Capítulo 19
Falc olhou Harry Potter com atenção, viu o fogo frio em seus olhos, a determinação, a postura de quem pretendia lutar e não desistir, entendeu que tudo o que podia fazer era oferecer sua ajuda, não apenas por amizade entre famílias ou gratidão, mas porque ele não poderia deixar uma criança enfrentar sozinha um mundo tão cruel.
— Ok, eu aceito o trabalho. Vamos entrar e pensar os próximos passos. Temos muito o que discutir. — Disse ele e sem esperar resposta voltou para o escritório.
Harry o seguiu e ao ver a porta destruída, corou levemente e olhando para sua anfitriã com seus grandes e brilhantes olhos verdes, disse:
— Desculpe-me pela porta, Sra. Serafina.
— Está tudo bem, querido, magia acidental é algo bem comum em uma casa com três crianças. Vamos entrar e eu reparo ela em um instante. — Disse com um sorriso carinhoso.
Harry acenou e entrou na biblioteca. Sr. Falc estava atrás da escrivaninha e Harry percebeu que agora tudo era mais oficial e formal. Em alguns minutos todos se acomodaram diante dele, apenas Sr. Boot ficou de pé olhando a porta janela concertada com um olhar peculiar.
— Harry, antes de mais nada precisamos assinar um contrato de vínculo de trabalho, envolve confidencialidade, o que você espera do meu escritório, valores e indenizações. — Explicou Sr. Falc muito sério.
— Mas eu não tenho esse contrato assinado com os Sr. Corner? — Harry questionou confuso.
— Sim, mas você é o novo chefe de sua família, mesmo que não possa assumir muitas das funções e deveres antes da maioridade, a magia reconhece seu direito e intenção. Assim como a promessa magica que foi feita ontem. — Sr. Falc esclareceu. — Quando assinarmos o contrato, automaticamente, o contrato anterior é anulado, por uma questão de educação e ética, me reunirei com o Sr. Carson e ele me informará de todos os negócios ou propriedades de sua família, assim como fornecerá todos os documentos e acessos.
— Acessos? — Harry se frustrava com o quanto ele não entendia.
— Sim, as escrituras das propriedades estão guardadas em seu cofre de família, assim como muitas outras coisas de valor, além de ouro. Mas o acesso a casa para a manutenção fica com o administrador. — Continuou ele.
— Como posso ter acesso a esse cofre? Eu nem sabia que existia até o Terry menciona-lo. — Harry olhou para o amigo que sorriu em apoio.
— Bem, se ninguém lhe falou nada sobre ele, os goblins também não falariam. Isso só acontecerá quando você chegar a idade determinada no testamento dos seus pais, então os goblins lhe informarão, pois será de seus interesses, antes disso eles não se importarão muito com você. — Disse o Sr. Falc.
— Então o primeiro passo é encontrar esse testamento e descobrir o que está escrito nele. Sr. Corner o teria, certo? — Harry perguntou ansioso para ler o que seus pais determinaram.
— Sim, o Ministério também tem uma cópia arquivada, mas Corner poderá nos fornecer o testamento e informar o que foi feito em relação a suas determinações. Então saberemos se alguém o deteve de alguma maneira. — Disse Falc enquanto pegava um pergaminho. — Primeiro vou enviar uma carta a ele solicitando um encontro urgente, apesar de ser férias de inverno espero que ele consiga me encontrar imediatamente. Depois irei até meu escritório pegar um contrato e se você tem certeza sobre contratar-nos teremos que conseguir uma testemunha, apesar de que a magia sentiria caso você estivesse sendo coagido, ainda assim seria bom ter um adulto como testemunha disso.
— Sra. Serafina não pode ser? — Perguntou Harry.
— Não Harry, ela é minha esposa, na verdade ninguém da minha família ou mesmo um trouxa seria considerado adequado. — Sr. Falc terminou a carta e a endereçou, depois saiu pela porta janela, de um jeito menos dramático e King já estava esperando para levar a missiva. — Você tem algum adulto bruxo que você confia Harry? — Perguntou ele voltando para dentro e fechando o frio para fora.
— Hum... Prof. Flitwick, senhor. — Respondeu Harry pensativo.
Falc olhou a esposa que se levantou e estava prestes a ir flu o seu professor, quando fez uma pausa e se voltou para eles.
— Antes de irmos mais longe acredito que temos que considerar algo muito fundamental. — Disse ela e olhando-os todos se aproximou de Harry. — Enquanto o que ele fez com você foi horrível, criminoso, temos de refletir sobre quem estamos falando. Albus Dumbledore é o maior, mais poderoso e respeitado bruxo em nosso mundo e...
— Você está com medo de enfrenta-lo Serafina? — Sr. Boot perguntou com escarnio. — Ou acredita que ele ser tudo isso que você mencionou lhe dá o direito de fazer o que fez com esse menino.
— Nem uma coisa nem outra, ainda que acredito que temos que ser realista, diante de todo o poder que ele tem, será muito difícil vencer caso venha para cima de nós com toda a sua influência. Mas isso não me faz pensar em não lutar. — Sra. Serafina respondeu com firmeza, nem um pouco intimidada por seu sogro. — O que eu quero que reflitamos com cuidado é porque ele fez tudo isso. Dumbledore não é um homem mal e cruel, ele não tinha a intenção de roubar do Harry, ele realmente acreditava que o Harry estaria mais seguro no mundo trouxa e sua negligencia é criminosa, mas pensar que ele fez isso de maneira fria e calculada para que Harry possa ser controlado por ele. Esse não é o Dumbledore que conhecemos. Meu sogro, você o conhece ainda melhor do que nós, estou errada em supor que isso não faz sentido? — Sra. Serafina encarou Sr. Boot que suspirou antes de responder.
— Não, nada disso faz sentido. Dumbledore é muito respeitado não apenas por seu poder magico, mas também por sua bondade, sabedoria. Ele adora seus alunos, recusou ser Ministro da Magia em três ocasiões diferentes para continuar em Hogwarts. — Admitiu o Sr. Boot.
— Assim, qual o motivo de ele querer controlar o Harry? Dumbledore não precisa do Harry para ter mais poder, influência política, dinheiro. Consideremos que ele foi desatento, negligente com relação aos cuidados do Harry, isso me parece mais plausível do que acreditar que houve ou há um plano nefasto para treinar o Harry a ser obediente e assim tê-lo sob seu controle. Com qual intenção ele sairia tanto de seu personagem? — Refletiu Sra. Serafina inteligentemente.
Harry se levantou confuso, vinha nos últimos meses aprendendo a questionar o que não fazia sentido, e mesmo que quisesse tornar Dumbledore o vilão, a verdade é que isso não parecia plausível.
— Você quer dizer que o que aconteceu foi só um erro? Que ele acreditou que meus parentes cuidariam bem de mim e que não me informar ou me preparar para voltar ao mundo magico é apenas um esquecimento? Que enviar Hagrid foi apenas uma coincidência? Que devo esquecer tudo isso e acreditar que ele não teve má intenção ou que tem planos para mim no futuro? — Harry questionou, mas mesmo enquanto expunha suas perguntas já sabia a resposta.
— De modo algum, o fato de não termos todos os fatos é que me faz colocar outras possibilidades a mesa, mas enquanto não tivermos certeza da verdade, devemos e precisamos questionar tudo, inclusive as motivações por traz das ações de Dumbledore, por mais absurdo que isso nos pareça. — Explanou Serafina. — Sim, ele pode ter tido boa fé em seus tios. Sim, ele é um homem muito ocupado e poderia ter se esquecido ou não considerar importante te preparar como outras crianças bruxas para ir a Hogwarts. Hagrid era amigo de seu pais e poderia ter sido um pedido dele ir te levar sua carta e as compras no Beco. Poderia ser tudo uma grande e terrível negligencia dele com você, mas não podemos descartar a outra opção.
— Além disso não precisa ser uma ou outra coisa. Mesmo se mantivermos as duas teorias postas a mesa, no fim podemos descobrir que a verdade é outra completamente diferente ou uma combinação destas duas teorias. É como Harry me disse uma vez, isso tudo é um grande quebra-cabeça e ainda faltam muitas peças. — Acrescentou Terry com sua expressão inteligente.
Harry e Serafina acenaram concordando, mas Sr. Boot fez uma careta.
— Por Merlin, se deixarmos esses Ravenclaws vão ficar falando sobre isso o dia todo, indo e voltando. — Disse ele impaciente.
— Espero que não o estejamos entediando meu sogro, isso me deixaria muito triste. — Respondeu Sra. Serafina com as palavras escorrendo ironia.
— Hupff. — Bufou ele, meio divertido. — O que vocês ainda não questionaram é porque Dumbledore não se preocupou em treinar o Harry, ou ao menos avisa-lo que ele estaria em perigo, que teria inimigos. Se ele realmente achou que o Harry conhecer sobre sua história familiar, sobre a verdade da morte dos seus pais, seus deveres na nossa sociedade eram sem importância. — Seu tom era de indignação pelo pensamento de alguém acreditar em tal absurdo. — Você supõe que ele não preparar Harry para se defender seja o que? Apenas uma continuação de sua negligencia e desatenção? Ou ele se esqueceu da sua existência ou importância em nosso mundo desde o dia em que o colocou na porta de seus parentes. — Seu tom era duro, e era obvio para todos que ele não aceitava que mesmo sem querer um homem machucasse uma criança.
— Talvez Dumbledore não acredite que o Harry ainda esteja em perigo ou acredita que pode protege-lo em Hogwarts. — Contemporizou Serafina.
— Só se, além de negligente, ele também está perdendo sua proclamada genialidade. — Sr. Boot colocou caustico.
— Isso não é possível, pois ele disse ao Prof. Flitwick, que nos contou, que eu estou em perigo, e falou sobre a possibilidade de antigos seguidores de Voldemort me atacarem. — Todos os adultos se estremeceram com o nome, mas Harry ignorou. — Nossa amiga Hermione lançou a teoria de que Dumbledore quer me proteger, preservar minha infância e assim não me informar sobre inimigos, perigos ou vinganças até eu ser mais velho. Mas se ele pensa assim está fazendo um desserviço, pois eu prefiro saber a verdade e me preparar do que andar por uma toca de lobos como um filhote ingênuo. — Harry disse firmemente.
— Eu concordo Harry, mas o que eu argumento é que sejamos prudentes, não temos todos os fatos e supor o pior sobre Dumbledore não me parece inteligente. — Argumentou Serafina.
— Ok, eu posso entender isso, e a verdade é que ter uma atitude hostil contra ele só dificultaria investigar, fazer perguntas e descobrir mais informações. Acusa-lo então seria tolice, não temos provas, apenas suposições. — Concordou Harry sensato. — Mas isso não quer dizer que vou confiar nele, ou deixar de procurar respostas e, mais importante nesse momento, preciso assumir as rédeas da minha vida e não permitir que nem ele, nem ninguém, me controle.
Todos acenaram e sem dizer nada Serafina foi flu o Prof. Flitwick, enquanto Falc aparatou até seu escritório para pegar o documento necessário. Em 15 minutos o professor chegou, andando animado e sorridente cumprimentou a todos feliz em revê-los.
— Maravilhoso encontra-los, sim, sim. Mas vamos ao motivo do convite de vocês, Sr. Potter, Serafina me disse que você precisa do meu auxilio em uma questão legal. Você poderia me explicar? — Perguntou ele mais sério ao seu aluno.
— Sim professor, hum... preciso de ajuda legal, quero saber sobre minha herança familiar, mais importante quero acesso ao testamento dos meus pais, seu conteúdo. Descobri pelo Sr. Boot que Carson Corner é o advogado de minha família, mas não o conheço ou sinto confiança nele. — Harry estava tentando explicar sem falar de suas desconfianças, como dito anteriormente isso não seria inteligente.
— Confiança? Você tem motivo para acreditar que o Sr. Corner não é confiável? E por que só soube quem eram seus advogados pelo Sr. Boot? Eles não entraram em contato com você? — Perguntou Flitwick mostrando sua inteligência Ravenclaw. — Quero dizer, antes você estava isolado no mundo trouxa e era muito jovem, mas desde que começou Hogwarts suponho que eles teriam entrado em contato com você. Mesmo sendo menor de idade já está apto ao menos para ser informado do testamento de seus pais, suas determinações e se preparar, aprender sobre os negócios de sua família para que um dia você possa administrar tudo.
Harry acenou sabendo que isso era outra coisa que não considerara, precisava aprender a cuidar de tudo, seja lá o que for esse tudo.
— Sim senhor, mas, infelizmente, ninguém entrou em contato comigo. Eu na verdade nem sabia que tinha um segundo cofre, ou propriedades ou negócios ou sobre a importância de minha família no mundo magico até encontrar Terry no trem em setembro e ele me contar. — Harry foi incisivo e claro. — Na verdade senhor, até receber minha carta de Hogwarts eu nem sabia que era um bruxo ou sobre como meus pais morreram. Eu venho durante os últimos meses tentando aprender e entender o máximo possível.
Flitwick o olhou estupefato, e observou os adultos da sala, captando que o clima era muito mais sombrio do que percebera ao chegara.
— Mas isso não faz o menor sentido, Dumbledore garantiu sua segurança, pessoalmente, no mundo trouxa e imaginei que isso significasse também o ensinar sobre sua história e prepara-lo para chegar a Hogwarts. Você tem se saído tão bem que nunca poderia imaginar que você não teve aulas de teoria magica antes. — Disse ele cauteloso.
— Sinto muito professor, mas nunca me encontrei com o diretor, não até o banquete de boas-vindas e nunca em particular. E foi Terry quem me explicou muitas coisas sobre minha família e sobre o perigo que corro por ter inimigos que poderiam me atacar em busca de vingança. É por isso que tenho me preparado e estudado bastante, para as aulas e também com algumas aulas extras, para me tornar forte e poder me defender. — Explicou Harry sério.
— Mas isso não faz o menor sentido, deixar você no mundo trouxa e nunca verificar sua segurança ou te preparar para voltar ao nosso mundo. — Prof. Flitwick estava desconcertado. — E sobre o professor que lhe levou sua carta? Ele não te informou todas essas coisas? Ou te orientou sobre como entrar em contato com seus advogados?
— Nenhum professor entregou minha carta, professor. Hagrid levou minha carta de Hogwarts e me informou que eu era um bruxo e sobre a morte dos meus pais. Não sabemos se o diretor me verificou ou não, apenas que nunca se apresentou. Não sabemos porquê. — Harry percebia as dificuldades presentes aqui, ele não poderia acusar Dumbledore e muito menos queria falar sobre sua vida com seus tios de novo. — Talvez o senhor possa nos ajudar a entender algumas coisas professor. — Disse Harry mudando a direção da conversa. — Hagrid costuma visitar os alunos nascidos trouxas?
— O que? Hagrid? De maneira nenhuma, ele é uma pessoa maravilhosa, mas atrairia muita atenção. Além disso, ele não é um professor e não tem conhecimento para informar os novos alunos e, principalmente, os pais das crianças. — Ele estava pensativo tentando entender. — É possível que Dumbledore acreditasse que você sabia sobre ser um bruxo e seus pais, mas devia saber que isolado no mundo trouxa não teria um monte de conhecimentos essenciais. Na verdade, enviar um professor teria sido tolo, mas Hagrid é um descaso sem tamanho. Ele mesmo deveria ter ido levar sua carta, na verdade, sua visita seria imprescindível muito mais cedo. — Era obvio que sendo tão inteligente Flitwick estava começando a ligar pontos e não parecia contente.
— E sobre o kit de informações fornecidos aos nascidos trouxas professor. Todos que viveram no mundo trouxa não o receberiam? — Harry especulou calmamente.
— O kit? Não, eles são enviados pelo Departamento de Educação do Ministério, apenas para nascidos trouxas. Uma lista das crianças magicas de cada ano aparece em Hogwarts e outra no Ministério. Depois disso o Departamento de Educação faz a classificação do status de sangue. — Disse Flitwick com desprezo. — Os kits são criados e enviados a Hogwarts em números corretos de nascidos trouxas presentes na lista. Mestiços não recebem o kit, pois se supõe que eles tenham um pai magico.
— Mas, e quanto a Lisa Turpin, senhor? Ela é mestiça e recebeu seu kit, ela cresceu no mundo trouxa sem contato conosco, porque sua mãe é trouxa e seu pai morreu na guerra quando ela era pequena. — Explicou Harry trocando um olhar com Terry.
— Ah, mas isso foi depois Sr. Potter, quando Minerva percebeu que a Srta. Turpin era, essencialmente, uma nascida trouxa, apesar do seu pai, entrou em contato com o Departamento de Educação e solicitou mais um kit e depois lhe enviou por coruja. — Explicou o professor. — O mesmo deveria ter sido feito com você, é claro, na verdade sendo um Potter acredito que ainda mais informações sobre sua família e história deveriam lhes ser fornecidas.
— Hagrid foi muito bom e paciente comigo, é um amigo, mas não sabia responder as minhas perguntas e nem me contou nada sobre minha família. Ele me contou sobre a morte dos meus pais, mas não disse sobre o fato de ter seguidores de Voldemort livres que poderiam querer se vingar. E definitivamente não me contou nada sobre questões legais. — Disse Harry pensativo.
— Eu não entendo isso Sr. Potter, como eu disse deveria ter sido o diretor a lhe visitar e preparar sua volta ao nosso mundo. Quando as aulas começaram o diretor Dumbledore nos pediu para não o sobrecarregar com informações ou ficar fazendo perguntas sobre sua vida. — Começou Flitwick.
— Como assim? — Harry estava chocado.
— Dumbledore nos disse para trata-lo como mais um aluno e não uma celebridade. Isso já viria dos alunos. Ele também nos pediu para deixar você ser criança e não ficar falando sobre informações sobre a guerra, sobre seus pais ou fazer perguntas sobre sua vida. — Continuou Flitwick muito sério. — Como ele nos disse que cuidou de você e sua segurança na casa dos seus tios, acreditei que você fora informado e ensinado tudo o que era necessário e seu desempenho em aula apenas me reforçaram essa convicção. Entendi essa recomendação apenas como uma maneira de proteger você.
— Mas o senhor me deu essas informações. Sobre meus pais e seus amigos e outras coisas. — Disse Harry tentando controlar a irritação.
— Porque você é meu aluno, membro da minha casa e minha lealdade vai para você em primeiro lugar. Além disso qualquer educador sabe que quando uma criança faz uma pergunta é porque ela está pronta para a resposta. Você me procurou Sr. Potter, como poderia não lhe responder a suas indagações. — Concluiu Flitwick solenemente.
— Obrigada professor, de verdade. — Harry suspirou sabendo que não devia ir mais longe, se continuasse suas perguntas ficariam claras suas desconfianças sobre o diretor. — Bem, com a ajuda dos Boots tenho descoberto mais e mais sobre minha família, minha história, mas agora quero saber da minha herança. Quero me preparar para cuidar de tudo um dia, como o senhor disse, e mais importante gostaria de acesso ao testamento dos meus pais. Não tenho nada concreto contra o Sr. Carson, mas não o conheço, e isso acontece porque ele não se preocupou em cumprir sua obrigação para comigo e minha família ao se apresentar. Diante disso não me sinto à vontade para permitir que ele e seu escritório continuem administrando meus negócios. Quero contratar o Sr. Falc e gostaria que o senhor fosse minha testemunha de que faço isso por vontade própria e sem qualquer coação ou engano. — Harry firmemente foi para a questão principal.
— Entendo, e claro que o ajudarei. Vamos começar Sr. Potter com ler o contrato com muita atenção. Essa é uma lição importante, nunca assine nada sem ler antes. — Flitwick bateu palmas animadamente.
Harry sorriu para seu professor preferido quando entrou no modo animado que ele costuma apresentar em sala de aula. Depois disso os Boots os deixaram sozinhos, Terry finalmente foi passar um tempo com seus avós, os três adultos foram tomar um chá, enquanto Flitwick e Harry destrinchavam o contrato com muita atenção e se serviam de seu próprio chá.
Foi mais de uma hora depois quando os adultos retornaram. Sra. Serafina voltou apenas para acompanhar já que, obviamente, o conselheiro de Harry agora era Flitwick. Harry passou mais uma hora fazendo perguntas e solicitando algumas mudanças no contrato.
— Entendo que você quer assumir sua herança Harry, mas você só pode assinar por si mesmo quando chegar a maioridade ou quando seus pais determinaram em seu testamento. Se você não me der a procuração não poderei efetivamente fazer nada legal por você. — Explicou Sr. Falc objetivamente.
Harry gostava disso, estava falando com um advogado, não um amigo da família ou o pai de um amigo. O profissionalismo, sem paternalismo e privilégios o agradava muito.
— Entendo senhor, mas preciso que a procuração tenha uma data de validade, termino Hogwarts aos 18 anos e acredito que então ela pode se expirar. Além disso durante o verão pretendo fazer um testamento, não permitirei que minha herança vá para os cofres do Ministério. — Disse Harry muito sério.
— Isso é uma ótima ideia. Faremos a procuração desta maneira, assim você já pode assumir tudo sem burocracias quando terminar a escola. E quanto ao testamento, espero que não seja necessário, mas é a coisa certa a fazer. — Disse Sr. Falc enquanto continuava a escrever no pergaminho magico com uma pena igualmente mágica.
— Quero acrescentar que se o senhor vier a morrer antes de minha maioridade, Sr. Davis não está autorizado a assumir suas funções em relação ao meu contrato. — Disse Harry e a reação foi a que ele esperava.
Todos o encararam surpresos, Sr. Falc parou de escrever e disse:
— Harry, Anton é ambicioso como todos os Slytherin, mas ele é de confiança e honesto. Se eu não estiver por aqui lhe garanto que ele fará um trabalho tão bom quanto o meu.
— Eu acredito que o senhor acredita nisso, mas eu não o conheço, e meu encontro com ele ontem não me causou uma boa impressão. Ao contrário do senhor ele não me olhou como Harry Potter, apenas como o herdeiro Potter e o menino-que-viveu. Talvez com o tempo eu perceba que minha primeira impressão está incorreta, mas neste momento quero seguir minha intuição. Terry me disse uma vez que um bruxo nunca deve ignorar sua intuição. — Harry ergueu os ombros e manteve seus olhos com determinação.
Sr. Falc trocou um olhar com seu pai e depois lhe acenou.
— Ok, Terry lhe deu um bom conselho. Respeitarei sua vontade. — Sr. Falc voltou a escrever com a pena magica especial. — Temos apenas que colocar a indenização, a não ser que você tenha algo mais a acrescentar.
— Não Sr. Falc, mais nada. — Harry olhou para seu professor que sorriu com aprovação.
— Sobre o valor da indenização, o habito é uma multa por pequenos erros e descaso. Mas uma indenização mais vultuosa para desonestidade, roubo ou descumprimento do contrato. — Explicou Sr. Falc.
— Não quero ouro senhor e dispenso as multas por pequenos erros, confio no senhor e estarei acompanhando tudo com muita atenção. Para a indenização, quero o Chalé Stone Grove como recompensa, para qualquer roubo, desonestidade e quebra de contrato. — Harry engoliu em seco ao apresentar sua estratégia, esperava que eles não ficassem muito zangados.
— O que? — Sr. Falc perdera o folego.
— O Chalé? Mas é nosso lar. — Sra. Serafina estava pálida.
— Muito inteligente Sr. Potter, e depois não se chateie quando digo que você me lembra seu avô. — Sr. Boot sorria e parecia orgulhoso.
— Obrigada Sr. Boot. — Harry sorriu aliviado que alguém entendera.
— Desculpe, mas não entendi porque parece tão satisfeito meu pai. Desde quando apostar nosso lar é motivo de orgulho? — Falc estava confuso, mas não chateado.
— Primeiro, porque não é uma aposta. Eu, assim como Harry confiamos em você, sabemos que não há risco de você quebrar o contrato ou rouba-lo o que torna a punição uma formalidade legal. E essa punição só serve para você e sua linha o que torna impossível qualquer outro advogado que não seja um Boot poder assumir tais funções legais, incluindo os advogados do Ministério. — Esclareceu Sr. Boot ainda sorrindo.
— Claro, sem indenização o contrato não pode ser assumido, ele é invalido. Mesmo o Ministério não conseguiria tomar posse da administração, pois a indenização não os concerne. — Falc olhou para a esposa e depois para o Harry surpreso. — Isso é brilhante.
— E foi ideia do Sr. Potter, apenas respondi algumas perguntas. — Flitwick também sorria orgulhoso.
— Eu confesso que não entendi totalmente. — Disse Sra. Serafina hesitante.
— Querida, faz parte de nossas leis que nenhum contrato magico deve ser feito sem uma punição por si mesmo. Quando o Ministério e as leis foram criados obviamente se instituiu leis contra roubos ou quebra de contratos, mas as famílias antigas queriam uma punição imediata e mais severa do que um processo judicial longo. Alguns defendiam a morte como punição ou a perda de toda sua fortuna, mas por fim eles chegaram ao consenso de que cada contrato teria uma indenização definida entre as partes. — Falc explicou calmamente. — Mas entre as regras e normas para se fazer um contrato magico foi definido firmemente que, sem uma indenização definida, ele é invalido. E como o Chalé é uma indenização que apenas nossa família pode dispor, se por alguma razão eu não puder mais cumprir o contrato, ninguém mais pode assumi-lo. Nem Anton ou o Ministério. — Encerrou ele.
— Mas se o contrato é invalidado isso não permite que o Ministério assuma? — Serafina estava confusa.
— Não, porque ele é invalido apenas para qualquer um que não seja um Boot. Como é um contrato magico com uma família antiga, disponho de meu nome, além de meu escritório. Isso faz com que, se algo acontecer comigo, qualquer Boot, mesmo sem ser advogado, assume o contrato. Meus filhos ou netos, bisnetos, e se não houver mais um Boot de nome, a linha que permanece dona do Chalé cumpri o contrato.
— Mas e se eles não quiserem assumir o contrato? — Serafina perguntou começando a entender.
— Se eles quiserem encerrar o contrato, tudo bem. Apenas comunicarão o chefe da família Potter em questão e ele procurará outros advogados. Essencialmente isso serve apenas para que ninguém, principalmente, o Ministério assuma o contrato. — Falc estava sorrindo agora.
— Entendi. Realmente Harry, muito inteligente. Mas porque ninguém mais pensou em fazer isso antes? — Sra. Serafina apontou.
— Acredito que as circunstancias do Sr. Potter o fez pensar em uma maneira de se proteger do controle do Ministério. E seu testamento futuro protegerá sua herança para o caso de ele vier a partir sem deixar um herdeiro. Realmente brilhante Harry. — Sr. Boot sorriu para ele.
Harry corou com os elogios, mas sorriu animado que todos gostaram de sua ideia. Depois disso foi uma questão de tempo antes da assinatura do contrato. Eles usaram a pena magica que não permitia fraude ou má intensão. Quando uma cópia lhe foi entregue, Harry segurou o documento em suas mãos e sentiu uma sensação de liberdade imensa.
Prof. Flitwick se despediu em seguida apertando a mão de Harry firmemente e se oferecendo para qualquer ajuda que ele visse a precisar futuramente. A Harry só restou agradecer, sinceramente.
Sra. Serafina o acompanhou até o flu e Harry olhou para Sr. Falc e respirou fundo.
— Podemos começar agora? — Perguntou ele ansioso para colocar seus planos em pratica.
— Acredito Harry que quaisquer decisões ou ideias que você tenha terá que esperar minha reunião com Sr. Corner. Depois faremos uma visita a Gringotes, eles precisam saber da mudança nos administradores de sua herança. E sendo um adulto com uma procuração posso ter acesso ao seu cofre de família com a sua presença, claro. — Sr. Falc suspirou se sentando em sua cadeira outra vez.
— Eu preciso estar presente nesta reunião? — Harry questionou pensando que conhecer o homem quando o estava despedindo não lhe parecia muito agradável.
— Não Harry, isso é apenas uma formalidade. Sua presença não é necessária e mais, começarei uma investigação e auditoria nos documentos, negócios e propriedades. Começando pelo testamento de seus pais, tudo isso é faz parte do meu trabalho e levará tempo, mas te manterei informado de cada passo. — Sr. Falc falou com confiança e Harry sentiu alivio, pela primeira vez sentia que podia confiar em um adulto e que ele não o manteria no escuro.
Com o fim da reunião Harry foi para seu quarto, guardou o contrato e se sentou para fazer sua lista de compras para o dia seguinte. Depois, querendo dar um tempo para Terry ficar com seus avós sem sua presença para atrapalhar, decidiu ir ficar com Edwiges e ler o resto do livro de Arthur Conan Doyle. O mistério, O Cão dos Baskervilles, era muito interessante e ele achou fascinante a maneira como Holmes descobriu o assassino. Edwiges pousou em seu ombro e tirou um cochilo.
Quando escureceu ele desceu ao seu quarto, tomou banho e depois foi ajudar a preparar o jantar. Sra. Madaki estava no comando e fazia uma sopa típica de sua cidade Baton Rouge na Louisiana, chamada Gumbo.
Harry observou e a ajudou a preparar enquanto lhe contava a história do prato. Feita com frango, mas também poderia ser frutos do mar, muito cheiro-verde, linguiça defumada, quiabo, alho e tomate. Além de muita pimenta. Era o carro-chefe da culinária do estado da Louisiana onde Sra. Madaki crescera ajudando sua mãe viúva a fazer doces para sustentar a família. Ela explicou que os escravos inventaram e preparavam o prato com lagostim que era facilmente encontrado nos rios.
A sopa ficou incrível e Harry corou levemente ao repetir pela terceira vez. Prof. Bunmi riu divertidamente de seu constrangimento.
— Não fique com vergonha garoto. Minha Shawanna é a melhor cozinheira e doceira do mundo, melhor até que a mãe dela, que Deus a tenha. Porque você acha que me casei com ela? Hein? — Disse ele e sua gargalhada retumbante ressoou pela cozinha.
Enquanto todos riam, inclusive Harry, sua esposa o acertou com o guardanapo em protesto. A sobremesa era pudim de pão, tão delicioso que Harry achou que era sua segunda sobremesa favorita, atrás apenas da torta de melaço. Em dado momento Sra. Madaki anunciou que os meninos precisavam de um corte de cabelo e que no dia seguinte, quando voltassem das compras, ela cortaria os cabelos de todos antes de pegarem a estrada. Terry fez uma careta, não parecendo muito animado.
No dia seguinte bem cedo Harry depois do seu treino e do café da manhã seguiu com os Boots para Londres. Eles foram de trem, mas planejavam voltar de aparatação. Harry deu sua lista para a Sra. Serafina que arqueou as sobrancelhas e depois de fazer uma cópia lhe devolveu.
Os adultos decidiram começar por Londres trouxas. Harry e Terry precisavam de roupas, seu amigo de apenas algumas peças e, quando ele tinha tudo da sua lista, foi com o pai em busca de uma livraria. Sra. Serafina parecia no céu com a lista de Harry e ele também se sentiu animado de comprar um guarda roupa completo.
Ela logo percebeu que Harry gostava de roupas mais descoladas, jaquetas de couro, jeans escuros, camisetas lisas ou com estampas diferentes, tênis e botas. Mesmo algo mais elegante, como um blazer ou calça social, Harry tendia a ir para os diferentes e não os certinhos. Ele parecia não querer expressar suas preferencias, mas ela o observou com atenção e ele aos poucos foi se soltando quanto mais ela, pacientemente, o incentivava a escolher entre uma e outra opção.
Harry não perceberia até mais tarde, mas sua natureza rebelde se mostrou em seu guarda roupa e, mais interessante, eram o completo oposto das roupas do Terry que gostava de se vestir de um jeito mais elegante. Terminada a imensa compra que incluía roupas intimas, meias e até alguns acessórios, bonés, chapéus e uma pulseira de couro que Harry achou, combinaria com suas roupas novas, eles foram para a livraria. Sra. Serafina discretamente enviou as compras para o Chalé Stone Grove e Harry ficou livre para comprar livros.
Na livraria Harry foi para a seção de mistério e policial e comprou um monte livros de autores como Conan Doyle, Agatha Christie, Allan Poe e com recomendação da Sra. Serafina outros autores e temas, como Charles Dickens, Júlio Verne, J. R. R. Tolkien, Sidney Sheldon e Stephen King. E para a aula de literatura, do qual ele deveria lhe entregar um relatório no verão, lhe orientou para ler O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.
Harry ainda foi a uma papelaria comprar cadernos, blocos para rascunhos e cartas, canetas e lápis, penas e pergaminhos eram apenas para os deveres bruxos. Depois ele pediu para ir a uma loja de música e comprou um discman e alguns cds e muitas pilhas. Ele sabia que eletricidade não funcionaria em Hogwarts, mas tinha a esperança de que pilhas poderiam ser diferentes e se não fosse Harry queria pesquisar como fazer funcionar com magia, poderia ser um projeto de muitos anos, mas ele queria tentar.
Ele nunca fora ligado à música, mas sua amizade com Mandy mudou isso, agora ele gostava muito. Mandy era apaixonada por música e estava sempre falando de suas bandas favoritas, como os Beatles, e depois que se juntou ao coral da escola com Tracy começou a cantar por todos os lados também. No fim ela pedira aos pais que lhe comprassem uma vitrola de presente de Natal, que ela pretendia trazer para Hogwarts. Fora por isso que Harry decidiu presenteá-la com alguns vinis.
Por fim eles foram ao Beco Diagonal, Harry e Terry compraram mais roupas bruxas e materiais escolares. Harry comprou um baú menos básico, Terry tinha um especial com runas que lhe permitia encolher sem destruir o que estava dentro, além disso ele precisava de mais espaço para seus documentos, livros não censurados e projetos, assim pediu um baú nível 3. Ele tinha peso leve permanente, encolhimento com um toque intencional de varinha e uma parte exclusiva que só se abria com a leitura de sua magia. Havia mais duas partes onde ele poderia organizar, em uma, roupas e na outra, material escolar. Tudo junto era apenas uma grande bagunça.
Harry comprou um poleiro para Edwiges, ele queria pôr em seu quarto em Hogwarts, era muito legal, tinha dois braços que lembravam troncos de arvores e no meio em cima do seu "tronco" haviam dois potes para água e guloseimas, que ele aproveitou para comprar mais. Terry olhou com olhos gulosos na direção dos gatos, mas suspirou quando sua mãe levantou as sobrancelhas lembrando-o do acordo que tinham.
Depois eles foram para a livraria, Harry discretamente perguntou para o atendente se eles tinham livros não censurados pelo Ministério. O jovem de uns 20 anos o olhou como se fosse louco, não fazendo ideia do que falava e tentou gritar para o dono a pergunta, mas Harry rapidamente lhe deu uma pisada no pé e sua pergunta saiu um grito esganiçado de dor.
— Se você insistir em falar para todos ouvirem o que eu te perguntei discretamente da próxima te juto as bolas. Entendeu? — Harry falou com dureza e olhos aguçados.
O atendente que já estava pálido ficou ainda mais e meio verde também, engolindo em seco acenou para ele e depois foi perguntar ao seu chefe a informação. Harry se encolheu com sua violência, não gostava disso e estava um pouco surpreso, mas tivera que pensar rápido e seu primeiro instinto fora esse. A verdade era que em outros tempos ele teria ficado passivo e não feito nada para impedi-lo. Sua vida nos Dursley o levara, instintivamente, a não agir, não falar, para não chamar a atenção para si. Hoje sabia que não poderia voltar àquela passividade e imaginou como seria quando voltasse para o número 4 no verão.
Quando o atendente voltou indicou o canto mais distante e empoeirado da loja, Harry acabou encontrando alguns livros sobre teoria magica, outro sobre Feitiços e Transfiguração. Para seu agrado havia um de Aaron Mason, A arte da Meditação. Harry nunca pensara em meditar, mas o livro parecia defender que a meditação ajudava no controle das emoções que por sua vez ajudava no controle da sua magia. Não havia nada interessante sobre poções, mas um sobre Herbologia chamado "Plantas que podem salvar sua vida" ele decidiu levar, nunca se sabia. Por fim ele comprou apenas 5 livros, mas quando fez o pagamento percebeu que custara pelo menos 3 vezes mais que a mesma quantia dos livros "comuns".
Terry que comprou dois livros, um de Transfiguração e outro sobre Criaturas Magicas com sua mesada, saiu resmungando sobre o absurdo dos preços e que o Ministério era um poço imundo cheio de imundices. Harry não podia concordar mais, mas não pode deixar de rir do amigo que tentava xingar sem falar palavrões em frente a mãe. No fim ela e o Sr. Falc riram também e Terry corado os acompanhou.
O último lugar que Harry visitou foi Gringotes. Ele queria falar com seu gerente de contas, mas decidiu deixar para quando voltasse com o Sr. Falc depois da reunião deste com o Sr. Corner. Agora ele só foi trocar seu dinheiro bruxo por trouxa e pagar os Boots que vinham lhe emprestando libras desde que ele fora comprar a roupa e o presente para a festa de Terry, além das compras de hoje. Isso era a única coisa negativa na bolsa enviada por seu gerente, ela lhe fornecia 100 galeões sempre que se esvaziava, mas não tinha como trocar esse dinheiro por libras a não ser vindo ao banco. Harry já havia decidido abrir uma conta no mundo trouxa e transferir algum dinheiro para ela. Sabia que a última coisa que queria era ficar totalmente vulnerável com seus parentes, não que ele achasse que ter dinheiro o ajudaria, mas em uma emergência queria estar preparado. Seus gastos em libras totalizaram 900 libras que, incrivelmente, eram apenas 180 galeões.
Depois eles foram para o ponto de aparatação, Sr. Falc levou Terry com umestalo agudo e ele olhou nervosamente para Sra. Serafina e o lugar onde eles desapareceram.
— Sei que está ansioso, isso é normal, mas aparatação é algo muito comum entre bruxos e muito seguro desde que feita corretamente por alguém experiente. Você ainda não teve oportunidade de ler o livro que orienta sobre os meios de transportes bruxos, assim vou apenas lhe dizer que o principal para quem aparata é manter o foco. Você vai me acompanhar e para tornar a experiência mais fácil preciso que você imagine nosso destino, o Chalé, com determinação. Queira estar lá, não tenha pressa em terminar o processo, mantenha a calma e antes que você perceba estaremos em casa. Ok? — Sra. Serafina falou com muita tranquilidade, lembrava de Terry, de sua maneira de explicar e ensinar que todos entendiam.
Harry apenas acenou e segurou em seu braço com força, fechou os olhos e visualizou o Chalé e desejou estar lá. Num segundo o estalo agudo esperado foi ouvido, Harry sentiu como se estivesse se espremendo por um tubo de borracha, lembrando de tudo o que ela disse não tentou apressar a saída do tubo por mais assustador que fosse, apenas pensou no Chalé com firmeza e então acabou. Ele estava de pé na varanda da frente olhando para a porta vermelha Gryffindor do Chalé Stone Grove. Sorrindo apenas levemente enjoado, Harry olhou para Sra. Serafina que também sorria.
— Conseguimos! — Disse ele animado.
— Não Harry, você conseguiu. Foi muito bem, eu nem senti que estava aparatando acompanhada. E não é incomum que em sua primeira aparatação o bruxo se sinta mal, pode até vomitar. Como se sente? — Perguntou ela enquanto eles entravam no Chalé.
— Estou bem, levemente enjoado, mas bem. — Harry deu de ombros.
Eles foram direto para a cozinha onde todos estavam esperando, Sra. Madaki fizera alguns sanduiches para o almoço.
— Você vomitou Harry? — Perguntou Ayana empolgada com a ideia.
— Hum... não. — Respondeu Harry hesitante, ainda se sentia confuso com a menina, nunca sabia o que ela queria que ele respondesse ou fizesse.
— Oh... — Ela pareceu decepcionada. — Eu vomitei na minha primeira vez. — Disse animada.
— Hum... sinto muito? — Seu tom saiu como pergunta e sua expressão era confusa.
— Você não se sentiu nem enjoado Harry? — Terry perguntou depois de mastigar e engolir sua mordida do sanduiche de bacon.
— Um pouco sim, mas já estou bem. — Disse Harry e para provar deu uma grande mordida em seu próprio sanduiche de frango, cenoura e queijo branco. Eles eram tão bons quanto da Sra. Serafina.
— Harry se saiu muito bem, eu nem senti que tinha alguém me acompanhando na aparatação. — Disse Sra. Serafina sorrindo.
— Isso é incrível Harry, você deve ter pensado com muita determinação em estar no Chalé e tido deliberação durante o aperto que ocorre no momento da aparatação. — Sr. Falc elogiou.
— Deliberação? — Harry não conhecia a palavra.
— Quer dizer querido, que você não se apressou em sair do aperto que ocorre na hora da aparatação, mas com deliberação ou determinação procurou sair dele. — Explicou Sra. Serafina, mas ao ver seu olhar ainda levemente confuso continuou. — Para aparatar nos é ensinado os três D's, destinação, determinação e deliberação. Você tem que ter o destino bem forte em sua mente, se determinar a ir para lá sem qualquer duvidas ou hesitações e não se apressar no momento da aparatação, mas fazer isso deliberadamente, não lento ou rápido, mas constante. — Sra. Serafina explicou.
Harry acenou entendendo agora, não havia dúvida que a Sra. Serafina era uma professora muito boa.
Depois do almoço tardio Sra. Madaki reuniu os meninos no solar para cortar os cabelos, começando pelo Sr. Falc. Sua juba castanha escura ficou mais curta e perdeu um pouco de volume em cima e atrás, e ela usou uma navalha para cortar em baixo na nuca e laterais sem raspar. Harry se sentou por perto apenas para acompanhar o amigo e observar a habilidade da Sra. Madaki, sua tia as vezes cortava seus cabelos, mas nunca tão bem como a mulher de sotaque americano fazia.
— Porque está tão mal-humorado, achei que ficaria feliz em diminuir o volume do seu cabelo. Você está sempre perdendo um tempo longo tentando assentá-lo. — Perguntou Harry para o amigo.
— Bem, você está certo que eu tenho sempre que assentá-lo com a poção Sleekeazy e isso me toma um tempo. E quando minha avó corta meu cabelo e retira o volume, ele fica bom, mas não parece eu, sabe? — Disse Terry um pouco confuso e mal-humorado. — Eu gostava antes, mas agora, não sei.
Harry acenou entendo bem, sua tia quando o levava ao barbeiro sempre cortava seus cabelos bem curtos, mas quando voltavam para casa parecia que eles nem tinham sido cortados. Ele sempre sentira que não era certo não ter seus cabelos confusos para todos os lados, e desconfiava que sua magia cuidara de concertar o que o incomodava.
— Bem diga a ela então, tenho certeza que sua avó vai entender que você não quer muito curto. — Disse Harry o incentivando.
Nesse momento Sr. Falc se levantou muito elegante com os cabelos cortados mais curtos, ainda era cheio em cima, mas a juba grossa que Terry herdara estava sem todo o volume. O próximo foi Adam, que ao contrário de seu amigo herdara os cachos iguais ao da mãe e Ayana. Os cachos eram marrons e volumosos, lembrando a aparência de um anjo, seus olhos castanhos inocentes apenas confirmavam isso. Depois de mais vinte minutos o menino se levantou ainda com cachos, mas eles estavam mais curtos e menos cheios. Agora era a vez de Terry.
— Agora você Terry, curtos iguais ao do seu pai como sempre, querido? — Perguntou Sra. Madaki.
— Hum, não vovó, a senhora poderia cortar só em baixo e deixar em cima como está? — Terry perguntou hesitante.
Sra. Madaki pareceu surpresa e trocou um olhar com a filha que acenou sorrindo.
— Claro querido, acredito que sei como você quer, vou apenas dar forma em cima, deixar o volume e cortar bem curto nas laterais e na nuca. Ok? — Perguntou Sra. Madaki com seu jeito doce.
— Ok. — Concordou Terry e logo estava sentado para a avó fazer o corte pedido.
Dessa vez foi mais rápido, em 10 minutos Terry estava se olhando no espelho muito satisfeito, sua juba lisa e grossa tinha volume e um corte moderno que combinava com ele.
— Harry agora é sua vez, querido. — Disse Sra. Madaki sorrindo.
Harry arregalou os olhos surpreso e apavorado.
— Oh, não senhora, não precisa ter trabalho comigo. — Engolindo em seco continuou. — Meu cabelo sempre fica assim para todos os lados não adianta cortar.
— Tem certeza Harry? Porque acho que um corte mais curto domaria um pouco seu cabelo, ele é liso, nem grosso nem fino e muito volumoso, mas estranhamente ele vai para cima e não para baixo como seria o normal com o peso. — Sra. Serafina comentou se aproximando e passando a mão pelo seu cabelo suavemente e ignorando o movimento instintivo de se encolher do menino.
— Não funciona Sra. Serafina, minha tia sempre me leva para o barbeiro e manda ele cortar curto, mas quando chegamos em casa meu cabelo já voltou a crescer e ficar assim. Era como se não tivéssemos ido ao barbeiro. Eu não sabia por que acontecia, mas agora acho que como eu não gostava do corte minha magia concertava meu cabelo para mim. — Explicou Harry um pouco envergonhado.
— Ora, nunca ouvi de uma magia acidental relacionado a aparência. Deve estar ligado a magia de sua família, suponho, já que James também tinha o cabelo deste jeito e seu avô também, segundo meu sogro. — Contemporizou ela e depois analisou o seu rosto com atenção. — Hum, o que você acha mamãe, seu rosto é fino, mas ele tem a maçãs do rosto de Lily.
— Sim, mas seu rosto não é feminino, ele tem um queixo forte, um nariz masculino e o mais bonito são seus olhos claro, domina todo o rosto. Mas o cabelo carrega um pouco, se pudéssemos apenas tirar o cabelo da testa e deixa-la livre isso já ajudaria muito. O que você está pensando? — Perguntou Sra. Madaki também analisando Harry com atenção.
— Estou pensando que o Harry tem que gostar do corte, ou seja, sua aparência tem que melhorar, se não sua magia vai voltar o cabelo do jeito de sempre. E acho que essa bagunça para todos os lados não vai sair, parece ser uma característica magica familiar. Nem mesmo a poção Sleekeazy funcionou na quinta-feira. — Explicou Serafina pensativa. — Harry tem uma maneira que você gostaria do seu cabelo? Um corte que conheça?
— Não senhora, não conheço nenhum corte, mas não quero curto dos lados e na nuca como o do Terry, não fica bom. E muito curto em cima também não fica legal, fica espetado como espinhos. Raspar tudo também fica ruim, senhora. — Harry se apressou em contar humildemente, tentando não fugir de seja o lá o que elas estavam planejando fazer com seu cabelo.
— Hum, cortar dos lados com ele espetado assim lembraria falso moicano, até que ficaria bom com seu rosto fino, mas acredito que é um corte para alguém mais velho. Talvez daqui alguns anos ou quando você for adulto. — Disse Serafina resolutamente.
— Concordo, com esse rosto e olhos você vai fazer sucesso com a meninas daqui a alguns anos, querido. — Disse Sra. Madaki com um sorriso malicioso.
Harry corou e agradeceu que Terry foi tomar banho e não ouviu a conversa das duas sobre ele.
— Veja querida, como seu rosto bonito aparece mais se retiramos toda essa franja bagunçada de sua testa, acredito que se cortarmos apenas o suficiente para deixar sua testa livre e dar forma ao resto ficará muito bom. Que me diz? — Perguntou Sra. Madaki a filha.
— Hum, sim, podemos tentar. Se não ficar bom provavelmente daqui a pouco vai voltar a como está agora.
E logo depois Sra. Madaki molhou seu cabelo e penteou e cortou, foi bem delicada e gentil, mas Harry ficou de olhos fechados com medo de ver como ficaria no final. Quando ela finalmente parou Harry abriu os olhos e olhou para as duas. Sra. Madaki tinha um sorriso satisfeito e Sra. Serafina parecia surpresa.
— Você estava certa mamãe, só precisava deixar seu rosto livre de toda aquela franja bagunçada. Aqui Harry, olhe por si mesmo. — Disse ela lhe estendendo o espelho.
Harry pegou o espelho tremendo um pouco, mas quando se olhou percebeu que a mudança era mínima. Seu cabelo preto continuava cheio e bagunçado para todos os lados, apenas as laterais estavam mais curtas o que dava forma ao corte e sua cabeça. Mas a mudança mais significativa era a frente, cortada mais curta e jogada lateralmente a franja não cobria sua testa até quase os olhos e suas pontas não estavam espetada para frente e sim para o lado direito onde foi penteada e para cima. Na verdade, ficou muito bom, seu rosto estava mais claro, seus olhos menos encoberto e a caída natural da franja para o lado direito ainda escondia a cicatriz de raio.
— Ficou muito bom. Eu gostei do corte Sra. Madaki, Sra. Serafina, a senhora acredita que vai ficar assim? — Perguntou Harry sorrindo e ainda se olhando no espelho.
— Acredito que se você gostou, sim Harry. Nas outras vezes o corte não o agradou ou mesmo o constrangeu e, se estou certa de seu cabelo ser assim por uma questão de herança magica familiar, sua magia não permitiria uma mudança brusca que você não gostasse. — Explicou ela enquanto desaparecia os cabelos do chão do solar. A tarde caia e o vento lá fora prometia mais neve.
— Bem vou deixar vocês e ir preparar um já antes de partirmos, querida. — Disse Sra. Madaki guardando em uma bolsa vermelha os utensílios que usou na sessão de barbearia.
— Obrigada Sra. Madaki, eu gostei muito mesmo. — Disse Harry sorrindo.
— Não foi nada querido, deixe para me agradecer quando as meninas ficarem todas babando por você. — Disse ela piscando divertidamente e quando Harry corou, deu uma gargalhada que acompanhou sua saída do solar.
— Não fique com vergonha Harry, ela está apenas te provocando. — Disse Serafina rindo também.
— Eu sei senhora, é bom, apenas fico confuso, não entendo nada de meninas. — Disse Harry ainda mais vermelho.
— Bem, você tem 11 anos, eu acharia muito estranho você entender alguma coisa sobre meninas. E alguns garotos passam a vida sem entender, mas alguns tem sorte, encontram aquela que lhe encaixa tão bem que se acaba a confusão. — Vendo o olhar confuso dele, acrescentou. — Mas isso é uma conversa para outro momento, quando você e Terry entrarem na puberdade Falc vai ter uma conversa com vocês, e quando vocês estiverem fazendo mais do que notar as meninas eu terei uma conversa com vocês. Vamos?
Harry acenou concordando, não sabia o que eram as conversas, mas sabia que devia ser importante e ficava feliz de ser incluído.
— Sra. Serafina, poderia me explicar o que é essa tal de característica magica familiar que a senhora mencionou sobre meu cabelo? — Perguntou Harry curioso.
— Ah, sim Harry, pense sobre o que você sabe sobre a ciência trouxa. Genética. Sua herança genética lhe permite ter característica de seus antepassados, seus olhos de sua mãe, o queixo do seu avô, talvez as orelhas ou os joelhos de algum bisavô. Entende? — Serafina entrou no modo professora e quando Harry acenou continuou. — Bem nossa magia também está em nossos genes, também é uma característica genética. Ter magia nos faz um bruxo, depois usamos nosso cérebro para aprender e desenvolver nossas habilidades magicas, mas mesmo se nunca fossemos a uma escola magica ainda teríamos magia em nosso corpo, sangue, células. É por isso que nascidos trouxas existem...
— Nascidos trouxas? — Harry perguntou confuso.
— Sim querido, uma pena que essa informação não é mais ensinada em Hogwarts, fazia parte da aula de História da Magia, quando o professor contava a história de cada ser magico, não apenas dos goblins e suas guerras. — Exasperada Serafina deixou o solar em direção a biblioteca, lá foi até uma estante e pegou um livro. — Os nascidos trouxas não surgiram do nada Harry, as pesquisas dos curandeiros para entender por que eles existem mostrou que a herança genética ou como os bruxos chamam herança anatômica dos antepassados é a resposta. Este livro vai te explicar, leia e se tiver dúvidas venha me perguntar, é um livro sem censura. — Disse ela sorrindo, Terry lhe havia contado e ao pai o problema com livros censurados pelo Ministério, seu amigo não gostara de saber que eles já sabiam. — Bem, quanto ao seu cabelo, além da sua herança física, você possui uma herança magica e as vezes herdamos características magicas de nossos antepassados através dos genes mágicos. Pode ser uma habilidade muito complexa, como metamorfomagia que é a capacidade de mudar de forma, sexo e aparência a vontade. Ou algo mais estranho como falar com cobras, chamado de ofidioglossia. Acredito que a capacidade de manter seu cabelo da maneira que lhe agrada pode ser uma capacidade magica herdada que está na sua linha familiar. Faz sentido? — Encerrou ela quando caminhavam para a cozinha para o chá.
— Hum... sim entendi, mas teria sido mais interessante ser um metamorfomago. — Disse ele sorrindo tímido.
Serafina riu divertida.
— Seria, não é mesmo? Mas pense no que lhe falei antes, ter essa característica não quer dizer que ela não é mutável e passível de se tornar uma habilidade. Ou você acha que um talento não precisa de treino para evoluir? — Disse ela e piscou para ele conspiradora.
Harry parou um segundo na porta da cozinha tentando entender o que ela quis dizer e quando finalmente a lâmpada se acendeu, ofegou abismado e depois sorriu com olhos brilhantes. Tinha um novo projeto para trabalhar.
Depois do chá os Madaki se despediram, fazendo planos para se encontrarem na quarta-feira. Serafina ofereceu de leva-los por aparatação e deixar o carro no Chalé, já que as estradas estariam escorregadias e perigosas, mas nenhum dos dois quis saber de viagens magicas. Prometeram tomar cuidado e que ligariam assim que chegassem lá. O ligar era via rádio, a única forma de uma casa bruxa se comunicar com uma trouxa, sem se deslocar fisicamente. O rádio funcionava por bateria já que o Chalé não tinha eletricidade.
A viagem de uma hora e meia demorou duas, mas eles chegaram em segurança o que aliviou o clima tenso na casa e depois do jantar eles foram para a sala de estar e jogaram alguns jogos trouxas e mágicos. Foi uma noite tranquila e com muito riso.
O domingo amanheceu todo branco e com frio intenso. Enquanto tomavam café da manhã Sra. Serafina animadamente dizia que um Natal com neve tornaria tudo ainda melhor. Na parte da manhã Harry cumpriu sua promessa a Ayana e explicou seus insights quando fabricava porções. Mostrou a ela os erros cometidos pelo autor do livro que dizia e se contradizia a todo momento e, como quando uma poção não ficava perfeita, ele se concentrava em entender cada passo e o que deveria acontecer com a poção a cada acréscimo dos ingredientes e assim muitas vezes percebia que ela não ficara como devia porque faltou apenas um pouco de algum ingrediente ou o inverso.
— Por isso Herbologia é tão importante, entender a composição de cada planta pode parecer chato e cansativo, mas te ajuda a saber o que esperar dessa planta quando ela for um ingrediente em seu laboratório. Claro que nós utilizamos muitos outros ingredientes além das plantas, por isso seria bom se tivéssemos um guia que explicasse cada ingrediente, os de origem animal e mineral também. — Encerrou Harry.
Ayana o ouvira com atenção sem interrompe-lo com perguntas, imaginou se ela ficara entediada, mas era o oposto. Até mesmo Terry e Adam que estiveram desenhando e pintando do outro lado da mesa pararam o que faziam para ouvi-lo.
— Uau, eu entendi. Você entendeu Terry? — Perguntou Adam sorrindo.
— Sim, mas isso não quer dizer que eu consigo fazer tudo isso que ele falou, é mais do que preparação, atenção ou boa memória, é instinto também e isso o Harry tem de monte. — Disse Terry e não parecia chateado, e sim orgulhoso do amigo.
— Bem, eu também tenho bons instintos e espero ser tão boa em Poções como você Harry. — Disse Ayana o olhando com admiração.
— Ei, eu sou seu irmão aqui não se esqueça. — Disse Terry provocando com cara de magoado. Harry se preocupou por um minuto, mas viu o humor em seus olhos e relaxou.
— Ai, Terry deixa de ser bobo, você dá as melhores aulas de História, ninguém conta história como você. Cada um é bom em uma coisa e tudo bem. Além disso, eu posso ter dois irmãos mais velhos se eu quiser, não posso? — Disse Ayana desafiadoramente, caindo na provocação do irmão.
Harry arregalou os olhos e olhou para a menina, era possível que ela estava falando dele? Terry sorriu e olhando para o amigo acenou afirmativamente a sua pergunta silenciosa.
— Claro que você pode Ayana, e na minha opinião você não poderia ter escolhido um irmão melhor. — Disse Terry com sinceridade.
— Oh!... — Disse Adam, que desceu da sua cadeira e veio até a do Harry. — Você pode ser meu irmão mais velho também Harry? Eu sou um bom irmão mais novo não sou Terry? — Perguntou ele lançando um olhar implorante ao Terry para que este confirmasse sua afirmação.
— Claro que é Adam, o melhor irmão mais novo e a Ayana é a melhor irmã mais nova. — Terry estava solene agora, percebendo que o momento mudara para algo mais sério.
Harry não sabia o que fazer e olhou para os dois pares de olhos um castanho angelical e um azul sincero, engolindo em seco sentindo uma quentura no peito. Ele não sabia bem o que era essa quentura, era algo novo que vinha sentindo ultimamente, a primeira vez fora quando lera a declaração de amor de sua mãe. Mas era bom e Harry queria sentir isso sempre, então se levantou e ficou de frente as duas crianças.
— Vocês... vocês querem que eu seja seu irmão mais velho? De verdade? — Harry perguntou num sussurro, ainda confuso de porque eles o queriam.
— Claro que é de verdade bobo, por um acaso existe irmão de mentira. Achei que você fosse um Ravenclaw. — Apontou Ayana com sua sinceridade habitual.
Harry deu um sorriso aguado enquanto Terry bufava.
— Diz que sim Harry, seria tão legal se você também fosse nosso irmão. Prometo te fazer um desenho e te enviar quando você voltar para Hogwarts. — Disse Adam excitadamente.
Harry olhou para Terry e seu amigo sorriu e acenou o incentivando.
— Bem, eu... me sinto muito honrado e, se vocês me querem como seu outro irmão mais velho, eu aceito e prometo tentar ser tão bom quanto o Terry. — Harry prometeu com voz rouca, sua garganta estava meio embargada.
Então para seu completo espanto Adam pulou e levantou o punho em um gesto de vitória gritando um "Eba, temos outro irmão" e saltou para ele o abraçando fortemente, foi tão rápido e inesperado que Harry não teve tempo de se encolher ou se esquivar. Adam o abraçou pela cintura colocando a cabeça em seu peito e a Harry só restou ficar paralisado por um momento, pois nunca antes fora abraçado e não sabia o que fazer, mas antes que ele pudesse entender, Ayana o abraçou também e ao irmão em outro aperto de morte. Meio ofegante e chocado Harry tentou compreender o que sentia com as duas crianças o abraçando e percebeu que a quentura em seu peito aumentara, parecia que ia explodir e ele não se lembrava de sentir algo tão intensamente, e nem podia nomear o que era exatamente, mas era tão bom. Sua garganta se fechou de vez e ele não poderia falar nada mesmo se quisesse, olhando para Terry viu seu amigo o olhar confuso, como se não entendesse porque ele só ficava parado lá e não fazia ou dizia nada. Harry arregalou os olhos e tentou expressar que não sabia o que fazer, Terry arregalou os olhos também entendendo e gesticulou com os braços mostrando o que fazer, Harry viu o gesto e percebeu que devia abraçar de volta. Ele nunca fora abraçado e também nunca abraçara alguém, hesitantemente, levantou os braços e passou em volta das duas crianças carinhosamente, era bom, abraçar era tão bom quanto ser abraçado, pensou, e fechou os olhos sentindo a quentura em seu peito percorre-lo todo. Era muito bom.
Terry se aproximou e os abraçou também com menos força e por menos tempo. Depois se afastou e isso pareceu ser a deixa para os pequenos se afastarem também. Ayana sorrindo olhou para o novo irmão, mas logo ficou séria.
— Porque você está chorando Harry? — Disse ela e carinhosamente passou a mão pelo seu rosto limpando as lagrimas.
— Oh! — Envergonhado Harry limpou as lagrimas do rosto e fungou, nem percebera que estava chorando. — Eu não sei, só me senti bem aqui. — Disse ele apontando para o peito. — E me deu vontade de chorar, mas não estou triste. — Assegurou ele.
— Achei que só choramos quando estamos tristes ou com dor. O que você sentiu? — Adam quase sempre discreto foi o que fez a pergunta.
— Eu... eu não sei exatamente, é como uma quentura no peito e se espalha pelo corpo todo e você se sente feliz e bem, e eu nunca senti antes, mas é muito bom. — Explicou Harry levemente confuso e envergonhado.
— Eu sinto essa quentura boa sempre que a mamãe ou papai me abraçam forte, ou os avós e o Terry e o Adam. E eu já chorei quando fiquei feliz, lembra Terry, quando a mamãe comprou o Kalil? Eu fiquei tão feliz que chorei. — Disse Ayana como se explicasse tudo o que havia para explicar.
Kalil que estava na biblioteca ao ouvir seu nome levantou as orelhas e moveu o rabo em animação. Nesse momento um grito veio da sala de estar.
— Crianças! Vovô e vovó chegaram! — Exclamou Sra. Serafina e os dois pequenos deixaram a biblioteca correndo.
Harry ficou parado por um momento com Terry ao seu lado.
— Foi seu primeiro abraço? — Perguntou ele em um sussurro suave, como se fosse um segredo. Harry apenas acenou sem olha-lo. — Acredito que essa quentura em seu peito Harry poder ser o começo de um sentimento muito bom.
— Qual? — Harry perguntou no mesmo tom sussurrante e no seu caso roucamente.
— Amor. Amar alguém e se sentir amado faz a gente se sentir todo quente e bem, seguro e certo. Você já sentiu isso? — Terry continuou a não olhar para o amigo, apenas para frente na direção da porta onde os irmãos saíram.
— Uma vez quando li as cartas da minha mãe. Foi como... se o amor dela me fizesse mais forte, melhor e certo e mesmo sem ela me senti feliz e triste, mas também senti uma quentura em meu peito, eu não sabia o que era. Você acha que é meu amor por ela? E o meu pai? — Perguntou Harry sentindo seu estomago se contorcer.
— Acho sim. — Disse Terry suavemente.
E assim simplesmente sem mais nada a acrescentar, pois tudo fora dito, eles deixaram a biblioteca e foram para a sala de estar.
Sra. Honora estava lá com uma caixa cheia de copias de fotos de seus avós. Seu avô, como dito anteriormente, era quase uma imagem cuspida do seu pai e dele. Parecia mesmo um rei, alto de ombros largos, rosto bonito e olhos inteligentes e sérios. Sua avó era uma mulher de estatura mediana, com cabelos ruivos brilhantes e cacheados. Seus olhos de whisky com um toque de verde tinham tanta alegria e malicia, que você poderia imaginar ao olhar a foto em movimento, sua mente pensando em algo brincalhão ou planejando algum mal feito. Harry mergulhou na nostalgia das histórias depois do saboroso almoço, e se deixou sentir aquela quentura especial em seu peito a cada foto e conto. Percebendo que naquele momento ele estava aprendendo o que nunca antes tivera a oportunidade, a amar seus avós.
Quando a Sra. Honora se cansou e precisou voltar para a Abadia descansar, Harry subiu ao seu quarto para guardar as fotos. Entre suas compras no dia anterior ele comprara um álbum de fotos, era magico, protegia suas fotos e você tinha que as colar por magia. Além disso sempre que chegava a última página uma nova aparecia, mas ele continuava fino e leve. Era brilhante e custara caro, mas Harry não se importara. Ele passou quase uma hora colando as fotos de sua família, incluindo as que Sra. Serafina lhe enviara a alguns meses.
Durante o jantar Harry ficou mais silencioso que o normal, mas ninguém achou estranho depois da tarde com tantas emoções. Finalmente Ayana quebrou sua distração lhe fazendo uma pergunta direta.
— Desculpa Ayana, eu não entendi. — Disse Harry um pouco confuso pelo silencio estranho na mesa.
A menina suspirou exasperada não acostumada a ser ignorada.
— Perguntei se agora que você é nosso irmão vai vir morar conosco aqui no Chalé? — Perguntou ela do seu jeito inquisitivo.
— Irmão? — Sra. Serafina perguntou suavemente, Sr. Falc também parara de comer e os observava com atenção.
— Sim, eu pedi para o Harry ser meu irmão mais velho e ele aceitou, agora ele tem que viver aqui no Chalé porque irmãos vivem juntos. — Disse ela como se fosse simples e obvio.
— Eu também mamãe, eu também, Harry também concordou em ser meu irmão mais velho. Eu até prometi fazer um desenho e mandar para ele na escola. — Disse Adam sorrindo docemente.
Harry corou fortemente sentindo seu estomago se apertar.
— Agora temos dois irmãos mais velhos, não vejo a hora de contar para minhas amigas na escola. Harry vai morar conosco, não vai mamãe, papai? — Perguntou Ayana pulando em sua cadeira animada.
O silencio se estendeu por alguns segundos mais antes de Harry conseguir falar.
— Eu... Ayana eu quero se seu irmão mais velho, mas eu não posso viver aqui...
— Porque? Irmãos vivem juntos. — Disse ela fazendo um bico magoado. Adam acenou concordando com a irmã, seus olhos castanhos confusos.
— Querida, não é algo tão simples assim. Não é o mesmo de quando você quer um brinquedo, vai na loja e traz para casa. Harry é uma pessoa e não um brinquedo para você ter e exibir para suas amigas. Entende? — Sra. Serafina falou com dureza.
Ayana corou e acenou parecendo envergonhada. Adam também acenou, olhando para a mãe de olhos arregalados, ela raramente falava nesse tom.
— E, além do que o Harry quer, existe uma questão legal. Legalmente ele é obrigado a viver com seus tios e tira-lo deles seria considerado um crime. Vocês compreendem isso? — Sr. Falc falou mais gentil. Todos acenaram, mesmo Terry e Harry.
— Diante disso estamos muito felizes do Harry querer ser seu irmão mais velho. E adoraríamos que ele vivesse aqui conosco. — Sra. Serafina falava para os filhos, mas antes de continuar olhou para Harry. — Nosso primeiro instinto ao saber como é sua vida com seus parentes foi lhe trazer para viver conosco e isso foi antes da nossa conversa na sexta-feira. Mas queríamos saber se você quer isso, antes de agirmos legalmente. — Disse ela olhando-o seria e carinhosamente.
— Vocês querem que eu viva aqui? Com vocês? — Harry estava abismado, seus olhos arregalados.
— Sim Harry, como Serafina disse, nós já queríamos isso antes de sexta. Estávamos apenas esperando o momento certo para te perguntar se você gostaria que tentássemos sua guarda legalmente. — Explicou o Sr. Falc objetivamente. — Não farei promessas Harry, você sabe o que enfrentaremos e enquanto pretendo lutar com tudo o que temos não posso lhe garantir que ganharemos. Mas se você quiser sair de lá vamos tentar sua guarda e lhe dar um lar de verdade.
— Mas antes de responder quero que saiba que não estamos tentando ocupar o lugar dos seus pais, apenas cuidar de você já que eles não podem estar aqui para fazer isso. — Sra. Serafina o olhou com emoção e sinceridade. — Você gostaria disso Harry?
Harry não soube o que responder por um instante, estava confuso, chocado e muito perto de despejar toda a emoção do dia em um pranto constrangedor. Olhando para Terry viu em seus olhos a esperança pela resposta dele, isso era importante, ter certeza que seu amigo não se ressentia dos planos dos seus pais de Harry viver no Chalé.
A ideia de deixar os Dursley, era só... tão incrível como se descobrir um bruxo, ainda que ficasse atrás de saber do amor de seus pais por ele. Mas Harry não era tolo, o aviso do Sr. Falc era bem claro e ele era inteligente, ou pessimista, o suficiente para saber que isso não aconteceria realmente. Dumbledore não teve tanto trabalho para esconde-lo no mundo trouxa, para deixar Harry viver com uma família bruxa agora, ainda que o porquê fosse um mistério, os fatos eram fatos. Mas ainda, ter essa incrível família querendo ele, se preocupando com ele, verdadeiramente, não apenas com palavras, mas com ações, Harry não poderia ter ganhado um primeiro presente de Natal mais especial.
— Eu gostaria disso. — Harry disse simplesmente, sua voz estava embargada e todos entenderam sua emoção.
Os adultos apenas acenaram enquanto Ayana batia palmas animada, Terry jogou os braços para cima e deu um grito de vitória como se comemorasse um gol e Adam desceu e deu a volta correndo na mesa e abraçou Harry que dessa vez estava um pouco mais preparado e sabendo o que devia fazer o abraçou de volta, ainda era estranho, mas muito bom.
Depois que Ayana e Adam foram dormir eles se reuniram na biblioteca para a tão esperada conversa sobre as aulas de Poções. Terry e ele haviam decidido explicar tudo o que acontecera durante o ano, com exceção dos conflitos com Hermione e claro sobre o Cerberus e o que ele estava protegendo. O raciocínio era de que eles não poderiam fazer nada para mudar isso e que só serviria para preocupa-los o resto do ano. Terry não queria isso.
— Bem, você disse que queria nos explicar suas notas em Poções praticas que não condiz com suas notas teóricas. — Começou Serafina depois que eles se sentaram na saleta da biblioteca.
— E disse que queria explicar para nós dois. Pelo que sua mãe me contou de suas notas, você tem se saído muito bem, Terry. Com alguns pontos que precisam de trabalho para melhorar. — Sr. Falc sorriu orgulhoso.
— Sim papai, preciso me dedicar mais aos assuntos difíceis ou que me interessam menos e de mais confiança. Mas Poções eu acredito que exige um pouco mais de explicação porque abrange mais do apenas a sala de aula. — Terry começou a explicar e trocando um olhar com o Harry que o incentivou, continuou. — Houve algumas mudanças em Hogwarts este ano e tudo começa com isso aqui. — Disse ele pegando um pequeno frasco do bolso e mostrando aos pais.
Os dois olharam surpresos para o frasco que tinha um substancia brilhante se movendo e depois encararam o filho.
— Isso é uma lembrança? — Sr. Falc perguntou confuso.
— Sim, papai, você tem uma penseira no escritório, será que poderia ir buscar? É muito importante e mais fácil de explicar tudo se vocês virem isso antes. — Terry pediu seriamente.
Falc e Serafina estavam confusos, mas muito curiosos.
— Claro, vou por flu, volto em um instante. — Concordou Sr. Falc e rapidamente saiu da biblioteca. O flu ficava na sala de estar.
— Querido, essa lembrança é sua? Quem fez a cópia? — Perguntou Sra. Serafina preocupada, enquanto seu marido saia.
— Prof. Flitwick, mamãe, ele precisou tirar uma cópia e depois me deu uma cópia da lembrança. — Explicou Terry e sua mãe acenou.
Eles esperaram em silencio até o Sr. Falc voltar carregando uma bacia grande de pedra cheia de runas gravadas em suas laterais.
— Eu uso muito no trabalho, muitas vezes é a melhor maneira de defender alguém ou provar algo. — Explicou Sr. Falc enquanto a colocava sobra a mesa redonda de madeira.
— Como funciona? — Harry perguntou se aproximando curioso.
— Ela contém uma poção especial e runas especificas e complexas. Isso nos permite acessar a lembrança e assisti-la pessoalmente, fisicamente. — Explicou Serafina se aproximando também. — Confesso que estava curiosa e agora estou preocupada, parece ser algo muito sério.
— Sim senhora, é muito sério, e mais uma razão para que Terry e eu não confiemos em Dumbledore. Concordo com a senhora em não tirar conclusões precipitadas e talvez os motivos das ações do diretor não sejam ruins, mas isso não o torna menos responsável por essas ações. — Harry disse firmemente.
Os adultos voltaram a se olhar preocupado.
— Ok, vamos ver isso então, Terry pode colocar a lembrança. Vocês querem vir conosco? — Perguntou Sr. Falc.
— Ir? — Harry perguntou confuso.
— Não pai, eu me lembro em detalhes dessa lembrança e duvido que o Harry tenha vontade de viver isso de novo. — Disse Terry enquanto despejava o conteúdo do frasco na bacia de pedra.
Harry observou a poção mudar, se tornar mais brilhante e imagens da sua primeira aula de Poções começaram a flutuar nela. E ainda mais surpreso ele ficou quando Sr. Falc tocou na poção com a cabeça e desapareceu puxado para dentro como em um mergulho que, obviamente, deveria ser impossível.
— Uau! — Disse Harry chocado e dando um salto para traz.
Sra. Serafina apenas sorriu e também tocou a poção com a cabeça desaparecendo na bacia.
— Eu sei, legal, não é? Uma invenção da família Peverell. Eles estavam sempre criando objetos mágicos poderosos segundo se conta na História. — Explicou Terry e foi se sentar em uma poltrona para esperar os pais.
— Os Peverell? Como em meus antepassados? — Harry perguntou ainda olhando para a bacia de pedra.
— Sim, o sobrenome da família morreu, mas a linha feminina continua por aí, você é apenas uma delas com certeza. — Disse Terry. — É melhor você se sentar, vai demorar um pouco.
— Eles estão assistindo como se estivessem em um cinema ou algo assim? — Perguntou Harry curioso vindo se sentar no sofá de couro.
— Não exatamente, eles não estão assistindo a lembrança apenas, eles estão na lembrança. Eles literalmente, caíram na sala do Snape e estão vendo tudo o que aconteceu do meu ponto de vista. Foi uma aula de duas horas, então, a menos que acelerem a lembrança quando nada estiver acontecendo, só sairão daqui umas duas horas. — Ofereceu Terry.
Harry acenou e decidiu esperar fazendo algo útil e foi buscar o livro que a Sra. Serafina lhe emprestara sobre a origem dos nascidos trouxas. Quando voltou Terry também pegara um livro de ficção.
— Ainda não acredito que meus pais sabiam sobre a censura do Ministério e não me contaram. — Disse Terry contrariado, olhando para o livro nas mãos do amigo.
— Acredito que eles querem te proteger, mesmo sem saber disso você começou uma rebelião dos nascidos trouxas e mestiços em Hogwarts. Se você aparecesse lá com livros que não estão em nossa lista de materiais e falando sobre o Ministério e sua censura, isso poderia chamar muita atenção. Além disso eles não censuram o que eles te ensinam. — Argumentou Harry sensato.
— Sim, eu sei, mas... espera, eu comecei um movimento rebelde? Eu apenas lhe contei os fatos, foi você que decidiu compartilhar e planejar uma rebelião silenciosa. — Disse Terry surpreso.
— Hum, tem certeza? Achei que o líder da rebelião fosse você. — Provocou Harry ainda olhando o sumario do livro.
— Eu não sou... — Terry estava desconcertado e sem palavras. — Pois eu me lembro bem que foi você que marcou os encontros no Covil e contou a todos sobre tudo, eu apenas dei os fatos históricos. — Disse ele resoluto.
— Sim, eu me lembro disso também. — Disse Harry tranquilamente. Depois lançou ao amigo um olhar sarcástico. — E isso faz de nós o que?
— Isso nos faz... — Parou e arregalou os olhos castanhos parecendo estupefato. — Merlin me salve, nós somos líderes de uma rebelião!
— Sim, uma rebelião silenciosa como você disse, mas ainda uma rebelião. — Disse Harry divertido.
Terry o olhou como se Harry tivesse perdido o juízo por falar tão calmamente sobre isso, tentou falar, mas apenas um som engasgado saiu e Harry não se aguentou, era muito raro ver o amigo sem palavras, assim só lhe restou rir e logo seu riso era uma gargalhada e Terry logo o acompanhou, tentando se ajustar ao fato absurdo que dois garotos de 11 anos realmente deram início a um movimento rebelde.
Depois de rirem até estarem com dor de estômago, eles decidiram, ao em vez de continuar a ler, ir para a cozinha fazer um chocolate e um queijos grelhados, Harry pacientemente ensinou seu amigo a fazer os dois. Terry ajudava a mãe na cozinha, mas nunca usara o fogão e muito menos fizera algo por si mesmo, quando terminaram levaram uma bandeja para a biblioteca, os dois esperavam que um lanche os acalmasse quando saíssem da penseira.
Foi mais meia hora, totalizando 2 horas, antes dos Boots finalmente saltarem para fora da bacia e se segurarem na mesa para se equilibrarem. Incrivelmente eles estavam calmos, apesar de pálidos, o que surpreendeu Terry que esperava ver os pais gritando loucos de raiva.
— Hum, tudo certo? Eu esperava ver um pouco mais de raiva, sabe. — Disse Terry tentando manter o clima leve.
— Nós descarregamos nossa raiva lá dentro para não os assustar e também para não perdermos tempo. Agora só estamos muito chocados. — Disse Sr. Falc sentando-se ao lado do filho na mesa.
— E muito triste. Como professora, que ama ensinar, me sinto absolutamente arrasada em ver uma aula dada de maneira tão... Não sei se há palavras, apenas foi o pior que eu já vi de um professor. Severus Snape pelo meu conhecimento é um Mestre de Poções e fora a parte seu comportamento com você Harry, seu "método" de ensino é abismal. — Sra. Serafina disse e obviamente estava muito triste e indignada.
— Sim, mas o comportamento desse sujeito com os alunos, principalmente o Harry, é criminoso. Ele deveria no mínimo ser demitido ou talvez processado. — Sr. Falc pareceu lutar para se manter calmo.
— Eu e Terry fizemos algum chocolate quente e queijos grelhados, vamos comer e então podemos contar o que aconteceu depois dessa aula. — Disse Harry servindo o chocolate mantido quente por magia em quatro xícaras.
— Bem, eu espero que esse homem horrível tenha sido demitido. Como Falc disse, é o mínimo de deveria acontecer. — Disse Sra. Serafina distribuído os sanduiches e as xícaras cheias.
— E, é aí mamãe que tudo fica muito complicado. Snape não foi demitido, na verdade tudo começa bem antes de nossa primeira aula... — A explicação era longa, mas entre Terry e Harry e muita paciência por parte dos adultos tudo foi explicado. A ligação de Snape com os Potters, que era o motivo de seu ódio para com Harry. O fato dele ser um ex-comensal da morte, o que quase fez o Sr. Falc abandonar de vez qualquer tentativa de se manter calmo. Suas péssimas aulas nos últimos 9 anos e como os Ravenclaws se utilizaram do laboratório da torre para não deixarem de aprender. A inúmeras tentativas de demiti-lo ou ao menos conter seu comportamento injusto e melhorar suas aulas, que nunca deram em nada. E finalmente as ameaças de Flitwick de ir ao jornal, Conselho de Governadores e ao Departamento de Educação no Ministério com a memória da aula e testemunhas, o que finalmente deu a alavancagem necessária para mudanças.
— E, sinceramente, eu não sei se sem as ameaças e o fato do "Harry Potter" estar envolvido, algo teria mudado mesmo depois do ataque absurdo daquele dia. — Terry afirmou. — Dumbledore se recusou a considerar demiti-lo e acabou por concordar com as mudanças.
Terry então explicou as mudanças ocorridas na escola, na aula de Poções, na avalição e testes e nas questões disciplinares, tomada de pontos e detenções. E o mais importante o juramento magico que Snape fez para não atacar Harry verbal ou fisicamente.
— Infelizmente as aulas não ficaram melhores para o resto de nós ou mesmo para o Harry. Nas outras aulas ele continua tão ruim como vocês viram na lembrança, critico, grosseiro, impaciente. Nas nossas aulas temos "sorte", ele nos ignora completamente e passa as duas horas de aulas encarando o Harry e assim, literalmente, não temos um professor. Ele não nos explica ou ensina nada, não verifica o que fazemos, nos corrige e claro ninguém tem coragem de perguntar ou tirar dúvidas. — Explicou Terry. — Nós Ravens temos o laboratório para treinar antes e depois das aulas, mas os Hufflepuffs não têm esse privilégio e estão se esforçando em uma aula difícil sem orientação nenhuma.
— O que quer dizer encarando o Harry? — Perguntou Sra. Serafina estupefata com a situação de Hogwarts.
Harry rapidamente explicou o que aconteceu todo o semestre depois da primeira aula.
— No começo foi difícil, mas agora já estou acostumado, consigo me concentrar totalmente na poção e treinando antes, bem, essa é uma grande vantagem, acho que se tivesse em outra casa poderia ser o pior nessa aula. — Harry explicou dando de ombros.
— Ainda assim, mesmo sem ser uma agressão, ou ofensa, a maneira como ele age com você Harry é absolutamente chocante. E como ele não se preocupa em ensinar os outros alunos. E sem contar o fato que ele trata mal todos os alunos de todos os anos em todas as aulas e não é impedido pelo diretor mesmo quando reclamações são feitas, provas são mostradas. — Sr. Falc estava tão chocado que estava tendo dificuldade de compreender a grandiosidade do que era permitido acontecer em uma escola, dirigida por um bruxo considerado o maior do mundo magico.
— Os Slytherins ele não trata mal, apenas as outras casas. — Disse Harry tentando ser justo.
— Harry, não importa que seu ataque seja apenas para os alunos das outras três casas, Snape também prejudica sua casa ao agir assim. Sua hostilidade, injustiça e rancor se reflete nos Slytherins que acabam sofrendo a hostilidade e desconfiança de volta dos outros alunos. A casa das cobras já sofre por ter muitos puristas e por ser a casa de você-sabe-quem, com sua atitude esse homem apenas colabora para que essa reputação injusta continue. — Disse Sra. Serafina com veemência. — Nem todos os Slytherins são maus e infelizmente esse homem rancoroso e amargo está representando essa casa diante de todos os alunos de Hogwarts e fazendo isso pessimamente.
— Tivemos que aceitar como Flitwick disse que vencemos essa batalha, mas que ainda estamos em guerra. E claro não fazemos ideia do porquê Snape tem que trabalhar em Hogwarts, porque ele tem tanta liberdade para agir como age e ainda ser um péssimo professor. — Terry disse tentando voltar ao ponto. — Mesmo que ele tenha sido um espião como dito por Dumbledore e esteja sendo recompensado, bem isso faz tanto sentindo quanto dar se um soco no nariz. — Sua ironia não alcançou seu pais que permaneceram sombrios.
— A verdade é que Harry estava certo mais cedo, não temos os porquês, se existe algum plano ou é apenas negligencia, desatenção ou senilidade, mas isso não muda o fato de que essas ações de Dumbledore são suas responsabilidades. Não podemos continuar a fingir que está tudo bem, que o que ele fez com Harry e também com os alunos de Hogwarts não é errado e vergonhoso. — Disse Sra. Serafina muito chateada.
— Você está certa querida, e quando eu contar ao meu pai sobre isso ele ficará ainda mais furioso. Depois da nossa reunião sexta-feira sua vontade era ir falar pessoalmente com o diretor. Ele tem certeza que foi mais do que desatenção o que aconteceu com Harry e a presença deste homem em Hogwarts, vai apenas confirmar suas desconfianças. — Disse Sr. Falc exasperado.
— Tem algo que possa ser feito papai? Talvez se os pais se unissem e protestassem, para tirar Snape e trazer um novo professor? — Perguntou Terry esperançoso.
— Não tenha dúvidas de que tentaremos, assim como vamos lutar pela guarda de Harry. — Sr. Falc suspirou. — Nunca pensei que chegaria um momento em que estaria me preparando em ir para a guerra com Albus Dumbledore.
— Nós não conhecemos seu motivos e intenções, mas penso que já passamos da fase de acreditar que é tudo coincidência. O diretor pode não ser mal ou um inimigo, mas me parece que estamos em lados opostos e não podemos confiar nele. — Acrescentou Sra. Serafina angustiada.
— Mamãe, papai temos outra coisa para contar a vocês. — Disse Terry engolindo em seco, ele olhou para Harry que devolveu o olhar um pouco confuso por sua ansiedade.
— O que mais? Por Merlin, Deus e todos os anjos, não sei se aguento mais nada hoje. — Disse Sra. Serafina jogando os braços para cima agitada.
— O que é, filho? — Sr. Falc perguntou preocupado.
— Bem, é que... Harry e eu começamos uma rebelião.
