NA: Olá, esse foi um capítulo importante, difícil, mas necessário. Espero que gostem e qualquer revisão é apreciada.
Capítulo 22
Harry descobriu que na verdade mesmo o Sr. Falc não tinha total certeza do que precisava ser feito.
— Mas meu pai sabe Harry, ontem mesmo já queria começar a pesquisar os procedimentos, vou trabalhar com ele e descobrir em detalhes cada passo necessário para que seu padrinho saia de Azkaban. — Sr. Falc prometeu solenemente. — Eu só posso me desculpar com você, eu acredito, defendo, trabalho e vivo para e com a justiça. Essa violação desumana da justiça é um crime e deve envergonhar a todos, mas para mim e para qualquer outro advogado é como se alguém jogasse no esgoto tudo que defendemos, tudo pelo que vivemos.
Harry não sabia o que dizer, podia ver que ele estava sinceramente envergonhado, mesmo que não tenha nada a ver com o que aconteceu, sua angustia merecia uma resposta e Harry decidiu ser sincero.
— Eu o desculpo Sr. Falc e espero que juntos possamos redimir a justiça que o senhor defende com a libertação do meu padrinho e a punição dos responsáveis. — Disse Harry e sua voz ainda estava dura e fria.
Depois disso as crianças apareceram e eles tomaram o café da manhã, todos tentaram disfarçar o clima tenso, mas o abatimento do Sr. Falc era fragrante. Harry já lera sobre a viagem de flu no livro que ganhara no Natal, assim quando eles foram para a Abadia pelo flu, não se sentiu tão perdido.
— Lembre-se Harry, diga a palavra corretamente e feche a boca depois para não se engasgar com a fuligem. — Sra. Serafina disse pela última vez, todos já partiram, faltava apenas os dois e Harry iria primeiro.
Entrando no fogo verde morno Harry disse firmemente:
— A Abadia Boot!
E fechou a boca, na hora certa, porque em seguida ele se afundou na lareira e a fuligem veio ao seu rosto, como a viagem não era longa a desorientação durou pouco e nem pensou em fechar os olhos antes de sair para fora da lareira em uma grande sala de chão de pedra. Levemente desequilibrado se segurou no braço estendido do Sr. Falc e se firmou saindo do caminho para a Sra. Serafina que devia estar vindo logo atrás.
— Muito bem feito para uma primeira viagem, Harry. Fazer viagens curtas no começo é o melhor, quando estiver mais acostumado não vai mais se sentir desorientado e saíra da lareira sem se desequilibrar. — Sr. Falc disse, sorrindo.
Enquanto ele falava Sra. Serafina saiu da lareira caminhando elegantemente como se caminhasse por uma porta, usou sua varinha para limpar ela e Harry da fuligem e depois foi cumprimentar os sogros. Harry também os cumprimentou educadamente, Sra. Honora se lembrava dele e parecia feliz em vê-lo, ela queria mostrar a Abadia e os jardins, seu grande orgulho, ficando um pouco chocada com toda a neve que os cobria.
— Oh, querido, você deve vir no verão, então poderá ver. — Disse ela e Harry concordou com um sorriso.
Harry esperava que a Abadia lembrasse uma igreja, mas apesar dos tetos altos e janelas estreitas, o chão e paredes de pedras lhe lembrava mais um castelo e, a decoração simples, confortável e não luxuosa que se espera em um castelo, o vazia parecer um lar. Isso não o surpreendeu, apesar de não conhecer bem Sra. Honora ou mesmo o resto dos Boots, já notara que eles não eram de luxos e exibições de dinheiro. Gostavam de uma vida simples, envolvida no trabalho e família.
Harry se esforçou para tentar ter um dia normal, apesar de sentir se meio paralisado, era como se agora que sabia a verdade, ela por si mesma deveria lhe trazer as respostas e que deveria tudo se resolver. Como, pensou, poderia continuar vivendo, comendo, rindo quando seu padrinho estava a 10 anos presos em uma cela com monstros como carcereiros. Quando ele e Sr. Boot se retiraram para conversar depois do almoço em uma biblioteca ainda maior que a do Chalé, Harry tentou explicar como se sentia.
— Eu entendo esse sentimento Harry, quando minha Carole foi assassinada, parecia que o mundo acabara, se paralisara, eu olhava em volta e via tudo ainda se movendo e me perguntava como é possível? — Sr. Boot sussurrou tristemente. — Para mim parecia que toda a vida do mundo deveria ser interrompida, porque como um mundo e vida poderia existir sem minha filha. Mas então um dia passa e outro e mais outro, quando você vê está vivendo de novo, a dias em que você só respira e dias em que você pode sorrir e ser um pouco feliz.
— O senhor se sentiu culpado Sr. Boot? — Perguntou Harry, era o pior sentimento que vinha sentido, culpa por reclamar de sua vida nos Dursley quando Sirius estava muito pior.
— Ah, sim, lembro a primeira vez que sorri, ou mesmo a primeira vez que saciei minha fome, que apreciei o calor do sol. Sim, me senti culpado Harry, mas a verdade é que não é nossa culpa e por mais que doa e seja difícil, não podemos deixar de viver, ao contrário, temos que tentar encontrar um sentido para nossa vida e valorizar cada momento, em homenagens aos que se foram, ou no caso de Black, que não podem ter uma vida livre. — Sr. Boot suspirou. — Mas prometo a você Harry, nem que seja a última coisa que eu faça em minha vida, vou tirar seu padrinho daquele lugar e traze-lo para você.
Sua promessa era tão convicta e sincera que Harry não duvidou nem por um segundo. Depois disso eles começaram a discutir o livro de seu avô.
— Você precisa entender Harry, os Potters, em sua maioria não se interessavam por fama ou poder, assim nunca reivindicaram um maior status no mundo magico. E cada membro da família sempre trabalhou no que quis, você leu o livro, ouve curandeiros, fabricantes de poções, jogador de quadribol, políticos e muito aurores. Os Boots sempre se envolveram com a lei, não por obrigação familiar, mas sim por amor a justiça, mas com os Potters não era assim. — Sr. Boot explicou. — Se avô não era diferente e quando o livro sobre os sagrados 28 saiu, nem ele e nem o pai dele piscaram, pois, os Potters não estar no livro foi apenas porque o autor levava em conta famílias antigas purista, o que claro sua família nunca foi.
— Nunca Sr. Boot? Nunca houve pessoas más na minha família? — Perguntou Harry curioso. O livro só seguia sua linha, desde Linfred, assim não podia saber dos outros.
— Más? Bem, primeiro, não há como saber de todos, existe apenas uma linha Potter que vem até você, qualquer linha feminina se perdeu ao longo do tempo. — Sr. Boot gesticulou com as mãos. — Segundo, o mundo não é dividido entre pessoas boas e más Harry, como estamos vendo com Dumbledore, muitas vezes as pessoas ficam no meio, ou fazem coisas erradas com boas intenções, não que se justifique.
Harry acenou entendendo, ainda que concordasse com o Sr. Boot, boas intenções não eram justificativas para fazer coisas más.
"No caso de sua família, o temperamento e a luta por justiça muitas vezes levou a explosões e duelos violentos. E teve aqueles que se envolveram com política e esse mundo é uma constante luta por poder, mas nunca houve, de meu conhecimento e de seu avô, algum assassino, alguém cruel ou mesmo um purista. "
— Se meu avô não se importou com nosso nome não estar no livro dos sagrados 28, Sr. Boot, o que o fez decidir escrever este livro? — Perguntou Harry tomando um gole do seu chá.
Sr. Boot suspirou, e também bebeu se chá calmamente, pensando.
— Eu nunca lhe perguntei isso, mas acredito por nossas conversas que foi a mortalidade que o motivou Harry. — Sr. Boot ao ver seu rosto surpreso, sorriu. — No livro seu avô não fala muito de si, apenas de seu encontro com sua avó, seu amor por ela, seu trabalho em administrar os negócios da família e seu amor pela pesquisa e fabricação de poções. Mas você viu sua data de nascimento, Fleamont nasceu no fim do século passado, se estivesse vivo, estaria chegando aos 100 anos. Durante a guerra com Grindelwald seu avô lutou ferozmente e acabou machucado, nada grave, mas como já estava com mais de 50 anos e, sem um herdeiro, isso o assustou. Seus avós tinham por anos tentado e ainda tentavam ter filhos, mas acredito que, naquele momento, Fleamont realmente considerou a possibilidade de ser o último Potter. Muito abalado quando viu a impossibilidade de um futuro para a família, mergulhou no passado, tentando conhecer mais profundamente a história dos Potters e como eles construíram sua fortuna, sua reputação e ajudaram a construir o mundo magico como o conhecia. E quanto mais pesquisava, mais se orgulhava de seus antepassados e decidiu que se Deus não lhe permitisse deixar um filho, pelo menos poderia deixar a história dos Potters bem contada. Foi então que ele procurou a historiadora Batilda Bagshot e os dois pesquisaram mais a fundo e escreveram o livro. Seu avô o tratava como um projeto, ou um filho, enquanto o de verdade não chegava.
— Quantos anos eles tinham quando meu pai nasceu? — Perguntou Harry fascinado por tudo o que ouvia.
— Ah, seus avós estavam perto dos 70 anos e, na verdade, neste momento, já tinham desistido, mas então James veio. — Sr. Boot riu com a lembrança. — Nunca vi pais tão surpresos e apaixonados, mimaram e amaram ele até não poder mais. Nunca o deixavam muito longe e eram muito protetores, se James espirrava ficavam apavorados que ele adoecesse. Seu avô até vendeu a empresa de pesquisa de poções, que descobrira e vendia a poção de cabelo Sleekeazy que já lhe rendera uma fortuna, apenas para poder ficar com James enquanto o menino crescia.
— Poção Sleekeazy? Eu vi a Sra. Serafina usando, isso era da empresa do vovô? — Perguntou Harry chocado.
— Claro! Ninguém lhe disse nada? — Quando Harry negou Sr. Boot suspirou. — Foram tantos assuntos, imagino que meu filho ainda não tenha tido a oportunidade que conversar com você sobre os negócios de sua família. A Poção Sleekeazy foi invenção de seu avô, ele era um incrível fabricante de poções, mas gostava mais da pesquisa do que de ensinar e, enquanto pesquisava uma poção que controlasse seu cabelo inventou essa poção incrível, mas infelizmente, apesar de ter sido um sucesso e rendido uma fortuna, não funcionou no próprio cabelo ou no de James.
— No meu também não. — Disse Harry divertido.
Sr. Boot riu divertidamente.
— Imaginei assim. Bem, quando James nasceu Fleamont vendeu a empresa, aumentou o ouro no cofre da família, e apenas continuou a receber os Royalties pela invenção da poção, fato que acredito aconteça até hoje.
— Royalties? — Harry não sabia do que se tratava.
— Sim Harry, quando se inventa um produto, uma poção, por exemplo, você a registra como sua invenção, isso se chama patentear, assim apenas você pode comercializar esse produto, ninguém mais pode vende-lo, seria ilegal. Mas no caso do seu avô, quando decidiu vender a empresa, ele autorizou que o novo comprador comercializasse e lucrasse com a poção, desde que lhe pagasse Royalties que é uma quantia que paga por alguém ao proprietário pelo direito de usar, explorar ou comercializar um produto. — Sr. Boot explicou.
— Então, a patente do produto ainda é do vovô, outra pessoa vende a poção, mas paga uma espécie de aluguel para poder fazer isso? E porque continua pagando mesmo depois que o vovô se foi? — Harry estava fascinado com a ideia de que seu avô fora um inventor de poções.
— Exato, você entendeu bem e Royalties de patentes são vitalícios, assim quem explora o produto pagará pelo tempo em que comercializar a poção. — Explicou Sr. Boot. — Não se preocupe, antes de voltar para a escola, Falc vai se reunir com você e contar todos os detalhes de sua herança.
Harry concordou, era muito bom ter alguém para conversar e aprender, com seus tios quanto mais quieto ele ficava melhor e os professores estavam sempre ocupados. Lembrou-se que uma vez Terry lhe disse que aprendemos com as pessoas e com os livros, não pode concordar mais.
Eles conversaram um pouco mais e em seguida se uniram aos outros, Terry estava em uma disputa acirrada de xadrez com Adam, Ayana estava aprendendo tricotar com a Sra. Honora e Sra. Serafina lia um livro na sala de estar que, com a lareira ligada, estava aconchegante e quente. Sr. Falc não estava por perto, Sr. Boot foi busca-lo da biblioteca onde estava pesquisando sobre o caso de Sirius e insistiu que passasse um tempo com os filhos, afinal logo Terry e Harry estaria partindo. Contrariado Sr. Falc concordou e foi jogar xadrez com Terry e Adam e Sr. Boot com Harry.
Jogar xadrez com Sr. Boot era bem diferente, ele não apenas o ensinou o jogo e sim a pensar nos movimentos com antecedência, pelo meno passos e em mais de uma estratégia dependendo da ação do outro jogador. Harry se descobriu apaixonado pelo jogo, porque além das estratégias havia a leitura do rival e deduzir seus movimentos e estratégias. Quando a hora do jantar chegou descobrira um novo prazer.
Quando voltaram para o Chalé, Harry se surpreendeu por ter tido um bom dia, seu padrinho não deixou sua mente nem por um instante, mas ele conseguiu seguir o conselho do Sr. Boot, não poderia deixar de viver, por mais difícil que fosse. Estava em sua cama lendo um dos livros de Agatha Christie, Poirot era incrível, antes de dormir quando ouviu uma batida na porta.
— Entre. — Disse ainda achando estranho ter um quarto onde alguém batia na porta educadamente, tinha um em Hogwarts, mas era diferente.
Sra. Serafina entrou no quarto já pronta para dormir, sorrindo ao encontra-lo lendo se sentou na poltrona perto de uma das janelas.
— Desculpe atrapalhar sua leitura Harry, mas queria lhe avisar que amanhã vamos ter nosso dia fora como combinamos. Adam e Ayana vão ficar com meus pais, Terry vai passar o dia com seu antigo amigo trouxa da escola e nós passaremos o dia fora. Queria te perguntar se tem mais alguma coisa que você gostaria de fazer, algo que esqueceu de comprar ou algo assim. — Perguntou Sra. Serafina gentilmente.
— Hum..., eu não quero incomodar, mas tem mais duas coisas que eu gostaria de fazer, se for possível? — Ele perguntou hesitante.
— Claro Harry, o que você precisar, o resto da semana tudo para de funcionar e no domingo vocês voltam para Hogwarts, assim temos que fazer tudo amanhã. O que mais você precisa? — Sra. Serafina como sempre parecia feliz em ajuda-lo. Isso também era estranho.
— Bem, eu não sei se é possível depois de tudo o que descobrimos, mas gostaria de abrir uma conta em um banco trouxa e assim posso comprar o que precisar sem precisar ir sempre a Gringotes para fazer a conversão. E para um caso de emergência, também. — Pediu Harry.
— Essa é uma boa ideia, acredito que precisaremos da presença da sua tia para isso, já que ela é sua guardiã, mas fora isso não vejo problemas. Abriremos uma conta de estudante e você poderá ter um cartão de debito, precisaremos ir até Gringotes para retirar algum dinheiro e converter em libras. — Sra. Serafina estava pensativa pensando nos passos que precisavam tomar.
— Oh. — Harry abaixou a cabeça decepcionado. — Não acredito que ela vá conosco Sra. Serafina, além disso tinha esperança de manter meu dinheiro escondido dos meus tios, acredite se eles souberem tomarão tudo para eles. — Disse tristemente.
Sra. Serafina riu suavemente.
— Harry, lembre-se sobre o que falamos antes, sua herança magica não pode ser roubada ou tomada por ninguém, existem muitas proteções e se por um acaso eles tentassem entrar na justiça para ter alguma coisa ficaria muito confuso para explicarem sobre galeões e magia. — Sra. Serafina sorria divertida e Harry suspirou aliviado. — E tenho certeza que posso persuadi-la a nos acompanhar, então não se preocupe com isso.
Harry acenou e não disse nada, achava difícil que sua tia concordasse a ir a qualquer lugar com um bruxo adulto, mas não tentaria desanimar Sra. Serafina, ela perceberia por si mesma.
— E o que é a outra coisa que você precisa?
Harry então explicou sobre a Editora Aprilis e como eles e o autor Aaron Mason querem comprovar que é Harry Potter que está querendo comprar seus livros.
— Eu tinha pensado em deixar para o verão sra. Serafina, já que tenho tanto para ler e depois terei que estudar para os exames, mas pensei que talvez eles possam ter alguns livros que ensinem oclumência e legilimência sem censura do Ministério, algo mais atual como dito pelo Sr. Boot e talvez até algo de Mason. — Explicou Harry.
— Hum... interessante, eu não conheço essa Editora Aprilis, já devo ter comprado livros deles, claro, mas não prestei atenção. E eles publicam livros sem censura, isso é muito corajoso, e você é muito gentil em comprar livros da loja de Charity Doylen, Harry. — Disse Sra. Serafina sorrindo.
— A senhora a conhece? — Perguntou Harry surpreso.
— Com certeza, sou uma nascida trouxa Harry, e sei sobre o comercio informal e ajudo que sempre que posso, não apenas comprando, mas também ajudando com a divulgação segura. — Sra. Serafina respondeu seriamente. — E sobre visitar a Editora, é uma ótima ideia, mas teremos que escrever uma carta e esperar uma resposta, talvez a Editora esteja fechada durante as festas e eu não sei seu endereço. Vou escrever agora mesmo e se por um acaso não conseguirmos uma resposta até amanhã entrarei em contato com Charity e pedirei os livros sobre oclumência e legilimência que vocês precisam. Ok? — Sra. Serafina se levantou e se dirigiu a porta.
— Ok. Obrigado, Sra. Serafina e boa noite.
— Boa noite, Harry, até amanhã. — Ela deu um último sorriso e saiu fechando a porta.
Olhando o relógio Harry decidiu ler mais dois capítulos antes de ir dormir, o dia seguinte seria bem longo.
Na manhã seguinte depois da corrida Terry e Harry estavam no solar fazendo os exercícios, por causa do frio, Sra. Serafina insistiu que eles usassem o solar para isso e só corressem no tempo frio com feitiços de aquecimento. Olhando para o amigo, percebeu pela testa franzida, além do silencio acabrunhado que algo o incomodava.
— Tudo bem, Terry? — Perguntou, pensado em ajudar.
— Hum? Ah, sim, tudo, tudo bem. — Respondeu ele distraído e sem muita convicção.
— Você vai passa o dia todo com seu amigo, Zack? É esse o nome dele, certo? — Insistiu, pois sentia que esse era o problema.
— Não, não o dia todo, mamãe vai me deixar lá e depois do almoço, papai vai me buscar. Hum, não sei bem como vai ser, nós tivemos uma briga antes de eu ir para Hogwarts e eu não escrevi para ele nenhuma vez. — Terry estava claramente preocupado.
— Porque vocês brigaram? Não são amigos desde o jardim de infância? — Perguntou Harry e pegou uma garrafa de água, estava sedento.
— Sim, somos e ele é muito legal, quase sempre eu ia na casa dele, algumas vezes Zack veio, mas bem é difícil trazer um trouxa para uma casa mágica. Não tem eletricidade, mas tem luz, não tem TV para assistir filmes, no verão podíamos ficar lá fora ou brincar com brinquedos trouxas, mas precisávamos esconder os brinquedos bruxos e manter meus irmãos de falar sobre magia. — Terry disse com um sorriso nostálgico. — Um dia ele veio perguntar para mim se Ayana tomava algum remédio ou algo assim, porque ela disse que no fim de semana ia aprender a voar na vassoura infantil. — Contou Terry e caiu na gargalhada, Harry acompanhou, ao imaginar a pequena Ayana falando muito intensamente e séria sobre voar em uma vassoura para um trouxa.
— Parece que vocês se davam bem, o que mudou? — Perguntou Harry enquanto subiam para tomar banho.
— Bem, Zack era meu melhor amigo, mas eu sempre estava mentido e escondendo coisas dele, nunca podia falar livremente, sabe, mas tudo bem, valia a pena. — Terry suspirou. — Mas então terminamos o primário e ele estava indo para uma escola particular trouxa e começou a falar que íamos nos divertir muito lá. Nem tinha me ocorrido que não tinha uma explicação plausível de porque eu ia para um internato na Escócia. Conversei com a mamãe e ela conversou com a mãe dele e eu com ele, e contamos a mesma história. Que eu ia para uma escola exclusiva onde meus avós e pais tinham estudado, era muito cara e só aceitava filhos de ex-alunos ou crianças especiais. — Disse Terry tristemente.
— Ele não aceitou bem? — Perguntou Harry.
— No começo pareceu que sim, ficou decepcionado, mas entendeu e os pais deles entenderam também, acho que já tinham percebido que éramos um pouco diferentes. Mas então duas semanas antes de embarcarmos para Hogwarts, ele veio falar comigo, disse que internatos não eram legais, que seguir tradições não estava mais na moda ou algo assim, que não era mais popular. Que eu devia quebrar essa tradição, que se eu queria ficar devia falar para os meus pais que eu queria ter uma educação mais moderna e, bem, eu fiquei muito confuso. Não entendi por que ele estava falando assim, cortei ele e disse que queria ir e que escreveria para ele e nos veríamos no verão, ainda seriamos melhores amigos. — Terry parou em frente à sua porta, parecendo triste. — Ele me perguntou porque eu queria ir e eu disse sem pensar que era algo especial, uma escola para crianças especiais com talentos e dons, que minha família ia para lá a séculos e eu queria fazer parte disso. Eu não podia falar sobre magia, mas estava tão empolgado por ir que acho que não pensei. Bem, Zack então disse que se eu me achava tão melhor e especial do que ele, deveria fazer amigos especiais e esquecer que ele existe. — Terry parecia culpado e chateado. — Eu pedi desculpa, disse que não foi o que eu quis dizer, mas ele se recusou a me ouvir, me mandou embora e não quis falar mais comigo. Depois de um tempo fiquei com raiva por ele não estar feliz por mim e aí fui eu que não quis mais falar com ele. Agora nem sei o que vai ser amanhã.
— Bem, ele concordou em te receber, então imagino que não deve mais estar bravo e talvez vocês possam se entender. — Apontou Harry tranquilamente.
— Sim, suponho, mas não sei se vale a pena Harry, quer dizer, vou ter que continuar mentindo para ele sobre o que eu aprendo, sobre a escola, meus amigos, um dia no futuro, sobre meu trabalho. Merlin, nunca vou poder ter uma única conversa com ele onde não possa esconder, mentir ou me esquivar de alguma pergunta ou comentário. — Disse Terry bagunçando os cabelos suados.
— Concordo que parece muito esforço e não muito justo para nenhum de vocês, mas se a amizade de vocês é tão importante e sincera, acredito que vale a pena. Pense o seguinte, mesmo sem magia, não há garantias de que vocês seriam amigos para sempre, muitas vezes as pessoas se separam, podia ele ter se mudado e quando forem para a faculdade você teria ido para Oxford e ele não. — Harry argumentou. — Mas você não vai saber se cortar sua amizade com ele, e ainda por cima culpar a magia por isso, se, quando forem adultos, você perceber que a amizade de vocês é para sempre, conta sobre ser um bruxo e para de mentir, se o Ministério implicar, diz que ele é seu amigo, como um irmão, a 20 anos e que para a família pode falar. — Concluiu Harry. — Só não jogue um amigo fora Terry, apenas porque as coisas são difíceis.
Depois disso Harry foi tomar banho e durante o café da manhã viu seu amigo pensativo e menos preocupado, esperava que ele e Zack se acertassem. Quando terminaram o café, Sra. Serafina levou Adam e Sr. Falc levou Ayana para a casa dos Madakis e, quando voltaram, ele foi para o escritório trabalhar e os três pegaram a estrada. Deixaram Terry em um sobrado bonito de pedras acinzentas e depois foram para a estação pegar o trem para Londres.
— Tenho boas notícias, Harry. Recebi uma resposta da Editora Aprilis, eles estão nos esperando e enviaram o endereço, assim que saímos da consulta medica, vamos ao Beco Diagonal e os visitaremos. — Disse Sra. Serafina enquanto estacionava na estação.
— Que bom. Gostaria de conhece-los. Como faço para pagar a taxa da Sra. Doylen se vou comprar livros direto na Editora? — Perguntou ele, caminhando ao seu lado pela estação em direção a plataforma correta.
— Você não paga querido, ela não te vendeu o livro assim não pode receber, nem Charity aceitaria. — Disse ela e quando entraram no trem se sentaram, pouco antes dele partir.
— Ela me ofereceu para apresenta-los para mim, assim não precisava dela como intermediaria, e pagaria menos, mas recusei e disse que quero que ela sempre compre os livros para mim, assim ninguém sabe o que eu estou comprando. — Informou Harry.
— Isso é muito legal e inteligente, você pode confiar em Charity, ela vai ser sempre leal. Bem, continue a comprar por ela, eles parecem conhece-la e confiam nela, sempre que aparecer querendo um livro do Mason para você, eles venderão. E qualquer outra coisa compre por ela também, mas os de hoje, como ela não é a intermediaria, não vai aceitar pagamento. — Expôs Sra. Serafina e ele acenou.
A viagem durou apenas 30 minutos e estavam em Kensington, um bairro tranquilo, mas com muitos turistas, restaurantes e museus. Havia alguns hospitais, contou Sra. Serafina, onde seu irmão e cunhada trabalhavam algumas vezes por semana, mas também tinham um consultório particular, além de ser onde eles moravam.
O consultório ficava em um sobrado de 2 andares de tijolinhos vermelhos e além do Sr. Martin, que atendia como psiquiatra, e Sra. Elizabeth, pediatra, havia uma psicóloga, uma nutricionista e um fisioterapeuta. Era um grupo animado e todos trouxas que não sabiam nada de magia. Harry passou duas horas sendo cutucado e apertado, não era só um feitiço aqui, ele tirou sangue, exames mais simples ficariam prontos nos dias seguintes, os mais complexos em até 2 semanas. A nutricionista o pesou e mediu e disse estar abaixo da altura ideal, o que tornava o peso incorreto também.
Harry não sabia muito bem o que eles poderiam descobrir que madame Pomfrey não descobrira, ou que tratamento ele poderia fazer que já não estivesse fazendo. Mas esperou paciente e depois de muitas picadas de vacina, ele tinha várias atrasadas e teria que voltar no verão para mais, descobriu que estava com dificuldades no desenvolvimento musculares, isso poderia gerar atrofia no futuro. Isso o deixou confuso e disse ser muito ativo, mas os exames mostravam que ele parecia ter passdo muito tempo em uma posição apertada e imóvel, e claro isso o fez pensar no seu armário e nas horas que passara trancado no espaço apertado sem poder se esticar, ou andar.
O Fisioterapeuta lhe deu uma lista de exercícios para fazer, e lhe recomendou comprar alguns aparelhos de exercícios, como tiras elásticas de resistência, cordas de pular. Também lhe recomendou natação ou andar de bicicleta, mesmo ginastica olímpica seria interessante. Por fim a nutricionista passou uma dieta bem elaborada e Elizabeth algumas vitaminas e recomendou tempo no sol, sempre que ele aparecesse.
Quando deixaram a clínica Harry olhou a lista de aparelhos e novos exercícios, Sra. Serafina olhava a lista da dieta.
— Bem, Harry, você já se alimenta de maneira saudável, mas acho que precisamos colocar mais peixe, salmão e atum ou qualquer outra coisa com ômega 3. Precisamos também de mais vitamina D, no inverno quase não tem sol, na Escócia então, mas assim que começar a primavera passe bastante tempo ao ar livre. — Disse ela, em modo planejamento.
— Sim, senhora, mas o que sobre esses aparelhos? Onde compramos? E onde vou nadar ou andar de bicicleta e ginastica olímpica, nem sei o que é isso. — Disse Harry confuso.
Serafina riu levemente e colocando a mão em seu ombro, disse:
— Não se preocupe, vamos comprar os aparelhos e sobre nadar, vou escrever para madame Pomfrey e ver se ela tem uma ideia, vou falar do peixe também. Sobre andar de bicicleta você vai ter que esperar o verão e sobre ginastica, talvez algumas aulas também possam ser arranjadas durante o verão. Agora vamos pegar um taxi para o Beco e eu te conto sobre o que é esse esporte fascinante. — Disse Sra. Serafina e estendeu o braço parando um taxi facilmente.
Quando chegaram ao Beco Diagonal, Harry já sabia tudo sobre ginastica olímpica, mas tinha certeza que nunca seria capaz de fazer nada assim, imagine, virar mortal em cima de um cavalete de madeira. No Beco Diagonal eles foram para o Gringotes e Harry decidiu falar com seu gerente de contas, já que provavelmente, não poderia vir até o verão com o Sr. Falc visitar seu cofre, pelo menos isso Dumbledore não podia impedir.
Indo até o caixa, Harry solicitou uma entrevista com Ruggedstone e o goblin os encaminharam para uma saleta de espera.
— O que o fez querer encontra-lo Harry? — Perguntou Sra. Serafina curiosa.
— Sr. Falc e eu pretendíamos vir juntos para comunicar a mudança de escritório e para que eu visitasse o cofre da minha família. Mas ele está muito ocupado com tudo, assim posso fazer a comunicação e agradecer. Apenas deixarei a visita para o verão. — Explicou Harry e ela acenou concordando.
— Falc e meu sogro não vão descansar enquanto não tirarem ele de lá e você dos seus tios. — Disse ela para tranquiliza-lo.
— Eu sei, Sra. Serafina, estou mais preocupado com a reunião do Sr. Falc com Dumbledore. O melhor seria se ela nem existisse, mas já que é obrigatório, precisamos que Dumbledore fique tranquilizado, ou ele pode nos dificultar tudo, até ajudar Sirius. — Disse Harry e antes ela respondesse uma das portas de madeiras escuras se abriu e um goblin saiu.
Ruggedstone, era um pouco mais alto que Harry, tinha cabelos e barbas brancas e bem aparadas, se vestia com elegância e usava uma espada embainhada na cintura. Sua presença era imponente e exigia respeito. Harry se levantou imediatamente e estendeu sua mão em cumprimento.
— Olá, Sr. Ruggedstone, eu sou Harry Potter, prazer em conhece-lo. — Disse Harry educadamente.
— O prazer é meu Sr. Potter, por favor, entrem. — Eles entraram todos em um escritório grande, com armas penduras nas paredes e uma mesa de madeira negra como a porta. — Sentem-se. Não o esperava até o verão Sr. Potter, ainda que seja bom conhece-lo.
— Sim, bem desculpe aparecer sem marcar um horário, vim converter alguns galeões em libras e pensei em cumprimenta-lo. Queria lhe agradecer por sua ajuda a alguns meses e também lhe informar sobre a mudança do meu escritório de advocacia. — Disse Harry ansiosamente. — Desculpe, eu não os apresentei, Sr. Ruggedstone está é Sra. Serafina Boot, ela era amiga de minha mãe e meu melhor amigo em Hogwarts é seu filho. Hum, ela está me acompanhando porque quero abrir uma conta em um banco trouxa e por isso estou convertendo os galeões. — Harry ficou vermelho e enxugou a mão nos jeans que usava ao perceber que falava demais.
— Prazer em conhece-la, Sra. Boot. — Ruggedstone ao em vez de estender a mão curvou-se sutil e respeitosamente, Sra. Serafina fez o mesmo.
— O prazer é meu, Ruggedstone — Disse ela com respeito e firmeza, mantendo o contato visual.
— Bem, agora vamos por partes. Não precisa me agradecer por fazer meu trabalho Sr. Potter, mas é muito apreciado sua gratidão assim como sua consideração em vir me avisar sobre a mudança de escritório. O Sr. estava dizendo que mudou o escritório que administra seus negócios e propriedades, além das questões legais. — Sr. Ruggedstone foi direto ao assunto e sua postura era de quem não fazia voltas. — Tive pouco contato com Sr. Corner ao longo dos anos, pois nenhum novo investimento foi feito por ele em seu nome. Como seu gerente de contas tenho autorização da sua família para cuidar do seu ouro, assim nenhum dinheiro sai daqui sem que o investimento seja verificado por mim antes. Mas nunca tive que me preocupar com isso. Quem serão seus novos administradores? E eles ou você pretende fazer novos investimentos?
— Não, senhor. — Disse Harry tentando entender tudo o que ele dissera. — Eu tenho um tutor que administra tudo para mim até meus 17 anos e foi por isso que o Sr. Corner não tentou novos investimentos. Tudo continuará assim, por enquanto, mas eu mudei de advogados. Contratei o escritório do Sr. Boot, marido da Sra. Serafina, a partir de agora eles vão me ajudar com questões legais e espero que em breve nós três possamos nos reunir e falar sobre investimento. — Harry suspirou pensativamente. — No verão pretendo visitar o cofre principal de minha família, também. Diga-me Sr. Ruggedstone, além dos 500 galeões que posso retirar todo mês do meu cofre confiança, posso ter acesso a mais algum outro dinheiro? — Harry perguntou, sabia que não pelo testamento, mas talvez houvesse uma regra diferente em Gringotes.
— Não no mundo magico, você pode acessar seu cofre com a presença de um adulto legal, seu advogado ou tutor, mas apenas com a autorização de seu tutor pode dispor de seu dinheiro. Isso vale para seus negócios e propriedades também, acredito. — Informou Ruggedstone, objetivamente.
— Entendi, hum... bem, obrigada Sr. Ruggedstone. Desculpe tomar seu tempo...
— Espere Harry, um segundo. Ruggedstone, você disse que Harry não pode acessar dinheiro no mundo magico, isso quer dizer que no mundo trouxa ele pode? — Sra. Serafina perguntou inteligentemente.
— Acredito que sim. — Disse o gerente com um olhar de respeito por ela ter percebido o que ele dissera. — Sua mãe Sr. Potter, antes de ir se esconder, deixou algumas determinações a mim e uma delas era o deposito de uma quantia de 5 mil libras anuais em uma conta em um banco trouxa em nome dela. E que se você viesse em busca de dinheiro deveria lhe informar que seu testamento trouxa e seus negócios estão sendo cuidados por este escritório de advocacia. — Ruggedstone terminou de falar e lhe entregou um envelope, abrindo Harry encontrou apenas um endereço e um nome.
Albert Niall
Rua: Huntley St, A-17-2, Bloomsbury, Londres.
Engolindo em seco, Harry, sentiu sua mente voar, um novo testamento, um que Dumbledore não tem acesso. Com dinheiro suficiente talvez para ele colocar suas ideias em pratica.
— Obrigada mais uma vez, Sr. Ruggedstone. Por tudo. — Harry se levantou e estendeu a mão para ele e mais uma vez o goblin imponente apertou, mas claramente, o movimento não lhe era um habito.
Depois das despedidas formais, os dois deixaram o banco, parando apenas para trocar algum dinheiro.
— Mesmo se descobrirmos que a conta não precisa ser aberta, podemos usar esse dinheiro para as compras e é bom você ter algumas libras sempre com você. Nem sempre um cartão de debito é acessível em todos os lugares. — Comentou Sra. Serafina enquanto deixavam o banco. — Onde você gostaria de ir primeiro Harry? A Editora, Escritório ou as compras?
— Escritório, por favor, Sra. Serafina. — Pediu ele humilde.
— Foi o que eu pensei, vamos lá, pegar outro taxi. — Respondeu ela, sorrindo.
Durante a viagem Harry perguntou sobre as questões do cumprimento, como ela e Ruggedstone não se apertaram as mãos e como ele parecia estranho ao movimento.
— Isso se deve ao fato de que cumprimentos de mãos vem da cultura trouxa Harry, seres mágicos apenas se curvam respeitosamente, quanto maior a curvatura, maior o respeito ou conhecimento entre as partes. Entre dois bruxos é assim também, mas, se há afeto entre eles, se cumprimentam com um meio abraço ou um abraço. — Sra. Serafina explicou baixinho, assim o motorista não ouvia.
— Mais uma coisa que eu não sabia, será que Ruggedstone ficou ofendido? — Perguntou Harry contrariado.
— Não Harry, por que os trouxas trouxeram esse habito para o mundo magico, assim Ruggedstone sabe que foi um gesto respeitoso e não se ofenderia. O fato é que a maior parte dos bruxos ou tem medo dos goblins ou não os considera o suficiente para um cumprimento, seja qual for, ele apenas não está acostumado a ser tratado com esse tipo de respeito despretensioso. — Explicou ela, tranquilizando-o. — E no livro que lhe dei sobre maneiras e etiquetas no Natal, você encontrará tudo sobre as maneiras corretas de se cumprimentar em cada ocasião. Mas não se preocupe, você agiu muito bem com seu gerente de contas.
Harry acenou e olhou para Londres, uma viagem de menos de 10 minutos depois e eles estavam em frente a um prédio de escritórios antigo e cinzento, perto da Universidade de Londres. Apesar de antigo o prédio era bem conservado e bem elegante por dentro, eles pegaram o elevador para o 2º andar e perguntaram para uma recepcionista qual escritório era o de Albert Niall. Ela chamou pelo interfone e uma secretária na casa dos 40 anos apareceu e os conduziu para uma sala de espera bonita, mas um pouco austera.
— Um minuto, vou dizer seu nome e ver se ele pode recebe-lo mesmo sem hora marcada, querido. — Disse, Leslie Gunner, a secretária.
Assim que ela disse seu nome, um homem de uns 60 anos saiu de uma das salas apressadamente. Ele era de estatura mediana, tinha cabelos grisalhos, olhos azuis por traz de óculos quadrado, rosto redondo e estava um pouco acima do peso.
— Sr. Potter, que grande prazer o reencontrar, foi uma longa espera. — Disse ele sorrindo, como se Harry retornasse depois de uma longa ausência. — Venha, entre em meu escritório, temos muito o que conversar. Leslie, por favor, cancele qualquer compromisso das próximas 2 horas, pelo menos. Reagende, sim?
E os encaminhou para sua sala, parecia ansioso e animado. Harry decidiu começar com uma pergunta importante.
— O senhor me esperava Sr. Niall?
— Sim, sim, com certeza, desde que soube sobre a morte de sua mãe e recebi a visita de sua tia, imaginei que cedo ou tarde você me procuraria. — Disse ele sentando-se atrás da mesa depois que Harry e Sra. Serafina se sentaram em duas cadeiras confortáveis em frente. — Esperava que, quando isso acontecesse, sua tia não lhe acompanhasse. — Disse ele olhando curioso para Sra. Serafina.
— Desculpe, sou Serafina Boot, sou uma antiga amiga de Lily, da escola, e meu filho e Harry são melhores amigos no mesmo internato. Estou ajudando Harry a descobrir mais sobre os pais, pois seus tios pouco ou quase nada lhe contaram. — Disse ela educadamente. — Infelizmente, quando Lily e James faleceram, eu estava vivendo fora do país e só agora consegui reencontrar o Harry.
— Compreendo e lamento que seus tios não tenham lhe contado nada Harry, mas no que diz respeito ao testamento de sua mãe, foi melhor assim. Desculpe, você se importa se eu o chamar por seu nome? Sr. Potter parece muito formal. — Disse ele simpaticamente, Harry acenou que não.
— Porque diz isso Sr. Niall? E o que diz o testamento de minha mãe? — Harry perguntou ansioso.
— Antes disso Sr. Niall, como sabe que Harry é mesmo Harry Potter? O senhor nem pediu documentos que comprovem quem ele é. — Perguntou Sra. Serafina.
Isso fez o advogado grisalho rir divertido.
— Ora, Sra. Boot, eu conheci o Sr. James e ele é a cara do pai, e os olhos, vi esses olhos em Lily e Brian um cem números de vezes. — Suspirando ao ver seus rostos surpresos, Sr. Niall acrescentou. — Bem, antes de mais nada devo dizer que fui advogado e testamentário de seus avós, acredito que tudo comece com eles.
— Meus avós? — Harry engasgou, estivera tão focado em seus avós mágicos que se esquecera que não sabia nada sobre os avós trouxas. — O senhor os conhecia? Pode me falar um pouco sobre eles? E como hum..., eles morreram?
— Claro, Harry. — Disse Sr. Niall gentilmente ao perceber que ele não sabia nada mesmo. — Seu avô me contratou para resolver seus assuntos legais e de sua pequena empresa a uns trinta anos, ele era contador e depois de trabalhar por muitos anos para uma grande empresa, decidiu abrir seu próprio escritório e era tão bom, serio, honesto e profissional que logo se tornou requisitado e ganhou muito dinheiro. Assim precisou de um advogado e claro fazer um testamento. — Disse Sr. Niall com o olhar distante. — Sua avó tinha sido professora, mas depois que sua tia nasceu, pelo que sei, deixou de trabalhar fora. Eu não era amigo próximo deles, mas tinha grande respeito e carinho pelos dois, sua avó Jacinth era uma mulher muito doce e uma grande cozinheira. Sempre que ela acompanhava Brian ao meu escritório, trazia me alguns biscoitos, tortas ou bolos deliciosos e algumas vezes minha esposa e eu íamos jantar em sua casa. — Sr. Niall suspirou saudoso. — Meu Deus, que comida mais saborosa, nunca comi nada tão bom, nunca digam isso a minha esposa, mas é verdade. Sempre que eu a elogiava dizia que amava cozinhar e que por isso ficava tão bom, e que sentia um prazer ao alimentar as pessoas.
Harry com um nó na garganta, trocou um sorriso com a Sra. Serafina. Talvez fosse de sua avó Jacinth que herdara seu gosto por cozinhar.
— E meu avô? — Perguntou ele em um sussurro rouco.
— Brian Evans, um homem formidável, muito sério, gênio em matemática, adorava os números. Muito profissional como eu disse e amava esportes, estava sempre acompanhando futebol, torcia para o Liverpool e adorava analisar as estatísticas dos jogos. Incrivelmente inteligente, investia seu dinheiro com cuidado e sempre prevendo o mercado, nunca o vi errar e perder um centavo. — Sr. Niall sorria e continuou animado. — Mas seus grandes amores eram sua esposa e as filhas, era completamente dedicado a elas. Era muito protetor e amoroso com sua avó e adorava fazer sua tia e mãe rirem, ele era um bom pai e um marido exemplar.
Harry acenou sentindo seu coração se aquecer, de afeto e orgulho ao saber que vinha de pessoas tão boas, queria saber mais e mais, mas sabia que tinha que se concentrar no testamento de sua mãe.
— O senhor sabe como morreram? — Perguntou Harry, decidindo que seria sua última pergunta sobre eles.
— Sim, infelizmente, seus avós sofreram em um acidente de carro fatal, os dois morreram instantaneamente e a única coisa boa que se pode tirar dessa tragédia é que eles se foram juntos. Brian e Jacinth se amavam muito e se um deles tivesse vivido ao outro teria sido arrasador para aquele que ficasse. — Sr. Niall estava sinceramente triste. — Eles faleceram algumas semanas depois que você nasceu Harry, cheguei a falar com seu avô, Brian estava tão orgulhoso e feliz, disse que você tinha seus olhos, me mostrou uma foto e tudo.
Harry voltou a acenar e olhou para suas mãos, fungou e piscou tentando não chorar, teria sido incrível conhece-los, sua avó poderia ter lhe ensinado a cozinhar e seu avô lhe ensinado matemática e levado ao estádio para ver um jogo, como o Prof. Bunmi com Terry. Pigarreando, tentou afastar os pensamentos, não poderia ficar pensando no que poderia ter acontecido se todos não tivessem morrido, enlouqueceria.
— Obrigada por me contar tudo isso Sr. Niall, é muito bom saber um pouco sobre eles. O senhor poderia me contar sobre o testamento de minha mãe agora? — Perguntou ele, se esforçando para se concentrar no presente.
— Bem, antes deixe-me explicar que houve uma grande briga de sua tia com sua mãe durante as disposições do testamento de seus avós. — Sr. Niall suspirou e usando o interfone pediu a secretária, Leslie um chá para os três. — Seu avô emprestara algum dinheiro a Sra. Dursley e seu marido, para comprarem uma casa em Surrey logo depois que se casaram. Eles pagariam aos poucos, mas Brian não era tolo e não gostava muito do genro e veio até mim para mudar o testamento. Apenas uma precaução, claro, ele não tinha como saber que morreria tão cedo. Seus avós dividiram as aplicações e dinheiro igualmente entre as filhas, mas deixaram a casa deles, que ficava em um bairro muito bom e que apenas valorizou ao longo dos anos, apenas para Lily, caso a dívida não fosse paga.
— Imagino que tia Petúnia e tio Vernon não ficaram nada felizes. — Comentou Harry.
— Sim, claro, seu avô acreditou que quando a dívida fosse paga, ele mudaria o testamento de volta, mas logo em seguida seu primo e você nasceram com uns dois meses de diferença e Brian voltou a mudar o testamento. Sr. Dursley nem esboçara qualquer movimento de pagar a dívida e na verdade parecia dar a impressão ao seu avô que considerava um presente e não um empréstimo. — Explicou Sr. Niall levemente constrangido.
— Meu avô era muito esperto e teve a impressão certa. Tio Vernon sempre tem a noção de que o mundo lhe deve e, quando consegue algo, é de seu merecimento mesmo que prejudique outra pessoa. Bem feito, é uma das suas expressões preferidas. — Comentou Harry com azedume.
— Sim, eu o conheci na leitura do testamento, sujeito desagradável. Como eu dizia, quando do nascimento do seu primo e depois o seu, Brian voltou a me procurar e fez alguns novos investimentos em seu nome e no de Dudley, como um presente para o futuro, vocês só terão acesso ao completarem 21 anos e isso se vocês estiverem na universidade e fazendo coisas boas de suas vidas. — Disse Sr. Niall o olhando com atenção, mas Harry apenas acenou, nunca faria nada que pudesse deixar seu avô decepcionado com ele, mas Dudley tinha grandes chances de estar na cadeia. — Seus tios quando souberam que a metade da casa estava perdida pelo empréstimo que consideravam um presente, ficaram muito zangados. Queriam contestar o testamento, alegaram que o empréstimo era uma mentira e depois, que já tinham pago, mas Brian tinha tudo bem organizado. Sua mãe estava arrasada com a morte dos pais e ficou furiosa, parecia que elas já não se davam bem, não sei porque, mas seu pai, com você nos braços, teve que segurar Lily para que ela não partisse para cima da sua tia.
Harry não pode deixar de sorrir, sua mãe parecia ter um temperamento, gostaria de ter lembranças dessa cena.
"Depois de tudo concluído sua mãe decidiu me manter como seu advogado e os investimentos de seu avô. Poucos meses depois Lily voltou, parecia muito preocupada, você não veio com ela e estava decidida a fazer um testamento bem detalhado e outras manobras financeiras. Eu a pressionei e me contou que alguns inimigos de James, ele era um homem muito rico me explicou, tinham ameaçado sequestrar ou matar você, Harry. Foi então que percebi que não estava apenas preocupada, mas apavorada também, insisti que se colocasse em segurança e me explicou que estava fazendo isso mesmo. Indo para uma casa segura, mas antes tinha que fazer garantias para o caso de algo acontecer com eles ou para fugirem do país. — Sr. Niall estava muito sério e triste. — Imagine minha tristeza quando fiquei sabendo que os dois tinham sido assassinados.
— Como Sr. soube do que aconteceu com eles, Sr. Niall? — Perguntou Sra. Serafina curiosa e Harry também franziu o cenho, um trouxa não deveria saber sobre coisas que aconteceram no mundo magico.
— Ah, e é aí que tudo fica ainda mais difícil, Sra. Dursley veio me procurar com você, Harry, nos braços e contou sobre o assassinato de seus pais e que agora era sua guardiã legal. Disse que queria saber da herança que sua irmã lhe deixara, que pertencera a seu avô, pois como o criaria precisaria de ajuda financeira. — Sr. Niall suspirou parecendo meio culpado. — Sr. Dursley agia como se o dinheiro fosse dele e fazia planos descarados na minha frente, percebi que pretendiam te roubar e menti. Disse que Lily retirara todo o dinheiro dos investimentos, vendera a casa dos seus avós e que eu não era mais o responsável por nada ou qualquer testamento. Sei que o que eu fiz foi ilegal, mas eu gostava muito de seus avós, Harry, e me parecia um crime contra sua memória permitir que eles roubassem sua herança. Espero não ter lhe prejudicado muito.
Harry estava chocado, Sr. Niall salvara sua herança, ele tinha muito dinheiro do mundo magico, mas teria sido horrível perder o dinheiro deixado por seu avô e sua mãe para os Dursleys, que Harry sabia muito bem o teriam tratado do mesmo jeito se tivessem tido acesso ao dinheiro.
— Sr. Niall, o senhor nunca vai saber o quanto sou grato. Meus tios teriam roubado cada centavo e ainda achariam justo por me terem acolhido de muito má vontade em sua casa. Muito obrigada, mesmo. Meus avós e meus pais, eu tenho certeza, aprovariam o que o senhor fez. — Disse Harry, sinceramente.
Sr. Niall, parecia muito aliviado e sorriu.
— Obrigada Harry, isso sempre me pesou, fico muito aliviado com suas palavras. Bem, falando do testamento de sua mãe, ela organizou tudo de maneira que se algo acontecesse com ela e James tudo seria transferido para seu nome e você deveria ter acesso, sem restrição de idade, apenas com a presença de seu guardião. — Sr. Niall tinha uma expressão preocupada. — Que eu imagino ainda seja seus tios e por isso eu disse que eu esperava sua visita com outro guardião. Legalmente, por você ser menor, não pode tomar decisões legais sem autorização deles, ainda que todo o dinheiro esteja disponível.
— Não posso pedir qualquer coisa a eles Sr. Niall, eles roubariam tudo se soubessem, existe alguma coisa que se possa ser feita? — Perguntou Harry com o um nó no estômago, olhou para a Sra. Serafina e ela lhe sorriu.
— Sr. Niall, como o senhor pode imaginar a vida do Harry não foi muito feliz ou saudável na casa de seus tios. Se eu tivesse como encontra-lo antes teria intervindo, mas infelizmente, nunca soube o sobrenome da irmã de Lily e como estava vivendo nos Estados Unidos naquele período, perdi contato com Harry. — Sra. Serafina explicou. — Mas meu marido e eu já decidimos entrar com uma solicitação pela guarda legal dele e acreditamos que vamos ganhar. Mas isso pode levar algum tempo, o senhor acredita que se conseguirmos apenas a assinatura da Sra. Dursley sem sua presença física, seria o suficiente?
— Acredito que sim, uma declaração onde ela dá plenos poderes ao sobrinho para decidir sobre sua herança. Sim, isso seria o suficiente, e depois quando vocês tiverem a guarda isso nem será mais necessário, pois como guardiões legais poderão administrar tudo para o Harry. — Disse Sr. Niall sorrindo.
— Gostaria que o senhor continuasse a cuidar de tudo para mim Sr. Niall, meu avô quereria isso também. O Sr. Falc, marido da Sra. Serafina cuida da herança do meu pai e prefiro deixar separado. — Disse Harry simplesmente.
— Isso é muito gentil de você, Harry e ficarei feliz em continuar a cuidar de tudo. Minha preocupação é que não acredito que a Sra. Dursley assinaria tal autorização. — Disse ele olhando confuso para Sra. Serafina que sorriu.
—Não se preocupe, a Sra. Dursley vai assinar, na verdade vamos fazer uma visita para ela hoje mesmo, assim, se o senhor puder me conseguir o papel necessário. — Pediu Sra. Serafina.
Harry também não acreditava que sua tia assinaria, mas não disse nada. Sr. Niall, pediu que sua secretária digitasse o documento enquanto eles tomavam chá e ele lhe mostrava exatamente o que era sua herança. Em investimentos em ações e aplicações bancarias, muito bem-feitas por seu avô, o total era de 835 mil libras, esse era um dinheiro que estava indisponível, seria necessário vender ações ou desfazer aplicações para acessa-lo. Sr. Niall recomendou que deixasse assim até ser maior de idade e assim com mais conhecimento para reaplicar e reinvestir. Harry percebeu que precisaria da ajuda do Sr. Chester, muito antes do que previra. E teria que aprender sobre economia e mercado financeiro.
O dinheiro nas contas em seu nome, havia uma conta na Irlanda, para sua surpresa, uma na Inglaterra e outra na Suíça. A da Suíça era a que recebia um deposito anual de 5 mil libras, lá não era necessário apresentar uma declaração do dinheiro e Harry sabia o suficiente para entender que sua mãe fora muito inteligente e que devia ter pensado seriamente em fugir. No total as três contas tinham um total de 583 mil libras e Harry ficou impressionado com tanto dinheiro. A casa que ficava em Somers Town, um bairro de Londres que se valorizara muito ao longo dos anos, tinha um valor astronômico, caso Harry quisesse vender, o que ele não queria.
Sentindo-se chocado por ter tanto dinheiro e preocupado que seus tios tentassem lhe roubar, Harry se manteve em silencio durante as compras que fizeram depois de deixarem o escritório do Sr. Niall. Quando compraram tudo o que ele precisava para fazer seus exercícios e fortalecimento muscular, além das vitaminas, pararam para almoçar em um restaurante na beira do rio Tamisa que servia peixes deliciosos. Sra. Serafina pediu os que continham mais ômega 3, seja lá o que fosse, mas que faria bem aos seus músculos, e com muita fome Harry comeu com gosto.
— Você está preocupado com a visita a sua tia, Harry? — Perguntou Sra. Serafina quando já estavam na sobremesa.
Harry estava comendo tiramisu pela primeira vez e era incrível, não pode deixar de imaginar como fazê-lo. Ele acenou e engoliu o doce divino.
— Sim, Sra. Serafina, conheço minha tia, vai ser difícil ela assinar a autorização para a aula de carpintaria, se ela souber de todo esse dinheiro, vai quere tomar tudo para eles. — Disse Harry aflito.
— Não se preocupe Harry, vou lançar um feitiço de ilusão simples no papel e ela vai achar que está assinando para sua aula de carpintaria. — Sra. Serafina disse com um sorriso. — No mundo trouxa não é possível detectar a intenção na assinatura, assim tudo será legal. Não é muito ético o que vou fazer, mas essas pessoas já lhe tiraram sua infância Harry, não vou permitir que lhe tirem a herança de seus avós e da sua mãe.
Harry acenou agradecido e sem palavras, sabia que isso era algo que a Sra. Serafina não faria de consciência tranquila, mas ela faria para protege-lo. Nunca ninguém fora tão longe por ele.
— Obrigada, senhora. — Foi tudo o que ele pode dizer.
Depois disso eles deixaram o restaurante e foram para a estação, mas em dado momento Sra. Serafina perguntou:
— Harry, tem algum lugar perto da casa dos seus tios que poderíamos aparatar que estaria vazio neste momento?
— Hum, sim, o parque com certeza está vazio com todo esse frio e tem um conjunto de arvores onde podemos aparatar, assim se tiver alguém, eles não poderão nos ver. — Disse Harry animado com a ideia de irem mais rápido.
— Ótimo, mas você terá que nos guiar Harry, pensarei em Surrey e nos aparatarei para lá, mas você terá que se concentrar com determinação no parque, no lugar exato que você nos quer pousar. Acredita que consegue? — Ela perguntou enquanto o conduzia para um beco vazio, sujo e malcheiroso.
Harry acenou firmemente, mesmo que seu estomago estivesse em cambalhotas, mas antes que pudesse pensar muito, Sra. Serafina segurou seu braço e eles aparataram com Harry pensando firmemente no conjunto de arvores do parque e que os queria lá. Quando o aperto acabou ele abriu os olhos e olhando em volta viu que conseguiram.
— Estamos aqui, Sra. Serafina. — Disse Harry e tomou a dianteira para sair do parque e ir para a rua dos Alfeneiros.
— Muito bem Harry, você tem um jeito para aparatação. — Disse ela sorrindo orgulhosa e Harry corou percebendo que nem ficara enjoado.
Os dois caminharam calmamente pela travessa Magnólia e estavam na rua de casas iguais, quando chegaram ao número 4 Harry suspirou de alivio ao ver que o carro não estava, sem seu tio Vernon presente seria um pouco mais fácil.
— O que foi? Você está bem? — Perguntou Sra. Serafina preocupada.
Harry acenou e explicou sobre a ausência do seu tio acrescentando.
— Minha tia é bem pior quando ele está por perto.
— Hum, ela é? Bom saber. — Disse ela e depois caminhou decidida na direção da porta e bateu firmemente.
Harry se colocou ao seu lado e quando a porta abriu viu sua tia com expressão azeda olhar para a elegante mulher e antes que pudesse dizer que não queria comprar nada, o viu e sua expressão mudou para uma de fúria e desprezo.
— O que você está fazendo aqui!? — Gritou tia Petúnia pálida de tanta raiva. — Eu lhe disse que não queria vê-lo e nem me lembrar da sua existência até o verão, e quem é essa aqui, uma outra aberração?
Harry sentiu a raiva subir e teve que controlar a vontade de enfeitiça-la, poderia aguentar os seus ataques contra ele, mas não ficaria calado quando a via atacar a Sra. Serafina.
— Eu vim conversar com a senhora, tia Petúnia, não por minha vontade, acredite. Podemos entrar ou quer que falemos certos assuntos aqui para todos os vizinhos ouvirem? — Harry disse friamente.
Petúnia não teve tempo de se surpreender com sua atitude, pois ao pensar nos vizinhos ficou ainda mais pálida e os conduziu para dentro rapidamente, olhando discretamente, para ter certeza que ninguém os vira entrar.
— Entrem, vamos. Não quero que os vizinhos vejam vocês na minha porta. — Ela os levou para a cozinha, anormalmente, limpa, branca e reluzente com o cheiro de produto de limpeza de sempre. — Diga logo o que veio fazer aqui garoto e vá embora, e seja discreto. — Disse com desprezo, mal lhe lançando um olhar.
— Pensei ter entendido que, sem seu tio por perto, ela ficava melhor? — Perguntou Sra. Serafina e sua voz não escondia a própria raiva.
— Acredite, se ele estivesse aqui seria muito pior. — Disse Harry, detestando estar naquela casa e o sentimento de amargura e desesperança que sentia.
— O que você andou dizendo menino? Se andou contando mentiras sobre nós, deixarei seu tio saber e ele o colocará de castigo o verão inteiro. — Disse Petúnia o olhando com raiva. — E quem é você? Umas daquelas...
— Bruxas? — Interrompeu Sra. Serafina com frieza dando um passo para a frente. — É isso que ia dizer Petúnia? Sim, eu sou uma bruxa, uma nascida trouxa como Lily era, você se lembra dela, não é? Nós éramos amigas em Hogwarts, Lily me falou algumas vezes que tinha uma irmã e eu contava a ela sobre meus irmãos. Eles são sem magia também, sabe, como você.
A expressão de tia Petúnia era impronunciável e sua pele estava cinzenta.
— Não fale de suas anormalidades em minha casa ou...
— Ou o que? Vai nos deixar morrer de fome? Nos trancar em um armário? Ou talvez nos fazer trabalhar até não poder mais, como um escravo? — Sussurrou Serafina com olhos mortais e deu outro passo para frente.
Tia Petúnia lhe lançou um olhar que prometia que ele pagaria por isso, mas Harry não teve medo, pela primeira vez a olhou de volta com o queixo erguido a desafiando.
— Você vai pagar por isso seu...
Mas Sra. Serafina não lhe deu oportunidade de terminar e deu outro passo à frente se colocando entre os dois e tirando o contado visual que ela tinha dele.
— Pagar? Acredita que vou permitir que você o machuque agora que estou em sua vida? Se soubesse como te encontrar antes teria feito a sua vida um inferno, por isso sugiro que utilize os próximos meses, não para se esquecer da nossa existência, mas para se preparar para nos ter em sua vida, intimamente, porque além de Harry sua casa vai ser o lugar de visitação preferido dos amigos de Lily. — Disse Sra. Serafina furiosamente, Petúnia ficou ainda mais pálida. — E se Lily estivesse aqui Petúnia, a melhor pessoa e a mais talentosa bruxa que eu já conheci, ela estaria tão decepcionada e a faria pagar caro.
— Isso não a impediu de morrer, não é? — Disse tia Petúnia maldosamente.
— O que disse? — Sra. Serafina perguntou chocada.
— Eu disse que ser tão maravilhosa e tão bonita e especial ou ter toda essa magia não a impediu de ser morta como uma barata. No fim foi a magia que tanto a fazia especial que a matou e ela nem pode se defender. E acabei com esse... esse menino em minha casa, eu queria uma vida normal longe dessas... coisas e o que eu ganhei? — Petúnia disse lívida de fúria.
Sra. Serafina estava tão zangada que não conseguiu responder, mas Harry deu um passo para o lado e olhou para ela, também muito pálido.
— Não foi a magia que a matou tia Petúnia, foi um homem, um bruxo muito mal, um assassino. — Harry disse e quando ela o encarou percebeu que seus olhos eram parecidos com os de sua mãe, apenas de cor diferente. — Existem pessoas más nos dois mundos tia Petúnia, e boas também, a senhora quer ser tão normal, mas me tratou do jeito que tratou e eu fiquei doente. Estou fazendo tratamento para me curar da minha doença que não foi a magia que causou, foi você e tio Vernon com sua normalidade e ódio pelo que é diferente. E aposto que Dudley também ficará doente de tanto que come assim como eu do pouco que comi aqui. Você ganhou um sobrinho e a chance de superar sua inveja e ciúme quando meus pais morreram, mas na verdade perdeu essa chance e a culpa não é da minha mãe ou da magia e sim sua. — Disse Harry com desprezo. — Vou voltar aqui no verão, mas as coisas serão deferentes, não serei mais tratado como antes e comerei o quanto precisar para manter minha saúde. E se voltar a ouvir você ou o tio Vernon falando mal dos meus pais, vou transforma-los em uma barata e mostrar como se mata uma. — Sua ameaça foi feita com frieza e sua tia arregalou os olhos apavorada.
— Essa é uma boa ideia Harry, sabe, Petúnia, seu sobrinho é o melhor aluno do seu ano. Recebe um monte de elogios dos professores e está aprendendo um monte de magias. — Serafina disse divertidamente e viu a mulher com cara de cavalo ficar ainda mais pálida. — Lily estaria tão orgulhosa e saiba de uma coisa, estarei tão de perto olhando para o Harry e sua segurança quando ele estiver aqui que você vai pensar que essa é minha segunda casa. — Encerrou Sra. Serafina com um olhar determinado.
Houve um silencio pesado e carregado de tensão, até que Petúnia encontrou uma voz engasgada para dizer:
— Digam porque vieram e depois deixem minha casa.
— Com prazer. Harry precisa que você assine essas duas autorizações para ele fazer algumas aulas extras em Hogwarts. São aulas importantes, mas precisa que os responsáveis autorizem. — Disse Sra. Serafina lhe entregando os papeis, tinta e pena.
Tia Petúnia fez uma cara de nojo e desprezo, mas rapidamente, assinou sem nem prestar atenção no que estava assinando, depois os olhou e se encaminhando para a porta a abriu bruscamente.
— Fora, e não volte até o verão. — Disse ela duramente.
Foi quase o mesmo que ela disse na estação meses atrás, mas desta vez Harry tinha uma resposta.
— Com prazer, tia Petúnia. — Disse ele com um sorriso doce.
— Nós, voltaremos no verão, até mais, Petúnia, foi um prazer te conhecer. — Disse Sra. Serafina com sarcasmo.
Harry saiu pela porta da frente com Sra. Serafina o seguindo, depois que passaram, a porta se fechou em um estalo suave, provavelmente, para não atrair a atenção dos vizinhos. Assim que começaram a fazer o caminho de volta para o parque Sra. Serafina disse:
— Sinto muito ter perdido a calma, Harry, aquela mulher me tirou do sério, eu sabia que sua vida com eles era difícil, mas não esperava tanto ódio e desprezo. — Colocando sua mão em seu ombro suavemente, continuou. — Você não deve se preocupar, não deixarei que ela te castigue pelas coisas que eu disse.
— Não estou preocupado Sra. Serafina, eu a enfrentei pela primeira vez e não vou voltar a ser o mesmo garoto passivo e obediente de antes. — Parando de andar Harry abriu um sorriso ao encara-la. — Na verdade, eu também não pretendo deixar que ela me trate injustamente nunca mais. E o melhor de tudo isso, ela assinou sem nem olhar os papeis, acho que o feitiço de ilusão nem era necessário. — Concluiu ele e não aguentando riu divertido.
Serafina ao vê-lo tranquilo e alegre, ficou aliviada e riu também, não era do tipo de pessoa que perde seu temperamento facilmente, mas aquela mulher, tivera que se segurar para não lhe dar uns tapas, por Merlin.
Eles caminharam de volta para a segurança das árvores e depois aparataram para o ponto de aparatação do Beco Diagonal. Serafina disse que era menos arriscado do que tentar o beco trouxa que poderia ter alguém e eles não tinham como saber.
— O que você acha de irmos até a Editora Aprilis, já que estamos aqui, assim não precisamos mais voltar. Depois vamos até o escritório do Sr. Niall e em seguida para Godric's Hollow. — Sugeriu Sra. Serafina gentilmente.
Harry acenou sentindo um frio em seu estômago ao pensar em visitar seus pais.
A Editora Aprilis ficava em um prédio vermelho em um dos becos laterais que saiam do Beco principal. Eles eram mais estreitos, e curtos, como ruelas sem saída e tinham alguns prédios vazios e malconservados. Harry já percebera essas ruelas e como estavam abandonadas.
— São chamadas de ruelas mortas, Harry, ou Dead Alley. Foi uma tentativa de se ampliar o Beco Diagonal, já que as lojas atuais estão quase todas ocupadas a séculos pelas mesmas famílias. — Explicou Sra. Serafina tristemente. — Mas, infelizmente, as taxas e impostos cobrados dos nascidos trouxas são tão absurdas que aos poucos eles foram fechando, assim, ao longo de todo o Beco esses estreitos braços ou ruelas ficaram abandonados. Se algum prédio estiver funcionando como esse é porque eles são mestiços ou puros sangues.
Harry acenou entendendo e colocou mais alguns tijolos em suas ideias. Eles entram no prédio e a recepcionista simpática os orientou para o elevador e o último andar onde ficava os escritórios dos donos da Editora, que já os esperavam. O prédio parecia estranhamente maior por dentro do que por fora e Harry desconfiou que era, e que a magia era responsável por isso. Quando o elevador se abriu no 4 andar eles saíram para outra recepção com uma sala de espera colorida e confortável. A jovem secretária pediu que se sentassem e ofereceu suco de abóbora ou chá, eles recusaram e não tiveram que esperar nem 5 minutos para que uma das portas de madeira azul clara se abrissem e um homem alto de terno marrom saísse, ele era sorridente, tinha olhos e cabelos castanhos e, alguns diriam, era muito bonito.
— Olá, é um prazer imenso conhece-los. Por favor, entrem, tia Julie já está nos esperando. — Disse ele com forte sotaque americano.
Surpresos, mesmo que não sabiam o que esperar, eles os seguiram para uma grande sala muito bem decorada, com as cores azul e bronze predominando. Não precisavam ser Ravenclaws para saberem a qual casa tia Julie pertencera em Hogwarts. Atrás de uma grande mesa de madeira branca, estava uma mulher mais velha, com cabelos curtos e cacheados, totalmente brancos, ela parecia ter uns 70 anos, mas sua altura e elegância em um tailleur azul claro que combinava com seus bonitos olhos azuis, lhe davam certa imponência e respeito. Seu sorriso era doce e convidativo, Harry se viu gostando dela de primeira.
— Olá, meus queridos, que prazer os receber e conhece-los. — Saindo de traz da mesa ela estendeu a mão em cumprimento. — Sou Julia Clark e este é meu sobrinho Arnold Stevenson, bem-vindos a Editora Aprilis.
— Olá Sra. Clark, sou Serafina Boot. — Sra. Serafina apertou a mão dos dois, tia e sobrinho, e depois se virou em sua direção. — E este é Harry Potter.
Sra. Clark o olhou com atenção como se assim pudesse ler sua alma ou ter certeza de sua identidade. Se aproximando, corando um pouco com o escrutínio da mulher bonita e elegante, Harry estendeu sua mão em cumprimento.
— Prazer em conhece-la, senhora, senhor. — Disse Harry educadamente apertando a mão dos dois.
— Ora, o prazer é todo nosso, quando tia Julie disse que Harry Potter estava vindo nos visitar eu quase nem acreditei. Até mesmo em meu país você é famoso Sr. Potter. — Disse Sr. Stevenson simpaticamente.
Harry ficou sério na hora, não estava ali para falar dessa história de fama estupida e sim mostrar sua credibilidade para comprar os livros de Aaron Mason.
— Arnie! Não seja bobo, meu querido, duvido muito que o Sr. Potter tenha interesse em se lembrar de sua fama, ou você se esqueceu do que aconteceu naquela noite. — Repreendeu Sra. Clark.
— Me desculpa, não quis gratificar sua fama, apenas comentei que mesmo nos Estados Unidos você e sua história são conhecidas. — Disse Sr. Stevenson seriamente e parecia sincero.
— Tudo bem, apenas não gosto quando as pessoas agem como se eu deveria ser feliz ou comemorar minha fama, como se o assassinato dos meus pais fosse apenas um detalhe sem importância. — Disse Harry firmemente.
— E você está absolutamente certo em não gostar, Sr. Potter. Por favor, vamos nos sentar, vou pedir a Kim que nos traga um chá e um chocolate quente bem saboroso para você. — Disse Sra. Clark sorrindo docemente. Em alguns minutos todos estavam acomodados e com uma xícara nas mãos, o chocolate era bom, mas o seu era melhor, considerou, Harry.
— Sr. Potter, a Srta. Doylen nos visitou a algumas semanas procurando pelos livros do Sr. Mason, dizendo ser para um cliente especial. — Sra. Clark partiu direto para o assunto o que fez Harry gostar ainda mais dela. — Ela nos mostrou sua carta e apenas isso nos persuadiu a vender os livros solicitados. Sr. Mason é uma pessoa extremamente cautelosa, muito talentoso, ele escreve e faz os desenhos dos seus manuscritos pessoalmente e se recusa a aceitar a censura do Ministério da Magia. Como ele queria muito publicar seus livros aos cidadãos do mundo magico, aceitou ganhar praticamente nada para publica-los nas outras Editoras, devido as taxas e impostos e claro aos contratos mercenários. — Sra. Clarck fez uma pausa bebendo seu chá. — Mas o que mais o incomodou foi que as pessoas comuns, os estudantes de Hogwarts não tinham acesso aos seus livros, apenas ricos e puros sangues conseguiriam compra-los. Ele tentou então limitar quem os comprava, pois não queria que comensais da morte e outros puristas aprendessem com seu conhecimento. Isso, claro, foi negado pelas Editoras e assim ele parou de publicar e apenas continuou a escrever, viajar pelo mundo, pesquisar técnicas de defesa de todo o mundo, magica e trouxa também.
— Isso é incrível e exige além de talento, muita dedicação. Aaron Mason é seu nome mesmo ou um pseudônimo? — Perguntou Sra. Serafina impressionada.
— Um pseudônimo, Sr. Mason é muito discreto e sigiloso, sua vida é dedicada ao seu trabalho e, além de perigoso, ter sua identidade divulgada lhe tiraria a tranquilidade e anonimato que precisa para continuar suas pesquisas e escrita. — Disse Sra. Clark, sorrindo suavemente.
— Eu também não o conheço, ele conversa apenas com tia Julie e prefere não ter contato com muitas pessoas. — Informou Sr. Stevenson.
— Quando decidi abrir esta Editora, ele me procurou, contou de seus problemas com as outras Editoras, fez algumas exigências, entre elas não ter sua verdadeira identidade divulgada e vender os seus livros apenas para pessoas com reputação e credibilidade impecáveis. — Continuou Sra. Clark. — É por isso que a Srta. Doylen não encontrou nenhum dos livros dele, publicados por nós, em nenhuma livraria. Quando ela veio até nós com seu pedido concordamos em vender os três livros que solicitou Sr. Potter, mas o Sr. Mason pediu que um encontro fosse marcado e que eu o conhecesse, antes de vender mais quaisquer outros livros dele. Eu compreendi seu cuidado em ter certeza que você é você e que é uma pessoa idônea que não pretende usar esse conhecimento para realizar maldades. — Justificou Sra. Clark objetivamente.
— Eu compreendo, e não me importo com a necessidade do encontro. Quando voltei ao mundo magico não sabia da corrupção do Ministério, dos preconceitos que ainda fazem parte da sociedade, descobri que em todos os setores há discriminações e injustiças. — Harry tentou organizar seus pensamentos, esse era um momento importante para ele. — Fiquei indignado ao saber que a guerra, todas as mortes, os assassinatos dos meus pais foram tudo em vão e, entrando na casa Ravenclaw, aprendi desde o primeiro dia a questionar, observar, refletir, não fechar os olhos e me deixar ser conduzido como uma ovelha. Foi quando descobri sobre a censura do Ministério aos livros e, enquanto para algumas pessoas o conhecimento que Hogwarts fornece é suficiente, para mim não é.
— Porque isso, Sr. Potter? — Perguntou Sr. Stevenson curioso. — Hogwarts é considerado uma das maiores escolas bruxas do mundo e a maior da Europa.
— Porque meu tempo é curto Sr. Stevenson, vivi no mundo trouxa toda a minha vida e só descobri sobre magia e minha origem quando recebi minha carta. Cheguei a Hogwarts e soube que era o herdeiro de uma importante família, era famoso, um herói e tinha muitos inimigos que poderiam querer se vingar pelo que aconteceu com Voldemort. — Ao dizer o nome Harry ficou feliz que os dois nem piscaram, Sra. Serafina estremeceu levemente. — E como não pretendo ficar passivo com todas essas coisas erradas no mundo magico, não tenho dúvida que em breve farei novos inimigos, por mim mesmo nesse momento, felizmente, assim preciso aprender a me defender, preciso aprender a pensar além do que os alunos de Hogwarts aprendem, preciso me tornar o bruxo que estava destinado a ser quando eu nasci. — Olhando para Sra. Serafina com um sorriso, continuou. — Minha mãe escreveu para a Sra. Serafina quando eu nasci, Sra. Clark, elas eram amigas na escola, e suas palavras quando olhou nos meus olhos, iguais aos dela, pela primeira foi que ela sabia que eu seria um grande bruxo, um grande homem e um belo ser humano. Não tenho a intenção de permitir que minha mãe tenha se enganado, pelo contrário.
Houve um silencio emocionado depois de suas palavras, Sra. Clark usou um lenço para enxugar os cantos dos olhos e Harry olhou para as mãos, levemente, constrangido.
— É exatamente para pessoas como você que o Sr. Mason quer vender seus livros, Sr. Potter e, como ele confia em minha avaliação, tenho certeza que não haverá mais nenhum problema ou atraso em seus pedidos. — Sra. Clark disse suavemente. — Me sinto muito gratificada por proporcionar esse conhecimento a você devido ao meu trabalho aqui na Editora Aprilis. Foi para momentos como esse que decidi, apesar dos custos absurdos e pouco lucro, abrir um negócio no mundo magico Britânico.
— É nascida trouxa, Sra. Clark? — Perguntou Sra. Serafina surpresa.
— Sim, sou, era da casa Ravenclaw como o Sr. Potter. — Respondeu Sra. Clark.
— Eu também era da casa Ravenclaw, desculpe minha surpresa, mas como nascida trouxa sei como é quase impossível conseguirmos bons trabalhos no mundo magico, abrir um negócio então. Eu trabalho como professora no mundo trouxa. — Disse Sra. Serafina.
— E quando terminei a escola 50 anos atrás era o mesmo que na sua época e como é hoje, nada mudou. — Sra. Clark suspirou tristemente. — Mas quando me formei em Hogwarts não era tão simples voltar para o mundo trouxa e conseguir um trabalho, além de não ter qualificações, naquele período as mulheres tinham muitas restrições e nenhum dos direitos que tem hoje e que ainda são poucos. — Sra. Serafina acenou compreendendo e Harry tentou imaginar a quão perdida dever ter se sentido quando percebeu que não tinha um lugar em nenhum dos dois mundos.
— Mas titia teve sorte. — Disse Sr. Stevenson carinhosamente.
— Sorte, sim, suponho que encontrar o amor e descobrir que ele é rico pode ser chamado de sorte. — Disse ela exasperada e riu, todos a acompanharam. — Consegui um trabalho de assistente da assistente, em uma grande empresa de comunicações. Sempre me interessei pela linha editorial, jornalismo e decidi começar nem que fosse de faxineira. Acabei conhecendo um jovem bonito que me convidou para um café, obviamente, eu recusei, mas meu Rob não desistiu e me convidou por três meses seguidos até que aceitei seu convite sem saber que ele era o filho do dono da empresa. Nos casamos, tivemos dois filhos sem magia e ele me deu minha própria revista para gerenciar. — Sra. Clark tinha um olhar nostálgico. — Me envolvi tanto com minha vida trouxa que em alguns momentos até me esqueci que era uma bruxa. E então, o único filho de minha irmã caçula que se casara com um americano e vivia nos Estados Unidos a quase 20 anos, se mostrou um bruxo como eu. — Ela lançou um sorriso carinhoso ao sobrinho e este estendeu a mão com afeto.
— Eu estudei em Ilvermorny, no meu país estamos mais evoluídos em relação as discriminações, elas existem, mas não são institucionais como aqui. Na verdade, atos discriminatórios é considerado crime. — Informou Sr. Stevenson. — Fiquei muito chocado com tudo que minha tia me contou sobre como são tratados os nascidos trouxas no mundo magico Britânico.
— O que a fez decidir por abrir uma Editora aqui Sra. Clark? — Perguntou Harry olhando-a com atenção.
— Bem, sempre quis ter uma editora ou uma revista no mundo magico, quando isso se tornou impossível me dediquei a esse meu sonho no mundo trouxa e acredito ter tido sucesso. — Disse ela pensativamente, seu sobrinho bufou e ela gesticulou para que se calasse, ainda que gentilmente. — Quando meu Rob se foi e notei que meus filhos tinham assumido a maior parte dos negócios e não precisavam mais de mim, percebi que queria realizar meu velho sonho e talvez ajudar o mundo magico a ser um lugar um pouco melhor. Não me importo com as taxas e impostos, ou mesmo o baixo lucro, tenho muito dinheiro, mas aqui na Editora Aprilis não publicamos um único livro censurado. — Afirmou Sra. Clark orgulhosamente.
— Isso é muito louvável Sra. Clark. — Sra. Serafina disse sinceramente.
— Sinto muito por seu marido, Sra. Clark. — Disse Harry baixinho.
— Oh, obrigada meus queridos, o que eu faço é pouco perto do que a vida me deu e eu sinto falta do meu Rob todos os dias, mas incrivelmente construir essa Editora com a ajuda no meu sobrinho preenche meus dias e me alegra, o que sei o deixaria muito feliz. — Disse ela emocionada. — Agora vamos parar de falar de coisas velhas, Sr. Potter tem algum livro que deseje e como vão suas notas na escola, qual seu melhor assunto?
Harry então a preencheu do seu desejo de continuar usando a Srta. Doylen como intermediaria, mas que hoje gostaria de saber se eles têm livros que ensinem oclumência e legilimência, se possível de Mason. Contou sobre suas boas notas e os três assuntos onde se destacava, Poções, Feitiços e Defesa, mas que o preferido era Defesa. Sra. Clark o aplaudiu e felicitou, depois enviou o sobrinho buscar os livros solicitados. Harry, então, descobriu que Mason escrevera dois livros sobre oclumência, mas ainda nada sobre legilimência, mas outro autor, que já escrevera sobre o assunto antes, reescrevera o livro sem censuras e agora as informações eram mais completas. Harry comprou os três e levou um folheto com uma discrição de todos os livros que eles já publicaram, inclusive os de Mason. Eles se despediram muito satisfeitos e Harry prometeu que enviaria a Srta. Doylen assim que precisasse de algo.
Quando pela segunda vez os dois deixaram o Beco Diagonal para pegar um taxi para o escritório do Sr. Niall, Harry caminhava bem mais leve, o dia tinha sido muito mais produtivo e bom do que supusera.
— Sra. Clark é uma mulher formidável, não é mesmo? — Comentou Sra. Serafina já dentro do taxi.
— Sim, gostei muito dela e acho que vamos fazer bons negócios juntos. — Disse Harry sorrindo.
— É mesmo? Ora, fico feliz, você já sabe quais negócios? — Perguntou ela curiosa.
— Ainda não, Sra. Serafina, mas ela quer o mesmo que nós, um mundo magico melhor. Assim é inteligente supor que em algum momento vamos trabalhar juntos. — Disse ele inteligentemente.
Ela só pode acenar concordando com seu raciocínio, pois era bem lógico.
No escritório do Sr. Niall eles tiveram que esperar um pouco, pois ele estava com um cliente, mas em 15 minutos Sra. Serafina lhe entregou, orgulhosamente, a autorização assinada por sua tia.
— Isso resolve tudo, Harry, como sua mãe não deixou nenhuma restrição legal de idade, você pode dispor do seu dinheiro, ações e aplicações com bem entender, graças a essa autorização de seus guardiões. — Disse Sr. Niall objetivamente.
— Eu já sei o que eu quero fazer com esse dinheiro Sr. Niall, mas é um projeto para o verão quando tiver mais tempo para me reunir com o senhor e o Sr. Falc, o administrador da herança dos meus pais. — Harry explicou. — Por agora, gostaria que o senhor conseguisse um cartão de debito para mim, na conta aqui da Inglaterra e um cartão internacional também. Gostaria também que transferisse 80% do dinheiro que estão nas contas da Inglaterra e Irlanda para a Suíça, onde não precisarei fazer declarações. Quanto aos investimentos, durante o verão nos reuniremos e o senhor me explicará cada um e analisaremos quais ainda estão dando lucro e quais precisam ser encerrados, também pesquisarei novas possibilidades de investimento. E por último gostaria que enviasse meus cartões e qualquer outra informação legal para o escritório do Sr. Falc, ele enviará para mim no internato. — Harry falou com firmeza e quando terminou viu o olhar surpreso dos dois adultos, ainda que a Sra. Serafina sorrisse orgulhosa.
— Ok, ficarei feliz em fazer tudo isso e estou ansioso para trabalharmos duro no verão, por um segundo quase parecia que estava ouvindo seu avô. Ficarei muito feliz em trabalhar com você Harry. — Disse Sr. Niall com um sorriso saudoso.
Depois que a Sra. Serafina lhe passou o endereço do escritório do Sr. Falc, eles se despediram e deixaram o escritório, mas ao em vez de pegarem um novo taxi Sra. Serafina sugeriu que passeassem um pouco pelo parque próximo e comessem um lanche, o almoço a muito ficara para traz. Enquanto comiam Harry começou a perceber que a próxima parada era Godric's Hollow e sentiu seu estômago se encher de borboletas.
— A cidade onde eu vivia com meus pais fica longe Sra. Serafina? Vamos de trem ou de aparatação? — Perguntou ele apenas para ganhar tempo.
— Hum, de aparatação Harry, Godric's Hollow fica no oeste do país, perto da fronteira com Gales, na região de Hereford, seriam horas e horas de trem, mas de aparatação chegaremos em um instante. — Disse ela olhando para ele com cuidado. — Você se sente pronto para isso?
— Não. — Respondeu Harry sincero. — Mas não sei se algum dia estarei pronto e eu quero muito fazer isso.
E depois disso se calou, não havia nada mais a dizer e nem mesmo ele poderia entender completamente como ou porque se sentia assim. Depois de comerem Sra. Serafina insistiu que eles caminhassem um pouco pelo parque e visitasse o museu de Darwin que fica por perto. Harry desconfiou que ela queria tranquiliza-lo e distraí-lo antes da visita mais difícil, mas depois descobriu que sua intenção era que eles não estivessem muito cheios, porque a aparatação para Godric's Hollow era mais difícil e longa devido à distância.
— Muito bem Harry, você não conhece um ponto da cidade, mas se concentre em Godric's Hollow, queira estar lá com determinação, eu nos conduzirei para o ponto de aparatação da cidade. — Explicou ela e segurando seu braço firmemente, eles partiram.
Foi um pouco mais demorado, e Harry sentiu uma maior desorientação e quando pousou aos seus pés, pela primeira vez esteve muito perto de vomitar.
— Ugh, isso foi horrível.
— Sim, saltamos metade do país, por isso é mais difícil, mas é uma questão de se acostumar e quando for você quem estiver aparatando e não sendo aparatado será ainda mais fácil. — Disse Sra. Serafina e lhe estendeu uma garrafa de água que ela comprara na lanchonete em Londres por precaução.
A água gelada o ajudou muito e ao olhar em volta percebeu que estavam na borda de uma pequena vila. Ela ficava em uma cavidade ou vale e, de onde estavam mais acima, o que mais se destacava era a igreja antiga de pedra cinza. Eles desceram a estrada calmamente, o frio aumentara muito, mas não estava nevando, eles tinham mais umas duas horas de claridade e sendo o Oeste ainda não estava tão escuro, como estaria nesse horário mais ao Leste.
Quando entraram na vila, Harry a achou bonita com casas antigas e pequenas, suas ruas estreitas com neve da noite anterior a fazia parecer como algo saído de um conto de fadas.
Eles caminharam na direção da igreja e quando as casas se acabaram pararam em frente a última onde parte do telhado estava faltando. A sebe crescera livremente, chegando à sua cintura e ainda havia escombros espalhados pelo que deveria ser um jardim. A dez anos, Hagrid retirara Harry do chalé que permanecia de pé, embora inteiramente coberta de hera escura, neve e com o lado direito do andar superior explodido. Harry percebeu que deveria ser ali que algo acontecera que resultara no desaparecimento de Voldemort e que, por alguma razão desconhecida, ele sobrevivera.
— Por que Dumbledore não a reconstruiu? — Sussurrou Harry.
— Não sei, Harry, talvez ele achou que não deveria tomar nenhuma decisão por você sobre o lugar. Este Chalé lhe pertence. — Sra. Serafina sussurrou de volta.
Tocando o portão enferrujado, contemplando as ruínas do que tinha sido, no passado, uma casa bonita e aconchegante como as vizinhas, Harry sentiu uma grande tristeza envolve-lo. Seu toque no portão, fizeram algumas palavras aparecer, Harry se aproximou mais da placa que se erguera diante deles, através do emaranhado de urtigas e ervas daninhas, como uma flor bizarra que crescesse instantaneamente e, na inscrição dourada na madeira, ele leu:
Neste local, na noite de 31 de outubro de 1981, Lílian e Tiago Potter perderam a vida. Seu filho, Harry, é o único bruxo a ter sobrevivido à Maldição da Morte. Esta casa, invisível aos trouxas, foi mantida em ruínas como um monumento aos Potter e uma lembrança da violência que destruiu sua família.
A toda volta desse texto conciso, havia rabiscos feitos por outros bruxos que tinham visitado o local em que O-Menino-Que-Sobreviveu realizara tal feito. Alguns assinaram seus nomes em tinta perpétua; outros gravaram as iniciais na madeira, outros, ainda, deixaram mensagens. Havia muito agradecimentos e outros dizendo que ele era um herói, as mais recentes lhe desejavam sorte em seu primeiro ano em Hogwarts.
Harry nem soube o que sentia, uma mistura de fúria, traição, nojo e sem hesitar tirou sua varinha e apontou para a placa. Mas, antes que pudesse realizar o feitiço, Sra. Serafina segurou seu braço com firmeza.
— Me deixe, Sra. Serafina, me deixa destruir isso, esse lugar não vai ficar assim como um monumento eterno ao assassinato deles, quero isso, essas mensagens, essas mentiras fora. — Gritou ele enquanto tentava soltar o braço.
— Harry, acalme-se, você não pode fazer magia fora da escola aqui e além disso a casa tem proteções, você como o dono poderia até entrar, mas qualquer ataque, mesmo de você, alertaria o Ministério talvez até Dumbledore. — Disse ela urgentemente.
Harry, ofegante, parou de lutar e se segurando no portão sentiu o enjoo voltar com força máxima. Se afastando na direção de alguns arbustos vomitou tudo o que tinha no estômago até não ter nada além de bile amarga. Sra. Serafina acariciou suas costas e esperou paciente que ele acabasse, depois lhe deu mais água gelada, ele bebeu tudo dessa vez e acalmou a garganta dolorida.
— Sinto muito Harry, devia ter te preparado para isso. — Disse ela suavemente.
Harry não respondeu e olhou para a casa dos seus pais, o Chalé do primogênito, seus pais viveriam ali até Harry crescer e então se mudariam para a Mansão Potter, que não devia estar longe, e ele construiria sua própria família aqui. Podia imaginar seus pais em seus primeiros meses de casados e em seu primeiro ano de vida sendo felizes aqui. Mas tudo mudara e agora essas ruinas eram testemunhas de seus assassinatos e não da morte de um monstro ou do nascimento de um herói.
— Eu não entendo Sra. Serafina, se ele queria esperar que eu decidisse o que fazer com o Chalé, que eu nem sei nesse momento o que eu quero fazer, porque deixou que virasse esse monumento macabro da morte deles. É tão triste, ele não pode ver? — Sussurrou Harry, engasgado.
— Não Harry, acredito que só você pode entender completamente a tristeza disso, talvez ele tenha achado que essa era uma maneira de homenagear seus pais e não deixar que as pessoas se esqueçam do que aconteceu. — Disse ela, mas mesmo enquanto falava percebia que isso não tinha sentido.
Harry riu amargo e cru, afastando a lagrima boba de seu rosto.
— Mas as pessoas esqueceram Sra. Serafina, veja as mensagens, nenhuma é para eles, agradecendo a luta deles, apenas para o seu herói. — Disse ele com escarnio. — E o que dizer do mundo magico, ninguém mais se lembra da guerra ou dos que morreram tão cruelmente, se Dumbledore queria homenageá-los deveria primeiro começar com tentar acabar com o preconceito de sangue. E se um monumento deveria ser feito para lembrar meus pais deveria ser algo bonito, alegre, cheio de vida e amor como eles eram, e não essa casa de filme de terror abandonada, perpetuando a noite em que eles se foram para sempre.
Engasgado de tristeza e raiva Harry se afastou e deu as costas para a casa, caminhando para a igreja.
— Eu não quero isso Sra. Serafina, não importa o que eu tenha que fazer e ainda não sei o que eu quero, mas eu não quero isso. — Disse ele andando apressado.
— Ok, vamos falar com Falc, talvez ele tenha uma ideia do que possamos fazer. — Sra. Serafina disse caminhando sem dificuldade ao seu lado com suas pernas longas.
Harry acenou e quando chegaram a igreja Sra. Serafina assumiu a liderança e o conduziu para a parte de traz, a entrada de um cemitério de aparência antiga. Entrando pelo portão de ferro eles caminharam pelo caminho com neve, Harry não fazia ideia de onde ficava, mas Serafina parecia saber porque caminhava decidida em uma direção. Ocorreu a ele que ela já viera visita-los antes e se sentiu grato por isso. Não demorou muito, mais alguns passos e ela parou, engolindo em seco, Harry deu a volta nela e parou em frente a uma lapide de mármore branquíssima onde estavam gravadas as palavras:
James Potter, nascido 27 de março 1960, falecido 31 de outubro 1981
Lily Potter, nascida 30 de janeiro 1960, falecida 31 de outubro 1981
Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.
Olhando para a lapide Harry percebeu duas coisas, que não sabia o dia de seus aniversários até agora e que eles foram enterrados juntos. Isso deveria conforta-lo, mas não foi o que aconteceu. Harry não entendia porque desde o momento em que ouvira sobre a visita, a vontade de vir crescera e tomara tudo dentro dele e muito menos sabia o que iria sentir quando aqui chegasse. Uma parte dele pensou que ele conversaria com eles, contaria as coisas boas, apenas as boas, de sua vida, e então se despediria e iria embora se sentindo melhor.
Mas ao olhar para a lapide a quantidade de sentimentos que sentiu frami tantas e tão intensas que ele mal sabia no que se concentrar. Ouviu a Sra. Serafina falar com ele, mas mal conseguiu registrar, tentando se concentrar olhou para ela e pediu que repetisse.
— Você quer que eu o deixe sozinho um pouco? — Sussurrou ela respeitosamente.
— Não sei. — Respondeu, por que era verdade.
Harry não sabia o que queria, percebeu ela dar alguns passos para longe, mas não longe demais e sabia agora que ele tinha que fazer alguma coisa. Se ajoelhando suavemente, passou a mão pelo mármore e pelos seus nomes e fechou os olhos tentando não pensar em seus corpos juntos enterrados abaixo dele. Decidiu de concentrar no que planejara dizer nos últimos dias.
— Oi, mamãe, papai, sou eu o Harry, eu... desculpa não ter vindo antes, mas eu não... pude. Eu estou bem, Hogwarts é incrível e os Boots me deixaram passar o Natal com eles, foi incrível e bem, Sra. Serafina me trouxe para visita-los ou seus túmulos, quer dizer... — Tentando se manter no que ensaiara, apesar de ser confuso, prosseguiu. — Queria lhes agradecer por terem me amado e protegido como puderam, sei que foram enganados e sei que o Sirius não é culpado, vou tentar tirar ele de lá, eu prometo. Eu... estou bem e... — Sufocado olhou para o nome deles sentindo-se perdido e confuso e com raiva, não entendia porque estava com raiva. — Eu passei o dia todo hoje tentando entender e.… acho que nunca vou saber e.… porque vocês não foram embora? Porque confiaram em Peter? — Harry se inclinou para frente quando o sentimento se tornou tão grande que achou que ia explodir em seu peito. — Porque vocês me deixaram?
Suas últimas palavras saíram em um lamento enraivecido e ele espalmou as mãos no chão gelado. Engasgado com os soluços que o sacudiam, Harry abaixou a cabeça e olhou para a neve marrom de sujeira e percebeu que nunca teria uma resposta, porque eles eram apenas esqueletos abaixo dele, eles não estavam ali de verdade, esse era apenas mais um monumento triste e vazio. Chorando, como nunca antes em sua vida, Harry se curvou até sua testa encostar na neve.
— Harry, querido... — A voz da Sra. Serafina o alcançou e ele conseguiu controlar os soluços para olhar para ela.
— Eles não estão aqui de verdade Sra. Serafina, são apenas esqueletos, não são eles... — Disse tristemente.
— Eles estão sempre com você Harry, vir aqui é apenas uma forma de você se despedir deles e começar a curar a dor de perde-los, mas eles nunca o deixaram sozinho, onde estiver você poderá senti-los. — Disse ela suavemente.
— Estou tão bravo Sra. Serafina, eles tinham planos de deixar o país, bons planos, porque não foram embora? Porque confiaram em Peter? — Disse ele com raiva.
— Você mesmo disse Harry, eles eram guerreiros, deixar a luta direta já deve ter sido difícil, provavelmente acreditaram que se ficassem aqui, poderiam ajudar de alguma forma, eles confiaram em um amigo, mas eles te amavam Harry...
— Eu sei, eu não sabia, por muito tempo eu pensei que eles não me queriam e eu era um estorvo, mas agora eu sei. Foi o maior presente do mundo Sra. Serafina, eu senti o amor deles e... — Sufocado ele colocou a mão nas letras de seus nomes. — Eu sinto tanta falta deles, tanta, eu não consigo não pensar no que poderia ter sido crescer com eles, sendo amado por eles, e aí eu desejo eles de volta, eu tento não pensar nisso Sra. Serafina, mas eu penso e eu desejo, todos os dias eu desejo tê-los de volta, todos os dias...
— Eu sei, eu sei, Harry. — Serafina chorava baixinho ao ver a dor e a tristeza em seu rosto, em suas lagrimas.
— Eu nem me lembro deles, mas eu sinto tantas saudades, e não vai embora e agora que eu percebi que eu os amos e que eles me amam sinto um dor aqui. — Disse ele apontando o peito. — Parece que vai me sufocar e eu tento ser forte, mas a saudade nunca vai embora. Você acha que um dia vai passar, Sra. Serafina?
— Eu..., não Harry, eu não acho que passe completamente, mas acho que vai melhorar um dia de cada vez. — Disse ela baixinho.
— Mas eu prefiro sentir todos esses sentimentos, antes eu tinha um grande nada, um vazio, eu estava muito sozinho e não conseguia sentir eles ou o amor deles por mim ou o meu por eles, sabe. Agora dói, todos os dias dói, mas agora eu os tenho, Sra. Serafina, eu tenho pais maravilhosos e eu me sinto tão triste porque eu... poderia ter sido um bom filho para eles, eu ia ama-los mais que tudo, mas eles se foram para sempre... e... — Engasgado Harry não suportou mais e deu um pulo na direção de Serafina e a abraçou fortemente pela cintura afundando o rosto em seu peito, chorou e chorou.
Serafina surpresa pelo menino, que nunca se deixava abraçar, abraça-la e sabendo em quanta dor ele estava o abraçou de volta apertado, deixou ele chorar, passando a mão em suas costas suavemente e olhando para o céu cinzento fez uma prece a Lily para que a ajudasse a cuidar dele.
Harry perdeu um pouco a noção de quanto tempo chorou, mas o abraço e as mãos suaves em suas costas e a voz tranquila que zumbia sem palavras o confortaram e aos poucos ele se acalmou. Exausto e com a cabeça dolorida Harry se afastou e olhou para o pulôver cinza da Sra. Serafina, molhado e bagunçado.
— Molhei seu pulôver Sra. Serafina, desculpe. — Disse baixinho.
— Está tudo bem, aqui. — E com um feitiço simples concertou a bagunça. — Prontinho, sempre que precisar de um abraço, por qualquer motivo, eu estarei por aqui.
— Obrigada, por tudo. Sei que ainda tenho dificuldades para entender o amor, mas sei que gosto muito da senhora e da sua família. Acho que quando eu entrei no trem, mamãe estava comigo e me ajudou a sentar no compartimento certo. — Disse ele e olhando para a lapide fria e branca entendeu completamente o que a Sra. Serafina dissera, eles estavam sempre com ele, e não aqui, mas ainda sentia que vir aqui fora importante. — Eu não estou bem, menti, desculpa mamãe, papai, fui tratado muito mal pelos Dursleys e esquecido pelo Dumbledore. Desde que conheci a verdade sobre vocês tenho sentido muita raiva por terem me deixado e sei que não queriam, mas é como me sinto. E me sinto culpado por sentir raiva de vocês, mas isso não me impede de ama-los mais que tudo, e eu prometo que nunca vou esquece-los, vou tentar honrar suas memorias, ser um bom homem e um grande bruxo e ser feliz. Posso sentir o amor de vocês agora, e não quero nunca mais sentir o vazio de antes. Obrigada por terem me amado, obrigada por serem meus pais. — Suspirando Harry se levantou. — Estou pronto para ir embora agora, Sra. Serafina.
— Ok, vamos apenas. — E com outro feitiço um buque de jacintos azuis apareceram. — Jacintos era as flores preferidas de sua mãe.
— Esse era o nome da vovó. — Disse ele sorrindo suavemente.
Se abaixando ele pegou uma das flores e a colocou no bolso e com a Sra. Serafina ao seu lado deixou o cemitério. Ainda estava doendo, ainda estava pesado, mas parecia que seus ombros estavam um pouco mais fortes.
