que alguém me tirasse de lá quando as cartas começaram a chegar. Estava endereçada ao armário debaixo da escada, meus tios ficaram paranoicos, tinham certeza que haviam pessoas nos vigiando e me deram o segundo quarto do meu primo. — Ignorando o arfar de alguém Harry explicou a fuga das cartas e como Hagrid os encontrou e finalmente ele soube quem era. — Foi então que eu soube quem eu era, quem eram meus pais, sobre magia e a verdade sobre suas mortes. E eu estava tão feliz em deixar os Dursley e ir para o mundo dos meus pais, meu mundo, tão acostumado a não fazer perguntas que nem estranhei o fato de que era o Guarda Caça de Hogwarts e não um professor que veio me trazer minha carta. Foi apenas quando Terry apontou isso que eu percebi o absurdo do fato.

O silêncio dessa vez se manteve por mais tempo, Harry finalmente olhou para os ocupantes sala, Sr. Falc estava obviamente tentando controlar a raiva. Sr. Boot se levantara e andava de um lado para o outro da sala e Sr. Serafina chorava baixinho com as mãos no rosto. Terry como sempre estava pálido e triste quando ouvia qualquer coisa sobre a vida de Harry com seus parentes

— Isso está além do que eu pensei que eram suas dificuldades com seus parentes, Harry. Não compreendo por que Dumbledore te deixou com eles. — Afirmou Sr. Falc indignado.

— Isso é criminoso com qualquer criança, imagine então com um Potter, neto de Fleamont. Vocês tentaram entrar em contato com o Departamento de Cuidados Infantis do Ministério para visitarem-no anos atrás. O que aconteceu então?

— Nós... solicitamos visitação, mas Dumbledore nos impediu. Ele conversou conosco, pessoalmente, disse que Harry estava seguro com parentes trouxas de Lily, que não éramos os primeiros a solicitarem uma visita. O diretor nos explicou que famílias nada confiáveis queriam saber o endereço do Harry, provavelmente com a intenção de se vingarem pelo desaparecimento de Voldemort, com a mesma alegação de serem amigos de Lily ou James. — Sra. Serafina levantou os olhos para Harry e parecia implorar entendimento. — E que se ele permitisse nossa visita seria obrigado a dar essa permissão a outros e mesmo que todos fossem sinceros como nós, poderíamos ser seguidos. — Serafina se levantou e parecia furiosa. — Ele afirmou que Harry estava em perigo no mundo mágico, mas nos garantiu que Harry estava bem e feliz. Nós acreditamos e para nós a segurança dele era mais importante que tudo.

— Dumbledore mentiu. — Harry falou com firmeza. — Ele disse o mesmo ao professor Flitwick, que me colocou com meus parentes e garantiu pessoalmente minha segurança, mas ele nunca esteve em minha presença. E se sua intenção, ao me deixar na casa dos meus tios era minha segurança, o diretor deveria ao menos ter certeza que eles me queriam e não me deixar na porta para eles me encontrarem de manhã. — Harry suspirou bagunçando os cabelos e se levantou também olhando para todos na sala. — Mas isso não me importa mais, está no passado e não pode ser mudado. O que importa para mim é porque Dumbledore não se preocupou ao menos em me contar a verdade sobre mim e minha família, porque não se importou em me preparar, como muitas crianças do mundo mágico, para chegar à Hogwarts. Eu mais do que qualquer um precisava ter sido ensinado teoria magica, a história magica e que eu tinha inimigos ainda livres que poderiam querer se vingar. — Harry estava exasperado agora e seus olhos verdes brilhavam. — Ao invés disso ele envia Hagrid, que por mais bom coração que tenha, não estava preparado para me explicar nada e não sabia responder as poucas perguntas que fiz, quando tentei comprar outros livros não me deixou. E nem me levou o kit fornecido pelo Ministério aos nascidos trouxas. Não quero ser paranoico, mas me parece e, Terry concorda comigo, que foi feito um grande esforço para me manter ignorante.

— Se você estiver certo, Harry. — Sr. Boot deu um passo à frente, seu rosto pálido estava sombrio. — Se Dumbledore te isolou do Mundo Mágico, te manteve sem conhecimento e treinamento se, mesmo agora ele espera e trabalha para que você seja mantido ignorante de sua história ou deveres, do perigo que corre ou sem um treinamento magico mais específico, sua intenção é controla-lo. Uma pessoa só mantém alguém isolado e ignorante para poder controlar quais informações ela recebe e assim poder controla-la. — Ele afirmou olhando-o nos olhos.

Harry, que não tinha pensado nessa possiblidade, sentiu sua raiva crescer com o pensamento de que alguém usou a morte de seus pais, o fato de ele ser um bebê, para colocá-lo não onde estava mais seguro, mas sim onde ele poderia ser conduzido, treinado, preparado para ser obediente, para ser facilmente controlado e manso. Harry sentiu o estomago se embrulhar de nojo e asco. Sua raiva cresceu, sua magia se agitou, sentindo-se sufocado caminhou para a porta janela atrás da mesa, precisava de ar, precisava vomitar lá fora e não no tapete azul bonito, mas antes que ele pudesse entender o que acontecia a janela se espatifou, o vidro voou para fora na neve e as partes da porta se abriram batendo com violência na parede de pedra.

Harry ouviu alguém dizer seu nome, mas ele ignorou e continuou até o frio envolve-lo e o enjoo diminuir. Respirando fundo e de novo, até seus pulmões arderem pelo frio, até a raiva se tornar determinação, até seu cérebro se lembrar que ele era um Ravenclaw e não um impetuoso Gryffindor. Quando isso aconteceu ele olhou para os Boots que estavam com ele no quintal, Harry ignorou seus olhares de assombro e disse:

— Ninguém vai me controlar. Sr. Falc, gostaria de contratá-lo como meu advogado, vamos começar a encontrar algumas respostas e a fazer mais perguntas, imediatamente.